{"id":8696,"date":"2018-07-31T12:25:52","date_gmt":"2018-07-31T15:25:52","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=8696"},"modified":"2018-07-30T18:28:15","modified_gmt":"2018-07-30T21:28:15","slug":"conflito-distributivo-de-classes-inundou-e-continua-inundando-o-processo-politico-nacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2018\/07\/31\/conflito-distributivo-de-classes-inundou-e-continua-inundando-o-processo-politico-nacional\/","title":{"rendered":"Conflito distributivo de classes inundou e continua inundando o processo pol\u00edtico nacional"},"content":{"rendered":"<p><strong>Vitor Necchi<\/strong> &#8211;\u00a0Quest\u00f5es importantes da pol\u00edtica brasileira, em especial as crises durante os mandatos dos ex-presidentes Luiz In\u00e1cio Lula da Silva e Dilma Rousseff, s\u00e3o analisadas pelo professor Armando Boito Jr. no livro Reforma e crise pol\u00edtica no Brasil: os conflitos de classe nos governos do PT, lan\u00e7ado recentemente. Ao tratar dos fatos que possibilitaram um ciclo de quatro vit\u00f3rias consecutivas do PT nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais, o autor observa que os governos Lula e Dilma \u201corganizaram uma ampla frente pol\u00edtica que, na disputa eleitoral, era muito dif\u00edcil de ser batida\u201d.<\/p>\n<p>Conforme Boito Jr., em entrevista concedida por e-mail \u00e0 IHU On-Line, \u201ca grande burguesia interna apoiava esses governos e financiava suas campanhas eleitorais\u201d e, na crise decorrente do Mensal\u00e3o em 2005, \u201cessa fra\u00e7\u00e3o burguesa saiu em defesa do governo Lula\u201d. A frente era forte o suficiente para vencer elei\u00e7\u00f5es, mas se revelou \u201cfr\u00e1gil diante da ofensiva pol\u00edtica restauradora do neoliberalismo puro e duro, representante do capital internacional e da burguesia a ele integrada, quando esse campo abandonou o jogo democr\u00e1tico e partiu para a a\u00e7\u00e3o golpista\u201d. Neste cen\u00e1rio, \u201cparte da grande burguesia interna abandonou o governo, parte ficou neutra\u201d.<\/p>\n<p>Ao refletir sobre os arranjos de poder realizados desde o golpe militar de 1964, o autor afirma que \u201co grande capital det\u00e9m a hegemonia no bloco do poder no Brasil\u201d. A ditadura promovia um programa desenvolvimentista cl\u00e1ssico e \u201creservou um lugar proeminente para a grande burguesia interna na sua pol\u00edtica econ\u00f4mica\u201d. Na transi\u00e7\u00e3o para a democracia, permaneceu a hegemonia do grande capital, mas \u201cas grandes empresas nacionais foram deslocadas para segundo plano na pol\u00edtica econ\u00f4mica, que passou a priorizar o capital internacional\u201d nos governos de Fernando Henrique Cardoso. Em 2002, a grande burguesia interna voltou a ocupar posi\u00e7\u00e3o central. O elemento de continuidade \u00e9 que \u201co grande capital foi sempre hegem\u00f4nico\u201d.<\/p>\n<p>Boito Jr. analisa aquilo que denomina o programa econ\u00f4mico neodesenvolvimentista iniciado com o primeiro governo Lula e que estabeleceu um ciclo de crescimento econ\u00f4mico e de pol\u00edticas de redistribui\u00e7\u00e3o de renda. Avalia tamb\u00e9m as duas fases das manifesta\u00e7\u00f5es de Junho de 2013. No que se refere aos mandatos do PT, afirma que \u201cn\u00e3o era um governo popular ou dos trabalhadores\u201d, mas \u201co governo da grande burguesia interna que contemplava, secundariamente, interesses do campo popular\u201d. Destaca ainda que a \u201cgrande burguesia interna apoiou o governo at\u00e9 o ano de 2015\u201d, conforme detalha no livro, apoiado a partir de documenta\u00e7\u00e3o produzida por associa\u00e7\u00f5es empresariais.<\/p>\n<p>Em seu livro, Boito Jr. apresenta facetas da crise e sugere que esses fatos expressam conflitos distributivos de classes e fra\u00e7\u00f5es de classe. \u201cO conflito distributivo de classes inundou e continua inundando o processo pol\u00edtico nacional\u201d, afirma.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2018\/07\/9-7_armando_boito_jr_foto_jornal_grande_bahia.jpg?w=640\" \/><\/p>\n<p>Confira a entrevista.<\/p>\n<p>IHU On-Line \u2013 No livro que o senhor lan\u00e7ou recentemente, Reforma e crise pol\u00edtica no Brasil: os conflitos de classe nos governos do PT (Editora Unicamp, 2018), como s\u00e3o analisadas as circunst\u00e2ncias que possibilitaram um ciclo de quatro vit\u00f3rias consecutivas do PT nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais?<\/p>\n<p>Armando Boito Jr. \u2013 Os governos do PT organizaram uma ampla frente pol\u00edtica que, na disputa eleitoral, era muito dif\u00edcil de ser batida. Essa frente reunia as grandes empresas de capital nacional \u2013 que denomino no meu livro de grande burguesia interna, que \u00e9 uma fra\u00e7\u00e3o burguesa que ocupa uma posi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica intermedi\u00e1ria entre a antiga burguesia nacional e a burguesia integrada ao capital internacional \u2013, amplos setores da classe oper\u00e1ria e da baixa classe m\u00e9dia, parte importante do campesinato e o contingente mais numeroso da sociedade brasileira que s\u00e3o os trabalhadores da massa marginal. Esses \u00faltimos eram a grande reserva de votos do PT gra\u00e7as n\u00e3o a uma suposta lideran\u00e7a carism\u00e1tica ou demag\u00f3gica de Lula, ao contr\u00e1rio do que afirmam os liberais, mas, sim, \u00e0s pol\u00edticas de transfer\u00eancia de renda, de recupera\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo e de amplia\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os p\u00fablicos dos governos petistas.<\/p>\n<p>A grande burguesia interna apoiava esses governos e financiava suas campanhas eleitorais. Na chamada Crise do Mensal\u00e3o em 2005, essa fra\u00e7\u00e3o burguesa saiu em defesa do governo Lula. O PT estava perto de se tornar o partido dominante no sistema partid\u00e1rio brasileiro, marginalizando o PSDB e os demais. Contudo, se era forte para vencer elei\u00e7\u00f5es, essa frente revelou-se fr\u00e1gil diante da ofensiva pol\u00edtica restauradora do neoliberalismo puro e duro, representante do capital internacional e da burguesia a ele integrada, quando esse campo abandonou o jogo democr\u00e1tico e partiu para a a\u00e7\u00e3o golpista.<\/p>\n<p>O que foi que vimos, ent\u00e3o? Parte da grande burguesia interna abandonou o governo, parte ficou neutra. Essa fra\u00e7\u00e3o burguesa foi atra\u00edda pela campanha oposicionista que pleiteava uma nova onda de reformas neoliberais. Os trabalhadores da massa marginal, eleitorado mais fiel do PT, revelou-se sem condi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e ideol\u00f3gicas para sair \u00e0s ruas em defesa do governo. Isso foi assim porque eles mantinham uma rela\u00e7\u00e3o de tipo populista \u2013 apoio pol\u00edtico difuso, sem organiza\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria \u2013 com os governos petistas. A frente ampla, e por isso mesmo heterog\u00eanea e repleta de contradi\u00e7\u00f5es, ruiu.<\/p>\n<p>IHU On-Line \u2013 Depois da ditadura, sucessivos governos \u2013 incluindo os do PT \u2013 acomodaram pessoas e setores, como entidades empresariais, que eram articulados com o regime militar. Al\u00e9m dessa pr\u00e1tica, manteve-se a corrup\u00e7\u00e3o institucionalizada. Qual a possibilidade de se romper com esse modelo?<\/p>\n<p>Armando Boito Jr. \u2013 Desde a ditadura militar, o grande capital det\u00e9m a hegemonia no bloco do poder no Brasil. A ditadura, com o seu programa desenvolvimentista cl\u00e1ssico, reservou um lugar proeminente para a grande burguesia interna na sua pol\u00edtica econ\u00f4mica. Foi a \u00e9poca da tr\u00edplice alian\u00e7a: grandes empresas nacionais privadas, estatais e o capital internacional. Esse \u00faltimo aceitou o desenvolvimentismo.<\/p>\n<p>Na passagem da ditadura para a democracia, o grande capital continuou hegem\u00f4nico, mas, a partir do chamado Consenso de Washington, que estabeleceu o ataque neoliberal contra os trabalhadores e tamb\u00e9m \u2013 o que muitos analistas n\u00e3o percebem \u2013 contra os mecanismos de prote\u00e7\u00e3o da economia nacional dos pa\u00edses dependentes, a partir de ent\u00e3o houve um deslocamento no interior do grande capital. As grandes empresas nacionais foram deslocadas para segundo plano na pol\u00edtica econ\u00f4mica, que passou a priorizar o capital internacional. Os governos de Fernando Henrique Cardoso representam esse deslocamento.<\/p>\n<p>A partir de 2002, a grande burguesia interna volta a ocupar, paulatinamente, posi\u00e7\u00e3o central no interior do bloco no poder. N\u00e3o tivemos uma volta ao que ocorria no per\u00edodo da ditadura porque, nos governos do PT, a grande burguesia interna tinha de aceitar, como indiquei na resposta anterior, medidas de pol\u00edtica social que faziam concess\u00f5es \u00e0s classes populares. Portanto, ao longo de todo esse per\u00edodo, o grande capital foi sempre hegem\u00f4nico. Esse \u00e9 o elemento de continuidade. Por\u00e9m, h\u00e1 dois aspectos que indicam descontinuidades importantes. O primeiro s\u00e3o as posi\u00e7\u00f5es ocupadas pelos segmentos ou subfra\u00e7\u00f5es desse grande capital que variam ao longo do per\u00edodo. Ora \u00e9 o grande capital internacional que det\u00e9m a hegemonia, ora o grande capital local. O segundo aspecto que marca descontinuidade s\u00e3o as diferen\u00e7as relativas ao sistema de alian\u00e7as entre as for\u00e7as integrantes do bloco no poder e as classes populares. Romper com esse esquema todo significaria romper com a hegemonia do grande capital no interior do bloco no poder, mas \u00e9 muito duvidoso que isso possa ser feito sem romper, tamb\u00e9m, com o regime pol\u00edtico e a legalidade vigentes.<\/p>\n<p>IHU On-Line \u2013 O senhor analisa no livro aquilo que denomina o programa econ\u00f4mico neodesenvolvimentista iniciado com o primeiro governo Lula e que estabeleceu um ciclo de crescimento econ\u00f4mico e de pol\u00edticas de redistribui\u00e7\u00e3o de renda. Quando e por que este modelo come\u00e7ou a ruir?<\/p>\n<p>Armando Boito Jr. \u2013 A pol\u00edtica neodesenvolvimentista \u00e9 a pol\u00edtica de desenvolvimento capitalista que rompe com a pol\u00edtica neoliberal sem romper com o modelo econ\u00f4mico capitalista neoliberal. \u00c9 o desenvolvimentismo, modesto e truncado, poss\u00edvel dentro desse modelo de capitalismo. Cria nichos de protecionismo para a produ\u00e7\u00e3o local sem romper com a abertura comercial, cria financiamento p\u00fablico a juros baixos para as empresas sem romper com a pol\u00edtica de super\u00e1vit prim\u00e1rio e de juros elevados, faz pol\u00edtica de investimento p\u00fablico \u2013 lembremos do PAC [Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento] \u2013 e de combate \u00e0 pobreza sem romper com a rolagem da d\u00edvida p\u00fablica e assim por diante.<\/p>\n<p>O modelo econ\u00f4mico, que fora mantido, limita a pol\u00edtica de crescimento por interm\u00e9dio da interven\u00e7\u00e3o do Estado. Essa pol\u00edtica come\u00e7ou a ruir numa conjuntura que reuniu elementos econ\u00f4micos e pol\u00edticos d\u00edspares. A crise econ\u00f4mica internacional e a queda do pre\u00e7o das commodities restringiu a margem de a\u00e7\u00e3o do governo, o governo Dilma adotou em 2015 uma pol\u00edtica de recuo passivo diante do monetarismo, o capital internacional e a fra\u00e7\u00e3o burguesa a ele integrada, apoiados na mobiliza\u00e7\u00e3o da alta classe m\u00e9dia, iniciaram uma ofensiva pol\u00edtica restauradora e \u2013 \u00faltimo, mas importante elemento \u2013 a grande burguesia interna, ou parte importante dela, desertou da frente pol\u00edtica neodesenvolvimentista.<\/p>\n<p>IHU On-Line \u2013 As manifesta\u00e7\u00f5es de Junho de 2013 foram um alerta n\u00e3o entendido pelo governo Dilma e, de maneira mais ampla, pela esquerda? Como a direita se relacionou com Junho de 2013?<\/p>\n<p>Armando Boito Jr. \u2013 As manifesta\u00e7\u00f5es de Junho de 2013 apresentam duas fases distintas. A primeira \u00e9 uma fase popular tanto por sua reivindica\u00e7\u00e3o \u2013 redu\u00e7\u00e3o das tarifas de transporte \u2013 quanto pela composi\u00e7\u00e3o social dos manifestantes. Nessa fase, o Movimento Passe Livre &#8211; MPL \u00e9 o propulsor do movimento. H\u00e1 estudos que mostram que os manifestantes eram em sua maioria jovens de origem popular que eram, ao mesmo tempo, trabalhadores e estudantes. Podemos afirmar que se tratava de benefici\u00e1rios dos governos neodesenvolvimentistas do PT, as camadas pobres que ascenderam ao ensino superior gra\u00e7as a programas como Prouni [Programa Universidade para Todos], Reuni [Programa de Apoio a Planos de Reestrutura\u00e7\u00e3o e Expans\u00e3o das Universidades Federais] e Fies [Fundo de Financiamento Estudantil], mas que n\u00e3o encontravam no mercado de trabalho os empregos qualificados e bem remunerados que imaginavam que encontrariam. Era uma contradi\u00e7\u00e3o nova no processo: benefici\u00e1rios insatisfeitos.<\/p>\n<p>A segunda fase \u00e9 diferente. O capital internacional e a burguesia a ele integrada j\u00e1 haviam iniciado uma ofensiva restauradora em janeiro de 2013, antes, portanto, das manifesta\u00e7\u00f5es de Junho. Focavam sua cr\u00edtica na pol\u00edtica de redu\u00e7\u00e3o dos juros e elegeram o ministro Guido Mantega e sua nova matriz econ\u00f4mica como inimigos p\u00fablicos n\u00famero um. Esse campo, inicialmente, deu as costas ou combateu tais manifesta\u00e7\u00f5es, mas, depois, perceberam que poderiam \u201cconfisc\u00e1-la\u201d em seu pr\u00f3prio proveito. Como o MPL recusava-se, devido ao culto do espontane\u00edsmo que o caracteriza, a dirigir de fato o movimento, este ficou vulner\u00e1vel ao confisco da direita.<\/p>\n<p>A partir de 20 de junho, mudam a composi\u00e7\u00e3o social e as reivindica\u00e7\u00f5es dos manifestantes. Entra em cena a luta dita contra a corrup\u00e7\u00e3o. Depois disso, vieram as manifesta\u00e7\u00f5es contra a Copa do Mundo, o crescimento da candidatura neoliberal de A\u00e9cio Neves e o desgaste do governo Dilma. Esse, por sua vez, fez uma t\u00edmida tentativa de atender positivamente a insatisfa\u00e7\u00e3o popular ao cogitar a convoca\u00e7\u00e3o de uma Constituinte. Mas foi um breve aceno, abandonado assim que o PMDB, tendo \u00e0 frente Michel Temer, saiu a campo para dizer que n\u00e3o aceitaria Constituinte alguma. Combinaram-se, ent\u00e3o, dois tipos de contradi\u00e7\u00e3o: uma no interior da frente pol\u00edtica neodesenvolvimentista, que era uma contradi\u00e7\u00e3o nova oriunda da baixa qualidade dos postos de trabalho criados pelos governos do PT, e outra ativa desde o in\u00edcio desses governos, que era a contradi\u00e7\u00e3o principal, opondo o campo neoliberal, vinculado ao capital internacional, e o campo neodesenvolvimentista.<\/p>\n<p>IHU On-Line \u2013 Ao se analisar o impeachment de Dilma Rousseff, passados dois anos, sobressaem duas explica\u00e7\u00f5es para o processo que levou \u00e0 deposi\u00e7\u00e3o da ex-presidente: uma afirma que a deposi\u00e7\u00e3o resultou da a\u00e7\u00e3o das elites para retomar o poder e outra fala em acirramento do conflito entre a esquerda e a direita a partir da elei\u00e7\u00e3o de 2014. Isso \u00e9 suficiente para explicar uma das mais graves crises pol\u00edticas do pa\u00eds?<\/p>\n<p>Armando Boito Jr. \u2013 O PT n\u00e3o era um governo popular ou dos trabalhadores. Era o governo da grande burguesia interna que contemplava, secundariamente, interesses do campo popular. A grande burguesia interna apoiou o governo at\u00e9 o ano de 2015. Mostro isso em detalhes no meu livro e apoiado na documenta\u00e7\u00e3o produzida pelas associa\u00e7\u00f5es empresariais. Como j\u00e1 disse, em 2005 foi essa fra\u00e7\u00e3o burguesa que salvou o governo Lula \u2013 tem um cap\u00edtulo do meu livro que trata desse tema. Logo, as \u201celites\u201d \u2013 uso o termo para fins de pol\u00eamica, mas eu o considero vago e impreciso \u2013 apoiavam o governo. Quanto \u00e0 tese que nos fala da luta entre a \u201cesquerda\u201d e a \u201cdireita\u201d, ela tamb\u00e9m nos coloca num terreno muito movedi\u00e7o. O que \u00e9 uma e o que \u00e9 outra? Quais setores sociais integram cada um desses campos? O que realmente importa \u00e9 detectar, de modo o mais preciso poss\u00edvel, de um lado, quais classes e fra\u00e7\u00f5es de classe estavam representadas no governo, quais ocupavam a posi\u00e7\u00e3o hegem\u00f4nica e quais ocupavam posi\u00e7\u00f5es perif\u00e9ricas, e, de outro lado, quais, tendo os seus interesses relegados a segundo plano ou ignorados, integravam a oposi\u00e7\u00e3o. \u00c9 a\u00ed que come\u00e7a a an\u00e1lise pol\u00edtica.<\/p>\n<p>IHU On-Line \u2013 Em seu livro, o senhor apresentou algumas facetas da crise: polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica na elei\u00e7\u00e3o de 2014, disputa entre neodesenvolvimentismo e neoliberalismo, grandes mobiliza\u00e7\u00f5es de rua pr\u00f3 e contra Dilma e Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato, entre outras. Sustenta tamb\u00e9m que esses fatos expressam conflitos distributivos de classes e fra\u00e7\u00f5es de classe. Comente isso.<\/p>\n<p>Armando Boito Jr. \u2013 Sobre essa quest\u00e3o, gostaria de destacar tr\u00eas aspectos. E fa\u00e7o isso porque tais aspectos s\u00e3o, na grande maioria das vezes, ignorados pela bibliografia que, analisando o Brasil, utiliza o conceito de classe social.<\/p>\n<p>O primeiro \u00e9 que, no Brasil, n\u00e3o temos, atualmente, aquilo que podemos denominar, apropriadamente, luta de classes, isto \u00e9, um conflito em torno da forma de organiza\u00e7\u00e3o da vida social \u2013 um campo dirigido pelos trabalhadores almejando a passagem ao socialismo e outro, dirigido pela burguesia, lutando para manter o capitalismo. O que temos \u00e9 um conflito distributivo de classes e esse se d\u00e1 em torno da redistribui\u00e7\u00e3o da riqueza produzida. Os capitalistas querem aumentar a mais valia apropriada, valorizar o valor, acumular, enquanto os trabalhadores querem se apropriar dos valores de uso para melhorar suas condi\u00e7\u00f5es de vida.<\/p>\n<p>O segundo aspecto \u00e9 que esse conflito n\u00e3o \u00e9 simples, n\u00e3o op\u00f5e, de modo simplificado, o \u201ccapital\u201d ao \u201ctrabalho\u201d. Em cada um desses dois campos h\u00e1 segmenta\u00e7\u00f5es e divis\u00f5es. H\u00e1 as fra\u00e7\u00f5es burguesas, cujos interesses econ\u00f4micos de curto prazo divergem. H\u00e1 diferentes classes trabalhadoras \u2013 o campon\u00eas n\u00e3o luta por objetivos iguais aos dos oper\u00e1rios que, por sua vez, t\u00eam reivindica\u00e7\u00f5es e ideologia distintas daquelas da classe m\u00e9dia. O conflito distributivo de classe \u00e9 multifacetado, complexo. Eu me esfor\u00e7o para dar conta dessa complexidade na an\u00e1lise que fa\u00e7o no meu livro.<\/p>\n<p>Quanto ao terceiro aspecto importante: o conflito de classes n\u00e3o pode ser visto como algo confinado ao terreno da economia. Para analisar as ideias, os programas pol\u00edticos, as institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e estatais, \u00e9 preciso remet\u00ea-las ao conflito de classes. No meu livro, fa\u00e7o uma an\u00e1lise do v\u00ednculo do sistema judici\u00e1rio com o imperialismo e com a alta classe m\u00e9dia, procuro mostrar tamb\u00e9m como diferentes fra\u00e7\u00f5es da burguesia fizeram de diferentes institui\u00e7\u00f5es do Estado \u2013 como o BNDES, o Banco Central, a Petrobras e outras \u2013 centros de poder a partir dos quais levam adiante suas plataformas e programas. Procuro detectar, para dar mais um exemplo, os la\u00e7os complexos entre, de um lado, a pol\u00edtica neodesenvolvimentista e os interesses da grande burguesia interna e, de outro lado, a pol\u00edtica neoliberal pura e dura e os interesses do capital internacional. O conflito distributivo de classes inundou e continua inundando o processo pol\u00edtico nacional.<\/p>\n<p>IHU On-Line \u2013 O que permitiu o avan\u00e7o das reformas neoliberais apresentadas pelo presidente Michel Temer?<\/p>\n<p>Armando Boito Jr. \u2013 A fragilidade pol\u00edtica demonstrada pela frente neodesenvolvimentista para travar a luta fora do processo eleitoral e, particularmente, a fragilidade pol\u00edtica do campo popular. Veja, as maiores dificuldades vividas pelo governo Temer originaram-se n\u00e3o do campo popular, mas do pr\u00f3prio interior do campo golpista. Foram as duas den\u00fancias da Procuradoria Geral da Rep\u00fablica contra o governo. Tivemos a greve de 28 de abril que foi forte, mas foi s\u00f3. Hoje, temos o ex-presidente Lula preso, devido a uma evidente persegui\u00e7\u00e3o judicial, e ainda n\u00e3o fomos capazes de organizar um movimento nacional pela sua liberta\u00e7\u00e3o e candidatura. \u00c9 aquela coisa: dissemos que n\u00e3o ia ter golpe, mas teve, que Lula n\u00e3o seria preso, mas ele foi preso, e assim por diante. O contraste entre a grande prefer\u00eancia eleitoral pelo ex-presidente e a aus\u00eancia de movimento nacional pela sua soltura e candidatura \u00e9 gritante. A principal base social dos governos do PT, os trabalhadores da massa marginal, n\u00e3o se move, ela estava e est\u00e1 desorganizada. O sindicalismo est\u00e1 neutralizado e dividido. A burguesia, a alta classe m\u00e9dia, o sistema de justi\u00e7a, a grande m\u00eddia, todo o campo golpista est\u00e1 vendo e avaliando esse quadro. Eles percebem que podem seguir avan\u00e7ando. O campo popular est\u00e1 fr\u00e1gil, na defensiva.<\/p>\n<p>IHU On-Line \u2013 H\u00e1 um esgotamento das tradicionais formas de representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica?<\/p>\n<p>Armando Boito Jr. \u2013 Tem muito mal-entendido e subjetivismo no debate dessa quest\u00e3o. \u00c9 preciso examinar o problema para as diferentes classes sociais. Para os trabalhadores da massa marginal que, repito, \u00e9 o maior contingente populacional do pa\u00eds, n\u00e3o h\u00e1 crise de representa\u00e7\u00e3o nenhuma. Eles est\u00e3o com Lula e n\u00e3o abrem. Sentem-se perfeitamente representados pelo ex-presidente e se dar\u00e3o por satisfeitos se ele puder se candidatar. Querem democracia representativa e elei\u00e7\u00e3o \u2013 com Lula. O \u00fanico problema deles \u00e9 que cassaram a candidatura Lula. A burguesia que, no momento, reunificou-se \u2013 sem eliminar completamente suas contradi\u00e7\u00f5es \u2013 em torno da proposta de novas reformas neoliberais, essa classe social est\u00e1 com problema para encontrar um candidato que seja eleitoralmente forte. Mas isso n\u00e3o pode ser denominado \u201cesgotamento das tradicionais formas de representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica\u201d, a n\u00e3o ser que se entenda por isso um afastamento ou desconfian\u00e7a diante da democracia, da elei\u00e7\u00e3o e uma tend\u00eancia a desidratar a democracia e, no limite, aspirar a uma ditadura. Mas n\u00e3o \u00e9 disso que falam os intelectuais que t\u00eam sustentado a tese da \u201ccrise de representa\u00e7\u00e3o\u201d. Esses intelectuais, quando se referem ao \u201cesgotamento das tradicionais formas de representa\u00e7\u00e3o\u201d, est\u00e3o sugerindo que a democracia representativa est\u00e1 em processo de decl\u00ednio e que o novo, que estaria surgindo na pr\u00e1tica ou que estaria ganhando o imagin\u00e1rio popular, seriam as pr\u00e1ticas de democracia direta. Infelizmente, n\u00e3o vejo nada na realidade que respalde tal avalia\u00e7\u00e3o. Infelizmente.<\/p>\n<p>IHU On-Line \u2013 O que acontece com a democracia no Brasil? Por que se vive um tempo de instabilidade e fragilidade pol\u00edtica?<\/p>\n<p>Armando Boito Jr. \u2013 Aconteceu algo que n\u00e3o \u00e9 novo na hist\u00f3ria dos pa\u00edses de capitalismo dependente. Diante de um governo reformista, mesmo que superficialmente reformista, parte importante da burguesia e da alta classe m\u00e9dia rompeu com a democracia e logrou atrair ou neutralizar importantes setores populares. A grande m\u00eddia e a campanha imperialista, que se d\u00e1 em todo o mundo e n\u00e3o s\u00f3 no Brasil, que \u00e9 a campanha que se diz contra a corrup\u00e7\u00e3o, tiveram um papel muito importante nessa opera\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Eu fa\u00e7o uma an\u00e1lise sociol\u00f3gica e pol\u00edtica do discurso contra a corrup\u00e7\u00e3o no meu livro. O assunto \u00e9 complexo. Mas podemos, de maneira breve, afirmar que essa campanha, ao mesmo tempo, atende \u00e0 ideologia espont\u00e2nea da classe m\u00e9dia, envolve, por raz\u00f5es variadas, parte da popula\u00e7\u00e3o trabalhadora de baixa renda e \u00e9 instrumentalizada \u2013 da\u00ed ser seletiva \u2013 pelos interesses do capital internacional e da burguesia associada. Trato disso no cap\u00edtulo nove do livro.<\/p>\n<p>IHU On-Line \u2013 Frente ao cen\u00e1rio que antecede as elei\u00e7\u00f5es presidenciais deste ano, que leitura o senhor faz desse processo?<\/p>\n<p>Armando Boito Jr. \u2013 As elei\u00e7\u00f5es s\u00e3o uma inc\u00f3gnita. Cassaram a candidatura Lula, mas n\u00e3o t\u00eam nada para colocar no lugar. Suspender a elei\u00e7\u00e3o vai se tornando cada vez mais dif\u00edcil \u00e0 medida que outubro se aproxima. Penso que, ven\u00e7a quem vencer, a crise pol\u00edtica pode prosseguir ou at\u00e9 se agravar.<\/p>\n<p>http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/580656-conflito-distributivo-de-classes-inundou-e-continua-inundando-o-processo-politico-nacional-entrevista-especial-com-armando-boito-jr<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vitor Necchi &#8211;\u00a0Quest\u00f5es importantes da pol\u00edtica brasileira, em especial as crises durante os mandatos dos ex-presidentes Luiz In\u00e1cio Lula da Silva e Dilma Rousseff, s\u00e3o analisadas pelo professor Armando Boito Jr. no livro Reforma e crise pol\u00edtica no Brasil: os conflitos de classe nos governos do PT, lan\u00e7ado recentemente. 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