{"id":8063,"date":"2018-05-10T14:45:59","date_gmt":"2018-05-10T17:45:59","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=8063"},"modified":"2018-05-10T14:34:01","modified_gmt":"2018-05-10T17:34:01","slug":"brasil-viveu-um-processo-de-amnesia-nacional-sobre-a-escravidao-diz-historiadora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2018\/05\/10\/brasil-viveu-um-processo-de-amnesia-nacional-sobre-a-escravidao-diz-historiadora\/","title":{"rendered":"Brasil viveu um processo de amn\u00e9sia nacional sobre a escravid\u00e3o, diz historiadora"},"content":{"rendered":"<p><strong>J\u00falia Dias Carneiro<\/strong> &#8211; &#8216;O Brasil foi o ultimo pa\u00eds do Ocidente a abolir a escravid\u00e3o. \u00c0s vezes as pessoas falam que foi o \u00faltimo das Am\u00e9ricas, mas n\u00e3o. De fato, era chamado na \u00e9poca de retard\u00e3o&#8217;, diz Schwarcz.<\/p>\n<p>Sancionada pela princesa Isabel no dia 13 de maio de 1888, a lei que aboliu a escravid\u00e3o ap\u00f3s mais de tr\u00eas s\u00e9culos de trabalho for\u00e7ado no Brasil &#8220;saiu muito curta, muito pequena, muito conservadora&#8221;, descreve Lilia Moritz Schwarcz.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 BBC Brasil, a historiadora diz que as consequ\u00eancias dessa virada de p\u00e1gina abrupta, sem pol\u00edticas para incluir os ex-escravos \u00e0 sociedade, s\u00e3o sofridas at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>&#8220;O que vemos hoje no pa\u00eds \u00e9 uma recria\u00e7\u00e3o, uma reconstru\u00e7\u00e3o do racismo estrutural. N\u00f3s n\u00e3o somos s\u00f3 v\u00edtimas do passado. O que n\u00f3s temos feito nesses 130 anos \u00e9 n\u00e3o apenas dar continuidade, mas radicalizar o racismo estrutural&#8221;, considera Schwarcz, professora do Departamento de Antropologia da USP e autora, entre outros livros, de\u00a0<em>O Espet\u00e1culo das Ra\u00e7as<\/em>,\u00a0<em>As Barbas do Imperador<\/em>,\u00a0<em>Racismo no Brasil\u00a0<\/em>e\u00a0<em>Brasil: uma biografia<\/em>.<\/p>\n<p>Como parte dos eventos para marcar os 130 anos da aboli\u00e7\u00e3o, Schwarcz lan\u00e7a nesta sexta-feira (11\/05) o\u00a0<em>Dicion\u00e1rio da Escravid\u00e3o e Liberdade &#8211; 50 textos cr\u00edticos<\/em>(Companhia das Letras), em coautoria com o historiador Fl\u00e1vio dos Santos Gomes. Schwarcz \u00e9 tamb\u00e9m cocuradora da exposi\u00e7\u00e3o Hist\u00f3rias Afro-Atl\u00e2nticas, que ser\u00e1 aberta no Masp e no Instituto Tomie Ohtake, em S\u00e3o Paulo, no fim de junho.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos politizando essa data e deixando bem claro que \u00e9 preciso lembrar para n\u00e3o esquecer. Mas n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel celebrar&#8221;, afirma.<\/p>\n<div class=\"mod-foto-embed w615x300\">\n<div class=\"figure\">\n<div class=\"pinit-wraper\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"pinit-img\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/50\/2018\/05\/10\/lilia-moritz-schwarcz-e-professora-do-departamento-de-antropologia-da-faculdade-de-filosofia-letras-e-ciencias-humanas-da-usp-1525944495663_615x300.jpg?w=640&#038;ssl=1\" \/><\/div>\n<\/div>\n<p><em><span class=\"legenda pg-color10\">Lilia Moritz Schwarcz \u00e9 professora do departamento de Antropologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ci\u00eancias Humanas da USP<\/span><\/em><\/p>\n<\/div>\n<p>Leia abaixo os principais trechos da entrevista.<strong>BBC Brasil &#8211; Na sua vis\u00e3o, nesses 130 anos desde a aboli\u00e7\u00e3o, no que o pa\u00eds avan\u00e7ou e no que est\u00e1 parado?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Lilia Schwarcz &#8211;\u00a0<\/strong>N\u00e3o h\u00e1 motivo algum para celebrar. O Brasil foi o ultimo pa\u00eds do Ocidente a abolir a escravid\u00e3o. \u00c0s vezes as pessoas falam que foi o \u00faltimo das Am\u00e9ricas, mas n\u00e3o. De fato, era chamado na \u00e9poca de &#8216;retard\u00e3o&#8217;. Tardou demais. As estat\u00edsticas oscilam, mas indicam que o pa\u00eds teria recebido entre 38% a 44% da quantidade absoluta de africanos obrigados a deixar o continente. E teve escravos em todo o seu territ\u00f3rio, diferente dos EUA, por exemplo, que no Sul tinha um modelo semelhante ao nosso, mas no norte tinha outro modelo econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Quando veio a Lei \u00c1urea, em 1888, ela saiu muito curtinha, muito pequena, muito conservadora. &#8220;N\u00e3o h\u00e1 mais escravos no Brasil, revogam-se as posi\u00e7\u00f5es em contr\u00e1rio&#8221;. Corria no plen\u00e1rio uma s\u00e9rie de propostas, algumas ainda mais conservadoras, outras mais progressistas.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; Como esses grupos mais conservadores reagiram \u00e0 aboli\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Lilia Schwarcz\u00a0<\/strong>&#8211; A queda imediata do Imp\u00e9rio (\u00e9 resultado da rea\u00e7\u00e3o desses grupos). A Lei \u00c1urea foi a lei mais popular do Imp\u00e9rio e a \u00faltima. Como n\u00e3o se previram indeniza\u00e7\u00f5es, os grandes produtores de caf\u00e9, at\u00e9 ent\u00e3o vinculados ao Imp\u00e9rio, se bandearam para as fileiras dos republicanos.<\/p>\n<p>A aboli\u00e7\u00e3o foi um processo de luta da sociedade brasileira. N\u00e3o foi uma lei. N\u00e3o foi um presente da princesa (Isabel), como romanticamente se diz. Muitos setores de classe m\u00e9dia e de profissionais liberais aderiram \u00e0 causa abolicionista, que vira suprapartid\u00e1ria na d\u00e9cada de 1880. \u00c9 importante destacar sobretudo a atua\u00e7\u00e3o dos escravizados, dos negros, dos libertos, que pressionaram muito o tempo todo, seja por insurrei\u00e7\u00f5es, seja por rebeli\u00f5es coletivas, rebeli\u00f5es individuais, suic\u00eddios, envenenamentos.<\/p>\n<p>O que o Estado fez foi retardar a Lei \u00c1urea a um tal limite que ela acabou custando a pr\u00f3pria vida do Imp\u00e9rio no Brasil. Um ano e meio ap\u00f3s a aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o, o Imp\u00e9rio acabou.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; Qual foi o simbolismo da lei no momento em que foi assinada?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Lilia Schwarcz &#8211;\u00a0<\/strong>A assinatura do documento foi um ritual caprichad\u00edssimo. Para se ter uma ideia, foram criados tipos novos para a composi\u00e7\u00e3o da Lei \u00c1urea. O pai do (escritor) Lima Barreto, Jo\u00e3o Henriques, participou de um grupo de tip\u00f3grafos que estavam emocionados com a lei, e compuseram tipos novos para o documento, assinado pela princesa com uma caneta valios\u00edssima. Todo o ritual teve muito apelo popular. A famosa foto da \u00e9poca (de uma multid\u00e3o reunida do lado de fora do Pa\u00e7o Imperial, no Centro do Rio, para a assinatura da lei), mostra que a popula\u00e7\u00e3o compareceu, e \u00e9 poss\u00edvel reconhecer bandeiras de irmandades negras que foram comemorar a aboli\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O ritual tinha tudo para encantar, e encantou. Tanto que mais tarde vimos a popula\u00e7\u00e3o liberta conformar a Guarda Negra, que era contra a Rep\u00fablica e a favor do Imp\u00e9rio. Hoje, muita gente pode achar isso uma grande contradi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9. Na \u00e9poca, a compreens\u00e3o era que o Imp\u00e9rio tinha garantido o final da escravid\u00e3o, e ningu\u00e9m sabia o que viria com a Rep\u00fablica. Havia muito medo de projetos de reescraviza\u00e7\u00e3o. Estava tudo muito inst\u00e1vel, nebuloso.<\/p>\n<p>Hoje, sabemos que o ritual era parte da estrat\u00e9gia de dom Pedro 2\u00ba, que n\u00e3o estava no pa\u00eds, para garantir o Terceiro Reinado nas m\u00e3os de Isabel. A ideia era que a lei tornaria Isabel t\u00e3o popular que impediria os projetos republicanos e garantiria a sucess\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o do regime mon\u00e1rquico. O que n\u00e3o aconteceu. Mas o ritual foi realizado com grande pompa e circunst\u00e2ncia, com o objetivo de fazer emocionar, e de fato emocionou.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; Quais eram os principais v\u00edcios da lei?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Lilia Schwarcz\u00a0<\/strong>&#8211; A lei simplesmente abolia. Dizia que a partir desta data n\u00e3o h\u00e1 mais escravos no Brasil. Ponto final.<\/p>\n<p>A Rep\u00fablica, que viria um ano e meio depois, tentaria colocar uma pedra no tema da escravid\u00e3o. Como se tivesse ficado morto no passado junto com o Imp\u00e9rio. Temos um hino da Rep\u00fablica, aquele que canta &#8220;liberdade, liberdade, abre as asas sobre n\u00f3s&#8221;. E h\u00e1 uma estrofe que diz: &#8220;N\u00f3s nem cremos que escravos outrora tenha havido em t\u00e3o nobre pa\u00eds&#8221;. Ou seja, um ano e meio depois, (os republicanos) afirmavam n\u00e3o acreditar mais (que tivesse havido escravid\u00e3o). Era um processo de amn\u00e9sia nacional.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; Quais foram as consequ\u00eancias imediatas desta aboli\u00e7\u00e3o sem salvaguardas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Lilia Schwarcz &#8211;\u00a0<\/strong>O (momento) p\u00f3s-emancipa\u00e7\u00e3o n\u00e3o teve nenhuma preocupa\u00e7\u00e3o com inclus\u00e3o dessas popula\u00e7\u00f5es (de ex-escravos). Eu me refiro a educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, habita\u00e7\u00e3o, todos os problemas estruturais.<\/p>\n<p>Mas isso n\u00e3o quer dizer que a gente s\u00f3 deva culpar o passado. O que vemos hoje no pa\u00eds \u00e9 uma recria\u00e7\u00e3o, uma reconstru\u00e7\u00e3o do racismo estrutural. N\u00f3s n\u00e3o somos s\u00f3 v\u00edtimas do passado. O que n\u00f3s temos feito nesses 130 anos \u00e9 n\u00e3o apenas dar continuidade, mas radicalizar o racismo estrutural.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; As gera\u00e7\u00f5es p\u00f3s-Holocausto viveram o choque com a barbaridade e os horrores da Alemanha nazista. Voc\u00ea acha que no Brasil p\u00f3s-escravid\u00e3o houve um senso de choque posterior, uma percep\u00e7\u00e3o de que o pa\u00eds perpetrou barbaridades?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Lilia Schwarcz &#8211;<\/strong>\u00a0Aqui no Brasil, n\u00e3o. Voc\u00ea teve essa percep\u00e7\u00e3o em outros lugares. E existem alguns memoriais espalhados pelo mundo que falam do que foi a escravid\u00e3o, como o memorial da aboli\u00e7\u00e3o em Nantes, na Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>No Brasil, qual foi o suposto? Que a escravid\u00e3o era a lei. Era legal. E durante muito tempo foi naturalizada. A ideia da naturaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 terr\u00edvel. Sempre se mostrou uma escravid\u00e3o muito ben\u00e9fica. Basta vermos as imagens que passam a ideia de uma escravid\u00e3o ordeira, tranquila. Como se isso fosse poss\u00edvel, em um sistema que pressup\u00f5e a posse de um homem por outro.<\/p>\n<p>S\u00f3 muito recentemente \u00e9 que foi se colocando em pauta a dimens\u00e3o da chacina, e o fato de a escravid\u00e3o mercantil da era moderna ter produzido a maior di\u00e1spora vista no mundo depois de Roma.<\/p>\n<p>At\u00e9 o movimento negro contestar a data de 13 de maio, a data era uma data c\u00edvica. Era celebrada. Era despolitizada. Atualmente, estamos politizando essa data e deixando bem claro que \u00e9 preciso lembrar para n\u00e3o esquecer. Mas n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel celebrar.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; Ganha for\u00e7a um movimento de cobran\u00e7a por essa d\u00edvida hist\u00f3rica?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Lilia Schwarcz\u00a0<\/strong>&#8211; Eu penso que sim. O movimento internacional por cotas e pol\u00edticas de a\u00e7\u00e3o afirmativa \u00e9 uma tentativa de cobrar essa d\u00edvida hist\u00f3rica. Essa discuss\u00e3o come\u00e7a no Brasil tarde, no fim dos anos 1970, e demora para pegar.<\/p>\n<p>Os dados do censo v\u00eam mostrando como o pa\u00eds \u00e9 profundamente desigual. Quando comparamos marcadores sociais da diferen\u00e7a, como classe e ra\u00e7a, vemos que ra\u00e7a \u00e9 sempre um agravante.<\/p>\n<p>Estamos matando uma gera\u00e7\u00e3o de negros e negras no Brasil. Sabemos que os negros t\u00eam menos acesso a educa\u00e7\u00e3o. T\u00eam menos acesso a sa\u00fade. T\u00eam menos acesso a transporte. Morrem antes. S\u00e3o dados radicais que estamos recriando. Eu acho que a\u00e7\u00f5es desse tipo (as cotas raciais) s\u00e3o importantes porque h\u00e1 momentos em que \u00e9 preciso desigualar para depois igualar. N\u00e3o se pode falar em uma meritocracia universal num pa\u00eds t\u00e3o desigual como o Brasil.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; A elei\u00e7\u00e3o da Marielle Franco no Rio foi um exemplo da for\u00e7a que movimentos em prol da igualdade racial e de g\u00eanero v\u00eam ganhando. Como voc\u00ea compara a for\u00e7a desses movimentos hoje com o que acontecia na sua juventude?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Lilia Schwarcz &#8211;\u00a0<\/strong>A minha gera\u00e7\u00e3o viu o crescimento dos direitos civis, do direito \u00e0 diferen\u00e7a na universalidade, e se orgulhou muito dessas novas conquistas. Acho que, no Brasil e no mundo, n\u00f3s acreditamos que essas conquistas democr\u00e1ticas estavam de alguma maneira asseguradas.<\/p>\n<p>O que estamos vendo agora \u00e9 um momento claro de crise e recess\u00e3o democr\u00e1tica, colocando em risco essas conquistas.<\/p>\n<p>A morte da Marielle representa muito esse momento. Depois de 30 anos de conquistas democr\u00e1ticas, come\u00e7amos a ver que direitos n\u00e3o s\u00e3o conquistados para sempre.<\/p>\n<p>\u00c9 absolutamente simb\u00f3lico que sua morte tenha ocorrido bem no ano dos 130 anos da aboli\u00e7\u00e3o. A Marielle usou das franjas do sistema. Ela se formou na Mar\u00e9, entrou na PUC por pol\u00edtica de cotas, fez valer o seu m\u00e9rito, virou uma das vereadoras mais votadas no Rio por sua pauta de inclus\u00e3o racial e de g\u00eanero. Sua morte ainda sem respostas \u00e9 outro esc\u00e2ndalo da nossa democracia.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; No livro\u00a0<\/strong><strong><em>Brasil: Uma Biografia<\/em><\/strong><strong>, voc\u00ea e a historiadora Heloisa Starling dizem que o pa\u00eds \u00e9 uma obra ainda em aberto, e questionam se conseguiria consolidar a rep\u00fablica e a democracia. Recentemente, a perspectiva ficou mais pessimista?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Lilia Schwarcz &#8211;<\/strong>\u00a0Quando terminamos o livro, est\u00e1vamos encantadas, Heloisa e eu, com as passeatas de 2013, com as manifesta\u00e7\u00f5es, com a ideia de um Brasil mais plural, mais vigilante. Acho que todos ficamos. O que n\u00e3o notamos era que existiam dois grupos que desfilavam na avenida (nos protestos de 2013). Sab\u00edamos, mas depois ficou mais claro. Um que queria esse Brasil diferente, mais plural, mais inclusivo, mais variado; e outro que tamb\u00e9m queria um Brasil diferente, mas que, de alguma maneira, estava colocando tudo na conta de Dilma Rousseff e de um partido. Um Brasil que queria n\u00e3o pluralidade, mas de fato eliminar o advers\u00e1rio.<\/p>\n<p>Ideologias pol\u00edticas \u00e0 parte, acho que o impeachment da presidente Dilma abriu a tampa da democracia no Brasil e deu lugar para a pol\u00edtica de \u00f3dios, de intoler\u00e2ncia. A temperatura pol\u00edtica acabou derretendo as nossas institui\u00e7\u00f5es. Quando escrevemos\u00a0<em>Brasil: Uma Biografia<\/em>, Heloisa e eu diz\u00edamos que a democracia estava forte porque as institui\u00e7\u00f5es estavam consolidadas, mas a rep\u00fablica ia muito mal. Agora vemos que tanto a rep\u00fablica como a democracia v\u00e3o muito mal, com as institui\u00e7\u00f5es muito enfraquecidas e o descr\u00e9dito da pol\u00edtica e dos partidos. Vivemos um momento que pede muita vigil\u00e2ncia.<\/p>\n<p><strong>BBC Brasil &#8211; Nessa atual conjuntura, como voc\u00ea v\u00ea o cen\u00e1rio para as elei\u00e7\u00f5es deste ano?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Lilia Schwarcz &#8211;\u00a0<\/strong>Quem diz que sabe, mente. N\u00e3o vejo nenhum sinal agora que permita comentar como vai ser a composi\u00e7\u00e3o dos partidos, quem vai se apresentar de fato. H\u00e1 muitos sinais para ficar em alerta. \u00c9 preciso aguardar.<\/p>\n<p>https:\/\/noticias.uol.com.br\/ultimas-noticias\/bbc\/2018\/05\/10\/em-130-anos-de-abolicao-nao-apenas-demos-continuidade-como-radicalizamos-racismo-diz-historiadora.htm<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00falia Dias Carneiro &#8211; &#8216;O Brasil foi o ultimo pa\u00eds do Ocidente a abolir a escravid\u00e3o. \u00c0s vezes as pessoas falam que foi o \u00faltimo das Am\u00e9ricas, mas n\u00e3o. De fato, era chamado na \u00e9poca de retard\u00e3o&#8217;, diz Schwarcz. 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