{"id":7006,"date":"2018-02-08T09:01:30","date_gmt":"2018-02-08T11:01:30","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=7006"},"modified":"2018-02-06T11:07:26","modified_gmt":"2018-02-06T13:07:26","slug":"no-capitalismo-so-nao-ha-espaco-para-dois-entes-o-ser-humano-e-a-natureza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2018\/02\/08\/no-capitalismo-so-nao-ha-espaco-para-dois-entes-o-ser-humano-e-a-natureza\/","title":{"rendered":"No capitalismo s\u00f3 n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para dois entes: o ser humano e a natureza"},"content":{"rendered":"<p><strong>Patricia Fachin &#8211;\u00a0<\/strong>O ponto final na curta hist\u00f3ria do projeto de\u00a0estado de bem-estar social, iniciado no p\u00f3s-guerra, parece ter sido colocado com a\u00a0crise financeira mundial de 2008. Se o capitalismo atual, impulsionado pela\u00a0financeiriza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o encontra limites matem\u00e1ticos, alcan\u00e7ando uma cifra 350% superior ao\u00a0PIB mundial, defronta-se com a barreira que lhe confere alguma materialidade: o ser humano e a natureza. \u201c\u00c9 bem evidente hoje que os problemas ecol\u00f3gicos, tais como o aquecimento global, a polui\u00e7\u00e3o das \u00e1guas pot\u00e1veis, a acidifica\u00e7\u00e3o dos oceanos, a destrui\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies, etc. amea\u00e7am o\u00a0capitalismo porque amea\u00e7am a pr\u00f3pria continuidade da vida humana na Terra. Eis que a natureza, assim como o ser humano que faz parte dela, n\u00e3o est\u00e1 integrada ao capital; eis que ambos est\u00e3o apenas subordinados e que, por isso mesmo, podem contrariar a l\u00f3gica de expans\u00e3o insaci\u00e1vel que caracteriza sobretudo o modo de exist\u00eancia da produ\u00e7\u00e3o capitalista\u201d, pontua\u00a0Eleut\u00e9rio F. S. Prado, em entrevista por e-mail \u00e0\u00a0IHU On-Line.<\/p>\n<p>\u201cNo\u00a0capitalismo contempor\u00e2neo, quase todos os setores est\u00e3o dominados por oligop\u00f3lios formados por grandes ou mesmo enormes empresas, as quais s\u00e3o administradas com base em uma vis\u00e3o financeira dos neg\u00f3cios\u201d, descreve\u00a0Prado. \u201cA sua l\u00f3gica \u00e9 de curto prazo: obter o m\u00e1ximo lucro para repass\u00e1-lo aos juristas (os\u00a0keynesianos\u00a0usariam aqui a palavra \u2018rentistas\u2019). H\u00e1, ademais, um certo consenso no pensamento cr\u00edtico de que a\u00a0financeiriza\u00e7\u00e3o\u00a0est\u00e1 associada a um capitalismo de crescimento rastejante, mas altamente concentrador de renda\u201d, complementa.<\/p>\n<p>O professor acrescenta que testemunhamos uma tentativa sistem\u00e1tica de supress\u00e3o dos\u00a0direitos dos trabalhadores, conquistados historicamente, em detrimento da prote\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e inger\u00eancias pol\u00edticas. \u201cA democracia pressup\u00f5e o cidad\u00e3o, mas o neoliberalismo quer transformar o humano em mero agente econ\u00f4mico. E este apenas compete dentro de regras que n\u00e3o cria e, por isso, n\u00e3o se junta a outros na luta pelo comum\u201d, analisa. \u201cAtualmente, os Estados pouco se preocupam com o bem-estar da popula\u00e7\u00e3o, pois se concentram em impor as normas e as leis que favorecem a\u00a0financeiriza\u00e7\u00e3o, a competi\u00e7\u00e3o generalizada e a globaliza\u00e7\u00e3o. Diante desse quadro, como sugerem\u00a0Dardot e Laval\u00a0\u00a0(1) no livro\u00a0Comum. Ensaio sobre a revolu\u00e7\u00e3o no s\u00e9culo XXI\u00a0(S\u00e3o Paulo:\u00a0Boitempo, 2017), n\u00e3o se pode mais depositar as esperan\u00e7as progressistas na possibilidade de vir a usar o poder estatal\u201d, critica o entrevistado.<\/p>\n<div class=\"ihu-small-image-left\">\n<div class=\"news-image-credits\">\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.ihu.unisinos.br\/images\/ihu\/2018\/01\/23_01_eleuterio_f_s_prado-foto-reproducaofacebook.jpg?w=640\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p><em>Eleut\u00e9rio F. S. Prado<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/569161-liberais-e-invenciveis-ate-a-pagina-dois\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Eleut\u00e9rio F. S. Prado<\/a>\u00a0realizou gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Economia pela Universidade de S\u00e3o Paulo. Fez est\u00e1gio p\u00f3s-doutoral na Universidade de Yale, nos Estados Unidos e, mais tarde, livre doc\u00eancia na USP. Atualmente \u00e9 professor aposentado.<\/p>\n<h3>Confira a entrevista.<\/h3>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Como o senhor interpreta a afirma\u00e7\u00e3o de Latour[1], citada por Chesnais[2] em seu artigo \u201cAs dimens\u00f5es financeiras do impasse do capitalismo \u2013 Terceira parte\u201d, que diz: \u201cas classes dominantes j\u00e1 n\u00e3o pretendem mais governar, mas apenas se protegerem do mundo\u201d? Na pr\u00e1tica, que a\u00e7\u00f5es sinalizam esse desejo de prote\u00e7\u00e3o das classes dominantes?<\/strong><\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">As classes dominantes acham agora que n\u00e3o podem mais arcar com os custos dessa integra\u00e7\u00e3o<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Eleut\u00e9rio F. S. Prado \u2013<\/strong>\u00a0Trata-se de uma percep\u00e7\u00e3o do sentido da a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica das classes dominantes.\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/stories\/cadernos\/ideias\/035cadernosihuideias.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Adam Smith<\/a>[3], ainda no s\u00e9culo XVIII, dizia que a riqueza das na\u00e7\u00f5es cresceria na \u201csociedade comercial\u201d e que isto favoreceria todas as classes.\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/570979-neoliberalismo-a-grande-ideia-que-engoliu-o-mundo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Friedrich Hayek<\/a>[4], no final do s\u00e9culo XX, ao contr\u00e1rio, dizia claramente que a\u00a0<strong>justi\u00e7a social<\/strong>\u00a0\u00e9 uma miragem. E que, portanto, os problemas da reparti\u00e7\u00e3o da renda, da pobreza, da desestrutura\u00e7\u00e3o social, da viol\u00eancia pand\u00eamica, etc. n\u00e3o tinham solu\u00e7\u00e3o dentro do\u00a0<strong>capitalismo<\/strong>. Era uma tese te\u00f3rica, mas ela se transformou numa profecia. A destrui\u00e7\u00e3o generalizada do\u00a0<strong>estado de bem-estar social<\/strong>mostra que a sua concep\u00e7\u00e3o pol\u00edtica venceu e que ela est\u00e1 se tornando, cada vez mais, bruta e dura realidade.<\/p>\n<p>A preserva\u00e7\u00e3o do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/569216-economia-populista-e-aquela-voltada-ao-bem-estar-social-entrevista-especial-com-fernando-nogueira-da-costa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">estado de bem-estar social<\/a>\u00a0nos pa\u00edses centrais, algo que se manteve \u2013 com algum rebaixamento \u2013 mesmo na fase\u00a0<strong>neoliberal<\/strong>\u00a0que come\u00e7a nos anos 1970 e que vai at\u00e9 a grande crise de 2008, indica que as classes dominantes se preocupavam a\u00ed, at\u00e9 ent\u00e3o, com a integra\u00e7\u00e3o social dos trabalhadores n\u00e3o s\u00f3 ao modo de produ\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m \u00e0 ordem social e pol\u00edtica da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/169-noticias\/noticias-2015\/545326-a-crise-politica-e-os-limites-da-democracia-liberal-como-vetor-de-desenvolvimento-soberano-no-brasil-e-na-america-latina\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">democracia liberal<\/a>. Pouco importa se a mantinham devido \u00e0 guerra fria e a competi\u00e7\u00e3o com o socialismo real, por temor de uma eventual situa\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria ou por convic\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria ou desenvolvimentista.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/539836-o-capitalismo-nunca-sera-subvertido-sera-aspirado-para-baixo-entrevista-com-bruno-latour\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Latour<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/173-noticias\/noticias-2011\/46384-crise-financeira-mostra-regime-em-beco-sem-saida-diz-chesnais\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Chesnais<\/a>\u00a0julgam \u2013 creio \u2013 que essa preocupa\u00e7\u00e3o agora se desvaneceu. Segundo eles \u2013 penso \u2013, as classes dominantes acham agora que n\u00e3o podem mais arcar com os custos dessa integra\u00e7\u00e3o e que, portanto, uma parte da popula\u00e7\u00e3o mundial ficar\u00e1, sim, exclu\u00edda da vida civilizada n\u00e3o s\u00f3 na periferia, mas tamb\u00e9m no pr\u00f3prio centro do sistema. Muitos membros dessas classes duvidam mesmo que seja poss\u00edvel manter o\u00a0<strong>capitalismo<\/strong>\u00a0e suportar os custos crescentes dos danos ambientais. Julgam, portanto, que t\u00eam de fazer uma op\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica. Escolhem, ent\u00e3o, defenderem-se da barb\u00e1rie crescente seja nos condom\u00ednios fechados seja no interior dos pa\u00edses de alta renda. Ademais, como a riqueza dessas classes \u00e9 cada vez mais formada por ativos financeiros, elas aspiram mant\u00ea-la e mesmo faz\u00ea-la crescer para poder conservar o modo de vida que alcan\u00e7aram no passado recente.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Ao tratar dos impasses do capitalismo globalizado, Chesnais defende que o uso dos recursos naturais e consequentemente a deteriora\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es ambientais \u00e9 um limite externo para o desenvolvimento do capitalismo. \u00c9 poss\u00edvel resumir a tese sustentada por ele?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eleut\u00e9rio F. S. Prado \u2013<\/strong>\u00a0<strong>Chesnais<\/strong>\u00a0parece acreditar que o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/540406-capitalismo-do-pos-guerra-esta-no-fim-diz-streeck-\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">capitalismo<\/a>\u00a0est\u00e1 se aproximando de limites intranspon\u00edveis. Um deles seria o rompimento do equil\u00edbrio ecossist\u00eamico e o outro seria a redu\u00e7\u00e3o da gera\u00e7\u00e3o de valor e de mais-valor em decorr\u00eancia dos efeitos da automa\u00e7\u00e3o. Entretanto, ele mesmo faz uma cita\u00e7\u00e3o de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/173-noticias\/noticias-2011\/501076-marx-estava-certo-sobre-o-capitalismo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Marx<\/a>que parece contrariar a ideia de que h\u00e1 limites insuper\u00e1veis.<\/p>\n<p>N\u00e3o poderei fazer melhor do que citar um trecho de um outro artigo recente do pr\u00f3prio\u00a0<strong>Chesnais<\/strong>: \u201cNo livro III de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/572065-como-nasceu-a-obra-o-capital\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O Capital<\/a>,\u00a0<strong>Marx<\/strong>\u00a0afirma que \u2018a\u00a0<strong>produ\u00e7\u00e3o capitalista<\/strong>\u00a0tende constantemente a exceder os limites que lhe s\u00e3o imanentes, mas s\u00f3 o consegue fazer utilizando meios, que, mais uma vez, e agora em escala maior, recolocam depois perante si essas mesmas barreiras\u2019. A quest\u00e3o posta \u00e9 a de saber se a produ\u00e7\u00e3o capitalista est\u00e1 agora se confrontando com barreiras que ela n\u00e3o pode mais ultrapassar, nem mesmo temporariamente. Estar\u00edamos em presen\u00e7a de duas formas de limites intranspon\u00edveis, com implica\u00e7\u00f5es muito fortes para a reprodu\u00e7\u00e3o do capital e a gest\u00e3o da ordem burguesa, sobretudo para a vida civilizada. Uma delas, decorrente dos efeitos da automa\u00e7\u00e3o, remonta ao s\u00e9culo XIX e tem um car\u00e1ter imanente, interno ao movimento do capital, sobre o qual Marx insistiu fortemente. A outra, decorrente da destrui\u00e7\u00e3o pela produ\u00e7\u00e3o capitalista dos equil\u00edbrios ecossist\u00eamicos, particularmente da biosfera, n\u00e3o foi prevista por\u00a0<strong>Marx<\/strong>\u00a0e foi inicialmente definida como um limite externo\u201d.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Que rumos imagina para o futuro do capitalismo? Quais s\u00e3o as evid\u00eancias de que impactos no uso dos recursos naturais j\u00e1 est\u00e1 gerando no desenvolvimento do capitalismo globalizado? Seu diagn\u00f3stico \u00e9 o mesmo de Chesnais?<\/strong><\/p>\n<div class=\"news-citacao-right\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">A natureza, assim como o ser humano que faz parte dela, n\u00e3o est\u00e1 integrada ao capital<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Eleut\u00e9rio F. S. Prado \u2013<\/strong>\u00a0Esfor\u00e7o-me para pensar essa e outras quest\u00f5es a partir de\u00a0<strong>Marx[5]<\/strong>, tentando ser rigoroso. Tenho sempre presente, no entanto, que isto n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. E que, portanto, tenho de tomar muito cuidado para n\u00e3o cometer erros. Um ponto importante \u00e9 tentar dominar o modo de pensar da dial\u00e9tica e n\u00e3o supor nunca que o rumo da hist\u00f3ria esteja pr\u00e9-determinado.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/172-noticias\/noticias-2012\/507558-marx-esta-mais-vivo-e-atual-do-que-nunca\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Marx<\/a>\u00a0fala no trecho acima citado da din\u00e2mica interna da acumula\u00e7\u00e3o e que esta cria barreiras para si mesma, as quais sempre ultrapassa ou tende a ultrapassar. N\u00e3o fala de limites externos \u00e0 totalidade formada pela pr\u00f3pria rela\u00e7\u00e3o de\u00a0<strong>capital<\/strong>. Julgo que\u00a0<strong>Marx<\/strong>, por\u00e9m, admitia a possibilidade do surgimento de limites externos intranspon\u00edveis no curso de seu desenvolvimento. Se a produ\u00e7\u00e3o capitalista, local ou em geral, esgota os recursos naturais ou destr\u00f3i a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/516283-a-politica-do-precariado-e-a-mercantilizacao-do-trabalho\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">for\u00e7a de trabalho<\/a>, ela n\u00e3o pode continuar. Por outro lado, se os trabalhadores escapam da subordina\u00e7\u00e3o a que est\u00e3o submetidos na totalidade do capital, revoltam-se e fazem uma\u00a0<strong>revolu\u00e7\u00e3o social<\/strong>, eles impedem a continuidade do capitalismo.<\/p>\n<p>\u00c9 bem evidente hoje que os problemas ecol\u00f3gicos, tais como o aquecimento global, a polui\u00e7\u00e3o das \u00e1guas pot\u00e1veis, a acidifica\u00e7\u00e3o dos oceanos, a destrui\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies, etc. amea\u00e7am o\u00a0<strong>capitalismo<\/strong>\u00a0porque amea\u00e7am a pr\u00f3pria continuidade da vida humana na Terra. Eis que a natureza, assim como o ser humano que faz parte dela, n\u00e3o est\u00e1 integrada ao capital; eis que ambos est\u00e3o apenas subordinados e que, por isso mesmo, podem contrariar a l\u00f3gica de expans\u00e3o insaci\u00e1vel que caracteriza sobretudo o modo de exist\u00eancia da\u00a0<strong>produ\u00e7\u00e3o capitalista<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Por que a terceira e a quarta revolu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas tamb\u00e9m s\u00e3o consideradas, na avalia\u00e7\u00e3o de Chesnais, limites \u00e0 expans\u00e3o do capitalismo? J\u00e1 existem exemplos de como essas revolu\u00e7\u00f5es est\u00e3o impedindo a expans\u00e3o capitalista?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eleut\u00e9rio F. S. Prado \u2013<\/strong>\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/170-noticias\/noticias-2014\/528891-qsementes-de-uma-nova-criseq-estao-postas-diz-chesnais\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Chesnais<\/a>\u00a0rememora em um de seus \u00faltimos textos uma tese de\u00a0<strong>Ernest Mandel[6]<\/strong>\u00a0sobre o advento no\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/edicao\/216\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">capitalismo contempor\u00e2neo<\/a>\u00a0do que chamara de \u201crobotismo\u201d. Em 1968, no pref\u00e1cio que escrevera para uma edi\u00e7\u00e3o inglesa do\u00a0<strong>Livro III<\/strong>, esse \u00faltimo autor afirmara que \u201ca extens\u00e3o da automa\u00e7\u00e3o, para al\u00e9m de certo limite, conduz, inevitavelmente, primeiro a uma redu\u00e7\u00e3o no volume total do valor produzido, e depois a uma redu\u00e7\u00e3o no volume do mais-valor realizado\u201d.<\/p>\n<p>Ele tamb\u00e9m lembra a tese de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/513662-robert-kurz-devolve-o-debate-sobre-a-critica-do-valor\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Robert Kurz<\/a>[7] segundo a qual com a\u00a0<strong>terceira revolu\u00e7\u00e3o industrial<\/strong>\u00a0(e com a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/568218-quarta-revolucao-industrial-e-a-sociedade-dos-desiguais\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">quarta<\/a>, \u00e9 preciso acrescentar) inicia-se um per\u00edodo em que h\u00e1 \u201cuma produ\u00e7\u00e3o insuficiente de mais-valor\u201d. Ou seja, ele admite que a massa de mais-valor passa a cair comprometendo severamente n\u00e3o s\u00f3 a lucratividade do capital, mas tamb\u00e9m a viabilidade do\u00a0<strong>capitalismo<\/strong>. Assim, mediante essas cita\u00e7\u00f5es,\u00a0<strong>Chesnais<\/strong>\u00a0parece aderir \u00e0 tese de que o capitalismo, em virtude de sua pr\u00f3pria din\u00e2mica, tende inexoravelmente ao colapso.<\/p>\n<p>Tenho tr\u00eas obje\u00e7\u00f5es a essa tese. A primeira \u00e9 observacional: as evid\u00eancias emp\u00edricas dispon\u00edveis n\u00e3o indicam que esse fen\u00f4meno tenha de fato ocorrido at\u00e9 o presente momento, mesmo se permanece como poss\u00edvel. Ao contr\u00e1rio, a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/169-noticias\/noticias-2015\/542576-a-economia-fracassou-o-capitalismo-e-guerra-a-globalizacao-e-violencia-entrevista-com-serge-latouche\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">globaliza\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0parece ter elevado fortemente a\u00a0<strong>for\u00e7a de trabalho<\/strong>\u00a0submetida \u00e0 rela\u00e7\u00e3o de capital nas \u00faltimas d\u00e9cadas. A segunda \u00e9 te\u00f3rica: a eleva\u00e7\u00e3o da produtividade do trabalho que reduz o valor contido em um dado volume de produ\u00e7\u00e3o sempre pode ser compensada, em princ\u00edpio, por uma expans\u00e3o do volume produzido. A terceira \u00e9 que mesmo em condi\u00e7\u00f5es de decad\u00eancia, o capitalismo pode continuar se ele n\u00e3o \u00e9 obstado pela luta social.<\/p>\n<p>Desde o \u00faltimo ter\u00e7o do s\u00e9culo XVIII, a produtividade do trabalho vem crescendo uns 3% ao ano em m\u00e9dia, o que, ap\u00f3s 250 anos, representa uma eleva\u00e7\u00e3o de mais de 1600%. Mas o volume da produ\u00e7\u00e3o cresceu muito mais do que isso no mesmo per\u00edodo, absorvendo sempre mais e mais for\u00e7a de trabalho. N\u00e3o creio que esse processo j\u00e1 tenha se esgotado at\u00e9 o presente momento hist\u00f3rico. Mas um colapso ambiental ou uma conten\u00e7\u00e3o end\u00f3gena da demanda efetiva, por exemplo, pode produzir esse resultado no futuro.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Em \u201cAs dimens\u00f5es financeiras do impasse do capitalismo\u201d, Fran\u00e7ois Chesnais afirma que n\u00e3o h\u00e1 consenso entre os economistas sobre o uso do termo \u201cfinanceiriza\u00e7\u00e3o\u201d. De que modo esse fen\u00f4meno pode ser melhor compreendido?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eleut\u00e9rio F. S. Prado \u2013<\/strong>\u00a0No discurso econ\u00f4mico, a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/edicao\/468\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">financeiriza\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0\u00e9 usualmente entendida como o fen\u00f4meno da crescente import\u00e2ncia dos mercados financeiros, das metas financeiras, do poder financeiro na condu\u00e7\u00e3o do\u00a0<strong>sistema econ\u00f4mico<\/strong>. Mas esta \u00e9 uma mera descri\u00e7\u00e3o. Nesse meio predomina, ademais, a compreens\u00e3o de que a\u00a0<strong>financeiriza\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0\u00e9 uma anomalia no desenvolvimento do capitalismo. Ela surgiu no fim dos anos 1970 e come\u00e7o dos anos 1980 como resposta \u00e0 queda da taxa de lucro e \u00e0 crise econ\u00f4mica observada nessa d\u00e9cada. Por meio de uma desregula\u00e7\u00e3o do\u00a0<strong>sistema financeiro<\/strong>\u00a0que fora forjado no p\u00f3s-guerra, ela se instalou junto com todo um novo modelo econ\u00f4mico. E este \u2013 dito neoliberal \u2013 \u00e9 considerado bem perverso porque passou a matar o crescimento sustent\u00e1vel e porque restaurou o poder dos rentistas. Criou, assim, um capitalismo injusto e inst\u00e1vel que privilegia os ganhos financeiros em detrimento principalmente dos rendimentos do trabalho.<\/p>\n<p><strong>Chesnais<\/strong>, ao contr\u00e1rio, quer dar uma fundamenta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica \u00e0 no\u00e7\u00e3o de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/edicao\/278\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">financeiriza\u00e7\u00e3o<\/a>. E ele o faz por meio de categorias que encontra no Livro III de\u00a0<strong>O capital<\/strong>. Para ele, ela se apresenta como uma hegemonia do capital de empr\u00e9stimo, do capital portador de juros em expans\u00e3o no interior dos mercados financeiros: eis que \u201cele se encontra a\u00ed atrelado a valores mobili\u00e1rios representativos de direitos de extra\u00e7\u00e3o de renda\u201d, os quais parecem crescer de forma aut\u00f4noma. Por\u00e9m, como \u201cdependem do mais-valor atualmente gerado, assim como do mais-valor que ser\u00e1 gerado do futuro\u201d na esfera do\u00a0<strong>capital industrial<\/strong>, s\u00e3o na verdade \u201ccapitais fict\u00edcios\u201d.<\/p>\n<p>Tais capitais, reunidos muitas vezes em fundos de investimento, s\u00e3o administrados pelos grandes bancos, grandes companhias de seguros e pelas tesourarias dos grandes grupos industriais. Atualmente, o setor financeiro forma um\u00a0<strong>sistema globalizado<\/strong>\u00a0que, na verdade, comanda o modo de funcionamento do sistema econ\u00f4mico como um todo.<\/p>\n<p>Na verdade, pode-se acrescentar que a\u00a0<strong>financeiriza\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0\u00e9 um est\u00e1gio adiantado do processo de socializa\u00e7\u00e3o do capital, o qual se iniciou \u2013 como o pr\u00f3prio\u00a0<strong>Marx<\/strong>\u00a0observou \u2013 j\u00e1 no s\u00e9culo XIX, por meio da difus\u00e3o das sociedades por a\u00e7\u00f5es. Reconhece-se que ele tem uma primeira fase de crescimento que dura da virada para o s\u00e9culo XX at\u00e9 1933, uma fase de transi\u00e7\u00e3o seguida por uma fase conten\u00e7\u00e3o que vai do final da\u00a0<strong>II Grande Guerra<\/strong>\u00a0at\u00e9 1971-1973. Da\u00ed em diante, esse processo retoma o caminho do crescimento, assumindo formas cada vez mais complexas. Ao separar formalmente o capital como propriedade do capital como fun\u00e7\u00e3o, ela refor\u00e7a o poder que permeia as rela\u00e7\u00f5es sociais do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/540406-capitalismo-do-pos-guerra-esta-no-fim-diz-streeck-\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">capitalismo<\/a>. Se o capital industrial subordina a\u00a0<strong>for\u00e7a de trabalho<\/strong>\u00a0no n\u00edvel da produ\u00e7\u00e3o de mercadorias reais, com a financeiriza\u00e7\u00e3o ele pr\u00f3prio fica subordinado ao capital de financiamento, cujos suportes s\u00e3o as mercadorias fict\u00edcias (t\u00edtulos, a\u00e7\u00f5es, etc.). A finalidade prec\u00edpua dessa dupla estrutura de domina\u00e7\u00e3o \u00e9 aumentar a efic\u00e1cia e a efici\u00eancia da explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Que rela\u00e7\u00e3o existe entre a financeiriza\u00e7\u00e3o e a pol\u00edtica econ\u00f4mica? Diria que a financeiriza\u00e7\u00e3o tem uma inger\u00eancia na pol\u00edtica ou o contr\u00e1rio?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eleut\u00e9rio F. S. Prado \u2013<\/strong>\u00a0A rela\u00e7\u00e3o entre a\u00a0<strong>financeiriza\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0e a pol\u00edtica econ\u00f4mica \u00e9 bilateral; \u00e9 certo que uma condiciona a outra. A primeira n\u00e3o pode ocorrer sem que o Estado destrua as institui\u00e7\u00f5es que limitam o seu desenvolvimento e crie aquelas apropriadas para que ela prospere. A hist\u00f3ria do\u00a0<strong>capitalismo<\/strong>\u00a0a partir do come\u00e7o da d\u00e9cada dos anos 1970 mostra que ocorreu um esfor\u00e7o sistem\u00e1tico dos estados nacionais, em particular, do estado norte-americano, para anular a repress\u00e3o financeira das duas d\u00e9cadas anteriores (inscritas, por exemplo, nas normas do acordo de\u00a0<strong>Bretton Woods[8]<\/strong>) e para dar liberdade de expans\u00e3o aos bancos, financeiras, seguradoras, etc. tanto ao n\u00edvel nacional como internacional.<\/p>\n<p>Em geral, o impulso para as reformas ditas\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/570236-a-alternativa-para-a-economia-brasileira-e-romper-com-o-neoliberalismo-entrevista-especial-com-marcelo-carcanholo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">neoliberais<\/a>\u00a0no campo da regula\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do setor financeiro tem vindo das crises, as quais tem ocorrido n\u00e3o apenas por desmedida do capital industrial, mas tamb\u00e9m por desmedida do pr\u00f3prio capital de financiamento, da pletora de capital fict\u00edcio. \u00c9 bem reconhecido o fato de que, diante das crises originadas tamb\u00e9m das\u00a0<strong>reformas neoliberais<\/strong>, os estados nacionais t\u00eam aprofundado as reformas neoliberais \u2013 e esta tem privilegiado os capitais que circulam na esfera financeira. Tem raz\u00e3o, pois, aqueles autores que consideram a\u00a0<strong>financeiriza\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0como uma tecnologia por meio da qual o poder capitalista vem se reafirmado desde 1971. Um outro exemplo de tecnologia de poder que tem sido tamb\u00e9m empregado, ainda que mais recentemente, \u00e9 a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/artigo\/6826-uberizacao-traz-ao-debate-a-relacao-entre-precarizacao-do-trabalho-e-tecnologia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">precariza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de trabalho<\/a>.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso registrar aqui que o cinismo \u00e9 a marca registrada dos defensores do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/554090-para-compreender-o-neoliberalismo-alem-dos-cliches\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">neoliberalismo<\/a>. Pois, eles defendem uma competi\u00e7\u00e3o mercantil acirrada em todas as esferas da vida. Apresentam, assim, as reformas que refor\u00e7am o poder do\u00a0<strong>capital<\/strong>\u00a0sobre os trabalhadores em nome da melhora das condi\u00e7\u00f5es sociais e econ\u00f4micas dos pr\u00f3prios trabalhadores. \u00c9 apenas mediante uma \u00f3tica cr\u00edtica que se pode apreender a sua maldade social e hist\u00f3rica.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Como a financeiriza\u00e7\u00e3o afeta a produ\u00e7\u00e3o e a gest\u00e3o industrial? Pode nos dar alguns exemplos de como isso tem ocorrido?<\/strong><\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">No capitalismo contempor\u00e2neo, quase todos os setores est\u00e3o dominados por oligop\u00f3lios<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Eleut\u00e9rio F. S. Prado \u2013<\/strong>\u00a0Para responder a essa pergunta \u00e9 preciso apresentar os principais tra\u00e7os do que \u00e9 chamado de finan\u00e7as corporativas, isto \u00e9, do modo de administrar de empresas que objetiva maximizar o valor recebido pelos acionistas e pela alta ger\u00eancia. O pr\u00f3prio\u00a0<strong>Chesnais<\/strong>resumiu isto muito bem: \u201cEla consagra a preemin\u00eancia dos acionistas, fazendo do n\u00edvel dos dividendos e dos pre\u00e7os das a\u00e7\u00f5es os principais objetivos das empresas. Para tanto, foram implementados crit\u00e9rios de avalia\u00e7\u00e3o de desempenho adaptados para esse fim, assim como de instrumentos de fideliza\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o, em particular a remunera\u00e7\u00e3o das op\u00e7\u00f5es de compra de a\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Ela mostra bem como o capital industrial est\u00e1 atualmente subordinado ao capital de financiamento. A l\u00f3gica do primeiro, na sua forma cl\u00e1ssica, \u00e9 buscar o maior lucro poss\u00edvel no processo da concorr\u00eancia porque apenas isto permite o crescimento da empresa que produz mercadorias reais. Nesse ambiente, a empresa se orienta pela efici\u00eancia organizacional, pela constante redu\u00e7\u00e3o dos custos, mas tamb\u00e9m pela qualidade do que produz. Ela est\u00e1 centrada na produ\u00e7\u00e3o, na reten\u00e7\u00e3o do lucro e no investimento de longo prazo.<\/p>\n<p>No\u00a0<strong>capitalismo contempor\u00e2neo<\/strong>, quase todos os setores est\u00e3o dominados por oligop\u00f3lios formados por grandes ou mesmo enormes empresas, as quais s\u00e3o administradas com base em uma vis\u00e3o financeira dos neg\u00f3cios. Em consequ\u00eancia, a meta primeira dessas empresas n\u00e3o \u00e9 ganhar dinheiro com base na produ\u00e7\u00e3o, mas usar a produ\u00e7\u00e3o como mais uma possibilidade de ganhar dinheiro aqui e agora para melhor servir os\u00a0<strong>mercados financeiros<\/strong>. A sua l\u00f3gica \u00e9 de curto prazo: obter o m\u00e1ximo lucro para repass\u00e1-lo aos juristas (os\u00a0<strong>keynesianos<\/strong>\u00a0usariam aqui a palavra \u201crentistas\u201d). H\u00e1, ademais, um certo consenso no pensamento cr\u00edtico de que a\u00a0<strong>financeiriza\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0est\u00e1 associada a um capitalismo de crescimento rastejante, mas altamente concentrador de renda.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 De outro lado, quais s\u00e3o as consequ\u00eancias e implica\u00e7\u00f5es da financeiriza\u00e7\u00e3o na vida social e pol\u00edtica?<\/strong><\/p>\n<div class=\"news-citacao-right\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">Se a pol\u00edtica econ\u00f4mica dos governos \u00e9 fortemente favor\u00e1vel aos interesses financeiros, ela n\u00e3o poder\u00e1 ser legitimada na democracia formal<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>Eleut\u00e9rio F. S. Prado \u2013<\/strong>\u00a0H\u00e1 duas consequ\u00eancias muito importantes, mas \u00e9 preciso perceber que a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/572884-a-era-do-homem-endividado-e-a-financeirizacao-como-forma-de-guerra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">financeiriza\u00e7\u00e3o<\/a>\u00a0faz parte de uma mudan\u00e7a hist\u00f3rica mais ampla que inclui o advento do neoliberalismo e da globaliza\u00e7\u00e3o, ou seja, da unifica\u00e7\u00e3o dos mercados nacionais num mercado mundial em que comandam as empresas industriais e financeiras transnacionais. \u00c9 preciso ter claro, por outro lado, que o neoliberalismo, como ressaltam\u00a0<strong>Pierre Dardot[9]<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Christian Laval[10]<\/strong>, n\u00e3o se resume a uma f\u00e9 no mercado, mas vem a ser principalmente uma normatividade pr\u00e1tica. A sua l\u00f3gica consiste em impor \u00e0s pessoas que se concebam como empresas e que vivam num ambiente de competi\u00e7\u00e3o generalizada. O\u00a0<strong>mercado capitalista<\/strong>\u00a0\u00e9 tomado, ent\u00e3o, como um modelo geral das intera\u00e7\u00f5es humanas. Nessa perspectiva, todos males engendrados pelo capitalismo, as desigualdades e degenera\u00e7\u00f5es mais gritantes, s\u00e3o normalizados e, assim, neutralizados.<\/p>\n<p>A primeira consequ\u00eancia adv\u00e9m do abandono do projeto da\u00a0<strong>socialdemocracia<\/strong>. Sobre este ponto j\u00e1 foi dito aqui alguma coisa. A segunda vem da desmoraliza\u00e7\u00e3o da\u00a0<strong>democracia liberal<\/strong>, tema que, agora, passo a falar um pouco. Se a pol\u00edtica econ\u00f4mica dos governos \u00e9 fortemente favor\u00e1vel aos interesses financeiros, ela n\u00e3o poder\u00e1 ser legitimada na democracia formal realmente existente. Pois entra em confronto com o interesse da maioria da popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o ganha e nem vive de juros. Mas isto n\u00e3o \u00e9 tudo.<\/p>\n<div class=\"news-citacao\">\n<div class=\"tweet-intent-box twitter-quote\">\n<blockquote>\n<p class=\"tweet-quote\">O neoliberalismo quer suprimir os direitos conquistados historicamente pelos trabalhadores<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>\u00c9 preciso ver que a pr\u00f3pria\u00a0<strong>normatividade neoliberal<\/strong>\u00a0requer um forte esvaziamento da subst\u00e2ncia da democracia, a qual ent\u00e3o passa a existir como uma casca sem miolo ou com um miolo que lhe \u00e9 estranho. Eis que o neoliberalismo quer suprimir os direitos conquistados historicamente pelos trabalhadores. Requer o enfraquecimento das institui\u00e7\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o dos mais pobres. Pretende proteger as institui\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas das inger\u00eancias pol\u00edticas. Enfim, a democracia pressup\u00f5e o cidad\u00e3o, mas o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/159-noticias\/entrevistas\/571195-a-subordinacao-da-esquerda-brasileira-ao-neoliberalismo-e-o-abandono-da-teoria-da-dependencia-entrevista-especial-com-carlos-eduardo-martins\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">neoliberalismo<\/a>\u00a0quer transformar o humano em mero agente econ\u00f4mico. E este apenas compete dentro de regras que n\u00e3o cria e, por isso, n\u00e3o se junta a outros na luta pelo comum.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Quais s\u00e3o os riscos de os pa\u00edses enfrentarem uma nova crise financeira, aos moldes da que aconteceu em 2008?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eleut\u00e9rio F. S. Prado \u2013<\/strong>\u00a0A hist\u00f3ria do capitalismo est\u00e1 pontuada de crises; logo \u00e9 f\u00e1cil prever que outras crises acontecer\u00e3o. Mas \u00e9 poss\u00edvel ser mais espec\u00edfico. Uma d\u00e9cada ap\u00f3s a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/173-noticias\/noticias-2011\/500801-origem-causas-e-impacto-da-crise\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">crise de 2008<\/a>, a qual se seguiu uma recess\u00e3o prolongada, as somas das d\u00edvidas privadas e p\u00fablicas dos pa\u00edses n\u00e3o param de crescer em propor\u00e7\u00e3o ao\u00a0<strong>PIB<\/strong>\u00a0<strong>mundial<\/strong>. Eis os grandes n\u00fameros: se no come\u00e7o dos anos 1980 essa soma total era da ordem de 120% agora ela chegou a 350% do PIB mundial. Em consequ\u00eancia, a fragilidade financeira tem aumentado tamb\u00e9m porque as taxas de crescimento da produ\u00e7\u00e3o e da eleva\u00e7\u00e3o da produtividade do trabalho t\u00eam sido mais baixas do que a m\u00e9dia hist\u00f3rica anterior.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o estouro da\u00a0<strong>crise de 2008<\/strong>, para evitar a quebra do\u00a0<strong>sistema financeiro<\/strong>\u00a0e, assim, uma vasta desvaloriza\u00e7\u00e3o do capital fict\u00edcio, os bancos centrais das na\u00e7\u00f5es ditas desenvolvidas expandiram enormemente a liquidez por meio do relaxamento monet\u00e1rio (quantitative easing). As taxas de juros, assim, aproximaram-se de zero. Eles salvaram os grandes bancos comerciais da derrocada, mas agora os seus balan\u00e7os est\u00e3o inchados com grandes quantidades de ativos com baixo valor de venda. Como disse recentemente\u00a0<strong>Wolfgang Streeck[11]<\/strong>, \u201ctodo mundo sabe que isto n\u00e3o pode durar para sempre, mas n\u00e3o sabe quando o fim vai chegar (&#8230;) alguma coisa vai acontecer, provavelmente logo, e ela n\u00e3o ser\u00e1 agrad\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p>Mas nem todo mundo pensa assim. Por que subsiste uma percep\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria por parte dos assim chamados analistas que habitam os\u00a0<strong>mercados financeiros<\/strong>, assim como por parte das pr\u00f3prias autoridades monet\u00e1rias que gerenciam o sistema? Mesmo se algum temor percorre as suas mentes em certos momentos, eles est\u00e3o tomados na pr\u00e1tica cotidiana pelo \u201cesp\u00edrito animal\u201d de que a prosperidade possa continuar firme e forte, e de que, assim, possam continuar ganhando dinheiro, muito dinheiro.<\/p>\n<p>A explica\u00e7\u00e3o para esse comportamento, que \u00e9 racional e irracional ao mesmo tempo, encontra-se no fetiche do capital portador de juros. Como\u00a0<strong>Marx<\/strong>\u00a0mostrou em\u00a0<strong>O capital<\/strong>, parece que os ativos financeiros \u2013 isto \u00e9, os capitais fict\u00edcios \u2013 criam valor da mesma forma que as pereiras d\u00e3o peras. Ora, \u00e9 tamb\u00e9m por causa desse fetiche que os bancos centrais enfrentaram o risco de que ocorresse uma forte defla\u00e7\u00e3o das d\u00edvidas ap\u00f3s 2008 e, assim, uma cascata de fal\u00eancias e, depois, um colapso da produ\u00e7\u00e3o e do emprego, por meio de pol\u00edticas de est\u00edmulo monet\u00e1rio. Como o dinheiro n\u00e3o pode salvar o dinheiro para sempre, a hora da verdade pode chegar a qualquer momento nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Como a esquerda de modo geral tem lidado com as crises econ\u00f4micas e o processo de financeiriza\u00e7\u00e3o do capital?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eleut\u00e9rio F. S. Prado \u2013<\/strong>\u00a0Na\u00a0<strong>esquerda<\/strong>\u00a0predomina uma compreens\u00e3o do\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/78-noticias\/568182-o-que-e-a-subjetivacao-neoliberal\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">neoliberalismo<\/a>\u00a0que prov\u00e9m principalmente de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/stories\/cadernos\/ideias\/037cadernosihuideias.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">John M. Keynes<\/a>[12]. O\u00a0<strong>keynesianismo<\/strong>\u00a0\u00e9 uma corrente de pensamento que acolhe o capitalismo, criticando apenas as suas insufici\u00eancias no provimento das necessidades humanas dos trabalhadores, especialmente dos mais pobres. Concentra-se na an\u00e1lise dos fen\u00f4menos da esfera da circula\u00e7\u00e3o mercantil e se preocupa com o desemprego e com a m\u00e1 reparti\u00e7\u00e3o da renda principalmente. Para ele, em geral, o\u00a0<strong>neoliberalismo<\/strong>\u00a0consiste apenas no retorno do\u00a0<strong>rentismo<\/strong>\u00a0\u2013 e assim da \u201cvingan\u00e7a dos rentistas\u201d \u2013 ap\u00f3s o per\u00edodo de conten\u00e7\u00e3o que terminou, como j\u00e1 se assinalou, no come\u00e7o dos anos 1970.<\/p>\n<p>Os keynesianos de esquerda s\u00e3o cr\u00edticos da\u00a0<strong>financeiriza\u00e7\u00e3o<\/strong>. Eles forneceram j\u00e1 muitas an\u00e1lises interessantes sobre esse fen\u00f4meno. Mas n\u00e3o chegam a apreend\u00ea-la como consequ\u00eancia de um desenvolvimento estrutural do capitalismo, isto \u00e9, como produto de uma transforma\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria rela\u00e7\u00e3o de capital, mas especificamente, como uma evolu\u00e7\u00e3o da forma de subsun\u00e7\u00e3o do trabalho ao capital ou, o que \u00e9 o mesmo, como uma tecnologia de poder e de domina\u00e7\u00e3o de classe. Por isso mesmo, se fazem oposi\u00e7\u00e3o \u00e0s\u00a0<strong>reformas neoliberais<\/strong>, tendem a defender apenas as conquistas do passado. Quando prop\u00f5e reformas, estas n\u00e3o abalam a estrutura do poder estabelecido e, por isso, ao fim e ao cabo, fracassam.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 O que seria um enfrentamento \u00e0 esquerda do fen\u00f4meno da financeiriza\u00e7\u00e3o? \u00c0 esquerda, que alternativas o senhor t\u00eam visto como propostas interessantes para enfrentar esse fen\u00f4meno?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eleut\u00e9rio F. S. Prado \u2013<\/strong>\u00a0\u00c9 preciso ver \u2013 creio \u2013 que a esquerda hoje \u00e9 estrategicamente fraca porque n\u00e3o sustenta mais um projeto consistente e vi\u00e1vel de\u00a0<strong>socialismo<\/strong>. \u00c9 claro, o velho projeto do socialismo de estado, n\u00e3o democr\u00e1tico, mas burocr\u00e1tico e mesmo desp\u00f3tico, fracassou. Nos pa\u00edses em que foi implantado, esse socialismo que pareceu prosperar por um tempo e que chegou a conquistar um ter\u00e7o da humanidade, agora acabou, est\u00e1 acabando ou se transformou num arremedo de\u00a0<strong>capitalismo<\/strong>. Nessa situa\u00e7\u00e3o imp\u00f5e-se recuperar as tradi\u00e7\u00f5es do socialismo democr\u00e1tico radical, aquele de\u00a0<strong>Rosa Luxemburgo[13]<\/strong>\u00a0por exemplo.<\/p>\n<p>Por outro lado, nesse entretempo, tamb\u00e9m os pa\u00edses capitalistas se transformaram. Atualmente, os Estados pouco se preocupam com o bem-estar da popula\u00e7\u00e3o, pois se concentram em impor as normas e as leis que favorecem a\u00a0<strong>financeiriza\u00e7\u00e3o<\/strong>, a competi\u00e7\u00e3o generalizada e a globaliza\u00e7\u00e3o. Diante desse quadro, como sugerem\u00a0<strong>Dardot<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Laval<\/strong>\u00a0no livro\u00a0<strong>Comum<\/strong>, n\u00e3o se pode mais depositar as esperan\u00e7as progressistas na possibilidade de vir a usar o poder estatal.<\/p>\n<p>Trata-se, agora, de lutar pelo comum em todas as esferas da vida, abrindo espa\u00e7os cada vez maiores de participa\u00e7\u00e3o popular, os quais procuram escapar da alternativa entre Estado e Mercado. Trata-se de trazer cada vez mais as atividades sociais, culturais, econ\u00f4micas ou educacionais para o \u00e2mbito da participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da maioria.\u00a0<strong>Dardot<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>Laval<\/strong>\u00a0sugerem que a esquerda deve hoje lutar mesmo \u2013 aprofundando-os ao m\u00e1ximo \u2013 pelo direito republicano, pela justi\u00e7a social e pela democracia liberal, j\u00e1 que tudo tem sido abandonado pelas classes dominantes. Eis que este seria o caminho que levaria ao socialismo que\u00a0<strong>Marx<\/strong>\u00a0caracterizara no primeiro cap\u00edtulo de\u00a0<strong>O capital<\/strong>, ainda limitadamente, pelo lema \u201ctrabalhadores livremente organizados\u201d.<\/p>\n<p><strong>Outras notas<\/strong><\/p>\n<p>[1]\u00a0<strong>Bruno Latour<\/strong>\u00a0(1947): fil\u00f3sofo franc\u00eas, \u00e9 um dos fundadores dos chamados Estudos Sociais da Ci\u00eancia e Tecnologia (ESCT). \u00c9 reconhecido, entre outros trabalhos, por sua contribui\u00e7\u00e3o te\u00f3rica &#8211; ao lado de outros autores como Michel Callon e John Law &#8211; no desenvolvimento da ANT &#8211; Actor Network Theory (Teoria ator-rede) que, ao analisar a atividade cient\u00edfica, considera tanto os atores humanos como os n\u00e3o humanos, estes \u00faltimos devido \u00e0 sua vincula\u00e7\u00e3o ao princ\u00edpio de simetria generalizada. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<br \/>\n[2]\u00a0<strong>Fran\u00e7ois Chesnais<\/strong>: \u00e9 professor franc\u00eas de economia internacional na Universidade de Paris XIII. \u00c9 um grande cr\u00edtico do neoliberalismo, sendo seu livro A mundializa\u00e7\u00e3o do capital, publicado no Brasil em 1996, uma de suas obras de maior repercuss\u00e3o no Brasil. Em 2005, a Editora Boitempo, publicou outro importante trabalho organizado por Chesnais sobre a financeiriza\u00e7\u00e3o da economia: A finan\u00e7a mundializada. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<br \/>\n[3]\u00a0<strong>Adam Smith<\/strong>\u00a0(1723-1790): considerado o fundador da ci\u00eancia econ\u00f4mica tradicional. A Riqueza das Na\u00e7\u00f5es, sua obra principal, de 1776, lan\u00e7ou as bases para o entendimento das rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas da sociedade sob a perspectiva liberal, superando os paradigmas do mercantilismo. Sobre Adam Smith, veja a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/media\/pdf\/IHUOnlineEdicao133.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">entrevista concedida pela professora Ana Maria Bianchi<\/a>, da Universidade de S\u00e3o Paulo &#8211; USP, \u00e0 IHU On-Line n\u00ba 133, de 21-03-2005 e a edi\u00e7\u00e3o 35 dos Cadernos IHU ideias, de 21-07-2005, intitulada\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/stories\/cadernos\/ideias\/035cadernosihuideias.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Adam Smith: fil\u00f3sofo e economista, escrita por Ana Maria Bianchi e Ant\u00f4nio Tiago Loureiro Ara\u00fajo dos Santos<\/a>. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<br \/>\n[4]\u00a0<strong>Friedrich August von Hayek<\/strong>\u00a0(1899 &#8211; 1992): foi um economista da escola austr\u00edaca. Hayek fez contribui\u00e7\u00f5es importantes para a psicologia, a teoria do direito, a economia e a pol\u00edtica. Recebeu o pr\u00eamio Nobel de Economia em 1974. Em psicologia, Hayek prop\u00f4s uma teoria da mente humana segundo a qual a mente \u00e9 um sistema adaptativo. Em economia, Hayek defendeu os m\u00e9ritos da ordem espont\u00e2nea. Segundo Hayek, uma economia \u00e9 um sistema demasiado complexo para ser planejado e deve evoluir espontaneamente. Hayek estudou na Universidade de Viena, onde recebeu o grau de doutor em Direito e em Ci\u00eancias Pol\u00edticas. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<br \/>\n[5]\u00a0<strong>Karl Marx<\/strong>\u00a0(1818-1883): fil\u00f3sofo, cientista social, economista, historiador e revolucion\u00e1rio alem\u00e3o, um dos pensadores que exerceram maior influ\u00eancia sobre o pensamento social e sobre os destinos da humanidade no s\u00e9culo 20. A edi\u00e7\u00e3o 41 dos Cadernos IHU ideias, de autoria de Leda Maria Paulani, tem como t\u00edtulo\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/stories\/cadernos\/ideias\/041cadernosihuideias.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">A (anti)filosofia de Karl Marx<\/a>. Tamb\u00e9m sobre o autor, a edi\u00e7\u00e3o n\u00famero 278 da revista IHU On-Line, de 20-10-2008, \u00e9 intitulada\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/edicao\/278\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">A financeiriza\u00e7\u00e3o do mundo e sua crise. Uma leitura a partir de Marx<\/a>. A entrevista\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/artigo\/3182-pedro-de-alcantara-figueira\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Marx: os homens n\u00e3o s\u00e3o o que pensam e desejam, mas o que fazem<\/a>, concedida por Pedro de Alc\u00e2ntara Figueira, foi publicada na edi\u00e7\u00e3o 327 da IHU On-Line, de 3-5-2010. A IHU On-Line preparou uma\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/edicao\/449\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">edi\u00e7\u00e3o especial sobre desigualdade<\/a>\u00a0inspirada no livro de Thomas Piketty O Capital no S\u00e9culo XXI, que retoma o argumento central de O Capital, obra de Marx. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<br \/>\n[6]\u00a0<strong>Ernest Ezra Mandel<\/strong>\u00a0(1923\u20141995): foi um economista e pol\u00edtico belga, considerado um dos mais importantes dirigentes trotskistas da segunda metade do s\u00e9culo XX. Al\u00e9m disso, foi significativa a sua contribui\u00e7\u00e3o t\u00e9orica ao Marxismo antistalinista. Como economista, especializou-se no estudo das crises c\u00edclicas. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<br \/>\n[7]\u00a0<strong>Robert Kurz<\/strong>\u00a0(1943-2012): soci\u00f3logo e ensa\u00edsta alem\u00e3o, co-fundador e redator da revista te\u00f3rica Krisis &#8211; Beitr\u00e4ge zur Kritik der Warengesellschaft (Krisis &#8211; Contribui\u00e7\u00f5es para a Critica da Sociedade da Mercadoria). A \u00e1rea dos seus trabalhos abrange a teoria da crise e da moderniza\u00e7\u00e3o, a an\u00e1lise cr\u00edtica do sistema mundial capitalista, a critica do Iluminismo e a rela\u00e7\u00e3o entre cultura e economia. \u00c9 autor de O Colapso da Moderniza\u00e7\u00e3o (Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1993) e Os \u00daltimos Combates (Petr\u00f3polis: Vozes, 1998). A IHU On-Line entrevistou Kurz na 98\u00aa edi\u00e7\u00e3o, de 26 de abril de 2004, sob o t\u00edtulo\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/uploads\/edicoes\/1158260659.15pdf.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">A globaliza\u00e7\u00e3o deve se adaptar \u00e0s necessidades das pessoas, e n\u00e3o o contr\u00e1rio<\/a>. Na edi\u00e7\u00e3o 161, de 24 de outubro de 25, Kurz concedeu a entrevista\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/uploads\/edicoes\/1158347724.5pdf.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Novas rela\u00e7\u00f5es sociais n\u00e3o podem ser criadas por novas tecnologias<\/a>. Confira, ainda, as entrevistas\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/uploads\/edicoes\/1158344143.77pdf.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O trabalho abstrato se derrete como subst\u00e2ncia do sistema<\/a>, publicada na edi\u00e7\u00e3o 188 de 10-07-2006 e\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/index.php?option=com_tema_capa&amp;Itemid=23&amp;task=detalhe&amp;id=1376\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">O vexame da economia da bolha financeira \u00e9 tamb\u00e9m o vexame da esquerda p\u00f3s-moderna<\/a>, publicada na edi\u00e7\u00e3o 278 da IHU On-Line, de 21-10-2008. Leia tamb\u00e9m uma entrevista sobre seu legado, concedida por Ricardo Antunes e Dieter Heidemann \u00e0 IHU On-Line, intitulada\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=4598&amp;secao=400\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Um cr\u00edtico da economia pol\u00edtica<\/a>, publicada na edi\u00e7\u00e3o n\u00famero 400, de 27-08-2012 (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<br \/>\n[8]\u00a0<strong>Confer\u00eancia de Bretton Woods<\/strong>: nome com que ficou conhecida a Confer\u00eancia Monet\u00e1ria Internacional, realizada em Bretton Woods, no estado de New Hampshire, nos EUA, em julho de 1944. Representantes de 44 pa\u00edses participaram da confer\u00eancia. Nela foi planejada a recupera\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio internacional depois da Segunda Guerra Mundial e a expans\u00e3o do com\u00e9rcio atrav\u00e9s da concess\u00e3o de empr\u00e9stimos e utiliza\u00e7\u00e3o de fundos. Os representantes dos pa\u00edses participantes concordaram em simplificar a transfer\u00eancia de dinheiro entre as na\u00e7\u00f5es, de forma a reparar os preju\u00edzos da guerra e prevenir as depress\u00f5es e o desemprego. Concordaram tamb\u00e9m em estabilizar as moedas nacionais, de forma que um pa\u00eds sempre soubesse o pre\u00e7o dos bens importados. A Confer\u00eancia de Bretton Woods tra\u00e7ou os planos de dois organismos das Na\u00e7\u00f5es Unidas \u2013 o Fundo Monet\u00e1rio Internacional e o Banco Mundial. O fundo ajuda a manter constantes as taxas de c\u00e2mbio, al\u00e9m de socorrer pa\u00edses com crises nas suas reservas cambiais, como no caso do Brasil e da R\u00fassia, em 1998. O banco realiza empr\u00e9stimos internacionais a longo prazo e d\u00e1 garantia aos empr\u00e9stimos feitos atrav\u00e9s de outros bancos. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<br \/>\n[9]\u00a0<strong>Pierre Dardot<\/strong>: fil\u00f3sofo e pesquisador da universidade Paris-Ouest Nanterre-La D\u00e9fense, especialista no pensamento de Marx e Hegel. Desde 2004, com Christian Laval, coordena o grupo de estudos e pesquisa Question Marx, que procura contribuir com a renova\u00e7\u00e3o do pensamento cr\u00edtico. Publicou no Brasil, juntamente com Christian Laval, o livro A nova raz\u00e3o do mundo (Boitempo, 2016). (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<br \/>\n[10]\u00a0<strong>Christian Laval<\/strong>: pesquisador e professor de sociologia da universidade Paris-Ouest Nanterre-La D\u00e9fense. \u00c9 autor de L\u2019Homme \u00e9conomique: Essai sur les racines du n\u00e9oliberalisme (Gallimard, 2007) e tamb\u00e9m de um volume de hist\u00f3ria da sociologia, L\u2019ambition sociologique (Gallimard, 2012). Publicou no Brasil, juntamente com Pierre Dardot, o livro A nova raz\u00e3o do mundo (Boitempo, 2016). (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<br \/>\n[11]\u00a0<strong>Wolfgang Streeck<\/strong>\u00a0(1946): \u00e9 um dos mais reputados soci\u00f3logos alem\u00e3es da actualidade, director do Max Planck Institut de Col\u00f3nia, e autor de uma vasta obra que cruza os dom\u00ednios da sociologia e da economia. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<br \/>\n[12]\u00a0<strong>John Maynard Keynes<\/strong>\u00a0(1883-1946): economista e financista brit\u00e2nico. Sua Teoria geral do emprego, do juro e do dinheiro (1936) \u00e9 uma das obras mais importantes da economia. Esse livro transformou a teoria e a pol\u00edtica econ\u00f4micas, e ainda hoje serve de base \u00e0 pol\u00edtica econ\u00f4mica da maioria dos pa\u00edses n\u00e3o-comunistas. Confira o Cadernos IHU Ideias n. 37,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/images\/stories\/cadernos\/ideias\/037cadernosihuideias.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">As concep\u00e7\u00f5es te\u00f3rico-anal\u00edticas e as proposi\u00e7\u00f5es de pol\u00edtica econ\u00f4mica de Keynes, de Fernando Ferrari Filho<\/a>. Leia, tamb\u00e9m, a edi\u00e7\u00e3o 276 da Revista IHU On-Line, de 06-10-2008, intitulada\u00a0<a href=\"http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/edicao\/276\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">A crise financeira internacional. O retorno de Keynes<\/a>. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<br \/>\n[13]\u00a0<strong>Rosa Luxemburgo<\/strong>\u00a0(1870-1919): fil\u00f3sofa marxista e revolucion\u00e1ria polonesa. Participou na funda\u00e7\u00e3o do grupo de tend\u00eancia marxista que viria a tornar-se, mais tarde, o Partido Comunista Alem\u00e3o. (Nota da\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>)<\/p>\n<p>http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/575494-no-capitalismo-so-nao-ha-espaco-para-dois-entes-o-ser-humano-e-a-natureza-entrevista-especial-com-eleuterio-f-s-prado<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Patricia Fachin &#8211;\u00a0O ponto final na curta hist\u00f3ria do projeto de\u00a0estado de bem-estar social, iniciado no p\u00f3s-guerra, parece ter sido colocado com a\u00a0crise financeira mundial de 2008. Se o capitalismo atual, impulsionado pela\u00a0financeiriza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o encontra limites matem\u00e1ticos, alcan\u00e7ando uma cifra 350% superior ao\u00a0PIB mundial, defronta-se com a barreira que lhe confere alguma materialidade: o ser [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":7007,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[2],"tags":[57,70],"class_list":["post-7006","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-politica","tag-capitalismo","tag-neoliberalismo"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.8 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>No capitalismo s\u00f3 n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para dois entes: o ser humano e a natureza - Controversia<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2018\/02\/08\/no-capitalismo-so-nao-ha-espaco-para-dois-entes-o-ser-humano-e-a-natureza\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_PT\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"No capitalismo s\u00f3 n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para dois entes: o ser humano e a natureza - Controversia\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Patricia Fachin &#8211;\u00a0O ponto final na curta hist\u00f3ria do projeto de\u00a0estado de bem-estar social, iniciado no p\u00f3s-guerra, parece ter sido colocado com a\u00a0crise financeira mundial de 2008. Se o capitalismo atual, impulsionado pela\u00a0financeiriza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o encontra limites matem\u00e1ticos, alcan\u00e7ando uma cifra 350% superior ao\u00a0PIB mundial, defronta-se com a barreira que lhe confere alguma materialidade: o ser [&hellip;]\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2018\/02\/08\/no-capitalismo-so-nao-ha-espaco-para-dois-entes-o-ser-humano-e-a-natureza\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Controversia\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/\" \/>\n<meta property=\"article:author\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2018-02-08T11:01:30+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/capitalismo-pensamento.png\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"700\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"450\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/png\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Ricardo Alvarez\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@https:\/\/twitter.com\/contro_versia\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@contro_versia\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Ricardo Alvarez\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Tempo estimado de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"31 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/08\\\/no-capitalismo-so-nao-ha-espaco-para-dois-entes-o-ser-humano-e-a-natureza\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/08\\\/no-capitalismo-so-nao-ha-espaco-para-dois-entes-o-ser-humano-e-a-natureza\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"Ricardo Alvarez\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"headline\":\"No capitalismo s\u00f3 n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para dois entes: o ser humano e a natureza\",\"datePublished\":\"2018-02-08T11:01:30+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/08\\\/no-capitalismo-so-nao-ha-espaco-para-dois-entes-o-ser-humano-e-a-natureza\\\/\"},\"wordCount\":6149,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/08\\\/no-capitalismo-so-nao-ha-espaco-para-dois-entes-o-ser-humano-e-a-natureza\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2018\\\/02\\\/capitalismo-pensamento.png?fit=700%2C450&ssl=1\",\"keywords\":[\"Capitalismo\",\"Neoliberalismo\"],\"articleSection\":[\"Pol\u00edtica\"],\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/08\\\/no-capitalismo-so-nao-ha-espaco-para-dois-entes-o-ser-humano-e-a-natureza\\\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/08\\\/no-capitalismo-so-nao-ha-espaco-para-dois-entes-o-ser-humano-e-a-natureza\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/08\\\/no-capitalismo-so-nao-ha-espaco-para-dois-entes-o-ser-humano-e-a-natureza\\\/\",\"name\":\"No capitalismo s\u00f3 n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para dois entes: o ser humano e a natureza - Controversia\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/08\\\/no-capitalismo-so-nao-ha-espaco-para-dois-entes-o-ser-humano-e-a-natureza\\\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/08\\\/no-capitalismo-so-nao-ha-espaco-para-dois-entes-o-ser-humano-e-a-natureza\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2018\\\/02\\\/capitalismo-pensamento.png?fit=700%2C450&ssl=1\",\"datePublished\":\"2018-02-08T11:01:30+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/08\\\/no-capitalismo-so-nao-ha-espaco-para-dois-entes-o-ser-humano-e-a-natureza\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/08\\\/no-capitalismo-so-nao-ha-espaco-para-dois-entes-o-ser-humano-e-a-natureza\\\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/08\\\/no-capitalismo-so-nao-ha-espaco-para-dois-entes-o-ser-humano-e-a-natureza\\\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2018\\\/02\\\/capitalismo-pensamento.png?fit=700%2C450&ssl=1\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2018\\\/02\\\/capitalismo-pensamento.png?fit=700%2C450&ssl=1\",\"width\":700,\"height\":450},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/08\\\/no-capitalismo-so-nao-ha-espaco-para-dois-entes-o-ser-humano-e-a-natureza\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"No capitalismo s\u00f3 n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para dois entes: o ser humano e a natureza\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/\",\"name\":\"Controversia\",\"description\":\"Um site de leitura e debate\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-PT\"},{\"@type\":[\"Person\",\"Organization\"],\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\",\"name\":\"Ricardo Alvarez\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"width\":1015,\"height\":1024,\"caption\":\"Ricardo Alvarez\"},\"logo\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\"},\"description\":\"Professor, mestre em geografia urbana pela USP e criador do site Controv\u00e9rsia e escreve semanalmente.\",\"sameAs\":[\"http:\\\/\\\/controversia.com.br\",\"https:\\\/\\\/www.facebook.com\\\/Controversiascontemporaneas\\\/\",\"https:\\\/\\\/www.linkedin.com\\\/in\\\/controversia\\\/\",\"https:\\\/\\\/x.com\\\/https:\\\/\\\/twitter.com\\\/contro_versia\"]}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"No capitalismo s\u00f3 n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para dois entes: o ser humano e a natureza - Controversia","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2018\/02\/08\/no-capitalismo-so-nao-ha-espaco-para-dois-entes-o-ser-humano-e-a-natureza\/","og_locale":"pt_PT","og_type":"article","og_title":"No capitalismo s\u00f3 n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para dois entes: o ser humano e a natureza - Controversia","og_description":"Patricia Fachin &#8211;\u00a0O ponto final na curta hist\u00f3ria do projeto de\u00a0estado de bem-estar social, iniciado no p\u00f3s-guerra, parece ter sido colocado com a\u00a0crise financeira mundial de 2008. Se o capitalismo atual, impulsionado pela\u00a0financeiriza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o encontra limites matem\u00e1ticos, alcan\u00e7ando uma cifra 350% superior ao\u00a0PIB mundial, defronta-se com a barreira que lhe confere alguma materialidade: o ser [&hellip;]","og_url":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2018\/02\/08\/no-capitalismo-so-nao-ha-espaco-para-dois-entes-o-ser-humano-e-a-natureza\/","og_site_name":"Controversia","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","article_author":"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","article_published_time":"2018-02-08T11:01:30+00:00","og_image":[{"width":700,"height":450,"url":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/capitalismo-pensamento.png","type":"image\/png"}],"author":"Ricardo Alvarez","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@https:\/\/twitter.com\/contro_versia","twitter_site":"@contro_versia","twitter_misc":{"Escrito por":"Ricardo Alvarez","Tempo estimado de leitura":"31 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/08\/no-capitalismo-so-nao-ha-espaco-para-dois-entes-o-ser-humano-e-a-natureza\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/08\/no-capitalismo-so-nao-ha-espaco-para-dois-entes-o-ser-humano-e-a-natureza\/"},"author":{"name":"Ricardo Alvarez","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"headline":"No capitalismo s\u00f3 n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para dois entes: o ser humano e a natureza","datePublished":"2018-02-08T11:01:30+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/08\/no-capitalismo-so-nao-ha-espaco-para-dois-entes-o-ser-humano-e-a-natureza\/"},"wordCount":6149,"commentCount":0,"publisher":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"image":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/08\/no-capitalismo-so-nao-ha-espaco-para-dois-entes-o-ser-humano-e-a-natureza\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/capitalismo-pensamento.png?fit=700%2C450&ssl=1","keywords":["Capitalismo","Neoliberalismo"],"articleSection":["Pol\u00edtica"],"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/08\/no-capitalismo-so-nao-ha-espaco-para-dois-entes-o-ser-humano-e-a-natureza\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/08\/no-capitalismo-so-nao-ha-espaco-para-dois-entes-o-ser-humano-e-a-natureza\/","url":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/08\/no-capitalismo-so-nao-ha-espaco-para-dois-entes-o-ser-humano-e-a-natureza\/","name":"No capitalismo s\u00f3 n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para dois entes: o ser humano e a natureza - Controversia","isPartOf":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/08\/no-capitalismo-so-nao-ha-espaco-para-dois-entes-o-ser-humano-e-a-natureza\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/08\/no-capitalismo-so-nao-ha-espaco-para-dois-entes-o-ser-humano-e-a-natureza\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/capitalismo-pensamento.png?fit=700%2C450&ssl=1","datePublished":"2018-02-08T11:01:30+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/08\/no-capitalismo-so-nao-ha-espaco-para-dois-entes-o-ser-humano-e-a-natureza\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/08\/no-capitalismo-so-nao-ha-espaco-para-dois-entes-o-ser-humano-e-a-natureza\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/08\/no-capitalismo-so-nao-ha-espaco-para-dois-entes-o-ser-humano-e-a-natureza\/#primaryimage","url":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/capitalismo-pensamento.png?fit=700%2C450&ssl=1","contentUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/capitalismo-pensamento.png?fit=700%2C450&ssl=1","width":700,"height":450},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/08\/no-capitalismo-so-nao-ha-espaco-para-dois-entes-o-ser-humano-e-a-natureza\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/controversia.com.br\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"No capitalismo s\u00f3 n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para dois entes: o ser humano e a natureza"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#website","url":"https:\/\/controversia.com.br\/","name":"Controversia","description":"Um site de leitura e debate","publisher":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/controversia.com.br\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-PT"},{"@type":["Person","Organization"],"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2","name":"Ricardo Alvarez","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","url":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","contentUrl":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","width":1015,"height":1024,"caption":"Ricardo Alvarez"},"logo":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png"},"description":"Professor, mestre em geografia urbana pela USP e criador do site Controv\u00e9rsia e escreve semanalmente.","sameAs":["http:\/\/controversia.com.br","https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","https:\/\/www.linkedin.com\/in\/controversia\/","https:\/\/x.com\/https:\/\/twitter.com\/contro_versia"]}]}},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/capitalismo-pensamento.png?fit=700%2C450&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7006","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7006"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7006\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7008,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7006\/revisions\/7008"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7007"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7006"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7006"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7006"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}