{"id":930,"date":"2016-07-04T12:33:42","date_gmt":"2016-07-04T15:33:42","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=930"},"modified":"2016-06-29T17:36:22","modified_gmt":"2016-06-29T20:36:22","slug":"a-lingua-portuguesa-que-falamos-e-culturalmente-negra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2016\/07\/04\/a-lingua-portuguesa-que-falamos-e-culturalmente-negra\/","title":{"rendered":"&#8220;A l\u00edngua portuguesa que falamos \u00e9 culturalmente negra&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><strong>Marcello Scarrone<\/strong> &#8211; \u201cA proximidade entre o portugu\u00eas arcaico e as l\u00ednguas do grupo banto resultou no portugu\u00eas que falamos hoje\u201d<\/p>\n<p>Em Angola, ela \u00e9 Yeda \u201cMun-tu\u201d Castro. Na Nig\u00e9ria, \u00e9 Yeda Pessoa \u201cOlobumim\u201d Castro. Vem de longe a rela\u00e7\u00e3o da etnolinguista e professora da Universidade do Estado da Bahia com a cultura africana. Ainda crian\u00e7a, em Feira de Santana, Yeda viu-se com o desejo de decifrar a incompreens\u00edvel l\u00edngua falada pelos negros. Desejo que a levou a desbravar um caminho em tudo pioneiro: mestrado na Nig\u00e9ria, doutorado no Zaire e a descoberta de uma heran\u00e7a lingu\u00edstica fundamental para o portugu\u00eas falado no Brasil.<\/p>\n<p>Se nos orgulhamos de falar \u201ccantano\u201d, devemos agradecer ao gosto das l\u00ednguas banto pelas vogais. Vem da mesma fonte africana o costume de abolir os plurais, como em \u201cas crian\u00e7a\u201d e \u201cos menino\u201d. A conversa de Yeda Pessoa de Castro com a RHBN foi cheia de exemplos saborosos assim. Al\u00e9m de suas muitas descobertas acad\u00eamicas a respeito da participa\u00e7\u00e3o da cultura africana na constitui\u00e7\u00e3o da nossa l\u00edngua, ela fala de preconceito e intoler\u00e2ncia religiosa, defende criticamente as cotas raciais e relembra mais de meio s\u00e9culo de intensa atua\u00e7\u00e3o na \u00e1rea \u2013 que a levaram a saias justas como a de ser acusada pelo movimento negro de ser uma \u201cbranca ocupando lugar de negro\u201d, mesmo quando defendia precocemente a ado\u00e7\u00e3o de disciplina obrigat\u00f3ria sobre a cultura afro-brasileira nas escolas.<\/p>\n<p>Omitida durante muito tempo na hist\u00f3ria oficial brasileira, a afrodescend\u00eancia venceu a batalha da l\u00edngua.<\/p>\n<p>Revista de Hist\u00f3ria \u2013 Todo brasileiro \u00e9 culturalmente negro, como disse Gilberto Freyre?<br \/>\nYeda Pessoa de Castro \u2013 N\u00e3o podemos generalizar. A cultura brasileira \u00e9 em parte negra, mas depende do grau de presen\u00e7a africana pelas v\u00e1rias regi\u00f5es. Mas a l\u00edngua portuguesa que falamos, sim: esta \u00e9 culturalmente negra. Ela \u00e9 resultado de tr\u00eas grandes fam\u00edlias lingu\u00edsticas: a fam\u00edlia indo-europeia, com a participa\u00e7\u00e3o dos falantes portugueses, a fam\u00edlia tupi, com a participa\u00e7\u00e3o dos falantes ind\u00edgenas, e a fam\u00edlia n\u00edger-congo, com a participa\u00e7\u00e3o dos falantes da regi\u00e3o subsaariana da \u00c1frica.<\/p>\n<p>RH \u2013 Por que a participa\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia africana \u00e9 t\u00e3o importante?<br \/>\nYPC \u2013 Durante tr\u00eas s\u00e9culos, a maior parte dos habitantes do Brasil falava l\u00ednguas africanas, sobretudo l\u00ednguas angolanas, e as falas dessas regi\u00f5es prevaleceram sobre o portugu\u00eas. Antes se ignorava essa participa\u00e7\u00e3o, se dizia que o portugu\u00eas do Brasil ficou assim falado devido ao isolamento, \u00e0 predomin\u00e2ncia cultural e liter\u00e1ria do portugu\u00eas de Portugal sobre os falantes negros africanos analfabetos. Eles realmente n\u00e3o sabiam ler ou escrever portugu\u00eas, mas essas teorias eram baseadas em fatores extralingu\u00edsticos. Eu introduzi nessa discuss\u00e3o a preval\u00eancia e a participa\u00e7\u00e3o dos falantes africanos, sobretudo das l\u00ednguas n\u00edger-congo, que s\u00e3o cerca de 1.530 l\u00ednguas. As mais faladas no Brasil foram as do Golfo do Benim e da regi\u00e3o bantu, sobretudo do Congo e de Angola.<\/p>\n<p>RH \u2013 S\u00e3o as chamadas de ioruba?<br \/>\nYPC \u2013 Ioruba s\u00e3o as l\u00ednguas antes chamadas de sudanesas. Hoje as chamamos de l\u00ednguas da \u00c1frica ocidental, ou l\u00ednguas oeste-africanas. Destas, as mais faladas no Brasil foram o ioruba, que geralmente chamamos de nag\u00f4, e a l\u00edngua fon, do grupo ewe-fon, que n\u00f3s chamamos de jeje.<\/p>\n<p>RH \u2013 Como se interessou pelas l\u00ednguas africanas?<br \/>\nYPC \u2013 Desde pequena, na fazenda dos meus tios, em Feira de Santana, eu via aquelas rezas, havia muitos negros na regi\u00e3o, via aqueles cantos, benzeduras, quando ficava doente tomava daquelas mezinhas que eles faziam com ervas. Em Salvador eu cresci num bairro popular, de fam\u00edlias pobres como era a minha. A escola onde estudei, Nossa Senhora de F\u00e1tima, tinha uma diretora, professora Minervina, uma mulher negra, grande, que me impressionava, e no trajeto de minha casa para a escola havia muitos, muitos negros. Eu n\u00e3o conseguia entender o que eles diziam, aquelas palavras misteriosas. E prometi para mim mesma: \u201cum dia vou saber o que eles est\u00e3o dizendo\u201d. Ent\u00e3o fui fazer Letras, para ter a possibilidade de matar essa curiosidade. No curso tinha um professor, Nelson Rossi, que influenciou muito as pesquisas sobre dialetologia, e me interessei em estudar a participa\u00e7\u00e3o dos falantes africanos na forma\u00e7\u00e3o do portugu\u00eas do Brasil. O professor Rossi disse: \u201cAh, n\u00e3o se preocupe que isso tudo j\u00e1 foi estudado por Jacques Raimundo [autor de O elemento afro-negro na l\u00edngua portuguesa (1933)], Renato Mendon\u00e7a [autor de A influ\u00eancia africana no portugu\u00eas do Brasil (1935)], nos anos 30\u201d.<\/p>\n<p>RH \u2013 Come\u00e7ou sua pesquisa por onde?<br \/>\nYPC \u2013 Comecei em Salvador, levantando esse vocabul\u00e1rio, essa fala, mas tive a felicidade de poder sair do Brasil. Valia a pena sair do Brasil naquele momento, anos 60, muito conturbados, n\u00e3o \u00e9? Fui para a Nig\u00e9ria, para a cidade de Ibadan, era uma zona de l\u00edngua ioruba e na vizinhan\u00e7a se falava fon, jeje. Ent\u00e3o fiz um trabalho sobre ioruba e fon. At\u00e9 aquele momento era concep\u00e7\u00e3o vigente que a maior influ\u00eancia que havia no Brasil era a da presen\u00e7a ioruba\/nag\u00f4.<\/p>\n<p>RH \u2013 N\u00e3o se conhecia a influ\u00eancia bantu?<br \/>\nYPC \u2013 Nina Rodrigues, quando estudou a influ\u00eancia africana no Brasil, fez um trabalho primoroso com os dados etnogr\u00e1ficos que existiam. As pessoas o acusam de racista, mas eram as teorias vigentes na \u00e9poca. Quem garante que amanh\u00e3 ou depois algu\u00e9m n\u00e3o ir\u00e1 dizer que n\u00f3s tamb\u00e9m somos racistas, e que essa teoria n\u00e3o vale nada? Nina come\u00e7ou a estudar a popula\u00e7\u00e3o negra africana em Salvador no momento em que havia uma grande concentra\u00e7\u00e3o de falantes ioruba, ficou impressionado e afirmou que a mais importante influ\u00eancia africana no Brasil era ioruba. E ficou impressionado com outra coisa: naquela \u00e9poca ioruba era uma l\u00edngua escrita, e o prest\u00edgio da escrita em compara\u00e7\u00e3o com as l\u00ednguas europeias a fez prevalecer sobre outras l\u00ednguas que n\u00e3o tinham escrita at\u00e9 aquele momento. Ele a achou uma l\u00edngua liter\u00e1ria, de uma cultura superior, fez tantos elogios \u00e0 l\u00edngua ioruba e aos falantes ioruba que o Brasil terminou dividido em duas grandes influ\u00eancias: ioruba na Bahia e o resto. Para Nina, o resto \u00e9 o resto, n\u00e3o tem legitimidade, para Pierre Verger tamb\u00e9m. Nesse meio-tempo a influ\u00eancia iwe-fon ficou esquecida. Meu estudo sobre ioruba e iwe-fon foi a primeira disserta\u00e7\u00e3o de mestrado de um brasileiro numa universidade africana. S\u00f3 mais tarde, em 76, quando voltei a Salvador e fui ao Caribe tamb\u00e9m, comecei a perceber que havia muito mais coisas que n\u00e3o eram ioruba. Havia bantu. Esqueceram que a maioria, 75% dos cerca de 4 milh\u00f5es de negros escravizados no Brasil, era de proced\u00eancia bantu. Por que essa popula\u00e7\u00e3o foi silenciada? Ent\u00e3o apareceu a oportunidade de ir para o Zaire, o antigo Congo belga, numa universidade maravilhosa. Mobutu, que era o ditador do pa\u00eds, ele pr\u00f3prio um ignorante, fazia quest\u00e3o de mostrar que havia cultura, que havia uma grande universidade, a Universidade Nacional do Zaire, Unaza. E l\u00e1 escrevi meu doutoramento.<\/p>\n<p>RH \u2013 O que descobriu?<br \/>\nYPC \u2013 N\u00f3s n\u00e3o temos um falar crioulo do portugu\u00eas, como no Caribe, na Guiana ou em outras regi\u00f5es onde os portugueses foram os colonizadores. Mas percebi uma coisa: Angola e Mo\u00e7ambique tamb\u00e9m n\u00e3o t\u00eam falar crioulo. Por qu\u00ea? Devia haver um link, n\u00e3o s\u00f3 uma coisa extralingu\u00edstica, mas algo de tipo intr\u00ednseco, que impediu que emergisse um falar crioulo em Angola, em Mo\u00e7ambique e no Brasil. E eu vi que foram as mesmas l\u00ednguas que entraram em contato: o portugu\u00eas arcaico e as l\u00ednguas do grupo bantu, especialmente as do Congo e de Angola, pois o tr\u00e1fico com Mo\u00e7ambique foi muito menor e posterior. No Congo descobri o que aconteceu no Brasil: a proximidade que houve por acaso entre o portugu\u00eas arcaico e as l\u00ednguas do grupo bantu, que resultou no portugu\u00eas que falamos hoje.<\/p>\n<p>RH \u2013 No que resultou a combina\u00e7\u00e3o dessas l\u00ednguas?<br \/>\nYPC \u2013 As l\u00ednguas do grupo bantu n\u00e3o t\u00eam grupos consonantais, n\u00e3o t\u00eam uma s\u00edlaba fechada por consoante. O resultado \u00e9 que nosso portugu\u00eas \u00e9 riqu\u00edssimo em vogais, afastado do portugu\u00eas lusitano, muito baseado nas consoantes. O baiano fala cantando? Todo brasileiro fala cantando \u2013 ali\u00e1s \u201ccantano\u201d, porque a gente sempre evita consoantes. A parte sonora da palavra \u00e9 a vogal, e n\u00f3s fazemos quest\u00e3o de cantar. No futebol n\u00f3s dizemos \u201cgou\u201d, em Portugal dizem golo, para acentuar a consoante. Nossa l\u00edngua \u00e9 vocalizada, n\u00f3s colocamos vogais at\u00e9 mesmo onde elas n\u00e3o existem. Pneu: n\u00f3s usamos duas s\u00edlabas. Ritmo: n\u00f3s dizemos tr\u00eas s\u00edlabas. N\u00e3o sei por que as gram\u00e1ticas insistem em dizer que \u201critmo\u201d tem duas s\u00edlabas, quando tem tr\u00eas. Fui ver a estrutura sil\u00e1bica do portugu\u00eas arcaico e a forma\u00e7\u00e3o sil\u00e1bica e o processo fonol\u00f3gico das l\u00ednguas faladas em Angola e no Congo, e reparei numa extrema coincid\u00eancia: \u00e9 o mesmo tipo de estrutura sil\u00e1bica: consoante-vogal-consoante-vogal o tempo inteiro. Houve o mesmo tipo de encontro do portugu\u00eas arcaico com essas l\u00ednguas, que eram faladas majoritariamente no Brasil. Em vez de haver um choque, em vez da necessidade de emergir outro falar, um falar crioulo, n\u00e3o: houve simplesmente uma acomoda\u00e7\u00e3o, devido \u00e0s coincid\u00eancias dessas estruturas lingu\u00edsticas.<\/p>\n<p>RH \u2013 Que outras caracter\u00edsticas nosso portugu\u00eas herdou?<br \/>\nYPC \u2013 A elimina\u00e7\u00e3o dos plurais, por exemplo. Marcamos o plural pelo artigo que antecede o substantivo, mas o substantivo fica no singular: \u201cos menino\u201d, \u201cas crian\u00e7a\u201d, isso \u00e9 normal no Brasil. Por qu\u00ea? Porque nas l\u00ednguas do grupo bantu o plural das palavras se faz por prefixo. A linguagem popular do Brasil, em qualquer regi\u00e3o, tem as mesmas caracter\u00edsticas: evitar grupos consonantais, substantivo sempre no singular, al\u00e9m da dupla nega\u00e7\u00e3o, \u201ceu n\u00e3o sei n\u00e3o\u201d: isso \u00e9 africano, o portugu\u00eas de Portugal jamais diz isso. Tamb\u00e9m come\u00e7ar a frase com pronomes \u00e1tonos: me diga, me fala, a gente come\u00e7a a frase usando pr\u00f3clise. A mes\u00f3clise do portugu\u00eas desapareceu na linguagem do Brasil: \u201cdir-te-ei\u201d, ningu\u00e9m diz isso.<\/p>\n<p>RH \u2013 Em que situa\u00e7\u00f5es o portugu\u00eas do Brasil \u00e9 mais africano?<br \/>\nYPC \u2013 O n\u00edvel mais pr\u00f3ximo que t\u00ednhamos de vest\u00edgios de l\u00ednguas africanas \u00e9 o das linguagens religiosas: a dos vissungos em Minas Gerais, a do candombl\u00e9 da Bahia, a da umbanda. A linguagem estava l\u00e1, n\u00e3o mais como compet\u00eancia lingu\u00edstica, mas como compet\u00eancia simb\u00f3lica. Esta foi outra descoberta do meu trabalho: a compet\u00eancia simb\u00f3lica. Quando as pessoas recebem uma entidade, vamos dizer, Oxum, rainha das \u00e1guas (eu tamb\u00e9m sou filha de Oxum), h\u00e1 a sauda\u00e7\u00e3o \u201cOlele \u00f4\u201d. O que \u00e9 \u201cOlele \u00f4\u201d? N\u00e3o interessa, a sauda\u00e7\u00e3o \u00e9 aquela. Isso \u00e9 compet\u00eancia simb\u00f3lica. No m\u00eas de Maria [maio] se reza a ladainha num suposto latim, que n\u00e3o \u00e9 mais latim: \u201cRegina Coeli, Aleluia, Regina bofetarum\u201d, em vez de profetarum. As pessoas est\u00e3o cantando para a rainha, ent\u00e3o n\u00e3o tem import\u00e2ncia: \u00e9 a compet\u00eancia simb\u00f3lica. Assisti a um caso muito curioso numa cerim\u00f4nia no Pelourinho. Era uma trezena \u2013 porque na Bahia trezena s\u00e3o tr\u00eas dias, n\u00e3o treze, \u00e9 um tr\u00edduo \u2013 uma trezena de Santo Ant\u00f4nio, e teve uma cena inteiramente amadiana [de Jorge Amado]. L\u00e1 tinha traficantes, prostitutas, tinha tudo. Primeiro, eles fizeram uma roda de santo para fazer uma feijoada de Ogum, e cantaram com sistema lexical africano. Quando terminou, fomos cantar para santo Ant\u00f4nio: ele estava num cantinho do altar, com aquelas flores azuis e brancas de papel crepom, e eles come\u00e7aram a cantar a ladainha em latim acompanhada de tambor. O trecho \u201cAgnus Dei qui tollis peccata mundi\u201d foi cantado \u201cAgnus d\u00ea clit\u00f3ris peccata mundi\u201d. Agnus passou a ser uma entidade que nos deu clit\u00f3ris. Dizem que quem n\u00e3o sabe rezar xinga Deus, eu n\u00e3o concordo. Quem n\u00e3o sabe rezar que continue rezando dentro de sua compet\u00eancia simb\u00f3lica, a compet\u00eancia lingu\u00edstica n\u00e3o tem nenhuma import\u00e2ncia.<\/p>\n<p>RH \u2013 A l\u00edngua se transforma segundo o estrato social?<br \/>\nYPC \u2013 O n\u00edvel que vem depois da linguagem popular \u00e9 o do falar mais cuidado, este que n\u00f3s estamos usando aqui, e com tom regional. E enfim o portugu\u00eas liter\u00e1rio do Brasil, o portugu\u00eas escrito, que obedece aos padr\u00f5es da norma da l\u00edngua portuguesa como um todo. \u00c0 medida que voc\u00ea se aproxima desse n\u00edvel, a influ\u00eancia africana diminui, devido \u00e0 escolaridade. Quando somos menos alfabetizados, falamos mais africanizado. Quando somos mais alfabetizados, falamos mais aportuguesado. Mesmo assim n\u00e3o se consegue inibir esses tra\u00e7os, que est\u00e3o na constitui\u00e7\u00e3o do portugu\u00eas do Brasil.<\/p>\n<p>RH \u2013 \u00c9 positiva a mobiliza\u00e7\u00e3o da sociedade e do Estado brasileiros por maior reconhecimento das nossas heran\u00e7as africanas?<br \/>\nYPC \u2013 Sim, inteiramente. Quando era diretora do Centro de Estudos Afro-Orientais da Bahia, em 82 ou 83, propus \u00e0 Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o do Estado \u2013 e os movimentos negros me apoiaram nisso \u2013 a introdu\u00e7\u00e3o de uma disciplina obrigat\u00f3ria nos curr\u00edculos do Ensino M\u00e9dio: Estudos Africanos (geografia, l\u00edngua, literatura, hist\u00f3ria, antropologia, sociologia). A proposta foi aceita: em 84, 85, j\u00e1 tinha uma norma do ent\u00e3o secret\u00e1rio de Educa\u00e7\u00e3o da Bahia, professor Valdo Boaventura, determinando a introdu\u00e7\u00e3o dessa disciplina nos curr\u00edculos. Eu fui a predecessora da lei que seria aprovada bem mais tarde, em 2002, de Lula. E acho as cotas muito positivas, mas n\u00e3o se pode aprovar uma pessoa que se diz afrodescendente se for ignorante naquilo que pretende fazer. \u00c9 muito importante que a popula\u00e7\u00e3o negra entre na universidade para abalar a estrutura, trazendo um novo discurso, uma nova vis\u00e3o, um novo colorido, que entre para abalar a concep\u00e7\u00e3o de que a universidade \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o branca. Mas n\u00e3o se pode fazer isso indiscriminadamente. H\u00e1 um tempo, fiz parte de uma banca examinadora que tinha duas candidatas, uma que n\u00e3o era negra e uma negra, e a segunda fez a op\u00e7\u00e3o de entrar pelas cotas. S\u00f3 que o discurso dessa candidata foi p\u00edfio e o trabalho que ela escreveu era de uma pessoa quase analfabeta. Quem passou? Ela. Para que haja cotas \u00e9 preciso que tamb\u00e9m haja o m\u00e9rito.<\/p>\n<p>RH \u2013 As universidades brasileiras ainda s\u00e3o muito elitistas?<br \/>\nYPC \u2013 Extremamente elitistas. Veja a Universidade Federal da Bahia, por exemplo. At\u00e9 hoje n\u00e3o existe um curso de l\u00ednguas africanas. At\u00e9 hoje n\u00e3o se estuda a quest\u00e3o das l\u00ednguas africanas no Brasil numa cidade como Salvador, onde 85% da popula\u00e7\u00e3o s\u00e3o afrodescendentes. Quando assumi a dire\u00e7\u00e3o do Centro de Estudos Afro-Orientais, abri a biblioteca para o p\u00fablico em geral e foi um esc\u00e2ndalo: a biblioteca da universidade \u00e9 para servir \u00e0 universidade, diziam. N\u00e3o, eu disse, aqui \u00e9 um centro de estudo de extens\u00e3o da universidade, ent\u00e3o vou trabalhar com a comunidade. Fui acusada de estar vulgarizando a universidade. Por outro lado, como eram os anos 80, quando o movimento negro foi instalado na Bahia, falaram que eu era uma branca ocupando lugar de negro. Ent\u00e3o fiquei entre a cruz e espada. Mas como sou baiana, e todo baiano gosta de capoeirar, fui capoeirando at\u00e9 o fim, sem nenhum conflito.<\/p>\n<p>RH \u2013 O que explica a persist\u00eancia de intoler\u00e2ncia contra religi\u00f5es afro-brasileiras?<br \/>\nYPC \u2013 Primeiro: s\u00e3o religi\u00f5es que n\u00e3o t\u00eam uma b\u00edblia, s\u00e3o baseadas na oralidade. A pedagogia do mundo ocidental \u00e9 toda baseada na escrita, s\u00f3 \u00e9 leg\u00edtimo o que \u00e9 escrito. Como essas religi\u00f5es n\u00e3o t\u00eam um livro sagrado, s\u00e3o folclore. E, como disse Edison Carneiro, cada candombl\u00e9, cada grupo desses, \u00e9 uma igreja independente em si mesma. N\u00e3o tem um papa que diga que tem que fazer isso ou aquilo. O segundo preconceito: eram religi\u00f5es predominantemente praticadas por negros. E a comunidade negra \u00e9 ligada \u00e0 escravid\u00e3o, ao analfabetismo, \u00e0 falta de cultura, a uma s\u00e9rie de preconceitos que n\u00f3s sabemos que existem no Brasil. \u00c9 uma religi\u00e3o sem proselitismo, ningu\u00e9m faz sua cabe\u00e7a para entrar no candombl\u00e9, voc\u00ea vai se quiser, e na hora que quiser sair, voc\u00ea sai. N\u00e3o oferecem c\u00e9u, inferno e purgat\u00f3rio, isso n\u00e3o existe para elas. S\u00e3o religi\u00f5es livres, que aceitam os indiv\u00edduos como eles s\u00e3o, homossexuais ou n\u00e3o, traficantes ou n\u00e3o, n\u00e3o interessa: n\u00e3o h\u00e1 nenhuma norma para voc\u00ea participar de um candombl\u00e9, da umbanda. Isto faz frente \u00e0 Igreja Cat\u00f3lica, que est\u00e1 perdendo fi\u00e9is. A Igreja Universal do Reino de Deus, com a for\u00e7a de seu muito dinheiro, quer reconquistar exatamente esse espa\u00e7o, que o \u201cpovo de santo\u201d conquistou e ocupa na sociedade brasileira.<\/p>\n<p>RH \u2013 Como v\u00ea a apropria\u00e7\u00e3o de manifesta\u00e7\u00f5es afro-brasileiras pela ind\u00fastria cultural?<br \/>\nYPC \u2013 De certa maneira, essa ind\u00fastria cultural divulga tra\u00e7os da presen\u00e7a negra africana no Brasil. A quest\u00e3o \u00e9 a maneira como divulga isso. Por exemplo, escola de samba: houve essa quest\u00e3o da Beija-Flor [patrocinada em 2015 pela ditadura da Guin\u00e9 Equatorial] e eu fiquei estarrecida com a entrevista de um dos membros da escola, dizendo \u201cN\u00f3s n\u00e3o fazemos pol\u00edtica, de onde veio o dinheiro n\u00e3o interessa\u201d. Eu me pergunto por que as entidades que geralmente se preocupam com isso n\u00e3o dizem nada. Os carnavais do Rio s\u00e3o a exibi\u00e7\u00e3o fant\u00e1stica de comunidades com pessoas pobres que compram suas fantasias para dar dinheiro aos grandes cartolas das escolas de samba. Na Bahia a coisa \u00e9 mais limitada: os blocos afro e afox\u00e9, coitados, lutam para sair no carnaval, t\u00eam que competir com Ivete Sangalo, Margareth Menezes, Carlinhos Brown. S\u00e3o blocos que querem apresentar o carnaval com os tra\u00e7os da cultura que eles preservam. O bloco Olodum recebe muito dinheiro, mas eles trabalham para isso, n\u00e3o recebem de nenhum ditador africano.<\/p>\n<p>RH \u2013 Os pa\u00edses africanos e caribenhos se interessam pela cultura brasileira?<br \/>\nYPC \u2013 No Caribe, h\u00e1 um interesse muito grande pelos tra\u00e7os de origem africana na forma\u00e7\u00e3o das religi\u00f5es. Na Nig\u00e9ria e no Benim, h\u00e1 muita gente da universidade interessada na troca de estudantes e de professores. Em Angola, claro: Bahia \u00e9 Angola, Angola \u00e9 Bahia, o interesse \u00e9 enorme para estudar o que chamamos de africanias, todo o legado de matriz cultural africana nas Am\u00e9ricas. H\u00e1 dois anos a Universidade Estadual da Bahia assinou um acordo com a Universidade Agostinho Neto, a mais importante, a mais antiga de Angola, para ensinar duas l\u00ednguas africanas no curr\u00edculo, quicongo e quimbundu, como l\u00ednguas estrangeiras. S\u00e3o as mais faladas, e muito pr\u00f3ximas, como se fossem portugu\u00eas e espanhol, antes eram uma s\u00f3. Mas at\u00e9 hoje a UNEB n\u00e3o tomou nenhuma provid\u00eancia para introduzir esse curso, o que \u00e9 uma pena. Seria a primeira universidade brasileira a oferecer um curso de l\u00ednguas africanas como l\u00ednguas, e n\u00e3o como dialetos.<\/p>\n<p>http:\/\/rhbn.com.br\/secao\/entrevista\/yeda-pessoa-de-castro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marcello Scarrone &#8211; \u201cA proximidade entre o portugu\u00eas arcaico e as l\u00ednguas do grupo banto resultou no portugu\u00eas que falamos hoje\u201d Em Angola, ela \u00e9 Yeda \u201cMun-tu\u201d Castro. Na Nig\u00e9ria, \u00e9 Yeda Pessoa \u201cOlobumim\u201d Castro. Vem de longe a rela\u00e7\u00e3o da etnolinguista e professora da Universidade do Estado da Bahia com a cultura africana. 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