{"id":6974,"date":"2018-02-04T15:35:35","date_gmt":"2018-02-04T17:35:35","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=6974"},"modified":"2018-02-02T12:44:29","modified_gmt":"2018-02-02T14:44:29","slug":"ver-o-racismo-como-um-problema-dos-negros-e-um-privilegio-dos-brancos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2018\/02\/04\/ver-o-racismo-como-um-problema-dos-negros-e-um-privilegio-dos-brancos\/","title":{"rendered":"\u201cVER O RACISMO COMO UM \u2018PROBLEMA DOS NEGROS\u2019 \u00c9 UM PRIVIL\u00c9GIO DOS BRANCOS\u201d"},"content":{"rendered":"<p><strong>Alessandra Goes Alves<\/strong> &#8211;\u00a0O Brasil est\u00e1 longe de ser uma democracia racial, como in\u00fameros fatos demonstraram ao longo de 2017. A demiss\u00e3o do apresentador William Waack, da TV Globo, depois de dizer que uma buzina insistente era \u00a0\u201ccoisa de preto\u201d, uma festa em que secundaristas se fantasiaram de faxineiras e entregadores de pizza, a fala do ministro Lu\u00eds Roberto Barroso sobre Joaquim Barbosa ser um \u201cnegro de primeira linha\u201d, os novos ataques online sofridos por personalidades como a atriz Ta\u00eds Ara\u00fajo, a apresentadora Maria J\u00falia Coutinho e a Miss Brasil 2017, Monalysa Alc\u00e2ntara, entre outros, ampliaram o debate sobre o tema. Os brancos, por\u00e9m, pouco discutiram sobre seu papel nessa hist\u00f3ria.<\/p>\n<blockquote><p> Em entrevista a The Intercept Brasil, a pesquisadora Lia Vainer Schucman fala sobre hierarquias raciais e a sua rela\u00e7\u00e3o com os privil\u00e9gios da branquitude.<\/p><\/blockquote>\n<p>O que significa ser branco em nossa cultura? Quais acessos, possibilidades e vantagens s\u00e3o garantidos aos brancos em fun\u00e7\u00e3o do racismo? Qual o papel dos brancos no combate ao problema? Em entrevista a The Intercept Brasil, a pesquisadora Lia Vainer Schucman fala sobre hierarquias raciais e a sua rela\u00e7\u00e3o com os privil\u00e9gios da branquitude.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um processo individual, coletivo e institucional. Depois de reconhecer que h\u00e1 privil\u00e9gios por conta do racismo, quem quer se opor ao problema tem que fazer uma vigil\u00e2ncia constante\u201d, diz Schucman. Doutora em Psicologia Social pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), ela enfatiza que o racismo n\u00e3o pode ser combatido somente com educa\u00e7\u00e3o. \u201cO racismo \u00e9 um problema material. A educa\u00e7\u00e3o ajuda, mas n\u00e3o se combate o racismo sem redistribui\u00e7\u00e3o de renda, terra e poder\u201d, afirma a pesquisadora.<\/p>\n<p><b>The Intercept Brasil:\u00a0<\/b>O que \u00e9 a branquitude? Qual a sua rela\u00e7\u00e3o com o racismo?<\/p>\n<p><strong>Lia Vainer Schucman:<\/strong>\u00a0Quando falamos em em branquitude, primeiro devemos pensar em contexto. Falar em branquitude pode se referir aos estudos sobre popula\u00e7\u00f5es brancas, como italianos, alem\u00e3es, portugueses etc. Mas, no contexto do movimento antirracista, trata-se dos estudos cr\u00edticos da branquitude. Ou seja: pensar como a branquitude se constr\u00f3i a partir do racismo. O termo \u201dbranquitude\u201d remete \u00e0 ideia da identidade racial branca: \u00e9 quando os brancos come\u00e7am a ser racializados, tais como negros e ind\u00edgenas nas sociedades estruturadas pela ideia de ra\u00e7a.<\/p>\n<blockquote><p>Olham-se os negros como um grupo racializado, os ind\u00edgenas como grupo racializado, mas os brancos como indiv\u00edduos.<\/p><\/blockquote>\n<p>A ra\u00e7a \u00e9 um conceito constru\u00eddo no s\u00e9culo 19 por uma pseudoci\u00eancia que vai dizer que um determinado fen\u00f3tipo vai ter uma continuidade moral, intelectual, est\u00e9tica. Falar em identidade racial branca \u00e9 falar que h\u00e1 significados hist\u00f3rico-culturais constru\u00eddos sobre o fen\u00f3tipo branco \u2013 fen\u00f3tipo que ter\u00e1 atribui\u00e7\u00f5es morais, intelectuais e est\u00e9ticas que trazem uma ideia de civiliza\u00e7\u00e3o por tr\u00e1s. Esse conceito de ra\u00e7a foi constru\u00eddo com uma ideia fict\u00edcia de superioridade: o pr\u00f3prio grupo que inventou o conceito (brancos europeus) hierarquizou e disse que algumas atribui\u00e7\u00f5es eram melhores do que outras. Ent\u00e3o, os brancos se colocaram em uma posi\u00e7\u00e3o de superioridade em rela\u00e7\u00e3o a outros grupos.<\/p>\n<p>Ruth Frankenberg, te\u00f3rica brit\u00e2nica do tema, diz que a branquitude que \u00e9 um \u201clugar confort\u00e1vel, onde voc\u00ea olha os outros atrav\u00e9s da lente que voc\u00ea n\u00e3o olha a si mesmo\u201d, e esta lente \u00e9 a ra\u00e7a. Olham-se os negros como um grupo racializado, os ind\u00edgenas como grupo racializado, mas os brancos como indiv\u00edduos. A branquitude \u00e9 uma racialidade que se comp\u00f5e desta no\u00e7\u00e3o de ra\u00e7a constru\u00edda no s\u00e9culo XIX, mas que n\u00e3o \u00e9 vista enquanto tal: \u00e9 vista como neutra. E, al\u00e9m de neutra, ela blinda aos brancos a ideia do que \u00e9 negativo. Mesmo que os brancos europeus tenham feito a escraviza\u00e7\u00e3o de negros e ind\u00edgenas, o genoc\u00eddio dos judeus, a coloniza\u00e7\u00e3o da \u00c1frica e do Oriente, eles aparecem no imagin\u00e1rio como continente civilizat\u00f3rio, enquanto a \u00c1frica aparece como o continente da \u201cbarb\u00e1rie\u201d.<\/p>\n<p><b>TIB\u00a0<\/b>Como essa branquitude funciona no Brasil?<\/p>\n<p><strong>LVS\u00a0<\/strong>Quando pensamos identidade racial branca no Brasil, devemos entender como pensamos identidade, como pensamos ra\u00e7a e quem \u00e9 considerado branco na sociedade brasileira. Primeiro, \u00e9 importante lembrar que \u201cidentidade\u201d \u00e9 diferente de \u201cidentifica\u00e7\u00f5es\u201d. A identifica\u00e7\u00e3o \u00e9 um percurso individual de um sujeito. Uma pessoa pode ser branca e ter identifica\u00e7\u00f5es com a capoeira, com o candombl\u00e9, com o samba \u2013 tidos como sendo da chamada \u201ccultura negra\u201d. A identidade coletiva, n\u00e3o: ela \u00e9 constru\u00edda s\u00f3cio-historicamente e depende da estrutura social em que um indiv\u00edduo est\u00e1 inserido.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, pensando que no Brasil o racismo \u00e9 de fen\u00f3tipo, mesmo que uma pessoa tenha identifica\u00e7\u00f5es com a chamada \u201ccultura negra\u201d, se sua cor da pele \u00e9 vista como branca, ent\u00e3o ela \u00e9 branca. Ou seja: \u00e9 o fen\u00f3tipo que vai dizer quem \u00e9 branco e quem n\u00e3o \u00e9. Vale dizer que na regi\u00e3o Sul \u00e9 um pouco diferente: a branquitude se d\u00e1 n\u00e3o s\u00f3 pelo fen\u00f3tipo, mas tamb\u00e9m pela origem \u00e9tnica dos indiv\u00edduos. Feita essa ressalva, podemos falar que, de modo geral, os brancos no Brasil s\u00e3o considerados a partir do fen\u00f3tipo. Ent\u00e3o, a identidade racial aqui \u00e9 esse olhar s\u00f3cio-hist\u00f3rico constru\u00eddo pelo fen\u00f3tipo. Essa identidade n\u00e3o \u00e9 fluida como podemos pensar, \u00e0s vezes, sobre o g\u00eanero e outras classifica\u00e7\u00f5es. A identidade \u00e9 mais fixa quando falamos de ra\u00e7a, no sentido de que a classifica\u00e7\u00e3o acontece logo, pelo olhar.<\/p>\n<p>Mesmo sendo um conceito que n\u00e3o existe biologicamente, esta ideia da ra\u00e7a branca como superior, constru\u00edda no s\u00e9culo XIX, foi apropriada pelos sujeitos e est\u00e1 em tudo no Brasil hoje.<\/p>\n<blockquote><p>Um negro sempre est\u00e1 carregando a ra\u00e7a, \u00e9 sempre representante dos negros, enquanto um branco \u00e9 representante dele mesmo.<\/p><\/blockquote>\n<p><b>TIB\u00a0<\/b>Em que situa\u00e7\u00f5es do cotidiano se v\u00ea essa branquitude?<\/p>\n<p><strong>LVS<\/strong>\u00a0Quando as pessoas falam que o cabelo liso \u00e9 superior, mais bonito do que outros, ou quando elas elogiam \u201ctra\u00e7os finos\u201d, elas usam este conceito de ra\u00e7a para falar que h\u00e1 uma superioridade est\u00e9tica de um grupo sobre outro. J\u00e1 vi crian\u00e7a de tr\u00eas anos de idade dizendo que acha o olho azul \u201co mais bonito\u201d. De onde ela tira isso? Da m\u00eddia, das propagandas, da escola, onde professores falam para as crian\u00e7as com esse fen\u00f3tipo que os olhos azuis s\u00e3o lindos. A gente acha uma coisa pequena, mas essa pessoa com olho azul cresce com uma auto-estima muito maior do que outras que crescem ouvindo que o seu cabelo \u201c\u00e9 dif\u00edcil de pentear\u201d. Outro exemplo \u00e9 quando algu\u00e9m pergunta a uma pessoa negra brasileira o que ela acha do Barack Obama. Se algu\u00e9m pergunta a um branco brasileiro o que ele acha do Donald Trump, associando que aquele branco (Trump) tem alguma representatividade das pessoas brancas, a pessoa vai falar que \u00e9 uma generaliza\u00e7\u00e3o e vai perguntar o que ela tem a ver com o Trump. Um negro sempre est\u00e1 carregando a ra\u00e7a, \u00e9 sempre representante dos negros, enquanto um branco \u00e9 representante dele mesmo.<\/p>\n<blockquote class=\"stylized pull-none\" data-shortcode-type=\"pullquote\" data-pull=\"none\"><p>Se voc\u00ea pensa que a ra\u00e7a pode ser fluida, voc\u00ea pensa que as pessoas podem escolher a ra\u00e7a. Mas elas n\u00e3o podem.<\/p><\/blockquote>\n<p>Voc\u00ea disse que a identidade racial n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o fluida como sexualidade e identidades de g\u00eanero. No fim de Maio, a revista feminista dos EUA Hypathia\u00a0<a href=\"http:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1111\/hypa.12327\/full\">publicou um artigo<\/a>\u00a0de que defendia a ideia de uma \u201cidentidade transracial\u201d. No artigo, a autora defende que os argumentos que amparam a identidade transg\u00eanero deveriam amparar a possibilidade de uma identidade \u201dtransracial\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o existe essa categoria transr-racial, que pode partir da escolha dos sujeitos. Se voc\u00ea pensa que a ra\u00e7a pode ser fluida, voc\u00ea pensa que as pessoas podem escolher a ra\u00e7a. Mas elas n\u00e3o podem. Falando de sociedades estruturadas pelo racismo, uma pessoa negra n\u00e3o pode acordar um dia e falar que n\u00e3o \u00e9 negra porque se identifica com Mozart, gosta de ouvir m\u00fasica cl\u00e1ssica, estuda filosofia alem\u00e3 e tem refer\u00eancias europeias. N\u00e3o existe essa possibilidade porque a gente est\u00e1 em uma sociedade estruturada pelo racismo de tal forma que a pol\u00edcia vai parar essa pessoa, ela vai sofrer mais batidas policiais, por exemplo.<\/p>\n<blockquote><p>Pessoas negras n\u00e3o t\u00eam o direito de se desracializar. J\u00e1 as brancas podem zoar com isso, brincar com essa racialidade o tempo todo sem problemas. Isso \u00e9 um privil\u00e9gio da branquitude.<\/p><\/blockquote>\n<p>No in\u00edcio da minha tese de doutorado (<a href=\"http:\/\/www.teses.usp.br\/teses\/disponiveis\/47\/47134\/tde-21052012-154521\/pt-br.php\">\u201cEntre o encardido, o branco e o branqu\u00edssimo: branquitude, hierarquia e poder na cidade de S\u00e3o Paulo\u201d<\/a>), relato que fui a uma festa e perguntei a pessoas brancas qual era a ra\u00e7a delas. As pessoas iam respondendo \u201cpitbull\u201d, um outro falou \u201cmarciano\u201d. Somente uma pessoa se declarou branca. Se um negro falar que a ra\u00e7a dele \u00e9 \u201cmarciano\u201d, v\u00e3o falar que ele n\u00e3o quer admitir ou que est\u00e1 negando a pr\u00f3pria ra\u00e7a. Pessoas negras n\u00e3o t\u00eam o direito de se desracializar. J\u00e1 as brancas podem zoar com isso, brincar com essa racialidade o tempo todo sem problemas. Isso \u00e9 um privil\u00e9gio da branquitude.<\/p>\n<p>Em junho de 2017 , uma escola de Novo Hamburgo (RS) promoveu a festa \u201cSe nada der certo\u201d, em que estudantes secundaristas \u201cse fantasiaram\u201d de faxineiras, entregadores de pizza, seguran\u00e7as, atendentes de supermercado e entregadores de pizza. A festa gerou repercuss\u00f5es nas redes sociais e uma das cr\u00edticas se refere ao racismo na escolha das profiss\u00f5es. Como voc\u00ea avalia isso?<\/p>\n<p>N\u00e3o d\u00e1 pra pensar ra\u00e7a no Brasil sem pensar em trabalho \u2013 aquilo que no imagin\u00e1rio da popula\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 nomeado como \u201dtrabalho de branco\u201d e trabalho dos \u201dn\u00e3o-brancos\u201d (descendentes ind\u00edgenas e a popula\u00e7\u00e3o negra brasileira). Em um exerc\u00edcio que propus em uma disciplina, coloquei fotos de uma mulher branca e de uma mulher negra com minissaia, um terninho e uma blusinha. E coloquei um homem branco e um homem negro de terno e gravata. Pedi para os estudante pensarem quais eram as profiss\u00f5es destas pessoas. Para a mulher branca, disseram \u201cpsic\u00f3loga\u201d, \u201cdentista\u201d, \u201cadvogada\u201de \u201cgerente de banco\u201d. Tratam-se de profiss\u00f5es liberais, que geralmente exigem uma forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria. Para a mulher negra, disseram \u201cprostituta\u201d, \u201cempregada dom\u00e9stica\u201d e \u201csecret\u00e1ria\u201d. Para os homens brancos, apareceram as profiss\u00f5es de \u201cm\u00e9dico\u201d, \u201cdentista\u201d, \u201cadvogado\u201d, \u201cgerente de banco\u201d, \u201cempres\u00e1rio\u201d, enquanto para o homem negro disseram \u201cjogador de futebol\u201d, \u201cseguran\u00e7a\u201d, \u201cmotorista\u201d e \u201cpagodeiro\u201d. As respostas mostram que n\u00e3o era por causa da roupa e que os lugares de trabalho no Brasil s\u00e3o racializados.<\/p>\n<p><b>TIB\u00a0<\/b>O que isso mostra sobre o racismo no Brasil?<b><\/b><\/p>\n<p><strong>LVS<\/strong>\u00a0Em todos os lugares onde a branquitude \u00e9 hegem\u00f4nica, aprende-se a ser racista. Mas em alguns, aprende-se e se adere abertamente \u2013 como ocorreu no apartheid da \u00c1frica do Sul. No Brasil, \u00e9 dif\u00edcil as pessoas aderirem ao racismo tal como se adere a um partido pol\u00edtico ou a uma doutrina, movido por ideologia, como foi a Ku Klux Klan nos Estados Unidos ou o partido nazista na Alemanha. Existem grupos assim, como o \u201do Sul \u00e9 o meu pa\u00eds\u201d, no Rio Grande do Sul, mas eles n\u00e3o chegam a 10% dos racistas brasileiros.<\/p>\n<p>Aqui, as pessoas aprendem a ser racistas: elas olham um cargo de poder (como pol\u00edticos, m\u00e9dicos, engenheiros), veem que eles s\u00e3o ocupados por pessoas brancas e t\u00eam um pensamento quase infantil de que isso acontece porque os brancos s\u00e3o melhores. N\u00e3o se pensa nisso como uma rela\u00e7\u00e3o de poder.<\/p>\n<p>O fato de brancos estarem nos lugares de poder gera racismo, e o racismo faz com que s\u00f3 brancos estejam nestes espa\u00e7os. \u00c9 uma rela\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica. A resposta que as pessoas d\u00e3o muitas vezes \u2013 de que n\u00e3o se trata de \u201dtrabalho para negros\u201d, mas que elas s\u00f3 veem negros nestas posi\u00e7\u00f5es \u2013 n\u00e3o \u00e9 mentirosa, porque elas veem aquilo no cotidiano. Mas \u00e9 uma resposta acr\u00edtica: elas n\u00e3o veem que isso s\u00f3 acontece por causa do racismo.<\/p>\n<p>\u00c9 uma resposta que n\u00e3o faz a cr\u00edtica social \u2013 esses lugares subalternos s\u00e3o ocupados por pessoas negras por qu\u00ea? Falta resposta cr\u00edtica de colocar o racismo nessa configura\u00e7\u00e3o do que as pessoas veem: em sua maioria, esses cargos s\u00e3o ocupados por negros e isso \u00e9 culpa do racismo.<\/p>\n<p>Voc\u00ea disse que, para o grupo branco, a ra\u00e7a branca aparece como \u201cneutra\u201d. Em 2011, muros de uma escola no bairro do Lim\u00e3o (Zona Norte de S\u00e3o Paulo) foi pichada com dizeres como \u201cvamos cuidar de nossas crian\u00e7as brancas\u201d ap\u00f3s a escola incluir no curr\u00edculo disciplinas sobre a cultura dos negros. A ra\u00e7a branca n\u00e3o apareceu neste contexto?<\/p>\n<p>Antes das cotas raciais para universidades federais, existia um discurso muito mais forte de que \u201csomos todos misturados\u201d, que trazia aquela ideia da mesti\u00e7agem desenvolvida pelo Gilberto Freyre. Depois das cotas, as pessoas come\u00e7aram a falar sobre os pr\u00f3prios privil\u00e9gios \u2013 de uma forma tosca, com falas do tipo \u201cvou perder minha vaga\u201d. Esse pensamento j\u00e1 traz de antem\u00e3o a ideia de que a vaga \u00e9 de uma pessoa branca.<\/p>\n<p>Como uma pessoa negra est\u00e1 \u201croubando\u201d uma vaga? Universidades p\u00fablicas s\u00e3o lugares p\u00fablicos, pagos pela popula\u00e7\u00e3o brasileira composta por 52% de negros. Ent\u00e3o essa vaga \u201cestava para\u201d sujeitos brancos a partir de privil\u00e9gios.<\/p>\n<p>Em um cap\u00edtulo da minha tese de doutorado, falo sobre o \u201cmedo branco\u201d, que ocorre quando os brancos come\u00e7am a se racializar. A pessoa s\u00f3 fala que vai perder uma vaga na universidade se ela assumir que \u00e9 branca. Essa invisibilidade da ra\u00e7a branca cai em duas situa\u00e7\u00f5es: quando h\u00e1 perda de privil\u00e9gios ou nos momentos de ser racista. Existe um interesse: a ra\u00e7a branca aparece ou desaparece, dependendo do contexto. Mas, em geral, pessoas brancas n\u00e3o s\u00e3o vistas como pertencendo a uma ra\u00e7a.<\/p>\n<blockquote><p>O medo branco aparece toda vez que o negro n\u00e3o est\u00e1 subalterno.<\/p><\/blockquote>\n<p><b>TIB\u00a0<\/b>Em que outras ocasi\u00f5es ocorre o \u201cmedo branco\u201d?<\/p>\n<p><strong>LVS<\/strong>\u00a0O \u201cmedo branco\u201d \u00e9 um conceito proposto pela historiadora Celia Maria de Azevedo em sua tese de doutorado \u201c<a href=\"http:\/\/observatory-elites.org\/wp-content\/uploads\/2011\/11\/Azevedo-Negro-imaginario-elites-Unicamp.pdf\">Onda negra, medo branco<\/a>\u201c. Ela escreveu sobre o per\u00edodo p\u00f3s-aboli\u00e7\u00e3o, quando havia muito mais negros do que brancos na sociedade brasileira. Na \u00e9poca, todos os lugares, n\u00e3o s\u00f3 no Brasil, tinham medo de uma \u201chaitiza\u00e7\u00e3o\u201d, dos efeitos da revolu\u00e7\u00e3o negra do Haiti. Ent\u00e3o, se pensou no que fazer para o Brasil ficar branco. \u00c9 o medo do per\u00edodo p\u00f3s-aboli\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Eu vejo o \u201cmedo branco\u201d como o medo da auto-determina\u00e7\u00e3o negra. Em geral, as pessoas nas universidades n\u00e3o querem achar que as cotas raciais foi resultado da auto-determina\u00e7\u00e3o de movimentos sociais negros. Elas dizem que a institui\u00e7\u00e3o \u201cconcedeu\u201d as cotas, como se os brancos tivessem dado isso. Foi uma conquista negra.<\/p>\n<blockquote><p>Se 52% da popula\u00e7\u00e3o brasileira sofre racismo, \u00e9 porque tem a outra porcentagem inteira para legitimar essa estrutura de poder.<\/p><\/blockquote>\n<p>\u00c9 como se a branquitude tentasse o tempo todo controlar at\u00e9 onde os negros podem ir e o que podem ser. Isso \u00e9 pr\u00f3prio da branquitude. Isso \u00e9 um medo da auto-determina\u00e7\u00e3o que tem a ver com a perda de privil\u00e9gios. Essa perda se d\u00e1 quando brancos e negros t\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o sujeito-sujeito e n\u00e3o sujeito-subalterno. Brancos est\u00e3o acostumados a estar neste lugar de poder. Em uma das 40 entrevistas para o meu doutorado, uma manicure disse que estranhou muito que a dona do sal\u00e3o onde ela trabalhava fosse negra. Ela diz que estranhou ter recebido ordens de uma pessoa negra e que aquilo \u201cestava invertido\u201d. Quando uma pessoa diz isso, ela pressup\u00f5e que h\u00e1 uma posi\u00e7\u00e3o \u201cnormal\u201d \u2013 com o branco em lugar de poder e o negro como subalterno. O medo branco aparece toda vez que o negro n\u00e3o est\u00e1 subalterno.<\/p>\n<p><b>TIB\u00a0<\/b>Qual a import\u00e2ncia de pensar a branquitude para se falar sobre o racismo?<\/p>\n<p><strong>LVS<\/strong>\u00a0A ideia de que o racismo \u00e9 um \u201cproblema de negros\u201d \u00e9 uma forma do branco ganhar benef\u00edcios a partir do racismo e se desresponsabilizar deste problema social. At\u00e9 brancos que reconhecem o racismo muitas vezes falam que esse \u00e9 um \u201cproblema negro\u201d. Mas as constru\u00e7\u00f5es identit\u00e1rias de grupos racializados s\u00f3 existem em rela\u00e7\u00e3o: n\u00e3o existiriam negros se n\u00e3o existissem brancos. Um n\u00e3o existe sem o outro. Qualquer pessoa negra sofreu racismo na escola. Nunca ouvi um negro dizer que n\u00e3o ouviu colegas de escola chamando de \u201cmacaco\u201d \u00a0ou mesmo aqueles apelidos vistos como \u00a0\u201ccarinhosos\u201d \u2013 \u201cPel\u00e9\u201d, \u201cMussum\u201d, \u201cchoquito\u201d, \u201cbrigadeiro\u201d. Negros foram racializados a vida toda e esse processo n\u00e3o \u00e9 feito por um \u00fanico branco. Se 52% da popula\u00e7\u00e3o brasileira sofre racismo, \u00e9 porque tem a outra porcentagem inteira para legitimar essa estrutura de poder. Se brancos virem o racismo como problema deles tamb\u00e9m, isso implica abrir m\u00e3o de privil\u00e9gios.<\/p>\n<p><b>TIB<\/b>\u00a0O que seria abrir m\u00e3os de privil\u00e9gios?<\/p>\n<p><strong>LVS<\/strong>\u00a0\u00c9 um processo individual e coletivo, da estrutura tamb\u00e9m. Depois de reconhecer que h\u00e1 privil\u00e9gios por conta do racismo, quem quer se opor ao problema tem que fazer uma vigil\u00e2ncia constante, uma auto-an\u00e1lise o tempo todo. Pensando na rela\u00e7\u00e3o entre indiv\u00edduos, o privil\u00e9gio pode vir quando uma pessoa branca tem mais espa\u00e7o para falar em uma situa\u00e7\u00e3o, por exemplo. Pensando na estrutura, em todas as institui\u00e7\u00f5es brasileiras h\u00e1 racismo institucional, j\u00e1 que o racismo \u00e9 estrutural. O racismo institucional \u00e9 a incapacidade de uma institui\u00e7\u00e3o promover a igualdade racial. Ent\u00e3o, se uma pessoa \u00e9 diretora de uma escola infantil e entrou em contato com essa leitura cr\u00edtica da branquitude, ela deve pensar qual \u00e9 a hist\u00f3ria contada nas aulas, que livros did\u00e1ticos s\u00e3o usados, onde est\u00e3o as bonecas negras para as crian\u00e7as brincarem. Se algu\u00e9m organiza um evento na \u00e1rea de Matem\u00e1tica, deve pensar se vai ter algum(a) profissional negro(a) ali. N\u00e3o \u00e9 para chamar negros s\u00f3 quando o assunto \u00e9 racismo. Por isso \u00e9 uma vigil\u00e2ncia constante. Muita gente entra em contato com o tema acha que n\u00e3o pode fazer nada. Mas acredito que todos temos algum espa\u00e7o de poder onde podemos fazer algo contra o racismo.<\/p>\n<p>https:\/\/theintercept.com\/2018\/01\/12\/ver-o-racismo-como-um-problema-dos-negros-e-um-privilegio-dos-brancos\/<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alessandra Goes Alves &#8211;\u00a0O Brasil est\u00e1 longe de ser uma democracia racial, como in\u00fameros fatos demonstraram ao longo de 2017. A demiss\u00e3o do apresentador William Waack, da TV Globo, depois de dizer que uma buzina insistente era \u00a0\u201ccoisa de preto\u201d, uma festa em que secundaristas se fantasiaram de faxineiras e entregadores de pizza, a fala [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6975,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[8],"tags":[19],"class_list":["post-6974","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sociedade","tag-racismo"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>\u201cVER O RACISMO COMO UM \u2018PROBLEMA DOS NEGROS\u2019 \u00c9 UM PRIVIL\u00c9GIO DOS BRANCOS\u201d - Controversia<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2018\/02\/04\/ver-o-racismo-como-um-problema-dos-negros-e-um-privilegio-dos-brancos\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_PT\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"\u201cVER O RACISMO COMO UM \u2018PROBLEMA DOS NEGROS\u2019 \u00c9 UM PRIVIL\u00c9GIO DOS BRANCOS\u201d - Controversia\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Alessandra Goes Alves &#8211;\u00a0O Brasil est\u00e1 longe de ser uma democracia racial, como in\u00fameros fatos demonstraram ao longo de 2017. A demiss\u00e3o do apresentador William Waack, da TV Globo, depois de dizer que uma buzina insistente era \u00a0\u201ccoisa de preto\u201d, uma festa em que secundaristas se fantasiaram de faxineiras e entregadores de pizza, a fala [&hellip;]\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2018\/02\/04\/ver-o-racismo-como-um-problema-dos-negros-e-um-privilegio-dos-brancos\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Controversia\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/\" \/>\n<meta property=\"article:author\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2018-02-04T17:35:35+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/racismo.png\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"824\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"419\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/png\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Ricardo Alvarez\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@https:\/\/twitter.com\/contro_versia\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@contro_versia\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Ricardo Alvarez\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Tempo estimado de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"15 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/04\\\/ver-o-racismo-como-um-problema-dos-negros-e-um-privilegio-dos-brancos\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/04\\\/ver-o-racismo-como-um-problema-dos-negros-e-um-privilegio-dos-brancos\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"Ricardo Alvarez\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"headline\":\"\u201cVER O RACISMO COMO UM \u2018PROBLEMA DOS NEGROS\u2019 \u00c9 UM PRIVIL\u00c9GIO DOS BRANCOS\u201d\",\"datePublished\":\"2018-02-04T17:35:35+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/04\\\/ver-o-racismo-como-um-problema-dos-negros-e-um-privilegio-dos-brancos\\\/\"},\"wordCount\":3112,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/04\\\/ver-o-racismo-como-um-problema-dos-negros-e-um-privilegio-dos-brancos\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2018\\\/02\\\/racismo.png?fit=824%2C419&ssl=1\",\"keywords\":[\"Racismo\"],\"articleSection\":[\"Sociedade\"],\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/04\\\/ver-o-racismo-como-um-problema-dos-negros-e-um-privilegio-dos-brancos\\\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/04\\\/ver-o-racismo-como-um-problema-dos-negros-e-um-privilegio-dos-brancos\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/04\\\/ver-o-racismo-como-um-problema-dos-negros-e-um-privilegio-dos-brancos\\\/\",\"name\":\"\u201cVER O RACISMO COMO UM \u2018PROBLEMA DOS NEGROS\u2019 \u00c9 UM PRIVIL\u00c9GIO DOS BRANCOS\u201d - Controversia\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/04\\\/ver-o-racismo-como-um-problema-dos-negros-e-um-privilegio-dos-brancos\\\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/04\\\/ver-o-racismo-como-um-problema-dos-negros-e-um-privilegio-dos-brancos\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2018\\\/02\\\/racismo.png?fit=824%2C419&ssl=1\",\"datePublished\":\"2018-02-04T17:35:35+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/04\\\/ver-o-racismo-como-um-problema-dos-negros-e-um-privilegio-dos-brancos\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/04\\\/ver-o-racismo-como-um-problema-dos-negros-e-um-privilegio-dos-brancos\\\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/04\\\/ver-o-racismo-como-um-problema-dos-negros-e-um-privilegio-dos-brancos\\\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2018\\\/02\\\/racismo.png?fit=824%2C419&ssl=1\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2018\\\/02\\\/racismo.png?fit=824%2C419&ssl=1\",\"width\":824,\"height\":419},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/04\\\/ver-o-racismo-como-um-problema-dos-negros-e-um-privilegio-dos-brancos\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"\u201cVER O RACISMO COMO UM \u2018PROBLEMA DOS NEGROS\u2019 \u00c9 UM PRIVIL\u00c9GIO DOS BRANCOS\u201d\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/\",\"name\":\"Controversia\",\"description\":\"Um site de leitura e debate\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-PT\"},{\"@type\":[\"Person\",\"Organization\"],\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\",\"name\":\"Ricardo Alvarez\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"width\":1015,\"height\":1024,\"caption\":\"Ricardo Alvarez\"},\"logo\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\"},\"description\":\"Professor, mestre em geografia urbana pela USP e criador do site Controv\u00e9rsia e escreve semanalmente.\",\"sameAs\":[\"http:\\\/\\\/controversia.com.br\",\"https:\\\/\\\/www.facebook.com\\\/Controversiascontemporaneas\\\/\",\"https:\\\/\\\/www.linkedin.com\\\/in\\\/controversia\\\/\",\"https:\\\/\\\/x.com\\\/https:\\\/\\\/twitter.com\\\/contro_versia\"]}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"\u201cVER O RACISMO COMO UM \u2018PROBLEMA DOS NEGROS\u2019 \u00c9 UM PRIVIL\u00c9GIO DOS BRANCOS\u201d - Controversia","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2018\/02\/04\/ver-o-racismo-como-um-problema-dos-negros-e-um-privilegio-dos-brancos\/","og_locale":"pt_PT","og_type":"article","og_title":"\u201cVER O RACISMO COMO UM \u2018PROBLEMA DOS NEGROS\u2019 \u00c9 UM PRIVIL\u00c9GIO DOS BRANCOS\u201d - Controversia","og_description":"Alessandra Goes Alves &#8211;\u00a0O Brasil est\u00e1 longe de ser uma democracia racial, como in\u00fameros fatos demonstraram ao longo de 2017. A demiss\u00e3o do apresentador William Waack, da TV Globo, depois de dizer que uma buzina insistente era \u00a0\u201ccoisa de preto\u201d, uma festa em que secundaristas se fantasiaram de faxineiras e entregadores de pizza, a fala [&hellip;]","og_url":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2018\/02\/04\/ver-o-racismo-como-um-problema-dos-negros-e-um-privilegio-dos-brancos\/","og_site_name":"Controversia","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","article_author":"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","article_published_time":"2018-02-04T17:35:35+00:00","og_image":[{"width":824,"height":419,"url":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/racismo.png","type":"image\/png"}],"author":"Ricardo Alvarez","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@https:\/\/twitter.com\/contro_versia","twitter_site":"@contro_versia","twitter_misc":{"Escrito por":"Ricardo Alvarez","Tempo estimado de leitura":"15 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/04\/ver-o-racismo-como-um-problema-dos-negros-e-um-privilegio-dos-brancos\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/04\/ver-o-racismo-como-um-problema-dos-negros-e-um-privilegio-dos-brancos\/"},"author":{"name":"Ricardo Alvarez","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"headline":"\u201cVER O RACISMO COMO UM \u2018PROBLEMA DOS NEGROS\u2019 \u00c9 UM PRIVIL\u00c9GIO DOS BRANCOS\u201d","datePublished":"2018-02-04T17:35:35+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/04\/ver-o-racismo-como-um-problema-dos-negros-e-um-privilegio-dos-brancos\/"},"wordCount":3112,"commentCount":0,"publisher":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"image":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/04\/ver-o-racismo-como-um-problema-dos-negros-e-um-privilegio-dos-brancos\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/racismo.png?fit=824%2C419&ssl=1","keywords":["Racismo"],"articleSection":["Sociedade"],"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/04\/ver-o-racismo-como-um-problema-dos-negros-e-um-privilegio-dos-brancos\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/04\/ver-o-racismo-como-um-problema-dos-negros-e-um-privilegio-dos-brancos\/","url":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/04\/ver-o-racismo-como-um-problema-dos-negros-e-um-privilegio-dos-brancos\/","name":"\u201cVER O RACISMO COMO UM \u2018PROBLEMA DOS NEGROS\u2019 \u00c9 UM PRIVIL\u00c9GIO DOS BRANCOS\u201d - Controversia","isPartOf":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/04\/ver-o-racismo-como-um-problema-dos-negros-e-um-privilegio-dos-brancos\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/04\/ver-o-racismo-como-um-problema-dos-negros-e-um-privilegio-dos-brancos\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/racismo.png?fit=824%2C419&ssl=1","datePublished":"2018-02-04T17:35:35+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/04\/ver-o-racismo-como-um-problema-dos-negros-e-um-privilegio-dos-brancos\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/04\/ver-o-racismo-como-um-problema-dos-negros-e-um-privilegio-dos-brancos\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/04\/ver-o-racismo-como-um-problema-dos-negros-e-um-privilegio-dos-brancos\/#primaryimage","url":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/racismo.png?fit=824%2C419&ssl=1","contentUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/racismo.png?fit=824%2C419&ssl=1","width":824,"height":419},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/04\/ver-o-racismo-como-um-problema-dos-negros-e-um-privilegio-dos-brancos\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/controversia.com.br\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"\u201cVER O RACISMO COMO UM \u2018PROBLEMA DOS NEGROS\u2019 \u00c9 UM PRIVIL\u00c9GIO DOS BRANCOS\u201d"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#website","url":"https:\/\/controversia.com.br\/","name":"Controversia","description":"Um site de leitura e debate","publisher":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/controversia.com.br\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-PT"},{"@type":["Person","Organization"],"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2","name":"Ricardo Alvarez","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","url":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","contentUrl":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","width":1015,"height":1024,"caption":"Ricardo Alvarez"},"logo":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png"},"description":"Professor, mestre em geografia urbana pela USP e criador do site Controv\u00e9rsia e escreve semanalmente.","sameAs":["http:\/\/controversia.com.br","https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","https:\/\/www.linkedin.com\/in\/controversia\/","https:\/\/x.com\/https:\/\/twitter.com\/contro_versia"]}]}},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/racismo.png?fit=824%2C419&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6974","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6974"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6974\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6978,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6974\/revisions\/6978"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6975"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6974"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6974"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6974"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}