{"id":7878,"date":"2018-04-23T09:14:40","date_gmt":"2018-04-23T12:14:40","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=7878"},"modified":"2018-04-21T12:18:56","modified_gmt":"2018-04-21T15:18:56","slug":"eua-o-declinio-de-uma-diplomacia-arrogante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2018\/04\/23\/eua-o-declinio-de-uma-diplomacia-arrogante\/","title":{"rendered":"EUA: o decl\u00ednio de uma diplomacia arrogante"},"content":{"rendered":"<p><strong>ALFRED W. MCCOY<\/strong> &#8211;\u00a0Novo ataque \u00e0 S\u00edria nada mudar\u00e1, no essencial: Veja como o governo Trump destroi alian\u00e7as de d\u00e9cadas e acelera a eros\u00e3o do poder geopol\u00edtico, econ\u00f4mico e militar de Washington.<\/p>\n<p>Enquanto 2017 acabava com os bilion\u00e1rios norte-americanos torrando os cortes de impostos e executivos do setor de petr\u00f3leo comemorando acesso irrestrito a terras federais, bem como \u00e1guas costeiras, um setor da elite americana n\u00e3o bebeu do espumante comemorativo: o corpo de especialistas em pol\u00edtica externa de Washington. De diferentes pontos do espectro pol\u00edtico, muitos sentiram um profundo mau pressentimento pelo futuro global do pa\u00eds sob a presid\u00eancia de Donald Trump.<\/p>\n<p>Em uma longa reclama\u00e7\u00e3o de final de ano, o comentarista conservador da CNN Fareed Zakaria criticou a \u201cdecis\u00e3o tola e derrotista da administra\u00e7\u00e3o Trump de abdicar a influ\u00eancia global dos Estados Unidos \u2013 algo que levou mais de 70 anos para ser constru\u00eddo.\u201d A grande \u201chist\u00f3ria global de nossos tempos\u201d, ele continua, \u00e9 que \u201co criador, defensor e executor dos sistema internacional existente est\u00e1 retirando-se ao isolamento egoc\u00eantrico\u201d, abrindo um v\u00e1cuo de poder que ser\u00e1 preenchido por poderes n\u00e3o liberais como a China, a R\u00fassia ou a Turquia.<\/p>\n<p>Os editores do The New York Times lamentaram que \u201cas brincadeiras, a beliger\u00e2ncia e a tend\u00eancia ao auto-engrandecimento do presidente estejam custando n\u00e3o apenas o apoio do resto do mundo, mas isolando-o.\u201d Descartando o polido bipartidarismo da nata dos diplomatas de Washington, a ex-consultora de seguran\u00e7a nacional de Obama, Susan Rice, criticou Trump por descartar a \u201clideran\u00e7a com princ\u00edpios \u2013 a base da pol\u00edtica externa americana desde a Segunda Guerra Mundial\u201d \u2013 por uma postura \u201cAm\u00e9rica Primeiro\u201d que vai apenas \u201cencorajar rivais e enfraquecer a n\u00f3s mesmos.\u201d<\/p>\n<p>A cr\u00edtica \u00e9 amplia e afiada. Mas n\u00e3o consegue assimilar o escopo do dano que a Casa Branca de Trump est\u00e1 impingindo ao sistema global de poder que Washington construiu e cuidadosamente manteve ao longo destes 70 anos. Na verdade, l\u00edderes americanos permaneceram no topo do mundo por tanto tempo que nem lembram mais como chegaram l\u00e1. Poucos, dentre a elite da pol\u00edtica externa de Washington, parecem realmente compreender o complexo sistema que fez do poder global dos Estados Unidos e o que \u00e9 hoje \u2014 particularmente suas bases geopol\u00edticas cruciais. \u00c0 medida em que Trump viaja pelo mundo tuitando e falando mal de tudo e todos, ele inadvertidamente revela estrutura essencial desse poder, da mesma forma que um inc\u00eandio devastador deixa as vigas de a\u00e7o de um edif\u00edcio arruinado de p\u00e9, sobre os escombros esfuma\u00e7ados.<\/p>\n<p><strong>A Arquitetura do Poder Global Americano<\/strong><\/p>\n<p>A arquitetura da ordem mundial que Washington construiu depois da Segunda Guerra Mundial foi n\u00e3o apenas formid\u00e1vel; mas, como Trump tem-nos mostrados quase todos os dias, surpreendentemente fr\u00e1gil. Em seu cerne, este sistema global reinava sobre uma delicada dualidade: uma ideal\u00edstica comunidade de na\u00e7\u00f5es soberanas iguais sob o jugo da lei internacional, unida de maneira tensa e t\u00eanue a um imp\u00e9rio americano fundamentado na realpolitik de seu poder militar e econ\u00f4mico. Em termos concretos, pense nessa dualidade como Departamento de Estado versos o Pent\u00e1gono.<\/p>\n<p>Ao final da Segunda Guerra Mundial, Os Estados Unidos investiram seu prest\u00edgio em formar uma comunidade internacional que promoveria paz e compartilharia prosperidade atrav\u00e9s de institui\u00e7\u00f5es permanentes, incluindo as Na\u00e7\u00f5es Unidas (1945), o Fundo Monet\u00e1rio Internacional (1945) e o Acordo Geral sobre Tarifas e Com\u00e9rcio (1947), o precursor da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio. Para governar esta ordem mundial atrav\u00e9s da lei, Washington tamb\u00e9m ajudou a estabelecer a Corte Internacional de Justi\u00e7a em Haia e mais tarde promoveria direitos humanos bem como direitos das mulheres. Pelo lado realpolitik da dualidade, Washington construiu um aparato apoiado em quatro pilares \u2013 militar, diplom\u00e1tico, econ\u00f4mico e clandestino \u2013 para avan\u00e7ar sombriamente seu dom\u00ednio global. No seu cerne estava um poderio militar sem precedentes que (gra\u00e7as a centenas de bases estrangeiras) circundava o globo, o mais formid\u00e1vel arsenal nuclear do planeta, for\u00e7as a\u00e9reas e navais maci\u00e7as e uma variedade sem paralelos de ex\u00e9rcitos clientes. Ademais, para manter sua superioridade militar, o Pent\u00e1gono promoveu vastamente a pesquisa cient\u00edfica, produzindo incessantes inova\u00e7\u00f5es que levariam, dentre tantas outras coisas, ao primeiro sistema global de sat\u00e9lites de telecomunica\u00e7\u00f5es do mundo, o que efetivamente adicionava o pilar espacial ao seu aparato para exercer poder global.<\/p>\n<p>Complementando tudo isso estava um corpo diplom\u00e1tico ativo em todo o mundo, trabalhando para promover la\u00e7os bilaterais pr\u00f3ximos com aliados como Austr\u00e1lia e Gr\u00e3-Bretanha e alian\u00e7as multilaterais como a OTAN, a SEATO [Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Sudeste Asi\u00e1tico] e a Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Americanos. No processo, Washington distribu\u00eda ajuda econ\u00f4mica a na\u00e7\u00f5es novas e velhas. Protegidas pela hegemonia global e ajudada pelos pactos de com\u00e9rcio multilaterais costurados por Washington, as corpora\u00e7\u00f5es multinacionais competiam de maneira lucrativa em mercados internacionais ao longo de toda a Guerra Fria.<\/p>\n<p>Adicionando outra dimens\u00e3o ao seu poder global estava um quarto pilar clandestino que envolvia vigil\u00e2ncia global pela Ag\u00eancia de Seguran\u00e7a Nacional (NSA) e opera\u00e7\u00f5es secretas nos cinco continentes pela Ag\u00eancia Central de Intelig\u00eancia (CIA). Desta maneira, com regularidade not\u00e1vel e por vastas extens\u00f5es do globo, Washington manipulou elei\u00e7\u00f5es e promoveu golpes para garantir que quem quer liderasse um pa\u00eds de seu lado da Cortina de Ferro seria sempre parte de um grupo confi\u00e1vel das elites subordinadas, amig\u00e1veis e subservientes aos EUA.<\/p>\n<p>Por caminhos que at\u00e9 hoje poucos observadores compreendem em sua totalidade, esse aparato maci\u00e7o de poder global erguia-se tamb\u00e9m sobre bases geopol\u00edticas de for\u00e7a extraordin\u00e1ria. Como John Darwin, historiador de Oxford, esclareceu em sua avassaladora hist\u00f3ria dos imp\u00e9rios eurasianos ao longo dos \u00faltimos 600 anos, Washington conquistou seu \u201cImp\u00e9rio colossal\u2026 em uma escala sem precedentes\u201d ao tornar-se o primeiro poder na hist\u00f3ria a controlar os pontos axiais estrat\u00e9gicos nas duas pontas da Eur\u00e1sia\u201d atrav\u00e9s de bases militares e pactos de seguran\u00e7a m\u00fatuos.<\/p>\n<p>Enquanto Washington defendia seus pontos axiais no Ocidente por meio da OTAN, sua posi\u00e7\u00e3o no leste era garantida por quatro pactos de defesa m\u00fatuos ao longo do litoral Pac\u00edfico, desde o Jap\u00e3o e a Coreia do Sul passando pelas Filipinas e indo at\u00e9 a Austr\u00e1lia. Tudo isso era, por sua vez, amarrado por sucessivos arcos de a\u00e7o que circundavam o vasto continente eurasiano \u2013 bombardeiros estrat\u00e9gicos, m\u00edsseis bal\u00edsticos e frotas navais robustas no Mediterr\u00e2neo, no Golfo P\u00e9rsico e no Pac\u00edfico. Na \u00faltima adi\u00e7\u00e3o a este aparato, os EUA constru\u00edram uma sucess\u00e3o de 60 bases de drones ao redor de todo o continente eurasiano, desde a Sic\u00edlia at\u00e9 Guam.<\/p>\n<p><strong>A din\u00e2mica do Decl\u00ednio<\/strong><\/p>\n<p>Na d\u00e9cada anterior \u00e0 entrada de Donald Trump no Sal\u00e3o Oval, j\u00e1 havia sinais de que esse aparato impressionante estava em uma trajet\u00f3ria de decl\u00ednio de longo prazo, ainda que figuras chave, em uma Washington absorta em orgulho imperial, tenham preferido ignorar essa realidade. A diplomacia desajeitada de Trump n\u00e3o t\u00e3o somente acelerou este processo, mas deu-lhe evid\u00eancia de maneira arrebatadora.<\/p>\n<p>Ao longo do \u00faltimo meio s\u00e9culo, a participa\u00e7\u00e3o norte-americana na economia global, por exemplo, caiu de 40% em 1960 para 22% em 2014 e apenas 15% em 2017 (de acordo com o \u00edndice realista de paridade de poder de compra). Muitos especialistas agora concordam que a China vai ultrapassar os EUA, em termos absolutos, como a economia n\u00famero um do mundo dentro de uma d\u00e9cada.<\/p>\n<p>Enquanto sua domin\u00e2ncia econ\u00f4mica desvanece, seus instrumentos clandestinos de poder v\u00eam se enfraquecendo visivelmente. A vigil\u00e2ncia da NSA sobre uma consider\u00e1vel gama de l\u00edderes estrangeiros mundo afora, bem como milh\u00f5es de habitantes de seus pa\u00edses, foi um dia um instrumento de custo relativamente eficiente para o exerc\u00edcio do poder global. Agora, gra\u00e7as em parte \u00e0s revela\u00e7\u00f5es de Edward Snowden sobre a bisbilhotagem da ag\u00eancia e \u00e0 raiva dos aliados atingidos por ela, os custos pol\u00edticos subiram bruscamente. De maneira similar, durante a Guerra Fria a CIA manipulou dezenas de grandes elei\u00e7\u00f5es mundo afora. Agora, a situa\u00e7\u00e3o foi revertida com a R\u00fassia usando suas sofisticadas capacidades de cyber guerra para interferir na campanha presidencial americana de 2016 \u2013 um sinal claro do decl\u00ednio do poder global de Washington.<\/p>\n<p>Ainda mais impressionante, Washington agora encara o primeiro desafio cont\u00ednuo a sua posi\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica na Eur\u00e1sia. Ao optar por come\u00e7ar a construir uma \u201cnova rota da seda\u201d, uma estrutura ferrovi\u00e1ria de trilh\u00f5es de d\u00f3lares e oleodutos atravessando todo o vasto continente, e preparar-se para construir bases navais nos mares da Ar\u00e1bia e da China, Pequim est\u00e1 montando uma campanha cont\u00ednua para acabar com a longa domina\u00e7\u00e3o de Washington sobre a Eur\u00e1sia.<\/p>\n<p><strong>Fortaleza Am\u00e9rica<\/strong><\/p>\n<p>Em apenas 12 meses no cargo, Donald Trump acelerou seu decl\u00ednio ao prejudicar praticamente todos os componentes chave na intrincada arquitetura do poder global americano.<\/p>\n<p>Se todos os grandes imp\u00e9rios precisam de lideran\u00e7a habilidosa em seu epicentro para manter o que \u00e9 sempre um equil\u00edbrio global fr\u00e1gil, ent\u00e3o o governo Trump falhou espetacularmente. Enquanto o Departamento de Estado \u00e9 eviscerado e o (agora ex) Secret\u00e1rio de Estado Rex Tillerson descreditado, Trump \u2013 peculiarmente para um presidente americano \u2013 tomou controle total sobre a pol\u00edtica externa (com os generais que ele mesmo indicou para postos civis chave a reboque).<\/p>\n<p>Como, ent\u00e3o, estes que t\u00eam estado em contato pr\u00f3ximo com ele neste per\u00edodo avaliam sua habilidade intelectual para se adaptar a um papel t\u00e3o desafiador?<\/p>\n<p>Apesar de desde sua campanha eleitoral Trump ter repetidamente se gabado por sua excelente educa\u00e7\u00e3o em Wharton, Universidade da Pensilvania, como uma qualifica\u00e7\u00e3o para o posto, ele come\u00e7ou l\u00e1 no final dos anos 1960 achando que j\u00e1 sabia tudo de neg\u00f3cios, levando seu professor de marketing, que lecionava por mais de 30 anos, a tax\u00e1-lo como \u201co estudante mais burro que eu jamais tive\u201d. Essa impetuosa falta de vontade de aprender perdurou durante a campanha presidencial. Como o consultor pol\u00edtico Sam Nunberg, enviado para ensin\u00e1-lo sobre a Constitui\u00e7\u00e3o, relatou, \u201cEu fui at\u00e9 a Quarta Emenda antes\u2026 que seus olhos come\u00e7assem a se revirar.\u201d<\/p>\n<p>Segundo Michael Wolff conta em seu novo best-seller sobre a Casa Branca de Trump, , Fire and Fury (Fogo e F\u00faria), alguns meses depois, ao final de uma conversa por telefone com o presidente eleito sobre a complexidade do programa de vistos H-1B para imigrantes especializados, o magnata da m\u00eddia Rupert Murdoch desligou e disse, \u201cMas que porra de idiota.\u201d E em julho \u00faltimo, como ningu\u00e9m deve esquecer, depois de um briefing ultrassecreto do Pent\u00e1gono para diretores na Casa Branca sobre opera\u00e7\u00f5es militares pelo mundo, o (agora ex) Secret\u00e1rio de Estado Tillerson demonstrou, a portas fechadas, compartilhar da mesma percep\u00e7\u00e3o, ao chamar o presidente de \u201cidiota de merda.\u201d<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 pior do que voc\u00ea pode imaginar. Um idiota cercado de palha\u00e7os,\u201d um adido da Casa Branca escreveu em um e-mail, de acordo com Wolff. \u201cTrump n\u00e3o l\u00ea nada; nem memorandos de uma p\u00e1gina, nem documentos breves; nada. Ele se levanta antes do final de reuni\u00f5es com l\u00edderes do mundo porque fica entediado.\u201d A vice-chefe de staff da Casa Branca declarou que lidar com o presidente era \u201ccomo tentar adivinhar o que uma crian\u00e7a quer.\u201d<\/p>\n<p>Essas qualidades mentais est\u00e3o amplamente evidentes no recente relat\u00f3rio de Estrat\u00e9gia de Seguran\u00e7a Nacional do governo norte-americano, um documento vago que oscila entre o equivocado e o delirante. \u201cQuando eu assumi o cargo,\u201d Trump (ou quem quer que esteja escrevendo por ele) escreve sombriamente em um pref\u00e1cio pessoal, \u201cregimes nefastos desenvolviam armas nucleares\u2026 para amea\u00e7ar todo o planeta. Grupos terroristas radicais isl\u00e2micos floresciam\u2026 poderes rivais minavam os interesses norte-americanos ao redor do mundo de maneira agressiva\u2026 o injusto compartilhamento de responsabilidades com nossos aliados e investimentos inadequados na nossa pr\u00f3pria seguran\u00e7a evocavam o perigo.\u201d<\/p>\n<p>Em apenas 12 curtos meses, contudo, o presidente \u2013 assim indica \u201cseu\u201d pref\u00e1cio \u2013 salvou o pa\u00eds da destrui\u00e7\u00e3o quase certa sozinho. \u201cN\u00f3s estamos reunindo o mundo contra o regime nefasto da Coreia do Norte e\u2026 a ditadura no Ir\u00e3, que aqueles determinados a continuar um acordo nuclear falho tinham negligenciado,\u201d continua o documento, numa celebra\u00e7\u00e3o tipicamente Trumpiana de si mesmo. \u201cN\u00f3s renovamos nossas amizades no Oriente M\u00e9dio\u2026 para ajudar a remover terroristas e extremistas\u2026 os aliados da Am\u00e9rica agora contribuem mais para nossa defesa comum, fortalecendo mesmo as nossas mais fortes alian\u00e7as\u2026 n\u00f3s estamos fazendo investimentos hist\u00f3ricos nas for\u00e7as armadas dos Estados Unidos.\u201d<\/p>\n<p>Refletindo as amplamente documentadas dificuldades de seu governo com a verdade, praticamente cada uma das declara\u00e7\u00f5es \u00e9 inexata, incompleta ou irrelevante. Deixando de lado estes detalhes, o documento em si reflete a maneira como o presidente (e seus generais) abandonaram d\u00e9cadas de lideran\u00e7a confiante da comunidade internacional e agora est\u00e3o tentando se retirar de \u201cum mundo extraordinariamente perigoso\u201d para um verdadeiro Festung America (Fortaleza Am\u00e9rica), por tr\u00e1s de muros de concreto e barreiras tarif\u00e1rias. \u00c9 um movimento que lembra a Muralha do Atl\u00e2ntico dos bunkers litor\u00e2neos do Terceiro Reich de Hitler, constru\u00eddos para sua fracassada Festung Europa (Fortaleza Europa). Mas al\u00e9m de uma agenda de pol\u00edtica externa t\u00e3o obviamente m\u00edope, existem vastas \u00e1reas, largamente negligenciadas pela estrat\u00e9gia de Trump, que continuam cr\u00edticas para a manuten\u00e7\u00e3o do poder global norte-americano.<\/p>\n<p>Tudo que voc\u00ea tem a fazer \u00e9 examinar as manchetes di\u00e1rias na m\u00eddia no ano passado para perceber que a domina\u00e7\u00e3o mundial de Washington est\u00e1 desmoronando, gra\u00e7as ao tipo de rev\u00e9s em cascata que frequentemente acompanha o decl\u00ednio imperial. Considere os sete primeiros dias de dezembro de 2017, quando o The New York Times publicou (sem ligar os pontos) que na\u00e7\u00e3o ap\u00f3s na\u00e7\u00e3o estava se retirando das alian\u00e7as com Washington. Primeiro foi o Egito, um pa\u00eds que recebeu 70 bilh\u00f5es de d\u00f3lares de ajuda norte-americana ao longo dos \u00faltimos 40 anos e agora est\u00e1 abrindo suas bases militares a ca\u00e7as russos. Em seguida, apesar do namoro ass\u00edduo de Obama com o pa\u00eds, Mianmar claramente aproxima-se cada vez mais de Pequim. Enquanto isso, a Austr\u00e1lia, fiel aliada da Am\u00e9rica pelos \u00faltimos 100 anos, estaria adaptando sua diplomacia, ainda que relutantemente, para acomodar o poder cada vez mais dominante da China sobre a \u00c1sia. Finalmente, o ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores da Alemanha, o basti\u00e3o americano na Europa desde 1945, aponta publicamente o crescente distanciamento de Washington em quest\u00f5es de pol\u00edticas chave e insiste que confrontos ser\u00e3o inevit\u00e1veis e que as rela\u00e7\u00f5es \u201cjamais ser\u00e3o as mesmas.\u201d<\/p>\n<p>E isso \u00e9 apenas um olhar superficial sobre uma semana de not\u00edcias, sem sequer chegar aos tipos de rupturas com aliados regularmente inflamadas ou enfatizadas pelos tweets di\u00e1rios do presidente.<\/p>\n<p>Apenas tr\u00eas exemplos de muitos s\u00e3o suficientes: o cancelamento da visita de estado do presidente mexicano Pe\u00f1a Nieto, depois de um tweet que dizia que seu teria que pagar pelo \u201cgrande e lindo muro\u201d na fronteira comum; o ultraje de l\u00edderes brit\u00e2nicos depois de o presidente repostar v\u00eddeos racistas anti-isl\u00e2micos da conta de um vice-l\u00edder de um grupo pol\u00edtico neo-nazista do Reino Unido, seguido de sua repreens\u00e3o \u00e0 primeira ministra Theresa May por critic\u00e1-lo por isso; ou sua explos\u00e3o de ano novo acusando o Paquist\u00e3o de \u201cnada mais que mentiras e engana\u00e7\u00e3o\u201d como um prel\u00fadio ao corte da assist\u00eancia norte-americana ao pa\u00eds. Considerando o dano diplom\u00e1tico como um todo, pode-se dizer que Trump est\u00e1 tuitando enquanto Roma arde.<\/p>\n<p>Como apenas 40 a 50 na\u00e7\u00f5es t\u00eam riquezas suficientes para assumir um papel de lideran\u00e7a regional, menos ainda um papel global, alienar ou perder aliados neste ritmo poderia deixar Washington sem amigos muito em breve. \u00c9 algo que o presidente Trump descobriu em dezembro, quando desafiou in\u00fameras resolu\u00e7\u00f5es da ONU ao reconhecer Jerusal\u00e9m como a capital de Israel. A Casa Branca logo recebeu uma reprimenda por 14 votos contra 1 no Conselho de Seguran\u00e7a da ONU, com aliados pr\u00f3ximos como alem\u00e3es e franceses votando contra Washington. Isso veio depois de a embaixadora nas Na\u00e7\u00f5es Unidas, Nikki Hakey ter vaticinado que \u201cos Estados Unidos v\u00e3o fazer uma lista\u201d para punir pa\u00edses que se atrevam a votar contra e de Trump ter amea\u00e7ado cortar ajuda \u00e0queles que o fizessem. A Assembleia Geral prontamente votou 128 a 9 (com 35 absten\u00e7\u00f5es), condenando o reconhecimento \u2013 testemunho eloquente do decl\u00ednio da influ\u00eancia internacional de Washington.<\/p>\n<p>Em seguida, vamos considerar os \u201cinvestimentos hist\u00f3ricos\u201d em um pilar central do poder global americano, as for\u00e7as armadas norte-americanas, mencionadas na Estrat\u00e9gia de Seguran\u00e7a Nacional de Trump. N\u00e3o se deixe distrair pelos polpudos 10% de aumento proposto ao or\u00e7amento do Pent\u00e1gono para financiar novas aeronaves e navios de guerra, com boa parte indo direto para os bolsos das gigantes empreiteiras de defesa. Foque, ao inv\u00e9s disso, no que outrora teria sido inconceb\u00edvel em Washington. O or\u00e7amento proposto por Trump golpeia o financiamento para pesquisa b\u00e1sica em \u00e1reas estrat\u00e9gicas como \u201cintelig\u00eancia artificial\u201d que provavelmente ser\u00e3o cr\u00edticas para sistemas de armamentos aut\u00f4matos dentro de uma d\u00e9cada.<\/p>\n<p>Na verdade, o presidente e sua equipe, distra\u00eddos por vis\u00f5es de navios cintilantes e avi\u00f5es brilhantes (com seu previs\u00edvel e colossal sobrecusto futuro), est\u00e3o prontos a abandonar o b\u00e1sico na domina\u00e7\u00e3o global: os implac\u00e1veis esfor\u00e7os em pesquisa cient\u00edfica que estiveram na proa da supremacia militar americana. E ao expandir o or\u00e7amento do Pent\u00e1gono, enquanto corta o do Departamento de Estado, Trump tamb\u00e9m est\u00e1 desestabilizando a delicada dualidade do poder dos EUA ao empurrar a pol\u00edtica externa cada vez mais em dire\u00e7\u00e3o a solu\u00e7\u00f5es militares dispendiosas (que provaram ser tudo menos solu\u00e7\u00f5es de fato).<\/p>\n<p>No in\u00edcio da campanha, em 2016, Trump martelou outro pilar do poder norte-americano, atacando o sistema de com\u00e9rcio global e pactos de com\u00e9rcio multilaterais, que durante muito tempo deram vantagem \u00e0s empresas transnacionais do pa\u00eds. Ele n\u00e3o s\u00f3 cancelou a Parceria Trans-Pac\u00edfica (TPP), que prometia direcionar 40% do com\u00e9rcio mundial pra longe da China, na dire\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos, como tamb\u00e9m amea\u00e7ou esvaziar o pacto de livre-com\u00e9rcio com a Coreia do Sul e tem sido t\u00e3o insistente em redesenhar o NAFTA para servir sua agenda \u201cAm\u00e9rica primeiro\u201d que as negocia\u00e7\u00f5es em andamento podem muito bem fracassar.<\/p>\n<p><strong>A posi\u00e7\u00e3o geopol\u00edtica dos EUA em ru\u00ednas<\/strong><\/p>\n<p>T\u00e3o s\u00e9rio quanto isso possa ser, Trump revelou o mais profundo dano que seria capaz de causar para as bases geopol\u00edticas do poder global norte-americano em dois momentos-chave em suas viagens \u00e0 Europa e \u00e0 \u00c1sia ano passado. Em ambas ocasi\u00f5es, ele demonstrou sua vontade de sair martelando a posi\u00e7\u00e3o de Washington nessas duas sa\u00eddas axiais estrat\u00e9gicas da Eur\u00e1sia.<\/p>\n<p>Durante uma visita \u00e0 sede da OTAN em Bruxelas em maio, ele puniu aliados europeus, cujos l\u00edderes escutaram \u201cperplexos\u201d por n\u00e3o pagar sua \u201cdevida parte\u201d nos custos militares da alian\u00e7a. Aproveitou pra recusar a reafirma\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio central da OTAN de defesa coletiva. Apesar de tentativas posteriores de conten\u00e7\u00e3o de danos, isto espalhou o medo pela Europa e com raz\u00e3o. Sinalizou o fim de mais de tr\u00eas quartos de s\u00e9culo de supremacia inquestionada na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Em seguida, em uma reuni\u00e3o da Coopera\u00e7\u00e3o Econ\u00f4mica \u00c1sia-Pac\u00edfico no Vietn\u00e3, em novembro, o presidente come\u00e7ou \u201cum ataque\u201d contra acordos multilaterais de com\u00e9rcio e insistiu que iria sempre \u201ccolocar a Am\u00e9rica primeiro.\u201d Era como se, em uma \u00c1sia com uma China em r\u00e1pida ascens\u00e3o, ele estivesse anunciando mais uma vez que a supremacia p\u00f3s-Segunda Guerra de Washington fosse um artefato da hist\u00f3ria. Apropriadamente, na mesma reuni\u00e3o, os 11 parceiros Trans-Pac\u00edficos remanescentes, liderados por Jap\u00e3o e Canad\u00e1, anunciaram grande progresso em finalizar o acordo TPP que ele t\u00e3o simbolicamente rejeitou \u2013 e o fizeram sem os EUA. \u201cOs EUA perderam seu papel de lideran\u00e7a\u201c, comentou Jayant Menon, um economista do Banco de Desenvolvimento Asi\u00e1tico. \u201cE a China est\u00e1 rapidamente substituindo-os.\u201d<\/p>\n<p>Sob Trump, na verdade, as pr\u00f3ximas rela\u00e7\u00f5es com tr\u00eas aliados-chave dos EUA no Pac\u00edfico continuam a enfraquecer-se de maneira vis\u00edvel. Durante uma chamada telef\u00f4nica de cortesia por ocasi\u00e3o de sua posse, Trump gratuitamente insultou o primeiro ministro australiano, um ato que apenas ressaltou a constante aliena\u00e7\u00e3o dos EUA e uma crescente inclina\u00e7\u00e3o de mudar sua alian\u00e7a estrat\u00e9gica prim\u00e1ria em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 China. Em pesquisas recentes, quando perguntados que pa\u00eds prefeririam como primeiro aliado, 43% dos australianos escolheram a China \u2013 uma transforma\u00e7\u00e3o antes inimagin\u00e1vel, que a vers\u00e3o de diplomacia de Trump est\u00e1 apenas refor\u00e7ando.<\/p>\n<p>Nas Filipinas, a posse do presidente Rodrigo Duterte em junho de 2016 trouxe uma s\u00fabita mudan\u00e7a na pol\u00edtica externa do pa\u00eds, terminando com a oposi\u00e7\u00e3o de Manila a bases de Pequim no Mar do Sul da China. Apesar das agressivas investidas de Trump e uma certa afinidade temperamental entre os dois l\u00edderes, Duterte continuou a diminuir as manobras militares em conjunto com os EUA, que eram um evento anual para seu pa\u00eds, e recusou-se a reconsiderar sua decisiva inclina\u00e7\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o a Pequim. Esse realinhamento j\u00e1 era evidente em uma transcri\u00e7\u00e3o vazada de um telefonema entre os dois presidentes, na qual Duterte insistia que a resolu\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o nuclear da Coreia do Norte deveria ser deixada a cargo da China somente.<\/p>\n<p>\u00c9, entretanto, na pen\u00ednsula coreana que as limita\u00e7\u00f5es de Trump enquanto l\u00edder global ficam mais evidentes. Em duas iniciativas descoordenadas e mal informadas \u2013 desgastando uma alian\u00e7a norte-americana que vem desde a era da Guerra da Coreia e exigindo total desarmamento nuclear pelo Norte \u2013 Trump fomentou a din\u00e2mica diplom\u00e1tica que permitiu a Pequim, Pyongyang e at\u00e9 mesmo Seul ultrapassar Washington.<\/p>\n<p>Durante sua campanha presidencial e primeiros meses no cargo, Trump repetidamente insultou a Coreia do Sul, diminuindo sua cultura e exigindo um bilh\u00e3o de d\u00f3lares para instalar um sistema de m\u00edsseis de defesa norte-americano. Ningu\u00e9m deveria ter se surpreendido quando Moon Jae-in ganhou a presid\u00eancia deste pa\u00eds ano passado baseado em uma plataforma \u201cdiga n\u00e3o\u201d \u00e0 Am\u00e9rica e em promessas de reabrir negocia\u00e7\u00f5es diretas com a Coreia do Norte, de Kim Jong-un. Ent\u00e3o, durante uma visita de estado a Washington em junho passado, o novo l\u00edder sul-coreano foi pego de surpresa quando Trump classificou o acordo de livre-com\u00e9rcio entre os dois pa\u00edses de \u201cinjusto com o trabalhador americano\u201d e achincalhou a proposta de Moon por negociar com Pyongyang.<\/p>\n<p>Enquanto isso, Kim Jong-un supervisionou 16 testes com foguetes em 2017 que deram ao seu pa\u00eds m\u00edsseis que poderiam levar uma arma nuclear a Honolulu, Seatle ou mesmo a Nova Iorque ou Washington at\u00e9 o final do ano, enquanto testava sua primeira bomba de hidrog\u00eanio. Convencido de que a Coreia do Norte \u201cbusca a capacidade de matar milh\u00f5es de americanos,\u201d Trump tornou-se obcecado por cercear o programa nuclear de Pyongyang de qualquer modo, at\u00e9 mesmo amea\u00e7ando em agosto passado soltar sobre o pa\u00eds \u201cfogo e f\u00faria como o mundo jamais viu.\u201d<\/p>\n<p>Num espa\u00e7o de dias, contudo, o ent\u00e3o estrategista da Casa Branca, Steve Bannon, exp\u00f4s a fanfarronice vazia de tudo isso ao contar \u00e0 imprensa, \u201cN\u00e3o existe solu\u00e7\u00e3o militar at\u00e9 que algu\u00e9m resolva a equa\u00e7\u00e3o que\u2026 dez milh\u00f5es de pessoas em Seul n\u00e3o morram nos primeiros 30 minutos por armas convencionais.\u201d Ent\u00e3o as amea\u00e7as fracassaram e Trump fracassou , repetidamente mandando tweets para Kim Jong-un xingando-o de \u201cHomenzinho do Foguete\u201d e se gabando de seu \u201cbot\u00e3o nuclear\u201d ser \u201cmuito maior\u201d do que o do l\u00edder norte-coreano. Estes 12 meses de bizarras e desestabilizantes viradas e tweets do presidente, praticamente sem precedentes nos anais da diplomacia moderna, empurraram Seul na dire\u00e7\u00e3o de conversas diretas com Pyongyang \u2013 excluindo Washington e enfraquecendo o que havia sido uma s\u00f3lida alian\u00e7a.<\/p>\n<p>Na guerra de nervos com a Coreia do Norte sobre testes com m\u00edsseis, a estrat\u00e9gia de Trump de triangula\u00e7\u00e3o com a China (isto \u00e9, Washington cutuca Pequim, Pequim empurra Pyongyang) j\u00e1 impingiu uma grande e in\u00e9dita derrota sobre o poder norte-americano no Pac\u00edfico. Pelos \u00faltimos seis meses, para encorajar Pequim a pressionar Pyongyang, a Casa Branca suspendeu as patrulhas de \u201cliberdade de navega\u00e7\u00e3o\u201d que desafiava as reinvindica\u00e7\u00f5es esp\u00farias de Pequim sobre o controle do Mar do Sul da China, efetivamente concedendo esta estrat\u00e9gica rota marinha \u00e0 China. Em uma h\u00e1bil dissimula\u00e7\u00e3o, Pequim demonstrou coopera\u00e7\u00e3o com Washington ao expressar \u201cgraves preocupa\u00e7\u00f5es\u201d sobre os testes com m\u00edsseis de Pyongyang e impor san\u00e7\u00f5es nominais, enquanto negocia uma estrat\u00e9gia mais inteligente e de longo prazo. No processo, vem trabalhando para reduzir manobras militares conjuntas entre os dois pa\u00edses e neutralizar a marinha americana no que a China considera seu mar territorial.<\/p>\n<p>Nesta edi\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica de The Art of the Deal, Pequim est\u00e1 vencendo Washington.<\/p>\n<p><strong>Derrubando o Imp\u00e9rio<\/strong><\/p>\n<p>Muito compreensivelmente, muitos norte-americanos focaram nos danos que os primeiros meses de Trump no cargo causaram internamente, de abrir imensid\u00f5es selvagens e \u00e1guas mar\u00edtimas para a explora\u00e7\u00e3o de g\u00e1s natural a amea\u00e7ar o acesso \u00e0 sa\u00fade, distorcer o sistema tribut\u00e1rio para favorecer os ricos, cancelar a neutralidade da internet e esvaziar prote\u00e7\u00f5es ambientais de todos os tipos. A maioria sen\u00e3o todas essas pol\u00edticas regressivas podem, todavia, ser reparadas ou revertidas se os democratas tomarem o controle do Congresso e da Casa Branca.<\/p>\n<p>A vers\u00e3o t\u00e3o contundentemente inepta de Trump de diplomacia de um homem s\u00f3, no contexto do atual decl\u00ednio global dos Estados Unidos \u00e9 algo completamente distinto. A lideran\u00e7a global perdida nunca \u00e9 prontamente recuperada, em particular quando poderes rivais est\u00e3o preparados para preencher a vac\u00e2ncia. Enquanto Trump depreda a posi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica dos EUA nas sa\u00eddas axiais da Eur\u00e1sia, a China exerce incans\u00e1vel press\u00e3o para afastar os Estados Unidos e dominar aquele vasto continente com o que Edward Wong, correspondente do New York Times, chama de \u201cum contraponto brusco\u2026 sin\u00f4nimo de for\u00e7a bruta, suborno e intimida\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Em apenas um ano extraordin\u00e1rio, Trump desestabilizou a delicada dualidade que h\u00e1 tempos tem sido a base para a pol\u00edtica externa dos EUA: favorecer a guerra sobre a diplomacia, o Pent\u00e1gono sobre o Departamento de Estado e interesses nacionais obtusos sobre lideran\u00e7a global. Mas em um mundo globalizado interconectado pelo com\u00e9rcio, pela internet e pela r\u00e1pida prolifera\u00e7\u00e3o de m\u00edsseis com armas nucleares, muralhas n\u00e3o v\u00e3o funcionar. N\u00e3o poder\u00e1 existir uma Fortaleza Am\u00e9rica.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"oqgfMO2YhB\"><p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/eua-o-declinio-de-uma-diplomacia-arrogante\/\">EUA: o decl\u00ednio de uma diplomacia arrogante<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;EUA: o decl\u00ednio de uma diplomacia arrogante&#8221; &#8212; Outras Palavras\" src=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/eua-o-declinio-de-uma-diplomacia-arrogante\/embed\/#?secret=kzH4T3Uvn3#?secret=oqgfMO2YhB\" data-secret=\"oqgfMO2YhB\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ALFRED W. 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