{"id":8786,"date":"2018-08-06T14:45:26","date_gmt":"2018-08-06T17:45:26","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=8786"},"modified":"2018-08-06T14:46:28","modified_gmt":"2018-08-06T17:46:28","slug":"desigualdade-vitalidade-e-decadencia-o-que-aconteceu-com-o-centro-de-sp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2018\/08\/06\/desigualdade-vitalidade-e-decadencia-o-que-aconteceu-com-o-centro-de-sp\/","title":{"rendered":"Desigualdade, vitalidade e decad\u00eancia: o que aconteceu com o centro de SP"},"content":{"rendered":"<p><strong>Andr\u00e9 de Oliveira<\/strong> &#8211; Urbanistas analisam processo hist\u00f3rico que fez com que, a partir de 1960, centro fosse esvaziado.<\/p>\n<p>Foram necess\u00e1rios apenas 50 anos para que o edif\u00edcio em vidro e a\u00e7o Wilton Paes de Almeida, em S\u00e3o Paulo, fosse inaugurado, abandonado, ocupado e, por fim, desmoronasse depois de um inc\u00eandio de grandes propor\u00e7\u00f5es que matou ao menos duas pessoas e deixou dezenas de fam\u00edlias desabrigadas na primeira semana de maio. O curto espa\u00e7o de tempo entre o lan\u00e7amento de um pr\u00e9dio considerado um marco arquitet\u00f4nico e seu colapso envolto em uma nuvem de fogo e fuma\u00e7a chama a aten\u00e7\u00e3o, principalmente porque a situa\u00e7\u00e3o da edifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 \u00fanica na regi\u00e3o. Afinal, o que aconteceu de 1968 para c\u00e1 no centro da capital paulistana?<\/p>\n<p>Talvez a primeira palavra que venha \u00e0 cabe\u00e7a para definir a regi\u00e3o seja degrada\u00e7\u00e3o. Mas, segundo o urbanista Vinicius Netto, ela n\u00e3o explica o estado das coisas. \u201cQual degrada\u00e7\u00e3o? Estamos falando dos edif\u00edcios, dos usos que se faz do espa\u00e7o ou das pessoas que passaram a usar o centro a partir da d\u00e9cada de 1970?\u201d, questiona. Segundo ele, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel misturar tudo em s\u00f3 um caldeir\u00e3o e olhar de forma unidimensional. A t\u00e3o falada degrada\u00e7\u00e3o do centro de S\u00e3o Paulo, assim, \u00e9 muitas vezes ilus\u00f3ria, porque confunde gente com edif\u00edcios e simplifica processos hist\u00f3ricos multifacetados.<\/p>\n<p class=\"texto_detalhe\"><span class=\"texto_detalhe\">Professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Netto ressalta o dado de que, em 2015, 17,8% dos postos formais de trabalho do munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo estavam no centro, segundo levantamento do Governo do Estado, ficando atr\u00e1s apenas da oferta das zonas sul e oeste, com 25% e 21%, respectivamente. A informa\u00e7\u00e3o, defende o urbanista, serve para desmistificar a ideia de que h\u00e1 uma degrada\u00e7\u00e3o generalizada do centro. \u201cAinda que a palavra \u2018degrada\u00e7\u00e3o\u2019 se refira apenas \u00e0s edifica\u00e7\u00f5es, como no caso do Winston Paes, \u00e9 preciso fazer um exerc\u00edcio de desvincular as pessoas que usam esses espa\u00e7os do estado em que eles est\u00e3o\u201d, diz.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto_detalhe\"><span class=\"texto_detalhe\">Contudo, o fato de que o centro f\u00edsico de S\u00e3o Paulo deixou de ser o centro dos acontecimentos, em que a maior parte da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas circulava ou ia trabalhar, mas se encontrava e desejava viver, \u00e9 ineg\u00e1vel. O que motivou isso \u00e9 menos um evento isolado, como a constru\u00e7\u00e3o ou demoli\u00e7\u00e3o de uma via ou espa\u00e7o simb\u00f3lico, e mais a acumula\u00e7\u00e3o de diferentes processos e decis\u00f5es. Entre os pesquisadores ouvidos pelo EL PA\u00cdS \u00e9 consenso que essa mudan\u00e7a, representada pelo deslocamento do centro financeiro da cidade para a regi\u00e3o da Avenida Paulista, come\u00e7ou a ser sentida de forma mais intensa justamente na d\u00e9cada de 1960.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto_detalhe\"><span class=\"texto_detalhe\">Para o urbanista Guilherme Wisnik, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de S\u00e3o Paulo (FAU-USP), h\u00e1 um modelo de cria\u00e7\u00e3o de novos centros que, guiado por uma l\u00f3gica de mercado, vai buscando frentes imobili\u00e1rias, onde h\u00e1 terrenos mais baratos. \u201cEssa situa\u00e7\u00e3o de nenhum planejamento, apoiada pelo Estado, acabou fazendo com que locais do centro acabassem subutilizados, entrassem em crise e fossem abandonados\u201d, diz. De forma geral, sem entrar em detalhes, \u00e9 um pouco a hist\u00f3ria do Winston Paes e de outros edif\u00edcios da regi\u00e3o. Os antigos locat\u00e1rios foram embora; os propriet\u00e1rios deixaram os locais vazios por diferentes motivos; o Estado n\u00e3o tomou nenhuma medida para impedir o abandono dessas estruturas que deveriam, de acordo com a Constitui\u00e7\u00e3o, exercer uma \u201cfun\u00e7\u00e3o social\u201d, sendo produtivas ou habit\u00e1veis.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto_detalhe\"><span class=\"texto_detalhe\">Por outro lado, se o com\u00e9rcio e o setor financeiro come\u00e7aram a se deslocar nos anos 1960, o mesmo aconteceu com a elite que vivia em bairros centrais, como Campos El\u00edseos. Houve, a partir de ent\u00e3o, um interesse e oferta crescente por moradias em \u00e1reas exclusivamente residenciais, numa busca por uma vida cotidiana mais buc\u00f3lica. Em um processo que se assemelha muito \u00e0 constru\u00e7\u00e3o dos sub\u00farbios norte-americanos, fugir do centro, do barulho e da intensa circula\u00e7\u00e3o de pessoas passou a ser um ideal amplamente explorado pelo mercado imobili\u00e1rio, que j\u00e1 tinha atingido um teto de novos lan\u00e7amentos \u2013 j\u00e1 que n\u00e3o havia mais lotes dispon\u00edveis para constru\u00e7\u00e3o, o que representa, logo de sa\u00edda, um custo alto para qualquer novo projeto.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto_detalhe\"><b>Marcos do processo<\/b><\/p>\n<p class=\"texto_detalhe\"><span class=\"texto_detalhe\">Se o processo por qual passou o centro de S\u00e3o Paulo \u00e9 cumulativo em termos f\u00edsicos e gradual em temporais, a urbanista Regina Meyer, especialista em espa\u00e7o p\u00fablico, e professora da FAU-USP, acredita que \u00e9 poss\u00edvel apontar alguns marcos que explicam o estado das coisas hoje. Para ela, os motivos que resultaram na sa\u00edda de determinados setores do centro f\u00edsico de S\u00e3o Paulo \u00e9 anterior \u00e0 d\u00e9cada de 1960 e remontam aos anos 1940, quando a Prefeitura come\u00e7ou a discutir a substitui\u00e7\u00e3o do sistema de bondes, ent\u00e3o principal meio de transporte de massa da cidade, pelos \u00f4nibus.<\/span><\/p>\n<p><span class=\"texto_detalhe\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"larguraBox\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cartamaior.com\/cmimagens\/el01.jpg?w=640\" alt=\"\" \/><\/span><em>Cart\u00e3o postal mostra o antigo Parque Dom Pedro II, hoje um terminal de \u00f4nibus, na d\u00e9cada de 1950<\/em><\/p>\n<p><span class=\"texto_detalhe\">Para suprir os novos bairros que come\u00e7avam a surgir, sobretudo na zona leste da cidade, a op\u00e7\u00e3o pela instala\u00e7\u00e3o de in\u00fameras linhas de \u00f4nibus se mostrou mais eficiente e barata para a Prefeitura do que os bondes. Em pouco mais de uma d\u00e9cada, entre 1950 e 1960, ressalta Meyer, o sistema de bondes foi praticamente inteiro substitu\u00eddo. Assim, para a Prefeitura, era poss\u00edvel continuar a promover habita\u00e7\u00f5es em locais cada vez mais distantes, atendendo, ao mesmo tempo, o interesse de expans\u00e3o do mercado imobili\u00e1rio, em busca de novas frentes para explorar.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto_detalhe\"><span class=\"texto_detalhe\">\u201cO centro, adaptado ao sistema de bondes, que servia a uma \u00e1rea muito menor, teve de alojar um fluxo cada vez mais intenso de pessoas e de \u00f4nibus\u201d, diz a urbanista. \u201cA degrada\u00e7\u00e3o f\u00edsica de pra\u00e7as e espa\u00e7os abertos a partir disso foi intensa. Em pouco mais de dez anos, uma s\u00e9rie de locais, como a pra\u00e7a da Bandeira, o parque Dom Pedro II e a pra\u00e7a Princesa Isabel, transformaram-se em verdadeiras pra\u00e7as-terminais\u201d, completa. Muitos locais p\u00fablicos do centro, assim, perdiam o car\u00e1ter de serem pontos de encontro e passavam a ser locais de passagem.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto_detalhe\"><span class=\"texto_detalhe\">Segundo a historiadora Deborah Neves, j\u00e1 a partir dos anos 1960, sob a Ditadura Militar, a ideia de que os espa\u00e7os p\u00fablicos deveriam promover encontros foi abandonada de vez. \u201cS\u00e3o Paulo se transformou, em grande medida, na vitrine da tecnocracia militar, do Brasil grande, assim, algumas escolhas revestidas da ideia de progresso, mas que tornavam a cidade cada vez mais \u00e1rida para a reuni\u00e3o de pessoas, foram tomadas\u201d, diz. \u201cNada mais representativo do que os espa\u00e7os p\u00fablicos perderem sua import\u00e2ncia, afinal, o AI-5, de 1968, proibia o agrupamento de pessoas\u201d, completa.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto_detalhe\"><span class=\"texto_detalhe\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"larguraBox\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cartamaior.com\/cmimagens\/el02.jpg?w=640\" alt=\"\" \/><\/span><em>Registro da constru\u00e7\u00e3o do Minhoc\u00e3o, batizado de elevado Costa e Silva e hoje chamado Jo\u00e3o Goulart<\/em><\/p>\n<p class=\"texto_detalhe\"><span class=\"texto_detalhe\">Simb\u00f3lico desse momento tamb\u00e9m, lembra Neves, \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o do Minhoc\u00e3o, pista elevada de cerca de tr\u00eas quil\u00f4metros que acabou virando um s\u00edmbolo da separa\u00e7\u00e3o entre bairros ricos e bem urbanizados, como Higien\u00f3polis, e a decad\u00eancia de antigos espa\u00e7os centrais, como o j\u00e1 mencionado Campos El\u00edsios. Al\u00e9m do elevado, a demoli\u00e7\u00e3o do Parque Dom Pedro II, na d\u00e9cada de 1970, \u00e9 outro exemplo. Uma foto famosa do fot\u00f3grafo German Lorca mostra um homem caminhando tranquilamente no buc\u00f3lico parque nos anos 1950. A imagem, desde a implanta\u00e7\u00e3o do atual terminal vi\u00e1rio, \u00e9 impens\u00e1vel. O Dom Pedro II hoje, como define a urbanista Meyer, transformou-se em uma pra\u00e7a-terminal, deixando, por completo, a fotografia de Lorca no passado.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto_detalhe\"><span class=\"texto_detalhe\">Para Meyer, o centro foi a principal v\u00edtima do abandono dos bondes, do crescimento desordenado da cidade e da op\u00e7\u00e3o pelos autom\u00f3veis \u2013 segundo ela, entre 1956 e 1970, a quantidade de ve\u00edculos motorizados aumentou 1000%. Em grande parte, o centrou se transformou num local por qual as pessoas deveriam passar para continuar o trajeto para seus trabalhos: no lugar de perman\u00eancia, tr\u00e2nsito. Assim, pelas ruas centrais, explica Meyer, dois milh\u00f5es de pessoas come\u00e7aram a ser despejadas para poderem ir de uma zona a outra da cidade.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto_detalhe\"><span class=\"texto_detalhe\"><iframe loading=\"lazy\" width=\"850\" height=\"615\" frameborder=\"0\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/j44cTNnDHps\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/span><\/p>\n<p><em>O ent\u00e3o prefeito Paulo Maluf anuncia constru\u00e7\u00e3o do Minhoc\u00e3o<\/em><\/p>\n<p class=\"texto_detalhe\"><span class=\"texto_detalhe\">\u201cPara abrir espa\u00e7o para esse imenso fluxo de pessoas foram criados quase oito quil\u00f4metros de ruas exclusivas para pedestres. O que parecia uma vit\u00f3ria das pessoas contra os ve\u00edculos, feito sem planejamento e de forma cont\u00ednua, revelou-se mais um problema\u201d, comenta Meyer. No final da d\u00e9cada de 1970, quando essa grande zona exclusiva para pedestres foi criada, muitos com\u00e9rcios que estavam no centro, sobretudo os bancos, que passaram a enfrentar problemas log\u00edsticos, optaram por sair da regi\u00e3o. Meyer, contudo, ressalta que o problema n\u00e3o \u00e9 a zona de pedestres, mas o modo como ela foi implantada, sem planejamento adequado, e em uma cidade voltada para a l\u00f3gica do autom\u00f3vel.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto_detalhe\"><b>O centro est\u00e1 vivo<\/b><\/p>\n<p class=\"texto_detalhe\"><span class=\"texto_detalhe\">\u201cO importante \u00e9 n\u00e3o ficar seduzido pela visibilidade desses eventos isolados. Os marcos sozinhos n\u00e3o s\u00e3o respons\u00e1veis por tudo, h\u00e1 um processo menos vis\u00edvel e mais longo, que parece subterr\u00e2neo ao olho nu, e que tem um alcance muito maior\u201d, defende o urbanista Vinicius Netto. Ter isso em mente \u00e9 importante, segundo ele, porque faz com que se evite ideias r\u00e1pidas a partir de acontecimentos isolados, como dizer que o centro da cidade \u00e9 degradado. \u201cO centro de S\u00e3o Paulo, embora n\u00e3o seja mais o que foi no passado, est\u00e1 vivo, e \u00e9 criativo. Como um local com cerca de 18% do emprego formal da cidade pode ser considerado morto? Grande parte da vida econ\u00f4mica ainda acontece por l\u00e1\u201d, diz Vinicius Netto, retomando a discuss\u00e3o sobre degrada\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto_detalhe\"><span class=\"texto_detalhe\">Para a urbanista Laura Sobral, S\u00e3o Paulo \u00e9 hoje uma cidade com uma imensa periferia sem infraestrutura formal, verdadeiras ilhas de prosperidade em alguns bairros centrais e um centro que \u00e9 uma mistura desses dois mundos. \u201cClaramente, o centro perdeu protagonismo em muitas coisas, mas acredito que ele seja um retrato bem fiel da cidade, no sentido de que h\u00e1 diferentes tipos de usos e pessoas\u201d, diz Sobral. A urbanista Sabrina Fontenele, que tem um estudo sobre os edif\u00edcios modernistas da cidade e o tra\u00e7ado urbano do centro, concorda. \u201cDepois de d\u00e9cadas de esvaziamento, acho que o Centro tem passado por um processo interessante recentemente. Os blocos de Carnaval, as festas nas ruas, o Minhoc\u00e3o sendo ocupado como parque d\u00e3o uma impress\u00e3o de que existe um interesse genu\u00edno de ocupar os espa\u00e7os p\u00fablicos na cidade\u201d, diz.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto_detalhe\"><span class=\"texto_detalhe\">Defender que o centro est\u00e1 vivo e \u00e9 criativo, contudo, n\u00e3o \u00e9 fechar os olhos para seus problemas estruturais. Todos os urbanistas ouvidos concordam que a regi\u00e3o precisa de investimentos e melhorias, principalmente na quest\u00e3o da habita\u00e7\u00e3o, mas que nada pode ser feito sem que o poder p\u00fablico comece a agir. \u201cEfetivamente s\u00e3o necess\u00e1rias pol\u00edticas p\u00fablicas que estimulem habita\u00e7\u00e3o na \u00e1rea central para as v\u00e1rias faixas de renda e que, ao mesmo tempo, incentivem a conserva\u00e7\u00e3o e o uso dos pr\u00e9dios tombados\u201d, diz Fontenele.<\/span><\/p>\n<p class=\"texto_detalhe\"><span class=\"texto_detalhe\">\u201cO centro j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais o que era. E deveria? Em que medida ele era excludente, por exemplo? Em que medida ele era inclusivo? Isso n\u00e3o \u00e9 colocado. Quando se fala em degrada\u00e7\u00e3o, parece que h\u00e1 certa nostalgia do que o centro foi e que n\u00e3o ajuda a pensar o espa\u00e7o hoje em dia\u201d, diz Sobral. As pr\u00f3prias ocupa\u00e7\u00f5es de im\u00f3veis vazios, como acontecia no Winston Paes, s\u00e3o um s\u00edmbolo dessa vitalidade cultural, na medida em que abrigam, sob um mesmo teto, pessoas de realidades e origens diferentes \u2013 um local onde brasileiros, africanos, asi\u00e1ticos e latinos se encontram. Ao contr\u00e1rio de degrada\u00e7\u00e3o, hoje, h\u00e1 ali uma certa babel \u2013 que S\u00e3o Paulo j\u00e1 foi conhecida por ser na \u00e9poca da imigra\u00e7\u00e3o dos europeus \u2013 e que agora, longe do centro, \u00e9 dif\u00edcil perceber.<\/span><\/p>\n<p>https:\/\/www.cartamaior.com.br\/?\/Editoria\/Cidades\/Desigualdade-vitalidade-e-decadencia-o-que-aconteceu-com-o-centro-de-SP\/38\/40214<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Andr\u00e9 de Oliveira &#8211; Urbanistas analisam processo hist\u00f3rico que fez com que, a partir de 1960, centro fosse esvaziado. 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