{"id":998,"date":"2016-07-05T17:20:11","date_gmt":"2016-07-05T20:20:11","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=998"},"modified":"2016-07-02T17:23:38","modified_gmt":"2016-07-02T20:23:38","slug":"dowbor-como-as-corporacoes-cercam-a-democracia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2016\/07\/05\/dowbor-como-as-corporacoes-cercam-a-democracia\/","title":{"rendered":"Dowbor: como as corpora\u00e7\u00f5es cercam a democracia"},"content":{"rendered":"<p class=\"entry-title\"><strong>Ladislau Dowbor &#8211;\u00a0<\/strong>Radiografia de um sequestro: banqueiros e megaempres\u00e1rios colonizam os partidos, compram acordos no Judici\u00e1rio, comandam m\u00eddia e extraem dinheiro dos Tesouros. Haver\u00e1 sa\u00edda?<\/p>\n<div class=\"entry-content clearfix\">\n<div class=\"pf-content\">\n<p><em>\u201cA pol\u00edtica mudou de lugar: a globaliza\u00e7\u00e3o desafia radicalmente<br \/>\nos quadros de refer\u00eancia da pol\u00edtica, como pr\u00e1tica e teoria\u201d<br \/>\n<\/em><strong>Oct\u00e1vio Ianni<\/strong>\u00a0<a href=\"http:\/\/dowbor.org\/2016\/06\/a-captura-do-poder-pelo-sistema-corporativo.html\/#_edn2\" name=\"_ednref1\">[2]<\/a><\/p>\n<p><em>\u201cCapture is more subtle and no longer requires a transfer of funds,<br \/>\nsince the politician, academic or regulator has started to believe<br \/>\nthat the world works in the way that bankers say it does\u201d<br \/>\n<\/em><strong>Joris Luyendijk<\/strong>\u00a0<a href=\"http:\/\/dowbor.org\/2016\/06\/a-captura-do-poder-pelo-sistema-corporativo.html\/#_edn3\" name=\"_ednref2\">[3]<\/a><\/p>\n<p>Olhar o s\u00e9culo 21 pelas lentes do s\u00e9culo passado n\u00e3o ajuda. Quando pensamos o mundo da economia, pensamos ainda em interesses econ\u00f4micos e mecanismos de mercado. A pol\u00edtica, o poder formal, os impostos, o setor p\u00fablico em geral representariam outra dimens\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 nova a ruptura destas fronteiras, a penetra\u00e7\u00e3o dos interesses de grupos econ\u00f4micos privados na esfera p\u00fablica. O que \u00e9 novo, \u00e9 a escala, a profundidade e o grau de organiza\u00e7\u00e3o do processo. O que j\u00e1 foram deforma\u00e7\u00f5es fragmentadas, penetra\u00e7\u00f5es pontuais atrav\u00e9s de lobbies, de corrup\u00e7\u00e3o e de \u201cportas-girat\u00f3rias\u201d entre o setor privado e o setor p\u00fablico se avolumaram, e por osmose est\u00e3o se transformando em poder pol\u00edtico articulado em que o interesse p\u00fablico \u00e9 que aflora apenas por momentos e segundo esfor\u00e7os prodigiosos de manifesta\u00e7\u00f5es populares, de fr\u00e1geis artigos na m\u00eddia alternativa, de um ou outro pol\u00edtico independente. O poder corporativo tornou-se sist\u00eamico, capturando uma a uma as diversas dimens\u00f5es de express\u00e3o e exerc\u00edcio de poder, e gerando uma nova din\u00e2mica, ou uma nova arquitetura do poder realmente existente.<\/p>\n<p>Uma forma \u00e9 a pr\u00f3pria expans\u00e3o dos tradicionais lobbies. A Google, por exemplo, tem hoje oito empresas de lobby contratadas apenas na Europa, al\u00e9m de financiamento direto de parlamentares e de membros da Comiss\u00e3o Europeia. \u00c9 prov\u00e1vel que tenha de pagar 6 bilh\u00f5es de euros por ilegalidades cometidas no Velho Continente. Os gastos da Google nesta \u00e1rea j\u00e1 se aproximam dos da Microsoft. A Google mobilizou congressistas americanos para pressionarem a Comiss\u00e3o: \u201cO esfor\u00e7o coordenado por senadores e membros do Congresso, bem como de um comit\u00e9 de congressistas, fez parte de um esfor\u00e7o sofisticado, com muitos milh\u00f5es de libras em Bruxelas, com que a Google montou a ofensiva para travar as resist\u00eancias \u00e0 sua domina\u00e7\u00e3o na Europa.\u201d [4]<\/p>\n<p>Enquanto os lobbies ainda podem ser apresentados como formas externas de press\u00e3o, muito mais importante \u00e9 o financiamento direto de campanhas pol\u00edticas, atrav\u00e9s de partidos ou investindo diretamente nos candidatos. No Brasil lei promulgada em 1997 autorizou as empresas a financiar candidatos, com impactos desastrosos em particular no comportamento de parlamentares, que passaram a formar bancadas corporativas. Em 2010, os Estados Unidos seguiram o mesmo caminho, levando a que hoje os americanos comentem que \u201ctemos o melhor Congresso que o dinheiro pode comprar\u201d. No Brasil finalmente o STF decretou a ilegalidade da pr\u00e1tica, a valer a partir das pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es. Mas em 2016 ainda temos uma bancada ruralista, al\u00e9m da grande m\u00eddia, das empreiteiras, dos bancos, das montadoras, e contam-se nos dedos os representantes do cidad\u00e3o. O truncamento do C\u00f3digo Florestal e consequente retomada da destrui\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia, o bloqueio da taxa\u00e7\u00e3o de transa\u00e7\u00f5es financeiras e tantas outras medidas, ou aus\u00eancia de medidas como \u00e9 o caso da tributa\u00e7\u00e3o sobre fortunas ou capital improdutivo, resultam desta nova rela\u00e7\u00e3o de for\u00e7as que um Congresso literalmente comprado permite.<\/p>\n<p>A captura da \u00e1rea jur\u00eddica adquiriu imensa import\u00e2ncia, e se d\u00e1 por v\u00e1rias formas. Foi not\u00f3ria a tentativa dos grandes bancos brasileiros, por meio de financiamentos de diversos tipos, de colocar as atividades financeiras fora do alcance do Procon e de outras inst\u00e2ncias de defesa do consumidor. Nos Estados Unidos, um juiz de uma comarca decide colocar a Argentina na ilegalidade no quadro dos chamados \u201cfundos abutres\u201d, pondo-se claramente a servi\u00e7o da legaliza\u00e7\u00e3o da especula\u00e7\u00e3o financeira internacional, e acima da legisla\u00e7\u00e3o de outro pa\u00eds.<\/p>\n<p>Uma forma particularmente perniciosa de captura do judici\u00e1rio deu-se por meio dos acordos ditos \u201csettlements\u201d , pelos quais as corpora\u00e7\u00f5es pagam uma multa mas n\u00e3o precisam reconhecer a culpa, evitando assim que os administradores sejam criminalmente responsabilizados. Assim, os administradores corporativos e financiadores ficam tranquilos em termos de eventuais condena\u00e7\u00f5es. Joseph Stiglitz comenta: \u201cTemos notado repetidas vezes que nenhum dos respons\u00e1veis encarregados dos grandes bancos que levaram o mundo \u00e0 beira da ru\u00edna foi considerado respons\u00e1vel (accountable) por seus malfeitos. Como pode ser que ningu\u00e9m seja respons\u00e1vel? Especialmente quando houve malfeitos da magnitude dos que ocorreram nos anos recentes?\u201d [5] Elizabeth Warren, senadora americana, traz no seu curto estudo uma excelente descri\u00e7\u00e3o dos mecanismos, com nomes das empresas. [6]<\/p>\n<p>A GSK, por exemplo, um gigante da \u00e1rea farmac\u00eautica, fez um acordo com a justi\u00e7a norte-americana para compensar fraude generalizada com tr\u00eas tipos de medicamentos, pagando 3 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. A not\u00edcia da condena\u00e7\u00e3o por fraude que atingiu milh\u00f5es de pacientes n\u00e3o causou preju\u00edzo significativo \u00e0 empresa, cujas a\u00e7\u00f5es subiram ao se constatar que tinha lucrado com a fraude mais do que o valor da multa. Os aplicadores financeiros consideraram que o seu dinheiro fora bem defendido. Esta desresponsabiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 hoje generalizada, abrindo uma porta paralela de financiamento de governos gra\u00e7as \u00e0s ilegalidades. Para dar alguns exemplos, o Deutsche Bank est\u00e1 pagando uma multa de 2,6 bilh\u00f5es de d\u00f3lares em 2015; o Cr\u00e9dit Suisse est\u00e1 pagando 2,5 bilh\u00f5es por condena\u00e7\u00e3o em 2014 e assim por diante, envolvendo todos os gigantes corporativos. Um exerc\u00edcio de sistematiza\u00e7\u00e3o da criminalidade financeira pode ser encontrado no site Corporate Research Project, que apresenta as condena\u00e7\u00f5es e acordos agrupados por empresa. George Monbiot chama isto de \u201cum sistema privatizado de justi\u00e7a para as corpora\u00e7\u00f5es globais\u201d e considera que \u201ca democracia \u00e9 imposs\u00edvel nestas circunst\u00e2ncias\u201d.[7] (252)<\/p>\n<p>Hoje as corpora\u00e7\u00f5es disp\u00f5em do seu pr\u00f3prio aparato jur\u00eddico, como o International Centre for the Settlement of Investment Disputes (ICSID) e institui\u00e7\u00f5es semelhantes em Londres, Paris, Hong Kong e outros. Tipicamente, ir\u00e3o atacar um pa\u00eds se este impuser regras ambientais ou sociais que o mundo corporativo julga desfavor\u00e1veis, e process\u00e1-lo por lucros que poderiam ter tido. A disputa jur\u00eddica constitui uma dimens\u00e3o essencial dos tratados TTIP (Transatlantic Trade and Investment Partnership), na esfera do Atl\u00e2ntico, e TPP (Trans-Pacific Partnership) na esfera do Pac\u00edfico. Tais acordos amarram um conjunto de pa\u00edses com regras internacionais em que os Estados nacionais perder\u00e3o a capacidade de regular quest\u00f5es ambientais, sociais e econ\u00f4micas, e muito particularmente, as pr\u00f3prias corpora\u00e7\u00f5es. Pelo contr\u00e1rio, ser\u00e3o as pr\u00f3prias corpora\u00e7\u00f5es a impor-lhes \u2014 e a n\u00f3s todos \u2014 as suas leis. Nas palavras de Lu\u00eds Parada, um advogado de governos em lit\u00edgio com grupos mundiais privados, \u201ca quest\u00e3o finalmente \u00e9 de saber se um investidor estrangeiro pode for\u00e7ar um governo a mudar as suas leis para agradar ao investidor, em vez de o investidor se adequar \u00e0s leis que existem no pa\u00eds.\u201d [8]<\/p>\n<p>Outro eixo poderoso de captura do espa\u00e7o pol\u00edtico se d\u00e1 atrav\u00e9s do controle organizado da informa\u00e7\u00e3o, construindo uma f\u00e1brica de consensos onde Noam Chomsky nos deu an\u00e1lises preciosas.[9] O alcance planet\u00e1rio dos meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa, e a expans\u00e3o de gigantes corporativos de produ\u00e7\u00e3o de consensos permitiram que se atrasasse em d\u00e9cadas a compreens\u00e3o popular do v\u00ednculo entre o fumo e o c\u00e2ncer; que se bloqueasse nos Estados Unidos a expans\u00e3o do sistema p\u00fablico de sa\u00fade; que se vendesse ao mundo a guerra pelo controle do petr\u00f3leo como uma luta para libertar a popula\u00e7\u00e3o iraquiana da ditadura e para proteger o mundo de armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa. A escala das mistifica\u00e7\u00f5es \u00e9 impressionante.<\/p>\n<p>Ofensiva semelhante em escala mundial, e em particular nos EUA, foi organizada para vender ao mundo n\u00e3o a aus\u00eancia da mudan\u00e7a clim\u00e1tica \u2013 os dados s\u00e3o demasiado fortes \u2013 mas a suposi\u00e7\u00e3o de que \u201ch\u00e1 controv\u00e9rsias\u201d, adiando ou travando a inevit\u00e1vel mudan\u00e7a da matriz energ\u00e9tica. James Hoggan realizou uma pesquisa interessante sobre como funciona esta ind\u00fastria. A articula\u00e7\u00e3o \u00e9 poderosa, envolvendo os think tanks, institui\u00e7\u00f5es conservadoras como o George C. Marshall Institute, o American Enterprise Institute (AEI), o Information Council for Environment (ICE), o Fraser Institute, o Competitive Enterprise Institute (CEI), o Heartland Institute, e evidentemente o American Petroleum Institute (API) e o American Coalition for Clean Coal Electricity (ACCCE), al\u00e9m do Hawthorne Group e tantos outros. A ExxonMobil e a Koch Industries s\u00e3o poderosos financiadores, esta \u00faltima ali\u00e1s grande articuladora do Tea Party e da candidatura Trump. Sempre petr\u00f3leo, carv\u00e3o, produtores de carros e de armas, muitos republicanos e a direita religiosa.[10]<\/p>\n<p>Campanhas deste g\u00eanero s\u00e3o veiculadas por gigantes da m\u00eddia. No Brasil, 97% dos domic\u00edlios t\u00eam televis\u00e3o, que ocupa tr\u00eas a quatro horas do nosso dia, e que est\u00e1 presente nas salas de espera, nos meios de transporte, incessante bombardeio que parte de alguns poucos grupos. No n\u00edvel mundial, Rupert Murdoch assume tranquilamente ser o respons\u00e1vel pela ascens\u00e3o e suporte a Margareth Thatcher, financiou um sistema de escutas telef\u00f4nicas em grande escala na Gr\u00e3-Bretanha, sustenta um clima de \u00f3dio de direita atrav\u00e9s da Fox, sem receber mais que um tapinha na m\u00e3o quando se revelam as ilegalidades que pratica. No Brasil, com o controle da nossa vis\u00e3o de mundo por quatro grupos privados \u2013 os Marinho, Civita, Frias e Mesquita \u2013 o pr\u00f3prio conceito de imprensa livre se torna surrealista, e os impactos na Argentina, no Chile, na Venezuela e outros pa\u00edses s\u00e3o impressionantes em termos de promo\u00e7\u00e3o das vis\u00f5es mais retr\u00f3gradas e de gera\u00e7\u00e3o de clima de \u00f3dio social.<\/p>\n<p>A vincula\u00e7\u00e3o da dimens\u00e3o midi\u00e1tica do poder com o sistema corporativo mundial \u00e9 em grande parte indireta, mas muito importante. As campanhas de publicidade veiculadas promovem incessantemente comportamentos e atitudes, centrados no consumismo obsessivo dos produtos das grandes corpora\u00e7\u00f5es. Isto amarra a m\u00eddia de duas formas: primeiro, porque pode dar m\u00e1s not\u00edcias sobre o governo, mas nunca sobre as empresas, mesmo quando entopem os alimentos de agrot\u00f3xicos, deturpam a fun\u00e7\u00e3o dos medicamentos ou nos vendem produtos associados com a destrui\u00e7\u00e3o de biomas como a floresta amaz\u00f4nica. Segundo, como a publicidade \u00e9 remunerada em fun\u00e7\u00e3o de pontos de audi\u00eancia, a apresenta\u00e7\u00e3o de um mundo cor de rosa de um lado, e de crimes e persegui\u00e7\u00f5es policiais de outro, tudo para atrair a aten\u00e7\u00e3o pontual e fragmentada, torna-se essencial, criando uma popula\u00e7\u00e3o desinformada ou assustada, mas sobretudo obcecada com o consumo, o que remunera com nosso dinheiro as corpora\u00e7\u00f5es que financiam estes programas. O c\u00edrculo se fecha, e o resultado \u00e9 uma sociedade desinformada e consumista. A publicidade, o tipo de programas e de informa\u00e7\u00e3o, o consumismo e o interesse das corpora\u00e7\u00f5es passam a formar um universo articulado e coerente, ainda que desastroso em termos de funcionamento democr\u00e1tico da sociedade.[11] (217)<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos think tanks e do controle da m\u00eddia, o controle das pr\u00f3prias vis\u00f5es acad\u00eamicas avan\u00e7ou radicalmente nas \u00faltimas d\u00e9cadas, por meio dos financiamentos corporativos diretos, e em particular pelo controle das publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas. Em muitos pa\u00edses, e particularmente no Brasil, as universidades privadas passaram a ser propriedade de grupos transnacionais que trazem a vis\u00e3o corporativa no seu bojo. A din\u00e2mica \u00e9 particularmente sens\u00edvel nos estudos de economia. Helena Ribeiro traz um exemplo desta deforma\u00e7\u00e3o profunda do ensino na universidade Notre Dame de Nova York. \u201cDado que corria o ano de 2009 e o mundo financeiro entrava em colapso aos olhos de todos, os alunos pensaram que seria um excelente tema para debater na aula de macroeconomia. A resposta do professor: \u201cOs estudantes foram laconicamente informados que o tema n\u00e3o constava do conte\u00fado program\u00e1tico da disciplina, nem era mencionado na bibliografia afixada e que, por isso, o professor n\u00e3o pretendia divergir da li\u00e7\u00e3o que estava planejada. E foi o que fez\u201d. O artigo de Ribeiro mostra as dimens\u00f5es desta deforma\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m os protestos dos alunos e a multiplica\u00e7\u00e3o de centros alternativos de pesquisa econ\u00f4mica, como o New Economics Foundation, a Young Economists Network, o Institute of New Economics Thinking e numerosas outras institui\u00e7\u00f5es.[12]<\/p>\n<p>Menos percebido, mas igualmente importante, \u00e9 a oligopoliza\u00e7\u00e3o do controle das publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas no mundo. Segundo estudo canadense, \u201cnas disciplinas das ci\u00eancias sociais, que incluem especialidades tais como sociologia, economia, antropologia, ci\u00eancias pol\u00edticas e estudos urbanos, o processo \u00e9 impressionante: enquanto os cinco maiores editores eram respons\u00e1veis por 15% dos artigos em 1995, este valor atingiu 66% em 2013\u201d. Temos aqui o dom\u00ednio impressionante de Reed-Elsevier (hoje boicotado por mais de 15 mil cientistas americanos), Springer, Wiley-Blackwell, e poucos mais. (Larivi\u00e8re, 2015)[13]<\/p>\n<p>A este conjunto de mecanismos de captura do poder temos de acrescentar a eros\u00e3o radical da privacidade nas \u00faltimas d\u00e9cadas. Hoje o sangue da nossa vida trafega em meios magn\u00e9ticos, deixando rastros de tudo que compramos ou lemos, da rede dos nossos amigos, os medicamentos que tomamos, o nosso n\u00edvel de endividamento. As empresas t\u00eam acesso \u00e0 gravidez de uma funcion\u00e1ria, atrav\u00e9s da compra de informa\u00e7\u00f5es dos laborat\u00f3rios. A defesa dos grandes grupos de informa\u00e7\u00e3o sobre as pessoas \u00e9 de que se trata de informa\u00e7\u00f5es \u201canonimizadas\u201d, mas a realidade \u00e9 que os cruzamentos dos rastros eletr\u00f4nicos permitem individualizar perfeitamente as pessoas, influindo em potencial persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica ou dificuldades no emprego. Mas o acesso \u00e0s informa\u00e7\u00f5es confidenciais das empresas tamb\u00e9m fragiliza radicalmente grupos econ\u00f4micos menores frente aos gigantes, que podem ter acesso \u00e0s comunica\u00e7\u00f5es internas. N\u00e3o se trata apenas de alto n\u00edvel de espionagem, como se viu na grava\u00e7\u00e3o de conversas de Dilma Roussef e Angela Merkel. Trata-se de todos n\u00f3s, e com o apoio de um sistema mundial de captura e tratamento de informa\u00e7\u00f5es do porte da NSA. O Big Brother is Watching You deixou de ser apenas literatura.[14]<\/p>\n<p>A expans\u00e3o dos lobbies, a compra dos pol\u00edticos, a invas\u00e3o do judici\u00e1rio, o controle dos sistemas de informa\u00e7\u00e3o da sociedade, a manipula\u00e7\u00e3o do ensino acad\u00eamico e a invas\u00e3o da privacidade representam alguns dos instrumentos mais importantes da captura do poder pol\u00edtico geral pelas grandes corpora\u00e7\u00f5es. Mas o conjunto destes instrumentos leva, em \u00faltima inst\u00e2ncia, a um mecanismo mais poderoso que os articula e lhe confere car\u00e1ter sist\u00eamico: a apropria\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios resultados da atividade econ\u00f4mica, por meio do controle financeiro em pouqu\u00edssimas m\u00e3os.<\/p>\n<p>Vejamos agora um pouco o que s\u00e3o estas grandes corpora\u00e7\u00f5es. \u00c9 surpreendente, mas at\u00e9 2012 n\u00e3o t\u00ednhamos nenhum estudo global de como funciona a rede mundial de controle corporativo. O Instituto Federal Su\u00ed\u00e7o de Pesquisa Tecnol\u00f3gica, um tipo de MIT da Europa, selecionou 43 mil grupos mundiais mais importantes e estudou em profundidade como se d\u00e1, atrav\u00e9s de participa\u00e7\u00f5es cruzadas e de fus\u00f5es interempresariais, o controle do conjunto. Chegou a uma cifra impressionante que mudou a vis\u00e3o que temos do sistema econ\u00f4mico mundial: 737 grupos apenas controlam 80% do mundo corporativo, sendo que nestes um n\u00facleo de 147 controla 40%. Estes \u00faltimos gigantes s\u00e3o essencialmente (75%) grupos financeiros. Ou seja, n\u00e3o precisam controlar diretamente o processo decis\u00f3rio, seguram o sistema, digamos assim, pelas partes delicadas, que \u00e9 o acesso aos recursos. Um grupo t\u00e3o limitado n\u00e3o precisa fazer conspira\u00e7\u00f5es misteriosas, s\u00e3o pessoas que se conhecem no campo de golfe ou no Open de T\u00eanis da Austr\u00e1lia, se ajeitam confortavelmente entre si. Os autores da pesquisa concluem claramente que falar em mecanismos de mercado neste clube restrito n\u00e3o faz muito sentido.[15]<\/p>\n<p>Fran\u00e7ois Morin, assessor do banco central da Fran\u00e7a, concentra a sua an\u00e1lise na forma como os 28 maiores gigantes financeiros se articulam. Na an\u00e1lise est\u00e3o todos: JPMorgan Chase, Bank of America, Citigroup, HSBC, Deutsche Bank, Santander, Goldman Sachs e outros, com um balan\u00e7o de mais de 50 trilh\u00f5es de d\u00f3lares em 2012, quando o PIB mundial foi de 73 trilh\u00f5es. A rela\u00e7\u00e3o com os Estados \u00e9 particularmente interessante, pois a d\u00edvida p\u00fablica mundial, de 49 trilh\u00f5es, est\u00e1 no mesmo n\u00edvel que o faturamento dos 28 grupos financeiros que Morin analisa, tamb\u00e9m da ordem de 50 trilh\u00f5es. Os Estados, fruto do endividamento p\u00fablico com gigantes privados, viraram ref\u00e9ns e tornaram-se incapazes de regular este sistema financeiro em favor dos interesses da sociedade. \u201cFace aos Estados fragilizados pelo endividamento, o poder dos grandes atores banc\u00e1rios privados parece escandaloso, em particular se pensarmos que estes \u00faltimos est\u00e3o, no essencial, na origem da crise financeira, logo de uma boa parte do excessivo endividamento atual dos Estados\u201d. (Morin, 36)[16]<\/p>\n<p>O poder pol\u00edtico apropriado pelo mecanismo da d\u00edvida constitui uma parte muito importante do mecanismo geral. Os grandes grupos financeiros t\u00eam suficiente poder para impor a nomea\u00e7\u00e3o dos respons\u00e1veis em postos chave como os bancos centrais ou os minist\u00e9rios da fazenda, ou ainda nas comiss\u00f5es parlamentares correspondentes, com pessoas da sua pr\u00f3pria esfera, transformando press\u00e3o externa em poder estrutural internalizado. A pol\u00edtica sugerida aos governos \u00e9 de que \u00e9 menos impopular endividar o governo do que cobrar impostos. \u201cEstas institui\u00e7\u00f5es financeiras s\u00e3o as donas da d\u00edvida do governo, o que lhes confere poder ainda maior de alavancagem sobre as pol\u00edticas e prioridades dos governos. Exercendo este poder, elas tipicamente demandam a mesma coisa: medidas de austeridade e \u2018reformas estruturais\u2019 destinadas a favorecer uma economia de mercado neoliberal que em \u00faltima inst\u00e2ncia beneficia estes mesmos bancos e corpora\u00e7\u00f5es\u201d. \u00c9 a armadilha da d\u00edvida. (Marshall)[17]<\/p>\n<p>Os 28 controlam igualmente os chamados derivativos, essencialmente especula\u00e7\u00e3o com varia\u00e7\u00f5es de mercados futuros: o volume atingido em 2015 \u00e9 de mais de 600 trilh\u00f5es de d\u00f3lares, 8 vezes o PIB mundial. Se pensarmos que tantos pa\u00edses aceitaram de reduzir os investimentos p\u00fablicos e as pol\u00edticas sociais \u2014 inclusive o Brasil \u2013, para satisfazer este pequeno mundo financeiro, n\u00e3o h\u00e1 como n\u00e3o ver a dimens\u00e3o pol\u00edtica que o sistema assumiu. Os grandes traders de commodities controlam nada menos que o com\u00e9rcio dos gr\u00e3os (milho, trigo, arroz, soja), os minerais met\u00e1licos, os minerais n\u00e3o met\u00e1licos e os recursos energ\u00e9ticos, ou seja, o sangue da economia mundial. As gigantescas varia\u00e7\u00f5es dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo, por exemplo, n\u00e3o resultam de varia\u00e7\u00f5es da produ\u00e7\u00e3o ou do consumo, muito est\u00e1veis na escala planet\u00e1ria, mas dos processos especulativos dos gigantes financeiros.[18]<\/p>\n<p>O sistema \u00e9 hoje articulado. Um aporte particularmente forte de Fran\u00e7ois Morin \u00e9 a an\u00e1lise de como este grupo de bancos foram se dotando, a partir de 1995, de instrumentos de articula\u00e7\u00e3o, a GFMA (Global Financial Markets Association), o IIF (Institute of International Finance), a ISDA (International Swaps and Derivatives Association), a AFME (Association for Financial Markets in Europe) e o CLS Bank (Continuous Linked Settlement System Bank). Morin apresenta em tabelas como os maiores bancos se distribuem nestas institui\u00e7\u00f5es. O IIF, por exemplo, \u201cverdadeira cabe\u00e7a pensante da finan\u00e7a globalizada e dos maiores bancos internacionais\u201d, constitui hoje um poder pol\u00edtico assumido: \u201cO presidente do IIF tem um status oficial, reconhecido, que o habilita a falar em nome dos grandes bancos. Poder\u00edamos dizer que o IIF \u00e9 o parlamento dos bancos, seu presidente tem quase o papel de chefe de estado. Ele faz parte dos grandes tomadores de decis\u00e3o mundiais\u201d. (Morin, 61)<\/p>\n<p>Um instrumento particularmente importante deste poder reside no uso dos para\u00edsos fiscais, que a partir da crise de 2008 foram suficientemente estudados para que tenhamos hoje os contornos do seu funcionamento. Basicamente, para um PIB mundial da ordem de 73 trilh\u00f5es de d\u00f3lares em 2012, o estoque de recursos financeiros em para\u00edsos fiscais situou-se entre 21 e 32 trilh\u00f5es de d\u00f3lares segundo a Tax Justice Network, cifra que a revista <em>Economist<\/em> arredonda para 20 trilh\u00f5es.[19] Para se ter uma ideia dos valores, a grande decis\u00e3o da c\u00fapula mundial sobre o clima, em Paris em 2015, foi de alocar at\u00e9, 2020, 100 bilh\u00f5es de d\u00f3lares anuais para salvar o planeta do aquecimento global: duzentas vezes menos do que est\u00e1 aplicado em para\u00edsos fiscais, capital improdutivo e em grande parte ilegal. Os arquivos do Panam\u00e1 abrem apenas uma janela do processo, mas mostram como dezenas de milhares de corpora\u00e7\u00f5es fict\u00edcias geraram o caos financeiro atual. [20]O caos no sistema financeiro do Brasil \u00e9 apenas um fragmento deste processo mundial.[21]<\/p>\n<p>Estes recursos s\u00e3o hoje vitalmente necess\u00e1rios para financiar a reconvers\u00e3o tecnol\u00f3gica que nos permita de parar de destruir o planeta e para assegurar a inclus\u00e3o produtiva de bilh\u00f5es de marginalizados, reduzindo desigualdade que atingiu n\u00edveis explosivos. Com o grau presente de captura do processo decis\u00f3rio sobre a aloca\u00e7\u00e3o de recursos, privou-se os Estados de qualquer controle: praticamente todas as grandes corpora\u00e7\u00f5es t\u00eam filiais ou empresas \u201claranja\u201d nos para\u00edsos fiscais, onde o dinheiro simplesmente desaparece em termos formais, para reaparecer com nomes de outras empresas, gerando um espa\u00e7o \u201cbranco\u201d onde o seguimento do fluxo financeiro se interrompe, permitindo toda classe de ilegalidades, e em particular a evas\u00e3o fiscal e in\u00fameras atividades ilegais como o com\u00e9rcio de armas e drogas.[22]<\/p>\n<p>Com o poder hoje muito mais na m\u00e3o dos gigantes financeiros do que das empresas produtoras de bens e servi\u00e7os, estas \u00faltimas passaram a se submeter a exig\u00eancias de rentabilidade financeira que impossibilitam iniciativas, no n\u00edvel dos t\u00e9cnicos que conhecem os processos produtivos da economia real, de preservar um m\u00ednimo de dec\u00eancia profissional e de \u00e9tica corporativa. Temos assim um caos em termos de discrep\u00e2ncia com os interesses de desenvolvimento econ\u00f4mico e social, mas um caos muito direcionado e l\u00f3gico quando se trata de assegurar um fluxo maior de recursos financeiros para o topo da hierarquia. A sua competi\u00e7\u00e3o ca\u00f3tica pode levar a crises sist\u00eamicas, mas quando se trata de travar iniciativas de controle ou regula\u00e7\u00e3o estas corpora\u00e7\u00f5es reagem de forma unida e organizada.<\/p>\n<p>De que dimens\u00f5es estamos falando? As corpora\u00e7\u00f5es financeiras classificadas no SIFI (Systemically Important Financial Institutions) trabalham cada uma com um capital consolidado m\u00e9dio (consolidated assets) da ordem de $1.82 trilh\u00f5es para os bancos e $0,61 trilh\u00f5es para as seguradoras analisadas. Para efeitos de compara\u00e7\u00e3o lembremos que o PIB do Brasil, 7\u00aa pot\u00eancia mundial, \u00e9 da ordem de $1,4 trilh\u00f5es. Mais expl\u00edcito ainda \u00e9 lembrar que de acordo com os dados de Jens Martens, o sistema das Na\u00e7\u00f5es Unidas disp\u00f5e de 40 bilh\u00f5es d\u00f3lares anuais para o conjunto das suas atividades, o que por sua vez representa apenas 2,3% das despesas militares mundiais.[23]<\/p>\n<p>Frente ao poder global das corpora\u00e7\u00f5es, n\u00e3o temos instrumentos p\u00fablicos correspondentes. Pelo contr\u00e1rio: est\u00e1 sendo documentada a captura do processo decis\u00f3rio da ONU pelos grupos mesmos corporativos. Estudo do Global Policy Forum foca diretamente o fato dos interesses corporativos terem adquirido uma influ\u00eancia desproporcional sobre as institui\u00e7\u00f5es que redigem as regras globais. O documento apresenta \u201ca crescente influ\u00eancia do setor empresarial sobre o discurso pol\u00edtico e a agenda\u201d, questionando \u201cse as iniciativas de parcerias permitem que o setor corporativo e os seus grupos de interesse exer\u00e7am uma influ\u00eancia crescente sobre a defini\u00e7\u00e3o da agenda e o processo decis\u00f3rio pol\u00edtico dos governos\u201d. Segundo Leonardo Bissio, \u201ceste livro mostra como Big Tobacco, Big Soda, Big Pharma e Big Alcohol terminam prevalecendo, e como a filantropia e as parcerias p\u00fablico-privadas deformam a agenda internacional sem supervis\u00e3o dos governos, mas tamb\u00e9m descreve claramente as formas pr\u00e1ticas para preveni-lo e para recuperar um multilateralismo baseado em cidad\u00e3os\u201d. (Martens, 1 e 9)<\/p>\n<p>Em termos de mecanismos econ\u00f4micos, \u00e9 central na fase atual a apropria\u00e7\u00e3o da mais-valia j\u00e1 n\u00e3o tanto nas unidades empresariais que pagam mal os seus trabalhadores, mas crescentemente atrav\u00e9s de sistemas financeiros que se apropriam do direito sobre o produto social atrav\u00e9s do endividamento p\u00fablico e privado. Esta forma de mais-valia financeira tornou-se extremamente poderosa. Frente aos novos mecanismos globais de explora\u00e7\u00e3o, que atuam em escala planet\u00e1ria, e recorrem inclusive em grande escala aos ref\u00fagios nos para\u00edsos fiscais, os governos nacionais tornaram-se em grande parte impotentes. Temos uma finan\u00e7a global descontrolada frente a um poder pol\u00edtico fragmentado em 195 na\u00e7\u00f5es, isto que o poder dentro das pr\u00f3prias na\u00e7\u00f5es, nas suas diversas dimens\u00f5es, est\u00e1 sendo em grande parte capturado. Torn\u00e1mo-nos sistemicamente disfuncionais.<\/p>\n<p>Wolfgang Streeck traz uma interessante sistematiza\u00e7\u00e3o desta captura do poder p\u00fablico no n\u00edvel dos pr\u00f3prios governos. Por meio do endividamento do Estado e dos o outros mecanismos vistos acima, gera-se um processo em que o governo, cada vez mais, tem de prestar contas ao \u2018mercado\u201d, virando as costas para a cidadania. Com isto, passa a dominar, para a sobreviv\u00eancia de um governo, n\u00e3o quanto est\u00e1 respondendo aos interesses da popula\u00e7\u00e3o que o elegeu, e sim se o mercado, ou seja, essencialmente os interesses financeiros, se sentem suficientemente satisfeitos para declar\u00e1-lo \u2018confi\u00e1vel\u2019. De certa forma, em vez de rep\u00fablica, ou seja, res publica, passamos a ter uma res mercatori, coisa do mercado. Um quadro resumo ajuda a entender o deslocamento radical da pol\u00edtica:[24] (81)<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-15571 alignnone\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/dowbor.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/tabela_capturadopoder.jpg?resize=388%2C329\" srcset=\"http:\/\/dowbor.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/tabela_capturadopoder.jpg 510w, http:\/\/dowbor.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/tabela_capturadopoder-140x119.jpg 140w, http:\/\/dowbor.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/tabela_capturadopoder-353x300.jpg 353w\" alt=\"tabela_capturadopoder\" width=\"388\" height=\"329\" data-lazy-loaded=\"true\" \/><\/p>\n<p>Naturalmente, um se financia atrav\u00e9s dos impostos, o outro se financia atrav\u00e9s do cr\u00e9dito. Um governo passa assim a depender \u201cde dois ambientes que colocam demandas contradit\u00f3rias sobre o seu comportamento\u201d(80) Entre a opini\u00e3o p\u00fablica sobre a qualidade do governo, e a \u2018avalia\u00e7\u00e3o de risco\u2019 deste mesmo governo deixar de pagar elevados juros sobre a sua d\u00edvida, a op\u00e7\u00e3o de sobreviv\u00eancia pol\u00edtica cai cada vez mais para o lado do que qualificamos misteriosamente de \u2018os mercados\u2019. Onde havia estado de bem-estar e pol\u00edticas sociais teremos austeridade e lucros financeiros. N\u00e3o \u00e9 secund\u00e1ria, evidentemente, a transforma\u00e7\u00e3o deste poder corporativo em sistemas tribut\u00e1rios que oneram proporcionalmente mais os que menos ganham. A for\u00e7a vira lei, o estado vira instrumento de privatiza\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios impostos. Segundo Streeck, n\u00e3o \u00e9 o fim do capitalismo, mas sim do capitalismo democr\u00e1tico.<\/p>\n<p>A pesquisa e compreens\u00e3o das novas articula\u00e7\u00f5es de poder s\u00e3o indispens\u00e1veis para se entender os mecanismos e a escala radicalmente novos de acumula\u00e7\u00e3o de riqueza nas m\u00e3os dos 0,01% da popula\u00e7\u00e3o mundial, e a espantosa cifra de 62 bilion\u00e1rios que s\u00e3o donos de mais riqueza do que a metade mais pobre da popula\u00e7\u00e3o mundial. Igualmente significativo \u00e9 o fato da economia brasileira estar em recess\u00e3o quando os bancos Bradesco e Ita\u00fa, por exemplo viram seus lucros declarados aumentarem entre 25% e 30% em 12 meses [25]. De certa forma, ao analisarmos os mecanismos de captura do poder, estamos desvendando os canais que permitem o dram\u00e1tico refor\u00e7o da desigualdade entre e dentro das na\u00e7\u00f5es, al\u00e9m do travamento do crescimento econ\u00f4mico pelo desvio dos recursos do investimento para aplica\u00e7\u00f5es financeiras (26).<\/p>\n<p>Restabelecer a regula\u00e7\u00e3o e o controle sobre estes gigantes financeiros que passaram a reger a economia mundial e as decis\u00f5es internas das na\u00e7\u00f5es \u00e9 hoje simplesmente pouco vi\u00e1vel, tanto pela dimens\u00e3o, como pela estrutura organizacional sofisticada de que hoje disp\u00f5em, al\u00e9m evidentemente dos sistemas de controle sobre a pol\u00edtica, o judici\u00e1rio, a m\u00eddia e a academia\u2013 e portanto a opini\u00e3o p\u00fablica \u2013 conforme vimos acima. A dimens\u00e3o internacional aqui \u00e9 crucial, pois a quase totalidade destes grupos \u00e9 constitu\u00edda por corpora\u00e7\u00f5es de base norte-americana ou da Uni\u00e3o Europeia. \u00c9 a poderosa materializa\u00e7\u00e3o de um poder que \u00e9 global mas no essencial pertencente ao que nos temos acostumado a chamar de \u201cOcidente\u201d. As tentativas de constituir um contrapeso por meio da articula\u00e7\u00e3o dos BRICS mostram aqui toda a sua fragilidade. O poder financeiro global tem nacionalidades, com governos devidamente apropriados pelos mesmos grupos.<\/p>\n<p>Se h\u00e1 uma coisa que n\u00e3o falta no mundo, s\u00e3o recursos. O imenso avan\u00e7o da produtividade planet\u00e1ria resulta essencialmente da revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica que vivemos. Mas n\u00e3o s\u00e3o os produtores destas transforma\u00e7\u00f5es, desde a pesquisa fundamental nas universidades p\u00fablicas e as pol\u00edticas p\u00fablicas de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e infraestruturas, at\u00e9 os avan\u00e7os t\u00e9cnicos nas empresas efetivamente produtoras de bens e servi\u00e7os, que levam vantagem: pelo contr\u00e1rio, ambas as esferas, p\u00fablica e empresarial, encontram-se endividadas nas m\u00e3os de gigantes do sistema financeiro, que rendem fortunas a quem nunca produziu, e que conseguem, ao juntar nas m\u00e3os os fios que controlam tanto o setor p\u00fablico como o setor produtivo privado, nos desviar radicalmente do desenvolvimento sustent\u00e1vel hoje vital para o mundo.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds como o Brasil, que busca resgatar um pouco de soberania na sua posi\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica, o que parece restar \u00e9 um sentimento de impot\u00eancia. Perplexas e endividadas, as fam\u00edlias v\u00eam aparecer o seu \u201cnome sujo\u201d na Serasa-Experian \u2013 ali\u00e1s uma multinacional \u2013 caso n\u00e3o respeitem as regras do jogo. Na confus\u00e3o das regras financeiras, contribuem para a concentra\u00e7\u00e3o de riqueza e de poder atrav\u00e9s dos altos juros que pagam nos credi\u00e1rios e nos bancos, atrav\u00e9s dos juros surrealistas da d\u00edvida p\u00fablica, e atrav\u00e9s das pol\u00edticas ditas de \u2018austeridade\u2019 que as privam dos seus direitos. Estas regras do jogo profundamente deformadas ser\u00e3o naturalmente apresentadas como fruto de um processo democr\u00e1tico e leg\u00edtimo, pois est\u00e1 escrito na Constitui\u00e7\u00e3o que todo o poder emana do povo. A constru\u00e7\u00e3o de processos democr\u00e1ticos de controle e aloca\u00e7\u00e3o de recursos constitui hoje um desafio central. Boaventura de Souza Santos fala muito justamente na necessidade de aprofundar a democracia. Mas na realidade, precisamos mesmo \u00e9 resgat\u00e1-la da caricatura que se tornou.<\/p>\n<p>_________<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/dowbor.org\/2016\/06\/a-captura-do-poder-pelo-sistema-corporativo.html\/#_ednref1\" name=\"_edn1\">[1]<\/a> Uma vis\u00e3o mais detalhada da an\u00e1lise apresentada no presente artigo pode ser encontrada em <em>Governan\u00e7a Corporativa,<\/em><a href=\"http:\/\/dowbor.org\/2015\/11\/ladislau-dowbor-o-caotico-poder-dos-gigantes-financeiros-novembro-2015-16p.html\/\">http:\/\/dowbor.org\/2015\/11\/ladislau-dowbor-o-caotico-poder-dos-gigantes-financeiros-novembro-2015-16p.html\/<\/a> ; a dimens\u00e3o propriamente brasileira da deforma\u00e7\u00e3o financeira encontra-se em <em>Juros Extorsivos no Brasil, <\/em>\u00c9tica Editora, Imperatriz, 2016<em>,<\/em><a href=\"http:\/\/dowbor.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Dowbor-Juros-_pdf-com-capa.pdf\">http:\/\/dowbor.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Dowbor-Juros-_pdf-com-capa.pdf<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/dowbor.org\/2016\/06\/a-captura-do-poder-pelo-sistema-corporativo.html\/#_ednref2\" name=\"_edn1\">[2]<\/a> Oct\u00e1vio Ianni \u2013 <em>A pol\u00edtica mudou de lugar<\/em> \u2013 cap\u00edtulo do livro<em>Desafios da Globaliza\u00e7\u00e3o, <\/em>L. Dowbor, O. Ianni e P. Resende (Orgs.), ed. Vozes, Petr\u00f3polis, 2003.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/dowbor.org\/2016\/06\/a-captura-do-poder-pelo-sistema-corporativo.html\/#_ednref3\" name=\"_edn2\">[3]<\/a> Joris Luyendijk \u2013 <em>Swimming with sharks<\/em> \u2013 Guardian Books, London, 2015<a href=\"http:\/\/www.theguardian.com\/business\/2015\/sep\/30\/how-the-banks-ignored-lessons-of-crash\">http:\/\/www.theguardian.com\/business\/2015\/sep\/30\/how-the-banks-ignored-lessons-of-crash<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/dowbor.org\/2016\/06\/a-captura-do-poder-pelo-sistema-corporativo.html\/#_ednref4\" name=\"_edn1\">[4]<\/a>\u00a0The Guardian, <em>Revealed: How Google enlisted members of the US Congress<\/em><a href=\"http:\/\/www.theguardian.com\/world\/2015\/dec\/17\/google-lobbyists-congress-antitrust-brussels-eu\">http:\/\/www.theguardian.com\/world\/2015\/dec\/17\/google-lobbyists-congress-antitrust-brussels-eu<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/dowbor.org\/2016\/06\/a-captura-do-poder-pelo-sistema-corporativo.html\/#_ednref5\" name=\"_edn2\">[5]<\/a> Joseph Stiglitz \u2013 <em>On Defending Human Rights <\/em>\u2013 Geneva, 3 December 2013<a href=\"http:\/\/www.ohchr.org\/Documents\/Issues\/Business\/ForumSession2\/Statements\/JosephStiglitz.doc\">http:\/\/www.ohchr.org\/Documents\/Issues\/Business\/ForumSession2\/Statements\/JosephStiglitz.doc<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/dowbor.org\/2016\/06\/a-captura-do-poder-pelo-sistema-corporativo.html\/#_ednref6\" name=\"_edn1\">[6]<\/a>\u00a0Warren, Elizabeth \u2013 <em>Rigged Justice \u2013 <\/em>Jan. 2016, 16 p.<a href=\"http:\/\/www.warren.senate.gov\/files\/documents\/Rigged_Justice_2016.pdf\">http:\/\/www.warren.senate.gov\/files\/documents\/Rigged_Justice_2016.pdf<\/a>\u00a0 and New York Times 29\/01\/2016<a href=\"http:\/\/www.nytimes.com\/2016\/01\/29\/opinion\/elizabeth-warren-one-way-to-rebuild-our-institutions.html?_r=0\">http:\/\/www.nytimes.com\/2016\/01\/29\/opinion\/elizabeth-warren-one-way-to-rebuild-our-institutions.html?_r=0<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/dowbor.org\/2016\/06\/a-captura-do-poder-pelo-sistema-corporativo.html\/#_ednref7\" name=\"_edn2\">[7]<\/a>\u00a0Monbiot, George \u2013 <em>A global ban on leftwing politics\u201d, <\/em>in <em>How Did we Get into this Mess, <\/em>Verso, London, New York, 2016 \u2013<a href=\"http:\/\/www.monbiot.com\/2013\/11\/04\/a-global-ban-on-left-wing-politics\/\">http:\/\/www.monbiot.com\/2013\/11\/04\/a-global-ban-on-left-wing-politics\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/dowbor.org\/2016\/06\/a-captura-do-poder-pelo-sistema-corporativo.html\/#_ednref8\" name=\"_edn3\">[8]<\/a>\u00a0Provost, Claire\u00a0 and Matt Kennard <em>\u2013 The obscure legal system that lets corporations sue countries<\/em> \u2013 The Guardian, June 2015\u00a0 \u2013<a href=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=http:\/\/www.theguardian.com\/business\/2015\/jun\/10\/obscure-legal-system-lets-corportations-sue-states-ttip-icsid&amp;sa=U&amp;ved=0ahUKEwid0aacve3JAhWJXR4KHXkHAv4QFggFMAA&amp;client=internal-uds-cse&amp;usg=AFQjCNE_bryAhhqokmP_TQPeoYdWUmYckQ\">https:\/\/www.google.com\/url?q=http:\/\/www.theguardian.com\/business\/2015\/jun\/10\/obscure-legal-system-lets-corportations-sue-states-ttip-icsid&amp;sa=U&amp;ved=0ahUKEwid0aacve3JAhWJXR4KHXkHAv4QFggFMAA&amp;client=internal-uds-cse&amp;usg=AFQjCNE_bryAhhqokmP_TQPeoYdWUmYckQ<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/dowbor.org\/2016\/06\/a-captura-do-poder-pelo-sistema-corporativo.html\/#_ednref9\" name=\"_edn4\">[9]<\/a>\u00a0Ver em particular o document\u00e1rio <em>Chomsky&amp;Cia<\/em>, legendado em portugu\u00eas,<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=IHSe9FRGpJU\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=IHSe9FRGpJU<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/dowbor.org\/2016\/06\/a-captura-do-poder-pelo-sistema-corporativo.html\/#_ednref10\" name=\"_edn5\">[10]<\/a>\u00a0James Hoggan \u2013 <em>The Climate Cover-up: the cruzade to deny global warming \u2013<\/em>ver <a href=\"http:\/\/dowbor.org\/2009\/12\/climate-cover-up-the-cruzade-to-deny-global-warming-2.html\/\">http:\/\/dowbor.org\/2009\/12\/climate-cover-up-the-cruzade-to-deny-global-warming-2.html\/<\/a> ; sobre os financiadores, ver<a href=\"http:\/\/dowbor.org\/2010\/04\/petroleira-dos-eua-deu-us-50-mi-a-ceticos-do-clima-6.html\/\">http:\/\/dowbor.org\/2010\/04\/petroleira-dos-eua-deu-us-50-mi-a-ceticos-do-clima-6.html\/<\/a> ; ver tamb\u00e9m o ver artigo de Jane Mayer <em>The dark money of the Koch Brothers, <\/em>2016, <a href=\"http:\/\/www.truth-out.org\/news\/item\/35450-the-dark-money-of-the-koch-brothers-is-the-tip-of-a-fully-integrated-network\">http:\/\/www.truth-out.org\/news\/item\/35450-the-dark-money-of-the-koch-brothers-is-the-tip-of-a-fully-integrated-network<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/dowbor.org\/2016\/06\/a-captura-do-poder-pelo-sistema-corporativo.html\/#_ednref11\" name=\"_edn6\">[11]<\/a>\u00a0Ver o curto e excelente coment\u00e1rio de George Monbiot, <em>How did we get into this mess, <\/em>no livro do mesmo nome \u2013 Verso, London\/New York,<a href=\"http:\/\/www.monbiot.com\/2007\/08\/28\/how-did-we-get-into-this-mess\/\">http:\/\/www.monbiot.com\/2007\/08\/28\/how-did-we-get-into-this-mess\/<\/a> \u00a0<em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/dowbor.org\/2016\/06\/a-captura-do-poder-pelo-sistema-corporativo.html\/#_ednref12\" name=\"_edn7\">[12]<\/a> Helena Ribeiro \u2013 <em>Os protestos nas universidades por um novo ensino da economia <\/em>\u2013 Jornal dos Neg\u00f3cios, Lisboa, dezembro de 2013 \u2013<a href=\"http:\/\/dowbor.org\/2013\/12\/helena-oliveira-o-protesto-nas-universidades-por-um-no-ensino-da-economia-dezembro-2013-3p.html\/\">http:\/\/dowbor.org\/2013\/12\/helena-oliveira-o-protesto-nas-universidades-por-um-no-ensino-da-economia-dezembro-2013-3p.html\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/dowbor.org\/2016\/06\/a-captura-do-poder-pelo-sistema-corporativo.html\/#_ednref13\" name=\"_edn8\">[13]<\/a>\u00a0V. Larivi\u00e8re, S. Haustein e P. Mongeon \u2013 <em>The Oligopoly of Academic Publishers in the Digital Era<\/em> \u2013 PlosOne, 2015,<a href=\"http:\/\/dowbor.org\/2016\/02\/the-oligopoly-of-academic-publishers-in-the-digital-era-vincent-lariviere-stefanie-haustein-philippe-mongeon-published-june-10-2015-15p.html\/\">http:\/\/dowbor.org\/2016\/02\/the-oligopoly-of-academic-publishers-in-the-digital-era-vincent-lariviere-stefanie-haustein-philippe-mongeon-published-june-10-2015-15p.html\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/dowbor.org\/2016\/06\/a-captura-do-poder-pelo-sistema-corporativo.html\/#_ednref14\" name=\"_edn9\">[14]<\/a>\u00a0Lane, S. Frederick \u2013 <em>The Naked Employee- <\/em>AMACOM, New York, 2003<em>\u00a0\u00a0<a href=\"http:\/\/dowbor.org\/2005\/06\/the-naked-employee-o-empregado-nu-privacidade-no-emprego.html\/\">http:\/\/dowbor.org\/2005\/06\/the-naked-employee-o-empregado-nu-privacidade-no-emprego.html\/<\/a><\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/dowbor.org\/2016\/06\/a-captura-do-poder-pelo-sistema-corporativo.html\/#_ednref15\" name=\"_edn10\">[15]<\/a>\u00a0Vitali, Glattfelder e Battistoni, Zurich, 2011; Ver <em>A rede do poder corporativo mundial \u2013 <\/em>2012 \u2013 <a href=\"http:\/\/dowbor.org\/2012\/02\/a-rede-do-poder-corporativo-mundial-7.html\/\">http:\/\/dowbor.org\/2012\/02\/a-rede-do-poder-corporativo-mundial-7.html\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/dowbor.org\/2016\/06\/a-captura-do-poder-pelo-sistema-corporativo.html\/#_ednref16\" name=\"_edn11\">[16]<\/a>\u00a0Fran\u00e7ois Morin \u2013 <em>L\u2019hydre mondiale: l\u2019oligopole bancaire<\/em>\u2013<a href=\"http:\/\/dowbor.org\/2015\/09\/francoismorin-lhydre-mondiale-loligopole-bancaire-lux-editeur-quebec-2015-165p-isbn-978-2-89596-199-4.html\/\">http:\/\/dowbor.org\/2015\/09\/francoismorin-lhydre-mondiale-loligopole-bancaire-lux-editeur-quebec-2015-165p-isbn-978-2-89596-199-4.html\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/dowbor.org\/2016\/06\/a-captura-do-poder-pelo-sistema-corporativo.html\/#_ednref17\" name=\"_edn12\">[17]<\/a> Andrew C. Marshall \u2013 <em>Bank crimes pay under the thumb of the global financial mafiocracy \u2013 <\/em>Truthout, 8 Dec. 2015 \u2013<a href=\"http:\/\/www.truth-out.org\/news\/item\/33942-bank-crimes-pay-under-the-thumb-of-the-global-financial-mafiocracy\">http:\/\/www.truth-out.org\/news\/item\/33942-bank-crimes-pay-under-the-thumb-of-the-global-financial-mafiocracy<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/dowbor.org\/2016\/06\/a-captura-do-poder-pelo-sistema-corporativo.html\/#_ednref18\" name=\"_edn13\">[18]<\/a>\u00a0Sobre os derivativos e o poder dos <em>traders <\/em>de commodities, ver o nosso<em>Produtores, intermedi\u00e1rios e consimidores, 2013,<\/em><a href=\"http:\/\/dowbor.org\/?s=produtores%2C+intermedi%C3%A1rios+e+consumidores\">http:\/\/dowbor.org\/?s=produtores%2C+intermedi%C3%A1rios+e+consumidores<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/dowbor.org\/2016\/06\/a-captura-do-poder-pelo-sistema-corporativo.html\/#_ednref19\" name=\"_edn14\">[19]<\/a>\u00a0Henry, James \u2013 <em>The Price of off-shore revisited <\/em>\u2013 Tax Justice Network, \u00a0<a href=\"http:\/\/www.taxjustice.net\/2014\/01\/17\/price-offshore-revisited\/\">http:\/\/www.taxjustice.net\/2014\/01\/17\/price-offshore-revisited\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/dowbor.org\/2016\/06\/a-captura-do-poder-pelo-sistema-corporativo.html\/#_ednref20\" name=\"_edn15\">[20]<\/a>\u00a0ICIJ \u2013 The Panama Papers \u2013 <a href=\"https:\/\/panamapapers.icij.org\/\">https:\/\/panamapapers.icij.org\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/dowbor.org\/2016\/06\/a-captura-do-poder-pelo-sistema-corporativo.html\/#_ednref21\" name=\"_edn16\">[21]<\/a> Barbara Adams and Jens Martens \u2013 <em>Fit for whose purpose? \u2013<\/em>Global Policy Forum, \u00a0New York, Sept. 2015 \u2013<a href=\"https:\/\/www.globalpolicy.org\/images\/pdfs\/images\/pdfs\/Fit_for_whose_purpose_online.pdf\">https:\/\/www.globalpolicy.org\/images\/pdfs\/images\/pdfs\/Fit_for_whose_purpose_online.pdf<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/dowbor.org\/2016\/06\/a-captura-do-poder-pelo-sistema-corporativo.html\/#_ednref22\" name=\"_edn17\">[22]<\/a>\u00a0Um excelente estudo destes mecanismos pode ser encontrado em Shaxson, Nicholas \u2013 <em>Treasure Islands: uncovering the damage of offshore banking and tax havens \u2013 <\/em>\u00a0St. Martin\u2019s Press, New York, 2011 \u2013<a href=\"http:\/\/dowbor.org\/2015\/10\/nicholas-shaxson-treasure-islands-uncovering-the-damage-of-offshore-banking-and-tax-havens-st-martins-press-new-york-2011.html\/\">http:\/\/dowbor.org\/2015\/10\/nicholas-shaxson-treasure-islands-uncovering-the-damage-of-offshore-banking-and-tax-havens-st-martins-press-new-york-2011.html\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/dowbor.org\/2016\/06\/a-captura-do-poder-pelo-sistema-corporativo.html\/#_ednref1\" name=\"_edn1\">[22]<\/a> \u00a0Joseph Stiglitz \u2013 <em>On Defending Human Rights <\/em>\u2013 Geneva, 3 December 2013<a href=\"http:\/\/www.ohchr.org\/Documents\/Issues\/Business\/ForumSession2\/Statements\/JosephStiglitz.doc\">http:\/\/www.ohchr.org\/Documents\/Issues\/Business\/ForumSession2\/Statements\/JosephStiglitz.doc<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/dowbor.org\/2016\/06\/a-captura-do-poder-pelo-sistema-corporativo.html\/#_ednref22\" name=\"_edn2\">[23]<\/a>\u00a0Barbara Adams and Jens Martens \u2013 <em>Fit for whose purpose? \u2013<\/em>Global Policy Forum, \u00a0New York, Sept. 2015 \u2013<a href=\"https:\/\/www.globalpolicy.org\/images\/pdfs\/images\/pdfs\/Fit_for_whose_purpose_online.pdf\">https:\/\/www.globalpolicy.org\/images\/pdfs\/images\/pdfs\/Fit_for_whose_purpose_online.pdf<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/dowbor.org\/2016\/06\/a-captura-do-poder-pelo-sistema-corporativo.html\/#_ednref24\" name=\"_edn3\">[24]<\/a>\u00a0Wolfgang Streeck,\u00a0 <em>Buying time \u2013 <\/em>Verso, London 2014 \u2013 \u00a0<a href=\"http:\/\/dowbor.org\/category\/dicas-de-leitura\/\">http:\/\/dowbor.org\/category\/dicas-de-leitura\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/dowbor.org\/2016\/06\/a-captura-do-poder-pelo-sistema-corporativo.html\/#_ednref25\" name=\"_edn1\">[25]<\/a> Relativamente a 2013, os bancos Ita\u00fa e Bradesco tiveram aumento nos lucros declarados de 30,2% e 25,9%, respectivamente. Ver o relat\u00f3rio Dieese \u2013<a href=\"http:\/\/www.dieese.org.br\/desempenhodosbancos\/2015\/desempenhoBancos2014.pdf\">http:\/\/www.dieese.org.br\/desempenhodosbancos\/2015\/desempenhoBancos2014.pdf<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/dowbor.org\/2016\/06\/a-captura-do-poder-pelo-sistema-corporativo.html\/#_ednref26\" name=\"_edn1\">[26]<\/a> A dimens\u00e3o da concentra\u00e7\u00e3o de renda e de patrim\u00f4nio tem sido sistematizada pela OXFAM, ver o relat\u00f3rio de janeiro 2016\u00a0<a href=\"https:\/\/www.oxfam.org\/sites\/www.oxfam.org\/files\/file_attachments\/bp210-economy-one-percent-tax-havens-180116-summ-pt.pdf\">https:\/\/www.oxfam.org\/sites\/www.oxfam.org\/files\/file_attachments\/bp210-economy-one-percent-tax-havens-180116-summ-pt.pdf<\/a><\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"4wOC7TRuZ6\"><p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/desigualdades-mundo\/dowbor-como-as-corporacoes-cercam-a-democracia\/\">Dowbor: como as corpora\u00e7\u00f5es cercam a democracia<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Dowbor: como as corpora\u00e7\u00f5es cercam a democracia&#8221; &#8212; Outras Palavras\" src=\"https:\/\/outraspalavras.net\/desigualdades-mundo\/dowbor-como-as-corporacoes-cercam-a-democracia\/embed\/#?secret=gnDWgQuwi3#?secret=4wOC7TRuZ6\" data-secret=\"4wOC7TRuZ6\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ladislau Dowbor &#8211;\u00a0Radiografia de um sequestro: banqueiros e megaempres\u00e1rios colonizam os partidos, compram acordos no Judici\u00e1rio, comandam m\u00eddia e extraem dinheiro dos Tesouros. 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