{"id":7673,"date":"2018-03-31T15:25:48","date_gmt":"2018-03-31T18:25:48","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=7673"},"modified":"2018-03-31T13:31:44","modified_gmt":"2018-03-31T16:31:44","slug":"e-impressionante-que-um-pais-de-escravidao-tao-longa-tenha-a-autoconcepcao-de-que-nao-e-violento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2018\/03\/31\/e-impressionante-que-um-pais-de-escravidao-tao-longa-tenha-a-autoconcepcao-de-que-nao-e-violento\/","title":{"rendered":"\u2018\u00c9 impressionante que um pa\u00eds de escravid\u00e3o t\u00e3o longa tenha a autoconcep\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o \u00e9 violento\u2019"},"content":{"rendered":"<p><strong>Fernanda Canofre &#8211;\u00a0<\/strong>Professora da USP e de Princeton, a antrop\u00f3loga Lilia Moritz Schwarcz focou seu trabalho na quest\u00e3o racial no Brasil.<\/p>\n<p>Nos anos 1980, quando a antrop\u00f3loga e historiadora Lilia Moritz Schwarcz come\u00e7ou a pesquisar quest\u00f5es raciais no Brasil, teve que come\u00e7ar por convencer os colegas de que tinha um problema de pesquisa. \u201cNa \u00e9poca, essa era quase uma falsa quest\u00e3o. Como eu sou um pouco triste, como Lima Barreto, eu persisti no tema\u201d, diz ela. O Brasil que sempre se acreditou uma democracia das ra\u00e7as, h\u00e1 35 anos tinha ainda mais dificuldade de reconhecer as diferen\u00e7as que viviam dentro de si. Quando Lilia prop\u00f4s um censo etnogr\u00e1fico, dentro da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), por exemplo, foi acusada de estar criando discrimina\u00e7\u00e3o. Mas, filha de imigrantes, nascida em uma fam\u00edlia judia, seguiu.<\/p>\n<p>Em 1988, ela foi uma das professores respons\u00e1veis por uma pesquisa da USP que perguntou aos brasileiros se tinham algum preconceito racial. Resultado: 96% disseram que n\u00e3o. \u00c0 segunda pergunta \u2013 se o entrevistado conhecia algu\u00e9m que tinha \u2013 99% responderam que sim. \u201cQuando a gente pedia para descrever o grau de preconceito, n\u00f3s n\u00e3o ped\u00edamos nomes, mas as pessoas queriam dar. Era sempre, \u2018meu melhor amigo\u2019, \u2018minha m\u00e3e\u2019, \u2018minha av\u00f3\u2019, \u2018meu tio\u2019. A gente brincava que todo brasileiro se sente uma ilha de democracia racial, cercado de racistas por todos os lados\u201d, lembra ela.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, Lilia se tornou uma das maiores pesquisadoras do tema no pa\u00eds, d\u00e1 aulas na USP e em Princeton, nos Estados Unidos, publicou livros como \u201cO espet\u00e1culo das ra\u00e7as\u201d e \u201cBrasil: Uma biografia\u201d (em co-autoria com Helo\u00edsa Starling) e agora lan\u00e7a \u201cTriste vision\u00e1rio: Lima Barreto\u201d, uma biografia que busca os tra\u00e7os sociais da vida de um dos mais importantes escritores brasileiros. Lima, escritor negro, que se dizia anarquista, a favor do maximalismo, a ala mais radical da Revolu\u00e7\u00e3o Russa, era um autor fora da curva que, segundo sua bi\u00f3grafa, pagou caro por suas posi\u00e7\u00f5es junto \u00e0 cr\u00edtica da \u00e9poca.<\/p>\n<p>De passagem por Porto Alegre, Lilia conversou com o\u00a0<strong>Sul21<\/strong>\u00a0sobre o que faz o Brasil ser, ao mesmo tempo, o pa\u00eds da miscigena\u00e7\u00e3o e de tantos preconceitos e sobre o que a vida de Lima Barreto, na virada do s\u00e9culo XIX para o XX, diz de n\u00f3s.<\/p>\n<p><strong>Sul21: O Brasil nunca teve apartheid na lei, mesmo assim, a segrega\u00e7\u00e3o segue sendo um tra\u00e7o latente da nossa sociedade. Porto Alegre \u00e9 apontada como a capital mais segregada do pa\u00eds, por exemplo. Como esse racismo silencioso nos atinge?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Lilia Moritz Schwarcz:<\/strong>\u00a0Eu sempre digo que esse \u00e9 um aspecto importante, que a gente n\u00e3o tenha nenhum apartheid na lei. Por outro lado, o Brasil foi o \u00faltimo pa\u00eds a abolir a escravid\u00e3o, recebeu uma m\u00e9dia de 50% dos africanos que sa\u00edram compulsoriamente do seu continente, teve uma lei curt\u00edssima de inclus\u00e3o social, que n\u00e3o previu qualquer tipo de aporte ou cuidado com essas popula\u00e7\u00f5es. O que n\u00f3s vimos no per\u00edodo p\u00f3s-emancipa\u00e7\u00e3o foi uma continuidade da escravid\u00e3o, mas sem o sistema formal. Nada foi feito no sentido de mudar, pensando em programas de suporte, moradia, educa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o houve nenhum projeto de inclus\u00e3o dessas popula\u00e7\u00f5es. Eu estudo um autor, o Lima Barreto, que justamente era uma voz isolada, que acusava a invisibilidade dos negros. Eu dei uma palestra na PUCRS, com quatro textos dele, brincando que o \u201cnegro n\u00e3o existe no Brasil\u201d, porque basta n\u00e3o querer olh\u00e1-lo. Ele fala que existe esse processo de invisibilidade, n\u00e3o s\u00f3 das popula\u00e7\u00f5es negras, mas tamb\u00e9m dos ind\u00edgenas, das mulheres. O Brasil teve uma Constitui\u00e7\u00e3o maravilhosa em 1988, uma constitui\u00e7\u00e3o que previu a inclus\u00e3o social. Nesses 30 anos, as pesquisas mostram que o Brasil n\u00e3o ficou um pa\u00eds mais justo. Para resumir, n\u00e3o temos uma discrimina\u00e7\u00e3o no corpo da lei, mas a pr\u00f3pria sociedade produz as suas regras e, nessa produ\u00e7\u00e3o coletiva, a gente vai se revelando, como uma Rep\u00fablica muito falha, com institui\u00e7\u00f5es muito frouxas. Isso tudo s\u00e3o term\u00f4metros para medir a nossa democracia que vai muito mal, obrigada.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-394820 jetpack-lazy-image--handled\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/20171019-jornal-sul21-gs-171017-6724-08-600x400.jpg?resize=446%2C297&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 446px) 100vw, 446px\" srcset=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/20171019-jornal-sul21-gs-171017-6724-08-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/20171019-jornal-sul21-gs-171017-6724-08-200x133.jpg 200w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/20171019-jornal-sul21-gs-171017-6724-08-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/20171019-jornal-sul21-gs-171017-6724-08.jpg 900w\" alt=\"\" width=\"446\" height=\"297\" data-lazy-loaded=\"1\" \/><\/p>\n<p><em>\u201cN\u00e3o temos uma discrimina\u00e7\u00e3o no corpo da lei, mas a pr\u00f3pria sociedade produz as suas regras e a gente vai se revelando, como uma Rep\u00fablica muito falha\u201d<\/em><\/p>\n<p><strong>Sul21: Embora tenhamos resist\u00eancia em aceitar, n\u00f3s somos uma sociedade de preconceitos. Que tra\u00e7os contribu\u00edram para isso?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Lilia:<\/strong>\u00a0Eu sempre digo que o presente est\u00e1 cheio de passado. Mas, a gente tem que tomar muito cuidado com essa frase, porque eu tamb\u00e9m n\u00e3o estou propondo um comodismo. \u201cIsso \u00e9 o passado, n\u00f3s recebemos isso, n\u00e3o h\u00e1 nada a fazer\u201d. Ao contr\u00e1rio. A gente est\u00e1 recriando as pol\u00edticas de racismo. O Brasil foi uma col\u00f4nia, n\u00e3o se passa pelo fato de ser col\u00f4nia, organizada a partir de grandes propriedades, que nos geraram pr\u00e1ticas de mandonismo local, de protecionismo, de favores, sem consequ\u00eancias. O Brasil n\u00e3o s\u00f3 foi o \u00faltimo pa\u00eds a abolir a escravid\u00e3o, como teve escravid\u00e3o em todo o seu territ\u00f3rio. Isso cria uma naturaliza\u00e7\u00e3o de que o trabalho n\u00e3o \u00e9 digno, que o trabalho manual n\u00e3o \u00e9 bom. H\u00e1 um preconceito que vem desse contexto. Em terceiro lugar, acho que temos que falar dos patrimonialismos. N\u00f3s herdamos essa burocracia pesada de Portugal, a recriamos, e temos esse costume de n\u00e3o acreditar nas leis. H\u00e1 um prov\u00e9rbio da \u00e9poca da Col\u00f4nia que diz \u201cquem rouba muito \u00e9 bar\u00e3o, quem rouba pouco \u00e9 ladr\u00e3o\u201d. N\u00f3s estamos vivendo esse contexto. O patrimonialismo \u00e9 o mau uso da verba p\u00fablica, que \u00e9 efetivada para fins privados. A corrup\u00e7\u00e3o \u00e9 uma ponta desse iceberg. Ela deteriora as nossas institui\u00e7\u00f5es republicanas totalmente.<\/p>\n<p><strong>Sul21: Falando do passado, o Brasil tem um problema para lidar com a mem\u00f3ria. Isso tamb\u00e9m contribui para esses tra\u00e7os?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Lilia:<\/strong>\u00a0H\u00e1 uma diferen\u00e7a entre mem\u00f3ria e Hist\u00f3ria. Eu acho que n\u00e3o s\u00f3 nossa Hist\u00f3ria carrega invisibilidades, como n\u00f3s temos uma mem\u00f3ria coletiva e afetiva que vai desconhecendo a viol\u00eancia que impera no pa\u00eds. \u00c9 impressionante que um pa\u00eds de escravid\u00e3o t\u00e3o longa, de um sistema que sup\u00f5e a posse de um homem pelo outro, tenha uma autoconcep\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o \u00e9 um pa\u00eds violento. Esse \u00e9 um pa\u00eds extremamente violento. Os dados mostram n\u00fameros de estupros, o que fazemos com as crian\u00e7as, casos de pedofilia, como somos uma sociedade muito homof\u00f3bica. E, mesmo assim, a gente guarda a mem\u00f3ria de que somos um pa\u00eds pac\u00edfico. Quando eu escrevi \u201cBrasil: Uma biografia\u201d, as pessoas diziam: \u201cn\u00f3s tivemos s\u00f3 uma guerra\u201d. Como assim \u201cs\u00f3 uma guerra\u201d? N\u00f3s tivemos uma guerra reconhecida, que foi a Guerra do Paraguai (1864-1870). Mas, se voc\u00ea pensar a quantidade de quilombos, de revoltas, de insurrei\u00e7\u00f5es, n\u00e3o h\u00e1 como ser um pa\u00eds pac\u00edfico diante dessa nossa realidade estrutural, dentro de uma desigualdade imensa. As pesquisas mais recentes mostram uma concentra\u00e7\u00e3o dos benef\u00edcios p\u00fablicos, que gera problemas na educa\u00e7\u00e3o, na cultura, nas \u00e1reas que s\u00e3o centrais para qualquer sociedade cidad\u00e3, que gera viol\u00eancia. Ou a gente enfrenta essa quest\u00e3o, essa nossa mem\u00f3ria que \u00e9 t\u00e3o rec\u00f4ndita, ou a gente vai continuar partilhando dessa desigualdade.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-394819 size-full jetpack-lazy-image--handled\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/20171019-jornal-sul21-gs-171017-6714-07.jpg?resize=640%2C427&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px\" srcset=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/20171019-jornal-sul21-gs-171017-6714-07.jpg 900w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/20171019-jornal-sul21-gs-171017-6714-07-200x133.jpg 200w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/20171019-jornal-sul21-gs-171017-6714-07-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/20171019-jornal-sul21-gs-171017-6714-07-768x512.jpg 768w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"427\" data-lazy-loaded=\"1\" \/><\/p>\n<p><em>\u201c\u00c9 impressionante que um pa\u00eds de escravid\u00e3o t\u00e3o longa, de um sistema que sup\u00f5e a posse de um homem pelo outro, tenha uma auto-concep\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o \u00e9 um pa\u00eds violento\u201d<\/em><\/p>\n<p><strong>Sul21: O que diferencia esse racismo \u00e0 brasileira, de outros pa\u00edses como os europeus, Estados Unidos, \u00c1frica do Sul?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Lilia:<\/strong>\u00a0A primeira coisa que a gente tem que deixar claro \u00e9 que nenhum racismo \u00e9 bom. Estou lendo agora, porque vou comentar a exposi\u00e7\u00e3o do Jonathas Andrade, que \u00e9 pautada numa pesquisa [sobre ra\u00e7a e classe], do Charles Wagley, encomendada pela Unesco, [nos anos 1950]. Ele fala exatamente que o racismo no Brasil \u00e9\u00a0<em>mild<\/em>. \u00c9 leve. Em geral, o suposto \u00e9: 1) que n\u00e3o temos apartheid, porque n\u00e3o temos na lei; 2) que temos um preconceito de marca, ou seja, em vez de ter preconceito na origem, vemos no fen\u00f3tipo, se a pessoa \u00e9 branca e manipulamos a cor social. Essa manipula\u00e7\u00e3o de cor social, depende da circunst\u00e2ncia, do contexto, do local. O Lima Barreto descreve seu principal vil\u00e3o, o Cassi, casado com a Clara dos Anjos (livro hom\u00f4nimo): \u201cCassi \u00e9 branco para a linguagem do sub\u00farbio, mas quando ele toma o trem da Central, ele \u00e9 negro como s\u00e3o os brasileiros\u201d. No Brasil, a gente manipula a cor. H\u00e1 quem diga que isso \u00e9 um racismo mais flu\u00eddo. Eu discordo. Acho que s\u00e3o outras maneiras de falar de hierarquia. S\u00e3o maneiras de tentar driblar a ideia e dizer que nosso preconceito \u00e9 menor, que, na verdade, n\u00f3s n\u00e3o temos, que n\u00e3o h\u00e1 problema de ra\u00e7a no Brasil. Basta ver os dados do Censo, pra entender que ra\u00e7a \u00e9 um plus. Os negros s\u00e3o mais discriminados no transporte, na sa\u00fade, no lazer, nas taxas de nascimento e morte. N\u00e3o me parece que \u00e9 um racismo leve.<\/p>\n<p><strong>Sul21: Tu trabalhas com o conceito de \u201cra\u00e7a social\u201d. Pode explic\u00e1-lo melhor?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Lilia:<\/strong>\u00a0Muita gente acha que n\u00e3o devemos ter cotas, porque s\u00f3 existe uma ra\u00e7a, a humana. Eu concordo. Biologicamente, o conceito de ra\u00e7a n\u00e3o se sustenta. O que me interessa como antrop\u00f3loga e historiadora \u00e9 entender n\u00e3o o conceito da biologia, mas como n\u00f3s, brasileiros, manipulamos o conceito de ra\u00e7a. Mesmo que n\u00e3o exista o conceito biol\u00f3gico, n\u00f3s, no nosso dia-a-dia, produzimos essas diferen\u00e7as e chamamos de ra\u00e7a. As professoras colocam alunos negros no fundo da classe, porque dizem que eles s\u00e3o menos inteligentes e n\u00e3o precisam ficar na frente, porque n\u00e3o v\u00e3o aprender. Eu j\u00e1 ouvi crian\u00e7as dizendo que queriam ser anjos, mas que as professoras n\u00e3o deixam porque anjos precisam ser brancos. As batidas policiais param muito mais negros do que brancos. As grandes autoridades do dia-a-dia, porteiros de shopping, hot\u00e9is, bancos, s\u00f3 brecam pessoas negras. Ent\u00e3o, ok, temos que concluir que ra\u00e7a \u00e9 uma s\u00f3, ra\u00e7a humana, mas tem que concluir tamb\u00e9m que a sociedade produz uma segunda natureza. E essa segunda natureza se enraiza em n\u00f3s, como se fosse realidade. Vamos discutir pra sempre que a biologia n\u00e3o existe ou vamos enfrentar essa realidade? Por isso que eu chamo de ra\u00e7a social.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-394815 jetpack-lazy-image--handled\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/20171019-jornal-sul21-gs-171017-6627-03-600x400.jpg?resize=452%2C301&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 452px) 100vw, 452px\" srcset=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/20171019-jornal-sul21-gs-171017-6627-03-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/20171019-jornal-sul21-gs-171017-6627-03-200x133.jpg 200w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/20171019-jornal-sul21-gs-171017-6627-03-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/20171019-jornal-sul21-gs-171017-6627-03.jpg 900w\" alt=\"\" width=\"452\" height=\"301\" data-lazy-loaded=\"1\" \/><\/p>\n<p><em>\u201cNo Brasil, a gente manipula a cor. H\u00e1 quem diga que isso \u00e9 um racismo mais flu\u00eddo. Eu discordo. Acho que s\u00e3o outras maneiras de falar de hierarquia\u201d<\/em><\/p>\n<p><strong>Sul21: Falando em cotas raciais, por que no Brasil temos tanta resist\u00eancia para aceit\u00e1-las e por que tantos casos de fraude? A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), por exemplo, acaba de anunciar uma comiss\u00e3o para checar a auto-declara\u00e7\u00e3o de alunos cotistas, para evitar isso.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Lilia:<\/strong>\u00a0Eu tenho uma defesa por cotas h\u00e1 muito tempo. N\u00e3o s\u00f3 porque acho que, com esse passado todo de que falamos, \u00e9 preciso igualar para desigualar, mas, eu tamb\u00e9m defendo cotas pelo lado \u201cpositivo\u201d, que \u00e9 conviver com as diferen\u00e7as. Eu trabalho com um grupo na USP que se chama \u201cMais \u00e9 mais\u201d. Trabalhamos com alunos negros, alunos que tiveram pelo menos tr\u00eas anos em escola p\u00fablica, e a gente tenta fazer com que eles fiquem na universidade. N\u00e3o basta s\u00f3 entrar. A experi\u00eancia que eu tenho \u00e9 que eles me ensinam muito, porque falam de lugares e experi\u00eancias que eu n\u00e3o conhe\u00e7o. [Sobre as fraudes], o que a gente tem \u00e9 que construir uma sociedade mais cidad\u00e3 para, de alguma maneira, evit\u00e1-las. O primeiro trabalho \u00e9 de conscientiza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 de persecu\u00e7\u00e3o, porque h\u00e1 muito moralismo na nossa sociedade. N\u00e3o se trata de atacar aquela pessoa que fez, mas de atacar essa sociedade que permite que aquela pessoa fa\u00e7a. Eu fico muito mais preocupada com esse trabalho mais amplo, para a sociedade, para que ela entende a import\u00e2ncia das cotas. Essa comiss\u00e3o de verifica\u00e7\u00e3o \u00e9 uma comiss\u00e3o que me apavora. Porque eu estudei o s\u00e9culo XIX, eu estudei as teorias de darwinismo racial, elas podem virar pol\u00edticas de humilha\u00e7\u00e3o. Como voc\u00ea vai comprovar [sua ra\u00e7a]? Vai constranger? Vai constranger. Vai impedir? N\u00e3o vai impedir. Fizemos uma primeira etapa, institu\u00edmos as cota, agora precisamos conseguir aprimor\u00e1-las.<\/p>\n<p><strong>Sul21: Tu estudaste essa quest\u00e3o do racismo cient\u00edfico no Brasil no livro \u201cO espet\u00e1culo das ra\u00e7as\u201d. Pode falar um pouco sobre esse per\u00edodo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Lilia:<\/strong>\u00a0Estudei as institui\u00e7\u00f5es cient\u00edficas e culturais do s\u00e9culo XIX: institutos hist\u00f3ricos, museus etnol\u00f3gicos, faculdades de Medicina e de Direito. Estarrecida, notei que o Brasil da democracia racial estava a um passo do apartheid social. E que essas teorias do darwinismo racial eram de grande penetra\u00e7\u00e3o na nossa sociedade. Elas ganham for\u00e7a no momento de desmontagem da escravid\u00e3o e criam uma outra forma de desigualdade, na minha opini\u00e3o, mais severa, que \u00e9 uma desigualdade pautada na biologia. A suposi\u00e7\u00e3o dessas teorias \u00e9 que, n\u00e3o s\u00f3 as ra\u00e7as corresponderiam a realidades diferentes, mas a mesti\u00e7agem corresponderia \u00e0 degenera\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo e da na\u00e7\u00e3o. Existiam alguns estigmas para comprovar essa degenera\u00e7\u00e3o: tuberculose, aliena\u00e7\u00e3o, tatuagem, anarquismo e uma culpabiliza\u00e7\u00e3o dos tra\u00e7os das popula\u00e7\u00f5es afro-brasileiras. O que vai acontecer \u00e9 que essas teorias prop\u00f5em modelos de apartheid social. As teorias ficam fortes entre 1880 at\u00e9 1930 e, em 1950, elas ainda eram parte do curr\u00edculo da Academia de Pol\u00edcia e das faculdades de Direito. Ent\u00e3o, o passado \u00e9 bem pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-394818 jetpack-lazy-image--handled\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/20171019-jornal-sul21-gs-171017-6694-06-600x400.jpg?resize=441%2C294&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 441px) 100vw, 441px\" srcset=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/20171019-jornal-sul21-gs-171017-6694-06-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/20171019-jornal-sul21-gs-171017-6694-06-200x133.jpg 200w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/20171019-jornal-sul21-gs-171017-6694-06-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/20171019-jornal-sul21-gs-171017-6694-06.jpg 900w\" alt=\"\" width=\"441\" height=\"294\" data-lazy-loaded=\"1\" \/><\/p>\n<p><em>\u201c(Sobre cotas) O primeiro trabalho \u00e9 de conscientiza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 de persecu\u00e7\u00e3o, porque h\u00e1 muito moralismo na nossa sociedade\u201d<\/em><\/p>\n<p><strong>Sul21: Como o racismo cient\u00edfico influenciou a biografia de Lima Barreto?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Lilia:<\/strong>\u00a0O Lima Barreto viveu nesse per\u00edodo de desmontagem do Imp\u00e9rio, sobretudo durante a Primeira Rep\u00fablica, nesse per\u00edodo que a gente chama de p\u00f3s-emancipa\u00e7\u00e3o. Um per\u00edodo que prometeu muita inclus\u00e3o social e entregou muita exclus\u00e3o. Eu sempre dou esse exemplo, acho ele muito forte, n\u00f3s somos uma Rep\u00fablica cujo Hino Nacional \u00e9 do Imp\u00e9rio. \u201cOuviram do Ipiranga, \u00e0s margens pl\u00e1cidas\u201d. Que eu saiba, quem estava no Ipiranga, era Dom Pedro II, n\u00e3o era [Marechal] Deodoro [da Fonseca]. N\u00f3s temos um Hino da Rep\u00fablica, que diz: \u201cn\u00f3s nem cremos que escravos outrora, tenham havido em t\u00e3o nobre pa\u00eds\u201d. \u00c9 s\u00f3 um pequeno exemplo, junto com todos os outros que eu dei, de invisibilidade social. Lima Barreto foi um escritor que falou o tempo todo sobre discrimina\u00e7\u00e3o, a n\u00edvel pessoal e a n\u00edvel coletivo tamb\u00e9m, acusou o tempo todo o racismo e era leitor do darwinismo racial. Por isso, foi muito perseguido tamb\u00e9m e escanteado. Diferente de outros escritores, ele tinha seu lado de intelectual propriamente dito.Uma pessoa que se pronunciava, que comparecia, que clamou muito por direitos, que era contra a pol\u00edtica dos Estados Unidos e a favor dos africanismos, em um momento em que nem se reconhecia a exist\u00eancia de um problema. Era como plantar no deserto.<\/p>\n<p><strong>Sul21: Qual a import\u00e2ncia de discutir a biografia dele hoje? Com novas perguntas em cima dela, como tu tens falado?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Lilia:<\/strong>\u00a0Lima Barreto tinha uma biografia fundamental, escrita por Francisco Assis Barbosa, em 1952, e tamb\u00e9m tem cr\u00edticos sensacionais. Uma quest\u00e3o que eu sempre digo para meus alunos, quando a gente vai fazer um projeto, \u00e9 que uma parte dele \u00e9 definir um objeto. Vamos dizer que meu objeto \u00e9 Lima Barreto. A outra parte, t\u00e3o fundamental quanto, \u00e9 definir que quest\u00f5es voc\u00ea far\u00e1 para seu objeto. A gente tem que fazer a mesma coisa para as sociedades contempor\u00e2neas. Eu perguntei ao Lima, com os textos dele, sobre quest\u00f5es como o racismo, feminismo, g\u00eanero, regi\u00e3o, classe social, gera\u00e7\u00e3o (o fato de Lima se definir como \u201cdos novos\u201d e se opor a Machado de Assis).<\/p>\n<p><strong>Sul21: Por que a escolha pelo t\u00edtulo \u201cTriste Vision\u00e1rio\u201d, que parece carregar uma contradi\u00e7\u00e3o em si?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Lilia:<\/strong>\u00a0Eu fiz de prop\u00f3sito, porque a biografia toda \u00e9 marcada por essa perspectiva de um personagem muito amb\u00edguo, muito contradit\u00f3rio, como somos todos n\u00f3s. Francisco de Assis Barbosa escreveu em um momento em que ningu\u00e9m conhecia Lima Barreto. Ele tinha que construir esse personagem, apresentar como uma v\u00edtima da sociedade. E ele foi, mas no livro eu tento mostrar que nem sempre ele tinha uma postura de admirar. Ele foi muito contra Jo\u00e3o do Rio e a quest\u00e3o da homossexualidade, por exemplo. Era uma pessoa com projeto de entrar na literatura pela via do contra, que nem sempre era agrad\u00e1vel. Al\u00e9m da contradi\u00e7\u00e3o entre \u201ctriste\u201d e \u201cvision\u00e1rio\u201d, voc\u00ea tem a contradi\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios termos. Triste \u00e9 uma pessoa ca\u00edda, chateada, \u00e9 um termo que Lima Barreto usa muito. Mas, em S\u00e3o Paulo e no Rio, quando a gente fala que uma pessoa \u00e9 triste, \u00e9 tamb\u00e9m porque ela n\u00e3o desiste. Se pensar em vision\u00e1rio, pode pensar em algu\u00e9m \u00e0 frente de seu tempo, mas se pegar no Lima mesmo, ele usa vision\u00e1rio no \u201cTriste Fim de Policarpo Quaresma\u201d, quando Floriano Peixoto, que \u00e9 o \u00fanico personagem hist\u00f3rico propriamente dito, entra no romance e os dois t\u00eam uma conversa r\u00edspida, porque Policarpo quer introduzir o tupi-guarani como l\u00edngua nacional. Floriano diz: \u201cPolicarpo, tu \u00e9s um vision\u00e1rio\u201d. Ent\u00e3o, para o Lima, vision\u00e1rio \u00e9 uma pessoa de vis\u00e3o, mas \u00e9 tamb\u00e9m uma pessoa louca, ensandecida. Floriano n\u00e3o est\u00e1 fazendo um elogio. Tentei dar essa ambiguidade nessa rela\u00e7\u00e3o dos termos.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-394813 size-full jetpack-lazy-image--handled\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/20171019-jornal-sul21-gs-171017-6598-01.jpg?resize=640%2C427&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px\" srcset=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/20171019-jornal-sul21-gs-171017-6598-01.jpg 900w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/20171019-jornal-sul21-gs-171017-6598-01-200x133.jpg 200w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/20171019-jornal-sul21-gs-171017-6598-01-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/20171019-jornal-sul21-gs-171017-6598-01-768x512.jpg 768w\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"427\" data-lazy-loaded=\"1\" \/><\/p>\n<p><em>\u201cEu adoro uma defini\u00e7\u00e3o do Lima Barreto, que ele diz que no Brasil, n\u00e3o h\u00e1 povo, s\u00f3 h\u00e1 p\u00fablico\u201d<\/em><\/p>\n<p><strong>Sul21: Sobre a import\u00e2ncia dele, na literatura? Por que passado quase um s\u00e9culo da morte dele, a presen\u00e7a de escritores negros com destaque na literatura brasileira ainda \u00e9 t\u00e3o escassa?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Lilia:<\/strong>\u00a0O professor Alfredo Bose tem uma defini\u00e7\u00e3o que eu gosto muito. Ele diz que Lima Barreto, Luis Gama e Cruz e Sousa n\u00e3o se conheceram, mas existe um fio existencial que os une. Esse fio \u00e9 a dor e \u00e9 a experi\u00eancia das popula\u00e7\u00f5es negras, no Brasil. Se voc\u00ea pensar em 1890, no censo, 50% da popula\u00e7\u00e3o era negra. No censo de 1900, tiraram o crit\u00e9rio racial para n\u00e3o constatar que a popula\u00e7\u00e3o seria muito mais, se voc\u00ea pensar na subnotifica\u00e7\u00e3o. Lima Barreto vai falar em um momento em que, a despeito da popula\u00e7\u00e3o afro-descendente ser majorit\u00e1ria, voc\u00ea conta em uma m\u00e3o os autores que diziam fazer uma literatura negra. Eu n\u00e3o acredito que existe uma literatura negra como forma. O que existe, na minha opini\u00e3o, \u00e9 uma literatura como a de Lima que, primeiro, d\u00e1 protagonismo para personagens negros. Segundo, as situa\u00e7\u00f5es que vivem esses personagens negros fazem enorme diferen\u00e7a na narrativa. O que \u00e9 muito importante. E terceiro, ele descreve com imenso cuidado a cor dos personagens. Ou seja, para ele, a ra\u00e7a importa.<\/p>\n<p><strong>Sul21: Que hist\u00f3ria dele tu achas que ajuda a resumir quem foi Lima Barreto?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Lilia:<\/strong>\u00a0H\u00e1 muitas hist\u00f3rias. Eu adoro uma defini\u00e7\u00e3o dele, que ele diz que no Brasil, n\u00e3o h\u00e1 povo, s\u00f3 h\u00e1 p\u00fablico. Ele n\u00e3o podia imaginar a internet, mas nunca foi t\u00e3o atual essa ideia de que aqui n\u00e3o h\u00e1 povo, s\u00f3 p\u00fablico. Tem uma passagem que eu gosto muito, quando foram fazer uma recep\u00e7\u00e3o na Embaixada do Chile e ele foi convidado. Todo mundo entrava, ningu\u00e9m pedia convite, mas pra ele pediram. Ent\u00e3o, ele escreveu: \u2018para mim, pediram convite, e eu n\u00e3o gostei\u2019.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"kmMGOAMvOq\"><p><a href=\"https:\/\/sul21.com.br\/entrevistasz_areazero\/2017\/10\/e-impressionante-que-um-pais-de-escravidao-tao-longa-tenha-autoconcepcao-de-que-nao-e-violento\/\">&#8216;\u00c9 impressionante que um pa\u00eds de escravid\u00e3o t\u00e3o longa tenha a autoconcep\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o \u00e9 violento&#8217;<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;&#8216;\u00c9 impressionante que um pa\u00eds de escravid\u00e3o t\u00e3o longa tenha a autoconcep\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o \u00e9 violento&#8217;&#8221; &#8212; Sul 21\" src=\"https:\/\/sul21.com.br\/entrevistasz_areazero\/2017\/10\/e-impressionante-que-um-pais-de-escravidao-tao-longa-tenha-autoconcepcao-de-que-nao-e-violento\/embed\/#?secret=xJdxCfM4nY#?secret=kmMGOAMvOq\" data-secret=\"kmMGOAMvOq\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fernanda Canofre &#8211;\u00a0Professora da USP e de Princeton, a antrop\u00f3loga Lilia Moritz Schwarcz focou seu trabalho na quest\u00e3o racial no Brasil. 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