{"id":9815,"date":"2018-12-15T17:38:38","date_gmt":"2018-12-15T19:38:38","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=9815"},"modified":"2018-12-14T16:45:43","modified_gmt":"2018-12-14T18:45:43","slug":"o-golpe-no-brasil-e-a-reorganizacao-imperialista-em-tempo-de-globalizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2018\/12\/15\/o-golpe-no-brasil-e-a-reorganizacao-imperialista-em-tempo-de-globalizacao\/","title":{"rendered":"O Golpe no Brasil e a reorganiza\u00e7\u00e3o imperialista em tempo de globaliza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><strong>Barnab\u00e9 Medeiros Filho &#8211;\u00a0<\/strong>O modelo de golpe aplicado no Brasil, complexo e sofisticadamente male\u00e1vel, talvez j\u00e1 tenha sido transformado em manual para ser levado a outros pa\u00edses, tal como as f\u00f3rmulas desenvolvidas para as revolu\u00e7\u00f5es coloridas e para os golpes em Honduras e Paraguai foram aqui utilizados. A grande pergunta \u00e9 at\u00e9 onde o capitalismo poder\u00e1 conduzir processos assim, para enfrentar o esgotamento de seu modo de produ\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Embora os Estados Unidos n\u00e3o sejam o \u00fanico pa\u00eds imperialista, eles s\u00e3o hoje a pot\u00eancia hegem\u00f4nica mundial e, mais do que isso, s\u00e3o a pot\u00eancia a que, no Brasil, estamos diretamente submetidos. Por isso este artigo vai tratar essencialmente do imperialismo estadounidense, come\u00e7ando pela hist\u00f3ria de sua domina\u00e7\u00e3o sobre os pa\u00edses latino-americanos e suas v\u00e1rias faces, ao longo dos \u00faltimos 170 anos.<\/p>\n<p><strong><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/diplomatique.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/verdadeiro-mapa-do-m%C3%A9xico.png?w=640&#038;ssl=1\" \/><\/strong><\/p>\n<p><strong>O imperialismo no s\u00e9culo XIX<\/strong><\/p>\n<p>Este \u00e9 o mapa de parte da Am\u00e9rica do Norte at\u00e9 1845. O M\u00e9xico \u00e9 esta \u00e1rea em amarela. Era o maior e o mais importante pa\u00eds independente da Am\u00e9rica do Norte. Os Estados Unidos s\u00e3o este pa\u00eds na costa do Atl\u00e2ntico: menos da metade do territ\u00f3rio mexicano. Acima do M\u00e9xico, na costa do Pac\u00edfico, est\u00e1 o Oregon, que na \u00e9poca pertencia \u00e0 Gr\u00e3-Bretanha. No meio est\u00e1 o oeste selvagem, que mais tarde o coronel Custer vai invadir com a cavalaria, matando \u00edndios, para abrir passagem aos \u201cbravos\u201d colonos dos filmes de faroeste.<\/p>\n<p>Esse mapa come\u00e7ou a mudar em 1845, quando os Estados Unidos anexaram o Texas. Depois veio a guerra Mexicano-Americana ao fim da qual, em 1848, os Estados Unidos haviam tomado a metade do territ\u00f3rio mexicano.<\/p>\n<p>Compare o mapa de 1845 com o mapa a seguir:<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-61742\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/diplomatique.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/territorio-roubado-do-mexico.png?resize=640%2C497&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 990px) 100vw, 990px\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/territorio-roubado-do-mexico.png 990w, \/wp-content\/uploads\/2018\/11\/territorio-roubado-do-mexico-300x233.png 300w, \/wp-content\/uploads\/2018\/11\/territorio-roubado-do-mexico-768x597.png 768w, \/wp-content\/uploads\/2018\/11\/territorio-roubado-do-mexico-160x124.png 160w, \/wp-content\/uploads\/2018\/11\/territorio-roubado-do-mexico-360x280.png 360w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"497\" \/><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/diplomatique.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/territorio-roubado-do-mexico.png?w=640&#038;ssl=1\" \/><\/p>\n<p>Na parte que os Estados Unidos tomaram est\u00e3o hoje a Calif\u00f3rnia, onde pouco depois da anexa\u00e7\u00e3o se descobriu ouro, e mais as \u00e1reas que correspondem aos estados de Nevada, Utah, Arizona, Novo M\u00e9xico, Texas, parte do Colorado e parte do Wyoming.<\/p>\n<p>Esse tipo de expans\u00e3o, tomando territ\u00f3rios pela for\u00e7a, n\u00e3o era muito diferente do que as pot\u00eancias europeias faziam, sobretudo na \u00c1frica. L\u00e1 conquistando col\u00f4nias, na Am\u00e9rica do Norte ampliando fronteiras. Era o t\u00edpico imperialismo do s\u00e9culo XIX, embora o termo imperialismo ainda n\u00e3o existisse. Pelo menos n\u00e3o existia com o significado que tem hoje.<\/p>\n<p>Qual era a justificativa ideol\u00f3gica dessa modalidade de imperialismo? No caso das pot\u00eancias europeias era levar civiliza\u00e7\u00e3o aos povos atrasados. Uma civiliza\u00e7\u00e3o levada na ponta das baionetas e convertida em espolia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>J\u00e1 os Estados Unidos tinham (de certa forma t\u00eam) uma justificativa ideol\u00f3gica muito peculiar, na qual racismo e religi\u00e3o se misturam. Trata-se da doutrina do destino manifesto, que come\u00e7a a se difundir justamente na \u00e9poca da guerra contra o M\u00e9xico. A doutrina do destino manifesto pregava que os Estados Unidos tinham o direito, dado por Deus, de se expandir por toda a Am\u00e9rica do Norte. Era a isso que a na\u00e7\u00e3o estava predestinada, por sua superioridade moral, devida ao car\u00e1ter anglo-sax\u00e3o e ao culto ao trabalho das vertentes protestantes predominantes no pa\u00eds. Uma estranha superioridade moral e um estranho culto ao trabalho que convivia pacificamente com a escravid\u00e3o. Sem esquecer que ap\u00f3s o fim da escravid\u00e3o os negros ainda viveram mais 100 anos em um odioso sistema de apartheid.<\/p>\n<p>Essa ideia, do destino manifesto, n\u00e3o foi apenas coisa do s\u00e9culo XIX. Ela se manteve no s\u00e9culo XX e era ensinada nas escolas de ensino fundamental e m\u00e9dio pelo menos at\u00e9 o in\u00edcio dos anos 60. Naturalmente, n\u00e3o se tratava mais de expans\u00e3o pela Am\u00e9rica do Norte, mas de \u201cliderar o mundo\u201d, que numa leitura menos eufem\u00edstica significava dominar o mundo.<\/p>\n<p><strong>O imperialismo no s\u00e9culo XX<\/strong><\/p>\n<p>Voltando \u00e0 linha cronol\u00f3gica, o termo imperialismo surge, ou pelo menos se consolida, a partir da I Guerra Mundial, que ficou conhecida como a Grande Guerra imperialista, uma refer\u00eancia ao colonialismo das potencias europeias em luta. \u00c9 tamb\u00e9m a partir da I Guerra Mundial, com a enorme destrui\u00e7\u00e3o causada pelo conflito, que os Estados Unidos se consolidam como pot\u00eancia de express\u00e3o mundial, com uma economia poderosa, capaz de balan\u00e7ar o mundo com suas crises, como foi com a crise de 1929.<\/p>\n<p>Os Estados Unidos tamb\u00e9m tinham suas col\u00f4nias: Filipinas e Porto Rico, tomados da Espanha em 1898, Hava\u00ed que era um pa\u00eds independente e foi invadido militarmente tamb\u00e9m em 1898, al\u00e9m de Cuba, mantida como uma semi-col\u00f4nia por boa parte do s\u00e9culo XX. Mas os Estados Unidos n\u00e3o foram um pa\u00eds essencialmente colonialista, como eram as pot\u00eancias europeias. \u00a0Assim o s\u00e9culo XX, ao longo do qual os Estados Unidos se consolidam como pot\u00eancia capitalista hegem\u00f4nica, \u00e9 marcado pelo decl\u00ednio do imperialismo colonial e o gradativo surgimento de uma nova vers\u00e3o de imperialismo, que preserva a soberania dos pa\u00edses submetidos, dando \u00eanfase ao dom\u00ednio econ\u00f4mico, financeiro e cultural. Ou seja, o importante \u00e9 ter pa\u00edses que sejam fornecedores de mat\u00e9ria prima, mercados para produtos industriais e receptores de investimentos para o capital excedente nos pa\u00edses centrais. Isso se pode conseguir mantendo esses pa\u00edses formalmente soberanos.<\/p>\n<p>Naturalmente, quando algum desses pa\u00edses tribut\u00e1rios sai da linha, uma interven\u00e7\u00e3ozinha militar ajuda a corrigir o desvio.\u00a0 A Wikip\u00e9dia traz uma cronologia das opera\u00e7\u00f5es militares dos Estados Unidos no exterior ao longo de sua hist\u00f3ria. As do s\u00e9culo XX somam 152 opera\u00e7\u00f5es, a\u00ed incluindo as guerras mundiais, guerra do Vietn\u00e3, guerra do golfo, guerra da Coreia e interven\u00e7\u00f5es menores englobando pa\u00edses t\u00e3o diferentes como China e Iugosl\u00e1via, Ir\u00e3 e Congo, S\u00edria e Tail\u00e2ndia. Na Am\u00e9rica Latina foram dezenas de interven\u00e7\u00f5es, em pa\u00edses como Panam\u00e1, Cuba, Nicar\u00e1gua, Rep\u00fablica Dominicana, Bermudas, Guatemala, El Salvador. Enfim, quase todos os pa\u00edses da Am\u00e9rica Central e Caribe sofreram algum tipo de interven\u00e7\u00e3o militar dos Estados Unidos, v\u00e1rios deles mais de uma vez.<\/p>\n<p>No caso dos grandes pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina, o \u00fanico a sofrer interven\u00e7\u00e3o militar dos Estados Unidos foi o M\u00e9xico. J\u00e1 para n\u00f3s, da Am\u00e9rica do Sul, que felizmente n\u00e3o estamos t\u00e3o perto, foram reservados m\u00e9todos indiretos de interven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>At\u00e9 os anos 70, o principal m\u00e9todo de interven\u00e7\u00e3o indireta dos EUA na Am\u00e9rica Latina consistia em cooptar as lideran\u00e7as militares de cada pa\u00eds. Toda a c\u00fapula militar do golpe de 1964 no Brasil tinha liga\u00e7\u00f5es estreitas com militares dos Estados Unidos, forjadas ao longo de d\u00e9cadas de contato e colabora\u00e7\u00e3o militar entre os dois pa\u00edses. Castelo Branco, por exemplo, era amigo \u00edntimo do coronel Vernon Walters, o adido militar da embaixada estadunidense e que foi um dos articuladores do golpe no Brasil.<\/p>\n<p>Um dos instrumentos mais importantes para essa coopta\u00e7\u00e3o foi a Escola das Am\u00e9ricas, na zona do canal do Panam\u00e1, um centro para treinamento e doutrina\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica de militares latino-americanos. Ela ficou conhecida como escola de ditadores, porque por l\u00e1 passaram alguns dos golpistas mais famosos da Am\u00e9rica Latina, como Rafael Videla e Leopoldo Gualtiere da Argentina, Hugo Banzer da Bol\u00edvia, Manuel Contreras, do Chile.<\/p>\n<p>O Brasil mandou centenas de militares para essa escola, o mais conhecido dos quais \u00e9 o brigadeiro Jo\u00e3o Paulo Burnier, que chefiou o CISA, centro de tortura da Aeron\u00e1utica. Ali\u00e1s, entre os v\u00e1rios cursos da Escola das Am\u00e9ricas, um era sobre t\u00e9cnicas de interrogat\u00f3rio: um curso de tortura que certamente Burnier frequentou. Entre outros crimes ele \u00e9 acusado de ter mandado matar o educador An\u00edsio Teixeira.<\/p>\n<p>O golpe de 1964 no Brasil foi completamente articulado pelos Estados Unidos. Isso est\u00e1 comprovado historicamente, desde que vieram a p\u00fablico nos Estados Unidos documentos da \u00e9poca, depois que passou o prazo em que legalmente podiam ser mantidos secretos. Entre os documentos que vieram a p\u00fablico, h\u00e1 uma grava\u00e7\u00e3o de John Kennedy tramando com Lincoln Gordon, o embaixador estadunidense no Brasil, a deposi\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Goulart. Isso em 1962, menos de um ano ap\u00f3s Jango Goulart assumir a presid\u00eancia.<\/p>\n<p>Outra caracter\u00edstica importante do imperialismo no s\u00e9culo XX foi a competi\u00e7\u00e3o com a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica.<\/p>\n<p>N\u00e3o vou discutir se a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica foi tamb\u00e9m imperialista ou n\u00e3o. Para isso seria necess\u00e1rio examinar as rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas entre os pa\u00edses do chamado mundo comunista o que foge do escopo deste artigo. Mas \u00e9 certo que a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica exerceu o dom\u00ednio sobre outros pa\u00edses, inclusive intervindo militarmente, como na Hungria (1956) e na Checoslov\u00e1quia (1968).<\/p>\n<p>O importante \u00e9 assinalar que a consolida\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica como pot\u00eancia mundial, ap\u00f3s a II Guerra Mundial, gerou uma competi\u00e7\u00e3o com os Estados Unidos, conhecida como Guerra Fria. Isso vai marcar o mundo por quase cinco d\u00e9cadas. Ao mesmo tempo forneceu uma poderosa justificativa ideol\u00f3gica ao imperialismo. N\u00e3o se tratava mais de levar a civiliza\u00e7\u00e3o a povos atrasados, mas de defender o \u201cmundo livre\u201d do comunismo ateu e repressor.<\/p>\n<p>O anticomunismo foi largamente utilizado no golpe de 64 no Brasil, com importante apoio do conservadorismo cat\u00f3lico. Nas mobiliza\u00e7\u00f5es que antecederam o golpe, senhoras marchavam pelas ruas com ros\u00e1rio na m\u00e3o, clamando a Deus que livrasse o pa\u00eds do comunismo. O anticomunismo estava na moda. O estranho \u00e9 que ele tenha reaparecido no golpe de 2016 contra o PT, 25 anos depois do colapso da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Isso mostra a for\u00e7a dessa justificativa, a ponto de ser utilizada at\u00e9 mesmo quando j\u00e1 n\u00e3o faz mais sentido.<\/p>\n<p><strong>O imperialismo no s\u00e9culo XXI<\/strong><\/p>\n<p>Os golpes militares, como o do Brasil, come\u00e7aram a entrar em decl\u00ednio no final dos anos 70. Gradativamente os militares alinhados com os Estados Unidos foram deixando de ser os principais protagonistas na domestica\u00e7\u00e3o de seus pa\u00edses. Sociedades mais complexas, a populariza\u00e7\u00e3o e generaliza\u00e7\u00e3o das tecnologias da informa\u00e7\u00e3o e o fracasso das ditaduras anteriores tornam mais dif\u00edcil mobilizar apoio popular a um golpe militar e, sobretudo, tornavam mais dif\u00edcil controlar depois um grande pa\u00eds s\u00f3 na base da repress\u00e3o e censura. Para um quadro mais complexo, o imperialismo precisava construir instrumentos de interven\u00e7\u00e3o mais sofisticados, cultivar novos aliados internos e criar uma nova justificativa ideol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Novos m\u00e9todos de interven\u00e7\u00e3o indireta come\u00e7aram a nascer nas chamadas revolu\u00e7\u00f5es coloridas nos pa\u00edses ex-comunistas. H\u00e1 v\u00e1rios trabalhos acad\u00eamicos analisando essas revolu\u00e7\u00f5es, um dos quais vem da Faculdade de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.<a href=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/o-golpe-no-brasil-e-a-reorganizacao-imperialista-em-tempo-de-globalizacao\/#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>\u00a0A autora, Carolina Scherer, levantou dados importantes sobre a participa\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es dos Estados Unidos no financiamento e treinamento de ONGs do Leste Europeu envolvidas nas revolu\u00e7\u00f5es coloridas. Entre essas organiza\u00e7\u00f5es est\u00e3o a USAID, ag\u00eancia de coopera\u00e7\u00e3o internacional do governo estadunidense, a Open Society, do bilion\u00e1rio George Soros e o International Republican Institute, ligado ao Partido Republicano.<\/p>\n<p>O ponto de partida para o desenvolvimento dos novos m\u00e9todos de interven\u00e7\u00e3o foi o manual de a\u00e7\u00f5es n\u00e3o-violentas, criado por Gene Sharp, um professor da Universidade de Massachusetts. Na primeira das revolu\u00e7\u00f5es coloridas, a da S\u00e9rvia, em 2000, os Estados Unidos investiram 80 milh\u00f5es de d\u00f3lares, uma bagatela para derrubar um governo. A Alemanha tamb\u00e9m colocou dinheiro na empreitada. O principal benefici\u00e1rio foi a ONG S\u00e9rvia OTPOR. Parte de seus membros foi treinada nos Estados Unidos nos m\u00e9todos de a\u00e7\u00e3o de Gene Sharp, no uso sofisticado das redes sociais e das tecnologias de informa\u00e7\u00e3o em geral.<\/p>\n<p>Essa mesma OTPOR vai depois treinar organiza\u00e7\u00f5es cong\u00eaneres na Ge\u00f3rgia, Azerbaij\u00e3o, Bielo-R\u00fassia e Arm\u00eania, que igualmente tiveram suas revolu\u00e7\u00f5es coloridas, nem todas bem-sucedidas. Mais tarde, um bra\u00e7o da OTPOR vai aparecer no Egito, treinando organiza\u00e7\u00f5es envolvidas na primavera \u00e1rabe.<\/p>\n<p>Fa\u00e7o um par\u00eantesis para afirmar que, de maneira nenhuma, estou defendendo os governos atacados nas revolu\u00e7\u00f5es coloridas ou na primavera \u00e1rabe. Em muitos desses casos o que houve foi que movimentos leg\u00edtimos foram capturados por grupos financiados e treinados pelos Estados Unidos. Isso tamb\u00e9m vimos no Brasil, em 2013, quando os protestos contra o aumento das passagens de \u00f4nibus acabaram nas m\u00e3os de grupos de direita, tendo a pauta desviada para o anti-PT, anti-movimentos sociais, anti-esquerda e depois para o golpe contra a presidenta Dilma Roussef. O que aconteceu no Brasil de 2013 foi a aplica\u00e7\u00e3o do mesmo modus operandi utilizado nas revolu\u00e7\u00f5es coloridas.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>Examinemos agora os novos aliados internos do imperialismo.<\/p>\n<p>No aparato institucional dos pa\u00edses visados os militares n\u00e3o s\u00e3o mais os principais pontos de apoio, mas nem por isso deixaram de ser cortejados pelos Estados Unidos. Tanto assim que a Escola das Am\u00e9ricas est\u00e1 viva e forte, agora com outro nome e em outro local. Mudou-se do Panam\u00e1 para a Ge\u00f3rgia. Pode-se dizer que os militares hoje comp\u00f5em um time reserva, pronto para entrar em campo em fases mais agudas de um golpe, quando solu\u00e7\u00f5es de for\u00e7a bruta se tornam necess\u00e1rias.<\/p>\n<p>Entre os novos alvos priorit\u00e1rios, os principais s\u00e3o as for\u00e7as policiais (que tamb\u00e9m frequentavam e frequentam os cursos da Escola das Am\u00e9ricas) e o aparato Judicial. No caso das pol\u00edcias, as liga\u00e7\u00f5es se estabelecem, sobretudo, atrav\u00e9s de cursos organizados pelo FBI e pelo DEA, ag\u00eancia encarregada do combate ao tr\u00e1fico de drogas. No Brasil tem havido tamb\u00e9m dinheiro mandado direto para a Pol\u00edcia Federal, em geral disfar\u00e7ado de financiamento para opera\u00e7\u00f5es de combate ao narcotr\u00e1fico.<\/p>\n<p>J\u00e1 o Judici\u00e1rio tem sido cooptado atrav\u00e9s de semin\u00e1rios de treinamento dos quais participam ju\u00edzes e promotores. Recentemente o Wikileaks revelou um documento interno do governo estadounidense, com detalhes do Projeto Pontes, voltado ao treinamento de ju\u00edzes e promotores da Am\u00e9rica Latina. Nesse documento, datada de 2009, os organizadores do semin\u00e1rio sugerem um treinamento mais aprofundado direcionado a Curitiba, S\u00e3o Paulo e Campo Grande. Outro m\u00e9todo de coopta\u00e7\u00e3o s\u00e3o as palestras remuneradas que estrelas do Judici\u00e1rio latino-americano proferem nos Estados Unidos. O juiz S\u00e9rgio Moro, de Curitiba, que comanda a \u201cOpera\u00e7\u00e3o Lava Jato\u201d, tem sido um dos palestrantes mais frequentes.<\/p>\n<p>O terceiro aspecto nessa trilogia das novas formas de interven\u00e7\u00e3o do imperialismo \u00e9 a justificativa ideol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Nesse ponto, at\u00e9 agora n\u00e3o se tem algo t\u00e3o unificador como foi o anticomunismo. Na falta de coisa melhor, adotam-se justificativas diferentes para cada pa\u00eds. Em uns \u00e9 combate ao terrorismo. Em outros \u00e9 a luta contra ditaduras. E em outros ainda \u00e9 o combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o. Realmente, o anticomunismo era mais eficiente, pois com ele era poss\u00edvel justificar as ditaduras mais sanguin\u00e1rias, as alian\u00e7as mais estranhas. No entanto, \u00e9 dif\u00edcil conciliar a luta contra o terrorismo e a alian\u00e7a com grupos ligados \u00e0 Al-Qaeda, como os Estados Unidos fizeram na S\u00edria, ou a destrui\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds em nome do combate a uma ditadura, como aconteceu na L\u00edbia, ou ainda a entrega do poder a uma quadrilha de ladr\u00f5es em nome do combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, como aconteceu no Brasil.<\/p>\n<p><strong>A sofisticada guerra h\u00edbrida no Brasil<\/strong><\/p>\n<p>Nos 16 anos que separam a primeira revolu\u00e7\u00e3o colorida, a da S\u00e9rvia, e o golpe contra Dilma Roussef no Brasil, as formas de interven\u00e7\u00e3o do imperialismo evolu\u00edram muito, at\u00e9 se transformar no que est\u00e1 sendo chamado de Guerra H\u00edbrida. Quem primeiro usou esse termo foi Frank Hoffman, um especialista em estrat\u00e9gias militares, num estudo de 2007 para o Marines Corps, o corpo de fuzileiros navais dos Estados Unidos. Atualmente, passados mais de 10 anos desse primeiro estudo, Guerra H\u00edbrida tem sido definida como o uso de m\u00e9todos e apoios os mais variados contra um determinado pa\u00eds. Da mobiliza\u00e7\u00e3o de parte da popula\u00e7\u00e3o, como nas revolu\u00e7\u00f5es coloridas, aos drones e bombardeios a\u00e9reos, passando pela coopta\u00e7\u00e3o da m\u00eddia, do aparato judicial e policial do pa\u00eds visado, pelo apoio a grupos armados, interven\u00e7\u00e3o eleitoral, fake news e o que mais for poss\u00edvel usar. \u00c9 um tipo de estrat\u00e9gia que pode chegar \u00e0 guerra total, mas a mobiliza\u00e7\u00e3o de for\u00e7as hostis come\u00e7a muito antes da guerra declarada.<\/p>\n<p>A guerra civil na S\u00edria, que come\u00e7ou com mobiliza\u00e7\u00f5es populares, continuou com o apoio a grupos armados e chegou aos bombardeios a\u00e9reos \u00e9 um exemplo de uma guerra h\u00edbrida completa.<\/p>\n<p>No entanto, h\u00e1 quem cite o golpe no Brasil como exemplo mais sofisticado de guerra h\u00edbrida, sem chegar a conflito armado. Contou com manifesta\u00e7\u00f5es de rua e com a chamada \u201cOpera\u00e7\u00e3o Lava Jato\u201d, de suposto combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, conduzida por um juiz de confian\u00e7a. Al\u00e9m disso, foi necess\u00e1rio ainda a compra de grandes parcelas do Congresso, o controle dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, a coopta\u00e7\u00e3o do Supremo Tribunal Federal e, na sequ\u00eancia do golpe, para impedir a candidatura do ex-presidente Lula a mais um per\u00edodo presidencial, foi fundamental a atua\u00e7\u00e3o de tr\u00eas ju\u00edzes do tribunal de apela\u00e7\u00e3o de Porto Alegre. Aparentemente, a guerra h\u00edbrida contra o Brasil n\u00e3o terminou, podendo ainda entrar em cena a for\u00e7a bruta dos militares, como parece indicar o processo eleitoral de 2018.<\/p>\n<p>Certamente teremos que esperar outros 50 anos para que os historiadores tenham acesso aos documentos oficiais sobre o papel dos Estados Unidos no golpe de 2016. Mesmo sem esses documentos secretos, j\u00e1 temos uma s\u00e9rie de informa\u00e7\u00f5es sobre a linha de a\u00e7\u00e3o do imperialismo no golpe.<\/p>\n<p>Primeiro, examinando os m\u00e9todos utilizados, alguns deles muito semelhantes ao que se viu nas revolu\u00e7\u00f5es coloridas. Outro dado s\u00e3o as liga\u00e7\u00f5es com o dinheiro dos Estados Unidos de grupos de direita do Brasil que tiveram papel importante nas manifesta\u00e7\u00f5es contra Dilma Roussef. O pouco que se sabe por enquanto \u00e9 que o MBL (Movimento Brasil Livre) \u00e9 financiado pelo Instituto Charles Koch, mantido pela fam\u00edlia Koch, uma das mais ricas dos Estados Unidos, e que membros do MBL t\u00eam recebido treinamento da Students for Liberty, uma ONG com atua\u00e7\u00e3o internacional, que tem presen\u00e7a marcante em pa\u00edses cujos governos os Estados Unidos desejam derrubar. Em 2013 e 2014, essa organiza\u00e7\u00e3o ajudou a organizar protestos contra o governo da Ucr\u00e2nia. Na Venezuela atua h\u00e1 muito tempo e tem s\u00f3lidas liga\u00e7\u00f5es com organiza\u00e7\u00f5es estudantis anti-chavistas.<\/p>\n<p>Mais importante do que isso s\u00e3o os ind\u00edcios de liga\u00e7\u00f5es da Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato com os \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a dos Estados Unidos. Com certeza n\u00e3o foi a pris\u00e3o do doleiro\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Alberto_Youssef\">Alberto Youssef<\/a>\u00a0que levou \u00e0 descoberta do enorme volume de informa\u00e7\u00f5es que a chamada \u201cfor\u00e7a tarefa\u201d da Lava Jato levantou no in\u00edcio da opera\u00e7\u00e3o, antes de ter acesso \u00e0 \u201cmina de ouro\u201d dos acordos de \u201cdela\u00e7\u00e3o premiada\u201d<\/p>\n<p>Seria igualmente ing\u00eanuo acreditar na explica\u00e7\u00e3o dada para a descoberta do chamado \u201cDepartamento de Propina\u201d da construtora Odebrecht. O esquema da Odbrecht para repassar propina era sofisticad\u00edssimo. Eles compraram um banco no exterior para isso. O dinheiro passava por um emaranhado de intermedi\u00e1rios e contas em outros bancos at\u00e9 chegar ao destinat\u00e1rio final. Na vers\u00e3o oficial esse sistema foi descoberto porque uma secret\u00e1ria levou para casa as pastas do esquema. Essa secret\u00e1ria come\u00e7ou a ser investigada sabe-se l\u00e1 por que e as tais pastas ca\u00edram na m\u00e3o da Pol\u00edcia Federal.<\/p>\n<p>Parece claro que muito do que foi descoberto pela Lava Jato, antes dos grandes acordos de dele\u00e7\u00e3o premiada, t\u00eam como fontes prim\u00e1rias \u00f3rg\u00e3os como FBI, Departamento de Justi\u00e7a e Departamento de Tesouro dos Estados Unidos. Essas ag\u00eancias governamentais realmente t\u00eam instrumentos para rastrear dinheiro em esquemas complexos como o da Odebrecht. E n\u00e3o se pode esquecer da NSA e seu gigantesco sistema de espionagem eletr\u00f4nica que Edward Snowden denunciou.<\/p>\n<p>Para encerrar esse t\u00f3pico, algo sobre o papel do PSDB, partido do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e sobre como as elei\u00e7\u00f5es nos Estados Unidos minaram a hegemonia deste partido no bloco golpista.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 novidade que o PSDB representa no Brasil os interesses do capital financeiro internacional, como v\u00e1rios pesquisadores j\u00e1 demonstraram<a href=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/o-golpe-no-brasil-e-a-reorganizacao-imperialista-em-tempo-de-globalizacao\/#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>, tendo jogado papel central no impeachment da presidenta Dilma Roussef. Os peessedebistas funcionaram como n\u00facleo intelectual do golpe, passando a ocupar fun\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas no governo. A base dessa for\u00e7a eram suas conex\u00f5es internacionais, sobretudo atrav\u00e9s do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que nos Estados Unidos tem rela\u00e7\u00f5es estreitas com os Clinton (o ex-presidente Bill Clinton e a senadora Hillary Clinton) que dominam o Partido democrata.<\/p>\n<p>Os Clinton s\u00e3o os grandes fornecedores de recursos para as campanhas eleitorais do Partido Democrata, gra\u00e7as a suas liga\u00e7\u00f5es com Wall Street. Ou seja, atrav\u00e9s dos Clinton, o capital financeiro controla o Partido Democrata e, atrav\u00e9s de FHC, controla o PSDB. Hillary Clinton como secret\u00e1ria de estado, foi respons\u00e1vel pela pol\u00edtica externa dos Estados Unidos at\u00e9 2013, quando j\u00e1 se articulava o golpe no Brasil. Ao deixar o governo Obama para se candidatar \u00e0 presid\u00eancia, o sucessor dela foi um homem dos Clinton, John Kerry.<\/p>\n<p>Foi nesse cen\u00e1rio que a prepara\u00e7\u00e3o do golpe no Brasil se acelerou, cabendo a Fernando Henrique Cardoso a fun\u00e7\u00e3o de ponte entre a elite neoliberal brasileira e o Departamento de Estado. Consumado o golpe, o PSDB passou a ter papel fundamental, funcionando como fiador do governo Temer nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>O que n\u00e3o estava previsto era a derrota de Hillary Clinton na campanha eleitoral de 2016.<\/p>\n<p>Quem descreve muito bem as consequ\u00eancias para o Brasil dessa reviravolta eleitoral \u00e9 o professor Jos\u00e9 Lu\u00eds Fiori, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Para ele, a vit\u00f3ria de Donald Trump levou a uma \u201csurpreendente implos\u00e3o e desmontagem do bloco golpista no Brasil\u201d, pois sem contar mais com suas conex\u00f5es no Departamento de Estado, o PSDB deixou de ser uma pe\u00e7a fundamental do governo Temer. O resultado foi que o n\u00facleo intelectual do golpe perdeu poder, viu seu espa\u00e7o reduzir-se, com o governo caindo de fato \u201cnas m\u00e3os de um grupo da segunda divis\u00e3o, de baix\u00edssimo n\u00edvel intelectual, inteiramente despreparado para governar o Brasil\u201d, conclui Fiori\u00a0<a href=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/o-golpe-no-brasil-e-a-reorganizacao-imperialista-em-tempo-de-globalizacao\/#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>.<\/p>\n<p>A cronologia dos fatos parece dar raz\u00e3o a Fiori. De farto, ap\u00f3s a mudan\u00e7a de governo nos Estados Unidos o que se viu no Brasil foi uma batalha pelo poder no seio das for\u00e7as antes unidas no golpe. Temer, cada vez mais atacado por \u201cfogo amigo\u201d, via parte de seu grupo saindo do governo direto para a cadeia e ele pr\u00f3prio tendo que se submeter ao mais rasteiro fisiologismo do Congresso para n\u00e3o ser apeado do poder. \u00a0Ou seja, com Trump, o imperialismo ficou temporariamente sem diretrizes claras com rela\u00e7\u00e3o ao Brasil e isso, circunstancialmente, impediu o aprofundamento do golpe. Certas medidas que claramente estiveram na agenda do golpe, como a cassa\u00e7\u00e3o do registro do Partido dos Trabalhadores ou o adiamento das elei\u00e7\u00f5es, n\u00e3o foram levadas adiante unicamente por conta do esfacelamento do bloco golpista.<\/p>\n<p><strong>A dimens\u00e3o geopol\u00edtica do golpe<\/strong><\/p>\n<p>Muito se falou que o interesse dos Estados Unidos era se apoderar das riquezas do Brasil, particularmente do petr\u00f3leo descoberto na camada mar\u00edtima conhecida como pr\u00e9-sal, al\u00e9m de destruir as grandes empresas brasileiras que competiam no mercado internacional. Teria sido este o principal motivo externo que levou ao golpe.<\/p>\n<p>O que aconteceu com a Embraer parece ir nessa linha. Trata-se da venda para a norte-americana Boeing de uma empresa brasileira, a Embraer, que se destacava como uma das maiores competidoras no mercado internacional de jatos de porte m\u00e9dio.<\/p>\n<p>No entanto, no caso do pr\u00e9-sal, os fatos n\u00e3o foram na mesma dire\u00e7\u00e3o. Os compradores de parcelas do pr\u00e9-sal, vendidas nos dois primeiros anos ap\u00f3s o golpe, foram empresas do Reino Unido (Shell e BP), da Fran\u00e7a (Total) e mais uma empresa da Noruega, uma da Espanha, uma do Catar e at\u00e9 mesmo uma da China. Nenhuma empresa estadunidense comprou nada no pr\u00e9-sal. Nem mesmo a petroleira da fam\u00edlia Koch, que financia o MBL.<\/p>\n<p>Mais estranho ainda \u00e9 o que tem acontecido na constru\u00e7\u00e3o pesada brasileira, at\u00e9 recentemente dominada por grandes conglomerados empresariais, com expressiva atua\u00e7\u00e3o no mercado Internacional. Quem vem se beneficiando da crise e encolhimentos das construtoras perseguidas pela Lava Jato s\u00e3o as construtoras chinesas. Est\u00e3o se beneficiando na Am\u00e9rica Latina, na \u00c1frica, (sobretudo em Angola, onde a Odebrecht tinha neg\u00f3cios importantes) e certamente est\u00e3o de olho no mercado brasileiro de obras p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Como explicar essa contradi\u00e7\u00e3o? Certamente, parte da explica\u00e7\u00e3o est\u00e1 no entrela\u00e7amento da economia mundial, acentuado pela financeiriza\u00e7\u00e3o generalizada, que faz surgir grandes conglomerados a partir dos quais os la\u00e7os das empresas com seus pa\u00edses de origem praticamente se dissolvem. Esse tema ser\u00e1 melhor tratado no t\u00f3pico seguinte deste artigo.<\/p>\n<p>H\u00e1, por\u00e9m, outro aspecto a considerar: a dimens\u00e3o geopol\u00edtica do golpe. De fato, basta lembrar o que foi descrito na parte inicial deste artigo para se perceber que aos Estados Unidos seria impens\u00e1vel a exist\u00eancia nesta parte do mundo de um pa\u00eds com desenvolvimento econ\u00f4mico aut\u00f4nomo, capaz de se tornar poderoso e de, no futuro, vir a desafiar a hegemonia norte-americana. Para n\u00e3o esquecermos as li\u00e7\u00f5es da Hist\u00f3ria \u00e9 importante recordar a doutrina do destino manifesto, o assalto ao M\u00e9xico, as dezenas de interven\u00e7\u00f5es na Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>No caso do Brasil atual, com a descoberta do petr\u00f3leo no pr\u00e9-sal, o pa\u00eds havia encontrado um modelo de desenvolvimento econ\u00f4mico independente e estava implantando esse modelo. Consistia em aproveitar a renda do pr\u00e9-sal para desenvolver outros ramos da economia nacional. De um lado, gradativamente produzindo no pa\u00eds tudo o que fosse necess\u00e1rio para a explora\u00e7\u00e3o, transporte, refino e distribui\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo do pr\u00e9-sal. De plataformas mar\u00edtimas e navios a tubula\u00e7\u00f5es para o transporte de combust\u00edveis e uma infinidade de outros produtos e servi\u00e7os. Este era o sentido da exig\u00eancia de conte\u00fado nacional para as compras da Petrobr\u00e1s, a partir do qual nasceu uma importante ind\u00fastria naval, que agora est\u00e1 liquidada porque as petroleiras do pr\u00e9-sal podem comprar navios e plataformas mar\u00edtimas no exterior.<\/p>\n<p>A renda do pr\u00e9-sal tamb\u00e9m passou a permitir financiamento maci\u00e7o do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social) para o fortalecimento de algumas empresas, que ganharam musculatura para competir no exterior de igual para igual com grandes multinacionais. Assim cresceram a Friboi, a Odebrecht e outras empresas, especialmente da \u00e1rea de constru\u00e7\u00e3o pesada.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o Brasil estava come\u00e7ando projetos de cunho militar, como a constru\u00e7\u00e3o de submarino nuclear e de avi\u00f5es de ca\u00e7a, estes com tecnologia repassada pela Su\u00e9cia, Ali\u00e1s, o projeto do submarino nuclear estava a cargo de um bra\u00e7o da Odebrecht e o dos avi\u00f5es de ca\u00e7a cabia \u00e0 Embraer, duas das empresas alvo do golpe.<\/p>\n<p>Finalmente, o pa\u00eds tinha espa\u00e7o de destaque no cen\u00e1rio internacional e participava de uma articula\u00e7\u00e3o capaz de se constituir em um novo polo de poder, em contraposi\u00e7\u00e3o aos Estados Unidos. Trata-se dos BRICS, bloco envolvendo Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia, China e \u00c1frica do Sul.<\/p>\n<p><strong>O imperialismo sem p\u00e1tria e a p\u00e1tria do imperialismo.<\/strong><\/p>\n<p>O professor Ladislau Dowbor titular de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o na Economia da PUC de S\u00e3o Paulo, publicou em 2017 um livro muito interessante sobre a financeiriza\u00e7\u00e3o global. Ele descreve como a economia mundial hoje est\u00e1 dominada por gigantescos conglomerados que mesclam redes de ind\u00fastrias, cadeias de com\u00e9rcio e servi\u00e7os e empresas que negociam, em volumes imensos, commodities como petr\u00f3leo, soja, min\u00e9rio de ferro.<\/p>\n<p>Esses conglomerados t\u00eam no seu n\u00facleo central grandes bancos, que formam verdadeiros tent\u00e1culos pelo mundo todo, muitas vezes se entrela\u00e7ando entre eles. Da\u00ed o t\u00edtulo do livro: \u201cA Era do Capital Improdutivo\u201d<a href=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/o-golpe-no-brasil-e-a-reorganizacao-imperialista-em-tempo-de-globalizacao\/#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>.<\/p>\n<p>A ideia central do livro \u00e9 que esses conglomerados gigantescos t\u00eam hoje mais poder econ\u00f4mico que pa\u00edses tomados individualmente. Isso n\u00e3o \u00e9 novidade. A novidade \u00e9 que ele traz dados de pesquisa e nos d\u00e1 uma boa dimens\u00e3o disso, em termos de dinheiro, de extens\u00e3o dos tent\u00e1culos desses polvos pelo mundo, de capacidade de manipular a economia mundial e de impor as pol\u00edticas que desejem aos pa\u00edses mais poderosos do mundo. Essa dimens\u00e3o \u00e9 bem maior do que habitualmente se pensava.<\/p>\n<p>Grande parte do poder dessas estruturas empresariais adv\u00e9m daquilo que o autor define como controle em rede, um emaranhado de liga\u00e7\u00f5es entre esses gigantes, uma teia incompreens\u00edvel em que uns det\u00e9m parte da propriedade dos outros (e os outros da propriedade dos uns). A partir desse controle em rede, as 28 maiores institui\u00e7\u00f5es financeiras do mundo disp\u00f5em de um capital de 50 trilh\u00f5es de d\u00f3lares, v\u00e1rias vezes o produto bruto dos Estados Unidos, que \u00e9 da ordem de 15 trilh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n<p>\u00c9 a inexor\u00e1vel concentra\u00e7\u00e3o do capital, cada vez maior, como Marx previra no s\u00e9culo 19, agora em dimens\u00f5es planet\u00e1rias. Naturalmente, isso explica o fato de os Estados Unidos promoverem um golpe no Brasil, mas os principais frutos desse golpe terem sido colhidos por empresas com sede em outros pa\u00edses. \u00c9 o imperialismo sem p\u00e1tria, cujos interesses econ\u00f4micos n\u00e3o mais se identificam com pa\u00edses tomados individualmente.<\/p>\n<p>No entanto, seria err\u00f4neo deduzir da\u00ed que o pa\u00eds hegem\u00f4nico do imperialismo, sua p\u00e1tria por assim dizer, n\u00e3o tem interesses e objetivos particulares, que o diferenciam e o contrap\u00f5em aos demais pa\u00edses. Bastaria um exame superficial do cen\u00e1rio mundial para se perceber diferentes interesses nacionais em contraposi\u00e7\u00e3o, que v\u00e3o de simples disputas comerciais ao enfrentamento aberto, incluindo mobiliza\u00e7\u00f5es militares. Essas disputas e enfrentamentos t\u00eam se acirrado cada vez mais nos \u00faltimos anos, num crescente processo de polariza\u00e7\u00e3o, contrapondo de um lado os Estados Unidos e, do outro, a alian\u00e7a entre China e R\u00fassia secundada em graus diferentes pelos pa\u00edses que comp\u00f5em o chamado BRICS.<\/p>\n<p>Pelo menos desde 2009 cresceu e se aprofundou a articula\u00e7\u00e3o entre os pa\u00edses do BRIC. Nele, at\u00e9 antes do golpe, o Brasil tendia a aparecer como terceira for\u00e7a, depois de China e R\u00fassia. O motor econ\u00f4mico dos BRICS tem estado na China, segunda maior economia do mundo, em vias de se tornar a primeira e contando com a prote\u00e7\u00e3o do poderio militar russo.<\/p>\n<p>A China, que \u00e9 o mais novo membro do clube de pa\u00edses imperialistas, est\u00e1 hoje em todo mundo. Compra terras e investe em infraestrutura na \u00c1frica. Planeja a constru\u00e7\u00e3o de um canal na Nicar\u00e1gua ligando os oceanos Atl\u00e2ntico e Pac\u00edfico. Com a R\u00fassia, construiu um gigantesco oleoduto que traz petr\u00f3leo e g\u00e1s russos para territ\u00f3rio chin\u00eas. Est\u00e1 se lan\u00e7ando em um ambicioso projeto, de dimens\u00f5es planet\u00e1rias, a chamada Nova Rota da Seda, que ter\u00e1 trens de alta velocidade ligando a China \u00e0 Europa, portos modernos e novas rotas mar\u00edtimas ligando a costa da \u00c1sia \u00e0 \u00c1frica, depois chegando \u00e0 Europa e \u00e0s Am\u00e9ricas (pelo Atl\u00e2ntico e pelo Pac\u00edfico).<\/p>\n<p>Para se contrapor \u00e0 China e seus parceiros, os Estados Unidos lan\u00e7aram dois projetos de integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, a Parceria Transpac\u00edfica, com pa\u00edses dos dois lados do Oceano Pac\u00edfico, mas excluindo China e R\u00fassia, e a Parceria Transatl\u00e2ntica, entre Estados Unidos e a Uni\u00e3o Europeia. A Parceria Transpac\u00edfica chegou a ser assinada, mas Trump caiu fora. J\u00e1 o tratado com a Uni\u00e3o Europeia at\u00e9 hoje n\u00e3o entrou em vigor.<\/p>\n<p>Em contrapartida, a partir de 2009, quando Hillary Clinton assumiu o Departamento de Estado, os Estados Unidos se tornaram cada vez mais agressivos militarmente. Come\u00e7aram com provoca\u00e7\u00f5es contra a R\u00fassia no Leste Europeu que evolu\u00edram para a crise na Ucr\u00e2nia e continuaram na guerra civil da S\u00edria. Ao mesmo tempo h\u00e1 um aumento significativo da presen\u00e7a militar estadounidense na \u00c1sia, claramente voltada contra a China.<\/p>\n<p>Enfim, h\u00e1 uma mobiliza\u00e7\u00e3o militar anti-russa e anti-chinesa que n\u00e3o combina com o entrela\u00e7amento da economia mundial, a\u00ed incluindo China e, em menor escala R\u00fassia. O que seria essa tens\u00e3o militar? Manifesta\u00e7\u00e3o de disputas inter-imperialistas? E o que se pode entender por \u201cdisputas inter-imperialistas\u201d?\u00a0 Que pa\u00edses est\u00e3o no caminho da confronta\u00e7\u00e3o militar porque alguns n\u00f3s dessa entrela\u00e7ada rede burguesa planet\u00e1ria est\u00e3o brigando uns com outros?<\/p>\n<p>Em Marx, o estado burgu\u00eas existe para atender aos interesses da classe burguesa. Portanto, diferentes estados imperialistas estariam se digladiando por procura\u00e7\u00e3o de suas respectivas fra\u00e7\u00f5es da burguesia imperialista? Considero esta uma leitura simplista de Marx.<\/p>\n<p>Levando em conta os aspectos hist\u00f3ricos abordados neste artigo e, sobretudo, o que se pode enxergar atualmente no cen\u00e1rio internacional, arrisco-me a formular a hip\u00f3tese de que estamos vivendo um momento no qual est\u00e3o presentes dois modos de imperialismo. Um \u00e9 o imperialismo de estados poderosos do qual os Estados Unidos s\u00e3o sem d\u00favida um polo, sendo o outro polo o imperialismo chin\u00eas associado \u00e0 R\u00fassia. Um segundo modo \u00e9 o imperialismo do capital financeiro e sua rede planet\u00e1ria de conglomerados interligados, que \u00e9 essencialmente sem p\u00e1tria porque choca seus ovos em todo o mundo.<\/p>\n<p>Esses dois modos de imperialismo em geral est\u00e3o articulados e se complementam. Ou seja, o estado imperialista \u00e9 servidor da burguesia imperialista, como \u00e9 de se esperar. Mas os dois t\u00eam contradi\u00e7\u00f5es, que em certos momentos se agu\u00e7am. Assim sendo, estar\u00edamos atualmente vivendo um momento de agu\u00e7amento dessas contradi\u00e7\u00f5es, em que os interesses da burguesia imperialista se descolam do estado imperialista.<\/p>\n<p><strong>O esgotamento capitalista e a opera\u00e7\u00e3o Bolsonaro<\/strong><\/p>\n<p>O que se pode esperar da evolu\u00e7\u00e3o das for\u00e7as imperialistas e de suas contradi\u00e7\u00f5es? Sai o imperialismo dos EUA, entra o imperialismo chin\u00eas? Vamos assistir ao triunfo total do imperialismo sem p\u00e1tria?<\/p>\n<p>Estas s\u00e3o quest\u00f5es para as quais ainda n\u00e3o h\u00e1 resposta. No entanto al\u00e9m delas \u00e9 necess\u00e1rio formular outra quest\u00e3o, certamente mais b\u00e1sica. Qual a perspectiva do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista? H\u00e1 claros sinais de esgotamento deste modelo, o que naturalmente levaria ao esgotamento da organiza\u00e7\u00e3o imperialista do capital.<\/p>\n<p>O ge\u00f3grafo marxista David Harvey publicou recentemente um livro intitulado \u201c17 contradi\u00e7\u00f5es e o fim do capitalismo\u201d<a href=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/o-golpe-no-brasil-e-a-reorganizacao-imperialista-em-tempo-de-globalizacao\/#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>. Apesar do t\u00edtulo, este livro n\u00e3o faz nenhuma profecia em rela\u00e7\u00e3o ao fim do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista. Pelo contr\u00e1rio, destaca a imensa resili\u00eancia do regime, sua enorme capacidade de se adaptar e se reinventar, como tem mostrado ao longo dos \u00faltimos 200 anos.<\/p>\n<p>Por exemplo, com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 crise do meio ambiente, que \u00e9 uma das tantas causas de esgotamento do modo de produ\u00e7\u00e3o atual, ele cita a grande capacidade do capitalismo de transformar qualquer coisa em neg\u00f3cio. Assim est\u00e1 fazendo com a degrada\u00e7\u00e3o ambiental, o que n\u00e3o quer dizer que esses problemas sejam resolvidos satisfatoriamente.<\/p>\n<p>A guerra, que ao longo da Hist\u00f3ria tem sido utilizada para resolver as crises econ\u00f4micas c\u00edclicas, \u00e9 algo a que o sistema poder\u00e1 voltar a recorrer. O rufar de tambores j\u00e1 vem prenunciando isso, com guerras limitadas se intensificando desde a primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo XXI e o acirramento da corrida armamentista.<\/p>\n<p>No entanto, o risco mais concreto e mais generalizado a que temos assistido nos anos mais recentes \u00e9 a implanta\u00e7\u00e3o de regimes proto-fascistas, que podem chegar a a\u00e7\u00f5es genocidas para eliminar popula\u00e7\u00f5es excedentes. \u00c9 algo a que o capitalismo sempre recorre quando se sente amea\u00e7ado, como foi nos anos 30 do s\u00e9culo passado, quando se sentiu encurralado por uma dupla amea\u00e7a: a grande depress\u00e3o e uma conjuntura pr\u00e9-revolucion\u00e1ria. Isso pode estar acontecendo nos dias atuais em que mesmo sem conjuntura revolucion\u00e1ria, o esgotamento do modelo capitalista se coloca de forma cada vez mais clara.<\/p>\n<p>Casos como o genoc\u00eddio do povo rohingyas em Mianmar, ou a f\u00faria assassina contra dependentes de drogas nas Filipinas podem ser mais do que situa\u00e7\u00f5es isoladas em pa\u00edses distantes. Precisam ser vistos num quadro mundial de avan\u00e7o da direita xen\u00f3foba em pa\u00edses ditos desenvolvidos, a exemplo dos Estados Unidos, It\u00e1lia, Hungria, Pol\u00f4nia, na\u00e7\u00f5es onde a viol\u00eancia contra o estrangeiro gradativamente tende a se estender aos cidad\u00e3os nacionais. Nesse panorama enquadra-se igualmente o crescimento da viol\u00eancia contra as popula\u00e7\u00f5es empobrecidas da \u00c1frica, \u00c1sia e Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Uma an\u00e1lise do cen\u00e1rio brasileiro como parte desse mesmo processo parece indicar que nosso pa\u00eds tem sido um grande laborat\u00f3rio de solu\u00e7\u00f5es autorit\u00e1rias. Come\u00e7ou com um golpe judicial-parlamentar-midi\u00e1tico, que levou \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o de um governo estreitamente ligado aos interesses tanto do imperialismo, quanto de amplos setores da burguesia brasileira. Para atender a esses interesses, em dois anos foram feitas \u201creformas\u201d que implicam, entre outras consequ\u00eancias, redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios, retomada das privatiza\u00e7\u00f5es, desmonte da pol\u00edtica para o petr\u00f3leo e entrega a corpora\u00e7\u00f5es de grandes parcelas do or\u00e7amento p\u00fablico em \u00e1reas como educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade.<\/p>\n<p>No entanto, como dar continuidade a esse processo no longo prazo, mantendo-se as institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas, com elei\u00e7\u00f5es regulares e altern\u00e2ncia no poder? V\u00e1rios ind\u00edcios levam \u00e0 conclus\u00e3o que uma nova etapa do golpe j\u00e1 estava planejada, tendo sido desencadeada no in\u00edcio de 2018. Trata-se de algo que se poderia chamar de \u201cOpera\u00e7\u00e3o Bolsonaro\u201d, cuja primeira fase foi a viabiliza\u00e7\u00e3o eleitoral de um candidato de perfil autorit\u00e1rio, comprometido com um programa neoliberal, o ex-capit\u00e3o do ex\u00e9rcito Jair Bolsonaro.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/diplomatique.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/juiz-de-meia.jpg?w=640&#038;ssl=1\" \/><\/p>\n<p>Com um discurso de acirrado conservadorismo nos costumes e extremamente repressivo em mat\u00e9ria de seguran\u00e7a p\u00fablica, ele responde tanto \u00e0s preocupa\u00e7\u00f5es do fundamentalismo religioso, quanto aos medos de amplas camadas da popula\u00e7\u00e3o afetadas pelo crescente banditismo nas cidades brasileiras. Naturalmente, suas frases raivosas, muitas vezes ofensivas, receberam ampla cobertura da m\u00eddia, o que acabou servindo para ampliar sua popularidade.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, sua campanha presidencial s\u00f3 teve sucesso porque contou com o uso massivo de redes sociais para divulgar fake News espec\u00edficas, para diferentes p\u00fablicos, selecionados conforme as convic\u00e7\u00f5es de cada grupo. N\u00e3o \u00e9 mera coincid\u00eancia que esse mesmo sistema tenha sido utilizado pelo atual presidente dos Estados Unidos. De fato, o diretor-executivo da campanha de Trump, Steve Bannon, foi o principal estrategista de Bolsonaro, como \u00e9 de amplo conhecimento.<\/p>\n<p>Eleito Bolsonaro, o que se prenuncia \u00e9 um t\u00edpico governo proto-fascista, com uma agenda repressiva legitimada pelas urnas. Ter\u00e1 quatro anos para p\u00f4r em pr\u00e1tica seu programa neoliberal e de restri\u00e7\u00e3o de direitos, mas o projeto certamente \u00e9 de continuidade muito al\u00e9m desse prazo. Para tanto, contar\u00e1 com uma retaguarda de militares muito bem posicionada no minist\u00e9rio do novo governo. Se esse processo ser\u00e1 barrado ou caminhar\u00e1 para uma ditadura escancarada depender\u00e1 das futuras rela\u00e7\u00f5es de for\u00e7a.<\/p>\n<p>O modelo de golpe aplicado no Brasil, complexo e sofisticadamente male\u00e1vel, talvez j\u00e1 tenha sido transformado em manual para ser levado a outros pa\u00edses, tal como as f\u00f3rmulas desenvolvidas para as revolu\u00e7\u00f5es coloridas e para os golpes em Honduras e Paraguai foram aqui utilizados. A grande pergunta \u00e9 at\u00e9 onde o capitalismo poder\u00e1 conduzir processos assim, para enfrentar o esgotamento de seu modo de produ\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Naturalmente, h\u00e1 a alternativa da revolu\u00e7\u00e3o social, que neste momento n\u00e3o est\u00e1 no horizonte, mas que o aprofundamento da crise do capitalismo pode colocar na ordem do dia muito rapidamente. No entanto, o modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista n\u00e3o vai desaparecer unicamente por conta de suas contradi\u00e7\u00f5es e a revolu\u00e7\u00e3o social n\u00e3o vai nascer do nada. Para que ela aconte\u00e7a \u00e9 necess\u00e1rio organiza\u00e7\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio projeto, convencimento e mobiliza\u00e7\u00e3o social, que por enquanto ainda n\u00e3o existem. Os processos hist\u00f3ricos t\u00eam uma din\u00e2mica pr\u00f3pria, independente das pessoas, mas o rumo que tomam depende das pessoas.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/o-golpe-no-brasil-e-a-reorganizacao-imperialista-em-tempo-de-globalizacao\/#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>\u00a0Revolu\u00e7\u00f5es coloridas na S\u00e9rvia, Ge\u00f3rgia, Azerbaij\u00e3o e Bielorr\u00fassia (2000-2006): promo\u00e7\u00e3o \u00e0 democracia ou mudan\u00e7a de Regime? Porto Alegre, 2015, dispon\u00edvel em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.lume.ufrgs.br\/handle\/10183\/140511\">https:\/\/www.lume.ufrgs.br\/handle\/10183\/140511<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/o-golpe-no-brasil-e-a-reorganizacao-imperialista-em-tempo-de-globalizacao\/#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a>\u00a0\u00c9 o caso do professor Armando Boito, da Unicamp. Desse autor ver \u201cReforma e Crise Pol\u00edtica no Brasil\u201d, Editora da Unicamp, 2018<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/o-golpe-no-brasil-e-a-reorganizacao-imperialista-em-tempo-de-globalizacao\/#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a>\u00a0Entrevista a Eleonora Lucena e Rodolfo Lucena, dispon\u00edvel em\u00a0<a href=\"http:\/\/tutameia.jor.br\/fiori-ponto-de-partida-e-a-libertacao-de-lula\">http:\/\/tutameia.jor.br\/fiori-ponto-de-partida-e-a-libertacao-de-lula<\/a>(acessada em 3\/8\/2018)<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/o-golpe-no-brasil-e-a-reorganizacao-imperialista-em-tempo-de-globalizacao\/#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a>\u00a0A era do capital improdutivo \u2013 A nova arquitetura do poder, sob domina\u00e7\u00e3o financeira, sequestro da democracia e destrui\u00e7\u00e3o do planeta\u201d. Co-edi\u00e7\u00e3o Outras Palavras e Autonomia Liter\u00e1ria. S\u00e3o Paulo 2017.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/o-golpe-no-brasil-e-a-reorganizacao-imperialista-em-tempo-de-globalizacao\/#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a>\u00a0Editado no Brasil pela Boitempo, S\u00e3o Paulo, 2016<\/p>\n<p>https:\/\/diplomatique.org.br\/o-golpe-no-brasil-e-a-reorganizacao-imperialista-em-tempo-de-globalizacao\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Barnab\u00e9 Medeiros Filho &#8211;\u00a0O modelo de golpe aplicado no Brasil, complexo e sofisticadamente male\u00e1vel, talvez j\u00e1 tenha sido transformado em manual para ser levado a outros pa\u00edses, tal como as f\u00f3rmulas desenvolvidas para as revolu\u00e7\u00f5es coloridas e para os golpes em Honduras e Paraguai foram aqui utilizados. A grande pergunta \u00e9 at\u00e9 onde o capitalismo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1543,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[2],"tags":[75],"class_list":["post-9815","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-politica","tag-bolsonarismo"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>O Golpe no Brasil e a reorganiza\u00e7\u00e3o imperialista em tempo de globaliza\u00e7\u00e3o - Controversia<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2018\/12\/15\/o-golpe-no-brasil-e-a-reorganizacao-imperialista-em-tempo-de-globalizacao\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_PT\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"O Golpe no Brasil e a reorganiza\u00e7\u00e3o imperialista em tempo de globaliza\u00e7\u00e3o - Controversia\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Barnab\u00e9 Medeiros Filho &#8211;\u00a0O modelo de golpe aplicado no Brasil, complexo e sofisticadamente male\u00e1vel, talvez j\u00e1 tenha sido transformado em manual para ser levado a outros pa\u00edses, tal como as f\u00f3rmulas desenvolvidas para as revolu\u00e7\u00f5es coloridas e para os golpes em Honduras e Paraguai foram aqui utilizados. A grande pergunta \u00e9 at\u00e9 onde o capitalismo [&hellip;]\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2018\/12\/15\/o-golpe-no-brasil-e-a-reorganizacao-imperialista-em-tempo-de-globalizacao\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Controversia\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/\" \/>\n<meta property=\"article:author\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2018-12-15T19:38:38+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/temer-golpe.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"652\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"408\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Ricardo Alvarez\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@https:\/\/twitter.com\/contro_versia\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@contro_versia\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Ricardo Alvarez\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Tempo estimado de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"35 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/12\\\/15\\\/o-golpe-no-brasil-e-a-reorganizacao-imperialista-em-tempo-de-globalizacao\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/12\\\/15\\\/o-golpe-no-brasil-e-a-reorganizacao-imperialista-em-tempo-de-globalizacao\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"Ricardo Alvarez\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"headline\":\"O Golpe no Brasil e a reorganiza\u00e7\u00e3o imperialista em tempo de globaliza\u00e7\u00e3o\",\"datePublished\":\"2018-12-15T19:38:38+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/12\\\/15\\\/o-golpe-no-brasil-e-a-reorganizacao-imperialista-em-tempo-de-globalizacao\\\/\"},\"wordCount\":7039,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/12\\\/15\\\/o-golpe-no-brasil-e-a-reorganizacao-imperialista-em-tempo-de-globalizacao\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2016\\\/08\\\/temer-golpe.jpg?fit=652%2C408&ssl=1\",\"keywords\":[\"Bolsonarismo\"],\"articleSection\":[\"Pol\u00edtica\"],\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/12\\\/15\\\/o-golpe-no-brasil-e-a-reorganizacao-imperialista-em-tempo-de-globalizacao\\\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/12\\\/15\\\/o-golpe-no-brasil-e-a-reorganizacao-imperialista-em-tempo-de-globalizacao\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/12\\\/15\\\/o-golpe-no-brasil-e-a-reorganizacao-imperialista-em-tempo-de-globalizacao\\\/\",\"name\":\"O Golpe no Brasil e a reorganiza\u00e7\u00e3o imperialista em tempo de globaliza\u00e7\u00e3o - Controversia\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/12\\\/15\\\/o-golpe-no-brasil-e-a-reorganizacao-imperialista-em-tempo-de-globalizacao\\\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/12\\\/15\\\/o-golpe-no-brasil-e-a-reorganizacao-imperialista-em-tempo-de-globalizacao\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2016\\\/08\\\/temer-golpe.jpg?fit=652%2C408&ssl=1\",\"datePublished\":\"2018-12-15T19:38:38+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/12\\\/15\\\/o-golpe-no-brasil-e-a-reorganizacao-imperialista-em-tempo-de-globalizacao\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/12\\\/15\\\/o-golpe-no-brasil-e-a-reorganizacao-imperialista-em-tempo-de-globalizacao\\\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/12\\\/15\\\/o-golpe-no-brasil-e-a-reorganizacao-imperialista-em-tempo-de-globalizacao\\\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2016\\\/08\\\/temer-golpe.jpg?fit=652%2C408&ssl=1\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2016\\\/08\\\/temer-golpe.jpg?fit=652%2C408&ssl=1\",\"width\":652,\"height\":408},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/12\\\/15\\\/o-golpe-no-brasil-e-a-reorganizacao-imperialista-em-tempo-de-globalizacao\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"O Golpe no Brasil e a reorganiza\u00e7\u00e3o imperialista em tempo de globaliza\u00e7\u00e3o\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/\",\"name\":\"Controversia\",\"description\":\"Um site de leitura e debate\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-PT\"},{\"@type\":[\"Person\",\"Organization\"],\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\",\"name\":\"Ricardo Alvarez\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"width\":1015,\"height\":1024,\"caption\":\"Ricardo Alvarez\"},\"logo\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\"},\"description\":\"Professor, mestre em geografia urbana pela USP e criador do site Controv\u00e9rsia e escreve semanalmente.\",\"sameAs\":[\"http:\\\/\\\/controversia.com.br\",\"https:\\\/\\\/www.facebook.com\\\/Controversiascontemporaneas\\\/\",\"https:\\\/\\\/www.linkedin.com\\\/in\\\/controversia\\\/\",\"https:\\\/\\\/x.com\\\/https:\\\/\\\/twitter.com\\\/contro_versia\"]}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"O Golpe no Brasil e a reorganiza\u00e7\u00e3o imperialista em tempo de globaliza\u00e7\u00e3o - Controversia","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2018\/12\/15\/o-golpe-no-brasil-e-a-reorganizacao-imperialista-em-tempo-de-globalizacao\/","og_locale":"pt_PT","og_type":"article","og_title":"O Golpe no Brasil e a reorganiza\u00e7\u00e3o imperialista em tempo de globaliza\u00e7\u00e3o - Controversia","og_description":"Barnab\u00e9 Medeiros Filho &#8211;\u00a0O modelo de golpe aplicado no Brasil, complexo e sofisticadamente male\u00e1vel, talvez j\u00e1 tenha sido transformado em manual para ser levado a outros pa\u00edses, tal como as f\u00f3rmulas desenvolvidas para as revolu\u00e7\u00f5es coloridas e para os golpes em Honduras e Paraguai foram aqui utilizados. A grande pergunta \u00e9 at\u00e9 onde o capitalismo [&hellip;]","og_url":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2018\/12\/15\/o-golpe-no-brasil-e-a-reorganizacao-imperialista-em-tempo-de-globalizacao\/","og_site_name":"Controversia","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","article_author":"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","article_published_time":"2018-12-15T19:38:38+00:00","og_image":[{"width":652,"height":408,"url":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/temer-golpe.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"Ricardo Alvarez","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@https:\/\/twitter.com\/contro_versia","twitter_site":"@contro_versia","twitter_misc":{"Escrito por":"Ricardo Alvarez","Tempo estimado de leitura":"35 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/12\/15\/o-golpe-no-brasil-e-a-reorganizacao-imperialista-em-tempo-de-globalizacao\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/12\/15\/o-golpe-no-brasil-e-a-reorganizacao-imperialista-em-tempo-de-globalizacao\/"},"author":{"name":"Ricardo Alvarez","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"headline":"O Golpe no Brasil e a reorganiza\u00e7\u00e3o imperialista em tempo de globaliza\u00e7\u00e3o","datePublished":"2018-12-15T19:38:38+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/12\/15\/o-golpe-no-brasil-e-a-reorganizacao-imperialista-em-tempo-de-globalizacao\/"},"wordCount":7039,"commentCount":0,"publisher":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"image":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/12\/15\/o-golpe-no-brasil-e-a-reorganizacao-imperialista-em-tempo-de-globalizacao\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/temer-golpe.jpg?fit=652%2C408&ssl=1","keywords":["Bolsonarismo"],"articleSection":["Pol\u00edtica"],"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/controversia.com.br\/2018\/12\/15\/o-golpe-no-brasil-e-a-reorganizacao-imperialista-em-tempo-de-globalizacao\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/12\/15\/o-golpe-no-brasil-e-a-reorganizacao-imperialista-em-tempo-de-globalizacao\/","url":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/12\/15\/o-golpe-no-brasil-e-a-reorganizacao-imperialista-em-tempo-de-globalizacao\/","name":"O Golpe no Brasil e a reorganiza\u00e7\u00e3o imperialista em tempo de globaliza\u00e7\u00e3o - Controversia","isPartOf":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/12\/15\/o-golpe-no-brasil-e-a-reorganizacao-imperialista-em-tempo-de-globalizacao\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/12\/15\/o-golpe-no-brasil-e-a-reorganizacao-imperialista-em-tempo-de-globalizacao\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/temer-golpe.jpg?fit=652%2C408&ssl=1","datePublished":"2018-12-15T19:38:38+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/12\/15\/o-golpe-no-brasil-e-a-reorganizacao-imperialista-em-tempo-de-globalizacao\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/controversia.com.br\/2018\/12\/15\/o-golpe-no-brasil-e-a-reorganizacao-imperialista-em-tempo-de-globalizacao\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/12\/15\/o-golpe-no-brasil-e-a-reorganizacao-imperialista-em-tempo-de-globalizacao\/#primaryimage","url":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/temer-golpe.jpg?fit=652%2C408&ssl=1","contentUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/temer-golpe.jpg?fit=652%2C408&ssl=1","width":652,"height":408},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/12\/15\/o-golpe-no-brasil-e-a-reorganizacao-imperialista-em-tempo-de-globalizacao\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/controversia.com.br\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"O Golpe no Brasil e a reorganiza\u00e7\u00e3o imperialista em tempo de globaliza\u00e7\u00e3o"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#website","url":"https:\/\/controversia.com.br\/","name":"Controversia","description":"Um site de leitura e debate","publisher":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/controversia.com.br\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-PT"},{"@type":["Person","Organization"],"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2","name":"Ricardo Alvarez","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","url":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","contentUrl":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","width":1015,"height":1024,"caption":"Ricardo Alvarez"},"logo":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png"},"description":"Professor, mestre em geografia urbana pela USP e criador do site Controv\u00e9rsia e escreve semanalmente.","sameAs":["http:\/\/controversia.com.br","https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","https:\/\/www.linkedin.com\/in\/controversia\/","https:\/\/x.com\/https:\/\/twitter.com\/contro_versia"]}]}},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/temer-golpe.jpg?fit=652%2C408&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9815","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9815"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9815\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9817,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9815\/revisions\/9817"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1543"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9815"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9815"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9815"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}