{"id":7266,"date":"2018-02-23T09:24:54","date_gmt":"2018-02-23T12:24:54","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=7266"},"modified":"2018-02-22T19:28:52","modified_gmt":"2018-02-22T22:28:52","slug":"o-que-esta-por-tras-da-austeridade-como-politica-economica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2018\/02\/23\/o-que-esta-por-tras-da-austeridade-como-politica-economica\/","title":{"rendered":"O que est\u00e1 por tr\u00e1s da \u201causteridade\u201d como pol\u00edtica econ\u00f4mica"},"content":{"rendered":"<p><strong>Edemilson Paran\u00e1 &#8211;\u00a0<\/strong>Resenha do livro de Mark Blyth.\u00a0<em>Austeridade: a hist\u00f3ria de uma ideia perigosa<\/em>. S\u00e3o Paulo: Autonomia Liter\u00e1ria, 2017. 375 p.<\/p>\n<blockquote><p>\u201c[\u2026] as ideias de economistas e fil\u00f3sofos pol\u00edticos, tanto quando t\u00eam raz\u00e3o como quando n\u00e3o a t\u00eam, s\u00e3o mais poderosas do que normalmente se pensa. Na verdade, o mundo \u00e9 governado por pouco mais. Homens pr\u00e1ticos, que se creem bastante isentos de quaisquer influ\u00eancias intelectuais, s\u00e3o normalmente escravos de algum economista defunto\u201d.<\/p>\n<p><strong>John Maynard Keynes<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>Depois de enorme sucesso de p\u00fablico e cr\u00edtica em in\u00fameros pa\u00edses, chega ao Brasil, em momento que n\u00e3o poderia ser mais oportuno, a tradu\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>Austeridade: a hist\u00f3ria de uma ideia perigosa<\/em>\u00a0(Autonomia Liter\u00e1ria, 2017). Seu autor, o cientista pol\u00edtico escoc\u00eas e professor de Economia Pol\u00edtica Internacional na Universidade de Brown, Mark Blyth, enfrenta com o bom humor de um en\u00e9rgico polemista, mas sem perder em profundidade, um assunto extremamente s\u00e9rio: as pol\u00edticas de austeridade que se espalharam pelo mundo no contexto do p\u00f3s-crise de 2008.<\/p>\n<p>O livro, que apresenta um instigante di\u00e1logo interdisciplinar, est\u00e1 constru\u00eddo sob as funda\u00e7\u00f5es de um bem-sucedido casamento entre hist\u00f3ria e cr\u00edtica das ideias econ\u00f4micas, que desaguam em um potente ensaio em torno da (n\u00e3o) efic\u00e1cia da aplica\u00e7\u00e3o destas ideias \u2013 mesmo quanto testadas de v\u00e1rias maneiras, em distintos lugares, contextos e \u00e9pocas. A ideia em quest\u00e3o \u00e9 a Austeridade, ou seja,\u00a0uma forma de defla\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria em que a economia se ajusta atrav\u00e9s da redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rios, pre\u00e7os e despesa p\u00fablica para restabelecer a competitividade, que (supostamente) se consegue melhor cortando o or\u00e7amento do Estado, as d\u00edvidas e os d\u00e9ficits. Faz\u00ea-lo, acham os seus defensores, inspirar\u00e1 a \u201cconfian\u00e7a empresarial\u201d uma vez que o governo n\u00e3o estar\u00e1 \u201cesvaziando\u201d o mercado de investimento ao sugar todo o capital dispon\u00edvel atrav\u00e9s da emiss\u00e3o de d\u00edvida, nem aumentando a j\u00e1 \u201cdemasiado grande\u201d d\u00edvida da na\u00e7\u00e3o. (BLYTH, 2017, p.22)<\/p>\n<p>Seguindo Keynes, Blyth est\u00e1 empenhado em demonstrar como e por que nossos \u201chomens pr\u00e1ticos\u201d de hoje \u201cs\u00e3o escravos de algum economista defunto\u201d. Quem s\u00e3o esses homens, quem s\u00e3o esses defuntos e quais s\u00e3o essas ideias \u00e9 do que se fala.<\/p>\n<p>O livro n\u00e3o \u00e9 dirigido apenas, nem centralmente, a economistas \u2013 ainda que, face \u00e0 corrente de pensamento que se tornou dominante entre estes, sua leitura possa servir como uma verdadeira lufada de ar fresco no ambiente intelectualmente sufocante da disciplina, mas, sobretudo, como diria Joan Robinson, ao p\u00fablico diretamente afetado pelas ideias econ\u00f4micas, para que n\u00e3o se deixe enganar pelos economistas.<\/p>\n<p>Est\u00e3o equivocados, ent\u00e3o, os que pensam ser esse um problema restrito a t\u00e9cnicos e especialistas. Fosse apenas um atentado \u00e0 intelig\u00eancia, essa \u201cideia zumbi\u201d \u2013 morta diante dos fatos, mas feita viva pelos perniciosos interesses pol\u00edticos que a patrocinam \u2013 j\u00e1 seria, em si, problem\u00e1tica. O que a torna perigosa, no entanto, conforme o livro demonstra, s\u00e3o os estragos produzidos nas economias e, junto destes, a eros\u00e3o da coes\u00e3o social, os danos traum\u00e1ticos e sofrimentos, em suma, a que tem submetido as maiorias sociais em todo o mundo. Por onde passa, a pol\u00edtica da austeridade deixa um enorme rastro de destrui\u00e7\u00e3o. Mark Blyth, como poucos, persegue esse rastro para nos demostrar, em suas origens e causas, porque a austeridade \u00e9 em primeiro lugar e acima de tudo um problema s\u00f3cio-pol\u00edtico de distribui\u00e7\u00e3o e n\u00e3o apenas um problema estritamente econ\u00f4mico de contabilidade social.<\/p>\n<p>Sua did\u00e1tica e divertida (mas n\u00e3o por isso menos rigorosa) cruzada contra argumenta\u00e7\u00f5es anticient\u00edficas acaba nos municiando a todos, leigos ou estudiosos, de instrumentos para realizarmos por nossa conta o \u201cteste do olfato\u201d, nas palavras do pr\u00f3prio autor, frente \u00e0 ret\u00f3rica apodrecida da austeridade nos mais diversos ambientes de produ\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o de ideias. Seu m\u00e9rito \u00e9, por isso, not\u00e1vel. Ao fim de sua \u201carqueologia\u201d, al\u00e9m de entendermos por que as finan\u00e7as do Estado s\u00e3o algo bastante diferente das finan\u00e7as familiares e empresariais, sa\u00edmos aptos a detectar e desmontar as in\u00fameras premissas irreais e conclus\u00f5es empiricamente falsas que sustentam o d\u00e9bil discurso\u00a0<em>mainstream<\/em>\u00a0em defesa das pol\u00edticas de austeridade.<\/p>\n<p>O livro est\u00e1 dividido em tr\u00eas partes. Na primeira, aborda as origens e consequ\u00eancias da atual crise econ\u00f4mica global. Os cap\u00edtulos dessa se\u00e7\u00e3o tratam centralmente das experi\u00eancias dos Estados Unidos e da Europa, e cont\u00eam uma explica\u00e7\u00e3o de como se chegou \u00e0 confus\u00e3o atual, dando espa\u00e7o ainda para os elementos financeiros e banc\u00e1rios mais complexos que resultaram na \u201ctempestade perfeita\u201d vivenciada por essas economias.<\/p>\n<p>Blyth argumenta que, desde a crise, assistimos \u00e0 maior opera\u00e7\u00e3o de \u201cpropaganda enganosa\u201d da hist\u00f3ria moderna, na medida em que as elites econ\u00f4micas e pol\u00edticas t\u00eam vendido aos cidad\u00e3os uma crise que em verdade \u00e9 inicialmente dos bancos privados como se fosse uma crise de d\u00edvida soberana. Especialmente no caso europeu, explica, uma hist\u00f3ria inventada, de cunho moral, tem sido martelada para renomear a crise banc\u00e1ria da zona do euro como uma crise de d\u00edvidas soberanas e culpar os governos \u201cgastadores\u201d de pa\u00edses da periferia, a despeito do fato de nenhum deles, com a exce\u00e7\u00e3o da Gr\u00e9cia, terem sustentado grandes d\u00e9ficits or\u00e7ament\u00e1rios antes da crise \u2013 Irlanda e Espanha, por exemplo, contabilizavam super\u00e1vits.<a href=\"http:\/\/diplomatique.org.br\/o-que-esta-por-tras-da-austeridade-como-politica-economica\/#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p>De acordo com sua explica\u00e7\u00e3o da crise, inova\u00e7\u00f5es financeiras combinadas a um conjunto de ideias a respeito de como as economias funcionam e, em particular, como o risco deve ser avaliado, contribu\u00edram para um ac\u00famulo insustent\u00e1vel de problemas no sistema financeiro global, que acabaram por explodir em 2008. Essas ideias facilitaram ainda a transfer\u00eancia da crise dos Estados Unidos para a Europa. Seguindo, nesse particular, in\u00fameras outras explica\u00e7\u00f5es da crise recente, Blyth afasta a no\u00e7\u00e3o tornada popular de que a crise foi de alguma forma produto da fal\u00eancia moral de indiv\u00edduos e grupos particulares. Ao contr\u00e1rio, trata-se de uma grave insufici\u00eancia do setor privado como um todo. Que isso venha sendo arcado centralmente pelo or\u00e7amento p\u00fablico s\u00f3 pode ser explicado pelo conjunto contradit\u00f3rio de ideias atualmente dominantes sobre a interven\u00e7\u00e3o estatal, a \u201causteridade\u201d.<\/p>\n<p>Blyth passa, na segunda parte, a examinar a \u201chist\u00f3ria intelectual\u201d da austeridade. Nesse que certamente \u00e9 o ponto alto do livro, o autor nos mostra como pensadores como John Locke, David Hume, Adam Smith e David Ricardo criaram uma esp\u00e9cie de sistema de pensamento em que governos n\u00e3o devem fazer muito mais do que proteger a propriedade privada e, ademais, serem constrangidos a n\u00e3o acumular d\u00edvida p\u00fablica. Apesar dessas primeiras formula\u00e7\u00f5es ainda difusas a respeito, o argumento espec\u00edfico em torno da austeridade emerge, finalmente, na d\u00e9cada de 1920, quando o Estado moderno passa, de fato, a ser uma quest\u00e3o saliente do ponto de vista econ\u00f4mico; algo que ocorre pelas m\u00e3os do \u201cLiquidacionismo\u201d estadunidense e da \u201cVis\u00e3o do Tesouro\u201d na Inglaterra.<\/p>\n<p>Essa base inicial de argumentos em defesa da austeridade foi praticamente desacreditada pela Grande Depress\u00e3o da d\u00e9cada de 1930. No entanto, conforme Blyth documenta com maestria, seus remanescentes e herdeiros \u2013 o ordoliberalismo na Alemanha e a Escola Austr\u00edaca nos Estados Unidos \u2013 acabaram voltando ao\u00a0<em>mainstream<\/em>\u00a0intelectual novamente na d\u00e9cada de 1980, com a ascens\u00e3o do neoliberalismo.<\/p>\n<p>A vers\u00e3o corrente do argumento em defesa da austeridade, nos apresenta Blyth, foi criada por um grupo de economistas italianos da Universidade de Bocconi, em Mil\u00e3o. O autor examina criticamente uma s\u00e9rie de modelos econ\u00f4micos desenvolvidos por tais economistas, em que argumentam que as d\u00edvidas governamentais s\u00e3o produtos praticamente inevit\u00e1veis da democracia, e que a melhor forma de as combater \u00e9 cortar despesas ao inv\u00e9s de aumentar impostos. Tais economistas foram respons\u00e1veis pelo orwelliano termo \u201ccontra\u00e7\u00e3o fiscal expansionista\u201d, que sintetiza o argumento de que cortar as despesas pode, sim, inclusive em meio a uma desacelera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, distantemente do que diz aquilo que costumava ser bom-senso da disciplina, levar ao crescimento. Essa inusitada \u201cl\u00f3gica\u201d \u00e9 deliciosamente desmontada no livro, em cada um dos seus aspectos e supostas evid\u00eancias.<\/p>\n<p>Sua jornada pelos caminhos e descaminhos dessa ideia perigosa termina com um cap\u00edtulo em torno de sua aplica\u00e7\u00e3o. Nessa \u201chist\u00f3ria natural\u201d da austeridade, Blyth examina cuidadosamente dezenas de experi\u00eancias de execu\u00e7\u00e3o da austeridade ao longo do s\u00e9culo XX. Trata-se de um relato devastador de como cada uma dessas tentativas em colocar essa ideia em pr\u00e1tica, da luta dos governos com padr\u00e3o-ouro nas d\u00e9cadas de 1920 e 1930 at\u00e9 os problemas e dificuldades dos casos mais recentes de \u201csucessos\u201d de austeridade como Su\u00e9cia e Irlanda, nunca parecem funcionar de fato; produzindo, distintamente, na maioria das vezes, consequ\u00eancias tr\u00e1gicas.<\/p>\n<p>Tendo mostrado que a austeridade nunca funcionou na pr\u00e1tica, Blyth conclui propondo que exploremos uma nova estrat\u00e9gia de enfrentamento \u00e0 crise baseada em algumas pol\u00edticas consideradas tabus nos \u00faltimos anos, como a \u201crepress\u00e3o financeira\u201d, limita\u00e7\u00e3o dos movimentos transfronteiri\u00e7os de capitais, uma nova forma de administra\u00e7\u00e3o das taxas de juros e o aumento de impostos para o topo superior da distribui\u00e7\u00e3o de renda. Sugere ainda \u2013 de modo pol\u00eamico, talvez contradit\u00f3rio e com fundamenta\u00e7\u00e3o que deixa a desejar, \u00e9 preciso dizer \u2013 que o governo dos Estados Unidos deveria ter deixado seus bancos irem \u00e0 fal\u00eancia, como se fez na Isl\u00e2ndia, em vez de resgat\u00e1-los.<\/p>\n<p>Tudo somado, seguindo a vastid\u00e3o de dados apresentados neste livro, fica o balan\u00e7o de que a austeridade, mesmo ignorando deliberadamente as incontorn\u00e1veis necessidades da vida social e pol\u00edtica, \u00e9 contraproducente inclusive em alcan\u00e7ar o objetivo restrito a que supostamente se coloca: o de sanar as finan\u00e7as p\u00fablicas.<\/p>\n<p>O racioc\u00ednio aqui \u00e9 simples e bastante conhecido: j\u00e1 que para todo comprador h\u00e1 um vendedor, e para todo poupador h\u00e1 um devedor, se, nos desdobramentos de uma crise, todo mundo, individualmente, economiza buscando melhorar sua pr\u00f3pria situa\u00e7\u00e3o, a situa\u00e7\u00e3o coletiva de todos deteriora como resultado. Dito de outro modo, como o gasto de um agente \u00e9 igual \u00e0 renda do outro, se todos resolvem cortar os gastos simultaneamente o \u00fanico resultado l\u00f3gico \u00e9 a contra\u00e7\u00e3o da renda geral.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, longe de resolver o problema, a pol\u00edtica de austeridade \u2013 os cortes na previd\u00eancia e na assist\u00eancia social, nos direitos trabalhistas e no alcance dos bens p\u00fablicos \u2013 apenas faz aprofundar essa situa\u00e7\u00e3o, mantendo o desemprego e as d\u00edvidas em alta, o sal\u00e1rio (indiretamente, pela press\u00e3o do desemprego sobre a capacidade de negocia\u00e7\u00e3o de quem ainda est\u00e1 empregado) e a capacidade de consumo em baixa, e, com isso, a atividade econ\u00f4mica deprimida; o que, por sua vez, ao diminuir ainda mais a arrecada\u00e7\u00e3o de impostos, pode levar a uma piora da situa\u00e7\u00e3o fiscal do Estado. Quando o corte dos gastos consegue ser maior do que a queda na arrecada\u00e7\u00e3o, produzindo o esperado super\u00e1vit, isso se d\u00e1 \u00e0s custas da poupan\u00e7a do setor privado, que decai na exata medida em que aumenta a poupan\u00e7a p\u00fablica. Desse modo, com a queda vertiginosa do PIB, cresce a raz\u00e3o d\u00edvida\/PIB, uma vez que a poupan\u00e7a p\u00fablica n\u00e3o \u00e9 suficiente para estabilizar essa rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Eis, assim, o grande paradoxo das pol\u00edticas de austeridade: prometendo equilibrar as contas do Estado, aprofunda sua degrada\u00e7\u00e3o, entregando resultado ainda pior do que aquele que prometeu combater. N\u00e3o chega a surpreender, portanto, que, nesses casos, e a despeito das entusiasmadas proje\u00e7\u00f5es de economistas oficiais em governos e \u00f3rg\u00e3os de imprensa, a atividade econ\u00f4mica insista em oferecer resultados diminutos e decadentes (se o Brasil de 2015 a 2017 serve como exemplo? Os dados s\u00e3o eloquentes a respeito).<\/p>\n<p>Diz-se, em geral, que os cortes se fazem necess\u00e1rios, ademais, como forma de recuperar a \u201cconfian\u00e7a do investidor\u201d, o que, por sua vez, traria de volta os investimentos e, assim, o t\u00e3o esperado crescimento econ\u00f4mico. Esquece-se, no entanto, que capitalistas n\u00e3o tomam suas decis\u00f5es de investimento baseados unicamente em um tipo qualquer subjetivismo obscuro, de ordem pol\u00edtico-moral, mas, antes de tudo, a partir dos sinais que recebem de suas vendas, da taxa e do volume de sua lucratividade imediatamente anterior\u00a0<em>vis a vis<\/em>\u00a0\u00e0quela esperada para o momento posterior (algo tamb\u00e9m relacionado, sabemos, aos movimentos do gasto p\u00fablico). Lucro (produtivo) esse que continuar\u00e1 t\u00e3o pressionado quanto mais deprimida estiver a demanda por seus produtos \u2013 realidade aqui aprofundada, adicionalmente, pelas medidas de austeridade, que ampliam o desemprego e o desamparo social. Dessa forma, e independentemente do tamanho dos cortes na despesa p\u00fablica, ou dos \u201csinais\u201d que o governo mande ao mercado a respeito de sua espartana disciplina or\u00e7ament\u00e1ria, quanto mais incerto os agentes estiverem a respeito do futuro dessa economia em recess\u00e3o, menos se sentir\u00e3o \u201cconfiantes\u201d para investir e gastar, e mais tender\u00e3o a reter seus recursos por tempo indeterminado, o que, por sua vez, em uma esp\u00e9cie de c\u00edrculo vicioso, piora a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De outro modo, ainda que as expectativas empresariais venham a reagir positivamente \u00e0s pol\u00edticas de austeridade, dado que as empresas veem, neste quadro, aumentar seus estoques e capacidade produtiva ociosa, o investimento privado se mant\u00e9m em baixa \u2013 o que, em \u00faltima inst\u00e2ncia, torna irrelevante os efeitos de tais expectativas subjetivas.<\/p>\n<p>No rescaldo dessa eterna espera pela \u201cfada da confian\u00e7a\u201d, segue, lamentavelmente, um tr\u00e1gico pacote de consequ\u00eancias n\u00e3o pretendidas (ou pretendidas, por alguns) da a\u00e7\u00e3o: al\u00e9m da poss\u00edvel deteriora\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas, o previs\u00edvel aumento da pobreza e da desigualdade, inseguran\u00e7a e revolta social. Por isso, demonstra o livro, essa agenda fracassou retumbantemente onde quer que tenha sido aplicada, ampliando ainda mais os problemas que buscava combater. Hist\u00f3ria que vemos, lamentavelmente, se repetir no Brasil atual.<\/p>\n<p>Mas por que, ent\u00e3o, governos, economistas e gestores seguem sacrificando as fartas evid\u00eancias emp\u00edricas da realidade no altar de suas cren\u00e7as ideol\u00f3gicas? Por que essa ideia perigosa insiste em pairar e produzir suas brutais consequ\u00eancias sobre n\u00f3s? H\u00e1 pelo menos duas raz\u00f5es, nos conta o autor; uma de ordem psicol\u00f3gica, outra de ordem pol\u00edtica.<\/p>\n<p>A primeira, pode ser rapidamente explicada. De amplo conhecimento, trata-se de um lugar-comum tornado corrente \u2013 de manchetes e lides de jornais a comentaristas de notici\u00e1rios, de discursos pol\u00edticos a acalorados debates em mesas de fam\u00edlia: toda gastan\u00e7a \u00e9 um pecado, ap\u00f3s a festa exagerada vem a ressaca, gastar \u00e9 ruim, poupar \u00e9 bom (o autor nos lembra, por exemplo, que as palavras \u201cd\u00edvida\u201d e \u201cculpa\u201d s\u00e3o hom\u00f4nimos na l\u00edngua alem\u00e3). \u00c9 que, como nos mostra Blyth, a austeridade, como conjunto frouxo de ideias, \u00e9 antes uma \u201csensibilidade\u201d do que um pacote robusto e coerente de pol\u00edticas. Esta \u00e9tica da frui\u00e7\u00e3o virtuosa das d\u00e1divas se desdobra na intuitiva conclus\u00e3o de que as finan\u00e7as governamentais equivalem \u00e0s finan\u00e7as dom\u00e9sticas, e que d\u00edvida p\u00fablica equivale \u00e0 d\u00edvida privada. Quando as fam\u00edlias acumulam d\u00edvidas que n\u00e3o podem mais sustentar, devem reduzi-las a um n\u00edvel sustent\u00e1vel, manda o bom-senso; o mesmo deve fazer os governos. Ignora-se nesse racioc\u00ednio que, para al\u00e9m de qualquer moralidade individual, a Economia trata, antes de tudo, de dimens\u00f5es sist\u00eamicas, agregados, e, no limite, do que funciona ou n\u00e3o face a determinados objetivos sociais. N\u00e3o consta, por exemplo, que fam\u00edlias emitam a moeda em que pagam suas d\u00edvidas, regulem a intensidade do cr\u00e9dito emitido e a sua taxa de juros, que instituam e arrecadem, por elas mesmas, impostos de diferentes fontes, que realizem grandes obras nacionais, ou que ofere\u00e7am servi\u00e7os essenciais a uma popula\u00e7\u00e3o ampla e diversa. Aqui vale novamente nos lembrarmos da chamada fal\u00e1cia da composi\u00e7\u00e3o: o todo n\u00e3o \u00e9 uma mera soma quantitativa ou jun\u00e7\u00e3o das partes individuais, mas algo qualitativamente, constitutivamente distinto, destas.<\/p>\n<p>No entanto, longe de ser apenas um problema psicol\u00f3gico, fruto da confus\u00e3o de uma moralidade mal ajustada, o que sustenta especialmente o impulso de austeridade \u00e9 o bom e velho interesse econ\u00f4mico e pol\u00edtico. Ao fim e ao cabo, a austeridade \u00e9 uma forma de pol\u00edtica voltada centralmente para alguns poucos setores de interesse econ\u00f4mico, especialmente o financeiro, em detrimento do bem-estar coletivo.<\/p>\n<p>Primeiro, porque a manuten\u00e7\u00e3o do desemprego em patamar expressivo possibilita a gest\u00e3o do chamado ex\u00e9rcito industrial de reserva favor\u00e1vel ao capital e desfavor\u00e1vel ao trabalho, pendendo a balan\u00e7a em favor do primeiro. Segundo, porque a nega\u00e7\u00e3o de est\u00edmulos fiscais e monet\u00e1rios \u00e9 uma forma de dar prioridade aos credores, geralmente grandes detentores de riqueza, em detrimento de trabalhadores e maiorias sociais, com menor disponibilidade de renda para poupar. Infla\u00e7\u00e3o e baixas taxas de juros s\u00e3o ruins para credores, mesmo quando promovem a cria\u00e7\u00e3o de empregos e o aquecimento da atividade econ\u00f4mica, ao passo que reduzir os d\u00e9ficits governamentais, ainda que aprofunde uma depress\u00e3o face ao desemprego massivo, garante, no entanto, aos detentores de t\u00edtulos que estes ser\u00e3o sempre pagos em sua totalidade, aconte\u00e7a o que acontecer. Vinculado a isto, momentos de intensifica\u00e7\u00e3o de d\u00e9ficits p\u00fablicos, independentemente de suas raz\u00f5es e trajet\u00f3ria, s\u00e3o aproveitados como uma oportunidade para argumentos e a\u00e7\u00f5es, sempre \u00e0 espreita, contra o Estado de bem-estar social. Ao inv\u00e9s de apresentarem a destrui\u00e7\u00e3o deste como apenas uma alternativa pol\u00edtica dentre as demais, os conservadores a justificam de pronto como uma imperiosidade t\u00e9cnica incontorn\u00e1vel: \u201cn\u00e3o h\u00e1 alternativa\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 um mero acaso, ent\u00e3o, o fato de que, apesar das pol\u00edticas econ\u00f4micas aplicadas desde a crise financeira de 2008 se mostrarem um grande fracasso sob in\u00fameros aspectos, elas n\u00e3o t\u00eam sido t\u00e3o ruins assim para os mais ricos, antes o contr\u00e1rio. Os lucros financeiros se recuperaram rapidamente, mesmo diante da persist\u00eancia de um desemprego sem precedentes, e distintos ativos e \u00edndices nos mais variados mercados, inclusive nos Estados Unidos e na Europa, retornaram aos n\u00edveis de antes da crise, mesmo com a renda m\u00e9dia da popula\u00e7\u00e3o caindo sem interrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 que quando se trata de austeridade, a moralidade econ\u00f4mica acima apresentada se casa quase que perfeitamente com a prioridade dos grandes credores: os \u201cvencedores\u201d da austeridade foram capazes de ver sua riqueza crescer vertiginosamente com a aplica\u00e7\u00e3o do manual de instru\u00e7\u00f5es neocl\u00e1ssico e a financeiriza\u00e7\u00e3o crescente das economias. O topo 1% da distribui\u00e7\u00e3o de renda vem, se n\u00e3o se beneficiando diretamente, sendo muito menos afetado do que os trabalhadores e maiorias sociais. E isso certamente est\u00e1 relacionado, defende nosso autor, com a disposi\u00e7\u00e3o de pol\u00edticos e gestores para seguirem for\u00e7ando seus eleitores e cidad\u00e3os a aceitarem doses continuadas desse \u201crem\u00e9dio amargo\u201d. Algo que explica, ademais, por que, no campo acad\u00eamico, e a despeito de amplas evid\u00eancias em contr\u00e1rio, autores e trabalhos que dizem o que a elite credora gosta de ouvir s\u00e3o t\u00e3o celebrados, enquanto cr\u00edticos competentes s\u00e3o retumbantemente ignorados, n\u00e3o importando o qu\u00e3o correto estejam.<\/p>\n<p>No fim do dia, \u00e9 isso, pois, que est\u00e1 em jogo; quem paga a necess\u00e1ria conta da reprodu\u00e7\u00e3o da vida social, sobretudo em tempos de aperto econ\u00f4mico, quando se intensifica o conflito distributivo: se o lucro dos empres\u00e1rios e rentistas \u2013 lucro obtido tamb\u00e9m gra\u00e7as ao trabalho de seus funcion\u00e1rios \u2013, ou os sal\u00e1rios (diretos ou indiretos) dos pr\u00f3prios trabalhadores, j\u00e1 sub-remunerados, e expostos a inseguran\u00e7as de todo o tipo nas economias centrais ou perif\u00e9ricas do s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p>Na esteira de crises, por vezes transformadas em recess\u00f5es permanentes, e, assim, da continuada queda de arrecada\u00e7\u00e3o do Estado, a disputa pelo butim do excedente social se torna cada vez ainda mais acirrada. Mas, conforme argumenta com compet\u00eancia este livro, cortar a prote\u00e7\u00e3o social e os direitos trabalhistas \u00e9 tomar veneno como se fosse rem\u00e9dio; apenas piora ainda mais a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, social e pol\u00edtica de um pa\u00eds. A verdadeira forma de sair da crise, demonstra a hist\u00f3ria, \u00e9 distribuindo renda e combatendo energicamente a desigualdade, ampliando, e n\u00e3o diminuindo, os direitos dos trabalhadores e das maiorias sociais.<\/p>\n<p>http:\/\/diplomatique.org.br\/o-que-esta-por-tras-da-austeridade-como-politica-economica\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Edemilson Paran\u00e1 &#8211;\u00a0Resenha do livro de Mark Blyth.\u00a0Austeridade: a hist\u00f3ria de uma ideia perigosa. S\u00e3o Paulo: Autonomia Liter\u00e1ria, 2017. 375 p. \u201c[\u2026] as ideias de economistas e fil\u00f3sofos pol\u00edticos, tanto quando t\u00eam raz\u00e3o como quando n\u00e3o a t\u00eam, s\u00e3o mais poderosas do que normalmente se pensa. Na verdade, o mundo \u00e9 governado por pouco mais. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":7267,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[5],"tags":[58],"class_list":["post-7266","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia","tag-financeirizacao"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.8 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>O que est\u00e1 por tr\u00e1s da \u201causteridade\u201d como pol\u00edtica econ\u00f4mica - Controversia<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2018\/02\/23\/o-que-esta-por-tras-da-austeridade-como-politica-economica\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_PT\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"O que est\u00e1 por tr\u00e1s da \u201causteridade\u201d como pol\u00edtica econ\u00f4mica - Controversia\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Edemilson Paran\u00e1 &#8211;\u00a0Resenha do livro de Mark Blyth.\u00a0Austeridade: a hist\u00f3ria de uma ideia perigosa. S\u00e3o Paulo: Autonomia Liter\u00e1ria, 2017. 375 p. \u201c[\u2026] as ideias de economistas e fil\u00f3sofos pol\u00edticos, tanto quando t\u00eam raz\u00e3o como quando n\u00e3o a t\u00eam, s\u00e3o mais poderosas do que normalmente se pensa. Na verdade, o mundo \u00e9 governado por pouco mais. [&hellip;]\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2018\/02\/23\/o-que-esta-por-tras-da-austeridade-como-politica-economica\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Controversia\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/\" \/>\n<meta property=\"article:author\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2018-02-23T12:24:54+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/austeridade.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"750\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"380\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Ricardo Alvarez\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@https:\/\/twitter.com\/contro_versia\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@contro_versia\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Ricardo Alvarez\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Tempo estimado de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"18 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/23\\\/o-que-esta-por-tras-da-austeridade-como-politica-economica\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/23\\\/o-que-esta-por-tras-da-austeridade-como-politica-economica\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"Ricardo Alvarez\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"headline\":\"O que est\u00e1 por tr\u00e1s da \u201causteridade\u201d como pol\u00edtica econ\u00f4mica\",\"datePublished\":\"2018-02-23T12:24:54+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/23\\\/o-que-esta-por-tras-da-austeridade-como-politica-economica\\\/\"},\"wordCount\":3531,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/23\\\/o-que-esta-por-tras-da-austeridade-como-politica-economica\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2018\\\/02\\\/austeridade.jpg?fit=750%2C380&ssl=1\",\"keywords\":[\"Financeiriza\u00e7\u00e3o\"],\"articleSection\":[\"Economia\"],\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/23\\\/o-que-esta-por-tras-da-austeridade-como-politica-economica\\\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/23\\\/o-que-esta-por-tras-da-austeridade-como-politica-economica\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/23\\\/o-que-esta-por-tras-da-austeridade-como-politica-economica\\\/\",\"name\":\"O que est\u00e1 por tr\u00e1s da \u201causteridade\u201d como pol\u00edtica econ\u00f4mica - Controversia\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/23\\\/o-que-esta-por-tras-da-austeridade-como-politica-economica\\\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/23\\\/o-que-esta-por-tras-da-austeridade-como-politica-economica\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2018\\\/02\\\/austeridade.jpg?fit=750%2C380&ssl=1\",\"datePublished\":\"2018-02-23T12:24:54+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/23\\\/o-que-esta-por-tras-da-austeridade-como-politica-economica\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/23\\\/o-que-esta-por-tras-da-austeridade-como-politica-economica\\\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/23\\\/o-que-esta-por-tras-da-austeridade-como-politica-economica\\\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2018\\\/02\\\/austeridade.jpg?fit=750%2C380&ssl=1\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2018\\\/02\\\/austeridade.jpg?fit=750%2C380&ssl=1\",\"width\":750,\"height\":380},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/23\\\/o-que-esta-por-tras-da-austeridade-como-politica-economica\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"O que est\u00e1 por tr\u00e1s da \u201causteridade\u201d como pol\u00edtica econ\u00f4mica\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/\",\"name\":\"Controversia\",\"description\":\"Um site de leitura e debate\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-PT\"},{\"@type\":[\"Person\",\"Organization\"],\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\",\"name\":\"Ricardo Alvarez\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"width\":1015,\"height\":1024,\"caption\":\"Ricardo Alvarez\"},\"logo\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\"},\"description\":\"Professor, mestre em geografia urbana pela USP e criador do site Controv\u00e9rsia e escreve semanalmente.\",\"sameAs\":[\"http:\\\/\\\/controversia.com.br\",\"https:\\\/\\\/www.facebook.com\\\/Controversiascontemporaneas\\\/\",\"https:\\\/\\\/www.linkedin.com\\\/in\\\/controversia\\\/\",\"https:\\\/\\\/x.com\\\/https:\\\/\\\/twitter.com\\\/contro_versia\"]}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"O que est\u00e1 por tr\u00e1s da \u201causteridade\u201d como pol\u00edtica econ\u00f4mica - Controversia","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2018\/02\/23\/o-que-esta-por-tras-da-austeridade-como-politica-economica\/","og_locale":"pt_PT","og_type":"article","og_title":"O que est\u00e1 por tr\u00e1s da \u201causteridade\u201d como pol\u00edtica econ\u00f4mica - Controversia","og_description":"Edemilson Paran\u00e1 &#8211;\u00a0Resenha do livro de Mark Blyth.\u00a0Austeridade: a hist\u00f3ria de uma ideia perigosa. S\u00e3o Paulo: Autonomia Liter\u00e1ria, 2017. 375 p. \u201c[\u2026] as ideias de economistas e fil\u00f3sofos pol\u00edticos, tanto quando t\u00eam raz\u00e3o como quando n\u00e3o a t\u00eam, s\u00e3o mais poderosas do que normalmente se pensa. Na verdade, o mundo \u00e9 governado por pouco mais. [&hellip;]","og_url":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2018\/02\/23\/o-que-esta-por-tras-da-austeridade-como-politica-economica\/","og_site_name":"Controversia","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","article_author":"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","article_published_time":"2018-02-23T12:24:54+00:00","og_image":[{"width":750,"height":380,"url":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/austeridade.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"Ricardo Alvarez","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@https:\/\/twitter.com\/contro_versia","twitter_site":"@contro_versia","twitter_misc":{"Escrito por":"Ricardo Alvarez","Tempo estimado de leitura":"18 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/23\/o-que-esta-por-tras-da-austeridade-como-politica-economica\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/23\/o-que-esta-por-tras-da-austeridade-como-politica-economica\/"},"author":{"name":"Ricardo Alvarez","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"headline":"O que est\u00e1 por tr\u00e1s da \u201causteridade\u201d como pol\u00edtica econ\u00f4mica","datePublished":"2018-02-23T12:24:54+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/23\/o-que-esta-por-tras-da-austeridade-como-politica-economica\/"},"wordCount":3531,"commentCount":0,"publisher":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"image":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/23\/o-que-esta-por-tras-da-austeridade-como-politica-economica\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/austeridade.jpg?fit=750%2C380&ssl=1","keywords":["Financeiriza\u00e7\u00e3o"],"articleSection":["Economia"],"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/23\/o-que-esta-por-tras-da-austeridade-como-politica-economica\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/23\/o-que-esta-por-tras-da-austeridade-como-politica-economica\/","url":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/23\/o-que-esta-por-tras-da-austeridade-como-politica-economica\/","name":"O que est\u00e1 por tr\u00e1s da \u201causteridade\u201d como pol\u00edtica econ\u00f4mica - Controversia","isPartOf":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/23\/o-que-esta-por-tras-da-austeridade-como-politica-economica\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/23\/o-que-esta-por-tras-da-austeridade-como-politica-economica\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/austeridade.jpg?fit=750%2C380&ssl=1","datePublished":"2018-02-23T12:24:54+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/23\/o-que-esta-por-tras-da-austeridade-como-politica-economica\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/23\/o-que-esta-por-tras-da-austeridade-como-politica-economica\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/23\/o-que-esta-por-tras-da-austeridade-como-politica-economica\/#primaryimage","url":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/austeridade.jpg?fit=750%2C380&ssl=1","contentUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/austeridade.jpg?fit=750%2C380&ssl=1","width":750,"height":380},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/23\/o-que-esta-por-tras-da-austeridade-como-politica-economica\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/controversia.com.br\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"O que est\u00e1 por tr\u00e1s da \u201causteridade\u201d como pol\u00edtica econ\u00f4mica"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#website","url":"https:\/\/controversia.com.br\/","name":"Controversia","description":"Um site de leitura e debate","publisher":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/controversia.com.br\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-PT"},{"@type":["Person","Organization"],"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2","name":"Ricardo Alvarez","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","url":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","contentUrl":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","width":1015,"height":1024,"caption":"Ricardo Alvarez"},"logo":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png"},"description":"Professor, mestre em geografia urbana pela USP e criador do site Controv\u00e9rsia e escreve semanalmente.","sameAs":["http:\/\/controversia.com.br","https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","https:\/\/www.linkedin.com\/in\/controversia\/","https:\/\/x.com\/https:\/\/twitter.com\/contro_versia"]}]}},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/austeridade.jpg?fit=750%2C380&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7266","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7266"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7266\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7268,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7266\/revisions\/7268"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7267"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7266"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7266"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7266"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}