{"id":7425,"date":"2018-03-08T17:30:19","date_gmt":"2018-03-08T20:30:19","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=7425"},"modified":"2018-03-08T17:22:24","modified_gmt":"2018-03-08T20:22:24","slug":"o-grande-desafio-da-saude-publica-no-brasil-e-o-enfrentamento-da-violencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2018\/03\/08\/o-grande-desafio-da-saude-publica-no-brasil-e-o-enfrentamento-da-violencia\/","title":{"rendered":"O grande desafio da sa\u00fade p\u00fablica no Brasil \u00e9 o enfrentamento da viol\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p><strong>Patricia Fachin<\/strong>\u00a0&#8211; Se na d\u00e9cada de 1980 o principal desafio na \u00e1rea da\u00a0sa\u00fade p\u00fablica\u00a0era reduzir os \u00edndices de\u00a0mortalidade infantil, \u201choje o grande desafio \u00e9 reduzir a\u00a0mortalidade entre jovens e adolescentes\u00a0que est\u00e3o sendo assassinados\u201d no campo e na cidade, diz o especialista em Sa\u00fade Ambiental\u00a0Fernando Carneiro\u00a0\u00e0\u00a0IHU On-Line.<\/p>\n<p>Segundo ele, embora historicamente a viol\u00eancia tenha sido mais recorrente em\u00a0zonas urbanas de pobreza, hoje, diz, a\u00a0viol\u00eancia\u00a0n\u00e3o se restringe mais \u00e0s cidades. \u201cN\u00e3o existe mais aquela situa\u00e7\u00e3o id\u00edlica de que viver no campo \u00e9 sin\u00f4nimo de n\u00e3o ter viol\u00eancia. O que percebemos, especialmente no\u00a0Cear\u00e1, \u00e9 que a\u00a0viol\u00eancia no interior\u00a0chegou com muita for\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>Na entrevista a seguir, concedida por telefone,\u00a0Carneiro\u00a0explicita as causas da\u00a0viol\u00eancia\u00a0e frisa que ela est\u00e1 associada ao modelo de desenvolvimento econ\u00f4mico, aos conflitos nas comunidades, aos problemas familiares e \u00e0 aus\u00eancia do\u00a0Estado\u00a0no campo. \u201cNos \u00faltimos dez anos, temos visto aumentar a\u00a0viol\u00eancia\u00a0que est\u00e1 relacionada com a\u00a0disputa por \u00e1gua. Em muitas dessas comunidades, empres\u00e1rios colocam motobombas de forma ilegal para sugar a \u00e1gua dos rios de modo a utiliz\u00e1-la nas\u00a0planta\u00e7\u00f5es do agroneg\u00f3cio, deixando as comunidades \u00e0 deriva\u201d, denuncia.<\/p>\n<p>Carneiro\u00a0destaca ainda que as\u00a0mulheres t\u00eam sido as maiores v\u00edtimas da viol\u00eancia. \u201cRealizamos alguns estudos comparando a situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia entre a\u00a0mulher urbana e a rural. Entre 2010 e 2012 o\u00a0Sistema de Informa\u00e7\u00e3o de Agravos de Notifica\u00e7\u00e3o \u2013 Sinan do SUS\u00a0mostrou que ocorreram 367.400 casos de viol\u00eancia e 66% desses casos foram contra\u00a0mulheres. Ent\u00e3o, quando discutimos viol\u00eancia, percebemos nesse universo a import\u00e2ncia da mulher. Esses dados ainda precisam ser avaliados segundo a \u2018ponta do iceberg\u2019. Por exemplo, na\u00a0\u00e1rea de agrot\u00f3xico, a cada caso notificado, outros 50 n\u00e3o foram notificados. No caso da\u00a0viol\u00eancia contra as mulheres, precisamos buscar essa informa\u00e7\u00e3o de subnotifica\u00e7\u00e3o por conta de todas as barreiras que as mulheres encontram para denunciar casos de viol\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>Fernando Carneiro\u00a0estar\u00e1 no\u00a0Instituto Humanitas Unisinos \u2013 IHU\u00a0no dia 20 de mar\u00e7o, participando do\u00a0Ciclo de estudos e debates Viol\u00eancias no mundo contempor\u00e2neo. Interfaces, resist\u00eancias e enfrentamentos, ministrando a palestra\u00a0M\u00faltiplas faces da viol\u00eancia contra as popula\u00e7\u00f5es do campo, da floresta e das \u00e1guas e as alternativas democr\u00e1ticas.<\/p>\n<div class=\"ihu-small-image-left\">\n<div class=\"news-image-credits\">\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2016\/ESCOLHER_A_FOTO.jpg?w=640\" alt=\"\" \/><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2018\/03\/07_03_fernando-carneiro_foto_andriollicosta.jpg?w=640\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p><em>Fernando Carneiro<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/539755-agrotoxicos-perspectivas-de-uma-desregulamentacao-na-legislacao-sao-enormes-entrevista-especial-com-fernando-carneiro-\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Fernando Carneiro<\/a>\u00a0\u00e9 graduado em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas pela Universidade Federal de Minas Gerais \u2013 UFMG, especialista em Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade Ambiental pela Universidade Federal do Rio de Janeiro \u2013 UFRJ, mestre em Ci\u00eancias da Sa\u00fade \u2014 \u00e1rea de Concentra\u00e7\u00e3o de Sa\u00fade Ambiental pelo Instituto Nacional de Salud P\u00fablica de M\u00e9xico e doutor em Epidemiologia pela UFMG. Atualmente \u00e9 p\u00f3s-doutor do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, tendo como orientador o Prof. Boaventura de Sousa Santos. Foi consultor do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e servidor da Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria. \u00c9 pesquisador da Fiocruz Cear\u00e1 e do NESP UnB. Atualmente integra o GT de Sa\u00fade e Ambiente da Abrasco e o Observat\u00f3rio da Pol\u00edtica Nacional de Sa\u00fade Integral das Popula\u00e7\u00f5es do Campo, da Floresta e das \u00c1guas \u2013 Teia de Saberes e Pr\u00e1ticas &#8211; Obteia.<\/p>\n<p><strong>Confira a entrevista.<\/strong><\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; O que as pesquisas que o senhor tem desenvolvido no Observat\u00f3rio Sa\u00fade Integral das Popula\u00e7\u00f5es do Campo, da Floresta e das \u00c1guas \u2013 Teia de Saberes e Pr\u00e1ticas \u2013 Obteia, nos \u00faltimos anos, revelam sobre a viol\u00eancia contra as popula\u00e7\u00f5es do campo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Fernando Carneiro \u2013<\/strong>\u00a0A\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/575513-balanco-da-questao-agraria-brasileira-em-2017\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">viol\u00eancia no campo<\/a>\u00a0\u00e9 um tema que n\u00f3s\u00a0<strong>pesquisadores da sa\u00fade<\/strong>\u00a0podemos considerar como um bom exemplo para explicar o que \u00e9 o conceito \u201c<strong>Determina\u00e7\u00e3o Social da Sa\u00fade<\/strong>\u201d. Esse conceito foi constru\u00eddo ao longo da hist\u00f3ria da luta por mais sa\u00fade no mundo e trata de quest\u00f5es de \u00e2mbito individual, comunit\u00e1rio e estrutural. Ent\u00e3o, quando falamos de viol\u00eancia, estamos falando de m\u00faltiplas faces da viol\u00eancia. Existe a viol\u00eancia dom\u00e9stica, intrafamiliar, que ocorre entre parentes e conhecidos. Al\u00e9m disso, existe a viol\u00eancia associada ao lugar onde se mora; hoje n\u00e3o existe mais aquela situa\u00e7\u00e3o id\u00edlica de que viver no campo \u00e9 sin\u00f4nimo de n\u00e3o ter viol\u00eancia.<\/p>\n<p>O que percebemos, especialmente no\u00a0<strong>Cear\u00e1<\/strong>, \u00e9 que a\u00a0<strong>viol\u00eancia no interior<\/strong>\u00a0chegou com muita for\u00e7a. Para se ter uma ideia, numa das comunidades rurais onde estamos fazendo a pesquisa do Obteia, foi assassinado um conselheiro local de sa\u00fade. Foi na zona rural de Tau\u00e1, Sert\u00e3o dos Inhamus. Ele havia ido buscar sua aposentadoria no banco e foi cercado por um grupo de encapuzados quanto estava no chamado \u201ccarro de hor\u00e1rio\u201d (popular pau de arara) em plena zona rural remota. Quando ele desceu do caminh\u00e3o e colocou a m\u00e3o na perna, os assaltantes acharam que ele iria reagir, e o fuzilaram. Ent\u00e3o, nesses lugares geralmente isolados, as popula\u00e7\u00f5es t\u00eam sido v\u00edtimas de emboscadas e assaltos. Essa \u00e9 uma viol\u00eancia associada ao descaso do Estado, que n\u00e3o garante seguran\u00e7a \u00e0s fam\u00edlias. Outro tipo de viol\u00eancia, cComo sabemos, \u00e9 relatada pelaa Comiss\u00e3o Pastoral da Terra &#8211; CPT que publica desde 1983 um documento sobre as quest\u00f5es de viol\u00eancia no campo, mas casos s\u00e3o tamb\u00e9m pouco investigados. Somente em 2016, segundo a CPT, ocorreram um n\u00famero crescente de viol\u00eancia e conflitos no campo. Foram 1079 conflitos por terra e 172 conflitos por \u00e1gua, esse \u00faltimo o n\u00famero mais elevado desde que a CPT iniciou o registro em separado destes conflitos em 2002.<\/p>\n<h3>Viol\u00eancia associada ao uso da \u00e1gua<\/h3>\n<p>Nos \u00faltimos dez anos, temos visto aumentar a\u00a0<strong>viol\u00eancia<\/strong>\u00a0que est\u00e1 relacionada com a disputa por \u00e1gua. Em muitas dessas comunidades, empres\u00e1rios colocam motobombas de forma ilegal para sugar a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/566865-crescem-os-conflitos-pela-agua-no-brasil-entre-as-causas-mineracao-e-agronegocio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u00e1gua<\/a>\u00a0dos rios de modo a utiliz\u00e1-la nas planta\u00e7\u00f5es do\u00a0<strong>agroneg\u00f3cio<\/strong>, deixando as comunidades \u00e0 deriva.\u00a0Pude presenciar isso pessoalmente em comunidades quilombolas na Bahia no Vale do S\u00e3o Francisco durante uma Caravana Agroecol\u00f3gica do Semi \u00c1rido Bahiano. As comunidades, inclusive, s\u00e3o amea\u00e7adas de morte. Ent\u00e3o, a panor\u00e2mica inicial se d\u00e1 nesses termos: existe uma\u00a0<strong>viol\u00eancia intrafamiliar<\/strong>, uma viol\u00eancia entre as comunidades e uma\u00a0<strong>viol\u00eancia estrutural<\/strong>.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1980 o grande desafio da \u00e1rea de\u00a0<strong>sa\u00fade p\u00fablica<\/strong>\u00a0era reduzir a mortalidade infantil, mas hoje o grande desafio \u00e9 reduzir a\u00a0<strong>mortalidade<\/strong>\u00a0entre jovens e adolescentes que est\u00e3o sendo assassinados. O\u00a0n\u00famero de mortes hoje no Brasil \u00e9 maior que o n\u00famero de mortes na S\u00edria, que est\u00e1 em guerra, e 80% dos assassinados s\u00e3o negros. Segundo o\u00a0<strong>F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica<\/strong>\u00a0foram\u00a0278.839 ocorr\u00eancias de homic\u00eddio doloso, latroc\u00ednio, les\u00e3o corporal seguida de morte e mortes decorrentes de interven\u00e7\u00e3o policial no Brasil, de janeiro de 2011 a dezembro de 2015, frente a 256.124 mortes violentas na S\u00edria, entre mar\u00e7o de 2011 a dezembro de 2015, de acordo com o Observat\u00f3rio de Direitos Humanos da S\u00edria. Essa \u00e9 uma caracter\u00edstica urbana, mas tamb\u00e9m est\u00e1 se interiorizando.<\/p>\n<p>Nosso observat\u00f3rio tem como foco trabalhar com as popula\u00e7\u00f5es de campo, florestas e \u00e1gua, denominadas classicamente de rural, mas essa denomina\u00e7\u00e3o n\u00e3o cabe mais para classific\u00e1-las, porque os extrativistas que vivem na\u00a0<strong>Amaz\u00f4nia<\/strong>\u00a0n\u00e3o se consideram camponeses, pois eles vivem da floresta. Do mesmo modo, uma\u00a0<strong>pescadora da ilha da Mar\u00e9<\/strong>, em\u00a0<strong>Salvador<\/strong>, n\u00e3o se considera agricultora, mas marisqueira. Ent\u00e3o, os movimentos sociais constru\u00edram esses novos conceitos, e uma das bandeiras de luta deles \u00e9 o destaque que se d\u00e1 \u00e0\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/563810-ideologia-de-genero-violencia-contra-a-mulher\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">viol\u00eancia contra as mulheres<\/a>.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Por que a viol\u00eancia contra as mulheres camponesas merece destaque na an\u00e1lise sobre viol\u00eancia no campo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Fernando Carneiro \u2013<\/strong>\u00a0Porque as\u00a0<strong>mulheres<\/strong>\u00a0t\u00eam sido as maiores v\u00edtimas de\u00a0<strong>viol\u00eancia<\/strong>. Existem duas quest\u00f5es principais que ajudam a responder \u00e0 pergunta. A primeira \u00e9 que no campo tudo \u00e9 mais dif\u00edcil, o acesso \u00e0 sa\u00fade e a direitos \u00e9 muito mais restrito. A segunda quest\u00e3o est\u00e1 associada \u00e0 an\u00e1lise de\u00a0<strong>g\u00eanero<\/strong>: as mulheres sofrem por conta do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/565579-o-machismo-de-temer-fortalece-a-violencia-contra-a-mulher-no-brasil\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">machismo<\/a>\u00a0e do patriarcado; at\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s somente os homens tinham o direito de receber lotes de terra em seu nome nos Programas de Reforma Agr\u00e1ria.<\/p>\n<p>Realizamos alguns estudos comparando a<strong>\u00a0situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia<\/strong>\u00a0entre a\u00a0<strong>mulher urbana<\/strong>\u00a0e a\u00a0<strong>rural<\/strong>. Entre 2010 e 2012 o\u00a0<strong>Sistema de Informa\u00e7\u00e3o de Agravos de Notifica\u00e7\u00e3o \u2013 Sinan<\/strong>\u00a0mostrou que ocorreram 367.400 casos de viol\u00eancia e 66% desses casos foram contra mulheres. Ent\u00e3o, quando discutimos viol\u00eancia, percebemos nesse universo a import\u00e2ncia da mulher. Esses dados ainda precisam ser avaliados segundo a \u201cponta do iceberg\u201d. Por exemplo,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/169-noticias\/noticias-2015\/550208-estudo-aponta-subnotificacao-de-mortes-por-agrotoxicos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">na \u00e1rea de agrot\u00f3xico<\/a>, a cada caso notificado, outros 50 n\u00e3o foram notificados. No caso da\u00a0<strong>viol\u00eancia contra as mulheres<\/strong>, precisamos buscar essa informa\u00e7\u00e3o de subnotifica\u00e7\u00e3o por conta de todas as barreiras que as mulheres encontram para denunciar casos de viol\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Em quais estados a viol\u00eancia no campo \u00e9 recorrente?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Fernando Carneiro \u2013<\/strong>\u00a0Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 viol\u00eancia nos estados da federa\u00e7\u00e3o, fizemos uma classifica\u00e7\u00e3o da<strong>\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/568884-roraima-e-o-estado-mais-letal-para-mulheres-diz-relatorio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">viol\u00eancia contra a mulher rural<\/a><\/strong>\u00a0neste mesmo per\u00edodo entre 2010 e 2012. O\u00a0<strong>Distrito Federal<\/strong>\u00a0\u00e9 o estado que tem a maior\u00a0<strong>taxa de viol\u00eancia no campo<\/strong>: 263 a cada 100 mil mulheres, seguido dos estados do\u00a0<strong>Acre<\/strong>\u00a0e<strong>\u00a0S\u00e3o Paulo<\/strong>. Eu vivi 15 anos em Bras\u00edlia e a zona rural de l\u00e1 fica a meia hora da cidade, ent\u00e3o, existe uma s\u00e9rie de condi\u00e7\u00f5es que nos fazem perguntar se h\u00e1 mais viol\u00eancia de fato em Bras\u00edlia ou se as mulheres de l\u00e1 est\u00e3o mais empoderadas do que as de outros estados\u00a0ou contando com pol\u00edticas p\u00fablicas que est\u00e3o garantindo apoio para visibilizar a viol\u00eancia. Eu confesso que esses s\u00e3o dados iniciais e ainda temos de analis\u00e1-los para responder a essa quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m fizemos uma caracteriza\u00e7\u00e3o de quem s\u00e3o os agressores. Em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00famero de agressores envolvidos na viol\u00eancia, 69,9% dos casos relatados registraram apenas um agressor, e o sexo masculino \u00e9 respons\u00e1vel por 66,7% dos casos de agress\u00e3o. Os principais agressores das crian\u00e7as s\u00e3o amigos e conhecidos. Desses, 16,8% s\u00e3o a pr\u00f3pria m\u00e3e e 15,9%, o pr\u00f3prio pai. Se somarmos as viol\u00eancias cometidas pela m\u00e3e, o pai e o padrasto, chegamos a um percentual de mais de 42% de viol\u00eancia. Esses dados corroboram o que outros estudos j\u00e1 fizeram em rela\u00e7\u00e3o a quem s\u00e3o os agressores na fam\u00edlia. Por isso eu falei inicialmente em determina\u00e7\u00e3o social, porque quase metade da\u00a0<strong>viol\u00eancia cometida contra crian\u00e7as<\/strong>\u00a0ocorre dentro de casa. Depois, soma-se a isso a viol\u00eancia nas comunidades e a viol\u00eancia decorrente da estrutura do Estado. Todos esses tipos de viol\u00eancia se relacionam e se potencializam em termos rurais, sociais e de ra\u00e7a. A\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/558109-e-preciso-discutir-por-que-a-mulher-negra-e-a-maior-vitima-de-estupro-no-brasil\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ra\u00e7a negra \u00e9 potencializada<\/a>; basta vermos toda a quest\u00e3o do\u00a0<strong>racismo<\/strong>.Com a\u00a0 ra\u00e7a negra a quest\u00e3o \u00e9 potencializada. Mais recentemente a Escola de Samba Para\u00edso Tuiuti, segundo lugar no Carnaval do Rio de Janeiro; basta vermos toda a quest\u00e3o do mostrou de forma brilhante as consequ\u00eancias ainda atuais do racismo e da heran\u00e7a dos tempos da escravid\u00e3o para o Brasil.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; O senhor disse que hoje o campo n\u00e3o \u00e9 mais um ambiente tranquilo como foi antigamente e especialmente nos \u00faltimos anos t\u00eam aumentado os \u00edndices de viol\u00eancia nas \u00e1reas rurais. \u00c9 poss\u00edvel estabelecer uma compara\u00e7\u00e3o entre a viol\u00eancia que ocorre no campo e nos espa\u00e7os urbanos de modo geral?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Fernando Carneiro \u2013<\/strong>\u00a0S\u00e3o din\u00e2micas distintas. O que se sabia historicamente \u00e9 que a viol\u00eancia era mais recorrente em zonas urbanas de pobreza, onde a viol\u00eancia era mais concentrada, mas temos percebido que ela n\u00e3o se restringe mais \u00e0s cidades e \u00e1reas industriais. Por outro lado, os dados do dossi\u00ea da CPT v\u00eam mostrando que ap\u00f3s o golpe midi\u00e1tico, pol\u00edtico e institucional, os casos de viol\u00eancia no campo est\u00e3o aumentando. A tend\u00eancia foi que os latifundi\u00e1rios e o agroneg\u00f3cio ganharam uma \u201clicen\u00e7a para matar\u201d e se agudizou a situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Nos governos progressistas est\u00e1vamos continuando a viver num modelo de desenvolvimento neoextrativista, e o pa\u00eds conseguiu resistir \u00e0 crise econ\u00f4mica de 2008 com a contribui\u00e7\u00e3o da exporta\u00e7\u00e3o de commodities minerais e agr\u00edcolas. Por\u00e9m, para esses setores de minera\u00e7\u00e3o e agroneg\u00f3cio, as comunidades camponesas s\u00e3o \u201cum empecilho ao desenvolvimento. Ent\u00e3o, eles utilizam recursos, entre eles a viol\u00eancia, para retirar essas popula\u00e7\u00f5es dos seus territ\u00f3rios.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line &#8211; Que tipo de a\u00e7\u00f5es e pol\u00edticas ajudariam a combater a viol\u00eancia no campo j\u00e1 que ela tem v\u00e1rias facetas, como esse aspecto estrutural do Estado, mas tamb\u00e9m a quest\u00e3o intrafamiliar?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Fernando Carneiro \u2013<\/strong>\u00a0Trabalhar a quest\u00e3o da\u00a0<strong>viol\u00eancia<\/strong>, hoje, exige a\u00e7\u00f5es intersetoriais, a participa\u00e7\u00e3o social e o foco nos diversos n\u00edveis de viol\u00eancia. N\u00e3o existe uma solu\u00e7\u00e3o unilateral. A\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/576194-intervencao-no-rio-de-janeiro-e-mais-uma-encenacao-politico-midiatica-entrevista-especial-com-jose-claudio-alves\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">op\u00e7\u00e3o feita em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s favelas do Rio de Janeiro<\/a>, por exemplo, \u00e9 a pior. Se formos discutir as causas da viol\u00eancia, a primeira quest\u00e3o a ser trabalhada \u00e9 o\u00a0<strong>modelo de desenvolvimento<\/strong>, porque \u00e9 preciso um modelo que valorize e leve mais sa\u00fade a essas comunidades de modo que elas n\u00e3o sejam tratadas como um empecilho ao desenvolvimento. Ent\u00e3o, a primeira quest\u00e3o \u00e9 uma valoriza\u00e7\u00e3o dessas popula\u00e7\u00f5es. A agroecologia demonstra que \u00e9 poss\u00edvel ter um outro tipo de rela\u00e7\u00e3o com essas pessoas e a produ\u00e7\u00e3o, com mais\u00a0 sustentabilidade ambiental, solidariedade, distribui\u00e7\u00e3o de renda e rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero mais equilibradas e, nesse sentido, a agroecologia responde a um modelo que esperamos.<\/p>\n<p>O segundo aspecto tem a ver com o territ\u00f3rio. S\u00e3o popula\u00e7\u00f5es que precisam participar junto com o\u00a0<strong>Estado<\/strong>\u00a0de a\u00e7\u00f5es relacionadas a modelos participativos de seguran\u00e7a e elas precisam ter uma certa prote\u00e7\u00e3o de longo prazo. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel deix\u00e1-las largadas no \u201cmeio do mato\u201d, sem apoio. Veja que os bandidos n\u00e3o encontram dificuldades em fazer assaltos e explodir ag\u00eancias banc\u00e1rias no interior. Ent\u00e3o deveria existir um<strong>\u00a0plano de seguran\u00e7a p\u00fablica<\/strong>\u00a0que levasse em conta as especificidades dessas popula\u00e7\u00f5es. No entanto, o Estado tem atuado em parceria com o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/563946-agronegocio-na-amazonia-logistica-e-tecnologia-sustentam-modelo-colonialista\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">agroneg\u00f3cio<\/a>\u00a0para acobertar os crimes, e n\u00e3o como um protetor.<\/p>\n<p>A outra quest\u00e3o, que \u00e9 uma das mais desafiadoras, \u00e9 a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/574078-numero-de-mulheres-vitimas-de-abuso-sexual-e-violencia-domestica-crescem-no-brasil\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">viol\u00eancia intrafamiliar<\/a>. Para lidar com essa viol\u00eancia, a escola e a \u00e1rea da sa\u00fade \u2014 para falar de dois setores apenas \u2014 podem desempenhar um papel importante no sentido de estimular pr\u00e1ticas de empoderamento para as mulheres para que elas possam denunciar os<strong>\u00a0casos de viol\u00eancia<\/strong>. \u00c9 preciso solidificar os mecanismos que j\u00e1 existem, e a \u00e1rea da sa\u00fade deve entender que tem um papel a desempenhar no tratamento desses casos, porque casos de viol\u00eancia podem gerar traumas para a vida toda. Ent\u00e3o, \u00e9 importante criar grupos para discutir a\u00a0<strong>cultura de paz<\/strong>\u00a0nos munic\u00edpios para encontrar formas de solucionar esses casos. N\u00e3o acredito em solu\u00e7\u00f5es m\u00e1gicas, porque a\u00a0<strong>viol\u00eancia<\/strong>\u00a0tem m\u00faltiplas facetas, mas o grande tema da\u00a0<strong>sa\u00fade p\u00fablica<\/strong>\u00a0no\u00a0<strong>Brasil<\/strong>\u00a0hoje \u00e9 o\u00a0<strong>enfrentamento da viol\u00eancia<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2014 Qual \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o de acesso \u00e0 sa\u00fade dessas comunidades? Quais s\u00e3o os programas e pol\u00edticas que t\u00eam contribu\u00eddo para a promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o do campo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Fernando Carneiro \u2014<\/strong>\u00a0A quest\u00e3o da\u00a0<strong>sa\u00fade no campo<\/strong>\u00a0foi tema da minha tese de doutorado. Ao longo da hist\u00f3ria, o\u00a0<strong>Estado brasileiro<\/strong>\u00a0interveio na sa\u00fade dessas popula\u00e7\u00f5es quando teve interesse em ter m\u00e3o de obra sadia para explorar os recursos naturais do pa\u00eds. Isso aconteceu na \u00e9poca da borracha e do caf\u00e9, quando foram criados \u00f3rg\u00e3os e foram feitas campanhas de sa\u00fade p\u00fablica. Esse foi um dos momentos em que o Estado entendeu que era preciso, para garantir a extra\u00e7\u00e3o desses recursos naturais, cuidar da sa\u00fade dessas comunidades. Um pouco antes da\u00a0<strong>ditadura<\/strong>, as\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/567764-um-elo-entre-a-ditadura-e-o-agronegocio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ligas camponesas<\/a>come\u00e7aram a pressionar o governo e, finalmente, come\u00e7aram a ter visibilidade pol\u00edtica com a\u00e7\u00f5es que pediam a reforma agr\u00e1ria. Veio o golpe militar e foi criado o\u00a0<strong>Funrural<\/strong>. A cria\u00e7\u00e3o do\u00a0<strong>Funrural<\/strong>\u00a0teve como estrat\u00e9gia colocar dinheiro nos sindicatos dos trabalhadores rurais, e os sindicatos ficaram t\u00e3o ocupados com a m\u00e1quina de preserva\u00e7\u00e3o do sistema, que viraram muitas vezes \u201cchapa branca\u201d \u2014 foi a\u00ed que surgiu o termo \u201cpelego\u201d. De todo modo, essa foi a estrat\u00e9gia que a\u00a0<strong>ditadura militar<\/strong>\u00a0utilizou para calar as ligas camponesas.<\/p>\n<p>Depois, com o advento do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/edicao\/491\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Sistema \u00danico de Sa\u00fade &#8211; SUS<\/a>, esse tema ficou marginal at\u00e9 o aparecimento de grandes movimentos camponeses, como o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/551040-mst-comemora-32-anos-de-fundacao-com-120-mil-familias-acampadas-no-pais\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra<\/a>\u00a0e a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/545658-marcha-das-margaridas-32-anos-depois-lider-ainda-influencia-mulheres-do-campo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Marcha das Margaridas<\/a>, que durante o\u00a0<strong>governo Lula<\/strong>fizeram uma press\u00e3o para ter uma resposta mais firme para os problemas de\u00a0<strong>sa\u00fade p\u00fablica da popula\u00e7\u00e3o do campo<\/strong>. Esse processo culminou em 2003 na cria\u00e7\u00e3o do chamado\u00a0<strong>Grupo da Terra<\/strong>, que juntou movimentos sociais, governo e representantes da academia para desenvolver uma\u00a0<strong>pol\u00edtica p\u00fablica de acesso \u00e0 sa\u00fade<\/strong>. Demorou quase oito anos, mas em 2011 foi criada a\u00a0<strong>Pol\u00edtica Nacional de Sa\u00fade Integral das Popula\u00e7\u00f5es do Campo, da Floresta e das \u00c1guas \u2013 PNSIPCFA<\/strong>. Essa pol\u00edtica tem um diferencial, porque realmente foi constru\u00edda com os movimentos sociais, e eles se reconhecem nela.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos essa pol\u00edtica conseguiu dar mais\u00a0<strong>recursos para as equipes de sa\u00fade da fam\u00edlia<\/strong>\u00a0que atendem nas \u00e1reas rurais. Essas equipes precisam de recursos porque elas gastam mais tempo no deslocamento. Na Amaz\u00f4nia, por exemplo, s\u00e3o necess\u00e1rios dois dias para se chegar de barco em comunidades no mesmo munic\u00edpio. Quem vive no Sert\u00e3o precisa passar por in\u00fameras porteiras, ou seja, uma equipe de sa\u00fade da fam\u00edlia leva, em alguns casos, o dia todo para trabalhar em somente uma comunidade rural. Obviamente, \u00e9 mais caro atender a essas comunidades que vivem em regi\u00f5es distantes. Por isso, um dos desafios postos a essa pol\u00edtica \u00e9 justamente a necessidade de criar um aumento de recursos para essas equipes, mas por enquanto isso acabou para o atual governo federal.<\/p>\n<h3>Pol\u00edtica de combate a agrot\u00f3xicos<\/h3>\n<p>Outra pol\u00edtica considerada importante foi aquela que teve um impacto na\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/571889-debate-sobre-reducao-de-agrotoxicos-incomoda-ruralistas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">redu\u00e7\u00e3o dos agrot\u00f3xicos<\/a>. Durante um ano os estados da federa\u00e7\u00e3o tiveram recursos para implementar programas de vigil\u00e2ncia a popula\u00e7\u00f5es que viviam em regi\u00f5es em que se usavam agrot\u00f3xicos. Outra pol\u00edtica que continua garantindo acesso \u00e0 sa\u00fade foi o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/557413-mais-medicos-completa-tres-anos-ainda-sob-ataque\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Programa Mais M\u00e9dicos<\/a>, que colocou quase 13 mil m\u00e9dicos, a maioria cubanos, em territ\u00f3rios remotos e long\u00ednquos. Eu tive relatos muito interessantes de moradores do campo sobre esse programa. Vou dar um exemplo: n\u00f3s est\u00e1vamos avaliando como era esse processo de sa\u00fade em uma comunidade rural do Sert\u00e3o do Cear\u00e1, quando uma das pessoas levantou a m\u00e3o e disse: \u201cEsse Programa Mais M\u00e9dicos \u00e9 bom, mas \u00e9 ruim ao mesmo tempo\u201d.<\/p>\n<p>Questionamos por que a pessoa achava o programa bom e ruim ao mesmo tempo e ela respondeu: \u201c\u00c9 bom porque agora realmente tem um m\u00e9dico para vir at\u00e9 n\u00f3s, que conversa e faz exames. Nunca tive isso. Antes o m\u00e9dico nem olhava para voc\u00ea e em um minuto acabava a consulta. Agora tem algu\u00e9m que cuida de n\u00f3s. Mas o lado ruim disso \u00e9 que n\u00e3o vai durar muito, porque as coisas boas, quando chegam para n\u00f3s, n\u00e3o duram muito\u201d. Esse \u00e9 um exemplo de como o povo \u00e9 desconfiado. Mas de fato, por conta da\u00a0<strong>crise<\/strong>\u00a0e do\u00a0<strong>golpe<\/strong>, 1\/3 do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/563131-corte-de-r-136-milhoes-no-sus-em-porto-alegre-e-uma-calamidade-alerta-conselho\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">dinheiro da sa\u00fade j\u00e1 foi reduzido<\/a>\u00a0para munic\u00edpios como esse e, por causa disso, muitos munic\u00edpios est\u00e3o querendo diminuir a\u00a0<strong>equipe de sa\u00fade da zona rural<\/strong>.\u00a0Est\u00e1 se vivendo muitos constrangimentos por causa desse tensionamento.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Uma recente pesquisa apoiada pelo Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Agr\u00e1rio calcula que 36% da popula\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 rural, sugerindo, com isso, que o n\u00famero da popula\u00e7\u00e3o rural brasileira \u00e9 maior do que at\u00e9 ent\u00e3o considerado pelo IBGE. Como o senhor avalia esses novos dados? Considerando esse percentual, que outras pol\u00edticas seriam necess\u00e1rias para atender \u00e0 popula\u00e7\u00e3o do campo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Fernando Carneiro \u2014<\/strong>\u00a0Essa informa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito interessante e temos feito muito debate em torno disso, porque oficialmente o\u00a0<strong>IBGE<\/strong>\u00a0considera a\u00a0<strong>popula\u00e7\u00e3o do campo<\/strong>basicamente o que n\u00e3o \u00e9 urbano, e quem decide isso s\u00e3o as C\u00e2maras Municipais. Muitas\u00a0<strong>\u00e1reas rurais<\/strong>\u00a0s\u00e3o consideradas\u00a0<strong>centros urbanos<\/strong>\u00a0apenas por conta de uma estrat\u00e9gia da prefeitura para conseguir\u00a0<strong>IPTU<\/strong>.<\/p>\n<p>De todo modo, esse dado revela que o rural tamb\u00e9m est\u00e1 escondido nas bases oficiais. Ent\u00e3o, como vamos criar pol\u00edticas de desenvolvimento se os dados oficiais est\u00e3o escondidos? Segundo o<strong>\u00a0Censo de 2010<\/strong>, a\u00a0<strong>popula\u00e7\u00e3o rural brasileira<\/strong>\u00a0era algo em torno de 16%, mas o dado do Minist\u00e9rio informa que temos quase o dobro desse percentual.\u00a0Segundo a pesquisadora Tania Bacelar, que coordenou esse estudo, 90% dos munic\u00edpios brasileiros t\u00eam menos de 5 mil habitantes, e que, sociologicamente, deveriam ser considerados zonas rurais, e n\u00e3o urbanas.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, o primeiro aspecto para resolver as quest\u00f5es de\u00a0<strong>pol\u00edticas p\u00fablicas<\/strong>\u00a0\u00e9 atualizarmos\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/519680-o-que-e-rural-e-o-que-e-urbano-no-brasil\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">o que denominamos como rural<\/a>, pois essa categoria n\u00e3o est\u00e1 dando conta de explicitar quem \u00e9 a popula\u00e7\u00e3o do campo hoje, e o pr\u00f3prio\u00a0<strong>IBGE<\/strong>\u00a0reconhece isso. No final do ano passado o IBGE divulgou um documento propondo uma nova forma de delimitar o rural, dada a press\u00e3o que est\u00e1 recebendo dos movimentos sociais e da sociedade.<\/p>\n<p>O segundo aspecto diz respeito \u00e0s<strong>\u00a0pol\u00edticas de governo<\/strong>. Hoje, para o governo, a prioridade \u00e9 apenas o\u00a0<strong>desenvolvimento<\/strong>. Enquanto essa quest\u00e3o pol\u00edtica n\u00e3o for superada, n\u00e3o haver\u00e1 alternativa para as popula\u00e7\u00f5es do campo. Hoje o governo quer\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/576655-uma-lei-para-aumentar-o-terrorismo-de-estado\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">transformar essas popula\u00e7\u00f5es em terroristas<\/a>. Existe um projeto de lei no Congresso Nacional que quer qualificar o MST como terrorista, por exemplo.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2014 Deseja acrescentar algo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Fernando Carneiro \u2014<\/strong>\u00a0Eu quero terminar dizendo que o tema da\u00a0<strong>viol\u00eancia nas comunidades do campo<\/strong>,\u00a0<strong>floresta<\/strong>\u00a0e das\u00a0<strong>\u00e1guas<\/strong>\u00a0est\u00e1 gritando e exigindo que mais pesquisadores se debrucem sobre ele. Os profissionais de sa\u00fade que atuam em \u00e1reas de viol\u00eancia est\u00e3o acostumados a se calar, a se omitir, porque quem quer trabalhar com viol\u00eancia, hoje, corre risco de vida. Esse \u00e9 um entendimento b\u00e1sico de quem quer trabalhar. N\u00f3s estamos lindando com uma situa\u00e7\u00e3o desafiadora e espero que mais pessoas possam estar se debru\u00e7ando sobre isso e pensando numa perspectiva emancipat\u00f3ria, envolvendo a sociedade para pensarmos solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/576687-o-grande-desafio-da-saude-publica-no-brasil-e-o-enfrentamento-da-violencia-entrevista-especial-com-fernando-carneiro<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Patricia Fachin\u00a0&#8211; Se na d\u00e9cada de 1980 o principal desafio na \u00e1rea da\u00a0sa\u00fade p\u00fablica\u00a0era reduzir os \u00edndices de\u00a0mortalidade infantil, \u201choje o grande desafio \u00e9 reduzir a\u00a0mortalidade entre jovens e adolescentes\u00a0que est\u00e3o sendo assassinados\u201d no campo e na cidade, diz o especialista em Sa\u00fade Ambiental\u00a0Fernando Carneiro\u00a0\u00e0\u00a0IHU On-Line. Segundo ele, embora historicamente a viol\u00eancia tenha sido mais [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":954,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[7],"tags":[65],"class_list":["post-7425","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-saude","tag-direitos-sociais"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.8 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>O grande desafio da sa\u00fade p\u00fablica no Brasil \u00e9 o enfrentamento da viol\u00eancia - Controversia<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2018\/03\/08\/o-grande-desafio-da-saude-publica-no-brasil-e-o-enfrentamento-da-violencia\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_PT\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"O grande desafio da sa\u00fade p\u00fablica no Brasil \u00e9 o enfrentamento da viol\u00eancia - Controversia\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Patricia Fachin\u00a0&#8211; Se na d\u00e9cada de 1980 o principal desafio na \u00e1rea da\u00a0sa\u00fade p\u00fablica\u00a0era reduzir os \u00edndices de\u00a0mortalidade infantil, \u201choje o grande desafio \u00e9 reduzir a\u00a0mortalidade entre jovens e adolescentes\u00a0que est\u00e3o sendo assassinados\u201d no campo e na cidade, diz o especialista em Sa\u00fade Ambiental\u00a0Fernando Carneiro\u00a0\u00e0\u00a0IHU On-Line. Segundo ele, embora historicamente a viol\u00eancia tenha sido mais [&hellip;]\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2018\/03\/08\/o-grande-desafio-da-saude-publica-no-brasil-e-o-enfrentamento-da-violencia\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Controversia\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/\" \/>\n<meta property=\"article:author\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2018-03-08T20:30:19+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/sus.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"810\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"540\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Ricardo Alvarez\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@https:\/\/twitter.com\/contro_versia\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@contro_versia\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Ricardo Alvarez\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Tempo estimado de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"20 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/03\\\/08\\\/o-grande-desafio-da-saude-publica-no-brasil-e-o-enfrentamento-da-violencia\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/03\\\/08\\\/o-grande-desafio-da-saude-publica-no-brasil-e-o-enfrentamento-da-violencia\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"Ricardo Alvarez\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"headline\":\"O grande desafio da sa\u00fade p\u00fablica no Brasil \u00e9 o enfrentamento da viol\u00eancia\",\"datePublished\":\"2018-03-08T20:30:19+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/03\\\/08\\\/o-grande-desafio-da-saude-publica-no-brasil-e-o-enfrentamento-da-violencia\\\/\"},\"wordCount\":3949,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/03\\\/08\\\/o-grande-desafio-da-saude-publica-no-brasil-e-o-enfrentamento-da-violencia\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2016\\\/06\\\/sus.jpg?fit=810%2C540&ssl=1\",\"keywords\":[\"Direitos sociais\"],\"articleSection\":[\"Sa\u00fade\"],\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/03\\\/08\\\/o-grande-desafio-da-saude-publica-no-brasil-e-o-enfrentamento-da-violencia\\\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/03\\\/08\\\/o-grande-desafio-da-saude-publica-no-brasil-e-o-enfrentamento-da-violencia\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/03\\\/08\\\/o-grande-desafio-da-saude-publica-no-brasil-e-o-enfrentamento-da-violencia\\\/\",\"name\":\"O grande desafio da sa\u00fade p\u00fablica no Brasil \u00e9 o enfrentamento da viol\u00eancia - Controversia\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/03\\\/08\\\/o-grande-desafio-da-saude-publica-no-brasil-e-o-enfrentamento-da-violencia\\\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/03\\\/08\\\/o-grande-desafio-da-saude-publica-no-brasil-e-o-enfrentamento-da-violencia\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2016\\\/06\\\/sus.jpg?fit=810%2C540&ssl=1\",\"datePublished\":\"2018-03-08T20:30:19+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/03\\\/08\\\/o-grande-desafio-da-saude-publica-no-brasil-e-o-enfrentamento-da-violencia\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/03\\\/08\\\/o-grande-desafio-da-saude-publica-no-brasil-e-o-enfrentamento-da-violencia\\\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/03\\\/08\\\/o-grande-desafio-da-saude-publica-no-brasil-e-o-enfrentamento-da-violencia\\\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2016\\\/06\\\/sus.jpg?fit=810%2C540&ssl=1\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2016\\\/06\\\/sus.jpg?fit=810%2C540&ssl=1\",\"width\":810,\"height\":540},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/03\\\/08\\\/o-grande-desafio-da-saude-publica-no-brasil-e-o-enfrentamento-da-violencia\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"O grande desafio da sa\u00fade p\u00fablica no Brasil \u00e9 o enfrentamento da viol\u00eancia\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/\",\"name\":\"Controversia\",\"description\":\"Um site de leitura e debate\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-PT\"},{\"@type\":[\"Person\",\"Organization\"],\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\",\"name\":\"Ricardo Alvarez\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"width\":1015,\"height\":1024,\"caption\":\"Ricardo Alvarez\"},\"logo\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\"},\"description\":\"Professor, mestre em geografia urbana pela USP e criador do site Controv\u00e9rsia e escreve semanalmente.\",\"sameAs\":[\"http:\\\/\\\/controversia.com.br\",\"https:\\\/\\\/www.facebook.com\\\/Controversiascontemporaneas\\\/\",\"https:\\\/\\\/www.linkedin.com\\\/in\\\/controversia\\\/\",\"https:\\\/\\\/x.com\\\/https:\\\/\\\/twitter.com\\\/contro_versia\"]}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"O grande desafio da sa\u00fade p\u00fablica no Brasil \u00e9 o enfrentamento da viol\u00eancia - Controversia","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2018\/03\/08\/o-grande-desafio-da-saude-publica-no-brasil-e-o-enfrentamento-da-violencia\/","og_locale":"pt_PT","og_type":"article","og_title":"O grande desafio da sa\u00fade p\u00fablica no Brasil \u00e9 o enfrentamento da viol\u00eancia - Controversia","og_description":"Patricia Fachin\u00a0&#8211; Se na d\u00e9cada de 1980 o principal desafio na \u00e1rea da\u00a0sa\u00fade p\u00fablica\u00a0era reduzir os \u00edndices de\u00a0mortalidade infantil, \u201choje o grande desafio \u00e9 reduzir a\u00a0mortalidade entre jovens e adolescentes\u00a0que est\u00e3o sendo assassinados\u201d no campo e na cidade, diz o especialista em Sa\u00fade Ambiental\u00a0Fernando Carneiro\u00a0\u00e0\u00a0IHU On-Line. Segundo ele, embora historicamente a viol\u00eancia tenha sido mais [&hellip;]","og_url":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2018\/03\/08\/o-grande-desafio-da-saude-publica-no-brasil-e-o-enfrentamento-da-violencia\/","og_site_name":"Controversia","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","article_author":"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","article_published_time":"2018-03-08T20:30:19+00:00","og_image":[{"width":810,"height":540,"url":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/sus.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"Ricardo Alvarez","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@https:\/\/twitter.com\/contro_versia","twitter_site":"@contro_versia","twitter_misc":{"Escrito por":"Ricardo Alvarez","Tempo estimado de leitura":"20 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/03\/08\/o-grande-desafio-da-saude-publica-no-brasil-e-o-enfrentamento-da-violencia\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/03\/08\/o-grande-desafio-da-saude-publica-no-brasil-e-o-enfrentamento-da-violencia\/"},"author":{"name":"Ricardo Alvarez","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"headline":"O grande desafio da sa\u00fade p\u00fablica no Brasil \u00e9 o enfrentamento da viol\u00eancia","datePublished":"2018-03-08T20:30:19+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/03\/08\/o-grande-desafio-da-saude-publica-no-brasil-e-o-enfrentamento-da-violencia\/"},"wordCount":3949,"commentCount":0,"publisher":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"image":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/03\/08\/o-grande-desafio-da-saude-publica-no-brasil-e-o-enfrentamento-da-violencia\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/sus.jpg?fit=810%2C540&ssl=1","keywords":["Direitos sociais"],"articleSection":["Sa\u00fade"],"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/controversia.com.br\/2018\/03\/08\/o-grande-desafio-da-saude-publica-no-brasil-e-o-enfrentamento-da-violencia\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/03\/08\/o-grande-desafio-da-saude-publica-no-brasil-e-o-enfrentamento-da-violencia\/","url":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/03\/08\/o-grande-desafio-da-saude-publica-no-brasil-e-o-enfrentamento-da-violencia\/","name":"O grande desafio da sa\u00fade p\u00fablica no Brasil \u00e9 o enfrentamento da viol\u00eancia - Controversia","isPartOf":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/03\/08\/o-grande-desafio-da-saude-publica-no-brasil-e-o-enfrentamento-da-violencia\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/03\/08\/o-grande-desafio-da-saude-publica-no-brasil-e-o-enfrentamento-da-violencia\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/sus.jpg?fit=810%2C540&ssl=1","datePublished":"2018-03-08T20:30:19+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/03\/08\/o-grande-desafio-da-saude-publica-no-brasil-e-o-enfrentamento-da-violencia\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/controversia.com.br\/2018\/03\/08\/o-grande-desafio-da-saude-publica-no-brasil-e-o-enfrentamento-da-violencia\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/03\/08\/o-grande-desafio-da-saude-publica-no-brasil-e-o-enfrentamento-da-violencia\/#primaryimage","url":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/sus.jpg?fit=810%2C540&ssl=1","contentUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/sus.jpg?fit=810%2C540&ssl=1","width":810,"height":540},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/03\/08\/o-grande-desafio-da-saude-publica-no-brasil-e-o-enfrentamento-da-violencia\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/controversia.com.br\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"O grande desafio da sa\u00fade p\u00fablica no Brasil \u00e9 o enfrentamento da viol\u00eancia"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#website","url":"https:\/\/controversia.com.br\/","name":"Controversia","description":"Um site de leitura e debate","publisher":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/controversia.com.br\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-PT"},{"@type":["Person","Organization"],"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2","name":"Ricardo Alvarez","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","url":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","contentUrl":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","width":1015,"height":1024,"caption":"Ricardo Alvarez"},"logo":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png"},"description":"Professor, mestre em geografia urbana pela USP e criador do site Controv\u00e9rsia e escreve semanalmente.","sameAs":["http:\/\/controversia.com.br","https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","https:\/\/www.linkedin.com\/in\/controversia\/","https:\/\/x.com\/https:\/\/twitter.com\/contro_versia"]}]}},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/sus.jpg?fit=810%2C540&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7425","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7425"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7425\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7429,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7425\/revisions\/7429"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/954"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7425"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7425"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7425"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}