{"id":7085,"date":"2018-02-13T11:35:19","date_gmt":"2018-02-13T13:35:19","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=7085"},"modified":"2018-02-13T11:30:43","modified_gmt":"2018-02-13T13:30:43","slug":"restaurar-o-estado-e-preciso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2018\/02\/13\/restaurar-o-estado-e-preciso\/","title":{"rendered":"Restaurar o Estado \u00e9 preciso"},"content":{"rendered":"<p><strong>Maria da Concei\u00e7\u00e3o Tavares<\/strong> &#8211; &#8216;S\u00f3 consigo enxergar alguma possibilidade de cura desse estado de astenia e de reordena\u00e7\u00e3o das bases democr\u00e1ticas a partir de uma maci\u00e7a convoca\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o dos jovens&#8217;.<\/p>\n<p>Vivemos sob a penumbra da mais grave crise da hist\u00f3ria do Brasil, uma crise econ\u00f4mica, social e pol\u00edtica. Enfrentamos um cen\u00e1rio que vai al\u00e9m da democracia interrompida. A meu ver, trata-se de uma democracia subtra\u00edda pela simbiose de interesses de uma classe pol\u00edtica degradada e de uma elite egoc\u00eantrica, sem qualquer compromisso com um projeto de reconstru\u00e7\u00e3o nacional \u2013 o que, inclusive, praticamente aniquila qualquer possibilidade de pactua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Hoje, citar um pol\u00edtico de envergadura com not\u00f3ria capacidade de pensar o pa\u00eds \u00e9 um exerc\u00edcio exaustivo. O Congresso \u00e9 tenebroso. A maioria est\u00e1 l\u00e1 sabe-se bem com que fins. O elenco de governadores \u00e9 igualmente terr\u00edvel. N\u00e3o h\u00e1 um que se sobressaia. E n\u00e3o vou nem citar o caso do Rio porque a\u00ed \u00e9 covardia. O \u201cnovo\u201d na pol\u00edtica, ou o que tem a petul\u00e2ncia de se apresentar como tal, \u00e9 Jo\u00e3o Doria, na verdade um representante da velha extrema direita.<\/p>\n<p>A ditadura, a qual devemos repudiar por outros motivos, n\u00e3o era t\u00e3o ordin\u00e1ria nesse sentido. N\u00e3o sofr\u00edamos com essa escassez de quadros que vemos hoje. O mesmo se aplica a nossos dirigentes empresariais, terra da qual n\u00e3o se v\u00ea brotar uma lideran\u00e7a. A velha burguesia nacional foi aniquilada. Eu nunca vi uma elite t\u00e3o ruim quanto esta aqui. E no meio dessa barafunda ainda temos a Lava Jato, uma opera\u00e7\u00e3o que come\u00e7ou com os melhores prop\u00f3sitos e se tornou uma a\u00e7\u00e3o autorit\u00e1ria, arbitr\u00e1ria, que atenta contra as justi\u00e7as democr\u00e1ticas, para n\u00e3o citar o rastro de desemprego que deixou em importantes setores da economia.<\/p>\n<p>\u00c9 de infernizar a paci\u00eancia que a Lava Jato tenha se tornado s\u00edmbolo da moraliza\u00e7\u00e3o. Mas por qu\u00ea? Porque nada est\u00e1 funcionando. Ela \u00e9 uma resposta \u00e0 ina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Conseguiram transformar a democracia em uma esb\u00f3rnia, em que ningu\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel por nada. N\u00e3o h\u00e1 lei ou preceitos do estado de direito que estejam salvaguardados.<\/p>\n<p>O futuro foi criminalizado. N\u00e3o estou dizendo que o cen\u00e1rio internacional seja um o\u00e1sis. O resto do mundo n\u00e3o est\u00e1 nenhuma maravilha, a come\u00e7ar pelos Estados Unidos. Convenhamos, n\u00e3o \u00e9 qualquer pa\u00eds que \u00e9 capaz de produzir um Trump. Eles capricharam.<\/p>\n<p>Na Europa como um todo, a situa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 desoladora. E a China, bem a China \u00e9 sempre uma inc\u00f3gnita\u2026 Mas, voltando ao nosso quintal, o centro med\u00edocre se ampliou de uma maneira b\u00e1rbara no Brasil. N\u00e3o h\u00e1 produ\u00e7\u00e3o de pensamento contra a mediocridade, de lado algum, nem da direita, nem da esquerda. Faltam causas, bandeiras, prop\u00f3sitos, falta at\u00e9 mesmo um slogan que cole a sociedade. O mais impressionante \u00e9 que n\u00e3o estamos falando de um processo longo, de uma ou duas d\u00e9cadas, mas, sim, de um quadro de r\u00e1pida deteriora\u00e7\u00e3o em um espa\u00e7o razoavelmente curto de tempo. Estou no Brasil desde 1954 e jamais vi tamanho estado de letargia. Na ditadura, havia protesto. Hoje, mal se ouve um sussurro.<\/p>\n<p>Por outro lado, tamb\u00e9m n\u00e3o se acham solu\u00e7\u00f5es pela economia, notadamente o setor produtivo. A ind\u00fastria brasileira \u201cafricanizou\u201d, como h\u00e1 muito j\u00e1 previra o saudoso Arthur Candal. Rendemo-nos \u00e0 financeiriza\u00e7\u00e3o, sem qualquer resist\u00eancia. A ideia do Estado indutor do desenvolvimento foi finalmente ferida de morte pela religi\u00e3o de que o Estado m\u00ednimo nos levar\u00e1 a um estado de gra\u00e7a da economia. Puro dogma. Estamos destruindo as \u00faltimas for\u00e7as motrizes do crescimento econ\u00f4mico e de interven\u00e7\u00e3o inclusiva e igualit\u00e1ria no social.<\/p>\n<p>Essa minha indigna\u00e7\u00e3o, por vezes misturada a um indesej\u00e1vel, mas inevit\u00e1vel estado de pessimismo, poderia ser atribu\u00edda a minha velhice. Mas n\u00e3o acho que seja n\u00e3o. Estou velha h\u00e1 muito tempo. Luto para n\u00e3o me deixar levar pelo ceticismo. N\u00e3o \u00e9 simples pelo que est\u00e1 diante de meus olhos.<\/p>\n<p>Lamento, mas n\u00e3o me dobro; sofro, mas n\u00e3o me entrego. Jamais fugi ao bom combate e n\u00e3o seria agora que iria faz\u00ea-lo. H\u00e1 sa\u00eddas para esse quadro de entropia nacional e estou convicta de que elas passam pelas novas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Como diria Sartre, n\u00e3o podemos acabar com as ilus\u00f5es da juventude. Pelo contr\u00e1rio temos de estimul\u00e1-las, incuti-las. Por ilus\u00e3o, em um sentido n\u00e3o literal, entenda-se a capacidade de mirar novos cen\u00e1rios, a profiss\u00e3o de f\u00e9 de que \u00e9 poss\u00edvel, sim, interferir no\u00a0status quo\u00a0vigente, o forte desejo de mudan\u00e7a, associado ao frescor, ao \u00edmpeto e ao poder de mobiliza\u00e7\u00e3o necess\u00e1rio para que ela ocorra. S\u00f3 consigo enxergar alguma possibilidade de cura desse estado de astenia e de reordena\u00e7\u00e3o das bases democr\u00e1ticas a partir de uma maci\u00e7a convoca\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o dos jovens.<\/p>\n<p>Por mais \u00edngreme que seja a caminhada, n\u00e3o vislumbro sa\u00eddas que n\u00e3o pela pr\u00f3pria sociedade, notadamente pelos nossos jovens. N\u00e3o os jovens de cabe\u00e7a feita, pr\u00e9-moldada, como se fossem blocos de concreto empilhados por m\u00e3os alheias. Esses mal chegaram e j\u00e1 est\u00e3o a um passo da senectude. Estou me referindo a uma juventude sem v\u00edcios, sem amarras, de mente aberta, capaz de se indignar e construir um saud\u00e1vel contraponto a essa torrente de reacionarismo que se espraia pelo pa\u00eds.<\/p>\n<p>H\u00e1 que se come\u00e7ar o trabalho de sensibiliza\u00e7\u00e3o j\u00e1, mas sabendo que o tempo de mudan\u00e7a ser\u00e3o d\u00e9cadas, sabe-se l\u00e1 quantas gera\u00e7\u00f5es. N\u00e3o consigo vislumbrar outra possibilidade para sairmos dessa geleia geral, dessa aus\u00eancia de movimentos de qualquer lado, qualquer origem, seja de natureza pol\u00edtica, econ\u00f4mica, religiosa, sen\u00e3o por uma convocat\u00f3ria aos jovens. At\u00e9 porque, se n\u00e3o for a juventude, vai se falar para quem? Para a oligarquia que est\u00e1 no poder? Para a burguesia cosmopolita \u2013 que foi a que sobrou \u2013 com sua conveniente e perversa indiferen\u00e7a? Para uma elite intelectual rarefeita e um tanto quanto aparvalhada?<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, qualquer projeto de costura dos tecidos do pa\u00eds passa obrigatoriamente pela restaura\u00e7\u00e3o do Estado. \u00c9 urgente um processo de rearruma\u00e7\u00e3o do aparelho p\u00fablico, de preenchimentos das graves lacunas pensantes. Nossa pr\u00f3pria hist\u00f3ria nos reserva epis\u00f3dios did\u00e1ticos, exemplos a serem revisitados. Na d\u00e9cada de 30, durante o primeiro governo de Get\u00falio Vargas, guardadas as devidas propor\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m viv\u00edamos uma dura crise. N\u00e3o \u00edamos a lugar algum. Ainda assim, surgiram medidas de grande impacto para a moderniza\u00e7\u00e3o do Estado, como, por exemplo, a cria\u00e7\u00e3o do Dasp \u2013 Departamento Administrativo do Servi\u00e7o P\u00fablico, comandado por Luis Sim\u00f5es Lopes.<\/p>\n<p>Na esteira do Dasp, cabe lembrar, vieram os concursos p\u00fablicos para cargos no governo federal, o primeiro estatuto dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos do Brasil, a fiscaliza\u00e7\u00e3o do Or\u00e7amento. Foi um soco no est\u00f4mago do clientelismo e do patrimonialismo. O Dasp imprimiu um novo modus operandi de organiza\u00e7\u00e3o administrativa, com a centraliza\u00e7\u00e3o das reformas em minist\u00e9rios e departamentos e a moderniza\u00e7\u00e3o do aparato administrativo. Diminuiu tamb\u00e9m a influ\u00eancia dos poderes e interesses locais. Isso para n\u00e3o falar do surgimento, nas fileiras do Departamento, de uma elite especializada que combinou alt\u00edssimo valor e conhecimento t\u00e9cnico ao comprometimento com uma vis\u00e3o reformista da gest\u00e3o da coisa p\u00fablica.<\/p>\n<p>Fa\u00e7o esse pequeno passeio no tempo para refor\u00e7ar que nunca fizemos nada sem o Estado. N\u00e3o somos uma democracia espont\u00e2nea. O fato \u00e9 que hoje o nosso Estado est\u00e1 muito arrebentado. Dessa forma, \u00e9 muito dif\u00edcil fazer uma pol\u00edtica social mais ativa. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 falta de dinheiro. O mais grave \u00e9 a falta de capital humano. O que se assiste hoje \u00e9 um projeto sat\u00e2nico de desconstru\u00e7\u00e3o do Estado, vide Eletrobras, Petrobras, BNDES\u2026<\/p>\n<p><strong>Restaura\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O Estado sempre foi a nobreza do capital intelectual, da qualidade t\u00e9cnica, da capacidade de formular pol\u00edticas p\u00fablicas transformadoras. O que se fez no Brasil \u00e9 assustador, uma calamidade. \u00c9 necess\u00e1rio um profundo plano de reorganiza\u00e7\u00e3o do Estado at\u00e9 para que se possa fazer pol\u00edticas sociais mais agudas. Chegamos, a meu ver, a um ponto de bifurca\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria: ou temos um movimento reformista ou uma revolu\u00e7\u00e3o. A primeira via me soa mais eficiente e menos traum\u00e1tica. Ainda assim, reconhe\u00e7o, precisaremos de doses cavalares do medicamento para enfrentarmos t\u00e3o grave enfermidade. Os sintomas s\u00e3o de barb\u00e1rie. Parece um fim de s\u00e9culo, embora estejamos no raiar de um. Em uma compara\u00e7\u00e3o ligeira, lembra o come\u00e7o do s\u00e9culo XX. Os fatos levaram \u00e0s duas Guerras Mundiais. Ali\u00e1s, a guerra, ainda que indesej\u00e1vel, \u00e9 uma maneira de sair do impasse.<\/p>\n<p>Por isso, repito: precisamos de uma a\u00e7\u00e3o restauradora. O que temos hoje no Brasil n\u00e3o \u00e9 uma feridinha \u00e0 toa que possa ser tratada com um pouco de mertiolate ou coberta com um esparadrapo. O Estado e a sociedade brasileira est\u00e3o em uma mesa de cirurgia. O corte \u00e9 profundo, \u00f3rg\u00e3os vitais foram atingidos, o sangramento \u00e9 dram\u00e1tico. Este ressurgimento n\u00e3o dever\u00e1 vir das urnas. N\u00e3o vejo a elei\u00e7\u00e3o como um evento potencialmente restaurador, capaz de virar a p\u00e1gina, de ser um marco da reconstru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com o neoliberalismo n\u00e3o vamos a lugar algum. Sobretudo porque, repito: historicamente o Brasil nunca deu saltos se n\u00e3o com impulsos do pr\u00f3prio Estado. Esses \u00faltimos dois anos t\u00eam sido pavorosos, do ponto de vista econ\u00f4mico, social e pol\u00edtico. Todas as reformas propostas s\u00e3o reacion\u00e1rias, da trabalhista \u00e0 previdenci\u00e1ria. Vivemos um momento de \u201cacerto de contas\u201d com Get\u00falio, com uma sanha inquisidora de direitos sem precedentes. Trata-se de um ajuste feito em cima dos desfavorecidos, da renda do trabalho, da contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria, da m\u00e3o de obra. O Brasil virou uma economia de rentistas, o que eu mais temia. \u00c9 necess\u00e1rio fazer uma eutan\u00e1sia no rentismo, a forma mais eficaz e perversa de concentra\u00e7\u00e3o de riquezas.<\/p>\n<p><strong>Renda m\u00ednima<\/strong><\/p>\n<p>Causa-me espanto que nenhum dos principais candidatos \u00e0 Presid\u00eancia esteja tratando de uma quest\u00e3o visceral como a renda m\u00ednima, proposta que sempre teve no ex-senador Eduardo Suplicy o seu mais ferrenho defensor e propagandista no Brasil. Suplicy foi ridicularizado, espezinhado por muitos, chamado de um pol\u00edtico de uma nota s\u00f3. N\u00e3o era, mas ainda que fosse, seria uma nota que daria um novo tom \u00e0 mais tr\u00e1gica de nossas sinfonias nacionais: a mis\u00e9ria e desigualdade.<\/p>\n<p>Mais uma vez, estamos na contram\u00e3o do mundo, ao menos do mundo que se deve almejar. Se, no Brasil, a renda m\u00ednima \u00e9 apedrejada por muitos, mais e mais pa\u00edses centrais adotam a medida. No Canad\u00e1, a prov\u00edncia de Ontario deu a partida no ano passado a um projeto piloto de renda m\u00ednima para todos os cidad\u00e3os, empregados ou n\u00e3o. A Finl\u00e2ndia foi pelo mesmo caminho e come\u00e7ou a testar um programa tamb\u00e9m em 2017. Ao que se sabe, cerca de dois mil finlandeses passaram a receber algo em torno de 500 euros por m\u00eas.<\/p>\n<p>Na Holanda, cerca de 300 moradores da regi\u00e3o de Utrecht passaram a receber de 900 euros a 1,3 mil euros por m\u00eas. O nome do programa holand\u00eas \u00e9 sugestivo: Weten Wat Werkt (\u201cSaber o que funciona\u201d). Funcionaria para o Brasil, tenho certeza.<\/p>\n<p>O modelo encontrou acolhida at\u00e9 nos Estados Unidos. Desde a d\u00e9cada de 80, o Alasca paga a cada um de seus 700 mil habitantes um rendimento m\u00ednimo chamado Alaska Permanent Fund Dividend. Os recursos v\u00eam de um fundo de investimento lastreado nos royalties do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p>\u00c9 bom que se diga que dois dos fundamentalistas do liberalismo, os economistas F. A. Hayek e Milton Friedman, eram defensores da renda b\u00e1sica e at\u00e9 disputavam a primazia pela paternidade da ideia. Friedman dizia que a medida substituiria outras a\u00e7\u00f5es assistencialistas dispersas.<\/p>\n<p>No Brasil, o debate sobre a renda b\u00e1sica prima pela sua circularidade. O Bolsa-Fam\u00edlia foi uma proxy de uma constru\u00e7\u00e3o que n\u00e3o avan\u00e7ou. Segundo o FMI, a distribui\u00e7\u00e3o de 4,6% do PIB reduziria a pobreza brasileira em espetaculares 11%.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma ideia que precisa ser resgatada, uma bandeira \u00e0 espera de uma m\u00e3o. Entre os candidatos \u00e0 presid\u00eancia, s\u00f3 consigo enxergar o Lula como algu\u00e9m identificado com a proposta. Se bem que a coisa est\u00e1 t\u00e3o ruim que, mesmo que ele possa se candidatar e seja eleito, teria enorme dificuldade de emplacar projetos realmente transformadores. O PT n\u00e3o tem for\u00e7a o suficiente; os outros partidos de esquerda n\u00e3o reagem.<\/p>\n<p>Lula sempre foi um grande conciliador. Mas um conciliador perde o seu maior poder quando n\u00e3o h\u00e1 conflitos. E uma das ra\u00edzes da nossa pasmaceira, desta letargia, \u00e9 justamente a aus\u00eancia de conflitos, de contrapontos. N\u00e3o tem nada para conciliar. Mais do que conflitiva, a sociedade est\u00e1 anestesiada, quase em coma induzido. O que faz um pacificador quando n\u00e3o h\u00e1 o que pacificar?<\/p>\n<p>https:\/\/www.cartamaior.com.br\/?\/Editoria\/Politica\/Restaurar-o-Estado-e-preciso\/4\/39321#.WoA3llsFRX0.whatsapp<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maria da Concei\u00e7\u00e3o Tavares &#8211; &#8216;S\u00f3 consigo enxergar alguma possibilidade de cura desse estado de astenia e de reordena\u00e7\u00e3o das bases democr\u00e1ticas a partir de uma maci\u00e7a convoca\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00e3o dos jovens&#8217;. Vivemos sob a penumbra da mais grave crise da hist\u00f3ria do Brasil, uma crise econ\u00f4mica, social e pol\u00edtica. 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