{"id":9516,"date":"2018-10-31T12:00:06","date_gmt":"2018-10-31T15:00:06","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=9516"},"modified":"2018-10-31T11:58:15","modified_gmt":"2018-10-31T14:58:15","slug":"pra-quem-sabe-ler-um-pingo-e-letra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2018\/10\/31\/pra-quem-sabe-ler-um-pingo-e-letra\/","title":{"rendered":"Pra quem sabe ler, um pingo \u00e9 letra"},"content":{"rendered":"<div class=\"header-white header-fullImage mask\">\n<div class=\"container relative\">\n<div class=\"header-content\">\n<p><strong>Wallace de Moraes &#8211;\u00a0<\/strong>Existe uma luta permanente entre princ\u00edpios autorit\u00e1rios (fascistas) X libert\u00e1rios, que nos demandam uma an\u00e1lise mais profunda das institui\u00e7\u00f5es e dos valores que os sustentam<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"wrap\" role=\"document\">\n<div class=\"content\">\n<div class=\"container\">\n<article class=\"article\">\n<div class=\"entry-content\">\n<p>O fascismo \u00e9 uma forma de governo que foi aplicada principalmente na It\u00e1lia, na Espanha e na Alemanha no s\u00e9culo XX. Nesse \u00faltimo pa\u00eds ficou conhecido como nazismo, em fun\u00e7\u00e3o da abreviatura do nome do partido pol\u00edtico de Hitler. As ditaduras militares na Am\u00e9rica Latina possuem muitas caracter\u00edsticas comuns com aquele regime, embora a literatura n\u00e3o as tenha denominado dessa maneira. Ali\u00e1s, poder\u00edamos resgatar centenas de exemplos de governos autorit\u00e1rios ao longo da Hist\u00f3ria que massacraram seus opositores e defenderam\/impuseram valores conservadores. Portanto, \u00e9 importante que se diga que o fascismo\/nazismo foi a conjun\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea em determinados lugares de fatores como: militarismo (hierarquia, disciplina, autoridade e obedi\u00eancia), nacionalismo (xenofobia), persegui\u00e7\u00e3o e exterm\u00ednio de minorias com forte componente racial, heterossexual e ideol\u00f3gico (anti-comunismo), nega\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia e da cultura libertadora, com base em dogmas metaf\u00edsicos (igrejismo), e falsas informa\u00e7\u00f5es que reconstru\u00edam a Hist\u00f3ria com dados que lhes favoreceram (fake news e fake history). Parte ou a conjun\u00e7\u00e3o de duas ou mais das caracter\u00edsticas supracitadas podem ser encontradas tamb\u00e9m em outros momentos hist\u00f3ricos, como o nosso.<\/p>\n<p>Depois de quase destruir a Europa na d\u00e9cada de 1940, o fascismo foi aparentemente derrotado militar e moralmente em 1945. Dizemos aparentemente, pois muitos de seus aspectos permaneceram nas sociedades ocidentais. Eles retornam com for\u00e7a de tempos em tempos, denotando que existe uma luta permanente entre princ\u00edpios autorit\u00e1rios (fascistas) X libert\u00e1rios, que nos demandam uma an\u00e1lise mais profunda das institui\u00e7\u00f5es e dos valores que os sustentam. Quando afirmamos isso, queremos destacar que \u00e9 necess\u00e1rio reconhecer que muitas de suas premissas s\u00e3o praticadas por diferentes grupos sociais\/pol\u00edticos, mesmo quando dissimulam estar enterradas. Com efeito, cabe resgatar alguns de seus postulados centrais. Comecemos com o militarismo.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-57693 aligncenter\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/diplomatique.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/antifacismo.jpg?resize=640%2C370&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" srcset=\"\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/antifacismo.jpg 800w, \/wp-content\/uploads\/2018\/10\/antifacismo-300x174.jpg 300w, \/wp-content\/uploads\/2018\/10\/antifacismo-768x444.jpg 768w, \/wp-content\/uploads\/2018\/10\/antifacismo-160x93.jpg 160w, \/wp-content\/uploads\/2018\/10\/antifacismo-360x208.jpg 360w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"370\" \/><\/p>\n<p><strong>Do militarismo<\/strong><\/p>\n<p>O primeiro aspecto a se destacar \u00e9 que o fascismo e o nazismo nasceram do militarismo como filhos leg\u00edtimos, sendo retroalimentados por ele constantemente. \u00c9 exatamente no meio castrense que se ensina a ferrenha disciplina e o respeito \u00e0s hierarquias, naturalizando-as e defendendo-as a todo custo. Vejamos.<\/p>\n<p>1) Os militares, sobretudo em tempos de guerra, necessitam combater os inimigos e s\u00e3o ensinados a n\u00e3o ter o menor apre\u00e7o pela vida deles. Muito ao contr\u00e1rio, eles devem ser perseguidos, combatidos, at\u00e9 a morte. Por mais que do outro lado do\u00a0<em>front<\/em>\u00a0estejam pessoas que nunca foram vistas pelos de c\u00e1, n\u00e3o importa, deve-se combat\u00ea-las e liquid\u00e1-las pela p\u00e1tria, pela ordem, por Deus, pela tradi\u00e7\u00e3o. \u00c9 assim que a m\u00e1quina de guerra \u00e9 justificada ideologicamente.<\/p>\n<p>2) Tamb\u00e9m \u00e9 nos meios militares que se ensina o apego, um verdadeiro amor, ao armamento. O fuzil, ensinam, \u201c\u00e9 o seu eterno companheiro, voc\u00ea nunca pode abandon\u00e1-lo\u201d.<\/p>\n<p>3) Uma ordem dada deve ser obedecida, nunca contestada, nunca debatida. Por isso, nos ensinos militares normalmente n\u00e3o h\u00e1 reflex\u00e3o aut\u00f4noma, h\u00e1 ordens e repeti\u00e7\u00e3o de conte\u00fado. A liberdade criadora, cient\u00edfica e cr\u00edtica n\u00e3o \u00e9 bem-vinda.<\/p>\n<p>4) Os superiores devem ser reverenciados todas as vezes que se passar por eles, seja atrav\u00e9s da contin\u00eancia, seja atrav\u00e9s da posi\u00e7\u00e3o de sentido, e jamais se pode ignor\u00e1-lo ou deix\u00e1-lo passar desapercebido. Da\u00ed a sauda\u00e7\u00e3o do \u201cHail Hitler\u201d.<\/p>\n<p>5) Outro aspecto t\u00edpico do militarismo \u00e9 o amor \u00e0 p\u00e1tria, ao nacionalismo, \u00e0 bandeira. Esta \u00e9 t\u00e3o importante que se deve prestar contin\u00eancia para ela.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, os revolucion\u00e1rios (comunistas, socialistas, rebeldes, muitas vezes equiparados a terroristas)<a href=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/pra-quem-sabe-ler-um-pingo-e-letra\/#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>\u00a0e aqueles que fogem da heteronormatividade sempre foram os principais alvos dos meios militares, seja atrav\u00e9s da persegui\u00e7\u00e3o direta, vistos como inimigos ou poss\u00edveis amea\u00e7adores da ordem e da tradi\u00e7\u00e3o autorit\u00e1ria, seja atrav\u00e9s da discrimina\u00e7\u00e3o. \u00c9 importante lembrar que o meio militar \u00e9 extremamente machista, sendo valorizado aquele que demostra for\u00e7a e virilidade masculina.<\/p>\n<p>Segundo Hobsbawm (1998), 57% dos primeiros fascistas italianos eram ex-soldados. O nazismo, n\u00e3o por acaso, foi amplificado por um ex-cabo do ex\u00e9rcito, Adolf Hitler, combatente da Primeira Guerra Mundial, que se tornou a figura mais conhecida dessa ideologia. N\u00e3o por acaso, o franquismo, na Espanha, e as ditaduras militares, na Am\u00e9rica Latina, foram dirigidos por generais. De acordo com Santander (2018), os ideais nazistas tiveram boa penetra\u00e7\u00e3o nas For\u00e7as Armadas no continente latino-americano.<\/p>\n<p>A constata\u00e7\u00e3o fundamental a se destacar da rela\u00e7\u00e3o do militarismo e do fascismo foi o alistamento de quase toda a popula\u00e7\u00e3o masculina para a Guerra na Alemanha, It\u00e1lia e Espanha, amplificando exponencialmente o ensino de seus valores.<\/p>\n<p>Portanto, o militarismo se constitui como base dos regimes fascistas, sustentando seus outros pilares. Mas \u00e9 igualmente importante destacar que mesmo nas chamadas democracias ocidentais, o militarismo nunca foi liquidado. Ele sempre est\u00e1 presente, constituindo-se como a ess\u00eancia do Estado. Os quart\u00e9is s\u00e3o as principais escolas e propagandistas do militarismo. Quando governantes fascistas assumem o poder, logo prop\u00f5em a militariza\u00e7\u00e3o das escolas civis, justamente por saber que o ensino militar se consubstancia na ess\u00eancia e autopropaganda de seu regime.<\/p>\n<p>Quando militares (governantes penais) se organizam e t\u00eam como objetivo tomar a governan\u00e7a pol\u00edtica, eles possuem um apoio social significante para fazer tal empreitada. Na maioria dos pa\u00edses, existe o servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio pelo qual passam grandes contingentes, principalmente homens oriundos das classes populares. \u00c9 nesse nicho que se produz o machismo mais intolerante. \u00c9 por aqui que se deve compreender porque homens (militares e civis que trabalham com armas), ex-soldados (reservistas), seus familiares e amigos comp\u00f5em a principal base social dos regimes militaristas.<\/p>\n<p>\u00c9 imprescind\u00edvel entender que militares nos sub\u00farbios populares exercem um papel de lideran\u00e7a, representando um caso de pessoa bem-sucedida, que expressa autoridade, sucesso e estabilidade econ\u00f4mica. Tamb\u00e9m representam o poder das armas que pode ajudar uma pessoa em caso de conflito com outra. Nesse sentido, ter um policial no c\u00edrculo de amizade pode garantir uma certa seguran\u00e7a em uma sociedade extremamente autorit\u00e1ria e violenta. \u00c9 dessa maneira que uma candidatura militarista naturalmente sai com for\u00e7a para a competi\u00e7\u00e3o eleitoral. Basta algu\u00e9m para organizar seus governantes e conseguir apresentar-se como defensor ferrenho de seus signos. Para isso, \u00e9 necess\u00e1rio que ele seja autorit\u00e1rio, representando aquilo que seus seguidores aprendem.<\/p>\n<p>\u00c9 importante fazer uma \u00faltima ressalva. A Hist\u00f3ria nos mostra que \u00e9 poss\u00edvel existir movimentos de militares revolucion\u00e1rios e, inclusive, socialistas, mas \u00e9 igualmente necess\u00e1rio ressaltar que esta n\u00e3o \u00e9 a regra e acontece a despeito dos valores pregados pelo militarismo, sendo muito mais express\u00e3o de algumas poucas lideran\u00e7as do que a consolida\u00e7\u00e3o daquilo que se ensina nos quart\u00e9is.<\/p>\n<p>A base social do militarismo \u00e9 consideravelmente amplificada quando associada com setores religiosos. Vejamos o significado daquilo que estamos denominando por igrejismo.<\/p>\n<p><strong>Do igrejismo<\/strong><\/p>\n<p>O apoio religioso, dogm\u00e1tico, fan\u00e1tico constitui-se em outro pilar fundamental dos regimes fascistas\/nazistas. As Igrejas est\u00e3o pautadas em cren\u00e7as metaf\u00edsicas, baseadas em escritos de milhares de anos atr\u00e1s, que dependem fundamentalmente de interpreta\u00e7\u00e3o. Assim, \u00e9 poss\u00edvel at\u00e9 fazer uma leitura de determinados trechos como revolucion\u00e1rios; n\u00e3o obstante, o comum \u00e9 uma leitura que alimenta o conservadorismo, a discrimina\u00e7\u00e3o, a hierarquia, a obedi\u00eancia, pois a ampla maioria dos membros do alto escal\u00e3o das igrejas (governantes religiosos) est\u00e3o envoltos com a manuten\u00e7\u00e3o da ordem e, principalmente, dos valores tradicionais. Essa suposta tradi\u00e7\u00e3o, criada e\/ou refor\u00e7ada tanto na Idade M\u00e9dia, quanto na \u00c9poca Moderna, est\u00e1 comprometida com uma sociedade machista, heterossexual e desigual. Nesse sentido, a disciplina, a autoridade, a hierarquia e a obedi\u00eancia s\u00e3o pilares fundamentais daquilo que chamaremos por igrejismo. Optamos por utilizar esse conceito em vez de cristianismo, pois este representaria, a nosso ver, uma vida calcada nos valores defendidos e realizados ainda em vida por Jesus Cristo, cujas ideias de amor ao pr\u00f3ximo e de repartir o p\u00e3o seriam seus dois principais pilares. No igrejismo, realizado pela leitura de padres e pastores,<a href=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/pra-quem-sabe-ler-um-pingo-e-letra\/#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>tem predominado o preconceito, a discrimina\u00e7\u00e3o, o \u00f3dio ao diferente, a intoler\u00e2ncia. Tamb\u00e9m chamamos esse fen\u00f4meno por governan\u00e7a social religiosa.<\/p>\n<p>O igrejismo, para solidificar sua perspectiva de poder, com base em uma vis\u00e3o pr\u00f3pria de mundo, necessariamente, precisa negar a ci\u00eancia, a raz\u00e3o, e apresentar uma interpreta\u00e7\u00e3o da vida de Cristo com base em meias-verdades e falsas interpreta\u00e7\u00f5es, que coadunem com seus objetivos pol\u00edticos. Esse caminho cumpriu um papel fundamental na consolida\u00e7\u00e3o de uma perspectiva fascista, sendo tratada como arma de guerra, uma guerra religiosa, que normalmente tamb\u00e9m \u00e9 pol\u00edtica e econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Em diversos momentos hist\u00f3ricos, as igrejas ocidentais se opuseram com veem\u00eancia contra toda perspectiva de comunismo, socialismo, anarquismo, enfim, de igualdade social. Essas oposi\u00e7\u00f5es se justificavam por v\u00e1rios motivos, dentre eles porque essas escolas de pensamento contestavam valores tradicionais, hierarquias, autoridades, desigualdades e at\u00e9 as propriedades e a riqueza das aglomera\u00e7\u00f5es religiosas, abrindo margem para a desautoriza\u00e7\u00e3o do monop\u00f3lio do saber dos governantes da religi\u00e3o. Para combater o avan\u00e7o das ideias contestat\u00f3rias do\u00a0<em>establishment<\/em>, as igrejas apoiaram regimes autorit\u00e1rios para que esmagassem, sem qualquer piedade, movimentos insurgentes\/insubmissos. Assim, em grande maioria, elas apoiaram os regimes fascistas\/nazistas e diversas outras ditaduras militares-plutocr\u00e1ticas desavergonhadas pelo mundo, justamente porque mais abertamente combatiam o \u201cperigo vermelho\u201d.<\/p>\n<p>Os fieis das igrejas, de modo geral, s\u00e3o treinados, como soldados, a obedecer, a respeitar a ordem, a idolatrar um messias, a se subordinar diante de seus l\u00edderes, pastores, que se apresentam como portadores da verdade, da f\u00e9 e da vontade de Deus. Assim, se transformam em rebanho de ovelhas f\u00e1ceis de serem guiados para objetivos pol\u00edticos de seus chefes (governantes).<\/p>\n<p>Assim, o igrejismo se consolidou como um poder governante importante para explicar a tens\u00e3o social pela consolida\u00e7\u00e3o de regimes fascistas e proto-fascistas. \u00c9 claro que sempre h\u00e1 exce\u00e7\u00f5es, mas queremos dizer de modo geral que o igrejismo, diferente do cristianismo puro (desprovido de interesses capitalistas e preocupado com justi\u00e7a social), se constitui normalmente como pr\u00e1tica pol\u00edtico-religiosa em favor da justificativa do poder conservador, tradicional, contr\u00e1rio a toda forma de contesta\u00e7\u00e3o da autoridade.<\/p>\n<p>Na Alemanha nazista, por exemplo, existiam v\u00e1rias igrejas protestantes e cat\u00f3licas. Hitler fora cat\u00f3lico militante, mas nos panfletos que legitimavam o exterm\u00ednio dos judeus, eram utilizadas as consignas de Martinho Lutero, fundador do protestantismo. Hitler fez um acordo com elas para apoio rec\u00edproco. Assim, o igrejismo n\u00e3o se op\u00f4s aos campos de concentra\u00e7\u00e3o para gays, comunistas e judeus. Atrav\u00e9s dessa alian\u00e7a, Hitler chegou ao poder legitimado pela maioria crist\u00e3 que recebia dos padres e pastores a orienta\u00e7\u00e3o de apoiar o ditador.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do mais, todas as atrocidades realizadas por Hitler e seus militares eram amparadas nas palavras de Deus. Foi ordenado que em todos os uniformes dos militares alem\u00e3es estivesse a frase: \u201cDeus est\u00e1 convosco\u201d, carregando esse lema, seus militares e milicianos executaram milh\u00f5es de pessoas em campos de concentra\u00e7\u00f5es, nas ruas e resid\u00eancias. Por incr\u00edvel que possa parecer, Deus para Hitler estava acima de todos.<\/p>\n<p>Vejamos agora outro pilar dos regimes fascistas. Trata-se da propaga\u00e7\u00e3o de falsas not\u00edcias e de um revisionismo historiogr\u00e1fico conservador agressivo, para consolidar sua intepreta\u00e7\u00e3o de mundo e destruir as bases dos grupos opositores.<\/p>\n<p><strong>Guerra psicol\u00f3gica: fake news e fake history<\/strong><\/p>\n<p>As not\u00edcias falsas sempre existiram na hist\u00f3ria da humanidade. Para se atingir determinados objetivos, pessoas, institui\u00e7\u00f5es, governantes se impuseram a partir de mentiras. As falsas not\u00edcias se transformaram em arma pol\u00edtica para justificar o governo de uns sobre os outros, ou mesmo para levar um povo inteiro \u00e0 guerra. No mundo da pol\u00edtica, meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa utilizaram-se desse expediente com muita frequ\u00eancia.<\/p>\n<p>No meio militar, a disputa pela informa\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o importante que \u00e9 chamada de \u201cguerra psicol\u00f3gica\u201d, sendo fundamental para tirar a moral da tropa antagonista e elevar a moral da sua tropa. \u00c9 importante saber que nessa guerra n\u00e3o existem escr\u00fapulos, freios \u00e9ticos, para difus\u00e3o de uma not\u00edcia que favore\u00e7a seu contingente no\u00a0<em>front<\/em>. Os militares s\u00e3o treinados para isso e com essa estrat\u00e9gia consolidaram o nazismo.<\/p>\n<p>Na Alemanha nazista, o ministro das comunica\u00e7\u00f5es de Hitler, Goebbels, dizia que \u201cuma mentira dita mil vezes, torna-se verdade\u201d. Era assim que ele ensinava os seus assessores a constru\u00edrem as not\u00edcias. Hoje, chamar\u00edamos de fake news (not\u00edcias falsas). A mobiliza\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica aconteceu por meio de uma propaganda onipresente, buscando impedir qualquer oposi\u00e7\u00e3o intelectual. Segundo Berstein et al. (2007), a pol\u00edcia cuidou para que tudo que n\u00e3o estivesse de acordo com os interesses do regime fosse proibido.<\/p>\n<p>As bibliotecas foram censuradas. Milhares de livros foram queimados no dia 10 de maio de 1933, atrav\u00e9s de uma fogueira acesa na cidade universit\u00e1ria para que fan\u00e1ticos jogassem ao fogo as obras de autores censurados. Goebbels fez um discurso, dizendo que era para apagar os fantasmas do passado.<\/p>\n<p>Os nazistas mandaram rever os livros escolares e expurgaram v\u00e1rios professores, exercendo controle rigoroso sobre as escolas e universidades. Nessa loucura persecut\u00f3ria, grandes artistas e intelectuais tiveram que deixar a Alemanha, enquanto outros foram assassinados. Albert Einstein, um dos f\u00edsicos mais renomados no mundo de todos os tempos, que desenvolveu a teoria da relatividade geral, teve sua obra completamente contestada pelo governo do cabo do ex\u00e9rcito s\u00f3 porque ele era judeu, simpatizante da esquerda e se opunha ao regime. Seus livros foram queimados. Para substituir o pensamento de Einstein, os nazistas tentaram criar uma nova ci\u00eancia que explicasse a cria\u00e7\u00e3o do universo. Foi a materializa\u00e7\u00e3o da estupidez.<\/p>\n<p>O nazismo foi uma m\u00e1quina de produzir mentira. Not\u00edcias e um revisionismo hist\u00f3rico foram fundamentais para o crescimento do regime, recriando a hist\u00f3ria para favorec\u00ea-los. Nesse sentido, todos que contaram a hist\u00f3ria real foram perseguidos e tratados como mentirosos, fazendo uma invers\u00e3o total e completa dos valores.<\/p>\n<p>Um exemplo cl\u00e1ssico foi a cria\u00e7\u00e3o da ra\u00e7a ariana, composta supostamente por super-homens, que, na verdade, nunca existiu. Com base em um apanhado de inven\u00e7\u00f5es e mentiras, muitas pessoas acreditaram na sua exist\u00eancia e passaram a realizar a adora\u00e7\u00e3o do her\u00f3i, valoriza\u00e7\u00e3o do militar e glorifica\u00e7\u00e3o do combate. Eles chegaram ao ponto de dizer que os \u201carianos\u201d tiveram uma hist\u00f3ria mais importante do que os romanos, como se fosse isso poss\u00edvel. Era a luta do obscurantismo, do dogma, da brutalidade, do controle, contra a ci\u00eancia, a raz\u00e3o e a liberdade intelectual.<\/p>\n<p>Foi com base em falsas not\u00edcias que o movimento nazista foi alimentado; o movimento socialista, derrotado; e os campos de concentra\u00e7\u00e3o, legitimados. As falsas not\u00edcias, portanto, foram parte de uma guerra psicol\u00f3gica fundamental para justificar o regime nazista e recontar a Hist\u00f3ria a seu favor, da\u00ed o termo fake history (falsa hist\u00f3ria).<\/p>\n<p>Como j\u00e1 dissemos, as not\u00edcias falaciosas sempre existiram, mas se transformaram em pol\u00edtica de Estado do nazismo\/fascismo. Para tanto, trataram a Hist\u00f3ria e a informa\u00e7\u00e3o como parte da guerra psicol\u00f3gica do militarismo, aprendido por Hitler nos meios militares. A nega\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia e as falsas interpreta\u00e7\u00f5es realizadas pelo igrejismo foram fundamentais nesse combate.<\/p>\n<p>Assim, foi formada a base de apoio ao nazismo na Alemanha, cujo tema central era: atacar todo tipo de ativismo que n\u00e3o fosse o permitido pelo Estado. Ao mesmo tempo, muitos populares ignorantes apoiaram as medidas intolerantes em rela\u00e7\u00e3o ao diferente, dando margem para a tese de Reich (1988), segundo a qual o nazismo seria o governo do \u201cZ\u00e9 ningu\u00e9m\u201d, pois desprovido de justificativa racional e intelectual.<\/p>\n<p>Feito esse breve introito te\u00f3rico para situar o fascismo, vamos analisar agora as caracter\u00edsticas postas em pr\u00e1tica pelos nazistas na Alemanha sob comando de Hitler.<\/p>\n<p><strong>Nazismo em a\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Os nazistas praticaram a pol\u00edtica da intoler\u00e2ncia com o dessemelhante, produzindo o holocausto (assassinatos em massa) de todos os opositores ao sistema do ponto de vista pol\u00edtico (comunistas\/socialistas), do ponto de vista comportamental (gays e l\u00e9sbicas) e do ponto de vista racial (judeus e ciganos). Foram aproximadamente 6 milh\u00f5es de judeus\/ciganos assassinados e outras milhares de lideran\u00e7as de esquerda que n\u00e3o conseguiram fugir da Alemanha a tempo.<\/p>\n<p>O exterm\u00ednio dos judeus j\u00e1 foi retratado por diversos filmes e livros, mas \u00e9 importante destacar que os primeiros campos de concentra\u00e7\u00e3o na Alemanha nazista foram para os comunistas, os principais opositores dos nazistas. Ao mesmo tempo, alguns homossexuais foram submetidos a experimento para uma esp\u00e9cie de \u201ccura gay\u201d, que consequentemente os levavam \u00e0 morte.<\/p>\n<p>As unidades paramilitares (mil\u00edcias) na Alemanha, chamadas de Freikorps, e seus grupos nacionalistas, tomaram Berlin justamente para se opor \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o dos conselhos dos trabalhadores, de linha socialista. Assim, a Baviera, que era o lugar da revolu\u00e7\u00e3o, se transformou no lugar da contrarrevolu\u00e7\u00e3o. Algo semelhante aconteceu com o Rio de Janeiro, lugar onde os protestos de 2013 foram mais intensos, duradouros e contestat\u00f3rios com enfrentamentos semanais com a pol\u00edcia. Nesse estado, a crise econ\u00f4mica foi a mais profunda, fazendo com que o igrejismo e o militarismo juntos formassem um ativismo conservador agressivo e propusessem uma pauta de discuss\u00e3o pol\u00edtica absolutamente reacion\u00e1ria. As fake news proliferaram como ratos nos esgotos. Tinham que quebrar o principal lugar da resist\u00eancia. \u00c9 bom lembrar que o Rio de Janeiro historicamente cumpriu um papel de vanguarda de oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 ditadura, tendo a passeata dos 100 mil, em 1968, como \u00e1pice.<\/p>\n<p>Os nazistas defenderam e praticaram a pena de morte, independente do respeito \u00e0s leis, atrav\u00e9s da pol\u00edcia pol\u00edtica. \u201cOpositor bom, era opositor morto.\u201d O opositor para os seguidores de Hitler eram todos \u201cbandidos\u201d. Os nazistas eram veementemente contra qualquer tipo de direitos humanos. A tortura, a pris\u00e3o arbitr\u00e1ria e o assassinato foram suas principais marcas. Al\u00e9m disso, os direitos civis tamb\u00e9m foram violados desde a suspens\u00e3o do sigilo de correspond\u00eancia at\u00e9 a apropria\u00e7\u00e3o dos pertences dos perseguidos e exterminados, como butins de guerra. H\u00e1 estudos que mostram como a riqueza roubada dos judeus foi importante para alimentar o regime. Assim, gera\u00e7\u00f5es inteiras de pessoas que pensavam diferente ou viviam de forma que a \u201ctradi\u00e7\u00e3o\u201d n\u00e3o achava correta, ou, simplesmente, por pertencer a outra etnia\/ra\u00e7a, foram dizimadas.<\/p>\n<p>Com o decorrer do tempo e a persegui\u00e7\u00e3o ganhando espa\u00e7o cada vez maior na sociedade alem\u00e3, muitas pessoas resolveram calar e at\u00e9 apoiar para que pudessem sobreviver. Assim, o nazismo ganhava mais for\u00e7a. E aqui est\u00e1 exatamente o problema para muitos que apoiam determinados regimes autorit\u00e1rios, que ao se instalar ganha propor\u00e7\u00f5es inimagin\u00e1veis e depois pode fazer do apoiador um perseguido.<\/p>\n<p>O tribunal de Hitler condenou mais de 5 mil opositores \u00e0 morte entre 1934 e 1945. Ju\u00edzes e promotores atuaram intensamente para desferir senten\u00e7as que eram aplicadas em tempo recorde. Uma simples distribui\u00e7\u00e3o de panfletos fez com que v\u00e1rios fossem condenados. Dessa maneira, a oposi\u00e7\u00e3o ao regime foi literalmente exterminada. \u201cOs m\u00e9todos s\u00e3o de uma brutalidade e de uma selvageria inauditas, que incluem assassinatos, torturas, \u2018suic\u00eddios\u2019 organizados e deporta\u00e7\u00f5es para os campos de concentra\u00e7\u00e3o\u201d (Berstein et al., 2007: 355).<\/p>\n<p>Hitler estava determinado a acabar com o sistema representativo usando seus meios. Ele, inclusive, se negou a se aliar aos partidos e pol\u00edticos conservadores tradicionais. Ele queria o poder sozinho e buscou passar a ideia de que n\u00e3o era um pol\u00edtico.<\/p>\n<p>\u00c9 importante destacar que foi depois das atrocidades contra a humanidade realizadas por fascistas\/nazistas que se fez necess\u00e1rio a cria\u00e7\u00e3o dos tratados internacionais sobre direitos humanos. Assim, em 1947, eles foram aprovados na ONU para serem colocados em pr\u00e1tica em todo o mundo. Agora, absurdamente, os direitos humanos voltam a ser alvo.<\/p>\n<p>Em suma, os principais valores do nazismo foram os seguintes:<\/p>\n<p>1) Militarismo, igrejismo, nacionalismo (idolatria \u00e0 bandeira, \u00e0 p\u00e1tria, \u00e0s cores do pa\u00eds, \u00e0s armas), fam\u00edlia tradicional, capitalismo, racismo, machismo, homofobia.<\/p>\n<p>2) Estabelecia como inimigo, no sentido militar, pregando um \u00f3dio profundo contra os \u201cesquerdistas\u201d, comunistas, gays, judeus, estrangeiros, n\u00e3o aliados, contra os direitos humanos e tudo que buscava igualdade entre todos.<\/p>\n<p><strong>Cen\u00e1rio de crescimento do fascismo\/nazismo e o que tem a ver com os nossos dias<\/strong><\/p>\n<p>Depois da crise de 1929, a Alemanha tinha mais de 3 milh\u00f5es de desempregados. Em 1933, esse n\u00famero chegou a 6 milh\u00f5es.<a href=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/pra-quem-sabe-ler-um-pingo-e-letra\/#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>\u00a0Segundo Hobsbawm (1998):<\/p>\n<p>\u201cAs condi\u00e7\u00f5es ideais para o triunfo da ultradireita alucinada eram um Estado velho, com seus mecanismos dirigentes n\u00e3o mais funcionando; uma massa de cidad\u00e3os desencantados, desorientados e descontentes, n\u00e3o mais sabendo a quem ser leais; fortes movimentos socialistas amea\u00e7ando ou parecendo amea\u00e7ar com a revolu\u00e7\u00e3o social, mas n\u00e3o de fato em posi\u00e7\u00e3o de realiz\u00e1-la\u201d.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio descrito por Hobsbawm para explicar o crescimento do fascismo na Europa se assemelha em muito ao caso brasileiro, marcado por profunda crise econ\u00f4mica, aumento substantivo do desemprego, da mis\u00e9ria, viol\u00eancia e a sensa\u00e7\u00e3o generalizada de que todos os governantes e os pol\u00edticos s\u00e3o extremamente corruptos. Tudo isso aconteceu exatamente depois de 2013, ano marcado tanto pelos maiores protestos da hist\u00f3ria brasileira com contesta\u00e7\u00e3o das for\u00e7as de repress\u00e3o<a href=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/pra-quem-sabe-ler-um-pingo-e-letra\/#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>\u00a0e dos valores tradicionais,<a href=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/pra-quem-sabe-ler-um-pingo-e-letra\/#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>\u00a0quanto pela maior quantidade de greves realizada pelos trabalhadores at\u00e9 ent\u00e3o. Fatos que colocaram a ordem em xeque.<\/p>\n<p>\u00c9 importante destacar que em momentos de grande contesta\u00e7\u00e3o do\u00a0<em>establishment<\/em>\u00a0as elites tendem a apoiar regimes militaristas, contando com apoio dos igrejistas. Assim, a militariza\u00e7\u00e3o da sociedade, amplamente defendida pelos empres\u00e1rios (governantes econ\u00f4micos), constitui-se como melhor cen\u00e1rio para tr\u00eas aspectos: 1) combater o clima grevista, a insurg\u00eancia e seus signos; 2) melhor explorar os trabalhadores em contexto de retirada total ou parcial de direitos, melhorando seus \u00edndices de lucros; 3) restabelecer o apego aos valores tradicionais igrejistas: da fam\u00edlia com Deus, autoridade e obedi\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>Conclus\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O regime nazista foi o estabelecimento da unidade entre militarismo, igrejismo, grandes empres\u00e1rios e meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa em torno de Hitler para garantir o combate aos socialistas, \u201cesquerdistas\u201d, que j\u00e1 haviam feito uma revolu\u00e7\u00e3o na R\u00fassia e que poderiam a qualquer momento tamb\u00e9m fazer na Alemanha.<\/p>\n<p>O militarismo, o igrejismo e a guerra psicol\u00f3gica constituem-se como as principais institui\u00e7\u00f5es garantidoras da ordem, das tradi\u00e7\u00f5es, dos interesses de todos os governantes. Elas possuem em comum: a devo\u00e7\u00e3o \u00e0 hierarquia, disciplina, obedi\u00eancia, desigualdade, autoridade, defesa intransigente dos valores tradicionais e um profundo preconceito contra o diferente, pois este significa um atentado \u00e0 ordem, uma n\u00e3o subordina\u00e7\u00e3o \u00e0s regras e aos \u201cbons\u201d costumes. Para os nazistas, a simples exist\u00eancia de um homossexual ou de um comunista\/socialista significava um atentado \u00e0 fam\u00edlia tradicional e \u00e0 propriedade. Para chegar ao poder e\/ou manter-se nele, para garantir seus privil\u00e9gios ou destruir seus inimigos, os militaristas e igrejistas utilizam-se da guerra psicol\u00f3gica por meio de not\u00edcias falsas e de um revisionismo\/falseamento da Hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Em suma, o militarismo, o igrejismo e as not\u00edcias falsas sempre existiram. Em coesa associa\u00e7\u00e3o, compuseram um \u201cativismo conservador agressivo\u201d, respons\u00e1vel pela manuten\u00e7\u00e3o das tradi\u00e7\u00f5es, e se transformaram em base central dos regimes fascistas\/nazistas. O principal ensinamento que podemos extrair \u00e9 que eles podem juntar-se novamente em outros momentos hist\u00f3ricos e praticar arbitrariedades contra seus opositores e diversos outros segmentos sociais, valendo-se inclusive de elei\u00e7\u00e3o e voto.<\/p>\n<p>No Brasil, grupos profissionais ligados a determinados setores de militares, da Igreja e dos oligop\u00f3lios de comunica\u00e7\u00e3o de massa despejam por dia dezenas de mensagens nas redes sociais que apontam para a defesa da pena de morte, da intoler\u00e2ncia contra grupos LGBTs, da discrimina\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e social em particular, de exalta\u00e7\u00e3o da ditadura militar, contr\u00e1rio a toda e qualquer repara\u00e7\u00e3o de danos, seja para o pobre, seja para o negro ou para a mulher. Mensagens preconceituosas valorizam a hierarquia social, a autoridade, o racismo, o machismo e as desigualdades como leg\u00edtimas. Do ponto de vista pol\u00edtico, depreciam as formas de organiza\u00e7\u00e3o social coletiva como comunismo, anarquismo ou socialismo, sempre na defesa do modelo capitalista de mercado. A guerra psicol\u00f3gica atrav\u00e9s de fake news e fake history constitui-se como a principal estrat\u00e9gia pol\u00edtica. O militarismo, o igrejismo e a xenofobia, portanto, sustentam a base desse pensamento.<\/p>\n<p>Por fim, estamos vivendo um momento extremamente perigoso na sociedade brasileira. As pessoas n\u00e3o est\u00e3o mais com vergonha de pregar o \u00f3dio contra o negro, o pobre, a mulher, o homossexual, o ladr\u00e3o. O pior de tudo isso \u00e9 que muitas das pessoas que pregam esse \u00f3dio insano apresentam-se como seguidores da b\u00edblia e crist\u00e3os. A Hist\u00f3ria das a\u00e7\u00f5es de Hitler deve servir de ensinamento para que outros absurdos n\u00e3o venham a ser postos em pr\u00e1tica na humanidade. \u00c9 necess\u00e1rio evitar a morte de milh\u00f5es de pessoas. Pregue o amor ao pr\u00f3ximo e o repartir do p\u00e3o como sa\u00edda da crise. O \u00f3dio n\u00e3o constr\u00f3i nada, s\u00f3 destr\u00f3i, s\u00f3 mata.<\/p>\n<p>Em resumo, mais de 50 milh\u00f5es de pessoas morreram na Segunda Guerra Mundial em fun\u00e7\u00e3o das loucuras de Hitler, um homem branco, de cabelo liso, caindo sobre a testa, de olhos azuis, que fora militar e deputado com apoio da Igreja, dos militares e dos meios de comunica\u00e7\u00e3o. Tomara que essa hist\u00f3ria n\u00e3o se repita, em nenhum pa\u00eds do mundo.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p>BERSTEIN et al., (2007). Hist\u00f3ria do S\u00e9culo XX \u2013 1900-1945 \u2013 o fim do mundo europeu. S\u00e3o Paulo: Companhia Editora Nacional.<\/p>\n<p>HOBSBAWM, Eric. (1998) A era dos extremos. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras.<\/p>\n<p>Reich, W. (1988). Psicologia de massas do fascismo. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes.<\/p>\n<p>Santander, Silvano (2018) Nazismo en Argentina: La conquista del ej\u00e9rcito (Spanish Edition) by kindle.<\/p>\n<p>Szklarz, Eduardo. Nazismo \u2013 como ele p\u00f4de acontecer. Editora Abril, edi\u00e7\u00e3o kindle by Amazon.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/pra-quem-sabe-ler-um-pingo-e-letra\/#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>\u00a0Ap\u00f3s a vit\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o Russa em 1917 e, principalmente, no contexto da Guerra Fria, no mundo ocidental, tudo que era considerado de esquerda e\/ou fugia das \u201ctradi\u00e7\u00f5es\u201d, se transformou em alvos privilegiados dos militares. Desde ent\u00e3o, se ensina nos quart\u00e9is a combater tudo que diz respeito aos socialistas.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/pra-quem-sabe-ler-um-pingo-e-letra\/#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a>\u00a0A defesa dessas ideias ganhava for\u00e7a com ades\u00e3o de diferentes padres e pastores, muitos por convic\u00e7\u00e3o, outros porque obedeciam ao alto escal\u00e3o das Igrejas que fizeram pacto com Hitler. Um pacto para garantir a ordem, pregando repulsa ao diferente, portanto, nada crist\u00e3o na sua ess\u00eancia.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/pra-quem-sabe-ler-um-pingo-e-letra\/#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a>\u00a0Enquanto a esquerda oficial se encastelava em seus c\u00edrculos e falava em teorias e lutas de classe, o partido de Hitler oferecia divers\u00e3o, sopas, festas e juntas de trabalho para o povo, defendendo e estimulando ardorosamente as \u201ctradi\u00e7\u00f5es\u201d, o capitalismo e os preconceitos.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/pra-quem-sabe-ler-um-pingo-e-letra\/#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a>\u00a0Naquele momento parte dos manifestantes exigiu o fim da PM, resistiu e contra-atacou \u00e0s investidas policiais, resultando em confrontos.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/diplomatique.org.br\/pra-quem-sabe-ler-um-pingo-e-letra\/#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a>\u00a0As marchas das vadias e o crescimento das manifesta\u00e7\u00f5es LGBTs s\u00e3o exemplos desse processo.<\/p>\n<p>https:\/\/diplomatique.org.br\/pra-quem-sabe-ler-um-pingo-e-letra\/<\/p>\n<\/div>\n<\/article>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Wallace de Moraes &#8211;\u00a0Existe uma luta permanente entre princ\u00edpios autorit\u00e1rios (fascistas) X libert\u00e1rios, que nos demandam uma an\u00e1lise mais profunda das institui\u00e7\u00f5es e dos valores que os sustentam O fascismo \u00e9 uma forma de governo que foi aplicada principalmente na It\u00e1lia, na Espanha e na Alemanha no s\u00e9culo XX. 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