{"id":9989,"date":"2019-01-10T09:50:20","date_gmt":"2019-01-10T11:50:20","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=9989"},"modified":"2019-01-09T18:57:55","modified_gmt":"2019-01-09T20:57:55","slug":"perspectivas-para-a-economia-brasileira-em-2019-sob-o-governo-bolsonaro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2019\/01\/10\/perspectivas-para-a-economia-brasileira-em-2019-sob-o-governo-bolsonaro\/","title":{"rendered":"Perspectivas para a economia brasileira em 2019 sob o governo Bolsonaro"},"content":{"rendered":"<p><strong>Andr\u00e9 Cardoso,\u00a0Cristiane Tiemi e Olivia Carolino<\/strong>\u00a0&#8211;\u00a0Paulo Guedes, o &#8220;guru&#8221; econ\u00f4mico de Bolsonaro, tem questionado fortemente as pol\u00edticas para a ind\u00fastria brasileira \/ Marcello Casal Jr. | Agencia Brasil.<\/p>\n<blockquote><p>Agenda do novo governo imp\u00f5e desmonte sem precedentes ao desenvolvimento do pa\u00eds<\/p><\/blockquote>\n<p>Fazer previs\u00f5es econ\u00f4micas para o ano de 2019 n\u00e3o \u00e9 tarefa f\u00e1cil j\u00e1 que a economia n\u00e3o se trata de uma ci\u00eancia exata, tendo uma equa\u00e7\u00e3o ou modelo bem estruturado e provado para acertar os acontecimentos futuros, mas um campo das ci\u00eancias sociais, envolvida nas contradi\u00e7\u00f5es de uma sociedade dividida em classes em constantes transforma\u00e7\u00f5es e lutas, onde as causas e consequ\u00eancias n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o f\u00e1ceis de identificar, quase sempre se retroalimentando.<\/p>\n<p>Contudo, a partir de uma an\u00e1lise do passado, o estudo do comportamento das classes e grupos sociais e os desdobramentos econ\u00f4micos e pol\u00edticos, bem como o entendimento da forma\u00e7\u00e3o social e econ\u00f4mica do pa\u00eds \u00e9 poss\u00edvel apontar tend\u00eancias encubadas nesses acontecimentos, com o objetivo de prever seus desenvolvimentos para auxiliar em nossa a\u00e7\u00e3o futura.<\/p>\n<p>Para terminar esse prel\u00fadio, refor\u00e7amos que essa an\u00e1lise exige o desenho do caminho a ser seguido, um m\u00e9todo, e a defini\u00e7\u00e3o de quais as principais vari\u00e1veis observadas que impactam sobre determinadas classes e grupos sociais. Come\u00e7amos analisando a din\u00e2mica internacional para, ent\u00e3o, projetar cen\u00e1rios dos poss\u00edveis desdobramentos na economia brasileira.<\/p>\n<p>Estamos em um momento de instabilidade pol\u00edtica, econ\u00f4mica, social e ambiental no planeta, uma crise do capitalismo mundial que teve seu pico em 2008, que a caracterizamos como estrutural, profunda e prolongada.<\/p>\n<p>Analisemos a partir do PIB (Produto Interno Bruto), que \u00e9 toda a produ\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os de um pa\u00eds medidos no curso de um ano. Se p\u00f3s 2009 (ano em que teve uma varia\u00e7\u00e3o negativa de -1,7%)\u00a0a economia mundial volta a apresentar certa recupera\u00e7\u00e3o nos anos de 2010 (crescimento de 4,3%) e 2011 (crescimento de 3,2%),\u00a0de 2012 at\u00e9 2017 manteve uma taxa de crescimento estagnada em torno de 2,7. Segundo o Departamento de Pesquisas e Estudos Econ\u00f4micos do Banco Bradesco, a previs\u00e3o do PIB mundial em\u00a02018, comparado ao ano de 2017, \u00e9 de queda e para\u00a02019 seguiria a mesma tend\u00eancia.<\/p>\n<p>Quando analisados os mesmos dados por pa\u00edses do capitalismo do centro e da China, embora cada taxa de crescimento esteja em um patamar diferente (EUA com varia\u00e7\u00e3o do PIB em 2018 de 2,7%, Europa em 2,1% e China em 6,5%), o caminho de queda desde 2017 se mant\u00e9m, com queda no com\u00e9rcio internacional e na produ\u00e7\u00e3o industrial.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da tend\u00eancia decrescente do PIB Mundial, observamos um deslocamento do PIB com rela\u00e7\u00e3o aos ativos financeiros. A riqueza operada na l\u00f3gica dos mercados financeiros chegou a representar dez vezes mais que as necessidades de investimento e interc\u00e2mbio, representadas pelo PIB. Em 2009 o PIB Mundial era 58,4 trilh\u00f5es de d\u00f3lares e a estimativa de produtos derivados dos grandes bancos, 603,9 trilh\u00f5es de d\u00f3lares. Dez anos depois, essa tend\u00eancia n\u00e3o foi revertida.<\/p>\n<p>Produto Interno Bruto \u2013 PIB, d\u00edvida p\u00fablica, produtos derivados dos bancos sist\u00eamicos em US$<\/p>\n<p>Mundo, 2003 &#8211; 2013<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/farm8.staticflickr.com\/7888\/46649220591_98b334d3a8_o.jpg?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>Esses fen\u00f4menos indicam o esgotamento de uma forma de acumula\u00e7\u00e3o capitalista, que leva necessariamente a um acirramento da concorr\u00eancia internacional, com um quadro reduzido de mercados consumidores e a busca por novas formas de explora\u00e7\u00e3o e acumula\u00e7\u00e3o do capital, bem como uma disputa pela hegemonia mundial.<\/p>\n<p>Uma das sa\u00eddas que assistimos \u00e9 a \u201cbatalha da manufatura\u201d mundial que se apresenta por meio do desenvolvimento de processos e produtos com avan\u00e7ada tecnologia e alto valor agregado, que alguns t\u00eam chamado de Ind\u00fastria 4.0 com investimentos vultosos dos EUA, Alemanha e China. N\u00e3o se sabe quais os desdobramentos que podem vir dessa \u201cbatalha\u201d, mas segundo o relat\u00f3rio do F\u00f3rum Econ\u00f4mico de Davos sobre o tema, a previs\u00e3o \u00e9 que at\u00e9 2020 haja uma perda l\u00edquida de 5 milh\u00f5es de empregos, extinguindo os de qualifica\u00e7\u00e3o m\u00e9dia e aumentando a vulnerabilidade social dos empregos de baixa qualifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As poss\u00edveis mudan\u00e7as promovidas pela Ind\u00fastria 4.0 apresentam um potencial para combater o modelo de produ\u00e7\u00e3o em larga escala e baixo custo dos pa\u00edses emergentes, o que alteraria as cadeias globais de produ\u00e7\u00e3o afetando os fluxos de com\u00e9rcio. O avan\u00e7o das energias renov\u00e1veis e mais limpas, outro ponto dessa nova etapa de produ\u00e7\u00e3o, modifica a natureza das rela\u00e7\u00f5es entre pa\u00edses industrializados avan\u00e7ados e os polos de produ\u00e7\u00e3o de energia. O avan\u00e7o da economia circular tamb\u00e9m dever\u00e1 reduzir a depend\u00eancia dos pa\u00edses mais avan\u00e7ados com rela\u00e7\u00e3o aos fluxos de mat\u00e9rias-primas dos produtores de commodities. O Brasil, assim como os demais pa\u00edses da periferia, corre o risco de se transformar, ainda mais, em apenas mercado consumidor.<\/p>\n<p>Longe da constru\u00e7\u00e3o de uma Nova Ordem, o que tem apontado no mundo \u00e9 a amplia\u00e7\u00e3o da contradi\u00e7\u00e3o entre a necessidade de aumento da explora\u00e7\u00e3o e os mecanismos de representatividade pol\u00edtica democr\u00e1tica liberal burguesa, com uma ofensiva mundial de for\u00e7as conservadoras, intolerantes e de extrema direita.<\/p>\n<p>Diante da impossibilidade de pol\u00edticas neoliberais apresentarem sa\u00eddas para a crise capitalista, observa-se o apelo das for\u00e7as de direita \u00e0 ret\u00f3rica nacionalista, vazia de soberania, como se o protecionismo e o conservadorismo pudessem resolver as contradi\u00e7\u00f5es do capitalismo global. Observa-se tamb\u00e9m, um deslocamento do discurso de \u201ccombate ao terrorismo\u201d &#8211; como inimigo externo das sociedades &#8211; para o \u201ccombate aos comunistas\u201d ou qualquer for\u00e7a pol\u00edtica identificada com a resist\u00eancia dos povos.<\/p>\n<p>A elei\u00e7\u00e3o de Jair Bolsonaro no Brasil acontece nesse cen\u00e1rio de instabilidade, queda do crescimento mundial e financeiriza\u00e7\u00e3o, de modo que a natureza de seu governo ser\u00e1 a de responder as necessidades da ofensiva neoliberal no Brasil e, portanto, com caracter\u00edsticas de um governo autorit\u00e1rio na pol\u00edtica e ultraneoliberal na economia.<\/p>\n<p>Se existe uma certa imprevisibilidade das pol\u00edticas econ\u00f4micas a serem implementadas pela necessidade de conciliar os diversos interesses dos grupos que comp\u00f5em sua base, o que pode ser considerado como n\u00facleo de seu governo (dada a orienta\u00e7\u00e3o ultraliberal, observada tanto\u00a0nos discursos como na indica\u00e7\u00e3o da sua equipe) \u00e9 a austeridade econ\u00f4mica, a privatiza\u00e7\u00e3o de empresas p\u00fablicas, a entrega dos bens naturais, o Estado m\u00ednimo e enxuto e a ren\u00fancia \u00e0 soberania nacional.<\/p>\n<p>Segundo boletim do Dieese, o marco do novo governo ser\u00e1 a manuten\u00e7\u00e3o do teto de gastos (EC 95\/2016) o aprofundamento da reforma trabalhista e a realiza\u00e7\u00e3o da reforma da Previd\u00eancia Social.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s uma s\u00e9ria recess\u00e3o nos anos de 2015 e 2016 com uma varia\u00e7\u00e3o negativa do PIB de -3,5% nos dois anos observados, 2017 voltou a crescer a uma taxa de 1,0% e a previs\u00e3o para 2018 \u00e9 semelhante, de 1,1%. Essa retomada do crescimento n\u00e3o se deve a alguma medida ativa aplicada pelo Estado, mas apenas a uma flutua\u00e7\u00e3o c\u00edclica da economia tendo como base de compara\u00e7\u00e3o dois anos de resultados negativos.<\/p>\n<p>Produto Interno Bruto &#8211; PIB, taxa de varia\u00e7\u00e3o anual (%)<\/p>\n<p>Brasil, 2008 &#8211; 2019<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/farm5.staticflickr.com\/4875\/46597986962_6391bbfeaf_o.jpg?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p><em>Fonte: Contas Nacionais \u2013 IBGE.\u00a0Elabora\u00e7\u00e3o: Instituto Tricontinental \u2013 Escrit\u00f3rio Brasil.\u00a0Observa\u00e7\u00e3o: (*) estimativa<\/em><\/p>\n<p>As consultorias econ\u00f4micas do mercado, bem como as ag\u00eancias internacionais preveem um crescimento do PIB brasileiro para o ano de 2019 em torno de 2,8%. Mas em que marcos se dar\u00e1 esse crescimento diante das diretrizes acima mencionadas desse novo per\u00edodo?<\/p>\n<p>Ao qualificar esse crescimento do PIB dos dois anos anteriores e a previs\u00e3o para 2019, observamos que os gastos com investimentos (uma vari\u00e1vel importante para um crescimento sustent\u00e1vel, com amplia\u00e7\u00e3o da infraestrutura f\u00edsica e social), ficou pr\u00f3ximo de 16,0%\u00a0do PIB nos anos de 2015 a 2018 (de 2011 a 2014 essa taxa girava em torno de 19,5% a.a.), muito baixo diante da necessidade de crescimento do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Com a manuten\u00e7\u00e3o do teto dos gastos,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2018\/12\/20\/verba-para-investimentos-no-orcamento-de-2019-e-metade-do-valor-de-2014\/\">que orientou o Or\u00e7amento para 2019, tudo indica uma redu\u00e7\u00e3o ainda maior do investimento p\u00fablico, podendo chegar a pr\u00f3ximo de zero<\/a>. Al\u00e9m da reduzida margem de gastos aplicada pela EC 95\/2016, o aumento das despesas com os juros da D\u00edvida P\u00fablica, apontam para um crescimento da d\u00edvida l\u00edquida da Uni\u00e3o com previs\u00e3o em 2018 de 54% do PIB e em 2019 para 56,4%, segundo o Boletim Focus do Banco Central. A primazia no pagamento dos juros ao capital financeiro \u00e9 uma marca de governos alinhados ao Imperialismo, o que indica menos gastos sociais nesse ano.<\/p>\n<p>Ainda qualificando essa previs\u00e3o de crescimento do PIB apontada pelo mercado, ao analisar os dados da ind\u00fastria brasileira (setor que tem a capacidade de impulsionar outros setores por sua cadeia de produ\u00e7\u00e3o mais longa e complexa, al\u00e9m de melhores empregos e sal\u00e1rios) mant\u00e9m tamb\u00e9m um crescimento lento e por vezes estagnado.<\/p>\n<p>A despeito do crescimento da ind\u00fastria, ainda que lento, j\u00e1 assist\u00edamos a um tempo um longo processo de desindustrializa\u00e7\u00e3o precoce brasileira, fruto das pol\u00edticas neoliberais da d\u00e9cada de 90 e as movimenta\u00e7\u00f5es produtivas mundiais, com o r\u00e1pido crescimento e influ\u00eancia da manufatura chinesa. Vale lembrar que o setor tamb\u00e9m foi negligenciado nos \u00faltimos, a \u00faltima pol\u00edtica industrial foi o Plano Brasil Maior que terminou em dezembro de 2013. Com a \u201cbatalha da manufatura\u201d em curso, o Brasil corre ainda mais o risco de ampliar esse processo, visto que as pol\u00edticas para a ind\u00fastria brasileira t\u00eam sido fortemente condenadas pelo ministro da economia Paulo Guedes. A tend\u00eancia para a ind\u00fastria brasileira e demais setores da economia a ela ligadas \u00e9 uma maior depend\u00eancia externa e perda de valor agregado, a amplia\u00e7\u00e3o da reespecializa\u00e7\u00e3o regressiva, ou seja, a uma desarticula\u00e7\u00e3o das cadeias produtivas e ao abandono das atividades mais intensivas em inova\u00e7\u00e3o, indo em dire\u00e7\u00e3o aos setores de menor intensidade tecnol\u00f3gica como os commodities.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que em nenhuma das hip\u00f3teses de crescimento para o PIB se visualiza respostas sustent\u00e1veis para a crise da economia brasileira. A economia brasileira j\u00e1 vinha dando sinal dos limites estruturais do crescimento econ\u00f4mico sem reformas estruturais. A agenda neoliberal do governo Bolsonaro imp\u00f5e um desmonte sem precedentes das possibilidades de desenvolvimento econ\u00f4mico no Brasil, intensificando a primariza\u00e7\u00e3o, a desindustrializa\u00e7\u00e3o e a desnacionaliza\u00e7\u00e3o da economia.<\/p>\n<p>A gera\u00e7\u00e3o de empregos \u00e9 um ponto crucial para uma perspectiva de legitima\u00e7\u00e3o do governo Bolsonaro que foi eleito se arrogando consertar os erros do PT. O fato \u00e9 que entre 2003 e 2016, foram criados cerca de 20 milh\u00f5es de empregos com carteira assinada, uma varia\u00e7\u00e3o de 66,3% na compara\u00e7\u00e3o com 2003. Atualmente, as altas taxas de desemprego em torno de 11,6%, com um n\u00famero de desempregados em torno de 12,2 milh\u00f5es pessoas s\u00e3o um fator de crise social latente.<\/p>\n<p>A Reforma Trabalhista implementada em 2016 que tinha como argumento entre seus defensores a queda das taxas de desemprego, na verdade aponta\u00a0no sentido contr\u00e1rio. Se as consultorias econ\u00f4micas do mercado preveem uma queda dessa taxa para o ano de 2019, essa queda se dar\u00e1 a partir do aumento do trabalho informal (sem carteira) e precarizado. Segundo os dados do trimestre encerrado em novembro de 2018 da PNAD Cont\u00ednua (IBGE), o n\u00famero de empregados sem carteira assinada (11,7 milh\u00f5es) foi o maior da s\u00e9rie hist\u00f3rica. No 2\u00ba trimestre de 2018, registrou-se o menor percentual de pessoas com carteira assinada entre os empregados do setor privado desde 2012 (74,9%). A categoria dos trabalhadores por conta pr\u00f3pria (23,8 milh\u00f5es) tamb\u00e9m atingiu o maior contingente da s\u00e9rie hist\u00f3rica.<\/p>\n<p>Ao analisar a renda salarial, a Reforma Trabalhista teve como impacto o enfraquecimento dos sindicatos de trabalhadores, organiza\u00e7\u00f5es fundamentais para a luta de garantia dos direitos dos trabalhadores e de seus sal\u00e1rios. Houve uma queda no n\u00famero de negocia\u00e7\u00f5es salariais informadas em 2018, bem como a manuten\u00e7\u00e3o das conquistas em patamares de reajustes abaixo do per\u00edodo pr\u00e9-crise 2015\/2016, segundo dados do Dieese.<\/p>\n<p>A desigualdade de renda apresentava queda de 2002 a 2016 (a partir do \u00edndice de Gini), em 2017 parou de reduzir, a renda das mulheres retrocedeu em rela\u00e7\u00e3o a\u00a0dos homens, e a da popula\u00e7\u00e3o negra estagnou em rela\u00e7\u00e3o aos brancos, segundo o relat\u00f3rio da Oxfam Brasil \u201cPa\u00eds estagnado\u201d.<\/p>\n<p>Outro instrumento de distribui\u00e7\u00e3o de renda, \u00e9 a valoriza\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo. A Pol\u00edtica de Valoriza\u00e7\u00e3o do Sal\u00e1rio M\u00ednimo (com vig\u00eancia at\u00e9 2019) \u00e9 fruto de uma s\u00e9rie de lutas e marchas constru\u00eddas pelas centrais sindicais desde 2004 para garantir a valoriza\u00e7\u00e3o desse importante instrumento de distribui\u00e7\u00e3o de renda. Com o enfraquecimento dos sindicatos e os sinais de intensifica\u00e7\u00e3o dessa persegui\u00e7\u00e3o, o que se espera \u00e9 a amplia\u00e7\u00e3o da desigualdade de renda.<\/p>\n<p>O decreto do Sal\u00e1rio M\u00ednimo assinado como uma das primeiras medidas do governo Bolsonaro, no valor de R$ 998,00, inv\u00e9s do aprovado pelo Or\u00e7amento de R$ 1.006,00 aponta nesse caminho com queda da renda e precariza\u00e7\u00e3o do emprego. J\u00e1 em 2017 e 2018 o valor do Sal\u00e1rio M\u00ednimo foi reajustado abaixo do \u00edndice da infla\u00e7\u00e3o (-0,1% em 2017 e -0,25% em 2018), iniciando a tend\u00eancia de combate ao crescimento dos sal\u00e1rios, como resultado do golpe vivido.<\/p>\n<p>Alterar a regra de reajustes do Sal\u00e1rio M\u00ednimo, que recomp\u00f5e os ganhos dos servidores p\u00fablicos aposentados e do abono salarial, est\u00e1 entre medidas necess\u00e1rias para conter o crescimento gastos p\u00fablicos, segundo estudo do IPEA, al\u00e9m de altera\u00e7\u00f5es na Previd\u00eancia Social.<\/p>\n<p>Dessa forma, a hip\u00f3tese de crescimento previsto do PIB em 2019 tem como base a amplia\u00e7\u00e3o da desigualdade de renda, manuten\u00e7\u00e3o das taxas de desemprego e amplia\u00e7\u00e3o da depend\u00eancia externa, o que nos leva a entender que o governo tende a uma postura violenta para conter as rea\u00e7\u00f5es populares aos impactos da crise social e o arrefecimento da criminaliza\u00e7\u00e3o dos movimentos populares organizados.<\/p>\n<p>Existem muitas outras vari\u00e1veis a serem analisadas e relacionadas entre si que tem o poder de alterar as tend\u00eancias futuras para o ano, em especial os desdobramentos internacionais das principais economias e como o Brasil se insere nesse jogo, de forma ativa ou de forma dependente aos interesses dos EUA.<\/p>\n<p>Dizer como a classe trabalhadora e os mais atingidos por essas medidas de austeridade e altera\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas de inclus\u00e3o social v\u00e3o responder as essas pol\u00edticas no ano de 2019 \u00e9 mais imprevis\u00edvel ainda. Entendemos que o pano de fundo da crise brasileira \u00e9 a aus\u00eancia de um projeto de desenvolvimento nacional e soberano e que as contradi\u00e7\u00f5es que se acumulam no interior das classes devem ser acompanhadas e analisadas pois t\u00eam o poder de alterar as tend\u00eancias aqui apresentadas.<\/p>\n<p>Nossa inten\u00e7\u00e3o nesse artigo n\u00e3o \u00e9 trazer verdades sobre o futuro, mas apontar algumas perspectivas que observamos para economia brasileira, a partir da an\u00e1lise da interpreta\u00e7\u00e3o dos acontecimentos do \u00faltimo per\u00edodo de crise internacional do capitalismo e seus desdobramentos no Brasil, com a ascens\u00e3o de Bolsonaro \u00e0\u00a0Presid\u00eancia e as diretrizes que determinam seu governo. Trata-se de uma contribui\u00e7\u00e3o e incentivo ao debate nesse desafiante come\u00e7o de ano, tendo entre os diversos desafios, a batalha das ideias (ideol\u00f3gica) e a forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da classe trabalhadora organizada e n\u00e3o-organizada.<\/p>\n<p>https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2019\/01\/07\/perspectivas-para-a-economia-brasileira-em-2019-sob-governo-bolsonaro\/<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Andr\u00e9 Cardoso,\u00a0Cristiane Tiemi e Olivia Carolino\u00a0&#8211;\u00a0Paulo Guedes, o &#8220;guru&#8221; econ\u00f4mico de Bolsonaro, tem questionado fortemente as pol\u00edticas para a ind\u00fastria brasileira \/ Marcello Casal Jr. | Agencia Brasil. 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