{"id":8834,"date":"2018-08-09T15:41:19","date_gmt":"2018-08-09T18:41:19","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=8834"},"modified":"2018-08-08T18:43:40","modified_gmt":"2018-08-08T21:43:40","slug":"ibge-mostra-as-cores-da-desigualdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2018\/08\/09\/ibge-mostra-as-cores-da-desigualdade\/","title":{"rendered":"IBGE mostra as cores da desigualdade"},"content":{"rendered":"<p><strong>Irene Gomes e M\u00f4nica Marli<\/strong> &#8211; As estat\u00edsticas de cor ou ra\u00e7a produzidas pelo IBGE mostram que o Brasil ainda est\u00e1 muito longe de se tornar uma democracia racial. Em m\u00e9dia, os brancos t\u00eam os maiores sal\u00e1rios, sofrem menos com o desemprego e s\u00e3o maioria entre os que frequentam o ensino superior, por exemplo. J\u00e1 os indicadores socioecon\u00f4micos da popula\u00e7\u00e3o preta e parda, assim como os dos ind\u00edgenas, costumam ser bem mais desvantajosos.<\/p>\n<p>Para o professor Otair Fernandes, doutor em Ci\u00eancias Sociais e coordenador do Laborat\u00f3rio de Estudos Afro-Brasileiros e Ind\u00edgenas da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (Leafro\/UFRRJ), a realidade do Brasil ainda \u00e9 heran\u00e7a do longo per\u00edodo de coloniza\u00e7\u00e3o europeia e do fato de ter sido o \u00faltimo pa\u00eds a acabar com a escravid\u00e3o.<\/p>\n<p>O professor ressalta que, mesmo ap\u00f3s 130 anos de aboli\u00e7\u00e3o, ainda \u00e9 muito dif\u00edcil para a popula\u00e7\u00e3o negra ascender economicamente no Brasil. \u201cA quest\u00e3o da escravid\u00e3o \u00e9 uma marca hist\u00f3rica. Durante esse per\u00edodo, os negros n\u00e3o tinham nem a condi\u00e7\u00e3o de humanidade. E, p\u00f3s-aboli\u00e7\u00e3o, n\u00e3o houve nenhum projeto de inser\u00e7\u00e3o do negro na sociedade brasileira. Mesmo depois de libertos, os negros ficaram \u00e0 pr\u00f3pria sorte. Ent\u00e3o, o Brasil vai se estruturar sobre aquilo que chamamos de racismo institucional\u201d, lembra.<\/p>\n<p>Fernandes afirma que atitudes individuais n\u00e3o s\u00e3o suficientes para romper essa quest\u00e3o socialmente e historicamente, e ressalta a import\u00e2ncia de pol\u00edticas p\u00fablicas de a\u00e7\u00f5es afirmativas. \u201c\u00c9 preciso pensar em pol\u00edticas de afirma\u00e7\u00e3o do negro. Pol\u00edticas de valoriza\u00e7\u00e3o daqueles que foram marginalizados e exclu\u00eddos\u201d, diz.<\/p>\n<p>Para a promotora de Justi\u00e7a do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado da Bahia, L\u00edvia Santana Vaz, reconhecer que o problema existe \u00e9 o primeiro passo para tentar resolver essa d\u00edvida hist\u00f3rica. Por isso, a considera\u00e7\u00e3o de cor ou ra\u00e7a nas pesquisas oficiais produzidas pelo IBGE \u00e9 fundamental. \u201cH\u00e1 pa\u00edses &#8211; a exemplo de Portugal &#8211; que, a pretexto de n\u00e3o violarem o princ\u00edpio da igualdade, pro\u00edbem a coleta de dados com base na ra\u00e7a e na cor das pessoas, o que tem impedido que se conhe\u00e7a o contexto de desigualdades raciais e a cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas\u201d, ressalta a jurista, que atua em grupos de prote\u00e7\u00e3o de direitos humanos e combate a discrimina\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/agenciadenoticias.ibge.gov.br\/images\/agenciadenoticias\/revista_retratos\/Revista11\/estatistica_agencia.jpg?resize=391%2C492&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"391\" height=\"492\" \/><\/p>\n<p><strong>O que te define?<\/strong><\/p>\n<p>A sua cor ou ra\u00e7a \u00e9: branca, preta, amarela, parda ou ind\u00edgena? Nessa ordem, o agente de pesquisa do IBGE oferece as op\u00e7\u00f5es, e o entrevistado escolhe como se classifica. O que ele considera para responder depende de cada um, pois o quesito de cor ou ra\u00e7a \u00e9 baseado na autodeclara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo Leonardo Athias, pesquisador da Coordena\u00e7\u00e3o de Popula\u00e7\u00e3o e Indicadores Sociais do IBGE, respons\u00e1vel pelo tema, este \u00e9 um preceito de direitos humanos: \u201ca identifica\u00e7\u00e3o \u00e9 da pessoa, \u00e9 ela que sabe como se entende, porque \u00e9 uma intera\u00e7\u00e3o social, uma percep\u00e7\u00e3o de si mesma e do outro. Eu n\u00e3o vou classificar o outro, at\u00e9 porque muitas vezes isso foi feito para segregar, para perseguir\u201d.<\/p>\n<p>O sistema de classifica\u00e7\u00e3o adotado pelo Instituto se apoia em cinco categorias, consolidadas em uma longa tradi\u00e7\u00e3o de pesquisas domiciliares, mas n\u00e3o deixa de ser pass\u00edvel de cr\u00edticas.<\/p>\n<p>Uma delas lembra que o sistema \u00e9 utilizado desde 1872, passando por pequenas modifica\u00e7\u00f5es ao longo do tempo, mas desde sempre utilizando categorias formuladas por uma pequena elite dominante e desconsiderado a realidade das regi\u00f5es fora dos eixos Sul e Sudeste. Isto criou dificuldades com o termo pardo, por exemplo.<\/p>\n<p>\u201cO termo pardo remete a uma miscigena\u00e7\u00e3o de origem preta ou ind\u00edgena com qualquer outra cor ou ra\u00e7a. Alguns movimentos negros utilizam preto e pardo para substituir o negro e alguns movimentos ind\u00edgenas usam ind\u00edgenas e pardos para pensar a descend\u00eancia ind\u00edgena. \u00c9 uma categoria residual, mas que \u00e9 a maioria\u201d, explica Marta Antunes, da Ger\u00eancia T\u00e9cnica do Censo Demogr\u00e1fico.<\/p>\n<div class=\"bx-wrapper\">\n<div class=\"bx-viewport\" aria-live=\"polite\">\n<div id=\"slider\" class=\"galeria__container\">\n<div class=\"bx-clone\" data-thumb=\"https:\/\/servicodados.ibge.gov.br\/api\/v1\/resize\/image?caminho=https:\/\/agenciadenoticias.ibge.gov.br\/images\/agenciadenoticias\/revista_retratos\/Revista11\/linhatempo12.jpg&amp;maxwidth=140&amp;maxheight=9999\" data-order=\"11\" aria-hidden=\"true\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/agenciadenoticias.ibge.gov.br\/images\/agenciadenoticias\/revista_retratos\/Revista11\/linhatempo12.jpg?w=640&#038;ssl=1\" \/><\/div>\n<div 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Muitas vezes o objetivo de classificar, para [atender] os objetivos estatais de proteger minorias, mostrar desigualdades e balizar pol\u00edticas, pode n\u00e3o coincidir com o objetivo de identificar, ou seja, mostrar como as pessoas se enxergam em sua diversidade\u201d, avalia Leonardo.<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Para Marta, as categorias podem ser repensadas, mas ainda n\u00e3o h\u00e1 entre os estudiosos um consenso para substitu\u00ed-las: \u201ccomo trocar essas categorias sem perder a s\u00e9rie hist\u00f3rica e sem atrapalhar a pol\u00edtica p\u00fablica que j\u00e1 est\u00e1 calcada em cima desses termos?\u201d, questiona.<\/p>\n<p>https:\/\/agenciadenoticias.ibge.gov.br\/agencia-noticias\/2012-agencia-de-noticias\/noticias\/21206-ibge-mostra-as-cores-da-desigualdade.html<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Irene Gomes e M\u00f4nica Marli &#8211; As estat\u00edsticas de cor ou ra\u00e7a produzidas pelo IBGE mostram que o Brasil ainda est\u00e1 muito longe de se tornar uma democracia racial. 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