{"id":8635,"date":"2018-07-20T15:00:21","date_gmt":"2018-07-20T18:00:21","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=8635"},"modified":"2018-07-20T14:50:38","modified_gmt":"2018-07-20T17:50:38","slug":"abolicao-da-escravidao-em-1888-foi-votada-pela-elite-evitando-a-reforma-agraria-diz-historiador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2018\/07\/20\/abolicao-da-escravidao-em-1888-foi-votada-pela-elite-evitando-a-reforma-agraria-diz-historiador\/","title":{"rendered":"Aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o em 1888 foi votada pela elite evitando a reforma agr\u00e1ria, diz historiador"},"content":{"rendered":"<p><strong>Amanda Rossi<\/strong> &#8211;\u00a0Em 13 de maio de 1888, h\u00e1 130 anos, o Senado do Imp\u00e9rio do Brasil aprovava uma das leis mais importantes da hist\u00f3ria brasileira, a Lei \u00c1urea, que extinguiu a escravid\u00e3o. N\u00e3o era apenas a liberdade que estava em jogo, diz o historiador Luiz Felipe de Alencastro, um dos maiores pesquisadores da escravid\u00e3o no Brasil. Outro tema na mesa era a reforma agr\u00e1ria.<\/p>\n<p>O debate sobre a reparti\u00e7\u00e3o das terras nacionais havia sido proposto pelo abolicionista Andr\u00e9 Rebou\u00e7as, engenheiro negro de grande prest\u00edgio. Sua ideia era criar um imposto sobre fazendas improdutivas e distribuir as terras para ex-escravos. O pol\u00edtico Joaquim Nabuco, tamb\u00e9m abolicionista, apoiou a ideia. J\u00e1 fazendeiros, republicanos e mesmo abolicionistas mais moderados ficaram em polvorosa.<\/p>\n<p>&#8220;A maior parte do movimento republicano fechou com os latifundi\u00e1rios para n\u00e3o mexer na propriedade rural&#8221;, diz Alencastro. Foi a\u00ed que veio a aprova\u00e7\u00e3o da Lei \u00c1urea, sem nenhuma compensa\u00e7\u00e3o ou alternativa para os libertos se inserirem no novo Brasil livre. &#8220;No final, a ideia de reforma agr\u00e1ria capotou.&#8221;<\/p>\n<p>Nesta entrevista para a BBC Brasil, o historiador fala ainda sobre a origem da viol\u00eancia do Estado atual contra os negros, afirma que a escravid\u00e3o saiu da pauta e passou a ser vista como um passado distante, apesar de n\u00e3o ter acabado h\u00e1 tanto tempo assim, e critica o uso da palavra &#8220;diversidade&#8221; para se referir aos negros. &#8220;Falar de diversidade \u00e9 considerar que os negros s\u00e3o uma minoria, como nos Estados Unidos. Mas no Brasil eles s\u00e3o a maioria. \u00c9 muito mais que diversidade, \u00e9 democracia&#8221;.<\/p>\n<p>Alencastro \u00e9 hoje professor da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas, em S\u00e3o Paulo. \u00c9 tamb\u00e9m professor em\u00e9rito da universidade de Paris Sorbonne, onde lecionou por 14 anos, e autor do livro\u00a0<i>O trato dos viventes: forma\u00e7\u00e3o do Brasil no Atl\u00e2ntico Sul<\/i>. Veja abaixo os principais trechos da entrevista:<\/p>\n<div id=\"comp-pattern-library\" class=\"distinct-component-group container-parrot\"><\/div>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; Como entender que o Brasil tenha sido o \u00faltimo pa\u00eds a abolir a escravid\u00e3o nas Am\u00e9ricas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Luiz Felipe de Alencastro &#8211;\u00a0<\/strong>O Brasil foi o \u00faltimo porque foi o que mais importou africanos &#8211; 46% de todos que foram trazidos coercitivamente para as Am\u00e9ricas. Esse volume assombroso de africanos que chegou aqui acorrentado era considerado como uma propriedade privada. Isso cria uma din\u00e2mica em que a propriedade escrava era muito importante. Muita gente tinha escravos. Nas cidades havia gente remediada que tinha um ou dois escravos. Os estudos mostram que a propriedade escrava no Brasil era muito mais difundida que na Jamaica ou no Sul dos Estados Unidos. Assim, muita gente, e n\u00e3o s\u00f3 os fazendeiros, achava que o pa\u00eds ia se arruinar se parasse de trazer africanos. Quase tudo dependia do trabalho escravo e da chegada dos africanos.<\/p>\n<p>O Haiti \u00e9 um caso limite, porque \u00e9 primeiro pa\u00eds americano que chega \u00e0 independ\u00eancia, com uma revolu\u00e7\u00e3o feita pelos escravos (iniciada em 1791). \u00c9 a \u00fanica insurrei\u00e7\u00e3o de escravos que chega ao poder no mundo. J\u00e1 nos outros pa\u00edses em volta do Brasil, a escravid\u00e3o n\u00e3o era importante. E era importante no Sul dos Estados Unidos.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; Qual a diferen\u00e7a do processo de aboli\u00e7\u00e3o no Brasil e nos Estados Unidos, em 1863?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Alencastro &#8211;\u00a0<\/strong>No Brasil, a escravid\u00e3o n\u00e3o era como nos Estados Unidos. L\u00e1, a escravid\u00e3o era regional, no Sul. No restante do pa\u00eds, havia uma economia agr\u00edcola independente e movimentos abolicionistas. J\u00e1 no Brasil a escravid\u00e3o era nacional, no pa\u00eds inteiro, e n\u00e3o havia um setor campon\u00eas independente. Por isso, o abolicionismo n\u00e3o tinha como crescer em regi\u00f5es circunvizinhas \u00e0s zonas escravistas. Como foi nos Estados Unidos? O norte do pa\u00eds, n\u00e3o escravista, elegeu Abraham Lincoln, do partido republicano, e que era contr\u00e1rio \u00e0 expans\u00e3o do escravismo nos novos territ\u00f3rios dos EUA e buscava uma solu\u00e7\u00e3o negociada para extingui-lo nos estados onde ele existia. Isso causou a ruptura dos estados sulistas com a Uni\u00e3o. Ocorreu ent\u00e3o uma guerra civil para acabar com a escravid\u00e3o, uma guerra sangrenta, que traumatiza at\u00e9 hoje o pa\u00eds. Aqui n\u00e3o existia nenhuma parte do territ\u00f3rio em que a escravid\u00e3o fosse ilegal. Ent\u00e3o, mesmo que houvesse 60 escravos no Amazonas na m\u00e3o de alguns senhores, esse grupo fechava com o partido escravocrata no Parlamento. Havia uma esp\u00e9cie de uni\u00e3o nacional em torno do tr\u00e1fico negreiro e da escravid\u00e3o.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/01C2\/production\/_101305400_nypl.digitalcollections.510d47dc-4923-a3d9-e040-e00a18064a99.001.w.jpg?resize=598%2C760&#038;ssl=1\" alt=\"Fotografia de fam\u00edlia de escravos nos Estados Unidos - mulher com crian\u00e7a no colo, senhor sentado, homem adulto em p\u00e9, duas mulheres e duas crian\u00e7as\" width=\"598\" height=\"760\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/p>\n<p><em>Fotografia de fam\u00edlia escrava nos Estados Unidos, data desconhecida<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; J\u00e1 se disse que as grandes transforma\u00e7\u00f5es do Brasil ocorreram sem participa\u00e7\u00e3o popular, pelas m\u00e3os da elite pol\u00edtica e econ\u00f4mica. A independ\u00eancia, a aboli\u00e7\u00e3o, a Rep\u00fablica. Mas isso \u00e9 verdade para a aboli\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Alencastro &#8211;\u00a0<\/strong>Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio de Andrada, que era uma esp\u00e9cie de primeiro-ministro logo depois da independ\u00eancia do Brasil, mandou um projeto para a Assembleia Constituinte, prevendo a aboli\u00e7\u00e3o progressiva do tr\u00e1fico e da escravid\u00e3o. J\u00e1 naquele momento, a classe dirigente, o corpo da administra\u00e7\u00e3o imperial tinham perfeita no\u00e7\u00e3o de que manter o tr\u00e1fico de escravos criaria um impasse. Porque a Inglaterra deixara claro que s\u00f3 reconheceria a independ\u00eancia se o Brasil acabasse com o tr\u00e1fico. E o governo ingl\u00eas, nessa \u00e9poca, tinha uma import\u00e2ncia enorme. Era como se fosse a ONU (porque garantia o reconhecimento diplom\u00e1tico internacional), o FMI (porque emprestava dinheiro para o governo) e a OIT (porque vetava a importa\u00e7\u00e3o de africanos, m\u00e3o-de-obra essencial no Brasil) juntos, com uma for\u00e7a naval que desde a batalha de Trafalgar (1805) mandava em todos os mares.<\/p>\n<p>Quando a Inglaterra come\u00e7ou a pressionar mais fortemente, os dirigentes brasileiros cederam, prometendo acabar com o tr\u00e1fico a m\u00e9dio prazo. Em 1831 \u00e9 votado o fim do tr\u00e1fico. Por\u00e9m, sobretudo no Rio, e em menor medida na Bahia e no Recife, se organizam redes de com\u00e9rcio semiclandestino de escravizados africanos. S\u00f3 em 1850, o com\u00e9rcio de africanos acabou de fato. Acabou de uma vez. Caiu de 60 mil africanos desembarcados em 1849 para 6 mil em 1851. Como? Porque houve um conchavo entre traficantes e governo. Se amanh\u00e3 acabar o tr\u00e1fico de coca\u00edna na Col\u00f4mbia, n\u00e3o \u00e9 porque o consumo de coca\u00edna acabou e de um dia para o outro os policiais ficaram virtuosos.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; Que conchavo foi esse?<\/strong><\/p>\n<p>Os traficantes foram prevenidos antes que o tr\u00e1fico ia acabar e foram tirando o dinheiro. Houve uma negocia\u00e7\u00e3o entre a classe dirigente (a administra\u00e7\u00e3o imperial) e a classe dominante (os fazendeiros, as oligarquias regionais). O governo prop\u00f4s uma lei de imigra\u00e7\u00e3o para trazer trabalhadores rurais, uma estrada de ferro na regi\u00e3o cafeeira &#8211; porque o transporte era feito em lombo de mula &#8211; e a redu\u00e7\u00e3o das tarifas de exporta\u00e7\u00e3o de caf\u00e9.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; Depois que o tr\u00e1fico acabou, qual passou a ser a estrat\u00e9gia do Imp\u00e9rio?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Alencastro &#8211;\u00a0<\/strong>Quando acaba o tr\u00e1fico de escravos, acaba a fonte externa de reprodu\u00e7\u00e3o do sistema escravista. Depois h\u00e1 a Lei do Ventre Livre em 1871 (que declarou livres os filhos de m\u00e3es escravas que nascessem a partir daquela data). Isso estanca outra fonte de reprodu\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o, que \u00e9 a reprodu\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica interna. Dessa forma, houve uma estrat\u00e9gia gradualista para acabar com a escravid\u00e3o.<\/p>\n<p>Este gradualismo se resume nesta ideia: a escravid\u00e3o acaba quando o \u00faltimo escravo morrer. Essa era a estrat\u00e9gia do Imp\u00e9rio. A\u00ed ningu\u00e9m perde dinheiro. Mas surge ent\u00e3o o abolicionismo. \u00c9 um movimento como as Diretas j\u00e1!: Aboli\u00e7\u00e3o j\u00e1! N\u00e3o tem que esperar at\u00e9 o \u00faltimo escravo morrer para acabar com a escravid\u00e3o. Vamos abolir j\u00e1, e sem indeniza\u00e7\u00e3o para os propriet\u00e1rios de escravos. Joaquim Nabuco (pol\u00edtico abolicionista) afirmou que o Brasil n\u00e3o tinha dinheiro para pagar pelos crimes que cometeu.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/11B66\/production\/_101305527_img_3191.jpg?resize=640%2C360&#038;ssl=1\" alt=\"Fotografia do hitoriador Luiz Felipe de Alencastro\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/p>\n<p><em>Luiz Felipe de Alencastro, autor de &#8216;Trato dos Viventes&#8217;, \u00e9 um dos maiores especialistas em escravid\u00e3o<\/em><\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; Qual foi a participa\u00e7\u00e3o do movimento abolicionista? E o povo, participou?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Alencastro &#8211;\u00a0<\/strong>O abolicionismo se acentuou na d\u00e9cada de 1880. H\u00e1 importante lideran\u00e7a negra. Lu\u00eds Gama, Andr\u00e9 Rebou\u00e7as, Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio, que se batiam nos tribunais e nos jornais. Esses s\u00e3o os her\u00f3is. Tamb\u00e9m h\u00e1 muita gente an\u00f4nima que participou. Houve movimentos organizados para dar fuga a escravos, por exemplo. Aqui em S\u00e3o Paulo, havia o grupo do Ant\u00f4nio Bento, os Caifazes. Havia um grupo em Recife, que ajudava os escravos a fugirem para o Cear\u00e1, onde a maioria dos munic\u00edpios j\u00e1 n\u00e3o tinha mais escravos desde 1884 e onde os escravocratas eram minorit\u00e1rios. J\u00e1 o Rio de Janeiro era a prov\u00edncia onde o escravismo era mais renitente. Em S\u00e3o Paulo, o oeste do Estado j\u00e1 estava apostando na imigra\u00e7\u00e3o porque havia muita fuga, e a fuga \u00e9 uma forma de revolta, dos escravos comprados no Nordeste. Essas a\u00e7\u00f5es acentuaram a crise do escravismo.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; Tamb\u00e9m se falava de reforma agr\u00e1ria, dar terras para os ex-escravos.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Alencastro &#8211;\u00a0<\/strong>A reforma agr\u00e1ria n\u00e3o estava na pauta da maioria dos abolicionistas. Foi uma radicaliza\u00e7\u00e3o de uma parte minorit\u00e1ria. Andr\u00e9 Rebou\u00e7as, um engenheiro negro com muito prest\u00edgio, tinha um programa para criar um imposto territorial sobre as fazendas improdutivas e fundar cooperativas de pequenos camponeses. Nabuco, nos anos 1880, foi porta-voz dessas reinvindica\u00e7\u00f5es. Mas no final, a ideia de reforma agr\u00e1ria capotou.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; Por qu\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Alencastro &#8211;\u00a0<\/strong>A maior parte do movimento republicano fechou com os latifundi\u00e1rios para trazer imigrantes que trabalhassem nas fazendas e n\u00e3o mexer na propriedade rural. Essa virada dos republicanos jogou Nabuco, Rebou\u00e7as e outros no escanteio e os fez apoiar a monarquia at\u00e9 o fim. Depois disso, (no livro)\u00a0<i>Minha Forma\u00e7\u00e3<\/i><i>o<\/i>\u00a0(1900), Nabuco renega sua juventude abolicionista e faz uma declara\u00e7\u00e3o monarquista que constitui uma das frases mais infames da hist\u00f3ria da pol\u00edtica brasileira: &#8220;Tenho convic\u00e7\u00e3o de que a ra\u00e7a negra por um plebiscito sincero e verdadeiro teria desistido de sua liberdade para poupar o menor desgosto aos que se interessavam por ela, e que no fundo, quando ela pensa na madrugada de 15 de novembro (data da proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica), lamenta ainda um pouco o seu 13 de maio&#8221;.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/304\/cpsprodpb\/4FE2\/production\/_101305402_abolicionista_reboucas.jpg?resize=458%2C600&#038;ssl=1\" alt=\"Retrato de Andr\u00e9 Rebou\u00e7as\" width=\"458\" height=\"600\" data-highest-encountered-width=\"304\" \/><\/p>\n<p><em>Andr\u00e9 Rebou\u00e7as defendia dar terras para os escravos que fossem libertos<\/em><\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; O projeto de reforma de Rebou\u00e7as e Nabuco poderia ter ido para frente?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Alencastro &#8211;\u00a0<\/strong>A rela\u00e7\u00e3o de for\u00e7as n\u00e3o era favor\u00e1vel. N\u00e3o havia um movimento campon\u00eas a favor da reforma agr\u00e1ria, ou uma base popular lutando pelo o direito \u00e0 terra. No final das contas, o Brasil \u00e9 um dos \u00fanicos grandes pa\u00edses agroexportadores que nunca fez reforma agr\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; Al\u00e9m do campo, tamb\u00e9m havia muita escravid\u00e3o nas cidades?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Alencastro &#8211;\u00a0<\/strong>Se voc\u00ea somar a propor\u00e7\u00e3o de escravos do Rio com a de Niter\u00f3i, voc\u00ea tem uma concentra\u00e7\u00e3o urbana de escravos que n\u00e3o existiu em nenhum outro lugar no mundo, s\u00f3 no Imp\u00e9rio Romano. No Brasil, a escravid\u00e3o tamb\u00e9m tinha essa caracter\u00edstica urbana, em uma escala que n\u00e3o ocorreu nas Am\u00e9ricas. A escravid\u00e3o marcava as cidades. Em 1849, o Rio tinha 260 mil habitantes, 110 mil dos quais eram escravos. Isso d\u00e1 42% da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; Como foi o dia seguinte \u00e0 aboli\u00e7\u00e3o? O que aconteceu com os escravos que se viram livres em 13 de maio de 1888, mas sem compensa\u00e7\u00f5es, sem apoio do Estado para come\u00e7ar uma vida nova?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Alencastro &#8211;\u00a0<\/strong>Na sequ\u00eancia da aboli\u00e7\u00e3o, a m\u00e3o de obra imigrante vai aumentando. Muitos ex-escravos ficam fora do mercado de trabalho na zona rural e, em parte, nas cidades. Mesmo sendo brasileiros, os ex-escravos n\u00e3o tiveram cidadania plena, porque a sua quase totalidade era analfabeta, e o voto do analfabeto foi proibido em 1882, ainda no Imp\u00e9rio. Este ferrolho para excluir os negros livres e os ex-escravos tamb\u00e9m atingiu os brancos pobres e analfabetos, como \u00e9 \u00f3bvio. At\u00e9 1985, quando o voto deles foi permitido.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; A escravid\u00e3o foi um processo de muita viol\u00eancia. Essa viol\u00eancia usada contra os negros acabou quando a escravid\u00e3o chegou ao fim?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Alencastro &#8211;\u00a0<\/strong>A Constitui\u00e7\u00e3o brasileira de 1824, no art. 179, proibiu punir crimes com castigo f\u00edsico. A partir daquele momento, n\u00e3o se podia mais torturar &#8211; a inquisi\u00e7\u00e3o portuguesa havia institucionalizado a tortura como prova, at\u00e9 a pessoa confessar. Vem ent\u00e3o o C\u00f3digo Criminal de 1830 que especifica no art. 30: se o condenado for escravo ele n\u00e3o vai para a cadeia, a pena \u00e9 transformada em a\u00e7oite. Isso porque se o escravo fosse para cadeia, causaria uma perda de m\u00e3o-de-obra e dinheiro para o seu senhor. Assim, o escravo era a\u00e7oitado publicamente, humilhado, torturado. Depois, semanas depois, quando estivesse reestabelecido (do a\u00e7oitamento), o escravo voltava a trabalhar. Ent\u00e3o, a tortura foi legal no Brasil at\u00e9 1888, mas s\u00f3 para os escravos. Quando a aboli\u00e7\u00e3o ocorre, a pol\u00edcia j\u00e1 estava habituada a bater neles. Neles e nos brancos desfavorecidos. Como no caso do voto do analfabeto citado acima, os mecanismos da repress\u00e3o escravista contaminam a sociedade inteira.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/28D2\/production\/_101305401_nypl.digitalcollections.510d47db-c310-a3d9-e040-e00a18064a99.001.w.jpg?resize=640%2C758&#038;ssl=1\" alt=\"Duas ilustra\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia contra escravos; na imagem do alto, um a\u00e7oite a escravo amarrado em tronco, com n\u00e1degas ensanguentadas; na imagem de baixo, escravos com os p\u00e9s presos em uma plataforma de madeira\" width=\"640\" height=\"758\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/p>\n<p><em>A tortura era proibida contra brancos; para os escravos, a puni\u00e7\u00e3o era o a\u00e7oite<\/em><\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211;\u00a0<\/strong><strong>Cerca de\u00a0<\/strong><strong>4,8 milh\u00f5es de africanos aportaram como escravos no Brasil. \u00c9 muito mais que em qualquer outro lugar no mundo. Nos Estados Unidos, foram menos de 400 mil. Por que a vinda de escravos para o Brasil foi t\u00e3o grande?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Alencastro &#8211;\u00a0<\/strong>S\u00e3o v\u00e1rios fatores. Do ponto de vista da navega\u00e7\u00e3o, h\u00e1 um sistema de correntes e ventos que aproxima muito o Brasil da \u00c1frica. A viagem de ida e volta para os portos brasileiros era 40% mais curta do que a dos navios saindo das Antilhas ou dos Estados Unidos, os quais enfrentavam turbul\u00eancias na ida e na volta, quando atravessavam a zona equatorial. O Brasil tamb\u00e9m tinha mercadorias que eram trocadas por escravos, como tabaco e cacha\u00e7a. Outro fator importante s\u00e3o as conex\u00f5es do Brasil com os portos africanos. Quando a Corte portuguesa veio para c\u00e1, o Rio de Janeiro se tornou a capital do imp\u00e9rio portugu\u00eas &#8211; isso inclu\u00eda Angola, Mo\u00e7ambique&#8230; Tamb\u00e9m havia bases mercantis de interesse brasileiro l\u00e1 &#8211; muito mais associadas ao Brasil do que a Portugal. Isso os americanos nunca tiveram. O neg\u00f3cio negreiro dos Estados Unidos era muito mais controlado pelos ingleses.<\/p>\n<p>O terceiro fator \u00e9 o\u00a0<i>boom\u00a0<\/i>do caf\u00e9, que aumentou muito o tr\u00e1fico negreiro para o Centro-Sul do Brasil. Quem estava financiando isso em \u00faltima inst\u00e2ncia? O oper\u00e1rio e a classe m\u00e9dia inglesa, francesa, russa, que estavam tomando caf\u00e9 mais frequentemente. O caf\u00e9 do Brasil n\u00e3o tinha concorr\u00eancia. A partir de 1840, o Brasil vira o maior produtor mundial de caf\u00e9 &#8211; e \u00e9 o maior at\u00e9 hoje. N\u00e3o foi assim com o ciclo do a\u00e7\u00facar, que sofria concorr\u00eancia das Antilhas.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; Os pr\u00f3prios africanos participaram do com\u00e9rcio de escravos, n\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Alencastro &#8211;\u00a0<\/strong>Os africanos desenvolviam com\u00e9rcio de escravos localizado, limitado aos circuitos regionais das zonas econ\u00f4micas africanas. A articula\u00e7\u00e3o desse com\u00e9rcio interno ao com\u00e9rcio Atl\u00e2ntico &#8211; que era um dos setores mais din\u00e2micos da economia mundial, com companhias formadas, com acionistas investindo pesado &#8211; criou uma demanda de escravos que exacerbou o tr\u00e1fico interno africano. Tamb\u00e9m houve a importa\u00e7\u00e3o de armas europeias, dando maior impacto aos conflitos internos, que eram os mecanismos de cria\u00e7\u00e3o mercantil de escravos. O com\u00e9rcio atl\u00e2ntico negreiro era um com\u00e9rcio totalmente europeu e brasileiro. Nunca houve um navio africano vendendo escravo nos portos das Am\u00e9ricas.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; Como a escravid\u00e3o explica o pa\u00eds e a sociedade que o Brasil se tornou?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Alencastro &#8211;\u00a0<\/strong>O tr\u00e1fico negreiro em si explica muita coisa. Explica a unidade nacional, por exemplo. Quem quisesse se separar do governo do Rio de Janeiro, da Coroa, j\u00e1 sabia por antecipa\u00e7\u00e3o que ia sofrer press\u00e3o da Inglaterra quando ficasse independente e teria que acabar com o tr\u00e1fico. Quem estava melhor posicionado para moderar a press\u00e3o inglesa contra o tr\u00e1fico transatl\u00e2ntico de africanos? O governo do Rio de Janeiro. Uma monarquia que tinha corpo diplom\u00e1tico bem plantado na Europa e era a \u00fanica representante do sistema mon\u00e1rquico europeu nas Am\u00e9ricas. A unidade nacional brasileira \u00e9 um fen\u00f4meno in\u00e9dito nas Am\u00e9ricas. Falava-se a mesma l\u00edngua. Mas da Patag\u00f4nia at\u00e9 a Calif\u00f3rnia tamb\u00e9m se falava a mesma l\u00edngua, o espanhol, e os quatro vice-reinos espanh\u00f3is se fragmentaram virando 19 pa\u00edses.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3. O tr\u00e1fico tamb\u00e9m explica boa parte da diferen\u00e7a entre o Centro-Sul e o Nordeste do Brasil. O sucesso do primeiro n\u00e3o \u00e9 porque teve mais esp\u00edrito comercial. \u00c9 por causa do caf\u00e9, mas tamb\u00e9m porque a rede negreira fluminense era mais extensa e mais eficaz na \u00c1frica que a dos negreiros pernambucanos ou baianos. Por isso, o caf\u00e9 pode se expandir tanto.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; 130 anos \u00e9 pouco tempo, s\u00f3 cerca de quatro gera\u00e7\u00f5es. Mesmo assim, parece muito distante. Por que temos a impress\u00e3o de que a escravid\u00e3o \u00e9 um passado t\u00e3o long\u00ednquo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Alencastro &#8211;\u00a0<\/strong>Eu conheci gente em Goi\u00e1s que falava do tempo da escravid\u00e3o. E h\u00e1 depoimentos de ex-escravos colhidos no Paran\u00e1, nos anos 1950. Por que parece que \u00e9 t\u00e3o longe? Logo depois da aboli\u00e7\u00e3o o assunto saiu de pauta. Salvo para se ensinar que a aboli\u00e7\u00e3o foi uma generosidade da Coroa, do governo, da redentora princesa Isabel. Da\u00ed o motivo do movimento negro ter proposto a troca do 13 de maio pelo 20 de novembro (Dia da Consci\u00eancia Negra), da princesa Isabel por Zumbi &#8211; numa luta pol\u00edtica significativa. E depois veio tamb\u00e9m a imigra\u00e7\u00e3o, criou-se uma outra hist\u00f3ria popular que n\u00e3o deixava muito espa\u00e7o para a hist\u00f3ria dos afro-brasileiros.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; A aboli\u00e7\u00e3o foi uma farsa?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Alencastro &#8211;\u00a0<\/strong>A aboli\u00e7\u00e3o teve limites. Mas ela ocorreu, n\u00e3o foi farsa. Seria como dizer que a Rep\u00fablica foi uma farsa, que n\u00e3o acabou com a monarquia. A aboli\u00e7\u00e3o acabou com a aberra\u00e7\u00e3o gerada por um quadro institucional e legal que permitia uma pessoa ter como propriedade outra pessoa e seus descendentes, de maneira perp\u00e9tua. A aboli\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o foi uma benevol\u00eancia da princesa ou do governo. A monarquia j\u00e1 estava caindo, fez uma \u00faltima manobra e caiu ao tentar captar a plataforma abolicionista para enfraquecer o movimento republicano.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"responsive-image__img js-image-replace\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/CD46\/production\/_101305525_nypl.digitalcollections.510d47db-bf08-a3d9-e040-e00a18064a99.001.w.jpg?resize=640%2C360&#038;ssl=1\" alt=\"Pintura mostra diversos negros escravizados amontoados em um por\u00e3o de navio negreiro\" width=\"640\" height=\"360\" data-highest-encountered-width=\"624\" \/><\/p>\n<p><em>4,8 milh\u00f5es de africanos foram transportados para o Brasil e vendidos como escravos, ao longo de mais de tr\u00eas s\u00e9culos<\/em><\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; O senhor \u00e9 defensor das cotas&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Alencastro &#8211;\u00a0<\/strong>O meu argumento das cotas \u00e9 que elas s\u00e3o fundamentais para os negros, para os \u00edndios e para os pobres e os brasileiros em geral. S\u00e3o elas que v\u00e3o consolidar a democracia plena no Brasil, com acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e ao trabalho.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; H\u00e1 quem defenda cotas por renda, n\u00e3o por cor&#8230;<\/strong><\/p>\n<p><strong>Alencastro &#8211;\u00a0<\/strong>A cota social apareceu como um argumento substitutivo dos que n\u00e3o queriam apoiar a cota racial. Ningu\u00e9m falava em cota social no Brasil antes do movimento negro levantar a bandeira da pol\u00edtica afirmativa racial &#8211; a favor dos negros e tamb\u00e9m dos \u00edndios, \u00e9 importante lembrar. Trata-se de uma pol\u00edtica baseada nas estat\u00edsticas \u00e9tnicas dos Estados. Na regi\u00e3o amaz\u00f4nica a propor\u00e7\u00e3o de jovens de origem ind\u00edgena \u00e9 importante, e as cotas favoreceram a entrada deles nas universidades federais.<\/p>\n<p>O Supremo Tribunal Federal votou unanimemente pela constitucionalidade das cotas, em 2012. Raras decis\u00f5es do Supremo s\u00e3o un\u00e2nimes. Juridicamente, a situa\u00e7\u00e3o estava definida: os negros n\u00e3o sofrem descrimina\u00e7\u00e3o legal, mas h\u00e1 mecanismos informais que os descriminam e desqualificam de forma \u00f3bvia.<\/p>\n<p>O censo de 2010 mostrou que a maioria da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 negra. Esse dado deve ser bem observado pela maioria dos progressistas e por setores do movimento negro que consideram a pol\u00edtica afirmativa como um instrumento em favor da diversidade. \u00c9 muito mais do que isso. \u00c9 um instrumento em favor da democracia, do funcionamento do Estado, que favorece o pa\u00eds inteiro. Achar que ela garante a diversidade \u00e9 considerar que os negros s\u00e3o uma minoria, como nos Estados Unidos. Mas no Brasil eles s\u00e3o a maioria.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; O senhor tamb\u00e9m defende o ensino de hist\u00f3ria da \u00c1frica nas escolas.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Alencastro &#8211;\u00a0<\/strong>A maioria das pessoas que chegaram aqui s\u00e3o africanos. \u00c9 esse o dado que os professores t\u00eam que dar em reuni\u00e3o de pais e mestres, quando perguntam por que perder tempo com hist\u00f3ria da \u00c1frica. Ora, porque a \u00c1frica \u00e9 mais importante para a forma\u00e7\u00e3o do povo brasileiro do que a \u00c1sia e boa parte da Europa e das Am\u00e9ricas.<\/p>\n<p>https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-44091474?ocid=socialflow_facebook<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Amanda Rossi &#8211;\u00a0Em 13 de maio de 1888, h\u00e1 130 anos, o Senado do Imp\u00e9rio do Brasil aprovava uma das leis mais importantes da hist\u00f3ria brasileira, a Lei \u00c1urea, que extinguiu a escravid\u00e3o. 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