{"id":7765,"date":"2018-04-12T15:22:44","date_gmt":"2018-04-12T18:22:44","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=7765"},"modified":"2018-12-08T10:48:55","modified_gmt":"2018-12-08T12:48:55","slug":"o-mercado-global-das-curtidas-falsas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2018\/04\/12\/o-mercado-global-das-curtidas-falsas\/","title":{"rendered":"O mercado global das curtidas falsas"},"content":{"rendered":"<p><strong>Fernando Peinado e David Alameda<\/strong> &#8211; Usu\u00e1rios forjados no M\u00e9xico, comandados do Chile e ativos na Espanha. Assim \u00e9 a ind\u00fastria das apar\u00eancias que contaminou as redes sociais.<\/p>\n<p>Um time da primeira divis\u00e3o do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/liga_espanola_de_futbol\/a\"><b>futebol espanhol<\/b><\/a>\u00a0em m\u00e1 fase precisava levantar o moral da torcida, e para isso entrou recentemente em contato com o consultor digital mexicano Carlos Merlo, conta ele. Merlo diz que fabricou para o clube alguns torcedores de mentira gra\u00e7as \u00e0 sua \u201cfazenda\u201d de usu\u00e1rios falsos do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/twitter\/a\"><b>Twitter<\/b><\/a>.<\/p>\n<p>\u201cEstavam mal e precisavam que os anim\u00e1ssemos\u201d, explica ele, por telefone, da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/mexico_df\/a\/1\"><b>Cidade do M\u00e9xico<\/b><\/a>. Merlo, de 29 anos, dirige a Victory Lab, uma empresa de consultoria de marketing digital que prosperou gra\u00e7as ao florescente neg\u00f3cio dos seguidores falsos e do\u00a0<i>spam<\/i>\u00a0pol\u00edtico nas redes sociais. Merlo lembra que os torcedores fict\u00edcios publicavam mensagens do tipo \u201ccom voc\u00ea nos bons e nos maus momentos\u201d e \u201csomos mais que um time\u201d.<\/p>\n<p>Por tr\u00e1s da bolha das apar\u00eancias que desvirtuou as\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/redes_sociales\/a\"><b>redes sociais<\/b><\/a>\u00a0se esconde uma ind\u00fastria integrada por empresas de consultoria e trabalhadores\u00a0<i>freelance<\/i>. Esse setor nas sombras presta servi\u00e7o a pol\u00edticos, grandes corpora\u00e7\u00f5es, artistas, esportistas, advogados, m\u00e9dicos,\u00a0<i>chefs<\/i>\u00a0e pequenos empres\u00e1rios. Alguns procuram inflar sua vaidade ou rechear sua carteira, aparentando uma falsa popularidade. Outros manipulam a opini\u00e3o p\u00fablica, lan\u00e7ando campanhas de desinforma\u00e7\u00e3o. Eles se aproveitam do fato de que o p\u00fablico continua confiando em indicadores como o n\u00famero de seguidores no Facebook ou no Twitter para medir a reputa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"larguraBox\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/elpais.com\/estaticos\/rrss\/2018\/redes_seguidores\/negocio_movil.gif?resize=640%2C1701&#038;ssl=1\" width=\"640\" height=\"1701\" \/><\/p>\n<p>\u201cEles usam seguidores falsos como algu\u00e9m que usa uma camisa com um crocodilo\u201d, diz Enrique San Ju\u00e1n, diretor da ag\u00eancia digital de Barcelona Community Internet.<\/p>\n<p>Merlo, que come\u00e7ou trabalhando em 2006 como\u00a0<i>community manager<\/i>\u00a0do grupo de rock Molotov, afirma que agora trabalha para poderosos clientes pol\u00edticos no M\u00e9xico. Tem sob suas ordens uma equipe de jovens que criam as contas, programam conte\u00fado autom\u00e1tico e \u00e0s vezes interagem com usu\u00e1rios reais.<\/p>\n<p>Outros protagonistas desse neg\u00f3cio trabalham de casa em seu tempo livre para ter uma renda extra. Eles publicam an\u00fancios em lojas\u00a0<i>online<\/i>, como\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/amazon\/a\"><b>Amazon<\/b><\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/ebay\/a\"><b>eBay,<\/b><\/a>\u00a0ou em sites de microsservi\u00e7os, como\u00a0<a href=\"https:\/\/www.fiverr.com\/\"><b>Fiverr<\/b><\/a>,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.olimposeo.com\/\"><b>OlimpoSEO<\/b><\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.por5pavos.com\/\"><b>Por5pavos<\/b><\/a>. Comprar 1.000 \u201ccurtidas\u201d no Facebook custa apenas entre 5 e 20 euros (21 e 83 reais).<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 muito dinheiro por um s\u00f3 servi\u00e7o desse tipo, mas a demanda \u00e9 enorme e, por isso, \u00e0s vezes chove dinheiro. \u201cIsso mudou a vida de muita gente\u201d, diz \u00c1lvaro L\u00f3pez Sep\u00falveda, um chileno que come\u00e7ou trabalhando em tempo parcial nesse mercado e agora se dedica plenamente a ele.\u00a0<a href=\"https:\/\/tuxsor.com\/\"><b>Tem milhares de contas falsas<\/b><\/a>\u00a0no Facebook, Twitter, Instagram e YouTube, e garante faturar em alguns meses mais de 2.000 d\u00f3lares (6.700 reais) gra\u00e7as \u00e0 sua carteira de clientes na Espanha, Col\u00f4mbia, EUA e Chile, entre outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>A farsa funciona porque as redes sociais permitem medir o impacto de uma not\u00edcia ou o status de uma pessoa de forma r\u00e1pida e acess\u00edvel. \u201cEm um ambiente de oferta acelerada de informa\u00e7\u00e3o, os indicadores mais instant\u00e2neos t\u00eam maior notoriedade\u201d, diz Antonio Guti\u00e9rrez-Rub\u00ed, assessor de pol\u00edticos e empres\u00e1rios.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, ficaram conhecidos na Espanha alguns casos de anomalias nas redes gra\u00e7as, principalmente, \u00e0 an\u00e1lise da visualiza\u00e7\u00e3o de\u00a0<i>big data<\/i>. Os especialistas afirmam que esses casos s\u00e3o apenas a ponta do iceberg.<\/p>\n<p>Soube-se, por exemplo, que a conta do primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, no Twitter\u00a0<a href=\"https:\/\/es.reuters.com\/article\/topNews\/idESKBN0H00ZY20140905\"><b>ganhou em apenas um dia 60.000 seguidores<\/b><\/a>, muitos deles \u00e1rabes, e que o l\u00edder do Partido Socialista Oper\u00e1rio Espanhol, Pedro S\u00e1nchez, f<a href=\"https:\/\/botsdetwitter.wordpress.com\/2015\/01\/06\/una-red-de-bots-hace-spam-politico-promocionando-a-pedro-sanchez-en-twitter\/\"><b>oi acusado de ter o apoio de uma rede de 80 contas<\/b><\/a>\u00a0que espalhavam\u00a0<i>spam<\/i>\u00a0pol\u00edtico. Pessoas pr\u00f3ximas aos partidos Podemos e Ciudadanos tamb\u00e9m foram apontados como suspeitas. E o que \u00e9 ainda mais alarmante \u00e9 que a propaganda russa a favor da independ\u00eancia da Catalunha foi impulsionada por milhares de contas de Twitter an\u00f4nimas.<\/p>\n<p>No mundo das grandes empresas, a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/telefonica\/a\"><b>Telef\u00f3nica<\/b><\/a>, a Sacyr, a Bankia, a Mediaset e o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/real_madrid\/a\"><b>Real Madrid<\/b><\/a>\u00a0contrataram os servi\u00e7os de uma fazenda de at\u00e9 45.000\u00a0<i>bots<\/i>\u00a0(contas automatizadas) e de uma rede de p\u00e1ginas de propaganda na Internet, controladas pelas empresas de reputa\u00e7\u00e3o\u00a0<i>online<\/i>Eico e Madiva. A revela\u00e7\u00e3o foi feita no \u00e2mbito da Opera\u00e7\u00e3o P\u00fanica, uma investiga\u00e7\u00e3o em andamento contra a corrup\u00e7\u00e3o que j\u00e1 revelou como pol\u00edticos do Partido Popular usaram dinheiro p\u00fablico para melhorar sua imagem. Para fabricar um \u201cassunto do momento\u201d, ou\u00a0<i>trending topic \u2212<\/i>\u00a0colocar uma informa\u00e7\u00e3o entre as mais vistas do Twitter \u2212, essas empresas cobravam 6.000 euros (25.000 reais). Alguns contratos eram muito lucrativos, como o de 300.000 euros (1,2 milh\u00e3o de reais) ao ano condicionado ao cumprimento de metas que firmaram com o Real Madrid, segundo o sum\u00e1rio do caso.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/elpais.com\/internacional\/2018\/03\/20\/actualidad\/1521549696_430359.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Clique para ver o gr\u00e1fico<\/a><\/p>\n<p>No campo do entretenimento, aspirantes a influenciadores espanh\u00f3is s\u00e3o\u00a0<a href=\"http:\/\/humantohuman.es\/la-falsa-influencer\/\"><b>capazes de enganar grandes marcas<\/b><\/a>\u00a0para assinar lucrativos contratos de promo\u00e7\u00e3o de seus produtos.<\/p>\n<p>Em n\u00edvel global, essa ind\u00fastria subterr\u00e2nea movimenta centenas de milh\u00f5es de d\u00f3lares, segundo algumas estimativas. Dois investigadores de ciberseguran\u00e7a italianos, Andrea Stroppa e Carlo De Micheli, estimaram em 2013 que o mercado dos seguidores falsos no Twitter tinha potencial para um neg\u00f3cio entre 40 milh\u00f5es e 360 milh\u00f5es de d\u00f3lares (135 milh\u00f5es e 1,2 bilh\u00e3o de reais). Stroppa afirma que agora a ind\u00fastria \u00e9 muito maior. \u201cNos \u00faltimos cinco anos, o mercado disparou, principalmente pela demanda para seu uso na pol\u00edtica\u201d, disse ele ao EL PA\u00cdS.<\/p>\n<p>Mas qual \u00e9 a origem dos seguidores falsos que infestaram as redes? Como ocorre com muitos outros produtos, pouca gente sabe que costumam ter origem em pa\u00edses pobres, com poucos controles e muita m\u00e3o de obra barata.<\/p>\n<p><b><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"larguraBox\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/elpais.com\/estaticos\/rrss\/2018\/redes_seguidores\/creacion1.gif?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"creadores\"  \/><\/b><\/p>\n<p><em>Os fabricantes: fazendas de &#8216;bots&#8217; em pa\u00edses remotos<\/em><b><\/b><\/p>\n<p>Muitos fabricantes de contas falsas atuam da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/china\/a\"><b>China<\/b><\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/rusia\/a\"><b>R\u00fassia<\/b><\/a>, M\u00e9xico, Filipinas e Tail\u00e2ndia, segundo investigadores e reportagens da imprensa. Isso ocorre porque nesses pa\u00edses eles contam com in\u00fameros funcion\u00e1rios dispostos a trabalhar por poucos d\u00f3lares na cria\u00e7\u00e3o manual das contas falsas. Assim, burlam os controles do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/facebook\/a\"><b>Facebook<\/b><\/a>, Twitter e outras redes sociais destinados a impedir que uma m\u00e1quina crie milhares de contas falsas: cada novo usu\u00e1rio precisa fornecer um n\u00famero de telefone, um endere\u00e7o de correio eletr\u00f4nico ou passar por um\u00a0<i>captcha<\/i>\u00a0(um teste visual).<\/p>\n<p>Outra vantagem de alguns pa\u00edses \u00e9 que as autoridades imp\u00f5em menos controles sobre a venda de linhas de celular. As companhias telef\u00f4nicas n\u00e3o exigem um documento oficial de identidade para comprar uma linha (diferentemente da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/espana\/a\"><b>Espanha<\/b><\/a>, que faz essa exig\u00eancia desde 2009), por isso esses fabricantes de contas podem comprar centenas ou milhares de chips de celular para us\u00e1-los na abertura de contas em redes sociais. O mexicano Merlo, da Victory Lab, afirma que compra os chips em grandes quantidades no mercado da Pra\u00e7a da Computa\u00e7\u00e3o na Cidade do M\u00e9xico, onde, segundo ele, cada um custa apenas 50 pesos mexicanos (9 reais). Ele disse ao EL PA\u00cdS que tem uma fazenda de 4 milh\u00f5es de\u00a0<i>bots<\/i>.<\/p>\n<p>Essas empresas empregam jovens que levam cerca de tr\u00eas minutos para criar manualmente uma conta. Eles se revezam em turnos de dia e noite. Colocam o\u00a0<i>chip<\/i>\u00a0no celular, esperam que chegue a mensagem de texto da rede social com um c\u00f3digo de ativa\u00e7\u00e3o e em seguida o inserem no formul\u00e1rio de cria\u00e7\u00e3o da conta. O usu\u00e1rio falso estar\u00e1 dispon\u00edvel no fim do processo. \u00c9 poss\u00edvel criar contas fornecendo endere\u00e7o de correio eletr\u00f4nico, mas nesse mercado subterr\u00e2neo aquelas que s\u00e3o verificadas por telefone s\u00e3o consideradas mais resistentes a controles. Diferentes reportagens revelaram a exist\u00eancia de fazendas desse tipo nas\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/filipinas\/a\"><b>Filipinas<\/b><\/a>\u00a0e em\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/bangladesh\/a\"><b>Bangladesh<\/b><\/a>. Os trabalhadores dessas f\u00e1bricas ganham sal\u00e1rios t\u00e3o baixos como 120 d\u00f3lares (404 reais) ao ano.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"larguraBox\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/elpais.com\/estaticos\/rrss\/2018\/redes_seguidores\/sim\/sim_cards-cuentas_wide.png?w=640&#038;ssl=1\"  \/><\/p>\n<p>Contas que se podem criar com um mesmo n\u00famero de celular<\/p>\n<p>Twitter = 10 contas;\u00a0Facebook = 1 conta;\u00a0Instagram = 1 conta<b><br \/>\n<\/b><br \/>\nMas como essas empresas fazem para criar perfis de usu\u00e1rios ocidentais com outros idiomas? Para isso, assim como para tantas outras coisas, a Internet tem solu\u00e7\u00f5es. H\u00e1 uma s\u00e9rie de ferramentas na pr\u00f3pria Internet que permitem que esses fabricantes criem perfis com dados pessoais falsos de diferentes nacionalidades. Por exemplo, em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.fakenamegenerator.com\/\"><b>Fake Name Generator<\/b><\/a>(\u201cgerador de nome falso\u201d) \u00e9 poss\u00edvel gerar dados aleat\u00f3rios de um homem ou uma mulher residente em 30 pa\u00edses distintos, incluindo Brasil, Espanha e Alemanha. Tamb\u00e9m h\u00e1 servi\u00e7os que armazenam fotos de usu\u00e1rios que alegadamente cederam seus direitos de imagem, como\u00a0<a href=\"https:\/\/randomuser.me\/\"><b>Random User Generator<\/b><\/a>\u00a0(\u201cgerador de usu\u00e1rio aleat\u00f3rio\u201d). Merlo alerta que uma de suas linhas vermelhas que n\u00e3o podem ser ultrapassadas \u00e9 o roubo de identidade de pessoas reais, um crime que j\u00e1 p\u00f4s muita gente em problemas.<\/p>\n<p>Outra artimanha indispens\u00e1vel: as f\u00e1bricas driblam os controles do Facebook e de outras empresas usando servidores\u00a0<i>proxy<\/i>\u00a0que fazem parecer que elas est\u00e3o acessando a Internet de Manhattan ou de qualquer outro lugar que desejem.<\/p>\n<p>Com o tempo, t\u00eam aparecido\u00a0<a href=\"http:\/\/www.pvacreator.com\/\"><b>m\u00e1quinas que substituem a m\u00e3o de obra<\/b><\/a>\u00a0e s\u00e3o capazes de gerar milh\u00f5es de contas em um s\u00f3 dia, usando n\u00fameros de telefone e endere\u00e7os de correio eletr\u00f4nico falsos. Mas, por esse motivo, tais usu\u00e1rios s\u00e3o mais vulner\u00e1veis \u00e0s inspe\u00e7\u00f5es peri\u00f3dicas feitas por funcion\u00e1rios das redes sociais. \u201cEssas empresas funcionam por volume. Investem mais na cria\u00e7\u00e3o de um grande n\u00famero de perfis do que na qualidade deles\u201d, explica Omar Benbouazza, engenheiro de ciberseguran\u00e7a.\u00a0<a href=\"http:\/\/buyaccs.ru\/\"><b>Algumas delas t\u00eam um servi\u00e7o mais caro<\/b><\/a>, com perfis falsos de melhor qualidade, criados manualmente, acrescenta Benbouazza.<\/p>\n<p>Merlo chama de \u201ccarne de canh\u00e3o\u201d seus usu\u00e1rios falsos mais fr\u00e1geis. \u201cS\u00e3o aqueles que usamos para insultar e atacar. Sei que s\u00e3o contas que ser\u00e3o perdidas, porque ser\u00e3o eliminadas\u201d pelas equipes de monitoramento das empresas de redes sociais, afirma.<\/p>\n<p>Apesar dessa fragilidade, foram criadas dessa forma grandes fazendas que passaram pelos controles das redes sociais. Uma legi\u00e3o de tr\u00eas milh\u00f5es de usu\u00e1rios do Twitter criados em 22 de outubro de 2013\u00a0<a href=\"https:\/\/www.securityweek.com\/botnet-3-million-twitter-accounts-remains-undetected-years\"><b>atuou sem ser detectada pela rede social<\/b><\/a>\u00a0durante mais de dois anos. Nesse per\u00edodo, esses usu\u00e1rios fict\u00edcios, com nomes em s\u00e9rie como @sfa_2000000000, publicaram mais de 2,6 bilh\u00f5es de tu\u00edtes.<\/p>\n<p>Um dos fabricantes mais populares, o russo\u00a0<a href=\"http:\/\/buyaccs.ru\/\"><b>buyaccs.ru<\/b><\/a>, tem um site b\u00e1sico em ingl\u00eas e russo com um longo menu de ofertas de contas fraudulentas para diferentes tipos de redes sociais, assim como pacotes com milhares de endere\u00e7os de correio eletr\u00f4nico. Os pre\u00e7os variam de 0,2 d\u00f3lar (70 centavos de real) a 350 d\u00f3lares (1.180 reais). Um pacote de mil contas falsas de usu\u00e1rios espanh\u00f3is de Facebook vale 6 d\u00f3lares (20 reais). Incluem fotos \u00fanicas e data de nascimento, segundo a oferta. S\u00e3o \u201ccontas muito s\u00f3lidas, nas quais o Facebook confia\u201d, prometem os criadores.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"larguraBox\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ep01.epimg.net\/internacional\/imagenes\/2018\/04\/03\/actualidad\/1522769651_850596_1522928460_sumario_normal.png?resize=631%2C369&#038;ssl=1\" width=\"631\" height=\"369\" \/><\/p>\n<p>O pre\u00e7o de usu\u00e1rios espanhois de qualidade no mercado russo<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"larguraBox\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/elpais.com\/estaticos\/rrss\/2018\/redes_seguidores\/crea_cuenta1.gif?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"creadores\"  \/><\/p>\n<p><b>Os l\u00edderes da tropa: empresas de consultoria digital e os &#8216;freelancers&#8217;<\/b><b><\/b><\/p>\n<p>Os fabricantes nem sempre lidam diretamente com os compradores de seguidores e de curtidas. H\u00e1 intermedi\u00e1rios que compram um grande volume de contas falsas e as mant\u00eam como se fosse um ex\u00e9rcito \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos objetivos do cliente. Eles gerenciam essas contas com programas de administra\u00e7\u00e3o de redes sociais no estilo do\u00a0<a href=\"https:\/\/tweetdeck.twitter.com\/\"><b>Tweetdeck<\/b><\/a>, que permitem comandar dezenas de usu\u00e1rios falsos para que publiquem em massa uma mesma mensagem ou curtam publica\u00e7\u00f5es de uma pessoa espec\u00edfica. \u201cEsses intermedi\u00e1rios s\u00e3o os que obt\u00eam os maiores benef\u00edcios\u201d, assinala o investigador italiano Stroppa.<\/p>\n<p>H\u00e1 empresas de consultoria, como a norte-americana\u00a0<a href=\"https:\/\/devumi.top\/\"><b>Devumi<\/b><\/a>, que t\u00eam mais de 200.000 clientes (atores, esportistas, jornalistas),\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/interactive\/2018\/01\/27\/technology\/social-media-bots.html\"><b>segundo uma investiga\u00e7\u00e3o do jornal\u00a0<\/b><b><i>The New York Times<\/i><\/b><b>.<\/b><\/a>\u00a0A Devumi tem um armaz\u00e9m de 3,5 milh\u00f5es de contas falsas que fornece seguidores, curtidas e coment\u00e1rios a seus clientes. A empresa est\u00e1 sendo\u00a0<a href=\"https:\/\/www.reuters.com\/article\/us-new-york-followers\/new-york-prosecutor-to-investigate-firm-selling-online-followers-idUSKBN1FG0YI\"><b>investigada judicialmente<\/b><\/a>\u00a0por roubar a identidade de pessoas reais.<\/p>\n<p>A Devumi tamb\u00e9m tem clientes estrangeiros, como o cr\u00edtico de cinema mexicano Jorge B\u00e1ez, segundo documentos judiciais consultados pelo EL PA\u00cdS sobre um processo da Devumi contra um ex-funcion\u00e1rio. B\u00e1ez, cuja conta no Twitter,\u00a0<a href=\"https:\/\/twitter.com\/cuacarraquear\"><b>@cuacarraquear<\/b><\/a>, tem mais de 8.800 seguidores, comprou da Devumi 500 seguidores dessa rede social, segundo uma mensagem de correio eletr\u00f4nico anexada ao processo. Na mensagem, B\u00e1ez pede que a empresa devolva seu dinheiro porque os perfis que o seguem s\u00e3o do tipo ovo, ou seja, sem foto real: \u201cEm seu site voc\u00eas garantem que seus usu\u00e1rios parecem reais e n\u00e3o s\u00e3o an\u00f4nimos, mas eu ainda n\u00e3o recebi de volta meus dez d\u00f3lares\u201d.<\/p>\n<p>P\u00e1ginas da Internet com vers\u00f5es em espanhol, como\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/04\/03\/internacional\/Socialdek%20\"><b>Socialdek<\/b><\/a>, oferecem seus servi\u00e7os para o mercado hisp\u00e2nico. \u201cFazemos m\u00e1gica\u201d, promete essa p\u00e1gina.<\/p>\n<p>Os operadores mais s\u00f3lidos t\u00eam equipes de pessoas que comandam as contas falsas. \u00c9 a\u00ed que uma conta\u00a0<i>bot<\/i>\u00a0(100% autom\u00e1tica) se transforma em \u201cciborgue\u201d (na qual uma parte de suas mensagens \u00e9 gerada automaticamente e outra, manualmente). Sabe-se da exist\u00eancia de fazendas desse tipo na Espanha (Eico e Madiva, investigadas pela Opera\u00e7\u00e3o P\u00fanica), R\u00fassia (a Internet Research Agency, que\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/caso_trama_rusa\/a\"><b>divulgou propaganda a favor de Donald Trump<\/b><\/a>\u00a0na \u00faltima campanha eleitoral \u00e0 presid\u00eancia dos EUA), China (<a href=\"https:\/\/www.washingtonpost.com\/news\/monkey-cage\/wp\/2016\/05\/19\/the-chinese-government-fakes-nearly-450-million-social-media-comments-a-year-this-is-why\/?utm_term=.ce3bd3e66f7e\"><b>o grupo 50 Cent<\/b><\/a>, que divulga propaganda do Partido Comunista) e M\u00e9xico (fazendas\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=X7Lk6YEA-so\"><b>controladas pelo Partido Revolucion\u00e1rio Institucional<\/b><\/a>\u00a0na elei\u00e7\u00e3o presidencial de 2012).<\/p>\n<p>Ter uma equipe humana controlando os perfis falsos \u00e9 caro, mas \u00e9 uma garantia contra as elimina\u00e7\u00f5es autom\u00e1ticas de contas feitas pelas redes sociais. No caso dos pol\u00edticos e de outros poderosos interessados em influenciar a opini\u00e3o p\u00fablica, os servi\u00e7os consistem em um \u201cmarketing digital de guerrilha\u201d: coment\u00e1rios no Twitter durante os programas de debate pol\u00edtico, fabrica\u00e7\u00e3o de\u00a0<i>trending topics<\/i>\u00a0ou campanhas de difama\u00e7\u00e3o contra advers\u00e1rios pol\u00edticos. \u201cUm cliente me deu uma instru\u00e7\u00e3o muito clara: \u2018quero que chore\u2019\u201d, revela Merlo, explicando que as campanhas sujas s\u00e3o um servi\u00e7o popular. Uma ex-prefeita da cidade espanhola de Denia, Ana Mar\u00eda Kringe, p<a href=\"https:\/\/politica.elpais.com\/politica\/2018\/01\/08\/actualidad\/1515419221_931340.html\"><b>agou supostamente com dinheiro p\u00fablico para difamar a oposi\u00e7\u00e3o<\/b><\/a>, segundo a investiga\u00e7\u00e3o da Opera\u00e7\u00e3o P\u00fanica.<\/p>\n<p>O ass\u00e9dio por parte de indiv\u00edduos ou fazendas que se escondem atr\u00e1s de contas an\u00f4nimas no Twitter \u00e9 um problema que afeta n\u00e3o s\u00f3 pol\u00edticos, mas tamb\u00e9m jornalistas. No caso espanhol, j\u00e1 foram amea\u00e7ados e assediados, entre outros, a jornalista de TV\u00a0<a href=\"https:\/\/verne.elpais.com\/verne\/2017\/11\/28\/articulo\/1511892300_907230.html\"><b>Ana Pastor<\/b><\/a>\u00a0e o diretor-adjunto do EL PA\u00cdS,\u00a0<a href=\"https:\/\/politica.elpais.com\/politica\/2018\/03\/15\/actualidad\/1521117999_768026.html\"><b>David Alandete<\/b><\/a>.<\/p>\n<p>Os menores operadores desse mercado s\u00e3o\u00a0<i>freelancers<\/i>\u00a0com pequenas fazendas de\u00a0<i>bots<\/i>. Como o investimento \u00e9 baixo e n\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rios grandes conhecimentos t\u00e9cnicos, a entrada nesse mercado est\u00e1 ao alcance de praticamente qualquer pessoa.<\/p>\n<p>Mas o neg\u00f3cio n\u00e3o \u00e9 vantajoso para todos. Alejandro Romeral, um operador de caixa de supermercado de Guadalajara, Espanha, de 21 anos, diz que ganhou cerca de 150 euros (620 reais) em tr\u00eas meses com uma fazenda de 5.000 contas de Facebook. Prestou servi\u00e7o para pequenas empresas locais e, quando recuperou o dinheiro investido, abandonou o neg\u00f3cio. \u201cN\u00e3o vale a pena\u201d, afirma. \u201cVoc\u00ea precisa ficar conhecido, sen\u00e3o ningu\u00e9m te contrata.\u201d<\/p>\n<p>Romeral tamb\u00e9m reclama da concorr\u00eancia existente na Am\u00e9rica Latina, disposta a trabalhar por pre\u00e7os muito baixos. Nas plataformas de microsservi\u00e7os h\u00e1 muitos\u00a0<i>freelancers<\/i>\u00a0localizados na Venezuela, um pa\u00eds arruinado onde o sal\u00e1rio m\u00ednimo n\u00e3o \u00e9 suficiente nem para a cesta b\u00e1sica.<\/p>\n<p>O chileno \u00c1lvaro L\u00f3pez Sep\u00falveda, de 36 anos, conta que entrou no mercado digital em 2007 para melhorar o posicionamento de seus sites no Google. Em pouco tempo, com o auge das redes sociais, muita gente descobriu que maquiar seus n\u00fameros ajudava seu neg\u00f3cio a crescer. \u201cNa Espanha, trabalhei com v\u00e1rios artistas que querem conquistar seu espa\u00e7o no mundo da m\u00fasica\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Um de seus clientes, o representante de m\u00fasicos latino-americanos Jean Carlos Santos, contratou seus servi\u00e7os para impulsionar a carreira de dois artistas de reggaeton. L\u00f3pez Sep\u00falveda lhe forneceu milhares de seguidores no Instagram e de reprodu\u00e7\u00f5es no YouTube. Logo chegaram os contratos para concertos em Madri, Barcelona e outras cidades, segundo Santos. \u201cNingu\u00e9m quer contratar uma pessoa que n\u00e3o tenha curtidas, seguidores, reprodu\u00e7\u00f5es etc., porque n\u00e3o acreditam nela\u201d, disse Santos ao EL PA\u00cdS. \u201cNo mundo em que vivemos hoje, a percep\u00e7\u00e3o \u00e9 at\u00e9 mais importante que a realidade\u201d, acrescenta. \u201cSe voc\u00ea se vende como um fracassado, v\u00e3o conhec\u00ea-lo como um fracassado.\u201d<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"larguraBox\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/elpais.com\/estaticos\/rrss\/2018\/redes_seguidores\/twitter_scan_320.gif?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"creadores\" \/><\/p>\n<p><b>Policiais: os ca\u00e7adores de farsantes<\/b><b><\/b><\/p>\n<p>O perigo dos\u00a0<i>bots<\/i>\u00a0para as redes sociais \u00e9 que os usu\u00e1rios reais abandonem suas plataformas ante a impossibilidade de diferenciar entre um conte\u00fado genu\u00edno e um falso.<\/p>\n<p>Twitter, Facebook, Instagram e outras redes realizam limpezas peri\u00f3dicas de usu\u00e1rios fict\u00edcios.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cnbc.com\/2017\/03\/10\/nearly-48-million-twitter-accounts-could-be-bots-says-study.html\"><b>Estimativas independentes indicam<\/b><\/a>\u00a0que cerca de 48 milh\u00f5es de usu\u00e1rios do Twitter s\u00e3o\u00a0<i>bots<\/i>\u00a0(15% do total). O Facebook\u00a0<a href=\"http:\/\/www.businessinsider.com\/facebook-raises-duplicate-fake-account-estimates-q3-earnings-2017-11\"><b>reconhece que abriga mais de 260 milh\u00f5es de contas duplicadas e falsas<\/b><\/a>\u00a0(10% do total). J\u00e1 o Instagram\u00a0<a href=\"https:\/\/www.mobilemarketer.com\/news\/study-8-of-instagram-accounts-are-not-real-people\/441176\/\"><b>estima que 8%<\/b><\/a>\u00a0de seus 800 milh\u00f5es de usu\u00e1rios ativos sejam falsos.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"larguraBox\" style=\"box-sizing: border-box; border: 0px; vertical-align: middle; max-width: 100%;\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/oi65.tinypic.com\/4h313m.jpg?w=640\" alt=\"el pais&lt;br\/&gt;&lt;a style='color:#a7006f' style='color:#a7006f' href=&quot;http:\/\/oi65.tinypic.com\/4h313m.jpg&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;View Raw Image&lt;\/a&gt;\" \/><\/p>\n<p class=\"texto_detalhe\"><b><br \/>\n<\/b>Os\u00a0<a href=\"https:\/\/mashable.com\/2017\/10\/16\/twitter-bots-here-to-stay\/#k1wsDauIcmqp\"><b>cr\u00edticos afirmam<\/b><\/a>\u00a0que essas redes poderiam fazer muito mais para livrar suas plataformas dos falsos seguidores. Mas argumentam que seu interesse financeiro as impede de fazer isso, j\u00e1 que sua cotiza\u00e7\u00e3o na Bolsa cairia com a redu\u00e7\u00e3o abrupta do n\u00famero total de usu\u00e1rios. Como exemplo da falta de vontade das redes, os especialistas lembram que elas s\u00f3 agem sob press\u00e3o. Quando jornais influentes fizeram investiga\u00e7\u00f5es sobre o mercado dos usu\u00e1rios falsos, essas companhias realizaram intensas limpezas.<\/p>\n<p>Um porta-voz do Facebook na Espanha diz que a e<a href=\"https:\/\/m.facebook.com\/notes\/facebook-security\/improvements-in-protecting-the-integrity-of-activity-on-facebook\/10154323366590766\/\"><b>mpresa leva a autenticidade muito a s\u00e9rio.<\/b><\/a>\u00a0\u201cOs\u00a0<i>likes<\/i>\u00a0criados por contas falsas ou por pessoas de m\u00e1 f\u00e9 s\u00e3o ruins para os usu\u00e1rios do Facebook, para os anunciantes e para o pr\u00f3prio Facebook. Temos um forte incentivo para detectar, de forma agressiva, as pessoas por tr\u00e1s desses\u00a0<i>likes<\/i>\u00a0porque as empresas e as pessoas que usam nossa plataforma querem conex\u00f5es e resultados reais\u201d, afirma a fonte.<\/p>\n<p>Parece que as redes sociais t\u00eam levado a s\u00e9rio o cerco contra essas contas falsas, a julgar pelas recentes medidas tomadas pelo Facebook e o Twitter. Ano passado, a empresa de Mark Zuckerberg anunciou melhoras em seu sistema de monitoramento, que se baseia no aprendizado de m\u00e1quina (<i>machine learning<\/i>) para detectar atividade autom\u00e1tica maci\u00e7a. O\u00a0<a href=\"https:\/\/blog.twitter.com\/developer\/en_us\/topics\/tips\/2018\/automation-and-the-use-of-multiple-accounts.html\"><b>Twitter anunciou em fevereiro<\/b><\/a>\u00a0que adotar\u00e1 medidas agressivas contra os retu\u00edtes e os\u00a0<i>likes<\/i>\u00a0falsos utilizando programas de gest\u00e3o como o Tweetdeck.<\/p>\n<p>Como consequ\u00eancia dessa nova pol\u00edtica, o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.independent.co.uk\/life-style\/gadgets-and-tech\/news\/twitter-tweetdecking-accounts-suspended-spam-retweeting-crackdown-purge-a8252106.html\"><b>Twitter apagou algumas contas<\/b><\/a>de influenciadores como a de\u00a0<b>@girlposts<\/b>, que tinha mais de 10 milh\u00f5es de seguidores.<\/p>\n<p>Detectar personalidades p\u00fablicas com muitos usu\u00e1rios falsos \u00e9 fundamental para o neg\u00f3cio das ag\u00eancias de publicidade que fazem uma intermedia\u00e7\u00e3o entre influenciadores e marcas. Cada vez mais, elas recorrem a ferramentas para ca\u00e7\u00e1-los, como o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.twitteraudit.com\/https:\/socialblade.com\/\"><b>Twitter Audit<\/b><\/a>, o Fake Follower Check e o\u00a0<a href=\"https:\/\/botometer.iuni.iu.edu\/#!\/\"><b>Botometer<\/b><\/a>da Universidade de Indiana. O problema \u00e9 que nenhum desses programas \u00e9 100% preciso. O Twitter Audit, por exemplo, baseia-se em crit\u00e9rios como o n\u00famero de tu\u00edtes, a data do \u00faltimo tu\u00edte e a rela\u00e7\u00e3o seguidos\/seguidores.<\/p>\n<p>Para evitar erros, as ag\u00eancias de rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas espanholas est\u00e3o implementando a pr\u00e1tica de exigir dados privados de audi\u00eancia dos influenciadores em redes como Instagram, como condi\u00e7\u00e3o para fechar um contrato. \u201cInfelizmente, muitos falsos influenciadores batem \u00e0 nossa porta\u201d, afirma Jacobo Zelada, respons\u00e1vel pela \u00e1rea digital da Apple Tree, uma consultoria internacional com sede em Barcelona. \u201cJ\u00e1 tivemos alguns casos descarados. Que um madrilenho tenha muitos seguidores na Indon\u00e9sia e na Turquia \u00e9 bastante suspeito.\u201d<\/p>\n<p>Rafaela Almeida, CEO da ag\u00eancia de marketing e rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas Blanz, afirma: \u201cEsses controles s\u00e3o uma tarefa fundamental antes de realizar qualquer campanha, pois oferecem um filtro para as marcas.\u201d<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 \u00fatil fazer uma an\u00e1lise visual da conversa digital do Twitter. Quando aparecem grupos de usu\u00e1rios que n\u00e3o interagem com os demais, podemos suspeitar que se trata de uma fazenda de\u00a0<i>bots<\/i>. Ferramentas e detec\u00e7\u00e3o visual s\u00e3o usadas por ativistas que denunciam o\u00a0<i>spam<\/i>\u00a0pol\u00edtico, como o das redes russas que agiram na Catalunha.<\/p>\n<p>Nem sequer algumas dessas an\u00e1lises s\u00e3o capazes de provar, de maneira contundente, a culpa do suspeito. \u00c9 o que adverte Enrique \u00c1vila, chefe de seguran\u00e7a da informa\u00e7\u00e3o da Guarda Civil espanhola. \u201cNo ciberespa\u00e7o, todas as evid\u00eancias s\u00e3o indici\u00e1rias\u201d, afirma. \u201cComo voc\u00ea pode garantir que os\u00a0<i>bots<\/i>por tr\u00e1s de retu\u00edtes de um determinado candidato n\u00e3o foram comprados por um advers\u00e1rio pol\u00edtico?\u201d<\/p>\n<p>Os cr\u00edticos prop\u00f5em que as redes sociais exijam maiores controles. Por exemplo, a apresenta\u00e7\u00e3o de um documento de identidade oficial como requisito indispens\u00e1vel para a cria\u00e7\u00e3o de uma conta.<\/p>\n<p>\u201cUma op\u00e7\u00e3o muito simples seria mandar e-mails ou SMS de confirma\u00e7\u00e3o da conta ap\u00f3s certo per\u00edodo de tempo, de forma aleat\u00f3ria\u201d, sugere o ciberespecialista Benbouazza.<\/p>\n<p>Em meio a essa batalha, alguns perderam a f\u00e9 nas redes sociais. Uma fonte do PSOE, conhecedora da estrat\u00e9gia digital do partido, acredita que a bolha da desinforma\u00e7\u00e3o est\u00e1 a ponto de estourar. \u201cOs partidos estavam prestando bastante aten\u00e7\u00e3o no Twitter e nas redes sociais at\u00e9 h\u00e1 muito pouco, mas acho que estamos agora diante de um ponto de inflex\u00e3o\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Quem cancelou sua conta foi um dos especialistas em inform\u00e1tica da Eico, a empresa que criava contas falsas envolvida no esc\u00e2ndalo P\u00fanica. Ele revelou a este jornal que n\u00e3o acredita em nada do que v\u00ea nas redes sociais. \u201cNem sequer tenho uma conta no Twitter depois de tudo o que vi.<\/p>\n<hr \/>\n<p class=\"texto_detalhe\"><i><b>A PRAGA DOS ROB\u00d4S<\/b><\/i><\/p>\n<p>Os\u00a0<i>bots<\/i>\u00a0distorcem boa parte do conte\u00fado que vemos na Internet. Al\u00e9m das redes sociais, j\u00e1 se detectou o uso fraudulento dessas m\u00e1quinas para:<\/p>\n<p>Aumentar a pontua\u00e7\u00e3o de certos produtos em lojas como Google Store, Apple App Store e Amazon.<\/p>\n<p>Fazer crescer o n\u00famero de visualiza\u00e7\u00f5es de clipes no YouTube.<\/p>\n<p>Enganar usu\u00e1rios de aplicativos de encontros, como Tinder.<\/p>\n<p>Alterar o fluxo do tr\u00e2nsito de carros no Waze<\/p>\n<p>Claro que tamb\u00e9m existem\u00a0<i>bots<\/i>\u00a0benignos de atendimento ao cliente, que as grandes empresas usam para vender pizza e passagens a\u00e9reas, por exemplo. S\u00e3o tantos os tipos de rob\u00f4s na Internet que Gregory Maus, especialista em inform\u00e1tica da Universidade de Indiana, publicou uma tipologia.<\/p>\n<p>Suposta humanidade: honestos, intencionalmente amb\u00edguos, mascarados.<\/p>\n<p>Operador: o governo, uma ONG, uma empresa ou um indiv\u00edduo.<\/p>\n<p>Coordena\u00e7\u00e3o: colmeia, \u00e1rvore, isolados.<\/p>\n<p>Transpar\u00eancia: ocultos ou de p\u00fablico conhecimento.<\/p>\n<p>Objetivos: promo\u00e7\u00e3o de conte\u00fado, curadoria, obten\u00e7\u00e3o de dados, perturba\u00e7\u00e3o de um canal, entretenimento, manipula\u00e7\u00e3o de m\u00e9tricas, motiva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>https:\/\/www.cartamaior.com.br\/?\/Editoria\/Midia-e-Redes-Sociais\/O-mercado-global-das-curtidas-falsas\/12\/39829<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fernando Peinado e David Alameda &#8211; Usu\u00e1rios forjados no M\u00e9xico, comandados do Chile e ativos na Espanha. 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