{"id":9008,"date":"2018-08-28T15:36:03","date_gmt":"2018-08-28T18:36:03","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=9008"},"modified":"2018-08-28T15:38:35","modified_gmt":"2018-08-28T18:38:35","slug":"o-proletario-digital-na-era-da-reestruturacao-permanente-do-capital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2018\/08\/28\/o-proletario-digital-na-era-da-reestruturacao-permanente-do-capital\/","title":{"rendered":"O prolet\u00e1rio digital na era da reestrutura\u00e7\u00e3o permanente do capital"},"content":{"rendered":"<p><strong>Patricia Fachin &#8211;\u00a0<\/strong>Entrevista especial com Ricardo Antunes.<\/p>\n<p>Entender quem \u00e9 o\u00a0prolet\u00e1rio\u00a0da\u00a0era digital\u00a0e sua inser\u00e7\u00e3o no\u00a0mundo do trabalho\u00a0\u00e9 o tema de investiga\u00e7\u00e3o do soci\u00f3logo\u00a0Ricardo Antunes\u00a0em seu novo livro, \u201cO Privil\u00e9gio da Servid\u00e3o. O Novo Proletariado de Servi\u00e7os na Era Digital\u201d (S\u00e3o Paulo: Boitempo Editorial, 2018). Esse novo oper\u00e1rio, explica, se insere num contexto de \u201creestrutura\u00e7\u00e3o permanente do capital\u201d, que vem ocorrendo desde os anos 1970, e \u201c\u00e9 impens\u00e1vel sem o mundo digital, \u00e9 impens\u00e1vel sem a era do mundo financeiro que \u2018revolucionou\u2019 o tempo e o espa\u00e7o\u201d em todas as atividades produtivas.<\/p>\n<p>Nessa reestrutura\u00e7\u00e3o, menciona, acentuam-se o\u00a0trabalho intermitente\u00a0e a\u00a0terceiriza\u00e7\u00e3o, fazendo com que os trabalhadores fiquem \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do\u00a0mercado de trabalho. \u201cO celular \u00e9 imprescind\u00edvel para esse tipo de atividade, porque o trabalhador \u00e9 chamado para um restaurante de\u00a0fast food, para um atendimento m\u00e9dico, para uma limpeza em uma casa, para um trabalho de jardinagem, para ser motorista ou o que quer que seja. O fato \u00e9 que ele recebe pelo tempo que trabalha\u201d, resume.<\/p>\n<p>Segundo\u00a0Antunes, na entrevista a seguir, concedida por\u00a0telefone \u00e0\u00a0IHU On-Line, embora alguns pesquisadores vejam essa\u00a0reconfigura\u00e7\u00e3o do trabalho\u00a0como positiva, ela n\u00e3o deu origem a um \u201cassalariamento de classe m\u00e9dia\u201d. Ao contr\u00e1rio, frisa, \u201co\u00a0trabalho intermitente\u00a0burla a legisla\u00e7\u00e3o protetora do trabalho\u201d. E adverte: \u201cMesmo quando se diz \u2014 no caso brasileiro \u2014 que ele contempla os direitos do trabalho, de fato \u00e9 um falseamento, porque \u00e9 poss\u00edvel rebaixar a hora de pagamento, embutir dentro dela 13\u00ba, f\u00e9rias e tudo o que puder ser embutido, mas no fundo est\u00e1 se pagando um sal\u00e1rio p\u00e9ssimo e o(a) trabalhador(a) fica \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Antunes\u00a0tamb\u00e9m reflete sobre as implica\u00e7\u00f5es da chamada\u00a0revolu\u00e7\u00e3o 4.0\u00a0no\u00a0mundo do trabalho\u00a0e relata sua recente experi\u00eancia com jovens europeus que, apesar da forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria, n\u00e3o t\u00eam expectativa de emprego. \u201cExiste na\u00a0Europa\u00a0uma juventude que fez gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, mas quando esses jovens conseguem emprego, \u00e9 para trabalhar em hot\u00e9is e restaurantes, ou seja, s\u00e3o trabalhos para os quais eles n\u00e3o precisariam ser engenheiros, economistas, administradores ou qualquer profiss\u00e3o desse tipo\u201d. E lamenta: \u201cA\u00a0ind\u00fastria &#8216;4.0&#8217;\u00a0aqui ter\u00e1 uma consequ\u00eancia ainda mais grave de\u00a0desemprego\u00a0para os assalariados, porque cada vez que se for digitalizar um processo ou criar um fluxo movido pela\u00a0l\u00f3gica digital, ser\u00e3o desempregados aqueles trabalhadores que faziam essa atividade\u201d. Se estrat\u00e9gias n\u00e3o forem adotadas para resolver as implica\u00e7\u00f5es negativas no mundo do trabalho, pontua, \u201cvamos aumentar os\u00a0<strong>bols\u00f5es de mis\u00e9ria<\/strong>. Teremos um mundo digitalizado na produ\u00e7\u00e3o lato sensu \u2014 ind\u00fastria, agricultura e servi\u00e7os \u2014 e bols\u00f5es de trabalhadores desempregados\u201d.<\/p>\n<div class=\"ihu-small-image-left\">\n<div class=\"news-image-credits\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2016\/ESCOLHER_A_FOTO.jpg?w=640\" alt=\"\" \/><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2018\/08\/21_08_ricardo_antunes_foto_correio_da_cidadania.jpg?w=640\" alt=\"\" \/><\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Confira a entrevista.<\/strong><\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2014 Que mudan\u00e7as s\u00e3o percept\u00edveis na classe trabalhadora no contexto da revolu\u00e7\u00e3o 4.0? A revolu\u00e7\u00e3o 4.0 melhorou ou piorou as condi\u00e7\u00f5es de trabalho?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ricardo Antunes \u2014<\/strong>\u00a0A primeira coisa a enfatizar \u00e9 que, antes da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/580901-seremos-lideres-ou-escravos-da-industria-4-0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ind\u00fastria 4.0<\/a>\u00a0ou da \u201c<strong>revolu\u00e7\u00e3o 4.0<\/strong>\u201d \u2014 entre aspas porque n\u00e3o se trata de uma revolu\u00e7\u00e3o \u2014, \u00e9 importante lembrar que estamos vivendo uma\u00a0<strong>reestrutura\u00e7\u00e3o permanente do capital<\/strong>\u00a0desde os anos 1970. Essa reestrutura\u00e7\u00e3o levou a um processo, em escala planet\u00e1ria, onde a l\u00f3gica do capital financeiro invadiu todos os espa\u00e7os da produ\u00e7\u00e3o lato sensu: ind\u00fastria, agricultura, agroind\u00fastria, servi\u00e7os, ind\u00fastria de servi\u00e7os e servi\u00e7os industriais. Ou seja, todos esses espa\u00e7os se tornaram permeados por uma l\u00f3gica do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/edicao\/468\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">capital financeiro<\/a>\u00a0que n\u00e3o pode prescindir do\u00a0<strong>trabalho<\/strong>: ele continua sendo vital, ainda que muito diferenciado, inclusive em termos da\u00a0<strong>divis\u00e3o internacional do trabalho<\/strong>, pois na\u00a0<strong>China<\/strong>, na\u00a0<strong>\u00cdndia<\/strong>, na\u00a0<strong>\u00c1frica<\/strong>\u00a0e na\u00a0<strong>Am\u00e9rica Latina<\/strong>, o trabalho tem um desenho; nos\u00a0<strong>pa\u00edses do Norte<\/strong>, nos escandinavos, outro; assim como nos pa\u00edses do\u00a0<strong>Sul da Europa<\/strong>, como\u00a0<strong>Espanha<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Portugal<\/strong>\u00a0e, de outro lado, na\u00a0<strong>Gr\u00e9cia<\/strong>\u00a0tamb\u00e9m tem outro desenho.<\/p>\n<div class=\"news-citacao-right\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">O capital financeiro\u00a0invadiu o mundo da produ\u00e7\u00e3o lato sensu com\u00a0flexibiliza\u00e7\u00e3o e desregulamenta\u00e7\u00e3o ilimitadas &#8211; Ricardo Antunes<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Fundamentalmente o\u00a0<strong>capital financeiro<\/strong>invadiu o mundo da produ\u00e7\u00e3o lato sensu com\u00a0<strong>flexibiliza\u00e7\u00e3o e desregulamenta\u00e7\u00e3o ilimitadas<\/strong>: elas s\u00e3o maiores ou menores em fun\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia que os movimentos sindicais e a classe trabalhadora oferecem. Por exemplo, na\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/571290-franca-prossegue-com-sua-reforma-trabalhista\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Fran\u00e7a<\/a>\u00a0estamos vendo lutas intensas, na\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/574849-argentina-ignora-clamor-popular-e-aprova-reforma-da-previdencia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Argentina<\/a>, recentemente, houve uma tentativa, que n\u00e3o foi vitoriosa, de impedir a\u00a0<strong>reforma trabalhista<\/strong>, assim como em v\u00e1rias outras partes do mundo.<\/p>\n<p><strong>O escravo digital<\/strong><\/p>\n<p>Essa\u00a0<strong>flexibiliza\u00e7\u00e3o e desregulamenta\u00e7\u00e3o do trabalho<\/strong>\u00a0levou a uma\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/186-noticias\/noticias-2017\/566379-terceirizacao-e-uma-verdadeira-tragedia-para-o-mundo-do-trabalho-no-brasil\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">terceiriza\u00e7\u00e3o<\/a>, que em muitos casos \u00e9 generalizada, como no nosso caso, onde a terceiriza\u00e7\u00e3o j\u00e1 acontece, desde o projeto aprovado pela\u00a0<strong>contrarrevolu\u00e7\u00e3o de Temer<\/strong>, nas atividades-meios e nas atividades-fim. Tamb\u00e9m se criou no\u00a0<strong>Brasil<\/strong>\u00a0uma praga que j\u00e1 se esparrama globalmente, que \u00e9 o\u00a0<strong>trabalho intermitente<\/strong>. O trabalho intermitente \u00e9 aquele em que os trabalhadores e as trabalhadoras s\u00e3o chamados ou podem ser chamados para realizar um trabalho. Se trabalham, recebem pela hora trabalhada, se n\u00e3o trabalham, n\u00e3o recebem, criando a figura do que chamo no meu livro \u201c<strong>O privil\u00e9gio da servid\u00e3o. Novo proletariado de servi\u00e7os na era digital<\/strong>\u201d de um\u00a0<strong>escravo digital<\/strong>. O celular \u00e9 imprescind\u00edvel para esse tipo de atividade, porque o trabalhador \u00e9 chamado para um restaurante de\u00a0<em>fast food<\/em>, para um atendimento m\u00e9dico, para uma limpeza em uma casa, para um trabalho de jardinagem, para ser motorista ou o que quer que seja. O fato \u00e9 que ele recebe pelo tempo que trabalha. Em geral, o\u00a0<strong>trabalho intermitente<\/strong>\u00a0burla a legisla\u00e7\u00e3o protetora do trabalho. Mesmo quando se diz \u2014 no caso brasileiro \u2014 que ele contempla os\u00a0<strong>direitos do trabalho<\/strong>, de fato \u00e9 um falseamento, porque \u00e9 poss\u00edvel rebaixar a hora de pagamento, embutir dentro dela 13\u00ba, f\u00e9rias e tudo o que puder ser embutido, mas no fundo est\u00e1 se pagando um sal\u00e1rio p\u00e9ssimo e o(a) trabalhador(a) fica \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Isso tende a mascarar os\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/581906\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">n\u00edveis de desemprego<\/a>, porque o\u00a0<strong>intermitente<\/strong>\u00a0\u00e9 considerado empregado, mas se est\u00e1 esperando ser chamado para trabalhar e n\u00e3o trabalha, ele \u00e9 um intermitente de fato desempregado. E nesse cen\u00e1rio mundial cuja l\u00f3gica \u00e9 a do\u00a0<strong>sistema financeiro<\/strong>, a precariza\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho se torna quase que um quadro constante, e alguns exemplos que exploro no livro mostram isso. H\u00e1 um bom tempo existe no\u00a0<strong>Reino Unido<\/strong>\u00a0o chamado\u00a0<strong>contrato de zero hora<\/strong>\u00a0(<em>zero-hour contract<\/em>). Os trabalhadores, especialmente de servi\u00e7os, nas mais distintas atividades, ficam esperando um chamamento. Por exemplo, um m\u00e9dico, um advogado, uma trabalhadora dom\u00e9stica, uma trabalhadora dos cuidados, um eletricista, um trabalhador de limpeza. E o contrato chama-se \u201czero hora\u201d porque o contratante, que \u00e9 um \u201caplicativo\u201d \u2014 evidente que \u00e9 uma empresa \u2014, n\u00e3o \u00e9 obrigado a chamar o(a) trabalhador(a) dispon\u00edvel, e o(a) trabalhador(a) do sistema de \u201czero hora\u201d n\u00e3o \u00e9 obrigado(a) a aceitar o trabalho.<\/p>\n<p>\u00c9 importante dizer que j\u00e1 houve na\u00a0<strong>Inglaterra<\/strong>\u00a0medidas judiciais que obrigaram as empresas a pagar<strong>\u00a0direito do trabalho<\/strong>, porque esse tipo de trabalho \u00e9 uma burla do\u00a0<strong>direito trabalhista ingl\u00eas<\/strong>. Esse modelo j\u00e1 se esparramou pelo mundo e h\u00e1 contrato de \u201czero hora\u201d no\u00a0<strong>Brasil<\/strong>\u00a0e em tantas outras partes, ou seja, tem uma massa de trabalhadores e trabalhadoras \u2014 \u00e9 muito importante enfatizar a\u00a0<strong>divis\u00e3o sociossexual do trabalho<\/strong>\u00a0\u2014 que est\u00e3o dispon\u00edveis para serem chamados. Isto \u00e9 sonho dourado do\u00a0<strong>capital<\/strong>, porque ele usa a<strong>\u00a0classe trabalhadora<\/strong>\u00a0quando precisa.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2014 Pode nos dar exemplos de como essa precariza\u00e7\u00e3o se manifesta e o que o senhor tem observado em termos de transforma\u00e7\u00f5es no mundo do trabalho a partir das suas pesquisas em v\u00e1rios locais do mundo, al\u00e9m desse exemplo ingl\u00eas? Flexibiliza\u00e7\u00e3o e precariza\u00e7\u00e3o s\u00e3o um fen\u00f4meno geral no mundo todo?<\/strong><\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">Teremos um mundo digitalizado na produ\u00e7\u00e3o lato sensu \u2014 ind\u00fastria, agricultura e servi\u00e7os \u2014 e bols\u00f5es de trabalhadores desempregados\u00a0&#8211; Ricardo Antunes<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Ricardo Antunes \u2014<\/strong>\u00a0Sim, \u00e9 uma tend\u00eancia global, ainda que n\u00e3o necessariamente igual ao\u00a0<strong>sistema de zero hora<\/strong>. Estudo e tamb\u00e9m mostro no livro que a\u00a0<strong>It\u00e1lia<\/strong>\u00a0implementou \u2014 e no ano passado isso foi obstado pela press\u00e3o sindical \u2014 uma forma perversa de \u201c<strong>trabalho pago por\u00a0<em>voucher<\/em><\/strong>\u201d. Isto \u00e9, os trabalhadores e trabalhadoras eram chamados, trabalhavam tantas horas por semana ou por m\u00eas, recebiam um voucher equivalente a isso e esse voucher era trocado pelo equivalente italiano da hora de trabalho. Por exemplo, o trabalhador trabalha ao longo de um per\u00edodo de 100 horas, recebe cem\u00a0<em>vouchers<\/em>, os quais ir\u00e1 trocar pelo equivalente ao sal\u00e1rio m\u00ednimo por hora na It\u00e1lia. Isso j\u00e1 \u00e9 uma forma de precariza\u00e7\u00e3o enorme; \u00e9 o que chamo no livro de uma variante de\u00a0<strong>precariado legal<\/strong>, porque a lei contempla isso. Mas o que acabou acontecendo \u2014 para demonstrar como o\u00a0<strong>capital<\/strong>\u00a0\u00e9 ilimitado na sua devasta\u00e7\u00e3o \u2014 foi que muitos empres\u00e1rios ampliavam a jornada de trabalho, mas diziam que n\u00e3o podiam pagar com um voucher. Eles diziam aos trabalhadores: o\u00a0<em>voucher<\/em>, que no ano passado, custava 8,50 euros na It\u00e1lia, mas agora podemos pagar cinco euros. Ou seja, o trabalho a\u00a0<em>voucher<\/em>\u00a0criou tamb\u00e9m uma variante do\u00a0<strong>precariado ilegal<\/strong>. Se o(a) trabalhador(a) n\u00e3o aceita esse trabalho, tem outro querendo, pois sabemos que h\u00e1 uma massa monumental de\u00a0<strong>trabalhadores e trabalhadoras que migram<\/strong>\u00a0pelo mundo e est\u00e3o desesperados em busca de qualquer trabalho. \u00c9 uma migra\u00e7\u00e3o motivada, no primeiro momento, pela busca de trabalho, que no seu pa\u00eds de origem n\u00e3o tem. Essa situa\u00e7\u00e3o se agravou com os\u00a0<strong>refugiados<\/strong>, com a fuga desesperada de pa\u00edses em guerra.<\/p>\n<p>Quando algu\u00e9m vai para a\u00a0<strong>Europa<\/strong>,\u00a0<strong>Estados Unidos<\/strong>\u00a0ou\u00a0<strong>Jap\u00e3o<\/strong>, vai em busca de qualquer trabalho; o\u00a0<strong>imigrante<\/strong>\u00a0nem sempre consegue dizer que quer um trabalho regulamentado, com direitos. Ele pega o primeiro trabalho que tem. Por isso que o\u00a0<strong>trabalho mais prec\u00e1rio<\/strong>\u00a0na\u00a0<strong>Europa<\/strong>, nos\u00a0<strong>Estados Unidos<\/strong>\u00a0e no\u00a0<strong>Jap\u00e3o<\/strong>\u00a0\u00e9 sempre contemplado por essa massa de trabalhadores que migram e perambulam pelo mundo.<\/p>\n<p>Em\u00a0<strong>Portugal<\/strong>\u00a0houve uma variante chamada de \u201c<strong>recibos verdes<\/strong>\u201d: a pessoa trabalhava, recebia o recibo e, com ele, o equivalente a esse trabalho. No\u00a0<strong>Brasil<\/strong>, hoje, quando algu\u00e9m liga para uma companhia de seguros, por exemplo, alegando que est\u00e1 com um problema de eletricidade e se desloca um eletricista para o atendimento, muito frequentemente \u2014 n\u00e3o \u00e9 uma regra absoluta \u2014 esse eletricista n\u00e3o \u00e9 empregado da companhia de seguros, mas um\u00a0<strong>trabalhador terceirizado<\/strong>\u00a0ou\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/186-noticias\/noticias-2017\/565264-uberizacao-do-trabalho-subsuncao-real-da-viracao\">aut\u00f4nomo terceirizado<\/a>ou vinculado a uma empresa que presta servi\u00e7os como terceirizada; ele \u00e9 contratado, faz o trabalho e recebe pelo estrito servi\u00e7o que fez na casa onde foi chamado. Isso vale para muitas outras modalidades. Se juntarmos essa modalidade de trabalho com o\u00a0<strong>trabalho intermitente<\/strong>, veremos que criamos uma mir\u00edade de\u00a0<strong>trabalhos precarizados<\/strong>.<\/p>\n<p>H\u00e1, ainda, um exemplo mundial muito importante que \u00e9 o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/568994-ubercapitalismo-e-uberiado\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Uber<\/a>, que n\u00e3o para de crescer no\u00a0<strong>Brasil<\/strong>: s\u00e3o centenas de milhares de trabalhadores trabalhando como\u00a0<strong>Uber<\/strong>. J\u00e1 n\u00e3o se pode mais calcular quantos s\u00e3o porque todo desempregado que tem um carro, seja ele m\u00e9dico, veterin\u00e1rio, engenheiro ou advogado, filia-se ao Uber para poder ganhar algo que lhe permita sobreviver. Como funciona o Uber? A empresa diz que ela faz a rela\u00e7\u00e3o entre o motorista e o consumidor e, portanto, n\u00e3o contrata o trabalhador, mas isso n\u00e3o \u00e9 verdade, porque a cada trabalho feito por um Uber, homem ou mulher motorista, de 20% a 25% da corrida (e hoje j\u00e1 \u00e9 mais que isso) j\u00e1 s\u00e3o imediatamente recolhidos pelo aplicativo. E esse(a) trabalhador(a) dono do carro tem que manter o carro, pagar seguro do carro, ou seja, todos os custos s\u00e3o desse(a) trabalhador(a).<\/p>\n<p>Poderia citar uma infinidade de exemplos que expressam essas formas de\u00a0<strong>trabalho intermitente<\/strong>, por tempo determinado, sem uma contrata\u00e7\u00e3o r\u00edgida, frequentemente \u00e0 margem da\u00a0<strong>legisla\u00e7\u00e3o social protetora do trabalho<\/strong>, e que se expandem em escala global. Na\u00a0<strong>China<\/strong>\u00a0eu pude ver isto: \u00e9 muito frequente um jovem chin\u00eas trabalhar, durante um per\u00edodo do dia, como professor em uma escola, no per\u00edodo da tarde trabalhar como guia tur\u00edstico e, habitualmente, ter um terceiro trabalho para poder sobreviver; esse \u00e9 o quadro. Essa situa\u00e7\u00e3o atinge tamb\u00e9m categorias mais qualificadas: j\u00e1 existem escrit\u00f3rios de advocacia que contratam advogados s\u00f3 quando eles s\u00e3o necess\u00e1rios. Com isso, cria-se uma condi\u00e7\u00e3o de trabalho global, frequentemente desregulamentada, e s\u00f3 quando h\u00e1 resist\u00eancia a esse processo as barreiras s\u00e3o criadas.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2014 Mas, de outro lado, n\u00e3o existe uma prefer\u00eancia, por parte dos trabalhadores, de ter um trabalho mais flex\u00edvel, aut\u00f4nomo, como o PJ hoje em dia no Brasil? Por que, na sua avalia\u00e7\u00e3o, essa restrutura\u00e7\u00e3o do trabalho \u00e9 pior do que o formato anterior?<\/strong><\/p>\n<div class=\"news-citacao-right\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">De um lado, o\u00a0empreendedorismo tem um ide\u00e1rio que parece o para\u00edso, mas frequentemente est\u00e1 resvalando no inferno sem passar pelo purgat\u00f3rio &#8211; Ricardo Antunes<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Ricardo Antunes \u2014<\/strong>\u00a0Sua quest\u00e3o \u00e9 muito importante. S\u00e3o duas coisas e vou sintetizar para n\u00e3o ir muito longe. Primeiro, a ideia e a ideologia do \u201c<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/568085-transformacoes-no-mundo-do-trabalho-e-suas-implicacoes-nas-periferias-urbanas-entrevista-especial-com-gerardo-silva\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">empreendedorismo<\/a>\u201d s\u00e3o poderosas, porque muitos trabalhadores n\u00e3o querem ser assalariados e muitos sonham com a ideia de ter seu pr\u00f3prio neg\u00f3cio. Essa \u00e9 uma ideia poderosa. Trata-se da ideia de ser um pequeno patr\u00e3o, o patr\u00e3o de si pr\u00f3prio, mas muitas vezes a pessoa se torna um\u00a0<strong>prolet\u00e1rio de si pr\u00f3prio<\/strong>\u00a0\u2014 abordo isso no livro tamb\u00e9m \u2014, explora seu pr\u00f3prio trabalho e o trabalho dos seus familiares.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso que se fa\u00e7a muita pesquisa sobre isto: quantos empreendedores que tentam ganhar a vida com\u00a0<strong>pequenos neg\u00f3cios<\/strong>\u00a0s\u00e3o bem-sucedidos e quantos se quebram pelo meio do caminho? Conhe\u00e7o v\u00e1rios que gastaram o Fundo de Garantia e as reservas que tinham e outros que conseguem sobreviver. A apar\u00eancia da felicidade quebra quando o trabalhador adoece, porque quem ir\u00e1 garantir seu seguro sa\u00fade, se ele n\u00e3o tem um? O\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/edicao\/526\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">SUS<\/a>? N\u00f3s sabemos que o\u00a0<strong>SUS<\/strong>\u00a0est\u00e1 sendo dilapidado h\u00e1 d\u00e9cadas e, especialmente nesse \u00faltimo per\u00edodo do governo\u00a0<strong>Temer<\/strong>, a devasta\u00e7\u00e3o \u00e9 completa. Se o trabalhador n\u00e3o tiver condi\u00e7\u00f5es de pagar um conv\u00eanio m\u00e9dico privado, esse trabalhador\u00a0<strong>PJ<\/strong>\u00a0vai perceber as agruras e a trag\u00e9dia do adoecimento sem direitos. De um lado, tem um ide\u00e1rio que parece o para\u00edso, mas frequentemente est\u00e1 resvalando no inferno sem passar pelo purgat\u00f3rio.<\/p>\n<p>\u00c9 claro \u2014 para responder ao \u00faltimo ponto da sua pergunta \u2014 que nos n\u00edveis que disp\u00f5em de\u00a0<strong>capital cultural<\/strong>\u00a0os sal\u00e1rios s\u00e3o altos. Por exemplo, apresentadores de grandes jornais da grande m\u00eddia s\u00e3o, em geral, PJ: seus sal\u00e1rios s\u00e3o altos, eles n\u00e3o t\u00eam direitos, mas t\u00eam um sistema de sa\u00fade, investem no sistema financeiro e criam os mecanismos para viver. Isto \u00e9, o\u00a0<strong>PJ<\/strong>, quando olhamos para o\u00a0<strong>topo dos assalariados<\/strong>, \u00e9 uma realidade, mas quando olhamos a\u00a0<strong>base dos assalariados<\/strong>, a realidade \u00e9 outra. Mas, como venho dizendo h\u00e1 muito tempo, os gestores se especializam em talhar na carne dos debaixo, v\u00e3o cortando, mas chega uma hora em que o talhe e o corte chegam aos gestores, e hoje existe uma dificuldade muito grande de muitos gestores em encontrar empregos. Eles est\u00e3o desempregados porque o enxugamento no organograma empresarial reduziu tamb\u00e9m o n\u00famero de gestores.<\/p>\n<p>Recentemente eu fazia compras no mercado e perguntei a um trabalhador de qual se\u00e7\u00e3o ele cuidava, ou seja, qual era a atividade dele l\u00e1 dentro. Ele me respondeu que era gestor, gerente, e eu perguntei quantos trabalhadores ele gerenciava, ao que ele respondeu: \u201ceu mesmo\u201d. Logo, ele n\u00e3o \u00e9 um gerente, pois gerente \u00e9 uma denomina\u00e7\u00e3o falaciosa, como tantas outras, para esconder uma\u00a0<strong>condi\u00e7\u00e3o de assalariamento<\/strong>. Esta \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o real do\u00a0<strong>PJ<\/strong>: parece o para\u00edso, mas se n\u00e3o tomar cuidado, \u00e9 o inferno.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2014 Um dos objetivos do seu livro \u00e9 identificar e caracterizar quem \u00e9 o proletariado de servi\u00e7os. Quais s\u00e3o suas conclus\u00f5es? Em que esse proletariado se diferencia do proletariado da ind\u00fastria ou de outros setores ou ainda de outros tempos?<\/strong><\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">A\u00a0terceiriza\u00e7\u00e3o\u00a0foi um instrumento fundamental para o\u00a0aumento dos lucros do capital\u00a0nestes \u00faltimos 30, 40, 50 anos, momento exponencial dos lucros e de\u00a0extra\u00e7\u00e3o de mais-valia &#8211; Ricardo Antunes<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Ricardo Antunes \u2014<\/strong>\u00a0No passado, no\u00a0<strong>capitalismo<\/strong>\u00a0dos s\u00e9culos XIX e XX, especialmente no XX, houve um processo de transforma\u00e7\u00e3o capitalista da ind\u00fastria \u2014 ali\u00e1s, esse processo come\u00e7ou com a<strong>\u00a0Revolu\u00e7\u00e3o Industrial<\/strong>\u00a0a partir da segunda metade do s\u00e9culo XVIII \u2014, que se tornou capitalista plena e no s\u00e9culo XX ela se consolidou. [<strong>Frederick<\/strong>]\u00a0<strong>Taylor<\/strong>\u00a0e [<strong>Henry<\/strong>]\u00a0<strong>Ford<\/strong>\u00a0s\u00e3o os grandes engenheiros te\u00f3ricos desse modelo que se expandiu pelo mundo.<\/p>\n<p>A\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/581237-para-cada-trator-adquirido-nos-ultimos-11-anos-4-trabalhadores-foram-dispensados-no-campo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">agricultura<\/a>\u00a0tamb\u00e9m se tornou capitalista ao longo do s\u00e9culo XIX, de modo que a fazenda senhorial e feudal desapareceu e foram criadas as pequenas e m\u00e9dias empresas de\u00a0<strong>propriedade rural produtivas<\/strong>. No entanto, h\u00e1 um elemento muito importante: desde os anos 1960 e 1970 do s\u00e9culo XX, o setor de servi\u00e7os passou a ser crescentemente invadido pela<strong>\u00a0l\u00f3gica do capital<\/strong>, e o capital hoje comoditizou, mercadorizou, tornou capitalista praticamente tudo no setor de servi\u00e7os. Basta dizer que at\u00e9\u00a0<strong>penitenci\u00e1rias<\/strong>\u00a0s\u00e3o privatizadas hoje, para n\u00e3o falar em hospitais, estradas, previd\u00eancia e tantas outras atividades p\u00fablicas que, no passado, prestavam um trabalho e um servi\u00e7o p\u00fablico e hoje s\u00e3o empresas lucrativas.<\/p>\n<p>Com a expans\u00e3o monumental do\u00a0<strong>turismo<\/strong>, que tamb\u00e9m se tornou um elemento do<strong>lucro capitalista<\/strong>\u00a0intenso em escala global e muitos pa\u00edses t\u00eam no turismo sua primeira fonte de riqueza, criou-se um novo proletariado de turismo. As camareiras, por exemplo, t\u00eam um tempo m\u00e9dio para arrumar a cama em um quarto de hotel e quando elas conseguem reduzir 40 ou 50 segundos ou um minuto ou um minuto e meio a arruma\u00e7\u00e3o de uma cama, ao final do dia ir\u00e3o arrumar v\u00e1rios quartos a mais pelo tempo que ganharam. No\u00a0<em>fast food<\/em>, que est\u00e1 esparramado pelo mundo inteiro, existe um novo proletariado de servi\u00e7os. Do mesmo modo houve uma explos\u00e3o dos<em>\u00a0call centers<\/em>, na medida em que muitas atividades hoje s\u00e3o feitas pelo celular. Isso significa que se criou uma\u00a0<strong>massa de trabalhadores<\/strong>, que no passado eram assalariados p\u00fablicos, mas que s\u00e3o\u00a0<strong>prolet\u00e1rios de servi\u00e7os<\/strong>.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda outro elemento vital: a\u00a0<strong>terceiriza\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0foi um instrumento fundamental para o<strong>aumento dos lucros do capital<\/strong>\u00a0nestes \u00faltimos 30, 40, 50 anos, momento exponencial dos lucros e de\u00a0<strong>extra\u00e7\u00e3o de mais-valia<\/strong>. Por exemplo, na universidade em que trabalho, a\u00a0<strong>Unicamp<\/strong>, no passado os servi\u00e7os de limpeza e de seguran\u00e7a eram feitos por funcion\u00e1rios p\u00fablicos; hoje \u00e9 uma empresa de terceiriza\u00e7\u00e3o que fornece trabalhadores e trabalhadoras para a\u00a0<strong>Unicamp<\/strong>\u00a0na \u00e1rea de seguran\u00e7a ou na \u00e1rea de limpeza, e isso vale para as universidades p\u00fablicas em geral. Esses(as) trabalhadores(as) n\u00e3o recebem das universidades, mas das empresas de terceiriza\u00e7\u00e3o, que fazem os contratos com as universidades p\u00fablicas e pagam seus trabalhadores. Isto vale para um am\u00e1lgama imenso de atividades que no passado prestavam trabalho sem fins lucrativos, no caso do setor p\u00fablico, ou eram trabalhadores de fam\u00edlia, como m\u00e9dicos ou advogados de fam\u00edlia. Hoje, existe uma massa de advogados jovens desempregados, que ficam se \u201cempregando\u201d em tr\u00eas ou quatro consult\u00f3rios, assim como m\u00e9dicos jovens, que para come\u00e7ar a carreira t\u00eam que atender dois ou tr\u00eas conv\u00eanios, dois ou tr\u00eas hospitais, porque a l\u00f3gica se tornou privatista, visando ao\u00a0<strong>lucro e \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o do capital<\/strong>. Isso atingiu, grosso modo, o telemarketing, trabalhos da informa\u00e7\u00e3o, da comunica\u00e7\u00e3o, da hotelaria, das redes de\u00a0<em>fast food<\/em>\u00a0e motoboys.<\/p>\n<p><strong>Prolet\u00e1rio dos servi\u00e7os<\/strong><\/p>\n<p>O que \u00e9 diferente em rela\u00e7\u00e3o a esse\u00a0<strong>trabalho<\/strong>\u00a0se comparado ao trabalhador da ind\u00fastria? Ele \u00e9 um prolet\u00e1rio dos servi\u00e7os, o prolet\u00e1rio da era digital; ele \u00e9 impens\u00e1vel sem o celular. O s\u00e9culo XX pode ser denominado como o s\u00e9culo do autom\u00f3vel; o s\u00e9culo XXI \u00e9 o s\u00e9culo do celular e do aparelho digital. \u00c9 esse o elemento. Os jovens dentro dos metr\u00f4s na China, na \u00cdndia, no M\u00e9xico, no Brasil, em algum pa\u00eds africano ou na Europa, est\u00e3o conectados, digitando e falando com o outro pela m\u00e1quina. Tudo isso criou um novo prolet\u00e1rio, que n\u00e3o \u00e9 aquela figura do oper\u00e1rio de macac\u00e3o da ind\u00fastria. Isso faz com que muitos pensem que esse novo assalariamento de servi\u00e7os criou algo diferente, positivo. Muitos falavam em um \u201c<strong>assalariamento de classe m\u00e9dia<\/strong>\u201d, mas n\u00e3o \u00e9 um assalariamento de classe m\u00e9dia.<\/p>\n<p>O que caracteriza a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/574450-o-topo-do-topo-quem-e-a-classe-media-e-quem-e-quem-nas-estratificacoes-do-brasil-entrevista-especial-com-rafael-georges\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">classe m\u00e9dia<\/a>? A classe m\u00e9dia sup\u00f5e um\u00a0<strong>trabalho prevalentemente intelectual<\/strong>, dotado, portanto, de um ide\u00e1rio, uma ideologia, onde o indiv\u00edduo de classe m\u00e9dia sonha com o topo, com os valores da burguesia, mas frequentemente ele est\u00e1 correndo o risco de resvalar e decrescer socialmente. O que significa isso? Que foi criado um\u00a0<strong>novo prolet\u00e1rio<\/strong>\u00a0nos servi\u00e7os, assim como no s\u00e9culo XIX houve a expans\u00e3o do\u00a0<strong>proletariado industrial<\/strong>\u00a0e no s\u00e9culo XX houve a expans\u00e3o do\u00a0<strong>proletariado rural<\/strong>. N\u00f3s estamos vivendo a era do\u00a0<strong>proletariado de servi\u00e7os<\/strong>\u00a0e temos que estud\u00e1-lo. Ele \u00e9 impens\u00e1vel sem o mundo digital, \u00e9 impens\u00e1vel sem a era do\u00a0<strong>mundo financeiro<\/strong>\u00a0que \u201crevolucionou\u201d o tempo e o espa\u00e7o. As empresas se modificaram profundamente e isso afeta tamb\u00e9m a\u00a0<strong>ind\u00fastria<\/strong>\u00a0e a\u00a0<strong>agricultura<\/strong>. Se entrarmos em uma f\u00e1brica hoje, veremos que ela \u00e9 diferente de uma f\u00e1brica de 30 anos atr\u00e1s. Como o proletariado \u00e9 diferente, tende a ser mais jovem, j\u00e1 mexe com m\u00e1quinas digitalizadas, tem que ter um dom\u00ednio, mesmo que muito b\u00e1sico, da terminologia inglesa para poder operar as m\u00e1quinas digitais, e isso tamb\u00e9m ocorre na agroind\u00fastria.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>mundo do trabalho<\/strong>\u00a0inteiro foi alterado porque o mundo do capital criou as chamadas\u00a0<strong>Tecnologias de Informa\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o<\/strong>, que s\u00e3o decisivas para diminuir o tempo de circula\u00e7\u00e3o das mercadorias, n\u00e3o importa se essas mercadorias s\u00e3o materiais ou imateriais. Entretanto, nos contingentes mais massivos, como call centers, redes de<em>\u00a0fast food<\/em>, redes de hotelaria e com\u00e9rcio, o proletariado muitas vezes n\u00e3o se v\u00ea como prolet\u00e1rio. No entanto ele pega um \u00f4nibus ou um metr\u00f4 ou os dois, e leva de duas a tr\u00eas horas para chegar da periferia ao trabalho. Se ele come\u00e7a a trabalhar \u00e0s 8h, tem que sair de casa \u00e0s 5h ou 6h. Se sai do trabalho \u00e0s 18h, 19h ou 20h, leva mais duas ou tr\u00eas horas para chegar em casa e muitas vezes tem que trabalhar mais tempo do que deveria. Se \u00e9 intermitente, \u00e9 chamado para ir atender em um restaurante na hora do almo\u00e7o, onde trabalha das 11h \u00e0s 14h. Depois \u00e9 chamado para ajudar na janta, das 18h \u00e0s 21h. Nesse meio tempo ele n\u00e3o volta para casa, j\u00e1 fica no restaurante, porque se sair \u00e0s 14h30min para retornar \u00e0s 18h, ele vai para casa e j\u00e1 tem que voltar. Temos que entender esse contingente. No\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/.br\/78-noticias\/573780-carro-vira-moradia-para-trabalhadores-do-vale-do-silicio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Vale do Sil\u00edcio<\/a>, muitos trabalhadores(as) de escal\u00e3o m\u00e9dio ou de base moram nas ruas, em carros, etc, pois n\u00e3o tem recursos para alugar um apartamento ou at\u00e9 mesmo um quarto.<\/p>\n<p><strong>Ind\u00fastria 4.0<\/strong><\/p>\n<div class=\"news-citacao-right\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">As ind\u00fastrias est\u00e3o criando no mercado global o processo industrial 4.0 para ter mais lucro, reduzir a for\u00e7a de trabalho e serem mais produtivas. Portanto, no Norte do mundo haver\u00e1 aumento do desemprego &#8211; Ricardo Antunes<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>No quadro da\u00a0<strong>ind\u00fastria \u201c4.0\u201d<\/strong>\u00a0isso se torna mais complexo ainda. O que \u00e9\u00a0<strong>ind\u00fastria \u201c4.0\u201d<\/strong>? Primeiro, \u00e9 uma resposta do\u00a0<strong>capital avan\u00e7ado<\/strong>\u00a0para digitalizar e tornar \u201co mundo produtivo\u201d \u2014 o que eles chamam da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/550808-no-limiar-da-internet-das-coisas-as-maquinas-conversam\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">internet das coisas<\/a>. Muitos t\u00eam dito que esse processo vai afetar todos os setores, mas n\u00e3o \u00e9 assim: isso pode afetar todos os setores, claro, mas afetar\u00e1 de modo muito desigual os diferentes setores. Por exemplo, no\u00a0<strong>Norte<\/strong>\u00a0do mundo, nos pa\u00edses de capitalismo avan\u00e7ado, os trabalhadores menos qualificados numa ind\u00fastria v\u00e3o perder seus empregos porque teremos um\u00a0<strong>processo de digitaliza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o<\/strong>, de informatiza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o. Isto \u00e9, a<strong>\u00a0internet das coisas<\/strong>\u00a0estar\u00e1 comandando o mundo produtivo. Al\u00e9m disso, \u00e9 claro que tamb\u00e9m ser\u00e3o criados no topo novos tipos de trabalhos mais qualificados, por\u00e9m, em um n\u00famero pequeno e irrelevante. As ind\u00fastrias est\u00e3o criando no\u00a0<strong>mercado global<\/strong>\u00a0o \u201c<strong>processo industrial 4.0<\/strong>\u201d para ter mais lucro, para reduzir a for\u00e7a de trabalho e serem mais produtivas. Portanto, no Norte do mundo haver\u00e1 aumento do desemprego.<\/p>\n<p>Trabalhei na\u00a0<strong>It\u00e1lia<\/strong>\u00a0no ano passado e pude participar de v\u00e1rios debates sobre a<strong>ind\u00fastria 4.0<\/strong>\u00a0l\u00e1. A classe trabalhadora percebe que seus empregos v\u00e3o diminuir ainda mais, ou seja, ter\u00e1 mais\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/186-noticias\/noticias-2017\/563770-60-dos-jovens-estao-aprendendo-profissoes-que-a-ai-vai-ocupar-em-menos-de-20-anos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">desemprego de jovens qualificados<\/a>. \u00c9 por isso que existe na\u00a0<strong>Europa<\/strong>\u00a0uma juventude que fez gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, mas quando esses jovens conseguem emprego, \u00e9 para trabalhar em hot\u00e9is e restaurantes, ou seja, trabalhos para os quais eles n\u00e3o precisariam ser engenheiros, economistas, administradores ou qualquer profiss\u00e3o desse tipo. Como existe uma\u00a0<strong>divis\u00e3o internacional do trabalho<\/strong>, onde a \u201c<strong>ind\u00fastria suja<\/strong>\u201d \u00e9 transferida para o\u00a0<strong>Sul<\/strong>, o que vai acontecer? A\u00a0<strong>ind\u00fastria 4.0<\/strong>\u00a0aqui ter\u00e1 uma consequ\u00eancia ainda mais grave de\u00a0<strong>desemprego para os assalariados<\/strong>, porque cada vez que se for digitalizar um processo ou criar um fluxo movido pela<strong>\u00a0l\u00f3gica digital<\/strong>, ser\u00e3o desempregados aqueles trabalhadores que faziam essa atividade. Algu\u00e9m imagina que o capital vai pegar o lucro dessas empresas e fazer grandes concess\u00f5es a essa<strong>classe trabalhadora desempregada<\/strong>, dando a ela seguro sa\u00fade digno, ou sal\u00e1rios de tr\u00eas mil reais, que seria o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/170-noticias\/noticias-2014\/527130-salario-minimo-deveria-ser-quatro-vezes-maior-para-manter-uma-familia-brasileira\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">sal\u00e1rio m\u00ednimo ideal sugerido pelo Dieese<\/a>? N\u00f3s vamos aumentar os\u00a0<strong>bols\u00f5es de mis\u00e9ria<\/strong>. Teremos um mundo digitalizado na produ\u00e7\u00e3o lato sensu \u2014 ind\u00fastria, agricultura e servi\u00e7os \u2014 e bols\u00f5es de trabalhadores desempregados. Algu\u00e9m pode dizer que estou exagerando. Mas n\u00e3o estou, porque se formos juntar o\u00a0<strong>desemprego oficial do Brasil<\/strong>, mais o\u00a0<strong>desemprego por desalento<\/strong>, mais os<strong>trabalhos prec\u00e1rios<\/strong>, parciais e tempor\u00e1rios,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/581906\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">estamos perto da casa de 30 milh\u00f5es de desempregados<\/a>. Se a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 essa sem termos entrado na\u00a0<strong>ind\u00fastria 4.0<\/strong>, imagine quando o Brasil entrar na ind\u00fastria 4.0.<\/p>\n<p><strong>Desemprego<\/strong><\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">Caminhamos para um processo de mis\u00e9ria naturalizada numa dimens\u00e3o brutal, como existe na \u00cdndia; nunca imaginei que fosse poss\u00edvel ver a naturaliza\u00e7\u00e3o de uma mis\u00e9ria t\u00e3o profunda &#8211; Ricardo Antunes<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>\u00c9 claro que o\u00a0<strong>desemprego<\/strong>\u00a0ou o\u00a0<strong>emprego<\/strong>dependem, de um lado, do modelo econ\u00f4mico vigente, da a\u00e7\u00e3o dos chamados agentes do Estado pr\u00f3-incentivo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o; ou seja, a discuss\u00e3o emprego\/desemprego tem um design, um componente macroecon\u00f4mico. Mas \u00e9 evidente que se no plano microc\u00f3smico e no plano da produ\u00e7\u00e3o se criar cada vez mais uma\u00a0<strong>ind\u00fastria \u201cinternetizada\u201d<\/strong>, teremos um enxugamento maior de empregos, criando um problema, que venho apontando desde a publica\u00e7\u00e3o de \u201c<strong>Adeus ao trabalho<\/strong>\u201d e \u201c<strong>Os sentidos do trabalho<\/strong>\u201d. Nesse cen\u00e1rio, caminhamos para um\u00a0<strong>processo de mis\u00e9ria<\/strong>naturalizada numa dimens\u00e3o brutal, como existe na \u00cdndia; nunca imaginei que fosse poss\u00edvel ver a naturaliza\u00e7\u00e3o de uma mis\u00e9ria t\u00e3o profunda como a que existe na\u00a0<strong>\u00cdndia<\/strong>. Ao andarmos no centro de\u00a0<strong>Porto Alegre<\/strong>,\u00a0<strong>S\u00e3o Paulo<\/strong>,\u00a0<strong>Rio de Janeiro<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Belo Horizonte<\/strong>, para n\u00e3o falar de\u00a0<strong>Salvador<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Recife<\/strong>, estamos vendo esses bols\u00f5es da popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tem mais chance de voltar ao<strong>\u00a0mercado de trabalho<\/strong>, porque \u00e9 criminalizada.<\/p>\n<p>Enquanto isso ocorre, o\u00a0<strong>empresariado industrial-financista<\/strong>\u00a0vai estar acumulando mais recursos; n\u00e3o surpreende, portanto, que\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/186-noticias\/noticias-2017\/564028-seis-homens-tem-a-mesma-riqueza-que-100-milhoes-de-brasileiros-juntos-diz-ong\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">quatro ou cinco brasileiros hoje tenham uma riqueza superior ao que produzem 100 milh\u00f5es de pessoas<\/a>, e isso \u00e9 tratado como natural. \u00c9 uma coisa acintosa, \u00e9 uma aberra\u00e7\u00e3o societal tratada como natural. Algu\u00e9m pode dizer que n\u00e3o defendo o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico, mas n\u00e3o \u00e9 isso que estou falando. Avan\u00e7o tecnol\u00f3gico, sim, mas n\u00e3o para aumentar o lucro j\u00e1 concentrado na m\u00e3o de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/577977-1-mais-rico-ganha-36-vezes-o-que-ganha-a-metade-mais-pobre-da-populacao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">1% da popula\u00e7\u00e3o<\/a>, e sim para reduzir o trabalho extenuante e a jornada de trabalho, para que as pessoas possam viver com dignidade dentro e fora do trabalho, para que possam trabalhar duas ou tr\u00eas horas por dia e nas outras horas possam viver uma vida dotada de sentido. E para que isso ocorra, \u00e9 preciso ter uma redu\u00e7\u00e3o monumental do\u00a0<strong>tempo de trabalho<\/strong>. Para uma amplia\u00e7\u00e3o do tempo livre, \u00e9 preciso combater a l\u00f3gica destrutiva da produ\u00e7\u00e3o de valores de troca, que tem como objetivo o enriquecimento dos conglomerados que comp\u00f5em o\u00a0<strong>sistema financeiro<\/strong>\u00a0e que controlam a produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2014 Sua aposta \u00e9 de que a revolu\u00e7\u00e3o 4.0 ir\u00e1 gerar desemprego e pobreza. Por que o cen\u00e1rio inverso, de surgimento de novos e melhores empregos, n\u00e3o lhe parece fact\u00edvel? Esse cen\u00e1rio \u00e9 irrevers\u00edvel?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ricardo Antunes \u2014<\/strong>\u00a0N\u00e3o \u00e9 uma aposta, \u00e9 uma an\u00e1lise. Quando falei no \u201c<strong>Adeus ao trabalho<\/strong>\u201d, publicado em 1995, que a exce\u00e7\u00e3o \u2014 o\u00a0<strong>trabalho tempor\u00e1rio, parcial e terceirizado<\/strong>\u00a0\u2014 tenderia a ser a regra e a regra, que era o trabalho regulamentado com direitos, tenderia a ser a exce\u00e7\u00e3o, muitas pessoas diziam que eu estava exagerando. Se pudesse brincar com as palavras, diria que exagerei para menos, porque o \u201c<strong>Privil\u00e9gio da Servid\u00e3o<\/strong>\u201d \u00e9 uma constata\u00e7\u00e3o disso.<\/p>\n<p><strong>Redu\u00e7\u00e3o do custo da for\u00e7a de trabalho<\/strong><\/p>\n<div class=\"news-citacao-right\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">Quem diz que a\u00a0revolu\u00e7\u00e3o 4.0\u00a0vai afetar todo mundo de modo igual, est\u00e1 fazendo uma fala puramente ideol\u00f3gica, porque as\u00a0profiss\u00f5es\u00a0que v\u00e3o perder emprego s\u00e3o aquelas dos\u00a0assalariados, onde a manualidade do trabalho ser\u00e1 substitu\u00edda por uma \u201ccoisa intern\u00e9tica\u201d &#8211; Ricardo Antunes<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>No ano passado dei aula na\u00a0<strong>Universidade Ca\u2019Foscari<\/strong>\u00a0de\u00a0<strong>Veneza<\/strong>\u00a0como professor visitante, e os alunos que estudaram comigo, cerca de 20, t\u00eam uma certeza: est\u00e3o fazendo mestrado e alguns t\u00eam planos de fazer o doutorado, mas eles n\u00e3o t\u00eam a menor perspectiva de onde v\u00e3o trabalhar. Em\u00a0<strong>Veneza<\/strong>\u00a0existe o\u00a0<em>Vaporetto<\/em>, aquele barco que \u00e9 o \u201c\u00f4nibus de Veneza\u201d, que circula pelos canais, e os jovens que abrem e fecham os port\u00f5es do\u00a0<em>Vaporetto<\/em>\u00a0s\u00e3o aqueles que falam ingl\u00eas, formados em universidades, mas que\u00a0<strong>n\u00e3o t\u00eam emprego<\/strong>\u00a0para trabalharem na sua forma\u00e7\u00e3o, seja de engenheiro, administrador ou economista. N\u00e3o \u00e9 por outro motivo que os jovens ficam perambulando mundialmente: v\u00e3o para\u00a0<strong>China<\/strong>,\u00a0<strong>\u00cdndia<\/strong>,\u00a0<strong>Jap\u00e3o<\/strong>,\u00a0<strong>Estados Unidos<\/strong>, voltam e v\u00e3o para outro pa\u00eds. O que isso significa? Significa que ser\u00e3o criados novos empregos mais qualificados no sentido de conhecimento informacional digital, mas numa dimens\u00e3o muito menor, porque a<strong>ind\u00fastria 4.0<\/strong>\u00a0n\u00e3o vai aumentar o n\u00famero de assalariados dentro da empresa em rela\u00e7\u00e3o ao que j\u00e1 existe hoje. Essas mudan\u00e7as s\u00e3o feitas para dar mais produtividade e lucro para as empresas. Nesse sentido, um dos elementos centrais da\u00a0<strong>reestrutura\u00e7\u00e3o permanente do capital<\/strong>\u00a0\u00e9\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/574556-a-eliminacao-dos-custos-associados-ao-direito-e-a-protecao-do-trabalhador-constitui-a-espinha-dorsal-da-reforma-trabalhista-entrevista-especial-com-ludmila-abilio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">reduzir o custo da for\u00e7a de trabalho<\/a>. E como se reduz o custo da for\u00e7a de trabalho em um hospital, jornal, televis\u00e3o, hotel, call center, telemarketing, ind\u00fastria, agroneg\u00f3cio, cultivo de cana-de-a\u00e7\u00facar, etanol, soja ou na extra\u00e7\u00e3o de min\u00e9rios? Como se aumenta a produtividade? Aumentando o maquin\u00e1rio e reduzindo a for\u00e7a de trabalho vivo.<\/p>\n<p>Quem diz que a\u00a0<strong>revolu\u00e7\u00e3o 4.0<\/strong>\u00a0vai afetar todo mundo de modo igual, est\u00e1 fazendo uma fala puramente ideol\u00f3gica, porque as\u00a0<strong>profiss\u00f5es<\/strong>\u00a0que v\u00e3o perder emprego s\u00e3o aquelas dos\u00a0<strong>assalariados<\/strong>, onde a manualidade do trabalho ser\u00e1 substitu\u00edda por uma \u201ccoisa intern\u00e9tica\u201d. Esse \u201cnovo organograma\u201d, em que tudo o que puder ser digitalizado ser\u00e1 digitalizado, vai criar emprego para os de cima, em n\u00famero reduzido, e\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/568737-os-robos-acabarao-com-os-empregos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aumentar o desemprego<\/a>\u00a0para os de baixo. \u00c9 por isso que, na \u00faltima parte do meu livro, pergunto se h\u00e1 luz no final do t\u00fanel.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2014 O que os Estados nacionais podem fazer para reverter esse cen\u00e1rio? O que \u00e9 fundamental na discuss\u00e3o atual, neste ano eleitoral, sobre as perspectivas em rela\u00e7\u00e3o ao trabalho?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ricardo Antunes \u2014<\/strong>\u00a0Devo dizer que, em rela\u00e7\u00e3o ao\u00a0<strong>Estado<\/strong>, tenho pouca cren\u00e7a. O que pode ser feito \u2014 e \u00e9 decisivo \u2014 \u00e9 a recusa da\u00a0<strong>classe trabalhadora<\/strong>\u00a0e da<strong>\u00a0popula\u00e7\u00e3o assalariada<\/strong>\u00a0em geral a este tipo de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/580483-empobrecimento-e-naturalizacao-das-desigualdades-sao-as-primeiras-consequencias-da-reforma-trabalhista-entrevista-especial-com-barbara-vallejos-vaz\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">destrui\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o protetora do trabalho<\/a>, obrigando o Estado a reverter medidas que foram tomadas ou impedindo novas medias. Citarei o exemplo brasileiro: houve a aprova\u00e7\u00e3o da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/566680-a-predominancia-do-trabalho-como-labor-nao-como-opus-na-era-da-terceirizacao-entrevista-especial-com-jose-dari-kreinecial-com-barbara-vallejos-vaz\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Lei da terceiriza\u00e7\u00e3o total<\/a>\u00a0e da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/578329-reforma-trabalhista-menor-autonomia-do-trabalhador-sobre-o-tempo-social-maior-concentracao-de-renda-e-desigualdade-social-entrevista-especial-com-ruy-braga\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Reforma Trabalhista<\/a>\u00a0pelo Congresso, o qual est\u00e1 absolutamente desprovido de legitimidade. Essas duas medias, especialmente a segunda, geraram uma repulsa na popula\u00e7\u00e3o que, num primeiro momento, acreditava que traria direitos e vantagens. Agora ela est\u00e1 vendo que n\u00e3o tem trabalho, emprego e direito.<\/p>\n<p><strong>Revoga\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o trabalhista<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 imperioso, por exemplo, que as\u00a0<strong>candidaturas<\/strong>\u00a0que se dizem minimamente progressistas assumam o compromisso de<strong>\u00a0revogar a legisla\u00e7\u00e3o trabalhista\u00a0<\/strong>e tamb\u00e9m a<strong>\u00a0Lei de terceiriza\u00e7\u00e3o<\/strong>, porque elas foram aprovadas na calada da noite, sem debate, e impulsionadas por um governo que n\u00e3o tem a menor legitimidade e n\u00e3o foi eleito com essa proposta. Vejamos que, abertamente, nem os candidatos de centro, nem os de direita dizem que acham a legisla\u00e7\u00e3o trabalhista \u00f3tima. \u00c9 preciso lembrar a terceira medida que o governo\u00a0<strong>Temer<\/strong>\u00a0tentou fazer e n\u00e3o conseguiu, que foi a\u00a0<strong>Reforma da Previd\u00eancia<\/strong>. A popula\u00e7\u00e3o percebeu que a\u00a0<strong>Reforma da Previd\u00eancia<\/strong>\u00a0faria com que os assalariados s\u00f3 tivessem direito \u00e0 Previd\u00eancia depois da sua morte; no fundo era disso que se tratava.<\/p>\n<p>O que \u00e9 poss\u00edvel fazer, para irmos ao ponto da sua pergunta? \u00c9 preciso fazer uma press\u00e3o muito forte e buscar dados para revogar a\u00a0<strong>legisla\u00e7\u00e3o social<\/strong>\u00a0que foi destro\u00e7ada de modo ileg\u00edtimo, por um governo ileg\u00edtimo, e sem discuss\u00e3o. \u00c9 preciso que os candidatos digam abertamente \u2014 e v\u00e1rios j\u00e1 est\u00e3o dizendo \u2014 que far\u00e3o uma rediscuss\u00e3o e mesmo a\u00a0<strong>revoga\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o trabalhista<\/strong>. O mesmo exemplo vale para a\u00a0<strong>Fran\u00e7a<\/strong>, a\u00a0<strong>Argentina<\/strong>, o\u00a0<strong>Chile<\/strong>\u00a0e todos aqueles pa\u00edses que est\u00e3o lutando contra esse processo.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2014 O senhor j\u00e1 disse que Florestan [1] \u00e9 uma das suas inspira\u00e7\u00f5es na elabora\u00e7\u00e3o do seu livro. Por que Florestan Fernandes \u00e9 um te\u00f3rico importante para pensar o Brasil hoje? Em que aspectos ele lhe inspira nas suas reflex\u00f5es sobre a situa\u00e7\u00e3o do trabalho e do trabalhador?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ricardo Antunes \u2014<\/strong>\u00a0Porque quando se toma a sociologia cr\u00edtica,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/171-noticias\/noticias-2013\/523998-o-legado-de-florestan-fernandes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Florestan<\/a>\u00a0\u00e9, de longe, o mais importante de todos os te\u00f3ricos.\u00a0<strong>Florestan<\/strong>\u00a0\u00e9 o grande soci\u00f3logo cr\u00edtico, e os estudos dele sobre a\u00a0<strong>exclus\u00e3o<\/strong>\u00a0do negro na sociedade, das comunidades ind\u00edgenas, da particularidade brasileira e dos pa\u00edses de\u00a0<strong>capitalismo subordinado<\/strong>\u00a0e dependente s\u00e3o important\u00edssimos. Seu livro \u201c<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/530685-os-caminhos-da-dominacao-burguesa-no-brasil\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">A revolu\u00e7\u00e3o burguesa no Brasil<\/a>\u201d \u00e9 uma obra cl\u00e1ssica. Al\u00e9m disso, ele fez uma discuss\u00e3o extremamente singular sobre a depend\u00eancia na\u00a0<strong>Am\u00e9rica Latina<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Florestan<\/strong>\u00a0era um soci\u00f3logo muito erudito: conhecia\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/570966-o-projeto-de-sociedade-idealizado-por-durkheim-fracassou\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">[\u00c9mile] Durkheim<\/a>,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/stories\/cadernos\/formacao\/003cadernosihuemformacao.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">[Max] Weber<\/a>,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/edicao\/525\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">[Karl] Marx<\/a>, ou seja, conhecia toda a teoria social com muita profundidade. Al\u00e9m disso, teve uma origem social \u201cde baixo\u201d, como ele gostava de dizer: foi um assalariado pobre na juventude, quebrou todas as barreiras para se tornar o soci\u00f3logo mais importante da\u00a0<strong>Universidade de S\u00e3o Paulo<\/strong>\u00a0e, por certo, da sua gera\u00e7\u00e3o, um dos mais importantes do\u00a0<strong>Brasil<\/strong>. Sua obra tem muitas pistas e uma delas \u00e9 a ideia de que o mundo<strong>\u00a0latino-americano<\/strong>\u00a0sempre oscila entre a reforma e a contrarrevolu\u00e7\u00e3o. A ideia de \u201c<strong>contrarrevolu\u00e7\u00e3o preventiva<\/strong>\u201d \u00e9 muito interessante e mostra como as classes dominantes, nos momentos adversos, se preparam e se armam para estabelecer um movimento contrarrevolucion\u00e1rio, mesmo quando n\u00e3o h\u00e1 o risco da revolu\u00e7\u00e3o. Por isso que ele fala em \u201ccontrarrevolu\u00e7\u00e3o preventiva\u201d: estava pensando muito no\u00a0<strong>golpe de 1964<\/strong>\u00a0no\u00a0<strong>Brasil<\/strong>\u00a0e nos\u00a0<strong>golpes militares<\/strong>.<\/p>\n<p>Eu me permito dizer que, no contexto atual, de um\u00a0<strong>capitalismo mundializado e globalizado<\/strong>, a\u00a0<strong>contrarrevolu\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0\u00e9 um tra\u00e7o exasperado. Para tanto, basta lembrar\u00a0<strong>Trump<\/strong>\u00a0e o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/185-noticias\/noticias-2016\/558012-por-tras-do-trumpismo-a-degeneracao-estadunidense-artigo-de-massimo-faggioli\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">trumpismo<\/a>\u00a0nos\u00a0<strong>EUA<\/strong>,\u00a0<strong>Theresa May<\/strong>\u00a0e o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/185-noticias\/noticias-2016\/557608-o-brexit-e-a-globalizacao\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Brexit<\/a>\u00a0na\u00a0<strong>Inglaterra<\/strong>, a elei\u00e7\u00e3o recente de um\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/577081-eleicoes-na-italia-virada-a-direita-na-italia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">governo fascista na It\u00e1lia<\/a>, que est\u00e1 tratando os\u00a0<strong>imigrantes<\/strong>\u00a0como o\u00a0<strong>fascismo<\/strong>\u00a0concebeu, e a expans\u00e3o enorme dos movimentos de\u00a0<strong>extrema direita<\/strong>\u00a0na\u00a0<strong>Pol\u00f4nia<\/strong>,\u00a0<strong>Hungria<\/strong>,\u00a0<strong>\u00c1ustria<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Alemanha<\/strong>. Al\u00e9m disso, h\u00e1 pouco ocorreu uma elei\u00e7\u00e3o disputada na\u00a0<strong>Fran\u00e7a<\/strong>\u00a0entre [<strong>Marine<\/strong>]\u00a0<strong>Le Pen<\/strong>, fascista, e [<strong>Emmanuel<\/strong>]\u00a0<strong>Macron<\/strong>, neoliberal, ambos de direita, naturalmente com a diferen\u00e7a de que um \u00e9 fascista e outro n\u00e3o; o outro \u00e9 neoliberal financista. Trata-se de um cen\u00e1rio adverso e nefasto; \u00e9 um\u00a0<strong>cen\u00e1rio de devasta\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<p>N\u00e3o ser\u00edamos capazes de imaginar, h\u00e1 alguns anos, que algu\u00e9m pudesse tratar os imigrantes, os negros e as mulheres, abertamente, como\u00a0<strong>Trump<\/strong>\u00a0est\u00e1 fazendo. Esse cen\u00e1rio mostra que\u00a0<strong>Florestan<\/strong>\u00a0merece ser revisitado pelas pistas que d\u00e1. Fico feliz de poder dedicar meu livro a duas figuras emblem\u00e1ticas: a\u00a0<strong>Florestan Fernandes<\/strong>, que \u00e9 um autor que nos inspira; e a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/525788-a-barbarie-no-horizonte\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Istv\u00e1n M\u00e9sz\u00e1ros<\/a><strong>\u00a0<\/strong>[2], outro autor especial, um fil\u00f3sofo h\u00fangaro que viveu na\u00a0<strong>Inglaterra<\/strong>\u00a0desde que saiu da\u00a0<strong>Hungria<\/strong>, em meados dos anos 1950. Ele tem contribui\u00e7\u00e3o decisiva para pensar o mundo contempor\u00e2neo e o sistema de metabolismo social destrutivo do capital.<\/p>\n<p>A \u00faltima parte do meu livro pergunta se h\u00e1 luz no fim do t\u00fanel. Eu penso que sim. Um dos primeiros desafios que temos de enfrentar \u00e9 o\u00a0<strong>plano dos sindicatos<\/strong>\u00a0e das<strong>\u00a0lutas sociais<\/strong>. Ambos devem se alimentar um do outro. Al\u00e9m disso, \u00e9 preciso fazer o debate sobre o\u00a0<strong>socialismo<\/strong>, pois essa ideia de que o socialismo acabou \u00e9 uma fic\u00e7\u00e3o. O\u00a0<strong>capitalismo<\/strong>\u00a0levou muitos s\u00e9culos para se constituir \u2014 pelo menos tr\u00eas s\u00e9culos, se pensarmos do\u00a0<strong>Renascimento<\/strong>\u00a0at\u00e9 a\u00a0<strong>Revolu\u00e7\u00e3o Industrial<\/strong>. Entre as experi\u00eancias socialistas houve uma tentativa espetacular, que foi a\u00a0<strong>Comuna de Paris<\/strong>, no final do s\u00e9culo XIX, e muitas tentativas derrotadas, em sua grande maioria no s\u00e9culo XX, come\u00e7ando pela russa e terminando pela chinesa, para falar das mais importantes, e deixando de lado as revolu\u00e7\u00f5es na\u00a0<strong>\u00c1frica<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Am\u00e9rica Latina para<\/strong>\u00a0efeito dessa avalia\u00e7\u00e3o. Mas o desafio \u00e9 pensar um novo modo de vida em que o\u00a0<strong>trabalho<\/strong>, a quest\u00e3o ambiental, a igualdade de g\u00eanero entre homens e mulheres, a igualdade substantiva \u2014 para usar uma express\u00e3o de\u00a0<strong>M\u00e9sz\u00e1ros<\/strong>\u00a0\u2014 racial, de g\u00eanero, de classe s\u00e3o vitais. Essas quest\u00f5es a humanidade haver\u00e1 de reconquist\u00e1-las.<\/p>\n<p>Gostaria de encerrar com um trecho do meu livro: &#8220;o mundo atual nos oferece como horizonte imediato o\u00a0<strong>privil\u00e9gio da servid\u00e3o<\/strong>. Seu combate e impedimento efetivos, ent\u00e3o, s\u00f3 ser\u00e3o poss\u00edveis se a humanidade conseguir recuperar o desafio da emancipa\u00e7\u00e3o&#8221;. Isso \u00e9 vital. Meu livro \u00e9 muito cr\u00edtico na an\u00e1lise do mundo atual, mas n\u00e3o acredito que esse cen\u00e1rio seja irrevers\u00edvel, porque a hist\u00f3ria tem vida, a hist\u00f3ria n\u00e3o tem um fim preestabelecido, a hist\u00f3ria \u00e9 a hist\u00f3ria da confronta\u00e7\u00e3o cotidiana. N\u00f3s estamos desafiados, no s\u00e9culo XXI, a pensar uma outra sociedade fora dos constrangimentos do sistema do capital.<\/p>\n<p><strong>Notas<\/strong>:<\/p>\n<p>[1]\u00a0<strong>Florestan Fernandes<\/strong>\u00a0(1920-1995): soci\u00f3logo e pol\u00edtico brasileiro. Foi deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores \u2013 PT, tendo participado da Assembleia Nacional Constituinte. Recebeu o Pr\u00eamio Jabuti em 1964 pelo livro Corpo e alma do Brasil e foi agraciado postumamente, em 1996, com o Pr\u00eamio An\u00edsio Teixeira. O nome de Florestan Fernandes est\u00e1 obrigatoriamente associado \u00e0 pesquisa sociol\u00f3gica no Brasil e na Am\u00e9rica Latina. Soci\u00f3logo e professor universit\u00e1rio, com mais de 50 obras publicadas, ele transformou o pensamento social no pa\u00eds e estabeleceu um novo estilo de investiga\u00e7\u00e3o sociol\u00f3gica, marcado pelo rigor anal\u00edtico e cr\u00edtico, e um novo padr\u00e3o de atua\u00e7\u00e3o intelectual. (Nota da<strong>\u00a0IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>[2]\u00a0<strong>Istvan M\u00e9sz\u00e1ros<\/strong>: fil\u00f3sofo h\u00fangaro, considerado um dos mais importantes intelectuais marxistas da atualidade. Professor em\u00e9rito da Universidade de Sussex, na Inglaterra. Escreveu, entre outros, de Para al\u00e9m do capital. Rumo a uma teoria da transi\u00e7\u00e3o (Campinas-S\u00e3o Paulo: Editora da Unicamp \u2013 Boitempo, 2002) e de Poder da ideologia (S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2004). (Nota da<strong>\u00a0IHU On-Line<\/strong>).<\/p>\n<p>http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/582010-o-proletario-digital-na-era-da-reestruturacao-permanente-do-capital-entrevista-especial-com-ricardo-antunes<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Patricia Fachin &#8211;\u00a0Entrevista especial com Ricardo Antunes. Entender quem \u00e9 o\u00a0prolet\u00e1rio\u00a0da\u00a0era digital\u00a0e sua inser\u00e7\u00e3o no\u00a0mundo do trabalho\u00a0\u00e9 o tema de investiga\u00e7\u00e3o do soci\u00f3logo\u00a0Ricardo Antunes\u00a0em seu novo livro, \u201cO Privil\u00e9gio da Servid\u00e3o. O Novo Proletariado de Servi\u00e7os na Era Digital\u201d (S\u00e3o Paulo: Boitempo Editorial, 2018). 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