{"id":7071,"date":"2018-02-11T21:15:58","date_gmt":"2018-02-11T23:15:58","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=7071"},"modified":"2018-02-11T21:12:52","modified_gmt":"2018-02-11T23:12:52","slug":"erradicar-a-fome-e-muito-barato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2018\/02\/11\/erradicar-a-fome-e-muito-barato\/","title":{"rendered":"\u201cErradicar a fome \u00e9 muito barato\u201d"},"content":{"rendered":"<p><strong>ALEXANDRA PRADO COELHO<\/strong> &#8211; Produzir mais alimentos \u201cn\u00e3o \u00e9 a prioridade\u201d num planeta em que a fome \u201cest\u00e1 circunscrita\u201d e a obesidade come\u00e7a a ser um problema. Jos\u00e9 Graziano da Silva, Director-Geral da FAO e o respons\u00e1vel pelo programa Fome Zero, no Brasil, esteve em Portugal e deixou uma mensagem: quem alimenta o mundo s\u00e3o as grandes agro-ind\u00fastrias e \u201ctemos que mudar isso\u201d. A resposta est\u00e1 na agricultura familiar.<\/p>\n<p>O director-geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO), o brasileiro Jos\u00e9 Graziano da Silva, esteve em Lisboa para participar na reuni\u00e3o de alto n\u00edvel da Comunidade dos Pa\u00edses de Express\u00e3o Portuguesa (CPLP), no final da qual foi assinada a Carta de Lisboa pelo Fortalecimento da Agricultura Familiar.<\/p>\n<p>\u00c9 nos agricultores familiares que est\u00e1 a resposta para os problemas da alimenta\u00e7\u00e3o no mundo, defende Jos\u00e9 Graziano, que foi o respons\u00e1vel pela implanta\u00e7\u00e3o do programa Fome Zero no Brasil. A fome est\u00e1 hoje circunscrita a zonas de conflito e de altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas profundas, pelo que a obesidade \u00e9 cada vez mais uma preocupa\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso alimentar uma popula\u00e7\u00e3o crescente, sim, mas aumentar a produ\u00e7\u00e3o de alimentos \u201cn\u00e3o \u00e9 a prioridade\u201d, afirma o respons\u00e1vel da FAO. O mundo alimenta-se mal. \u201cN\u00e3o sabemos o que comemos.\u201d<\/p>\n<p><strong>Durante a sua visita referiu-se ao aumento da obesidade no mundo. \u00c9 um problema come\u00e7a a preocupar a FAO mais que o da fome?<\/strong><br \/>\nEu n\u00e3o diria que preocupa mais. Ele ilustra o problema da m\u00e1 alimenta\u00e7\u00e3o, que vai desde o n\u00e3o comer at\u00e9 ao comer demais. Neste momento, nos pa\u00edses de renda m\u00e9dia e alta preocupa-nos muito mais o problema da obesidade do que o da fome. O problema da fome est\u00e1 bem circunscrito em tr\u00eas grandes \u00e1reas: os pa\u00edses em conflito, guerra civil, etc., como \u00e9 o caso I\u00e9men e de alguns pa\u00edses africanos; est\u00e1 localizado em \u00e1reas afectadas pelos impactos do clima, particularmente secas prolongadas, como no Leste de \u00c1frica, muito afectada nos \u00faltimos tr\u00eas anos em regi\u00f5es como a Som\u00e1lia ou o Qu\u00e9nia; e est\u00e1 localizado em bols\u00f5es de pobreza, de mis\u00e9ria extrema, t\u00edpicos de pa\u00edses n\u00e3o s\u00f3 em desenvolvimento, mas tamb\u00e9m com um desenvolvimento muito desigual.<\/p>\n<p>Fora isso, h\u00e1 uma epidemia geral de obesidade. Por vezes, at\u00e9 na mesma fam\u00edlia em que h\u00e1 um subnutrido, h\u00e1 um obeso. Afecta ricos e pobres e \u00e9 um problema que vem da mudan\u00e7a de h\u00e1bitos alimentares que tivemos nos \u00faltimos 40, 50 anos. Pass\u00e1mos da comida feita pela av\u00f3 ou pela m\u00e3e para uma comida terceirizada, feita pelos outros, que n\u00e3o sabemos o que tem. N\u00e3o sabemos o que comemos e isso leva-nos a ingerir muito mais sal, a\u00e7\u00facares, muito mais gorduras saturadas do que necessitamos.<\/p>\n<p>Precisamos de recuperar o dom\u00ednio da alimenta\u00e7\u00e3o, saber o que comemos, \u00e9 um problema de educa\u00e7\u00e3o alimentar, mas tamb\u00e9m um esfor\u00e7o por comer de uma maneira mais saud\u00e1vel, mais frutas, verduras, mais produtos frescos e comer mais o que estamos acostumados a comer da nossa cultura, a comida nacional, e n\u00e3o o fazer apenas em dias de festa.<\/p>\n<p><strong>A popula\u00e7\u00e3o mundial continua a crescer e \u00e9 preciso respostas para alimentar esse n\u00famero de pessoas. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas acredit\u00e1mos que essas respostas estavam na revolu\u00e7\u00e3o verde, na agro-ind\u00fastria, nos avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos. Neste momento, a FAO alterou a forma de olhar para o problema?<\/strong><br \/>\n\u00c9 verdade. Desde a revolu\u00e7\u00e3o verde, nos anos 60 e 70 do s\u00e9culo passado, que o problema da produ\u00e7\u00e3o tem sido equacionado de melhor forma que o do consumo. Neste momento, a fome n\u00e3o se explica pela falta de produ\u00e7\u00e3o de alimentos mas sim pela falta de acesso aos alimentos. N\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o haja produto, n\u00e3o h\u00e1 dinheiro para comprar o que comer. As pessoas n\u00e3o t\u00eam emprego, t\u00eam rendimentos muito baixos, n\u00e3o conseguem ter uma dieta saud\u00e1vel. Mas sobram alimentos. O mundo hoje deita fora um ter\u00e7o do que produz, aproximadamente.<\/p>\n<p><a title=\"Aumentar\" href=\"http:\/\/imagens.publico.uol.com.br\/imagens.aspx\/1200316?tp=UH&amp;db=IMAGENS\" data-toggle=\"fancybox\" data-fancybox-type=\"image\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imagens.publico.uol.com.br\/imagens.aspx\/1200316?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;w=780\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>Para Jos\u00e9 Graziano, a resposta para a fome no mundo est\u00e1 na agricultura familiar<\/em><\/p>\n<p><strong>A ideia de que temos de multiplicar a produ\u00e7\u00e3o de alimentos n\u00e3o \u00e9 correcta?<\/strong><br \/>\nN\u00e3o \u00e9 a prioridade do momento. Sou muito cauteloso ao dizer que n\u00e3o h\u00e1 um problema de oferta, porque h\u00e1. Em lugares muito localizados, na \u00c1frica subsariana, por exemplo, v\u00e1rios pa\u00edses t\u00eam um problema de conseguir produzir a quantidade de alimentos de que necessitam para a sua popula\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o generalizada, s\u00e3o problemas localizados em regi\u00f5es muito particulares.<\/p>\n<p>Temos a tecnologia dominada para permitir a produ\u00e7\u00e3o dos alimentos de que precisamos, e de alimentos saud\u00e1veis. A situa\u00e7\u00e3o hoje \u00e9 completamente diferente da dos anos 60 e 70. A revolu\u00e7\u00e3o verde cumpriu esse papel de equacionar o problema da produ\u00e7\u00e3o de alimentos. Mas sempre que a gente resolve um problema, em geral causa outros.<\/p>\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o verde trouxe impactos no meio ambiente, o excessivo uso de qu\u00edmicos, e, sobretudo, essa concentra\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o em alguns alimentos. Hoje temos quatro, cinco, seis produtos que respondem por 80% do que n\u00f3s consumimos: o arroz, o milho, o trigo, a soja e a batata. N\u00e3o pode ser. N\u00f3s temos 36 mil plantas e animais que fornecem alimenta\u00e7\u00e3o ao Homem, n\u00e3o podemos estar concentrados em cinco da maneira que estamos.<\/p>\n<p><strong>Hoje a FAO defende o refor\u00e7o da agricultura familiar, o que choca com o poder e os interesses da grande ind\u00fastria alimentar. Como \u00e9 que se consegue resolver esse dilema?<\/strong><br \/>\nN\u00f3s desenvolvemos sistemas alimentares fortemente concentrados nas cadeias agro-industriais. Agora quem alimenta o mundo s\u00e3o as grandes agro-ind\u00fastrias. Temos de mudar isso. E \u00e9 um esfor\u00e7o de recupera\u00e7\u00e3o porque a alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 parte da nossa identidade. Eu venho a Portugal e sei duas coisas fundamentais: primeiro, que vou falar portugu\u00eas, segundo, que vou comer bacalhau, que \u00e9 parte da cultura e tradi\u00e7\u00e3o portuguesa mesmo n\u00e3o sendo um peixe daqui. Alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 o que n\u00f3s somos, o que a nossa fam\u00edlia \u00e9, o que a nossa aldeia, a nossa regi\u00e3o \u00e9. Recuperar esse poder de interiorizar de novo a alimenta\u00e7\u00e3o, que foi externalizada e banalizada, \u00e9 parte desse projecto de comer melhor e comer saud\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>Um exemplo bom \u00e9 a quest\u00e3o das sementes \u2014 as directrizes da FAO falam da import\u00e2ncia das sementes tradicionais, mas a legisla\u00e7\u00e3o europeia vai num sentido contr\u00e1rio. N\u00e3o existe, entre a Carta de Lisboa que acaba de ser assinada pelos pa\u00edses da CPLP, e as regras da Pol\u00edtica Agr\u00edcola Comum (PAC) uma contradi\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nHoje j\u00e1 temos implantados em praticamente todos os pa\u00edses do mundo bancos de sementes tradicionais, que est\u00e3o a ser preservadas, n\u00e3o s\u00f3 localmente mas tamb\u00e9m em Svalbard, na Noruega, temos um silo em que preservamos todas as esp\u00e9cies do mundo. H\u00e1 um esfor\u00e7o de recuperar esse conhecimento ancestral, at\u00e9 porque dependemos disso no futuro. Com todas as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, vamos precisar de revisitar todas essas variedades para termos sementes mais resistentes \u00e0 seca, ao calor, ao excesso de \u00e1gua em algumas regi\u00f5es. Esse esfor\u00e7o muitas vezes obriga a voltar \u00e0 origem gen\u00e9tica dessas plantas e animais. Isso \u00e9 parte do desenvolvimento cient\u00edfico e a FAO defende que a preserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade \u00e9 fundamental.<\/p>\n<div class=\"story__callout--inline\">\n<aside class=\"pull pull-quote quote\">\n<blockquote><p>Hoje, a fome n\u00e3o se explica pela falta de produ\u00e7\u00e3o de alimentos, mas sim pela falta de acesso aos alimentos<\/p>\n<footer>Jos\u00e9 Graziano da Silva<\/footer>\n<\/blockquote>\n<\/aside>\n<\/div>\n<p><strong>Sente que h\u00e1 vontade pol\u00edtica para isso? Sendo que ela passa possivelmente por altera\u00e7\u00f5es na PAC ou nas pol\u00edticas e legisla\u00e7\u00f5es de outros pa\u00edses para acomodar esta nova vis\u00e3o?<\/strong><br \/>\nH\u00e1 interesses muito fortes consolidados em torno do actual sistema agro-alimentar. Mas tamb\u00e9m h\u00e1 contradi\u00e7\u00f5es t\u00e3o evidentes, como \u00e9 o caso da obesidade, que se v\u00e3o impondo a esse poder existente. J\u00e1 vemos contesta\u00e7\u00f5es v\u00e1rias, m\u00e9dicos, advogados, agr\u00f3nomos, economistas que se juntam para pedir uma altera\u00e7\u00e3o desse sistema agro-alimentar existente. Acredito que isso comece a abrir oportunidades de novas legisla\u00e7\u00f5es. Portugal est\u00e1 a criar um estatuto da agricultura familiar, um estatuto do direito \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, isso tudo s\u00e3o progressos que estamos a ver em v\u00e1rias partes do mundo.<\/p>\n<p><strong>O caso brasileiro \u00e9 um exemplo que tem citado muitas vezes e ao qual est\u00e1 profundamente ligado. Disse que h\u00e1 medidas do programa Fome Zero que est\u00e3o a ser revertidas neste momento. Existe o risco de se voltar a situa\u00e7\u00f5es anteriores, eventualmente at\u00e9 do regresso do Brasil do mapa da fome?<\/strong><br \/>\nO Brasil est\u00e1 a passar por uma crise social muito profunda, uma crise que tem muitas dimens\u00f5es. Uma delas \u00e9 a regress\u00e3o de uma s\u00e9rie de programas sociais que foram implantados e que garantiram a erradica\u00e7\u00e3o da fome em menos de uma d\u00e9cada. A persistir essa regress\u00e3o, sem d\u00favida cria-se uma oportunidade de o Brasil voltar ao mapa da fome. Mas n\u00e3o acredito que isso seja uma fatalidade hist\u00f3rica.<\/p>\n<p>O Brasil foi o primeiro pa\u00eds nos tempos modernos a erradicar a fome. Um pa\u00eds de mais de 200 milh\u00f5es de habitantes em menos de dez anos ter tirado 40, 50 milh\u00f5es de pessoas da pobreza extrema, da mis\u00e9ria e da fome\u2026 n\u00e3o se reverte isso com facilidade. O Brasil vai voltar a crescer este ano, o que j\u00e1 \u00e9 um sintoma promissor, acredito que esses direitos conquistados pelo cidad\u00e3o brasileiro de comer dignamente ser\u00e3o direitos reclamados nas elei\u00e7\u00f5es que vir\u00e3o por todos os movimentos sociais que o Brasil tem hoje organizados. Acho dif\u00edcil o pa\u00eds voltar ao mapa da fome simplesmente por uma crise conjuntural.<\/p>\n<p><strong>Mas o Brasil conseguiu implementar todas essas medidas num momento particularmente positivo da sua economia. Pa\u00edses mais pobres conseguir\u00e3o fazer isso? S\u00e3o medidas que custam dinheiro.<\/strong><br \/>\nCustam muito pouco. Erradicar a fome \u00e9 muito barato. A estimativa no caso do Brasil, que \u00e9 o programa mais amplo que n\u00f3s temos hoje no mundo, \u00e9 que ele custa meio por cento do PIB. \u00c9 muito pouco dinheiro.<\/p>\n<p><strong>Estamos a falar do programa de compras p\u00fablicas [com o qual o Estado compra a produtores locais para abastecer cantinas p\u00fablicas, por exemplo], da Bolsa Fam\u00edlia?<\/strong><br \/>\nTodos os programas, a reforma por tempo de idade e n\u00e3o por tempo de servi\u00e7o, um conjunto de medidas que foram implementadas no Brasil e que levaram \u00e0 erradica\u00e7\u00e3o da fome. \u00c9 muito barato. A comida, de todos os elementos fundamentais da vida, \u00e9 a mais barata. N\u00e3o \u00e9 um problema de custo, \u00e9 um problema de prioridade pol\u00edtica. Mesmo os mais pobres dos pa\u00edses podem p\u00f4r em funcionamento programas para erradicar a fome.<\/p>\n<p><a title=\"Aumentar\" href=\"http:\/\/imagens.publico.uol.com.br\/imagens.aspx\/1200317?tp=UH&amp;db=IMAGENS\" data-toggle=\"fancybox\" data-fancybox-type=\"image\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imagens.publico.uol.com.br\/imagens.aspx\/1200317?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;w=780\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>&#8220;Mesmo os mais pobres podem p\u00f4r em funcionamento programas para erradicar a fome&#8221;<\/em><\/p>\n<p><strong>Voltando \u00e0 quest\u00e3o da fome severa, apesar de se dever sobretudo a conflitos ou altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, ela cresceu nos \u00faltimos dois anos. O que \u00e9 que levou a essa invers\u00e3o no caminho positivo que se estava a conseguir fazer nos anos anteriores?<\/strong><br \/>\nOs anos de 2015 e 2016 foram anos at\u00edpicos na s\u00e9rie hist\u00f3rica que a FAO trabalha. A revers\u00e3o veio sobretudo em \u00c1frica e pelos conflitos que se multiplicaram, como a guerra do Sud\u00e3o do Sul, no Congo, mas tamb\u00e9m na Som\u00e1lia, o impacto das secas na Eti\u00f3pia, na Som\u00e1lia, em toda a costa leste africana em 2015. Em 2016 houve o acentuar do problema, com o agravar das secas e dos conflitos.<\/p>\n<p>O que eu projecto \u00e9 que em 2018 exista um optimismo econ\u00f3mico. O mundo deve voltar a crescer, tanto o mundo desenvolvido como o mundo em desenvolvimento. Isso gera emprego, oportunidades de trabalho, estou optimista que vamos ter um ano melhor do ponto de vista clim\u00e1tico, econ\u00f3mico, e se tivermos um ano melhor do ponto de vista pol\u00edtico, podemos resolver muitos problemas.<\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 que o leva a estar optimista em rela\u00e7\u00e3o ao clima?<\/strong><br \/>\nTemos uma capacidade de projec\u00e7\u00e3o at\u00e9 seis meses e este ano, por enquanto, os sinais do\u00a0<em>El Ni\u00f1o<\/em>\u00a0em \u00c1frica, por exemplo, n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o fortes quanto os do ano passado. Se ocorrer, o\u00a0<em>El Ni\u00f1o<\/em>\u00a0n\u00e3o ser\u00e1 da magnitude e intensidade que tivemos nos dois, tr\u00eas anos anteriores. E tamb\u00e9m porque os pa\u00edses aprenderam. N\u00e3o \u00e9 preciso ter uma seca e ter fome. N\u00e3o se pode evitar a seca, mas pode evitar-se que a seca seja transformada em fome se houver pol\u00edticas sociais contrac\u00edclicas para enfrentar o problema. Os pa\u00edses aprenderam isso, existe j\u00e1 um financiamento do Fundo do Clima que est\u00e1 acess\u00edvel a muitos pa\u00edses.<\/p>\n<p><strong>Em Portugal, al\u00e9m dos efeitos das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, h\u00e1 a quest\u00e3o da desertifica\u00e7\u00e3o do interior. Acredita que \u00e9 poss\u00edvel reverter esse cen\u00e1rio?<\/strong><br \/>\nPortugal \u00e9 um bom exemplo, que agora come\u00e7a a legislar e a monitorizar. N\u00f3s estamos a furar o planeta em muitos lugares para tirar \u00e1gua, mas isso n\u00e3o pode acontecer. Um dia essa \u00e1gua armazenada no subsolo acaba, precisamos fazer um melhor uso dela. As tecnologias hoje existem, pode-se irrigar com muito mais efici\u00eancia, existe a t\u00e9cnica gota a gota, que usa mil vezes menos \u00e1gua que a de inunda\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma tecnologia que est\u00e1 dispon\u00edvel e tem de ser implementada, tem de se proibir a rega por inunda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para isso, \u00e9 preciso financiar os agricultores, principalmente os mais pobres, os familiares, para que possam aceder a essas tecnologias. \u00c9 a\u00ed que estamos, um passo pede outro, mas estamos caminhando na direc\u00e7\u00e3o certa. Portugal \u00e9 um grande exemplo, hoje, de como usar as directivas da PAC para ajudar os menos favorecidos, os mais pobres, fazendo uma discrimina\u00e7\u00e3o positiva para superar a diferen\u00e7a que existe.<\/p>\n<p><a title=\"Aumentar\" href=\"http:\/\/imagens.publico.uol.com.br\/imagens.aspx\/1200318?tp=UH&amp;db=IMAGENS\" data-toggle=\"fancybox\" data-fancybox-type=\"image\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imagens.publico.uol.com.br\/imagens.aspx\/1200318?tp=UH&amp;db=IMAGENS&amp;w=780\" alt=\"\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>&#8220;Precisamos de recuperar o dom\u00ednio da alimenta\u00e7\u00e3o, saber o que comemos, \u00e9 um problema de educa\u00e7\u00e3o alimentar, mas tamb\u00e9m um esfor\u00e7o por comer de uma maneira mais saud\u00e1vel&#8221;<\/em><\/p>\n<p>http:\/\/publico.uol.com.br\/mundo\/noticia\/erradicar-a-fome-e-muito-barato-1802585<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ALEXANDRA PRADO COELHO &#8211; Produzir mais alimentos \u201cn\u00e3o \u00e9 a prioridade\u201d num planeta em que a fome \u201cest\u00e1 circunscrita\u201d e a obesidade come\u00e7a a ser um problema. 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