{"id":9046,"date":"2018-09-01T12:46:25","date_gmt":"2018-09-01T15:46:25","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=9046"},"modified":"2018-08-31T21:04:40","modified_gmt":"2018-09-01T00:04:40","slug":"%ef%bb%bfnovos-arranjos-nos-lares-brasileiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2018\/09\/01\/%ef%bb%bfnovos-arranjos-nos-lares-brasileiros\/","title":{"rendered":"\ufeffNovos arranjos nos lares brasileiros"},"content":{"rendered":"<p><strong>Rodrigo de Oliveira Andrade<\/strong> &#8211; Pesquisa identifica processo de emancipa\u00e7\u00e3o das mulheres no n\u00facleo familiar a partir da d\u00e9cada de 1970 no Brasil.<\/p>\n<p>As transforma\u00e7\u00f5es do papel da mulher na sociedade brasileira durante o s\u00e9culo XX, com conquistas importantes envolvendo o direito ao voto, div\u00f3rcio, trabalho e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, s\u00e3o bastante conhecidas. O que agora come\u00e7a a ficar evidente \u00e9 que essas mudan\u00e7as teriam estimulado um processo de emancipa\u00e7\u00e3o feminina tamb\u00e9m na esfera familiar, com destaque para a conquista de autonomia financeira e a redu\u00e7\u00e3o das taxas de fecundidade, que v\u00eam caindo progressivamente desde os anos 1960. Nos \u00faltimos anos, v\u00e1rios pesquisadores se propuseram a analisar esse fen\u00f4meno. Um dos trabalhos mais recentes \u00e9 o da soci\u00f3loga Nathalie Reis Itabora\u00ed, pesquisadora em est\u00e1gio de p\u00f3s-doutorado no Instituto de Estudos Sociais e Pol\u00edticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Iesp-Uerj).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/2018.08.31-20-48-11.png\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-9047\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/2018.08.31-20-48-11.png?resize=640%2C362\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"362\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/2018.08.31-20-48-11.png?w=769&amp;ssl=1 769w, https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/2018.08.31-20-48-11.png?resize=300%2C170&amp;ssl=1 300w, https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/2018.08.31-20-48-11.png?resize=768%2C434&amp;ssl=1 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (Pnad-IBGE), ela analisou o processo de emancipa\u00e7\u00e3o das mulheres nas fam\u00edlias brasileiras entre 1976 e 2012 \u00e0 luz de uma perspectiva de classe e g\u00eanero. O per\u00edodo \u00e9 marcado por transforma\u00e7\u00f5es na condi\u00e7\u00e3o feminina, favorecidas por mudan\u00e7as na estrutura produtiva, mais oportunidades de educa\u00e7\u00e3o e trabalho e difus\u00e3o de novos valores pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o e pela segunda onda do feminismo, iniciada nos anos 1960 \u2013 a primeira se deu na segunda metade do s\u00e9culo XIX. \u201cFoi tamb\u00e9m nessa \u00e9poca que a desigualdade de g\u00eanero come\u00e7ou a ser mais debatida no Brasil, sobretudo ap\u00f3s a declara\u00e7\u00e3o, pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas, de 1975 como o Ano Internacional das Mulheres e o per\u00edodo de 1976-1985 como a D\u00e9cada da Mulher\u201d, explica a pesquisadora.<\/p>\n<p>Nathalie \u00e9 autora do livro\u00a0<em>Mudan\u00e7as nas fam\u00edlias brasileiras (1976-2012): Uma perspectiva de classe e g\u00eanero<\/em>\u00a0(Garamond), publicado a partir de sua tese de doutorado, vencedora do pr\u00eamio de melhor tese de 2016 no concurso da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e Pesquisa em Ci\u00eancias Sociais (Anpocs) de obras cient\u00edficas e teses universit\u00e1rias em ci\u00eancias sociais. No estudo, ela procura ir al\u00e9m dos indicadores de g\u00eanero que medem as mudan\u00e7as na condi\u00e7\u00e3o feminina na esfera p\u00fablica (participa\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho, representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica etc.), frequentemente usados para comparar os avan\u00e7os no Brasil com outros pa\u00edses. Esses indicadores, segundo ela, n\u00e3o contemplam as diferen\u00e7as entre grupos sociais na sociedade brasileira e o impacto da desigualdade de g\u00eanero na fam\u00edlia e no trabalho dom\u00e9stico (o cuidado da casa, dos filhos ou de familiares idosos, por exemplo).<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/086-089_familias_263-2.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-1\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-251747 vertical\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/086-089_familias_263-2-182x300.jpg?resize=182%2C300\" alt=\"\" width=\"182\" height=\"300\" \/><\/a>Para analisar como se deram as transforma\u00e7\u00f5es na experi\u00eancia familiar das mulheres em diferentes classes sociais, Nathalie adotou oito tipos de estratos ocupacionais. Eles abarcaram desde trabalhadores rurais (classe 1), mais pobres, a profissionais com n\u00edvel superior (classe 8), mais abastados. Ainda que as desigualdades entre mulheres de diferentes classes continuem grandes, as an\u00e1lises indicam que o comportamento familiar feminino, independentemente da classe social, mudou na mesma dire\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos 40 anos, com avan\u00e7os significativos quanto \u00e0 sua autonomia, o que envolve maior controle sobre o pr\u00f3prio corpo, capacidade de gerar renda pr\u00f3pria e de controlar esses recursos.<\/p>\n<p>At\u00e9 o final da d\u00e9cada de 1960, no Brasil, o modelo tradicional de fam\u00edlia era marcado por enormes assimetrias entre homens e mulheres. Nos casais, o homem, em geral, era mais velho, mais escolarizado e tinha mais renda. As mulheres trabalhavam apenas enquanto solteiras, abandonando suas atividades ap\u00f3s o casamento para se dedicar aos servi\u00e7os dom\u00e9sticos e cuidar dos filhos. Isso come\u00e7ou a mudar a partir dos anos 1970 (<a title=\"\" href=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/2017\/12\/28\/elza-berquo-marcas-do-pioneirismo-na-demografia\/?cat=entrevista\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><em>ver entrevista com a dem\u00f3grafa Elza Berqu\u00f3 na edi\u00e7\u00e3o 262<\/em><\/a>). Nathalie verificou que a condi\u00e7\u00e3o das mulheres melhorou em rela\u00e7\u00e3o a seus c\u00f4njuges nesse per\u00edodo. As diferen\u00e7as de renda diminu\u00edram nos casais, assim como as de idade e de escolaridade.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m o arranjo tradicional de fam\u00edlia, com o homem como \u00fanico provedor e a mulher como dona de casa, deixou de ser predominante. Em 1976, o percentual de mulheres casadas de 15 a 54 anos que trabalhavam era de 25,4% na classe dos trabalhadores rurais (classe 1) e de 34,5% entre os profissionais com n\u00edvel superior (classe 8). Em 2012, esse n\u00famero subiu para 46,4% e 75,5%, respectivamente. \u201cTer renda pr\u00f3pria ajudou a ampliar a autonomia econ\u00f4mica das mulheres, ainda que para as mais pobres isso signifique apenas reduzir certas priva\u00e7\u00f5es\u201d, explica a soci\u00f3loga. Em 1976, o homem era o \u00fanico provedor em 77% dos casais de trabalhadores rurais e em 63% dos casais de profissionais com n\u00edvel superior. Em 2012, esse percentual caiu para 50,5% na classe 1 e para 24,1% na classe 8. \u201cHomens e mulheres se tornaram mais parecidos quanto ao engajamento profissional, ainda que as mulheres enfrentem mais obst\u00e1culos no mercado de trabalho\u201d, ela destaca.<\/p>\n<p>Essas conclus\u00f5es refor\u00e7am um fen\u00f4meno que h\u00e1 algum tempo vem sendo observado no Brasil. A quantidade de lares chefiados por mulheres aumentou 67% entre 2004 e 2014 no pa\u00eds, segundo dados do IBGE. A concentra\u00e7\u00e3o de mulheres chefes de fam\u00edlia tende a ser mais acentuada nas camadas mais pobres, j\u00e1 que a pr\u00f3pria pobreza as conduz ao mercado de trabalho, verificou a soci\u00f3loga Mary Alves Mendes, do Departamento de Ci\u00eancias Sociais da Universidade Federal do Piau\u00ed (UFPI), em estudo apresentado em 2002 no XIII Encontro da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Estudos Populacionais, em Ouro Preto, Minas Gerais.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/086-089_familias_263-3.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-2\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-251748 vertical\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/086-089_familias_263-3-495x1024.jpg?resize=250%2C517\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"517\" \/><\/a>Tend\u00eancia semelhante foi identificada em 2006 pelo dem\u00f3grafo Mario Marcos Sampaio, do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ele \u00e9 um dos coordenadores de uma pesquisa publicada na revista\u00a0<em>Bahia An\u00e1lise &amp; Dados<\/em>\u00a0que analisou o processo de emancipa\u00e7\u00e3o feminina nas regi\u00f5es metropolitanas brasileiras entre 1990 e 2000. No estudo, eles verificaram que a participa\u00e7\u00e3o das mulheres na composi\u00e7\u00e3o da renda familiar brasileira \u00e9 crescente, no papel de c\u00f4njuge ou no de filha.<\/p>\n<p>Essas mudan\u00e7as est\u00e3o relacionadas a um processo lento, mas cont\u00ednuo, de amplia\u00e7\u00e3o das oportunidades de acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres, iniciada em 1879, com a promulga\u00e7\u00e3o da Reforma Le\u00f4ncio de Carvalho, que permitiu \u00e0s mulheres cursar o ensino superior. A partir dos anos 1970 essa amplia\u00e7\u00e3o passou a ser acompanhada de uma tend\u00eancia de melhor desempenho escolar das mulheres em rela\u00e7\u00e3o aos homens, sobretudo nas fam\u00edlias mais pobres. Hoje, segundo dados publicados em 2014 pelo IBGE, 12,5% das mulheres com 25 anos ou mais completaram o ensino superior em 2010. A participa\u00e7\u00e3o masculina no per\u00edodo foi de 9,9%. \u201cSe existe uma estrat\u00e9gia nas classes baixas de escolher um ou mais filhos para seguir estudando, \u00e9 prov\u00e1vel que sejam as meninas, por terem, em m\u00e9dia, um melhor desempenho escolar\u201d, afirma Nathalie.<\/p>\n<p>Os m\u00e9todos de contracep\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m tiveram um papel central no processo de emancipa\u00e7\u00e3o feminina, \u00e0 medida que as mudan\u00e7as desencadeadas pela libera\u00e7\u00e3o sexual e o surgimento da p\u00edlula anticoncepcional, nos anos 1960, deram mais seguran\u00e7a \u00e0s mulheres para que pudessem organizar a maternidade em fun\u00e7\u00e3o de suas ambi\u00e7\u00f5es profissionais e outras prioridades. Como resultado, ao longo dos anos houve uma diminui\u00e7\u00e3o das taxas de fecundidade (estimativa do n\u00famero m\u00e9dio de filhos que uma mulher teria at\u00e9 o fim de seu per\u00edodo reprodutivo) em mulheres de todas as classes sociais e de maneira ainda mais acentuada nas classes baixas. Em 1976, a taxa de fecundidade dos trabalhadores rurais (classe 1) era de 6,6 filhos por mulher. Em 2012, esse n\u00famero caiu para 2,8. No mesmo per\u00edodo, a taxa de fecundidade entre profissionais com n\u00edvel superior (classe 8) diminuiu de 2,5 para 1,2. Segundo dados do IBGE de 2015, a taxa de fecundidade no Brasil \u00e9 de 1,72, abaixo do n\u00edvel de reposi\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De acordo com a antrop\u00f3loga Andrea Moraes Alves, da Escola de Servi\u00e7o Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), essa tend\u00eancia se consolidou nos anos 1990. A vis\u00e3o da contracep\u00e7\u00e3o como um direito da mulher e como parte da aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sua sa\u00fade foi fortalecida durante a Confer\u00eancia Internacional de Popula\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento, promovida em 1994, no Cairo, Egito, e pela IV Confer\u00eancia Mundial sobre a Mulher, em Beijing, China, em 1995. \u201cOs movimentos feministas tiveram um papel central para o estabelecimento desse conceito\u201d, destaca a pesquisadora, que recentemente analisou a trajet\u00f3ria do Centro de Pesquisas e Aten\u00e7\u00e3o Integrada \u00e0 Mulher e \u00e0 Crian\u00e7a (CPAIMC), institui\u00e7\u00e3o privada que funcionou no Rio de Janeiro entre 1975 e 1992 oferecendo acesso \u00e0 contracep\u00e7\u00e3o e \u00e0 cirurgia de esteriliza\u00e7\u00e3o para mulheres.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/086-089_familias_263-4.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-3\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-251749 vertical\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/086-089_familias_263-4-445x1024.jpg?resize=250%2C576\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"576\" \/><\/a>As conclus\u00f5es de Nathalie e Andrea s\u00e3o condizentes com outros estudos, coordenados pelas dem\u00f3grafas Elza Berqu\u00f3 e Sandra Garcia, do Centro Brasileiro de An\u00e1lise e Planejamento (Cebrap). Elas s\u00e3o respons\u00e1veis pela pesquisa \u201cReprodu\u00e7\u00e3o ap\u00f3s os 30 anos no estado de S\u00e3o Paulo\u201d, publicada em 2014 na revista\u00a0<em>Novos Estudos<\/em>, do Cebrap. As pesquisadoras identificaram uma tend\u00eancia entre as mulheres de adiamento da maternidade para depois dos 30 anos. Em S\u00e3o Paulo, a taxa de fecundidade passou de 4,7 filhos por mulher, em 1960, para 1,7, em 2010, sugerindo a exist\u00eancia de uma tend\u00eancia de adiamento, tempor\u00e1rio ou at\u00e9 mesmo definitivo, da maternidade.<\/p>\n<p>J\u00e1 na pesquisa \u201cReprodu\u00e7\u00e3o assistida no Brasil: Aspectos sociodemogr\u00e1ficos e desafios para as pol\u00edticas p\u00fablicas\u201d, coordenada por Sandra Garcia, verificou-se um aumento do uso de tecnologias de reprodu\u00e7\u00e3o assistida no Brasil. \u201cO adiamento da maternidade se d\u00e1 de modo mais significativo entre mulheres de n\u00edvel socioecon\u00f4mico mais elevado, mas tamb\u00e9m \u00e9 observado entre mulheres de classes menos favorecidas\u201d, ela explica. Segundo Sandra, a procura por t\u00e9cnicas de reprodu\u00e7\u00e3o assistida aumentou em fun\u00e7\u00e3o do adiamento da reprodu\u00e7\u00e3o para ap\u00f3s os 30 anos e tamb\u00e9m por causa dos novos arranjos familiares.<\/p>\n<p>Apesar dos avan\u00e7os da condi\u00e7\u00e3o da mulher, muitos obst\u00e1culos ainda precisam ser superados. As que trabalham fora de casa ainda recebem 30% menos para ocupa\u00e7\u00f5es similares exercidas pelos homens, s\u00e3o minoria nos cargos de chefia e dire\u00e7\u00e3o e assumem as atividades do mercado de trabalho sem renunciar aos afazeres dom\u00e9sticos. Tamb\u00e9m as mulheres com filhos enfrentam dificuldades para voltar ao mercado de trabalho.<\/p>\n<p>Outro problema: o tempo gasto pelas mulheres com servi\u00e7os dom\u00e9sticos em todas as classes sociais tende a ser maior do que o gasto pelos homens. \u201cMeninas de 10 a 14 anos gastam mais tempo com servi\u00e7o dom\u00e9stico do que meninos da mesma idade\u201d, diz Nathalie. Esses dados est\u00e3o alinhados com os divulgados em 2016 no relat\u00f3rio<em>\u00a0\u201c<\/em>Harnessing the power of data for girls<em>\u201d<\/em>, do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef), que indica que garotas entre 5 e 14 anos despendem 40% mais tempo por dia em tarefas dom\u00e9sticas n\u00e3o-remuneradas que os garotos. Em geral, o trabalho das meninas \u00e9 menos vis\u00edvel e subvalorizado.<\/p>\n<p>http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/2018\/01\/16\/novos-arranjos-nos-lares-brasileiros\/?cat=humanidades<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rodrigo de Oliveira Andrade &#8211; Pesquisa identifica processo de emancipa\u00e7\u00e3o das mulheres no n\u00facleo familiar a partir da d\u00e9cada de 1970 no Brasil. 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