{"id":9687,"date":"2018-12-04T12:58:40","date_gmt":"2018-12-04T14:58:40","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=9687"},"modified":"2018-12-03T20:02:10","modified_gmt":"2018-12-03T22:02:10","slug":"nos-realmente-vivemos-mais-do-que-nossos-antepassados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2018\/12\/04\/nos-realmente-vivemos-mais-do-que-nossos-antepassados\/","title":{"rendered":"N\u00f3s realmente vivemos mais do que nossos antepassados?"},"content":{"rendered":"<p><strong>Amanda Ruggeri<\/strong> &#8211; Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, a expectativa de vida aumentou significativamente em todo o mundo. Quem nascesse em 1960, quando as Na\u00e7\u00f5es Unidas passaram a compilar dados globais, poderia esperar viver at\u00e9 os 52,5 anos de idade. Hoje, a m\u00e9dia \u00e9 de 72.<\/p>\n<p>No Brasil, o salto foi ainda maior, de 48 para os atuais 75,5 anos. A conclus\u00e3o natural \u00e9 de que tanto os avan\u00e7os da medicina moderna quanto as iniciativas na \u00e1rea de sa\u00fade p\u00fablica nos ajudaram a viver mais do que nunca &#8211; tanto que talvez n\u00e3o tenhamos como prolongar nossa vida muito mais do que j\u00e1 o fizemos.<\/p>\n<p>Em setembro de 2018, o governo brit\u00e2nico confirmou que, pelo menos no Reino Unido, a expectativa de vida parou de aumentar. E esses ganhos tamb\u00e9m est\u00e3o diminuindo em todo o mundo. A cren\u00e7a de que nossa esp\u00e9cie pode ter atingido o \u00e1pice da longevidade tamb\u00e9m \u00e9 refor\u00e7ada por alguns mitos sobre nossos ancestrais: gregos antigos ou romanos ficariam estupefatos ao ver algu\u00e9m com mais de 50 ou 60 anos, por exemplo.<\/p>\n<p>Na verdade, embora os avan\u00e7os na medicina tenham melhorado muitos aspectos na \u00e1rea da sa\u00fade, a suposi\u00e7\u00e3o de que o tempo de vida humano aumentou significativamente ao longo de s\u00e9culos ou mil\u00eanios \u00e9 equivocada.<\/p>\n<p>A expectativa de vida n\u00e3o aumentou tanto porque estamos vivendo muito mais tempo do que costum\u00e1vamos como esp\u00e9cie. Aumentou porque muitos mais de n\u00f3s vivem mais.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 uma diferen\u00e7a b\u00e1sica entre expectativa de vida e tempo de vida&#8221;, diz Walter Scheildel, historiador da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, e um dos principais estudiosos de demografia da Roma Antiga. &#8220;O tempo de vida dos humanos &#8211; oposto \u00e0 expectativa de vida, que \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o estat\u00edstica &#8211; n\u00e3o mudou muito, at\u00e9 onde eu sei.&#8221;<\/p>\n<p>A expectativa de vida \u00e9 uma m\u00e9dia. Em uma casa com dois filhos, onde um morre antes do primeiro anivers\u00e1rio, mas o outro vive at\u00e9 os 70 anos, a expectativa de vida \u00e9 de 35 anos.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 matematicamente correto &#8211; e certamente nos diz algo sobre as circunst\u00e2ncias em que essas crian\u00e7as foram criadas. Mas n\u00e3o nos revela o cen\u00e1rio completo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, outro problema acontece quando analisamos eras, ou regi\u00f5es, nas quais h\u00e1 altos n\u00edveis de mortalidade infantil. A maior parte da hist\u00f3ria da humanidade tem sido marcada por taxas de sobreviv\u00eancia baixas entre crian\u00e7as, e essa realidade permanece em v\u00e1rios pa\u00edses at\u00e9 hoje. Quando fazemos a m\u00e9dia, no entanto, costumamos dizer que gregos antigos e romanos viviam, por exemplo, 30 ou 35 anos.<\/p>\n<p>Mas essa era a idade m\u00e1xima alcan\u00e7ada por quem tivesse sobrevivido \u00e0s intemp\u00e9ries da inf\u00e2ncia? E mais: quem tinha 35 anos naquela \u00e9poca poderia ser considerado &#8220;velho&#8221;?\u00a0Se os 30 anos significavam uma velhice decr\u00e9pita, escritores e pol\u00edticos antigos n\u00e3o parecem concordar.<\/p>\n<p>No in\u00edcio do s\u00e9culo 7\u00ba a.C., o poeta grego Hes\u00edodo escreveu que um homem deveria se casar &#8220;quando n\u00e3o tiver muito menos do que 30, e n\u00e3o muito mais&#8221;.<br \/>\nEnquanto isso, o &#8220;cursus honorum&#8221; da Roma antiga &#8211; a sequ\u00eancia de cargos na magistratura que um jovem que aspirava ser pol\u00edtico deveria ocupar &#8211; nem sequer permitia que ele desempenhasse sua primeira fun\u00e7\u00e3o, a de quaestor, antes dos 30 anos (sob o imperador Augusto, a idade m\u00ednima caiu para 25; o pr\u00f3prio l\u00edder romano morreu aos 75 anos).<\/p>\n<p>Para ser c\u00f4nsul, era preciso ter, pelo menos, 43 &#8211; oito anos a mais do que o limite m\u00ednimo de 35 anos para ocupar a Presid\u00eancia brasileira.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo 1\u00ba, o naturista romano Pl\u00ednio dedicou um cap\u00edtulo inteiro da Hist\u00f3ria Natural \u00e0s pessoas que viviam mais tempo. Entre eles, lista o c\u00f4nsul Valerius Corvinos (100 anos), a esposa de C\u00edcero Terentia (103), uma mulher chamada Clodia (115 &#8211; e que teve 15 filhos ao longo da vida), e a atriz Lucceia, que se apresentou no palco com 100 anos.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m inscri\u00e7\u00f5es em l\u00e1pides e sepulturas, como a de uma mulher que morreu em Alexandria no s\u00e9culo 3\u00ba a.C. &#8220;Ela tinha 80 anos, mas era capaz de tecer uma trama delicada&#8221;, diz o epigrama. Isso n\u00e3o quer dizer que envelhecer fosse mais f\u00e1cil naquela \u00e9poca do que hoje.<\/p>\n<p>&#8220;A natureza, na verdade, n\u00e3o concedeu maior b\u00ean\u00e7\u00e3o ao homem do que a falta de vida&#8221;, observa Pl\u00ednio. &#8220;Os sentidos tornam-se opacos, os membros, entorpecidos, a vis\u00e3o, a audi\u00e7\u00e3o, as pernas, os dentes e os \u00f3rg\u00e3os da digest\u00e3o, todos morrem \u00e0 nossa frente.&#8221;<\/p>\n<p>Ele s\u00f3 conseguia se lembrar de uma pessoa, um m\u00fasico que viveu at\u00e9 105 anos, como algu\u00e9m que considerou ter uma velhice saud\u00e1vel. (Pl\u00ednio chegou a quase metade disso; acredita-se que ele tenha morrido devido aos gases vulc\u00e2nicos durante a erup\u00e7\u00e3o do Monte Ves\u00favio, aos 56 anos).<\/p>\n<p>No mundo antigo, pelo menos, parece que as pessoas puderam viver tanto quanto n\u00f3s hoje. Mas o qu\u00e3o comum era isso?<\/p>\n<p><strong>Era dos imp\u00e9rios<\/strong><\/p>\n<p>Em 1994, um estudo analisou todos os homens que viveram na Gr\u00e9cia ou Roma antigas cujos nomes est\u00e3o registrados no Oxford Classical Dictionary. Suas idades de morte foram comparadas \u00e0s dos homens listados no mais recente Chambers Biographical Dictionary.<\/p>\n<p>Dos 397, 99 morreram violentamente por assassinato, suic\u00eddio ou em batalha. Dos 298 restantes, os nascidos antes de 100 a.C. viveram, em m\u00e9dia, at\u00e9 72 anos. Aqueles nascidos ap\u00f3s 100 a.C. viveram, em m\u00e9dia, at\u00e9 66 anos. (Os autores especulam que a preval\u00eancia de encanamentos de chumbo pode ter levado a esse suposto encurtamento da vida).<\/p>\n<p>E a m\u00e9dia dos que morreram entre 1850 e 1949? Setenta e um anos de idade &#8211; apenas um ano a menos do que os que viveram antes de 100 a.C.<br \/>\nClaro, houve alguns problemas \u00f3bvios com essa amostragem. Um, por se tratar apenas de homens. Outro, porque todos eles eram suficientemente ilustres para serem lembrados na posteridade.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o que realmente podemos tirar disso \u00e9 de que esses homens privilegiados e talentosos tiveram expectativas de vida semelhantes ao longo da hist\u00f3ria &#8211; desde que n\u00e3o tenham sido mortos primeiro.<\/p>\n<p>Segundo Scheidel, &#8220;isso sugere que deve ter havido pessoas n\u00e3o famosas, que eram muito mais numerosas, que viviam ainda mais&#8221;.<\/p>\n<p>Mas nem todos os especialistas concordam. &#8220;Havia uma diferen\u00e7a enorme entre o estilo de vida de um pobre e o de um romano de elite&#8221;, diz Valentina Gazzaniga, historiadora da Universidade La Sapienza, em Roma. &#8220;As condi\u00e7\u00f5es de vida, o acesso a tratamentos m\u00e9dicos, at\u00e9 mesmo a higiene &#8211; tudo isso era certamente melhor entre as elites.&#8221;<\/p>\n<p>Em 2016, Gazzaniga publicou um levantamento em que analisou mais de 2 mil esqueletos romanos antigos, todos da classe trabalhadora, que foram enterrados em valas comuns. A idade m\u00e9dia de morte era de 30 anos, e isso n\u00e3o era um mero equ\u00edvoco estat\u00edstico: um grande n\u00famero de esqueletos tinha por volta dessa idade. Muitos tinham sinais dos efeitos do trauma do trabalho for\u00e7ado, bem como doen\u00e7as que associamos com idades posteriores, como a artrite.<\/p>\n<p>Os homens podem ter sofrido numerosas les\u00f5es por trabalho manual ou servi\u00e7o militar.<\/p>\n<p>Mas as mulheres &#8211; que tamb\u00e9m realizaram trabalhos for\u00e7ados nos campos &#8211; n\u00e3o tiveram destino muito diferente. Ao longo da hist\u00f3ria, o parto, muitas vezes em m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es higi\u00eanicas, \u00e9 apenas uma das raz\u00f5es pelas quais as mulheres corriam maior risco durante os anos f\u00e9rteis. At\u00e9 a pr\u00f3pria gravidez era um perigo.<\/p>\n<p>&#8220;Sabemos, por exemplo, que estar gr\u00e1vida afeta negativamente o seu sistema imunol\u00f3gico, porque voc\u00ea basicamente tem outra pessoa crescendo dentro de voc\u00ea&#8221;, diz Jane Humphries, historiadora da Universidade de Oxford, no Reino Unido. &#8220;Ent\u00e3o, voc\u00ea tende a ficar suscet\u00edvel a outras doen\u00e7as. Neste sentido, por exemplo, a tuberculose interage com a gravidez de uma forma muito amea\u00e7adora. E essa era uma doen\u00e7a com maior \u00edndice de mortalidade entre as mulheres do que entre os homens&#8221;.<\/p>\n<p>O parto era agravado por outros fatores tamb\u00e9m. &#8220;As mulheres muitas vezes comiam menos do que os homens&#8221;, diz Gazzaniga. Essa subnutri\u00e7\u00e3o significa que as meninas jovens frequentemente apresentavam um desenvolvimento incompleto dos ossos p\u00e9lvicos, o que dificultava o trabalho de parto.<\/p>\n<p>&#8220;A expectativa de vida das mulheres romanas aumentou, na verdade, com o decl\u00ednio da fertilidade&#8221;, afirma a pesquisadora. &#8220;Quanto mais f\u00e9rtil a popula\u00e7\u00e3o \u00e9, menor a expectativa de vida das mulheres.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Desaparecidos<\/strong><\/p>\n<p>A maior dificuldade em saber ao certo quanto tempo nosso antepassado viveu em m\u00e9dia, seja antigo ou pr\u00e9-hist\u00f3rico, est\u00e1 relacionada \u00e0 falta de dados. Ao tentar determinar as idades m\u00e9dias de morte dos antigos romanos, por exemplo, os antrop\u00f3logos geralmente se baseiam nos formul\u00e1rios do censo do Egito romano.<\/p>\n<p>Mas como esses papiros eram usados para coletar impostos, muitas vezes subnotificavam o n\u00famero de homens &#8211; assim como deixavam de fora muitos beb\u00eas e mulheres.<\/p>\n<p>Inscri\u00e7\u00f5es em l\u00e1pides, deixadas aos milhares pelos romanos, s\u00e3o outra fonte \u00f3bvia. Mas crian\u00e7as raramente eram colocadas em t\u00famulos, pessoas pobres n\u00e3o podiam pagar para serem enterradas e fam\u00edlias que morriam simultaneamente, como durante uma epidemia, por exemplo, n\u00e3o tinham jazigos.<\/p>\n<p>E mesmo que esse n\u00e3o fosse o caso, h\u00e1 outro problema em confiar nessas inscri\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 preciso uma certa quantidade de documenta\u00e7\u00e3o para ser poss\u00edvel dizer que se algu\u00e9m viveu at\u00e9 105 ou 110 anos, e isso s\u00f3 come\u00e7ou bem recentemente&#8221;, diz Scheidel, de Stanford. &#8220;Se algu\u00e9m realmente viveu at\u00e9 os 111, esse caso pode n\u00e3o ter sido conhecido.&#8221;<\/p>\n<p>Como resultado, muito do que achamos que sabemos sobre as estat\u00edsticas de expectativa de vida na Roma antiga vem a partir de compara\u00e7\u00f5es com outras sociedades. Esses dados indicam que at\u00e9 um ter\u00e7o das crian\u00e7as morreu antes de um ano de idade e metade delas n\u00e3o passou dos dez anos. Depois dessa idade, as chances melhoravam significativamente. Se voc\u00ea chegasse a 60, provavelmente viveria at\u00e9 os 70.<\/p>\n<p>No geral, a expectativa de vida na Roma antiga provavelmente n\u00e3o era muito diferente da de hoje. Pode ter sido um pouco menor &#8220;porque n\u00e3o havia os medicamentos que temos hoje, que acaba por adiar nossa morte, mas n\u00e3o dramaticamente diferente&#8221;, argumenta Scheidel.<\/p>\n<p>&#8220;Voc\u00ea pode ter uma expectativa de vida m\u00e9dia extremamente baixa, por exemplo, por causa de mortalidade infantil e materna, e ter pessoas vivendo at\u00e9 80, 90 anos. Estas s\u00e3o apenas menos numerosas, por causa da combina\u00e7\u00e3o desses fatores.&#8221;<\/p>\n<p>\u00c9 claro que isso n\u00e3o deve ser desprezado. Principalmente se voc\u00ea fosse um beb\u00ea, uma mulher em idade f\u00e9rtil ou um trabalhador, seria muito melhor escolher viver em 2018 do que em 18. Mas isso n\u00e3o significa que nosso tempo de vida est\u00e1 ficando significativamente mais longo como esp\u00e9cie.<\/p>\n<p><strong>Registros<\/strong><\/p>\n<p>Os dados melhoram mais tarde na hist\u00f3ria da humanidade, \u00e0 medida em que governos come\u00e7am a manter registros cuidadosos de nascimentos, casamentos e mortes &#8211; a princ\u00edpio, principalmente de nobres.<\/p>\n<p>Esses registros mostram que a mortalidade infantil permaneceu alta. Mas se um homem chegasse aos 21 anos de idade, e n\u00e3o morresse por acidente, viol\u00eancia ou envenenamento, poderia viver quase tanto quanto os homens de hoje: de 1200 a 1745, os de 21 anos viveriam, em m\u00e9dia, entre 62 e 70 anos &#8211; exceto no s\u00e9culo 14, quando a peste bub\u00f4nica reduziu a expectativa de vida a insignificantes 45 anos.<\/p>\n<p>Ter dinheiro ou poder ajudou? Nem sempre. Uma an\u00e1lise de cerca de 115 mil nobres europeus descobriu que os reis viviam cerca de seis anos a menos do que os outros nobres, como os cavaleiros.<\/p>\n<p>Historiadores descobriram, ao observar os registos de par\u00f3quias de condados, que, na Inglaterra do s\u00e9culo 17, a esperan\u00e7a de vida era mais longa para plebeus do que para nobres.<\/p>\n<p>&#8220;As fam\u00edlias aristocr\u00e1ticas na Inglaterra possu\u00edam os meios para garantir todos os tipos de benef\u00edcios materiais e servi\u00e7os pessoais, mas a expectativa de vida no nascimento entre a aristocracia parece ter ficado atr\u00e1s da popula\u00e7\u00e3o como um todo at\u00e9 meados do s\u00e9culo 18&#8221;, diz o estudo. Isso provavelmente ocorreu porque a realeza preferia passar a maior parte do tempo nas cidades, onde era exposta a mais doen\u00e7as.<\/p>\n<p>Mas, curiosamente, quando a medicina e a sa\u00fade p\u00fablica passaram por uma revolu\u00e7\u00e3o, as elites acabaram favorecidas em rela\u00e7\u00e3o ao resto da popula\u00e7\u00e3o. No final do s\u00e9culo 17, os nobres ingleses que chegaram aos 25 anos passaram a viver mais do que os n\u00e3o-nobres &#8211; mesmo que permanecessem em cidades.<br \/>\nDurante a era vitoriana, por exemplo, uma menina de cinco anos tinha expectativa de vida m\u00e9dia de 73 anos; um menino, de 75.<\/p>\n<p>Esses n\u00fameros n\u00e3o s\u00e3o apenas compar\u00e1veis aos nossos, mas podem ser ainda melhores. Homens da classe oper\u00e1ria (uma compara\u00e7\u00e3o mais precisa) vivem hoje em torno de 72 anos, enquanto mulheres, 76.<\/p>\n<p>&#8220;Essa relativa falta de progresso \u00e9 impressionante, especialmente dadas as muitas desvantagens ambientais durante a era vitoriana e o quadro da assist\u00eancia m\u00e9dica em uma era em que as drogas modernas, os sistemas de triagem e as t\u00e9cnicas cir\u00fargicas n\u00e3o estavam dispon\u00edveis&#8221;, dizem Judith Rowbotham, da Universidade de Plymouth, e Paul Clayton, da Oxford Brookes.<\/p>\n<p>Os especialistas argumentam que, se pensamos que estamos vivendo mais do que nunca hoje, isso ocorre porque nossos registros remontam a cerca de 1900 &#8211; o que eles chamam de &#8220;ponto de partida enganoso&#8221;, j\u00e1 que se trata de um momento em que a nutri\u00e7\u00e3o caiu e muitos homens come\u00e7aram a fumar.<\/p>\n<p><strong>Pr\u00e9-hist\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p>E se decidirmos olhar ainda mais atr\u00e1s, antes de qualquer registro ser mantido?<\/p>\n<p>Embora seja obviamente dif\u00edcil coletar esse tipo de dado, os antrop\u00f3logos tentaram substitu\u00ed-lo observando alguns povos ca\u00e7adores-coletores de hoje, como os Ach\u00e9s, do Paraguai, e os Hadzas, da Tanz\u00e2nia.<\/p>\n<p>Eles descobriram que, embora a probabilidade de sobreviv\u00eancia de um rec\u00e9m-nascido aos 15 anos variasse entre 55% para um menino hadza at\u00e9 71% para um menino ach\u00e9, se algu\u00e9m sobrevivesse \u00e0 essa idade, viveriam, em m\u00e9dia, at\u00e9 os 51 e 58 anos.<\/p>\n<p>Os arque\u00f3logos Christine Cave e Marc Oxenham, da Universidade Nacional Australiana, fizeram descoberta semelhante. Ao analisar o desgaste dent\u00e1rio nos esqueletos de anglo-sax\u00f5es enterrados h\u00e1 cerca de 1,5 mil anos, descobriram que a maioria dos 174 analisados pertencia a pessoas com menos de 65 anos &#8211; mas tamb\u00e9m havia 16 pessoas que morreram entre 65 e 74 anos e nove que alcan\u00e7aram pelo menos 75 anos.<\/p>\n<p>Nossa expectativa de vida pode n\u00e3o ter mudado muito, se \u00e9 que mudou. Mas isso n\u00e3o diminui os extraordin\u00e1rios avan\u00e7os que tivemos nas \u00faltimas d\u00e9cadas, a partir dos quais centenas de milhares de pessoas passaram a viver mais e de forma mais saud\u00e1vel.<\/p>\n<p>Talvez por isso, quando questionada sobre em qual \u00e9poca do passado gostaria de ter vivido, Humphries, da Universidade de Oxford, n\u00e3o hesita.<\/p>\n<p>&#8220;Definitivamente hoje&#8221;, diz ela. &#8220;Acho que as vidas das mulheres no passado eram muito desagrad\u00e1veis e dif\u00edceis &#8211; para n\u00e3o dizer curtas.&#8221;<\/p>\n<p>https:\/\/noticias.uol.com.br\/ultimas-noticias\/bbc\/2018\/12\/02\/nos-realmente-vivemos-mais-do-que-nossos-antepassados.htm<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Amanda Ruggeri &#8211; Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, a expectativa de vida aumentou significativamente em todo o mundo. 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