{"id":8423,"date":"2018-06-24T09:15:45","date_gmt":"2018-06-24T12:15:45","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=8423"},"modified":"2018-06-24T09:23:04","modified_gmt":"2018-06-24T12:23:04","slug":"a-ascensao-da-china-a-disputa-pela-eurasia-e-a-armadilha-de-tucidides","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2018\/06\/24\/a-ascensao-da-china-a-disputa-pela-eurasia-e-a-armadilha-de-tucidides\/","title":{"rendered":"A ascens\u00e3o da China, a disputa pela Eur\u00e1sia e a Armadilha de Tuc\u00eddides"},"content":{"rendered":"<p><strong>Patricia Fachin<\/strong> &#8211;\u00a0Entrevista especial com Jos\u00e9 Eust\u00e1quio Diniz Alves.<\/p>\n<p>Depois de ter se transformado na \u201cf\u00e1brica do mundo\u201d e de seu\u00a0PIB\u00a0ter superado o dos\u00a0EUA, a\u00a0China\u00a0tamb\u00e9m se tornou o \u201cbanco do mundo\u201d e \u201cestimula o crescimento de todo o continente asi\u00e1tico\u201d por meio da iniciativa \u201cUm cintur\u00e3o, uma rota\u201d (One Belt One Road, ou\u00a0OBOR), resume\u00a0Jos\u00e9 Eust\u00e1quio Diniz Alves\u00a0\u00e0\u00a0IHU On-Line, ao comentar a\u00a0ascens\u00e3o econ\u00f4mica e pol\u00edtica da China. Essa iniciativa, esclarece, \u201cvisa construir redes de com\u00e9rcio e infraestrutura conectando a\u00a0\u00c1sia\u00a0com a\u00a0Europa\u00a0e a\u00a0\u00c1frica\u00a0ao longo dos antigos caminhos comerciais da\u00a0Rota da Seda, objetivando o compartilhamento do desenvolvimento e da prosperidade\u201d. Um exemplo dessa proposta, diz, \u00e9 a inaugura\u00e7\u00e3o da recente\u00a0linha ferrovi\u00e1ria que liga Londres \u00e0 esta\u00e7\u00e3o de Yiwi, no sul de\u00a0Xangai. \u201cTrata-se de uma interliga\u00e7\u00e3o de\u00a0Pequim\u00a0e\u00a0Xangai\u00a0com o mundo\u201d, pontua.<\/p>\n<p>Na entrevista a seguir,\u00a0Alves\u00a0explica a rela\u00e7\u00e3o da\u00a0China\u00a0com o\u00a0BRICS, especialmente com a\u00a0R\u00fassia\u00a0e a\u00a0\u00cdndia, que formam, juntamente com os chineses, o \u201ctri\u00e2ngulo estrat\u00e9gico\u201d que quer dominar a\u00a0Eur\u00e1sia. \u201cA Eur\u00e1sia \u00e9 a faixa cont\u00ednua de terra mais extensa do mundo. Ela \u00e9 ber\u00e7o das mais antigas e importantes civiliza\u00e7\u00f5es do passado. Sua extens\u00e3o territorial \u00e9 de 54,8 milh\u00f5es de km\u00b2 (mais de seis vezes o tamanho do Brasil) e possui cerca de dois ter\u00e7os da popula\u00e7\u00e3o e do PIB mundial. Quem controlar a Eur\u00e1sia, controlar\u00e1 o mundo. Mas as alian\u00e7as j\u00e1 passaram por muitas reviravoltas\u201d, frisa.<\/p>\n<p>De acordo com\u00a0Jos\u00e9 Eust\u00e1quio Diniz Alves, \u201ca\u00a0ascens\u00e3o da China\u00a0e dos pa\u00edses aliados do\u00a0Oriente\u00a0pode significar o fim do modelo econ\u00f4mico e pol\u00edtico do liberalismo democr\u00e1tico burgu\u00eas\u00a0e o fim da ordem internacional fundada a partir da reuni\u00e3o de\u00a0Bretton Woods, em 1944\u201d. Em seu lugar, passar\u00e1 a vigorar o \u201cConsenso de Beijing\u201d, que aposta na \u201cpromo\u00e7\u00e3o das economias em que a propriedade estatal continua tendo um peso dominante, na promo\u00e7\u00e3o de c\u00e2mbio competitivo, com mudan\u00e7as graduais para evitar choques e controle cambial para escapar da\u00a0especula\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria, em pol\u00edticas de promo\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es com prote\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria local e dos setores estrat\u00e9gicos do pa\u00eds, em\u00a0reformas de mercado, mas com controle das institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e culturais, e na centraliza\u00e7\u00e3o das decis\u00f5es pol\u00edticas e das estrat\u00e9gias de proje\u00e7\u00e3o nacional\u201d. Essa poss\u00edvel mudan\u00e7a, adverte, que levar\u00e1 \u00e0 \u201cascens\u00e3o da \u00c1sia\u00a0e \u00e0 emerg\u00eancia do\u00a0processo de Orientaliza\u00e7\u00e3o do mundo, sob lideran\u00e7a chinesa, pode n\u00e3o ocorrer de maneira pac\u00edfica diante do decl\u00ednio relativo dos\u00a0EUA\u00a0e do\u00a0Ocidente. Infelizmente, a\u00a0Armadilha de Tuc\u00eddides\u00a0\u00e9 como uma\u00a0espada de D\u00e2mocles\u00a0suspensa sobre a\u00a0ordem internacional\u00a0e a possibilidade de paz mundial\u201d.<\/p>\n<div class=\"ihu-small-image-left\">\n<div class=\"news-image-credits\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2016\/ESCOLHER_A_FOTO.jpg?w=640\" alt=\"\" \/><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2017\/09\/28_09_jose-eustaquio_foto_unicamp.jpg?w=640\" alt=\"\" \/><\/div>\n<\/div>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Qual \u00e9 o significado do encontro entre Donald Trump e Kim Jong-un, em Singapura, na semana passada?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Eust\u00e1quio Diniz Alves &#8211;<\/strong>\u00a0O\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/578203-quem-ganha-kim-trump-ou-a-china\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">encontro entre Donald Trump e Kim Jong-un<\/a>, em\u00a0<strong>Singapura<\/strong>, na ilha de\u00a0<strong>Sentosa<\/strong>\u00a0(que significa paz e tranquilidade em l\u00edngua malaia) foi um importante passo para evitar um\u00a0<strong>conflito nuclear<\/strong>\u00a0iminente, depois de meses de agress\u00f5es verbais, de insultos pessoais e de disputa sobre o poderio m\u00fatuo de destrui\u00e7\u00e3o.\u00a0<strong>Kim<\/strong>\u00a0havia revelado ter em sua mesa um bot\u00e3o com o qual poderia iniciar uma guerra nuclear. E\u00a0<strong>Trump<\/strong>\u00a0contra-atacou pelo Twitter dizendo ter &#8220;um bot\u00e3o nuclear maior, mais poderoso do que o deles, e que funciona&#8221;. A possibilidade de um conflito b\u00e9lico era real, mesmo porque n\u00e3o houve um tratado de paz ap\u00f3s o\u00a0<strong>fim da guerra entre as Coreias<\/strong>, em 1953. A chamada zona desmilitarizada entre as\u00a0<strong>Coreias<\/strong>, no paralelo 38, \u00e9 na verdade uma das \u00e1reas mais militarizadas do mundo. Mesmo sob segredo militar, dizem que a\u00a0<strong>Coreia do Sul<\/strong>\u00a0tem um \u201c<strong>Sistema de Arma Aut\u00f4nomo<\/strong>\u201d (<strong>AWS<\/strong>, na sigla em ingl\u00eas), comandado por\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/571381-a-inteligencia-artificial-causara-a-terceira-guerra-mundial-afirma-elon-musk\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Intelig\u00eancia Artificial<\/a>, capaz de responder \u00e0s amea\u00e7as recebidas de artilharia e m\u00edsseis, sem a supervis\u00e3o humana.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">A iniciativa \u201cUm Cintur\u00e3o, Uma rota\u201d\u00a0(One Belt One Road, ou OBOR) \u2014 que \u00e9 considerada a maior fa\u00e7anha de infraestrutura da hist\u00f3ria da humanidade \u2014 pretende ser um instrumento para acelerar o crescimento econ\u00f4mico da Eur\u00e1sia, gerando milh\u00f5es de empregos, o que possibilitaria o aumento da classe m\u00e9dia asi\u00e1tica \u2013 Jos\u00e9 Eust\u00e1quio Diniz Alves<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Portanto, o mundo respira aliviado com a possibilidade de uma desnucleariza\u00e7\u00e3o da pen\u00ednsula coreana. O estranho \u00e9 que o\u00a0<strong>presidente dos EUA<\/strong>\u00a0n\u00e3o tenha tocado na quest\u00e3o dos\u00a0<strong>direitos humanos<\/strong>\u00a0e nem exigido compromissos de mudan\u00e7as de um regime reconhecidamente enclausurado e ditatorial. O placar foi<strong>\u00a0Kim Jong<\/strong>\u00a01 x 0\u00a0<strong>Trump<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Qual foi o papel dos EUA e de Trump em particular no acordo de paz entre as duas Coreias e, de outro lado, qual \u00e9 o papel do chamado RIC (R\u00fassia, China e \u00cdndia) nesse processo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Eust\u00e1quio Diniz Alves &#8211;<\/strong>\u00a0A posi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica dos EUA sempre foi por uma &#8220;desnucleariza\u00e7\u00e3o completa, verific\u00e1vel e irrevers\u00edvel\u201d da\u00a0<strong>Coreia do Norte<\/strong>. Mas o acordo assinado foi pela \u201c<strong>desnucleariza\u00e7\u00e3o da pen\u00ednsula coreana<\/strong>\u201d. Sem qualquer contrapartida,\u00a0<strong>Trump<\/strong>\u00a0ainda concordou em encerrar os \u201cjogos de guerra\u201d (exerc\u00edcios militares conjuntos que os EUA realizam com a Coreia do Sul). Esta atitude surpreendeu o\u00a0<strong>Jap\u00e3o<\/strong>\u00a0e a\u00a0<strong>Coreia do Sul<\/strong>, aliados dos\u00a0<strong>EUA<\/strong>\u00a0e das for\u00e7as ocidentais, deixando embara\u00e7ado at\u00e9 mesmo o Pent\u00e1gono. Evidentemente, a menor presen\u00e7a americana no leste asi\u00e1tico agrada fundamentalmente \u00e0\u00a0<strong>China<\/strong>, em primeiro lugar, e \u00e0\u00a0<strong>R\u00fassia<\/strong>, em segundo lugar.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"100%\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.google.com\/maps\/embed?pb=!1m18!1m12!1m3!1d13755841.380261557!2d129.42889343444324!3d32.676478920500024!2m3!1f0!2f0!3f0!3m2!1i1024!2i768!4f13.1!3m3!1m2!1s0x34674e0fd77f192f%3A0xf54275d47c665244!2zSmFww6Nv!5e0!3m2!1spt-BR!2sbr!4v1529580105106\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p><strong>G7<\/strong><\/p>\n<p>Nos dias imediatamente anteriores ao encontro hist\u00f3rico de\u00a0<strong>Singapura<\/strong>, houve duas C\u00fapulas emblem\u00e1ticas. Nos dia 8 e 9 de junho, o\u00a0<strong>G7<\/strong>\u00a0(grupo formado pelas grandes economia capitalistas \u2014 Estados Unidos, Canad\u00e1, Fran\u00e7a, Reino Unido, Alemanha, Jap\u00e3o e It\u00e1lia) se reuniu em\u00a0<strong>Charlevoix<\/strong>, no\u00a0<strong>Canad\u00e1<\/strong>, onde o destaque foi o aumento da tens\u00e3o entre os\u00a0<strong>EUA<\/strong>\u00a0e os outros seis membros, que est\u00e3o insatisfeitos com a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/185-noticias\/noticias-2016\/562181-trump-espalha-incertezas-na-economia-e-no-comercio-mundial\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">sa\u00edda dos EUA da Parceria Transatl\u00e2ntica de Com\u00e9rcio e Investimento &#8211; TTIP<\/a>, do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/568279-cinco-efeitos-globais-da-saida-dos-eua-do-acordo-de-paris\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Acordo de Paris<\/a>(do clima), do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/578849-trump-quebra-o-acordo-do-ira-a-igreja-pode-ajudar-a-amenizar-tensoes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Acordo nuclear com o Ir\u00e3<\/a>, al\u00e9m das cr\u00edticas \u00e0 Otan e das medidas para o enfraquecimento do\u00a0<strong>NAFTA<\/strong>\u00a0&#8211;\u00a0<strong>Acordo de Livre Com\u00e9rcio da Am\u00e9rica do Norte<\/strong>.\u00a0<strong>Trump<\/strong>\u00a0chegou atrasado e saiu mais cedo do encontro, n\u00e3o assinou o comunicado conjunto da\u00a0<strong>C\u00fapula de Charlevoix<\/strong>\u00a0e ainda acusou o primeiro-ministro canadense,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/186-noticias\/noticias-2017\/568157-o-primeiro-ministro-canadense-trudeau-visita-o-papa-depois-da-reuniao-do-g7\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Justin Trudeau<\/a>, de ser fraco e desonesto. A pol\u00edtica de Trump, do \u201c<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/186-noticias\/noticias-2017\/564211-o-perigoso-nacionalismo-do-presidente-trump-segundo-a-revista-dos-jesuitas-americanos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">America first<\/a>\u201d, parece estar rompendo com a alian\u00e7a ocidental e com a ordem internacional global p\u00f3s-Segunda Guerra.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"100%\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.google.com\/maps\/embed?pb=!1m16!1m12!1m3!1d39378746.54884222!2d59.57534860701555!3d52.9576360710008!2m3!1f0!2f0!3f0!3m2!1i1024!2i768!4f13.1!2m1!1zUsO6c3NpYSwgQ2hpbmEgZSDDjW5kaWE!5e0!3m2!1spt-BR!2sbr!4v1529579665466\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p><strong>C\u00fapula de Qingdao<\/strong><\/p>\n<p>Enquanto os l\u00edderes da ordem liberal-burguesa se desentendiam no\u00a0<strong>Canad\u00e1<\/strong>, os\u00a0<strong>pa\u00edses asi\u00e1ticos<\/strong>\u00a0se encontravam na 18\u00aa c\u00fapula da\u00a0<strong>Organiza\u00e7\u00e3o de Coopera\u00e7\u00e3o de Xangai &#8211; OCX<\/strong>, ocorrida nos dias 9 e 10 de junho, na cidade litor\u00e2nea chinesa de\u00a0<strong>Qingdao<\/strong>. Foi a primeira reuni\u00e3o de c\u00fapula da OCX depois que a\u00a0<strong>\u00cdndia<\/strong>\u00a0e o\u00a0<strong>Paquist\u00e3o<\/strong>\u00a0foram aceitos como membros plenos em junho do ano passado. Assim, os oito membros plenos da OCX s\u00e3o\u00a0<strong>China<\/strong>,\u00a0<strong>R\u00fassia<\/strong>,\u00a0<strong>Cazaquist\u00e3o<\/strong>,\u00a0<strong>Quirguist\u00e3o<\/strong>,\u00a0<strong>Tadjiquist\u00e3o<\/strong>,\u00a0<strong>Uzbequist\u00e3o<\/strong>,\u00a0<strong>\u00cdndia<\/strong>e\u00a0<strong>Paquist\u00e3o<\/strong>. A\u00a0<strong>OCX<\/strong>\u00a0tamb\u00e9m tem quatro estados observadores e seis parceiros de di\u00e1logo. Os oito pa\u00edses membros respondem por mais de 60% do territ\u00f3rio eurasi\u00e1tico, quase metade da popula\u00e7\u00e3o global e cerca de 30% do PIB mundial (em poder de paridade de compra \u2013 ppp, na sigla em ingl\u00eas). O PIB conjunto dos pa\u00edses da OCX \u00e9 maior do que o PIB total do G7.<\/p>\n<div class=\"news-citacao-right\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">Na China \u00e9 comum se adotar o conceito \u201cpoluir primeiro, controlar depois\u201d \u2013 Jos\u00e9 Eust\u00e1quio Diniz Alves<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>A\u00a0<strong>c\u00fapula de Qingdao<\/strong>\u00a0foi a primeira a contar com os l\u00edderes do<strong>\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/186-noticias\/noticias-2017\/566995-ric-russia-india-e-china-o-triangulo-estrategico-que-pode-mudar-a-governanca-mundial\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">tri\u00e2ngulo estrat\u00e9gico<\/a><\/strong>\u00a0(<strong>RIC<\/strong>) e ainda teve a presen\u00e7a do presidente do Ir\u00e3,\u00a0<strong>Hassan Rohani<\/strong>. O presidente\u00a0<strong>Xi Jinping<\/strong>resumiu tudo dizendo: \u201cA c\u00fapula de\u00a0<strong>Qingdao<\/strong>\u00e9 um novo ponto de partida para n\u00f3s. Juntos, vamos i\u00e7ar a vela do\u00a0<strong>Esp\u00edrito de Xangai<\/strong>, quebrar ondas e iniciar uma nova viagem para nossa organiza\u00e7\u00e3o\u201d. Ficou subentendido que \u00e9 a viagem rumo \u00e0 ascens\u00e3o do s\u00e9culo asi\u00e1tico e rumo \u00e0\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/185-noticias\/noticias-2016\/553322-a-china-tem-um-plano-para-2020\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">hegemonia chinesa global<\/a>. Uma pen\u00ednsula coreana desnuclearizada e com menor presen\u00e7a americana s\u00f3 fortalece\u00a0<strong>R\u00fassia<\/strong>,\u00a0<strong>\u00cdndia<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>China<\/strong>, que s\u00e3o pot\u00eancias nucleares da Eur\u00e1sia e aliados no \u00e2mbito da\u00a0<strong>OCX<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211;\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/579816-fraco-b-ric-s-forte-ric-o-triangulo-estrategico-que-desafia-os-eua-e-o-ocidente\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Em artigo recente<\/a>\u00a0o senhor afirma que est\u00e1 se formando uma alian\u00e7a entre R\u00fassia, China e \u00cdndia (RIC), que fazem parte do BRICS, enquanto Brasil e \u00c1frica do Sul ficam de fora. Quais s\u00e3o os fatores que favorecem essa alian\u00e7a, por que ela est\u00e1 sendo feita neste momento e qual dos tr\u00eas pa\u00edses tem mais poder de barganha nessa alian\u00e7a?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Eust\u00e1quio Diniz Alves &#8211;<\/strong>\u00a0O termo\u00a0<strong>BRIC<\/strong>\u00a0foi inventado pelo economista\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/533208--os-brics-se-rebelam-contra-o-fmi-e-criam-seu-proprio-banco\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Jim O&#8217;Neill<\/a>, do banco de investimento\u00a0<strong>Goldman Sachs<\/strong>, em 2001, com o objetivo de indicar aos investidores globais as oportunidades de lucro nos grandes pa\u00edses \u201cemergentes\u201d do mundo:\u00a0<strong>Brasil<\/strong>,\u00a0<strong>R\u00fassia<\/strong>,\u00a0<strong>\u00cdndia<\/strong>,\u00a0<strong>China<\/strong>. Posteriormente foi inclu\u00edda a\u00a0<strong>\u00c1frica do Sul<\/strong>(South \u00c1frica) e o termo BRIC se\u00a0<strong>transformou<\/strong>\u00a0em\u00a0<strong>BRICS<\/strong>. Desde 2009, os l\u00edderes do grupo se encontram em c\u00fapulas anuais. Por\u00e9m,\u00a0<strong>Brasil<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>\u00c1frica do Sul<\/strong>\u00a0(o come\u00e7o e o fim do acr\u00f4nimo) sempre foram pa\u00edses menores em termos pol\u00edticos, econ\u00f4micos e militares e ficaram ainda menores depois da crise econ\u00f4mica e do imbr\u00f3glio pol\u00edtico que afastou seus l\u00edderes mais tarimbados, os ex-presidentes\u00a0<strong>Lula<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Jacob Zuma<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Fortalecimento do RIC<\/strong><\/p>\n<p>Mas os fatos que vieram fortalecer o grupo\u00a0<strong>RIC<\/strong>\u00a0ocorreram pela conjun\u00e7\u00e3o de tr\u00eas fatores recentes. O primeiro aconteceu durante o\u00a0<strong>18\u00ba Congresso do Partido Comunista Chin\u00eas<\/strong>, em novembro de 2012, com a escolha de<strong>\u00a0Xi Jinping<\/strong>\u00a0para o cargo de presidente da China, que, em seguida, lan\u00e7ou a iniciativa \u201c<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/575309-o-mundo-sinocentrico-a-iniciativa-um-cinturao-uma-rota-energia-renovavel-e-o-artico\">Um Cintur\u00e3o, Uma Rota<\/a>\u201d (<em>One Belt One Road<\/em>, ou\u00a0<strong>OBOR<\/strong>), que \u00e9 um gigantesco projeto de infraestrutura, com investimentos de mais de US$ 1 trilh\u00e3o, para unir, por terra e pelo mar, toda a\u00a0<strong>Eur\u00e1sia<\/strong>\u00a0(incluindo partes da \u00c1frica).<\/p>\n<div class=\"news-image-credits\">\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2018\/06\/21_06_mapa_um_cinturao_uma_rota_fonte_navalbrasil.jpeg?w=640\" alt=\"\" \/><em>Um cintur\u00e3o, uma rota<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p>O segundo fato foi a expuls\u00e3o da\u00a0<strong>R\u00fassia<\/strong>\u00a0do\u00a0<strong>G8<\/strong>\u00a0\u2014 devido \u00e0 anexa\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o aut\u00f4noma da\u00a0<strong>Crimeia<\/strong>\u00a0que aumentou as tens\u00f5es entre os russos e a\u00a0<strong>Ucr\u00e2nia<\/strong>, e afastou o pa\u00eds da Europa e da alian\u00e7a ocidental, for\u00e7ando\u00a0<strong>Vladimir Putin<\/strong>\u00a0a buscar aliados no Oriente.<\/p>\n<p>O terceiro fato foi a elei\u00e7\u00e3o, em maio de 2014, de\u00a0<strong>Narendra Modi<\/strong>, do\u00a0<strong>Partido Bharatiya Janata<\/strong>\u00a0(BJP), para primeiro-ministro da \u00cdndia, com uma plataforma que combina o nacionalismo hindu com os sonhos de desenvolvimento da\u00a0<strong>\u00cdndia<\/strong>. Diante das medidas protecionistas de\u00a0<strong>Donald Trump<\/strong>\u00a0e do enfraquecimento da alian\u00e7a ocidental,\u00a0<strong>Modi<\/strong>, que j\u00e1 tinha uma boa rela\u00e7\u00e3o com a R\u00fassia, passou a se aproximar da\u00a0<strong>China<\/strong>\u00a0e teve uma reuni\u00e3o informal com\u00a0<strong>Xi Jinping<\/strong>\u00a0na cidade hist\u00f3rica de\u00a0<strong>Wuhan<\/strong>, nos dias 27 e 28 de abril de 2018, onde os dois l\u00edderes acertaram os passos para os eventos ocorridos nos meses seguintes e para uma alian\u00e7a de longo prazo.<\/p>\n<p>Evidentemente, o pa\u00eds l\u00edder \u00e9 a\u00a0<strong>China<\/strong>\u00a0devido ao seu tamanho econ\u00f4mico, demogr\u00e1fico, territorial e \u00e0 capacidade de influ\u00eancia pol\u00edtica. Em 2017, segundo dados do\u00a0<strong>FMI,<\/strong>\u00a0o Produto Interno Bruto &#8211;\u00a0<strong>PIB chin\u00eas<\/strong>\u00a0foi de US$ 23,2 bilh\u00f5es (em ppp), volume muito superior aos US$ 9,5 bilh\u00f5es da\u00a0<strong>\u00cdndia<\/strong>, US$ 4 trilh\u00f5es da\u00a0<strong>R\u00fassia<\/strong>, US$ 3,2 trilh\u00f5es do\u00a0<strong>Brasil<\/strong>\u00a0e dos US$ 765 milh\u00f5es da\u00a0<strong>\u00c1frica do Sul<\/strong>. Al\u00e9m da dimens\u00e3o da economia, a\u00a0<strong>China<\/strong>\u00a0tem mais de US$ 3 trilh\u00f5es em reservas internacionais, mega super\u00e1vit na balan\u00e7a comercial e altas taxas de poupan\u00e7a, o que possibilita \u00e0s empresas chinesas realizar grandes investimentos nacionais e globais.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; De outro lado, por que Brasil e \u00c1frica do Sul ficam de fora dessa alian\u00e7a? Como o RIC v\u00ea o Brasil e a \u00c1frica do Sul?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Eust\u00e1quio Diniz Alves &#8211;<\/strong>\u00a0O\u00a0<strong>Brasil<\/strong>\u00a0e a\u00a0<strong>\u00c1frica do Sul<\/strong>\u00a0s\u00e3o cabe\u00e7as de ponte para o grupo\u00a0<strong>RIC<\/strong>, especialmente a\u00a0<strong>China<\/strong>, atuar na\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/eventos\/562246-china-e-america-latina-uma-nova-matriz-para-uma-velha-dependencia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Am\u00e9rica Latina<\/a>\u00a0e na\u00a0<strong>\u00c1frica<\/strong>.\u00a0<strong>R\u00fassia<\/strong>,\u00a0<strong>\u00cdndia<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>China<\/strong>\u00a0s\u00e3o protagonistas, enquanto\u00a0<strong>Brasil<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>\u00c1frica do Sul<\/strong>\u00a0s\u00e3o coadjuvantes. Claro que s\u00e3o cinco na\u00e7\u00f5es soberanas, mas a rela\u00e7\u00e3o da China com o Brasil e a \u00c1frica do Sul est\u00e1 mais para aquela do tipo que se costumava chamar centro-periferia, ou melhor, do \u201c<strong>Imp\u00e9rio do Meio<\/strong>\u201d para pa\u00edses perif\u00e9ricos dependentes. A\u00a0<strong>China<\/strong>\u00a0exporta mercadorias industrializadas e capital para ter dom\u00ednio da rela\u00e7\u00e3o bilateral e acesso aos bens prim\u00e1rios e commodities.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; H\u00e1 disputas entre os pa\u00edses do RIC sobre o controle da Eur\u00e1sia?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Eust\u00e1quio Diniz Alves &#8211;<\/strong>\u00a0A\u00a0<strong>Eur\u00e1sia<\/strong>\u00a0\u00e9 a faixa cont\u00ednua de terra mais extensa do mundo. Ela \u00e9 ber\u00e7o das mais antigas e importantes civiliza\u00e7\u00f5es do passado. Sua extens\u00e3o territorial \u00e9 de 54,8 milh\u00f5es de km\u00b2 (mais de seis vezes o tamanho do Brasil) e possui cerca de dois ter\u00e7os da popula\u00e7\u00e3o e do PIB mundial. Quem controlar a\u00a0<strong>Eur\u00e1sia<\/strong>, controlar\u00e1 o mundo. Mas as alian\u00e7as j\u00e1 passaram por muitas reviravoltas.<\/p>\n<p>A\u00a0<strong>China<\/strong>\u00a0j\u00e1 esteve pr\u00f3xima da\u00a0<strong>Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica &#8211; URSS<\/strong>, depois se afastou e se aproximou dos\u00a0<strong>EUA<\/strong>, a partir da visita de\u00a0<strong>Richard Nixon<\/strong>\u00a0a\u00a0<strong>Pequim<\/strong>, em 1972. Mais recentemente,\u00a0<strong>China<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>R\u00fassia<\/strong>\u00a0se aproximaram bastante e a rela\u00e7\u00e3o de\u00a0<strong>Vladimir Putin<\/strong>\u00a0com<strong>\u00a0Xi Jinping<\/strong>\u00a0\u00e9 de grande coes\u00e3o. A\u00a0<strong>\u00cdndia<\/strong>\u00a0sempre teve boa rela\u00e7\u00e3o com a\u00a0<strong>R\u00fassia<\/strong>\u00a0e grandes dificuldades com a\u00a0<strong>China<\/strong>, especialmente devido \u00e0s alian\u00e7as e rivalidades com o\u00a0<strong>Paquist\u00e3o<\/strong>\u00a0(envolvendo a disputa pela Caxemira). Mas depois dos diversos encontros entre\u00a0<strong>Putin<\/strong>,\u00a0<strong>Xi<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Modi<\/strong>\u00a0e ap\u00f3s a 18\u00aa c\u00fapula da\u00a0<strong>OCX<\/strong>\u00a0parece que o\u00a0<strong>tri\u00e2ngulo estrat\u00e9gico<\/strong>\u00a0(RIC) vai caminhar mais lado a lado, buscando tornar vi\u00e1vel a unidade de a\u00e7\u00e3o no territ\u00f3rio da Eur\u00e1sia.<\/p>\n<div class=\"news-image-credits\">\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2016\/ESCOLHER_A_FOTO.jpg?w=640\" alt=\"\" \/><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2018\/06\/21_06_eurasia_foto_ecrimes_us.jpg?w=640\" alt=\"\" \/><em>Mapa da Eur\u00e1sia<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Como os pa\u00edses do territ\u00f3rio eurasi\u00e1tico veem a hegemonia do RIC? Que tipos de disputas surgem na regi\u00e3o por conta dessa hegemonia?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Eust\u00e1quio Diniz Alves &#8211;<\/strong>\u00a0Existem muitas rivalidades e disputas fronteiri\u00e7as, culturais e \u00e9tnicas, sendo que a a\u00e7\u00e3o das for\u00e7as armadas de\u00a0<strong>Mianmar<\/strong>\u00a0contra os mu\u00e7ulmanos\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/574187-os-rohingya-e-os-demais\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">rohingya<\/a>, na regi\u00e3o noroeste do pa\u00eds, \u00e9 um dos eventos mais dram\u00e1ticos. O avan\u00e7o militar chin\u00eas no\u00a0<strong>Mar da China<\/strong>\u00a0causa grandes atritos com os vizinhos do leste asi\u00e1tico (al\u00e9m de amea\u00e7ar a presen\u00e7a americana na regi\u00e3o). Mas uma alian\u00e7a do grupo\u00a0<strong>RIC<\/strong>\u00a0com o\u00a0<strong>Ir\u00e3<\/strong>\u00a0e a\u00a0<strong>Turquia<\/strong>\u00a0\u00e9 meio caminho andado para unificar os interesses e a log\u00edstica da maior parte do territ\u00f3rio asi\u00e1tico da\u00a0<strong>Eur\u00e1sia<\/strong>. Neste sentido, a iniciativa \u201c<strong>Um Cintur\u00e3o, Uma Rota<\/strong>\u201d (<em>One Belt One Road<\/em>, ou\u00a0<strong>OBOR<\/strong>) joga um papel importante na interliga\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da regi\u00e3o.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"100%\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.google.com\/maps\/embed?pb=!1m18!1m12!1m3!1d16040257.977405962!2d103.0089761500395!3d11.032729068818657!2m3!1f0!2f0!3f0!3m2!1i1024!2i768!4f13.1!3m3!1m2!1s0x313775683af505c5%3A0x36e21e8540cb93d4!2sMar+da+China+Meridional!5e0!3m2!1spt-BR!2sbr!4v1529580186518\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; De outro lado, como a Europa se posiciona diante do RIC e da Eur\u00e1sia?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Eust\u00e1quio Diniz Alves &#8211;<\/strong>\u00a0A presen\u00e7a da\u00a0<strong>China<\/strong>\u00a0na\u00a0<strong>Europa<\/strong>\u00a0<strong>oriental<\/strong>\u00a0\u00e9 cada vez mais forte e a\u00a0<strong>R\u00fassia<\/strong>\u00a0continua com la\u00e7os fortes (especialmente no campo da energia) com esta regi\u00e3o. Mas claro que a\u00a0<strong>Europa ocidental<\/strong>\u00a0v\u00ea o avan\u00e7o da\u00a0<strong>China<\/strong>\u00a0e da\u00a0<strong>R\u00fassia<\/strong>com grande preocupa\u00e7\u00e3o e at\u00e9 um certo medo, pois existe todo um antigo imagin\u00e1rio aterrorizante sobre os b\u00e1rbaros orientais pouco democr\u00e1ticos e com outra cultura (outros h\u00e1bitos, outras religi\u00f5es etc.). A alternativa da Europa ocidental seria fortalecer os la\u00e7os com os\u00a0<strong>EUA<\/strong>, o\u00a0<strong>Canad\u00e1<\/strong>\u00a0e o\u00a0<strong>Jap\u00e3o<\/strong>, mas parece que\u00a0<strong>Donald Trump<\/strong>\u00a0n\u00e3o est\u00e1 ajudando muito no fortalecimento do\u00a0<strong>G7<\/strong>\u00a0e a Europa ocidental vai ter que repensar o seu lugar no mundo ou aderir \u00e0 onda oriental.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Quais t\u00eam sido as estrat\u00e9gias da China para garantir a sua hegemonia e fazer com que outros pa\u00edses dependam dela?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Eust\u00e1quio Diniz Alves &#8211;<\/strong>\u00a0Primeiro a\u00a0<strong>China<\/strong>\u00a0montou uma m\u00e1quina azeitada de produ\u00e7\u00e3o de bens de consumo de massa a pre\u00e7os baratos que invadiu todas as fronteiras e ocupou as prateleiras do planeta, tornando-se a f\u00e1brica do mundo. Em segundo lugar, com o dinheiro que acumulou no com\u00e9rcio internacional, fortaleceu suas institui\u00e7\u00f5es financeiras e passou a ser exportadora de capital, tornando-se, tamb\u00e9m, banco do mundo. Boa parte da rolagem da\u00a0<strong>d\u00edvida americana<\/strong>\u00a0depende do dinheiro de\u00a0<strong>Pequim<\/strong>.<\/p>\n<p>A\u00a0<strong>Venezuela<\/strong>\u00a0est\u00e1 totalmente \u201cno bolso\u201d dos chineses.<\/p>\n<p>Na\u00a0<strong>Europa<\/strong>, o fr\u00e1gil grupo\u00a0<strong>PIGS<\/strong>\u00a0(Portugal, It\u00e1lia, Gr\u00e9cia e Espanha) depende cada vez mais dos investimentos chineses. Em terceiro lugar, a\u00a0<strong>China<\/strong>\u00a0pretende ser l\u00edder global da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/185-noticias\/noticias-2016\/551967-a-crise-economica-mundial-e-a-quarta-revolucao-industrial\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">4\u00aa Revolu\u00e7\u00e3o Industrial<\/a>. Ela j\u00e1 est\u00e1 na lideran\u00e7a da produ\u00e7\u00e3o de energia renov\u00e1vel e da transi\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria automobil\u00edstica do motor a combust\u00e3o interna para os carros el\u00e9tricos, tamb\u00e9m lidera no uso de smartphone para as compras e pretende ser a l\u00edder isolada da\u00a0<strong>Intelig\u00eancia Artificial<\/strong>\u00a0at\u00e9 2025. Tem o supercomputador mais r\u00e1pido do mundo e o maior centro de pesquisa de computa\u00e7\u00e3o qu\u00e2ntica. Seu projetado sistema de navega\u00e7\u00e3o por sat\u00e9lite competir\u00e1 com o GPS dos EUA at\u00e9 2020. No ano passado, a\u00a0<strong>China<\/strong>\u00a0ultrapassou os\u00a0<strong>EUA<\/strong>\u00a0e ocupou o primeiro lugar na produ\u00e7\u00e3o mundial de artigos cient\u00edficos.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Em que consiste a pol\u00edtica chinesa chamada de \u201cUm cintur\u00e3o, uma rota\u201d?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Eust\u00e1quio Diniz Alves &#8211;<\/strong>\u00a0A Iniciativa\u00a0<strong>Um Cintur\u00e3o, Uma Rota<\/strong>\u00a0(<em>One Belt One Road<\/em>, ou\u00a0<strong>OBOR<\/strong>) visa construir\u00a0<strong>redes de com\u00e9rcio e infraestrutura<\/strong>\u00a0conectando a\u00a0<strong>\u00c1sia<\/strong>\u00a0com a\u00a0<strong>Europa<\/strong>\u00a0e a\u00a0<strong>\u00c1frica<\/strong>\u00a0ao longo dos antigos caminhos comerciais da<strong>\u00a0Rota da Seda<\/strong>, objetivando o compartilhamento do desenvolvimento e da prosperidade. As estat\u00edsticas mostraram que os\u00a0<strong>bancos chineses<\/strong>\u00a0j\u00e1 participaram de mais de 2.600 projetos e inclui investimentos em uma ampla variedade de \u00e1reas, desde energia limpa at\u00e9 manufatura, tecnologia da informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00f5es, transportes, portos e aeroportos, projetos hidr\u00e1ulicos, assim como desenvolvimento urbano e moradia, entre outras.<\/p>\n<div class=\"news-image-credits\">\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2018\/06\/21_06_mapa_oleoduto_de_Kyaukpyu_fonte_forbes.jpg?w=640\" alt=\"\" \/><em>Oleoduto de Kyaukpyu<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p>Por exemplo, o\u00a0<strong>oleoduto de Kyaukpyu<\/strong>, em\u00a0<strong>Myanmar<\/strong>, no valor de US$ 1,5 bilh\u00e3o, vai permitir que os suprimentos de petr\u00f3leo do Oriente M\u00e9dio e da \u00c1frica cheguem \u00e0\u00a0<strong>China<\/strong>mais rapidamente. O\u00a0<strong>porto de Gwadar<\/strong>\u00a0e o corredor ferrovi\u00e1rio, no\u00a0<strong>Paquist\u00e3o<\/strong>, permitir\u00e3o ligar o oeste da China, atrav\u00e9s de uma ferrovia de 3 mil km e de um porto de \u00e1guas profundas, ao\u00a0<strong>Mar da Ar\u00e1bia<\/strong>. As conex\u00f5es ferrovi\u00e1rias na regi\u00e3o \u00c1sia-Pac\u00edfico envolvem a liga\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o sudoeste de\u00a0<strong>Yunnan<\/strong>\u00a0a v\u00e1rios pa\u00edses da regi\u00e3o, por meio de tr\u00eas rotas planejadas: uma central, que atravessa o\u00a0<strong>Laos<\/strong>, a\u00a0<strong>Tail\u00e2ndia<\/strong>\u00a0e a\u00a0<strong>Mal\u00e1sia<\/strong>\u00a0para chegar a\u00a0<strong>Singapura<\/strong>, uma rota ocidental que atravessa Myanmar e uma rota oriental que atravessa o Vietn\u00e3 e Camboja. Existem\u00a0<strong>projetos ferrovi\u00e1rios<\/strong>\u00a0no\u00a0<strong>Qu\u00eania<\/strong>,\u00a0<strong>Eti\u00f3pia<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Senegal<\/strong>. Foi inaugurada, recentemente, uma linha ferrovi\u00e1ria ligando Londres \u00e0 esta\u00e7\u00e3o de\u00a0<strong>Yiwu<\/strong>, cidade ao sul de\u00a0<strong>Xangai<\/strong>. Ou seja, trata-se de uma interliga\u00e7\u00e3o de Pequim e Xangai com o mundo.<\/p>\n<div class=\"news-image-credits\">\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2016\/ESCOLHER_A_FOTO.jpg?w=640\" alt=\"\" \/><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2018\/06\/21_06_mapa_foto_bbc.jpg?w=640\" alt=\"\" \/><em>Ferrovia que liga China a Londres<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Qual \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o e a influ\u00eancia da China na Coreia do Norte?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Eust\u00e1quio Diniz Alves &#8211;<\/strong>\u00a0A influ\u00eancia \u00e9 total. A\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/573038-coreia-do-norte-na-era-do-atomo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Coreia do Norte<\/a>\u00a0s\u00f3 existe por conta do apoio da\u00a0<strong>China<\/strong>\u00a0e da\u00a0<strong>URSS<\/strong>, que na guerra de 1950-53, garantiu a perman\u00eancia no poder de\u00a0<strong>Kim Il-Sung<\/strong>, av\u00f4 de\u00a0<strong>Kim Jong-un.<\/strong>\u00a0Em 2016, o com\u00e9rcio da\u00a0<strong>Coreia do Norte<\/strong>\u00a0com o mundo totalizou cerca de US$ 6 bilh\u00f5es, sendo US$ 5,5 bilh\u00f5es (91,5%) com a\u00a0<strong>China<\/strong>, US$ 140 milh\u00f5es com a\u00a0<strong>\u00cdndia<\/strong>\u00a0e US$ 76 milh\u00f5es com a\u00a0<strong>R\u00fassia<\/strong>. Os tr\u00eas maiores parceiros da Coreia do Norte s\u00e3o os pa\u00edses do grupo\u00a0<strong>RIC<\/strong>.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"100%\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.google.com\/maps\/embed?pb=!1m18!1m12!1m3!1d6445754.163712857!2d123.16563191719256!3d37.92246574966311!2m3!1f0!2f0!3f0!3m2!1i1024!2i768!4f13.1!3m3!1m2!1s0x356263108b3d1c3b%3A0x86416151fc4a3997!2sCoreia!5e0!3m2!1spt-BR!2sbr!4v1529580007312\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p>Mas a influ\u00eancia da China \u00e9 incomensur\u00e1vel e antes do encontro da\u00a0<strong>ilha de Sentosa<\/strong>\u00a0em\u00a0<strong>Singapura<\/strong>,\u00a0<strong>Kim Jong-un<\/strong>\u00a0se encontrou duas vezes com\u00a0<strong>Xi Jinping<\/strong>, em territ\u00f3rio chin\u00eas. Outro exemplo, o voo de\u00a0<strong>Kim<\/strong>\u00a0para Singapura aconteceu em um avi\u00e3o do governo chin\u00eas e foi escoltado por ca\u00e7as chineses. Por fim, no dia 19 de junho, uma semana ap\u00f3s a reuni\u00e3o de Singapura,\u00a0<strong>Kim Jong-un<\/strong>\u00a0viajou para Pequim para se encontrar com\u00a0<strong>Xi Jinping<\/strong>\u00a0e, provavelmente, comemorar os resultados do\u00a0<strong>enfraquecimento dos EUA<\/strong>na pen\u00ednsula coreana. O incr\u00edvel \u00e9 que neste mesmo dia em que os dois \u201cditadores\u201d orientais se encontravam na\u00a0<strong>Pra\u00e7a da Paz Celestial<\/strong>, no lado ocidental, o \u201cdemocr\u00e1tico\u201d presidente dos EUA refor\u00e7ou sua\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/580077-criancas-enjauladas-onda-de-indignacao-tambem-nos-eua-pelo-tratamento-reservado-aos-pequenos-migrantes-vindos-do-mexico\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">pol\u00edtica de toler\u00e2ncia zero na migra\u00e7\u00e3o ilegal<\/a>\u00a0(colocando crian\u00e7as em \u201cjaulas\u201d) e anunciou a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/580098-eua-abandonam-o-conselho-dos-direitos-humanos-da-onu-boicote-coincide-com-as-criticas-feitas-as-politicas-migratorias-norte-americanas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">sa\u00edda dos EUA do Conselho de Direitos Humanos da ONU<\/a>.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Quais s\u00e3o os sinais que demonstram uma mudan\u00e7a na hegemonia no mundo, com o decl\u00ednio dos EUA e do Ocidente e ascens\u00e3o da China e do Oriente?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Eust\u00e1quio Diniz Alves &#8211;<\/strong>\u00a0Durante toda a d\u00e9cada de 1980, a\u00a0<strong>economia dos EUA<\/strong>representava mais de 20% da economia mundial e a economia da\u00a0<strong>China<\/strong>\u00a0representava menos de 5%, segundo dados do\u00a0<strong>FMI<\/strong>\u00a0(em ppp). Nas d\u00e9cadas seguintes o quadro se inverteu. Em 2014, o\u00a0<strong>PIB da China<\/strong>, representando 16,6% do PIB global, ultrapassou o PIB dos EUA, que ficou com 15,8% do PIB global. Em 2017, a\u00a0<strong>China<\/strong>\u00a0j\u00e1 levava uma vantagem de 18,3% sobre 15,3% dos\u00a0<strong>EUA<\/strong>. Para 2022, as estimativas do FMI indicam que o\u00a0<strong>PIB da China<\/strong>\u00a0subir\u00e1 para 20,4% do PIB global, enquanto o\u00a0<strong>PIB dos EUA<\/strong>\u00a0cair\u00e1 para 14,1%. A\u00a0<strong>China<\/strong>\u00a0j\u00e1 ultrapassou os EUA em tamanho do PIB e agora estimula o crescimento de todo o continente asi\u00e1tico.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">A China j\u00e1 ultrapassou os EUA em tamanho do PIB e agora estimula o crescimento de todo o continente asi\u00e1tico \u2013 Jos\u00e9 Eust\u00e1quio Diniz Alves<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>A\u00a0<strong>hegemonia da China<\/strong>\u00a0tamb\u00e9m ocorreu no com\u00e9rcio mundial. No final dos anos 1970 a participa\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es chinesas estava abaixo de 1% do total mundial, contra 12% dos EUA, segundo dados da<strong>\u00a0Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio<\/strong>. No in\u00edcio dos anos 1990, as exporta\u00e7\u00f5es chinesas subiram para 2% do total mundial e as exporta\u00e7\u00f5es americanas permaneceram nos 12%. Mas o quadro mudou rapidamente nos anos seguintes. Em 2007, pela primeira vez, as\u00a0<strong>exporta\u00e7\u00f5es chinesas<\/strong>\u00a0ultrapassaram as exporta\u00e7\u00f5es americanas. Em 2017, as exporta\u00e7\u00f5es da China somaram US$ 2,26 trilh\u00f5es (representando 13% do total global) e as\u00a0<strong>exporta\u00e7\u00f5es dos EUA<\/strong>\u00a0foram de US$ 1,55 trilh\u00e3o (representando 9% do total global). Em 2017, o\u00a0<strong>saldo comercial da China\u00a0<\/strong>com o resto do mundo foi de US$ 421 bilh\u00f5es e o\u00a0<strong>d\u00e9ficit comercial dos EUA<\/strong>\u00a0foi de US$ 863 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Vantagem chinesa<\/strong><\/p>\n<p>No confronto direto entre as\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/578395-eua-e-china-tres-movimentos-da-historia-recente-que-levaram-ao-embate-atual\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">duas maiores economias do mundo<\/a>, a vantagem chinesa \u00e9 impressionante. Os dados do \u201c<strong>U.S. Census Bureau<\/strong>\u201d mostram que o\u00a0<strong>d\u00e9ficit comercial dos EUA<\/strong>\u00a0com a\u00a0<strong>China<\/strong>\u00a0cresceu enormemente nos \u00faltimos 25 anos, pois era de US$ 23 bilh\u00f5es no come\u00e7o do\u00a0<strong>governo Clinton<\/strong>, em 1993, passou para US$ 268 bilh\u00f5es no fim do\u00a0<strong>governo Bush<\/strong>, em 2008, e n\u00e3o parou de subir no\u00a0<strong>governo Obama<\/strong>, chegando a US$ 367 bilh\u00f5es em 2015, caindo um pouco para US$ 347 bilh\u00f5es em 2016.<\/p>\n<div class=\"news-citacao-right\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">A hegemonia da China tamb\u00e9m ocorreu no com\u00e9rcio mundial. No final dos anos 1970 a participa\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es chinesas estava abaixo de 1% do total mundial, contra 12% dos EUA \u2013 Jos\u00e9 Eust\u00e1quio Diniz Alves<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>No governo\u00a0<strong>Donald Trump<\/strong>, a despeito de toda a ret\u00f3rica protecionista, o d\u00e9ficit comercial com a\u00a0<strong>China<\/strong>\u00a0bateu todos os recordes hist\u00f3ricos e atingiu US$ 375 bilh\u00f5es em 2017. O ano de 2018 come\u00e7ou com outro recorde\u00a0<strong>chin\u00eas<\/strong>, que teve um super\u00e1vit de US$ 119 bilh\u00f5es nos primeiros quatro meses do ano, o maior saldo positivo de todos os tempos, para o primeiro quadrimestre do ano.<\/p>\n<p>A\u00a0<strong>economia americana<\/strong>\u00a0funciona na base dos d\u00e9ficits g\u00eameos (fiscal e comercial) e do aumento da d\u00edvida. O \u00faltimo relat\u00f3rio do\u00a0<strong>Escrit\u00f3rio de Or\u00e7amento do Congresso<\/strong>(CBO) mostra que a d\u00edvida p\u00fablica americana vai aumentar em US$ 12,4 trilh\u00f5es entre 2019 e 2028, devendo alcan\u00e7ar quase 100% do PIB, no final da pr\u00f3xima d\u00e9cada.<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>PIB<\/strong>\u00a0conjunto do grupo\u00a0<strong>RIC<\/strong>\u00a0(R\u00fassia, \u00cdndia e China), em 2017, foi de US$ 36,6 trilh\u00f5es e o\u00a0<strong>PIB<\/strong>\u00a0conjunto do\u00a0<strong>G7<\/strong>\u00a0(EUA, Jap\u00e3o, Alemanha, Fran\u00e7a, Reino Unido, It\u00e1lia e Canad\u00e1) foi de US$ 38,8 trilh\u00f5es. Para 2020, o PIB do grupo RIC deve chegar a US$ 46,8 trilh\u00f5es, contra US$ 43,9 trilh\u00f5es do G7, segundo dados do\u00a0<strong>FMI<\/strong>\u00a0(em ppp). Ou seja, os tr\u00eas pa\u00edses ditos emergentes devem ultrapassar os sete pa\u00edses capitalistas mais avan\u00e7ados ainda na atual d\u00e9cada.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Que tipos de reconfigura\u00e7\u00f5es tendem a ocorrer no mundo caso a ascens\u00e3o da China e do Oriente vigore?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Eust\u00e1quio Diniz Alves &#8211;<\/strong>\u00a0A\u00a0<strong>ascens\u00e3o da China<\/strong>\u00a0e dos pa\u00edses aliados do\u00a0<strong>Oriente<\/strong>\u00a0pode significar o fim do modelo econ\u00f4mico e pol\u00edtico do<strong>\u00a0liberalismo democr\u00e1tico burgu\u00eas<\/strong>\u00a0e o\u00a0<strong>fim da ordem internacional<\/strong>\u00a0fundada a partir da reuni\u00e3o de\u00a0<strong>Bretton<\/strong>\u00a0<strong>Woods<\/strong>, em 1944. O empres\u00e1rio\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/568153-um-guia-para-compreender-a-quarta-revolucao-industrial\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Klaus Schwab<\/a>, criador do<strong>\u00a0F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial<\/strong>, em evento realizado em\u00a0<strong>S\u00e3o Paulo<\/strong>\u00a0no m\u00eas de mar\u00e7o de 2018, disse que v\u00ea para breve um mundo em que a\u00a0<strong>China<\/strong>\u00a0assumir\u00e1 a<strong>\u00a0lideran\u00e7a econ\u00f4mica global<\/strong>. Muito tempo atr\u00e1s, o secret\u00e1rio de Estado dos EUA,\u00a0<strong>John Hay<\/strong>, em 1900, j\u00e1 previa que haveria uma mudan\u00e7a geopol\u00edtica estrat\u00e9gica no mundo. Ele disse: &#8220;O\u00a0<strong>Mediterr\u00e2neo<\/strong>\u00a0\u00e9 o oceano do passado. O\u00a0<strong>Atl\u00e2ntico<\/strong>\u00a0\u00e9 o oceano do presente e o\u00a0<strong>Pac\u00edfico<\/strong>\u00a0o oceano do futuro\u201d. Indubitavelmente, os\u00a0<strong>Estados Unidos<\/strong>\u00a0e a\u00a0<strong>Europa<\/strong>\u00a0est\u00e3o em decl\u00ednio relativo no contexto da economia global. Enquanto o\u00a0<strong>governo Trump<\/strong>\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/579786\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">tenta construir um muro<\/a>, separando fisicamente o\u00a0<strong>M\u00e9xico<\/strong>\u00a0e a\u00a0<strong>Am\u00e9rica Latina<\/strong>\u00a0dos\u00a0<strong>EUA<\/strong>, a\u00a0<strong>Gr\u00e3-Bretanha<\/strong>\u00a0implementa o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/186-noticias\/noticias-2017\/566303-brexit-afetara-4-milhoes-de-imigrantes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Brexit<\/a>\u00a0e as for\u00e7as da direita isolacionista crescem na\u00a0<strong>Europa<\/strong>, a\u00a0<strong>China<\/strong>, sob a lideran\u00e7a de\u00a0<strong>Xi Jinping<\/strong>, implementa uma integra\u00e7\u00e3o internacional por meio de uma\u00a0<strong>globaliza\u00e7\u00e3o \u00e0 moda chinesa<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Ocidente x Oriente<\/strong><\/p>\n<p>O\u00a0<strong>modelo de Pequim<\/strong>\u00a0n\u00e3o \u00e9 exce\u00e7\u00e3o na\u00a0<strong>\u00c1sia<\/strong>, pois os<strong>\u00a0Tigres Asi\u00e1ticos<\/strong>\u00a0(Coreia do Sul, Taiwan, Singapura e Hong Kong) j\u00e1 tiveram sucesso neste tipo de estrat\u00e9gia de desenvolvimento. Atualmente, pa\u00edses como\u00a0<strong>Tail\u00e2ndia<\/strong>,\u00a0<strong>Mal\u00e1sia<\/strong>,\u00a0<strong>Indon\u00e9sia<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Vietn\u00e3<\/strong>tamb\u00e9m emulam a\u00a0<strong>China<\/strong>\u00a0e se beneficiam dos investimentos regionais em infraestrutura. Desta forma, a despeito das especificidades, fica cada vez mais clara a diferencia\u00e7\u00e3o entre os modelos econ\u00f4mico e pol\u00edtico do Oeste e do Leste. No primeiro caso, o\u00a0<strong>Ocidente<\/strong>\u00a0pode ser definido pela somat\u00f3ria da\u00a0<strong>economia de mercado<\/strong>\u00a0e da\u00a0<strong>democracia representativa<\/strong>, enquanto o Oriente \u00e9 mais caracterizado pela presen\u00e7a estatal no mercado e pelo autoritarismo na pol\u00edtica. O sucesso de\u00a0<strong>Singapura<\/strong>, de\u00a0<strong>Lee Kuan Yew<\/strong>\u00a0(1923-2015), tem servido de inspira\u00e7\u00e3o para os outros pa\u00edses asi\u00e1ticos. A\u00a0<strong>China<\/strong>, por exemplo, governada por um partido \u00fanico, costuma ser definida pelos oximoros \u201csocialismo de mercado\u201d ou \u201ccapitalismo de Estado\u201d e n\u00e3o tem se comprometido com os valores da democracia, pr\u00f3prios dos pa\u00edses liberais.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Na sua avalia\u00e7\u00e3o a mudan\u00e7a geopol\u00edtica significar\u00e1 uma mudan\u00e7a na globaliza\u00e7\u00e3o: sair\u00e1 de cena uma globaliza\u00e7\u00e3o neoliberal do Consenso de Washington e entrar\u00e1 em cena uma globaliza\u00e7\u00e3o liderada pela China e o Consenso de Beijing. Quais s\u00e3o as diferen\u00e7as entre esses dois tipos de globaliza\u00e7\u00e3o e o que preconizam o Consenso de Washington e o de Beijing, e qual \u00e9 a diferen\u00e7a distintiva entre ambos?<\/strong><\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">Em 2017, as exporta\u00e7\u00f5es da China somaram US$ 2,26 trilh\u00f5es (representando 13% do total global) e as exporta\u00e7\u00f5es dos EUA foram de US$ 1,55 trilh\u00e3o (representando 9% do total global) \u2013 Jos\u00e9 Eust\u00e1quio Diniz Alves<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Jos\u00e9 Eust\u00e1quio Diniz Alves &#8211;<\/strong>\u00a0A\u00a0<strong>queda do Muro de Berlim<\/strong>\u00a0(1989), a reunifica\u00e7\u00e3o da\u00a0<strong>Alemanha<\/strong>\u00a0(1990) e a dissolu\u00e7\u00e3o da\u00a0<strong>Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica<\/strong>\u00a0(1991) marcaram o fim de 40 anos de\u00a0<strong>Guerra Fria<\/strong>. Teve in\u00edcio um per\u00edodo de<strong>hegemonia unipolar dos EUA<\/strong>\u00a0e dos valores econ\u00f4micos e pol\u00edticos do Ocidente. Para o cientista pol\u00edtico\u00a0<strong>Francis Fukuyama<\/strong>, estes acontecimentos marcaram a vit\u00f3ria do\u00a0<strong>capitalismo liberal<\/strong>\u00a0sobre os regimes de forte interven\u00e7\u00e3o estatal. Utilizando uma linha te\u00f3rica desenvolvida por\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/edicao\/482\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Hegel<\/a>\u00a0(1770-1831),\u00a0<strong>Fukuyama<\/strong>\u00a0escreveu o artigo \u201c<strong>O fim da hist\u00f3ria<\/strong>&#8221; (1989), onde defendeu a ideia de que o capitalismo e a democracia burguesa constituem o coroamento do progresso civilizat\u00f3rio. Na concep\u00e7\u00e3o de\u00a0<strong>Fukuyama<\/strong>, n\u00e3o se trata do fim da hist\u00f3ria em termos cronol\u00f3gicos, mas sim da derrocada do \u201csocialismo real\u201d e da vit\u00f3ria da democracia liberal, que com todas as suas imperfei\u00e7\u00f5es, passou a ser a solu\u00e7\u00e3o final e mais avan\u00e7ada de governo da hist\u00f3ria da humanidade.<\/p>\n<p>Aproveitando a conjuntura favor\u00e1vel da<strong>\u00a0ideologia do neoliberalismo<\/strong>, algumas institui\u00e7\u00f5es sediadas em\u00a0<strong>Washington<\/strong>\u00a0(FMI, Banco Mundial, Departamento do Tesouro dos Estados Unidos etc.), buscando aprofundar a influ\u00eancia do\u00a0<strong>capitalismo liberal<\/strong>, apresentaram, em dezembro de 1989, uma lista de dez pontos com recomenda\u00e7\u00f5es de pol\u00edtica econ\u00f4mica para os diversos pa\u00edses do mundo. A elabora\u00e7\u00e3o do receitu\u00e1rio, conhecido como \u201c<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/503805-amargo-deja-vu-um-revival-do-consenso-de-washington\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Consenso de Washington<\/a>\u201d ficou a cargo do economista\u00a0<strong>John Williamson<\/strong>\u00a0e pode ser sumarizada no dec\u00e1logo seguinte:<\/p>\n<p>1. Disciplina fiscal e baixo d\u00e9ficit p\u00fablico;<\/p>\n<p>2. Focaliza\u00e7\u00e3o dos gastos p\u00fablicos em educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e infraestrutura;<\/p>\n<p>3. Reforma tribut\u00e1ria;<\/p>\n<p>4. Liberaliza\u00e7\u00e3o financeira;<\/p>\n<p>5. Taxa de c\u00e2mbio competitiva;<\/p>\n<p>6. Liberaliza\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio exterior;<\/p>\n<p>7. Elimina\u00e7\u00e3o de restri\u00e7\u00f5es ao capital externo;<\/p>\n<p>8. Privatiza\u00e7\u00e3o e venda de empresas estatais;<\/p>\n<p>9. Desregula\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es trabalhistas;<\/p>\n<p>10. Defesa da propriedade intelectual. Sem d\u00favida, a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/574360-o-neoliberalismo-e-sua-falha-fatal\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">globaliza\u00e7\u00e3o neoliberal<\/a>, estimulada pelo\u00a0<strong>Consenso de Washington<\/strong>, foi claramente hegem\u00f4nica no mundo entre 1989 e 2008 (quando houve a quebra do banco<strong>\u00a0Lehman Brothers<\/strong>\u00a0e a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/500801-origem-causas-e-impacto-da-crise\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">grande recess\u00e3o internacional<\/a>\u00a0de 2009).<\/p>\n<p>Mas como mostram os dados j\u00e1 apresentados, os pa\u00edses do grupo\u00a0<strong>RIC<\/strong>\u00a0tiveram um melhor desempenho econ\u00f4mico na retomada da crise e devem ultrapassar o\u00a0<strong>G7<\/strong>, em tamanho do PIB, at\u00e9 2020. O sucesso, especialmente da\u00a0<strong>China<\/strong>, foi adotar um outro caminho diferente do\u00a0<strong>Consenso de Washington<\/strong>, que o economista\u00a0<strong>Joshua Ramo<\/strong>definiu como \u201c<strong><em>The Beijing Consensus<\/em><\/strong>\u201d, em 2004.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">O Consenso de Beijing tem sido refer\u00eancia n\u00e3o s\u00f3 para a China, mas tamb\u00e9m para a R\u00fassia, a Turquia, o Cazaquist\u00e3o, as Filipinas etc. A \u00cdndia, de Narendra Modi, embora seja considerada a maior democracia do mundo, tamb\u00e9m flerta com v\u00e1rios aspectos do modelo de Beijing \u2013 Jos\u00e9 Eust\u00e1quio Diniz Alves<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>O \u201c<strong>Consenso de Beijing<\/strong>\u201d re\u00fane as seguintes caracter\u00edsticas:<\/p>\n<p>1. Promo\u00e7\u00e3o das economias em que a propriedade estatal continua tendo um peso dominante;<\/p>\n<p>2. Promo\u00e7\u00e3o de c\u00e2mbio competitivo, com mudan\u00e7as graduais para evitar choques e controle cambial para escapar da especula\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria;<\/p>\n<p>3. Pol\u00edticas de promo\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es (\u201c<em>Export-led growth<\/em>\u201d) com prote\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria local e dos setores estrat\u00e9gicos do pa\u00eds;<\/p>\n<p>4. Reformas de mercado, mas com controle das institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e culturais;<\/p>\n<p>5. Centraliza\u00e7\u00e3o das decis\u00f5es pol\u00edticas e das estrat\u00e9gias de proje\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n<p>Desta forma, o<strong>\u00a0Consenso de Beijing<\/strong>\u00a0tem sido refer\u00eancia n\u00e3o s\u00f3 para a\u00a0<strong>China<\/strong>, mas tamb\u00e9m para a\u00a0<strong>R\u00fassia,<\/strong>\u00a0a\u00a0<strong>Turquia<\/strong>, o\u00a0<strong>Cazaquist\u00e3o<\/strong>, as\u00a0<strong>Filipinas<\/strong>\u00a0etc.<\/p>\n<p>A\u00a0<strong>\u00cdndia<\/strong>, de\u00a0<strong>Narendra Modi<\/strong>, embora seja considerada a maior democracia do mundo, tamb\u00e9m flerta com v\u00e1rios aspectos do modelo de\u00a0<strong>Beijing<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; O que mudaria na globaliza\u00e7\u00e3o com a ascens\u00e3o do Consenso de Beijing? O que o mundo ganha ou perde com essa mudan\u00e7a?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Eust\u00e1quio Diniz Alves &#8211;<\/strong>\u00a0A\u00a0<strong>ascens\u00e3o da China<\/strong>, desde as reformas de\u00a0<strong>Deng Xiaoping<\/strong>, no final da d\u00e9cada de 1970, viabilizou a retirada de 1 bilh\u00e3o de chineses da situa\u00e7\u00e3o de extrema pobreza. Os outros pa\u00edses da regi\u00e3o buscam repetir o sucesso chin\u00eas nesta \u00e1rea e para isto contam com o avan\u00e7o do com\u00e9rcio internacional. Todavia, com a sa\u00edda da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/551423--em-meio-a-protestos-parceria-transpacifico-e-assinada-pelos-12-paises-membros\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Parceria Transpac\u00edfico<\/a>, a ado\u00e7\u00e3o de medidas protecionistas e a utiliza\u00e7\u00e3o de tarifas, o governo\u00a0<strong>Trump<\/strong>\u00a0tem irritado os pa\u00edses asi\u00e1ticos e tem perdido espa\u00e7o na sua esfera de influ\u00eancia.<\/p>\n<div class=\"news-citacao-right\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">A ascens\u00e3o da China e dos pa\u00edses aliados do Oriente pode significar o fim do modelo econ\u00f4mico e pol\u00edtico do liberalismo democr\u00e1tico burgu\u00eas e o fim da ordem internacional fundada a partir da reuni\u00e3o de Bretton Woods, em 1944 \u2013 Jos\u00e9 Eust\u00e1quio Diniz Alves<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Em contrapartida, a\u00a0<strong>China<\/strong>\u00a0trabalha agressivamente para preencher o v\u00e1cuo. A iniciativa \u201c<strong>Um Cintur\u00e3o, Uma rota\u201d<\/strong>\u00a0(<em>One Belt One Road<\/em>, ou\u00a0<strong>OBOR<\/strong>)\u2014 que \u00e9 considerada a maior fa\u00e7anha de infraestrutura da hist\u00f3ria da humanidade \u2014 pretende ser um instrumento para acelerar o crescimento econ\u00f4mico da Eur\u00e1sia, gerando milh\u00f5es de empregos, o que possibilitaria o aumento da classe m\u00e9dia asi\u00e1tica. A China busca interligar a Eur\u00e1sia de uma forma nunca vista e com oportunidade de neg\u00f3cios que deslumbra as diversas na\u00e7\u00f5es. Os cerca de 5 bilh\u00f5es de habitantes da regi\u00e3o sairiam ganhando economicamente.<\/p>\n<p><strong>Impacto ecol\u00f3gico do modelo chin\u00eas<\/strong><\/p>\n<p>Contudo, o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/568555-eua-e-china-os-dois-paises-com-os-maiores-deficits-ambientais\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">impacto ecol\u00f3gico<\/a>\u00a0ser\u00e1 enorme e, com toda certeza, o meio ambiente sair\u00e1 perdendo. O Presidente\u00a0<strong>Xi Jinping<\/strong>\u00a0tem feito um discurso tentando minimizar os efeitos ambientalmente negativos da iniciativa \u201c<strong>Um Cintur\u00e3o, Uma rota<\/strong>\u201d\u00a0(<em>One Belt One Road<\/em>, ou\u00a0<strong>OBOR<\/strong>) e, em v\u00e1rias ocasi\u00f5es, tem repetido: \u201cdevemos buscar a nova vis\u00e3o do desenvolvimento verde e um modo de vida e trabalho que seja verde, de baixo carbono, circular e sustent\u00e1vel. Devem ser feitos esfor\u00e7os para fortalecer a coopera\u00e7\u00e3o em prote\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica e ambiental e construir um ecossistema s\u00f3lido, de modo a atingir as metas estabelecidas pela\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/547899-o-tempo-testara-a-agenda-2030\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Agenda 2030 da ONU para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel<\/a>\u201d.<\/p>\n<p>Mas os cr\u00edticos consideram que as melhores\u00a0<strong>pr\u00e1ticas ambientais<\/strong>\u00a0n\u00e3o ser\u00e3o adotadas, devido \u00e0 falta de transpar\u00eancia e ao baixo compromisso democr\u00e1tico dos desenvolvedores dos projetos. Na\u00a0<strong>China<\/strong>\u00a0\u00e9 comum se adotar o conceito \u201cpoluir primeiro, controlar depois\u201d. O maior risco de uma iniciativa t\u00e3o grandiosa \u00e9 a prolifera\u00e7\u00e3o de t<strong>ecnologias sujas e destrutivas<\/strong>, como carv\u00e3o, grandes hidrel\u00e9tricas, desmatamento florestal, uso de recursos h\u00eddricos escassos, fragmenta\u00e7\u00e3o das paisagens naturais, perda de biodiversidade etc. Devem aumentar os conflitos socioambientais.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Acerca da ascens\u00e3o do Oriente, o senhor j\u00e1 disse que existem oportunidades e riscos nesse processo. Poderia nos dar alguns exemplos tanto das oportunidades quanto dos riscos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Eust\u00e1quio Diniz Alves &#8211;<\/strong>\u00a0Existem oportunidades advindas do processo de desenvolvimento e da melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida dos cerca de 5 bilh\u00f5es de habitantes da\u00a0<strong>Eur\u00e1sia<\/strong>\u00a0e existem os<strong>\u00a0riscos ecol\u00f3gicos e socioambientais<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Conflito b\u00e9lico<\/strong><\/p>\n<p>Mas as maiores amea\u00e7as surgem da possibilidade de um\u00a0<strong>conflito b\u00e9lico<\/strong>\u00a0entre as superpot\u00eancias. O escritor e professor da Universidade de Harvard,\u00a0<strong>Graham T. Allison<\/strong>, no livro, \u201c<strong>Destined for War: Can America and China Escape Thucydides\u2019s Trap?<\/strong>\u201d, aponta para a possibilidade de uma\u00a0<strong>guerra entre os EUA e a China.<\/strong>\u00a0O motivo \u00e9 a \u201c<strong>Armadilha de Tuc\u00eddides<\/strong>\u201d, que se refere a um padr\u00e3o de estresse estrutural que resulta do movimento provocado pelo choque entre um poder ascendente e o poder hegem\u00f4nico descendente. Para o professor, esse fen\u00f4meno \u00e9 t\u00e3o antigo quanto a pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Ele explica que na\u00a0<strong>Guerra do Peloponeso<\/strong>\u00a0(que devastou a Gr\u00e9cia antiga entre os anos de 431 e 404 a.C.) foi a ascens\u00e3o de\u00a0<strong>Atenas<\/strong>\u00a0e o medo que isso incutiu em\u00a0<strong>Esparta<\/strong>\u00a0que tornou a guerra inevit\u00e1vel. Nos \u00faltimos s\u00e9culos, essas condi\u00e7\u00f5es de mudan\u00e7as de hegemonia ocorreram dezesseis vezes, sendo que, em doze delas, estourou uma guerra. Para o autor, as condi\u00e7\u00f5es atuais est\u00e3o dadas para gerar um<strong>\u00a0conflito b\u00e9lico entre os EUA e a China<\/strong>.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">&#8220;O Mediterr\u00e2neo \u00e9 o oceano do passado. O Atl\u00e2ntico \u00e9 o oceano do presente e o Pac\u00edfico o oceano do futuro\u201d \u2013 John Hay, secret\u00e1rio de Estado dos EUA, em 1990<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Embora, o\u00a0<strong>encontro entre Donald Trump<\/strong>e\u00a0<strong>Kim Jong-un<\/strong>\u00a0em\u00a0<strong>Singapura<\/strong>\u00a0tenha contribu\u00eddo para aliviar as tens\u00f5es nucleares, os\u00a0<strong>EUA<\/strong>\u00a0continuam uma\u00a0<strong>pot\u00eancia militar<\/strong>dominante no mundo e tiveram despesa militar de U$ 611 bilh\u00f5es em 2016, enquanto a\u00a0<strong>China<\/strong>\u00a0\u00e9 o pa\u00eds que apresenta as maiores taxas de aumento nos investimentos b\u00e9licos, internos e externos, tendo contabilizado despesas militares de US$ 215 bilh\u00f5es em 2016. Em terceiro lugar vem a\u00a0<strong>R\u00fassia<\/strong>\u00a0com despesas de US$ 69 bilh\u00f5es, segundo o\u00a0<strong>Stockholm International Peace Research Institute<\/strong>. Estes tr\u00eas pa\u00edses foram respons\u00e1veis por 53% do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/578563-despesas-militares-recorde-no-mundo-1-739-bilhoes-de-dolares-em-2017-na-russia-os-gastos-diminuem-o-maior-aumento-e-na-china\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">gasto militar mundial<\/a>. Se houvesse desarmamento, o mundo seria outro caso estes recursos fossem usados para a guerra contra a pobreza e pela regenera\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica, ao inv\u00e9s de aumentar os arsenais de destrui\u00e7\u00e3o em massa de vidas humanas e n\u00e3o humanas.<\/p>\n<p>Portanto, a ascens\u00e3o da\u00a0<strong>\u00c1sia<\/strong>\u00a0e a emerg\u00eancia do processo de\u00a0<strong>Orientaliza\u00e7\u00e3o do mundo<\/strong>, sob lideran\u00e7a chinesa, pode n\u00e3o ocorrer de maneira pac\u00edfica diante do\u00a0<strong>decl\u00ednio relativo dos EUA<\/strong>\u00a0e do\u00a0<strong>Ocidente<\/strong>. Infelizmente, a\u00a0<strong>Armadilha de Tuc\u00eddides<\/strong>\u00a0\u00e9 como uma espada de D\u00e2mocles suspensa sobre a ordem internacional e a possibilidade de paz mundial.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Deseja acrescentar algo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Eust\u00e1quio Diniz Alves &#8211;<\/strong>\u00a0Apenas dizer que\u00a0<strong>Francis Fukuyama<\/strong>\u00a0estava errado, pois a\u00a0<strong>ordem democr\u00e1tica liberal e de mercado<\/strong>\u00a0parece n\u00e3o ser a forma de organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-econ\u00f4mica mais evolu\u00edda e superior do mundo, nem representa o fim da hist\u00f3ria. A\u00a0<strong>hegemonia ocidental<\/strong>\u00a0que foi constru\u00edda a partir da\u00a0<strong>1\u00aa Revolu\u00e7\u00e3o Industrial e Energ\u00e9tica<\/strong>, h\u00e1 250 anos, est\u00e1 cedendo espa\u00e7o para uma hegemonia oriental menos liberal, menos democr\u00e1tica e menos apoiada no mercado.<\/p>\n<div class=\"news-citacao-right\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">O Ocidente pode ser definido pela somat\u00f3ria da economia de mercado e da democracia representativa, enquanto o Oriente \u00e9 mais caracterizado pela presen\u00e7a estatal no mercado e pelo autoritarismo na pol\u00edtica \u2013 Jos\u00e9 Eust\u00e1quio Diniz Alves<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Surpreendentemente, este processo est\u00e1 sendo acelerado pelas atitudes do atual presidente dos\u00a0<strong>EUA<\/strong>, que passou a maior parte de seu per\u00edodo de ano e meio no poder rasgando acordos multilaterais, desestabilizando as organiza\u00e7\u00f5es internacionais, impondo penalidades comerciais a aliados, fraquejando diante de antigos inimigos ditatoriais, amea\u00e7ando o relacionamento com a\u00a0<strong>China<\/strong>\u00a0constru\u00eddo desde os tempos do presidente\u00a0<strong>Nixon<\/strong>\u00a0e perturbando a ordem diplom\u00e1tica global constru\u00edda, com muito esfor\u00e7o, sobre os escombros da\u00a0<strong>Segunda Guerra<\/strong>. Para completar, a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/169-noticias\/noticias-2015\/545326-a-crise-politica-e-os-limites-da-democracia-liberal-como-vetor-de-desenvolvimento-soberano-no-brasil-e-na-america-latina\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">democracia liberal<\/a>\u00a0est\u00e1 em retrocesso em todo o mundo atualmente e ganham for\u00e7a l\u00edderes autocr\u00e1ticos com\u00a0<strong>Vladimir Putin<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Xi Jinping<\/strong>, enquanto<strong>Donald Trump<\/strong>\u00a0aumenta os gastos militares dos EUA.<\/p>\n<p>Existe alguma esperan\u00e7a de que a<strong>\u00a0mudan\u00e7a de hegemonia<\/strong>\u00a0entre o\u00a0<strong>Ocidente<\/strong>\u00a0e o\u00a0<strong>Oriente<\/strong>\u00a0possa ocorrer de forma mais ou menos pac\u00edfica, embora n\u00e3o seja improv\u00e1vel ocorrer a\u00a0<strong>Armadilha de Tuc\u00eddides<\/strong>, num contexto de conflito nuclear entre a pot\u00eancia emergente e a pot\u00eancia descendente. Se a governan\u00e7a global n\u00e3o for capaz de apresentar solu\u00e7\u00f5es para o complexo quadro das rela\u00e7\u00f5es internacionais e a deteriora\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es sociais e ambientais, pode ser que, de fato, ocorra o fim da hist\u00f3ria, em sua forma tr\u00e1gica, juntamente com o\u00a0<strong>fim da civiliza\u00e7\u00e3o humana<\/strong>.<\/p>\n<p>http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/580107-a-ascensao-da-china-a-disputa-pela-eurasia-e-a-armadilha-de-tucidides-entrevista-especial-com-jose-eustaquio-diniz-alves<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Patricia Fachin &#8211;\u00a0Entrevista especial com Jos\u00e9 Eust\u00e1quio Diniz Alves. 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