{"id":8694,"date":"2018-07-31T09:20:48","date_gmt":"2018-07-31T12:20:48","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=8694"},"modified":"2018-07-30T18:25:32","modified_gmt":"2018-07-30T21:25:32","slug":"argentina-crise-sem-fim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2018\/07\/31\/argentina-crise-sem-fim\/","title":{"rendered":"Argentina: crise sem fim"},"content":{"rendered":"<p><strong>Horacio Rovelli<\/strong> &#8211; O fim que se preparara para o povo \u00e9 um modelo com sal\u00e1rios baixos e forte desemprego estrutural &#8211; que se retroalimenta com um ex\u00e9rcito de m\u00e3o de obra de reserva, que pressiona a remunera\u00e7\u00e3o do trabalho sempre para baixo. A n\u00e3o ser que o pa\u00eds tome consci\u00eancia dessa verdade e empreenda um caminho conjunto para todo o povo argentino, e o primeiro passo desse caminho deve ser obrigar a romper o acordo assinado com o FMI.<\/p>\n<p>O governo de direita de Mauricio Macri, impulsor da nova hegemonia neoliberal, criou uma alian\u00e7a entre o capital financeiro internacional &#8211; atra\u00eddo pelas altas taxas de juros e pela renda dos t\u00edtulos e a\u00e7\u00f5es \u2013 e o setor mais concentrado do mundo rural, incluindo a comercializa\u00e7\u00e3o. Em segunda inst\u00e2ncia, ficava o resto da burguesia argentina, que se beneficiava com a renda financeira, sua convers\u00e3o a d\u00f3lares e a fuga de capitais.<\/p>\n<p>Essa alian\u00e7a se rompeu quando, no final de abril deste 2018, os grandes operadores financeiros, encabe\u00e7ados pelos pr\u00f3prios bancos que distribu\u00edram os t\u00edtulos de d\u00edvida argentino pelo mundo durante a gest\u00e3o de Mauricio Macri (JP Morgan, Merril Lynch, Deustche Bank, HSBC, Stanley Morgan, entre outros), decidiram que era o momento de ir embora da Argentina.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, eles compraram d\u00f3lares baratos \u2013 foram os principais obtentores dos d\u00f3lares do Banco Central (BCRA), que vendeu 1,4 milh\u00f5es na cota\u00e7\u00e3o oficial a 20,20 pesos, do dia 25 de abril \u2013, fazendo um grande neg\u00f3cio, ao transformar seus enormes lucros em pesos, porque as taxas de juros e as rendas cresceram mais que o tipo de c\u00e2mbio nos dois anos pr\u00e9vios, e logo debandaram ao d\u00f3lar, deixando claro qual era seu \u00fanico interesse em investir na Argentina.<\/p>\n<p>Depois de ser usado, Macri ficou sem o apoio externo e foi pedir o resgate ao Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI). Por\u00e9m, como n\u00e3o podia deixar de ser, as condi\u00e7\u00f5es impostas s\u00e3o imposs\u00edveis de cumprir, pelo n\u00edvel de ajuste que se deve fazer nas contas p\u00fablicas do pa\u00eds e das prov\u00edncias \u2013 que n\u00e3o assinaram o acordo, e algumas delas sequer foram consultadas.<\/p>\n<p>Este ajuste que consiste em despedir empregados p\u00fablicos e congelar as remunera\u00e7\u00f5es dos que sobrarem, frear as obras p\u00fablicas, reduzir ainda mais os subs\u00eddios ao transporte e \u00e0 energia, cortar o financiamento para abastecer os centros p\u00fablicos de sa\u00fade com medicamentos e instrumentos, degradar a educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, n\u00e3o ter nem para pagar a luz ou o telefone das diferentes administra\u00e7\u00f5es estatais.<\/p>\n<p>Enquanto a produ\u00e7\u00e3o e o com\u00e9rcio sofrem com as confiscat\u00f3rias taxas de juros, com um mercado que se apequena a passo agigantado, com o conhecido efeito domin\u00f3 da ruptura das cadeias de pagamentos, suspens\u00e3o de tarefas, fechamento de estabelecimentos, demiss\u00e3o de pessoal, d\u00edvidas impag\u00e1veis e aumento da morat\u00f3ria, etc.<\/p>\n<p>Tudo isso para gerar um excedente que se transforme em d\u00f3lares e possa ser empregado no pagamento da d\u00edvida e demais compromissos assumidos, e financiar a fuga de capitais, como aconteceu cada vez que a Argentina fez um acordo com o FMI \u2013 come\u00e7ando pelo Plano Prebisch em 1956, que significou queda do sal\u00e1rio, desemprego, fechamento de pequenos e m\u00e9dios estabelecimentos, concentra\u00e7\u00e3o de riqueza, centraliza\u00e7\u00e3o e fuga de capitais.<\/p>\n<p>O modelo econ\u00f4mico da alian\u00e7a macrista sempre foi insustent\u00e1vel, sempre foi de curto prazo, \u00e0 espera de um \u201calinhamento dos planetas\u201d, para gerar excedentes a favor dos setores sempre beneficiados da Argentina (n\u00e3o mais de 2% da popula\u00e7\u00e3o) e os rentistas do exterior, que, como contamos e vivemos, recompensam Macri pelos bons servi\u00e7os prestado tirando seus capitais do pa\u00eds assim que viram (ou pensaram) que o modelo n\u00e3o garantia mais a extra\u00e7\u00e3o dos mesmos n\u00edveis de lucros acumulados at\u00e9 aquele ent\u00e3o.<\/p>\n<p>A melhor prova e evid\u00eancia do modelo de curt\u00edssimo prazo s\u00e3o essas duas perguntas: 1) que projetos de balan\u00e7o comercial positivo est\u00e3o por tr\u00e1s de cada esquema de financiamento que \u201calegremente\u201d se obteve desde a posse do governo de Macri (10 de dezembro de 2015)? E 2) como se deu o empr\u00e9stimo \u00e0 Argentina de 25% dos cr\u00e9ditos dedicados aos pa\u00edses emergentes, quando o pa\u00eds s\u00f3 representa 0,4% das exporta\u00e7\u00f5es do mundo?<\/p>\n<p>Sabemos que sem as exporta\u00e7\u00f5es n\u00e3o se pode saldar a d\u00edvida, e menos ainda pagar as importa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias, de forma que o modelo se torna insustent\u00e1vel, pois obriga a uma drenagem crescente da sua riqueza para servir a uma d\u00edvida cada vez maior e mais asfixiante. A d\u00edvida externa p\u00fablica cresceu de forma alarmante: em dezembro de 2015, m\u00eas em que Macri tomou posse, era de 222,7 bilh\u00f5es de d\u00f3lares (e a maior parte era intra setor p\u00fablico) e em dezembro de 2017 (\u00faltimo dado oficial) alcan\u00e7ou os 320,9 bilh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n<p>Junto com esses valores, deve-se incluir os 15 bilh\u00f5es de d\u00f3lares da d\u00edvida adquiridos pelo governo at\u00e9 o m\u00eas de mar\u00e7o de 2018, pelo ent\u00e3o ministro de Finan\u00e7as, Luis Caputo, al\u00e9m dos compromissos assumidos com o FMI, outros 15 bilh\u00f5es de d\u00f3lares que entraram no pa\u00eds em 22 de junho de 2018, mas que se incrementariam em 3 bilh\u00f5es por trimestre at\u00e9 chegar aos 50 bilh\u00f5es de d\u00edvida somente com o FMI.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da pol\u00edtica deliberada de colocar t\u00edtulos do Tesouro Nacional (os chamados \u201cletes\u201d), que podem se constituir em pesos, mas se pagam em d\u00f3lares; e dos chamados \u201cb\u00f4nus dual\u201d, que podem ser pagos em pesos ou em d\u00f3lares segundo o gosto do fregu\u00eas; e do fato de que o caminho adotado para lidar com as \u201clebacs\u201d (t\u00edtulos do Banco Central), que eram em pesos e configuram d\u00edvida do BCRA (d\u00edvida quase fiscal) que \u00e9 acumulada \u00e0 d\u00edvida externa p\u00fablica do Tesouro da Naci\u00f3n.<\/p>\n<p>O conjunto de medidas defensivas que vem sendo impulsado pela equipe econ\u00f4mica tem um custo exorbitante em termos de reconhecimento de interesses (tanto em pesos, como no caso da taxa que pagam para renovar as \u201clebacs\u201d, quanto em d\u00f3lares), e no m\u00e1ximo, \u00e9 capaz de frear a cota\u00e7\u00e3o da divisa, mas n\u00e3o a fuga de capitais.<\/p>\n<p>Em 22 de junho, quando a remessa do FMI chegou \u00e0 Argentina, elevou as reservas internacionais do Banco Central a 63,2 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, mas elas logo descenderam em 3,3 bilh\u00f5es em menos de um m\u00eas, ficando em 59,9 bilh\u00f5es de d\u00f3lares em 20 de julho de 2018, segundo o balan\u00e7o publicado pelo pr\u00f3prio BCRA.<\/p>\n<p>As casas especializadas tentam manter a cota\u00e7\u00e3o do c\u00e2mbio em torno dos 28 pesos por unidade da d\u00edvida norte-americana, mas \u00e9 falso dizer que o fazem para conter os pre\u00e7os da cesta b\u00e1sica familiar, embora eles sejam mesmo fortemente ligados \u00e0 cota\u00e7\u00e3o, pela simples raz\u00e3o de que vendemos os mesmo bens que consumimos (alimentos). Na verdade, o fazem para possibilitar que os capitais que n\u00e3o se foram (e se foram mais de 13 bilh\u00f5es neste ano) e possam recuperar os lucros com o diferencial das taxas de juros e o freio cambi\u00e1rio por alguns meses, e cobrir o que deixaram de ganhar em d\u00f3lares pela desvaloriza\u00e7\u00e3o de abril a julho.<\/p>\n<p>Essa renda foi obtida em um marco no qual a taxa dos b\u00f4nus do Tesouro estadunidense superaram a barreira psicol\u00f3gica dos juros a 3% anual e se encaminham para estar mais pr\u00f3ximos dos 4% no final deste ano, enquanto uma das justificativas do governo que explicam a crise cambi\u00e1ria foi o aumento dessa taxa, que continuar\u00e1 aumentando, e \u00e9 \u00f3bvio que os especuladores medem essa renda considerando o valor em pesos, o valor do d\u00f3lar e essa taxa de longo prazo dos Estados Unidos, para converter suas rendas ao d\u00f3lar outra vez, e sair do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Isso vai acontecer com certeza, \u00e9 a l\u00f3gica do capital financeiro, que Mauricio Macri e o governo impuseram ao pa\u00eds e que o FMI chega para consolidar, trazendo os d\u00f3lares para que os especuladores comprem e levem embora do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Se o governo est\u00e1 realmente interessado no principal produto de sua alian\u00e7a econ\u00f4mica com o capital financeiro, que \u00e9 a desvaloriza\u00e7\u00e3o do peso em 75% comparado com os valores de um ano atr\u00e1s, e o efeito imediato disso nos pre\u00e7os de artigos de primeira necessidade (farinha e seus derivados, soja e seus derivados, carnes de todos os tipos, etc) tentaria fazer um acordo com os grandes centros de venda e as principais empresas dos setores estrat\u00e9gicos \u2013 todas muito concentrados, e por isso se sabe quem s\u00e3o os respons\u00e1veis por estipular os pre\u00e7os da soja e das farinhas, por exemplo.<\/p>\n<p>E se tamb\u00e9m estivesse interessado em frear a persistente e crescente fuga de capitais tomaria medidas para limitar a comprar de divisas, e estipularia prazos para liquidar as exporta\u00e7\u00f5es, e n\u00e3o essa estupidez neoliberal de que \u201cos d\u00f3lares pertencem aos exportadores\u201d, quando exportam frutos do pa\u00eds, com trabalho e infraestrutura local, e portanto devem convert\u00ea-los a pesos em um determinado prazo, o que levaria a uma oferta de divisas genu\u00ednas no mercado de c\u00e2mbio argentino.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o, o governo est\u00e1 interessado mesmo \u00e9 em assegurar o lucro das corpora\u00e7\u00f5es e a fuga de capitais, o grande empresariado local e os especuladores de todo tipo que operam no pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Atados ao FMI<\/strong><\/p>\n<p>O acordo com o FMI engloba todas as administra\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, a nacional, as provinciais e as municipais, todos os servi\u00e7os (educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, assist\u00eancia social, os servi\u00e7os b\u00e1sicos de luz, g\u00e1s, \u00e1gua, telecomunica\u00e7\u00f5es, etc) e as obras p\u00fablicas (estradas, pontes, moradias, obras de saneamento, etc).<\/p>\n<p>Sabemos por experi\u00eancia pr\u00f3pria o que significam os planos com o FMI: recordemos os \u00faltimos que desembocaram na crise cambi\u00e1ria de 1989 e na dos Anos 2001-2002. Tamb\u00e9m lemos a respeito do que est\u00e1 acontecendo na Gr\u00e9cia, que sofre a interven\u00e7\u00e3o do FMI desde de 2010, e viu seu PIB cair 30&amp; em oito anos, devido a que o sal\u00e1rio real m\u00e9dio caiu os mesmos 30%, se tornando o \u00fanico pa\u00eds na hist\u00f3ria do capitalismo que sofreu semelhante destrui\u00e7\u00e3o sem entrar numa guerra. Ademais, apresenta uma taxa de desemprego de 20,8% de sua popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa, e que \u00e9 maior entre os jovens (45, 4% entre os menores de 25 anos), o que os obriga a emigrar.<\/p>\n<p>H\u00e1 um informe, conhecido como Staff Report, realizado pelos pr\u00f3prios t\u00e9cnicos do FMI, e publicado na Argentina em 13 de julho de 2018, onde o organismo reconhece que \u201co risco da din\u00e2mica proposta pelo Poder Executivo da Argentina reside em cair em um c\u00edrculo vicioso de mais ajuste e menos atividade, o que demandaria novos cortes de gasto pela queda da renda m\u00e9dia. Em \u00faltima inst\u00e2ncia, o cumprimento da meta fiscal depende do crescimento: a economia entrou em recess\u00e3o e n\u00e3o sabemos quando sair\u00e1\u201d.<\/p>\n<p>Ou seja, o FMI exige medidas de ajuste do gasto, do investimento e do consumo sabendo que elas v\u00e3o a significar um menor n\u00edvel de atividade. Depois, se as metas n\u00e3o forem cumpridas, o governo argentino ter\u00e1 que solicitar um waiver (perd\u00e3o) e com isso haver\u00e1 um agravamento da restri\u00e7\u00e3o externa, o que obrigar\u00e1 a uma nova reestrutura\u00e7\u00e3o da d\u00edvida.<\/p>\n<p>Em realidade, o FMI e o governo de Macri sabem que o plano \u00e9 impratic\u00e1vel, e como n\u00e3o podem aplic\u00e1-lo em sua totalidade decidem enfocar o trabalho em alguns pontos, como despedir gente, diminuir o poder aquisitivo dos sal\u00e1rios, das aposentadorias e pens\u00f5es, entre outras medidas.<\/p>\n<p>Isso permitir\u00e1 a muitas empresas \u2013 especialmente as aliadas do governo, como as energ\u00e9ticas, as do mercado financeiro, e at\u00e9 mesmo o Grupo Clar\u00edn \u2013 recuperar a metade do seu valor. Ademais, a venda de propriedades p\u00fablicas deve ser lida tamb\u00e9m pelos interesses por tr\u00e1s da medida: a reserva petrol\u00edfera de Vaca Muerta, as reservas de l\u00edtio e at\u00e9 a \u00e1gua pot\u00e1vel da Argentina s\u00e3o os verdadeiros alvos.<\/p>\n<p>Conclus\u00e3o<\/p>\n<p>Como se n\u00e3o bastasse a fuga de capitais por mais de 50 bilh\u00f5es de d\u00f3lares desde o in\u00edcio da gest\u00e3o de Mauricio Macri; como se n\u00e3o bastasse as demiss\u00f5es em massa no setor p\u00fablico enquanto nomeia v\u00e1rios funcion\u00e1rios e pessoal hier\u00e1rquico de sua trupe, todos generosamente remunerados com dinheiro estatal; como se n\u00e3o bastasse cortar os impostos sobre as exporta\u00e7\u00f5es, diminuir a al\u00edquota do imposto sobre a riqueza e os impostos aos bens de luxo (supercarros, embarca\u00e7\u00f5es, avi\u00f5es particulares, etc); agora tamb\u00e9m pretendem continuar com esse projeto de favorecimento da especula\u00e7\u00e3o e fuga de d\u00f3lares, repetindo o desastre que se viu em abril, maio e junho deste ano. E o que \u00e9 pior, de forma a produzir lapsos cada vez mais curtos entre uma e outra crise, enquanto a popula\u00e7\u00e3o sofre de maneira indescrit\u00edvel, condenada \u00e0 sobreviv\u00eancia (se poss\u00edvel) que nunca \u00e9 digna.<\/p>\n<p>O n\u00edvel de vida e da atividade econ\u00f4mica cada vez um grau mais abaixo. Quando ele for finalmente afastado do poder, por ser s\u00f3cio (menor, mas s\u00f3cio ao fim) dos grandes capitais que fazem seu neg\u00f3cio \u00e0s custas do pa\u00eds, e da popula\u00e7\u00e3o, e do presente e do futuro, a burguesia que manda na Argentina tentar\u00e1 levar adiante um modelo com sal\u00e1rios baixos e forte desemprego estrutural \u2013 que se retroalimenta com um ex\u00e9rcito de m\u00e3o de obra de reserva, que pressiona a remunera\u00e7\u00e3o do trabalho sempre para baixo.<\/p>\n<p>O fim que eles prepararam para o povo \u00e9 esse, a n\u00e3o ser que o pa\u00eds tome consci\u00eancia dessa verdade e empreenda um caminho conjunto para todo o povo argentino, e o primeiro passo desse caminho deve ser obrigar a romper o acordo assinado com o FMI.<\/p>\n<p>De que modo? Com a popula\u00e7\u00e3o nas ruas, exigindo o fim da interven\u00e7\u00e3o do FMI, com a participa\u00e7\u00e3o ativa da CGT (Confedera\u00e7\u00e3o Geral do Trabalho) e dos centros que dizem representar os trabalhadores, dos movimentos sociais, dos dirigentes pol\u00edticos que est\u00e3o no campo nacional e popular, dos intelectuais e artistas, etc. E se o governo n\u00e3o enfrenta a situa\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 o fim do governo. Foi o que William Shakespeare fez J\u00falio C\u00e9sar dizer, em sua obra de 1599: \u201c\u00e9 melhor um fim desastroso que um desastre sem fim\u201d.<\/p>\n<p>https:\/\/www.cartamaior.com.br\/?\/Editoria\/Pelo-Mundo\/Argentina-crise-sem-fim\/6\/41039<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Horacio Rovelli &#8211; O fim que se preparara para o povo \u00e9 um modelo com sal\u00e1rios baixos e forte desemprego estrutural &#8211; que se retroalimenta com um ex\u00e9rcito de m\u00e3o de obra de reserva, que pressiona a remunera\u00e7\u00e3o do trabalho sempre para baixo. 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