{"id":9667,"date":"2018-11-30T12:20:04","date_gmt":"2018-11-30T14:20:04","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=9667"},"modified":"2018-11-29T19:23:29","modified_gmt":"2018-11-29T21:23:29","slug":"terror-em-alta-velocidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2018\/11\/30\/terror-em-alta-velocidade\/","title":{"rendered":"Terror em alta velocidade"},"content":{"rendered":"<p><strong>ROBERT KURZ<\/strong> &#8211; &#8216;Turbocapitalismo&#8217; reserva \u00e0 humanidade uma s\u00e9rie de cat\u00e1strofes tecnol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>Os c\u00e9lebres press\u00e1gios da B\u00edblia s\u00e3o aug\u00farios que o destinat\u00e1rio, por sua pr\u00f3pria natureza, \u00e9 incapaz de levar em considera\u00e7\u00e3o: por for\u00e7a de uma necessidade interna, \u00e9 seu destino que o obriga a insistir em seus atos e sucumbir no final, apesar de toda advert\u00eancia. Na hist\u00f3ria do capitalismo, houve toda uma s\u00e9rie desses press\u00e1gios, que, na forma de cat\u00e1strofes regionais, mas significativas, comoviam os contempor\u00e2neos e eram tidos como agouro para a &#8220;hybris&#8221; da modernidade. Em 1755, o terremoto de Lisboa abalou o otimismo hist\u00f3rico dos iluministas; em 1912, junto com o Titanic, transatl\u00e2ntico considerado &#8220;inafund\u00e1vel&#8221;, foi a pique tamb\u00e9m o otimismo tecnol\u00f3gico de finais do s\u00e9culo 19.<\/p>\n<p>Se em 1755 tratara-se de uma aut\u00eantica cat\u00e1strofe natural, que, como surdo poder alheio \u00e0 sociedade, turvou as esperan\u00e7as numa nova raz\u00e3o social, a cat\u00e1strofe de 1912 j\u00e1 se relacionava \u00e0s cria\u00e7\u00f5es da pr\u00f3pria sociedade moderna, e o que se frustrou foi a esperan\u00e7a numa reden\u00e7\u00e3o pela tecnologia, depois que a raz\u00e3o social da modernidade h\u00e1 muito expusera o seu lado s\u00f3rdido.<\/p>\n<p>Os press\u00e1gios de 1755 e 1912 eram relembrados com insist\u00eancia na literatura cultivada, por\u00e9m as institui\u00e7\u00f5es dominantes jamais conclu\u00edram pela mudan\u00e7a de rumos no desenvolvimento social. Parece que a modernidade tra\u00e7a sua \u00f3rbita de modo t\u00e3o impass\u00edvel como um cometa, sem o m\u00ednimo de reflex\u00e3o, a exemplo desses aglomerados de poeira e gelo que cruzam o espa\u00e7o. Ap\u00f3s o naufr\u00e1gio do Titanic, os press\u00e1gios tecnol\u00f3gicos foram encobertos pelas cat\u00e1strofes hist\u00f3ricas e sociais da \u00e9poca das grandes guerras, relegando-os ao segundo plano. Essa foi uma das raz\u00f5es porque durou menos o impacto provocado pelo desastre de 1937 com o dirig\u00edvel alem\u00e3o Hindenburg, que levava a bordo in\u00fameros passageiros e queimou, num inferno de chamas, sobre o campo de avia\u00e7\u00e3o norte-americano de Lakehurst.<\/p>\n<p>Ora, se o Titanic ainda colidira com um objeto de natureza extra-social, sob a forma de um iceberg, no caso da primeira cat\u00e1strofe da avia\u00e7\u00e3o civil tratava-se de um contratempo no mecanismo interno da tecnologia de risco. Da irrup\u00e7\u00e3o do poder natural no meio da sociedade, passando pela colis\u00e3o da t\u00e9cnica com a natureza externa at\u00e9 o colapso interno \u00e0 pr\u00f3pria t\u00e9cnica, que s\u00f3 no plano puramente f\u00edsico tem algo a ver com a natureza -tal evolu\u00e7\u00e3o dos acidentes paradigm\u00e1ticos mostra como a sociedade moderna torna-se a sua pr\u00f3pria cat\u00e1strofe natural, j\u00e1 sem necessidade de terremotos ou furac\u00f5es.<\/p>\n<p>Hoje, na terceira revolu\u00e7\u00e3o industrial, essa tend\u00eancia agrava-se ainda mais: as cat\u00e1strofes tecnol\u00f3gicas concentram-se desde o in\u00edcio dos anos 80 e s\u00e3o respons\u00e1veis por um n\u00famero maior de mortos e feridos do que as &#8220;aut\u00eanticas&#8221; cat\u00e1strofes naturais e as contendas militares juntas. Em termos globais, portanto, nada houve de extraordin\u00e1rio quando, no in\u00edcio de junho desse ano, um trem do ICE alem\u00e3o (Intercity-Express), a mais de 200 quil\u00f4metros por hora, descarrilou nas cercanias do vilarejo de Eschede. As imagens de vag\u00f5es totalmente arruinados, dos ferros retorcidos, correram mundo. O saldo foi de cem mortos e in\u00fameros feridos nesse que foi, at\u00e9 hoje, o maior acidente na hist\u00f3ria ferrovi\u00e1ria alem\u00e3. Mas, se no estrangeiro, diante da infla\u00e7\u00e3o das cat\u00e1strofes da t\u00e9cnica e dos meios de transporte, a not\u00edcia desse acidente foi somente uma entre as muitas na ordem do dia, o choque na Alemanha repercutiu profundamente.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi, em primeiro lugar, a compaix\u00e3o pelas v\u00edtimas que desencadeou esse choque, mas uma dupla e amarga constata\u00e7\u00e3o. Primeiro, a ind\u00fastria ferrovi\u00e1ria alem\u00e3 h\u00e1 tempos amea\u00e7a perder a sua posi\u00e7\u00e3o de destaque internacional, como temia a revista &#8220;Wirtschaftswoche&#8221;, e com isso caem as possibilidades de exporta\u00e7\u00e3o e os postos de trabalho s\u00e3o amea\u00e7ados.<\/p>\n<p>Segundo -e esse ponto \u00e9 talvez ainda mais importante-, a popula\u00e7\u00e3o alem\u00e3 mostra-se t\u00e3o assustada porque, at\u00e9 agora, era ponto pac\u00edfico que tais cat\u00e1strofes s\u00f3 aconteciam com os &#8220;outros&#8221;, para os quais a t\u00e9cnica n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o s\u00f3lida e o pessoal \u00e9 menos disciplinado -nos pa\u00edses mediterr\u00e2neos e do Terceiro Mundo. Na Alemanha, assim pensava a mentalidade vulgar e chauvinista, a \u00e1gua corre confiavelmente para o ralo ao se abrir o registro, os avi\u00f5es pousam sem contratempos e os trens s\u00e3o sempre pontuais e seguros. A cat\u00e1strofe de junho destruiu esses contentamentos tecnol\u00f3gico e administrativo do mesmo modo que aos vag\u00f5es do ICE. Mas essa fatalidade ultrapassa as fronteiras da ilus\u00e3o alem\u00e3. \u00c9 um press\u00e1gio para todo o capitalismo &#8220;high-tech&#8221; e o terror que s\u00e3o as suas altas velocidades.<\/p>\n<p><strong>A l\u00f3gica da destrui\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O campo de destro\u00e7os e cad\u00e1veres de Eschede n\u00e3o foi, absolutamente, resultado do acaso e do destino cego, que s\u00f3 abriria espa\u00e7o a sil\u00eancio e pesar. Antes, essa cat\u00e1strofe \u00e9 fruto da l\u00f3gica de uma pol\u00edtica capitalista de transportes, que j\u00e1 vem de longa data. Em sua origem, a ferrovia foi uma das tecnologias maternas do capitalismo industrial. Ao fim do s\u00e9culo 19, por\u00e9m, ela caiu em desgra\u00e7a junto aos investidores, pois ficou patente que, em raz\u00e3o dos elevados investimentos e do longo per\u00edodo de car\u00eancia para recuper\u00e1-los, s\u00f3 a custo -ou n\u00e3o como empreendimento privado- ela se prestava a uma explora\u00e7\u00e3o rent\u00e1vel. Foi assim, por\u00e9m, que o &#8220;esp\u00edrito&#8221; capitalista concebeu a gloriosa id\u00e9ia de vender n\u00e3o a mera utiliza\u00e7\u00e3o do transporte, mas o pr\u00f3prio meio de transporte: a todos sua pr\u00f3pria locomotiva, na figura de um autom\u00f3vel!<\/p>\n<p>Essa forma de transporte de pessoas e bens correspondia perfeitamente \u00e0 mentalidade de indiv\u00edduos abstratos, isolados entre si. Da rede vi\u00e1ria quem cuidava era o Estado, e as cidades se deformaram para comportar a frota de carros, o espa\u00e7o p\u00fablico foi jugulado e destru\u00eddo em nome da mobilidade privada. E nessa malha de ruas, unidas n\u00e3o por bitolas, mas governada apenas pelo tr\u00e1fego individual, desenrola-se desde ent\u00e3o a inconfessa Terceira Guerra Mundial, que, m\u00eas ap\u00f3s m\u00eas, ano ap\u00f3s ano, exige hecatombes de v\u00edtimas.<\/p>\n<p><strong>A imola\u00e7\u00e3o programada<\/strong><\/p>\n<p>Mesmo crian\u00e7as, que ainda n\u00e3o se habituaram \u00e0 &#8220;conduta&#8221; desse sistema de transportes autonomizado, s\u00e3o imoladas no altar desse ator principal da economia, o autom\u00f3vel, com toda a inescrupulosidade t\u00edpica do c\u00e1lculo estat\u00edstico de riscos. A mobilidade privada assumiu o car\u00e1ter de um fim tautol\u00f3gico irracional e espelha assim (como as formas do consumo de massas em geral) o fim tautol\u00f3gico de todo esse modo de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A ferrovia, agora num plano secund\u00e1rio, converteu-se na maioria dos pa\u00edses num sistema de transportes para os despossu\u00eddos, subvencionado pelo Estado. A sua participa\u00e7\u00e3o no transporte de mercadorias tamb\u00e9m decaiu drasticamente, a fim de as empresas de transporte vi\u00e1rio poderem infestar as paisagens e, ao contr\u00e1rio das ferrovias, utilizarem sem custos as estradas, onerando de forma irrespons\u00e1vel os seus motoristas com sal\u00e1rios reduzidos e horas extras.<\/p>\n<p>As ferrovias estatais n\u00e3o puderam concorrer com tais m\u00e9todos. O capitalismo do &#8220;tudo pelo autom\u00f3vel&#8221; reagiu com uma orgia do sucateamento: hoje a Europa est\u00e1 repleta de linhas ferrovi\u00e1rias desertas e esta\u00e7\u00f5es abandonadas, que foram at\u00e9 tema de exposi\u00e7\u00e3o. A maioria dos vilarejos n\u00e3o possui mais nenhum meio de transporte p\u00fablico entre eles. Noutras regi\u00f5es do mundo, que jamais alcan\u00e7aram uma rede ferrovi\u00e1ria t\u00e3o densa quanto a europ\u00e9ia, a evolu\u00e7\u00e3o da mobilidade capitalista centrou-se sobretudo no autom\u00f3vel e, para a classe alta, no avi\u00e3o.<\/p>\n<p>Aquilo que sobrou das ferrovias foi quase totalmente privatizado, na esteira da campanha neoliberal. E isso significa prestigiar incondicionalmente o princ\u00edpio da rentabilidade. Um meio para tanto \u00e9 pulverizar a administra\u00e7\u00e3o das ferrovias: a manuten\u00e7\u00e3o nada rent\u00e1vel dos trilhos, das pontes e dos t\u00faneis \u00e9 impingida a munic\u00edpios e a comunas -de ordin\u00e1rio, em detrimento de obras sociais. A ferrovia, esta, \u00e9 cedida a companhias privadas, segundo o antigo lema: socializa\u00e7\u00e3o dos custos, privatiza\u00e7\u00e3o dos lucros! Em poucos trechos centrais, trens de luxo climatizados atraem um p\u00fablico com dinheiro no bolso, cujo gosto impregna a decora\u00e7\u00e3o dos vag\u00f5es de forma an\u00e1loga ao que acontece na sala de espera de um dentista.<\/p>\n<p>E o trem deve ser r\u00e1pido e rasteiro, pois &#8220;tempo \u00e9 dinheiro&#8221;. O funcionalismo abstrato das pessoas em tr\u00e2nsito, quase sempre a servi\u00e7o, retira todo o interesse da viagem em si mesma: as dist\u00e2ncias devem ser cobertas do modo mais breve poss\u00edvel. Dessa forma de pensar nasceu o ICE, para que o trem de alta velocidade concorresse com o avi\u00e3o. Os percursos do ICE n\u00e3o se amoldam mais \u00e0 paisagem: s\u00e3o tra\u00e7ados quase em linha reta, como se cruzassem, indiferentes, o espa\u00e7o a\u00e9reo.<\/p>\n<p>Ao compar\u00e1-lo a tecnologias an\u00e1logas \u00e0 da Fran\u00e7a e do Jap\u00e3o, o &#8220;modelo ICE&#8221; foi vendido \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica como integra\u00e7\u00e3o de rentabilidade, velocidade, seguran\u00e7a. O ICE foi promovido a menina dos olhos do empresariado e, na rela\u00e7\u00e3o entre trem e autom\u00f3vel, insinuou-se uma nova mudan\u00e7a de posi\u00e7\u00f5es: o tr\u00e1fego pesado das ruas, com seus infind\u00e1veis congestionamentos, seria cada vez mais deixado \u00e0 classe m\u00e9dia baixa; o trem, por sua vez, antiga gata borralheira, ascendia \u00e0 posi\u00e7\u00e3o de &#8220;Hilton&#8221; da mobilidade para grupos sociais mais remediados, em sua suposta vers\u00e3o de luxo a altas velocidades, restrita aos eixos centrais das linhas nacionais e continentais.<\/p>\n<p>A afirma\u00e7\u00e3o de que a efici\u00eancia empresarial, ao contr\u00e1rio da desorganiza\u00e7\u00e3o das estatais, garantiria a total seguran\u00e7a dos trens deu com os burros na \u00e1gua. Quando os mercados financeiros oferecem um rendimento de 20%, a ordem suprema das empresas \u00e9 baixar os custos, a qualquer pre\u00e7o. Com sal\u00e1rios em queda, o pessoal foi reduzido ao limite do poss\u00edvel.<\/p>\n<p>A par disso, come\u00e7ou uma reestrutura\u00e7\u00e3o de toda malha ferrovi\u00e1ria, e um n\u00famero crescente de suas tarefas foi delegado a outras empresas, para cortar despesas. A &#8220;cultura da seguran\u00e7a&#8221; foi substitu\u00edda por uma ilus\u00f3ria &#8220;cultura da embalagem&#8221;: enquanto a parafern\u00e1lia eletr\u00f4nica para o suposto conforto do passageiro entulhava os vag\u00f5es, o empresariado recusou expressamente as complexas t\u00e9cnicas de seguran\u00e7a sugeridas por engenheiros, em raz\u00e3o do acr\u00e9scimo de gastos. Delas constavam um sistema para a supervis\u00e3o dos pneus refor\u00e7ados de a\u00e7o. Desgra\u00e7adamente, foi um desses pneus (talvez por fadiga do material) que se soltou e provocou o acidente de Eschede.<\/p>\n<p>A cat\u00e1strofe, portanto, estava programada, justamente por aquela &#8220;efici\u00eancia&#8221; empresarial que tanto se evoca. J\u00e1 antes, os ferrovi\u00e1rios, reduzidos ao extremo, haviam demonstrado que eram exigidos acima de suas capacidades, e o sistema t\u00e9cnico, pulverizado pelo &#8220;outsourcing&#8221;, falhara repetidas vezes. Em Berlim, por ocasi\u00e3o da mudan\u00e7a nos hor\u00e1rios dos trens, todo o sistema entrou em colapso, os comandos e sinaliza\u00e7\u00f5es eletr\u00f4nicos deixaram de funcionar, e os trens mantiveram-se \u00e0 espera, no meio do percurso. Inseguros, os maquinistas n\u00e3o conseguem evitar o p\u00e2nico. Mas o trem &#8220;rent\u00e1vel&#8221;, com pessoal cada vez menor, mal pago e desmotivado, continuar\u00e1 a aumentar a sua velocidade. A cultura capitalista da alta velocidade deve ser t\u00e3o questionada quanto a sujei\u00e7\u00e3o do transporte p\u00fablico aos crit\u00e9rios da maximiza\u00e7\u00e3o de lucros da empresa privada.<\/p>\n<p><strong>O punhado de sangue<\/strong><\/p>\n<p>Assim, podemos estar certos de que o futuro do &#8220;turbocapitalismo&#8221; nos reserva mais outras cat\u00e1strofes tecnol\u00f3gicas, estatisticamente calculadas. A &#8220;sociedade m\u00f3vel&#8221; exige, vez ou outra, o seu &#8220;punhado de sangue&#8221;, opinou impassivelmente o jornal de economia alem\u00e3o &#8220;Handelsblatt&#8221;. A tal afirma\u00e7\u00e3o teria provavelmente consentido a maioria dos passageiros de primeira classe cujos corpos foram severamente mutilados nesse acidente do ICE. O que nos falta, assim argumentou o notoriamente liberal &#8220;Neue Z\u00fcrcher Zeitung&#8221; (Nova Gazeta de Zurique), com untuoso cinismo, \u00e9 o &#8220;arsenal de palavras e de gestos&#8221; para uma &#8220;liturgia da morte&#8221;, a fim de &#8220;dominar as cat\u00e1strofes&#8221; que, infelizmente, s\u00e3o inevit\u00e1veis. Talvez as empresas de transporte privatizadas devessem apenas distribuir santinhos com vers\u00edculos consoladores da B\u00edblia para seus passageiros. Essa, ao menos, seria uma forma nada dispendiosa de livrar-se do assunto.<\/p>\n<p>https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/mais\/fs11109803.htm?fbclid=IwAR0OtcjxAUb-A85Weumcohac9XNMrt11zzqijO4XuZhXopEkyKXTE2prFRI<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ROBERT KURZ &#8211; &#8216;Turbocapitalismo&#8217; reserva \u00e0 humanidade uma s\u00e9rie de cat\u00e1strofes tecnol\u00f3gicas. 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