{"id":6969,"date":"2018-02-03T12:28:10","date_gmt":"2018-02-03T14:28:10","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=6969"},"modified":"2018-02-02T12:30:47","modified_gmt":"2018-02-02T14:30:47","slug":"extrativismo-o-algoz-da-america-latina%ef%bb%bf","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2018\/02\/03\/extrativismo-o-algoz-da-america-latina%ef%bb%bf\/","title":{"rendered":"Extrativismo, o algoz da Am\u00e9rica Latina?\ufeff"},"content":{"rendered":"<p><strong>Raphael Sanz &#8211;\u00a0<\/strong>Para Raul Zibechi, jornalista e estudioso dos movimentos sociais, retrocessos na regi\u00e3o s\u00e3o comandados por um setor particular das elites, predador e mafioso. E s\u00f3 as ruas \u2014 n\u00e3o os governos \u2014 reverter\u00e3o onda conservadora<\/p>\n<p>O ano se encerrou em todo o continente com enormes retrocessos para os trabalhadores. Macri e Temer aprofundam pacotes de ajustes e aceleram megaempreendimentos ligados \u00e0 minera\u00e7\u00e3o e ao agroneg\u00f3cio nos dois maiores pa\u00edses, o Chile vive o aprofundamento de seu j\u00e1 consolidado modelo neoliberal e a Venezuela segue imersa em grave crise. No campo e na cidade, o avan\u00e7o das direitas e a incapacidade de articula\u00e7\u00e3o das esquerdas s\u00e3o tra\u00e7os desta conjuntura, sobre a qual\u00a0<em>Correio da Cidadania<\/em>\u00a0entrevistou Ra\u00fal Zibechi, jornalista e cientista pol\u00edtico uruguaio que estuda movimentos sociais de todo o continente h\u00e1 mais de 20 anos.<\/p>\n<p>Logo no come\u00e7o, Zibechi explica o que define como modelo extrativista. Resumidamente, um modelo que no campo social e cultural destr\u00f3i todo tecido comunit\u00e1rio para, no campo pol\u00edtico e econ\u00f4mico, desenvolver o modelo neoliberal a partir da subtra\u00e7\u00e3o dos bens comuns que as democracias, em teoria, deveriam defender.<\/p>\n<p>E sobre essa \u201ccrise das sociedades democr\u00e1ticas\u201d, v\u00ea com import\u00e2ncia tanto um \u201crearranjo do campo popular\u201d, como \u201cum processo de transi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m no terreno das classes dominantes\u201d. Zibechi ainda explica que a perda de hegemonia de antigas formas de controle social ligadas \u00e0 igreja e \u00e0 f\u00e1brica \u2013 ao pan\u00f3ptico de Foucault \u2013 faz com que o sistema aja no sentido de sofisticar velhos m\u00e9todos e criar novos.<\/p>\n<p>\u201cAs ONGs s\u00e3o uma forma de controlar dissid\u00eancias, outra \u00e9 o endividamento de que falava Deleuze e hoje no Brasil tem um papel muito importante. Os feminic\u00eddios, o narcotr\u00e1fico e a Pol\u00edcia Militar, \u00e9 claro, tamb\u00e9m s\u00e3o formas de controle social, pelo medo e viol\u00eancia. E as classes dominantes est\u00e3o investindo em pesquisas sobre como ampliar esse leque de t\u00e1ticas de controle social atrav\u00e9s da intelig\u00eancia artificial, de todo o rol cibern\u00e9tico e das novas tecnologias \u2013 al\u00e9m, \u00e9 claro, de apagar experi\u00eancias libertadoras como a de Paulo Freire da mem\u00f3ria das pessoas, como vemos nas inten\u00e7\u00f5es do movimento Escola Sem Partido\u201d, analisou.<\/p>\n<p>Embora veja em todo o campo popular o interesse compartilhado em derrotar o modelo extrativista, Zibechi alerta que especialmente no Brasil e na Argentina h\u00e1 uma tend\u00eancia dentro do campo popular que pode se chocar internamente: a que antes de combater os avan\u00e7os do grande capital est\u00e1 mais preocupada em devolver Lula e Cristina aos governos dos seus pa\u00edses.<\/p>\n<p>\u201cOs movimentos populares est\u00e3o nos indicando que para construir um futuro coletivo, primeiro temos de derrubar este modelo neoliberal, financeiro e extrativista. E que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel conseguir isso a partir dos governos, tal derrubada tem de partir das ruas. Isso implica que os setores populares, para darem fim ao modelo neoliberal, devem sair \u00e0s ruas e colocar em xeque a governabilidade atual\u201d, criticou.<\/p>\n<p>Leia, abaixo, a entrevista na \u00edntegra.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-572544\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/outraspalavras.net\/outrasmidias\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/180115-Zibechi.jpg?resize=620%2C354&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" srcset=\"https:\/\/outraspalavras.net\/outrasmidias\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/180115-Zibechi.jpg 620w, https:\/\/outraspalavras.net\/outrasmidias\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/180115-Zibechi-485x277.jpg 485w, https:\/\/outraspalavras.net\/outrasmidias\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/180115-Zibechi-230x130.jpg 230w\" alt=\"180115-Zibechi\" width=\"620\" height=\"354\" data-attachment-id=\"572544\" data-permalink=\"https:\/\/outraspalavras.net\/outrasmidias\/capa-outras-midias\/extrativismo-o-algoz-da-america-latina\/attachment\/180115-zibechi\/\" data-orig-file=\"https:\/\/outraspalavras.net\/outrasmidias\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/180115-Zibechi.jpg\" data-orig-size=\"620,354\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"180115-Zibechi\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/outraspalavras.net\/outrasmidias\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/180115-Zibechi-485x277.jpg\" data-large-file=\"https:\/\/outraspalavras.net\/outrasmidias\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/180115-Zibechi.jpg\" \/><\/p>\n<p><strong>Em setembro de 2017, voc\u00ea escreveu um artigo intitulado \u201cO cen\u00e1rio regional depois de Dilma\u201d, no qual analisou que o encerramento de um ciclo progressista no Brasil faria uma esp\u00e9cie de efeito domin\u00f3 em toda a Am\u00e9rica Latina. Como avalia o continente hoje, das disputas na Patag\u00f4nia e nos rios amaz\u00f4nicos brasileiros ao novo golpe eleitoral em Honduras?<\/strong><\/p>\n<p>Sem d\u00favidas vivemos um processo de direitiza\u00e7\u00e3o muito forte em todo continente. Esse processo, a meu modo de ver, come\u00e7a em junho de 2013 porque a esquerda n\u00e3o foi capaz de compreender que havia uma demanda na sociedade por mais igualdade e democracia, e assim deixou o campo livre para a direita.<\/p>\n<p>Depois, veio a derrota de Cristina Kirchner na Argentina e o triunfo de Macri. E logo um processo de mudan\u00e7as muito forte no Equador \u2013 onde apesar do novo presidente Lenin Moreno ser do partido de Correa, fez uma guinada primeiro contra o ex-presidente; agora, n\u00e3o se sabe se ir\u00e1 para a direita ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>Podemos dizer que o progressismo chegou a um limite. Inclusive em um pa\u00eds como a Venezuela \u00e9 evidente que o processo de governabilidade enfrenta muitas dificuldades e s\u00e3o os setores populares que encaram as maiores dificuldades decorrentes.<\/p>\n<p>Finalmente, temos a atual situa\u00e7\u00e3o de Honduras que tamb\u00e9m mostra uma forte presen\u00e7a da direita, a gestar a atual fraude eleitoral no pa\u00eds. Resumindo, esta ofensiva da direita tem duas partes.<\/p>\n<p>Por uma parte, a ascens\u00e3o de uma nova direita, muito mais militante e ativa nas ruas como \u00e9 o caso do Movimento Brasil Livre e do Escola Sem Partido, no Brasil.<\/p>\n<p>Por outro lado, essa direita se aproveita das debilidades da esquerda que, por sua vez, n\u00e3o foi capaz de tomar a ofensiva contra a direita e os meios de comunica\u00e7\u00e3o da direita \u2013 contra toda a estrutura social e econ\u00f4mica que favorece a direita. E desse modo deixou o campo aberto para a ofensiva que estamos vivendo.<\/p>\n<p><strong>O que define como \u201cmodelo extrativista\u201d e como este modelo contribuiu para a derrocada dos governos progressistas?<\/strong><\/p>\n<p>O extrativismo \u00e9 um modelo econ\u00f4mico, pol\u00edtico, social e cultural. No terreno econ\u00f4mico consiste na transforma\u00e7\u00e3o dos bens comuns \u2013 por exemplo a \u00e1gua \u2013 em mercadorias. Pode ser definido como a hegemonia do capital financeiro e a acumula\u00e7\u00e3o por usurpa\u00e7\u00e3o. \u00c9 o roubo dos bens naturais. Seu principal efeito social \u00e9 destruir as rela\u00e7\u00f5es sociais a partir da destrui\u00e7\u00e3o de todo tecido social e comunit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Ao destruir o tecido social e comunit\u00e1rio, este modelo gera um reposicionamento das classes m\u00e9dias, altas e da burguesia; uma despolitiza\u00e7\u00e3o dos setores populares que s\u00e3o integrados ao pacto proposto pelos de cima, atrav\u00e9s do consumo \u2013 e o consumismo despolitiza e desorganiza.<\/p>\n<p>Dessa maneira, contribui com os dois principais aspectos da conjuntura atual, que s\u00e3o a ofensiva de uma nova direita e o enfraquecimento profundo do campo popular e dos movimentos sociais.<\/p>\n<p>Esses fatores t\u00eam, sim, muito a ver com o triunfo do modelo extrativista.<\/p>\n<p><strong>Qual o papel dos governos progressistas durante a forma\u00e7\u00e3o da alian\u00e7a entre elites e classes m\u00e9dias \u2013 especialmente no Brasil e na Argentina?<\/strong><\/p>\n<p>Acredito que a alian\u00e7a entre as classes altas e m\u00e9dias \u00e9 uma alian\u00e7a pol\u00edtica para a luta de classes a partir da direita. A direita aprendeu que tem um inimigo.<\/p>\n<p>Hoje no Brasil, esse inimigo \u00e9 visto \u2013 no caso do Escola Sem Partido \u2013 nos professores, docentes e em tudo o que lembre Paulo Freire e a politiza\u00e7\u00e3o da pedagogia. O MBL tamb\u00e9m tem seus inimigos bem definidos. J\u00e1 a esquerda em nenhum momento foi capaz de dizer \u201ceste \u00e9 o meu inimigo\u201d. Lula sempre dizia que o Brasil n\u00e3o tinha inimigos. E seu pr\u00f3prio governo n\u00e3o identificava inimigos. Tanto que negociava com a Rede Globo at\u00e9 que finalmente a Globo jogou um importante papel na derrubada de Dilma.<\/p>\n<p>O fato de n\u00e3o olhar para um inimigo implica que n\u00e3o h\u00e1 organiza\u00e7\u00e3o para lutar contra esse inimigo. Ou seja, n\u00e3o h\u00e1 um objetivo pol\u00edtico determinado. Lula se p\u00f4s a governar sem conflitos, sem luta de classes, negociando permanentemente e isso funcionou enquanto a economia crescia. Quando terminou o ciclo das commodities e a economia come\u00e7ou a cair, era preciso agir no sentido das prometidas mudan\u00e7as estruturais.<\/p>\n<p>No final das contas o milagre lulista \u2013 e tamb\u00e9m dos progressismos em geral \u2013 foi melhorar a situa\u00e7\u00e3o dos pobres sem fazer reformas estruturais. Portanto, quando termina o ciclo dos altos pre\u00e7os das commodities n\u00e3o sobra nenhuma margem para melhorar a situa\u00e7\u00e3o dos pobres, sen\u00e3o tocar a riqueza. E esse passo o lulismo n\u00e3o se atreveu a dar no Brasil, e nem o kirchnerismo na Argentina. Entre outras coisas, afetaria diretamente os interesses do agroneg\u00f3cio e vale lembrar que este setor do grande capital integrou o governo Dilma at\u00e9 o seu \u00faltimo minuto \u2013 o que indica que existe uma aposta de aprofundar o modelo extrativista independentemente do presidente que sente na cadeira. Tudo sem tocar a riqueza e os interesses das elites, \u00e9 claro.<\/p>\n<p>Esta situa\u00e7\u00e3o gerou uma crise pol\u00edtica na qual o PT no Brasil e o kirchnerismo na Argentina n\u00e3o foram capazes de apontar para os setores populares quem era seu inimigo. Nesse sentido, se olharmos para meio s\u00e9culo atr\u00e1s, para a \u00faltima carta de Get\u00falio Vargas, quando se suicidou, claramente mirava um inimigo. E Per\u00f3n tamb\u00e9m. Eva Per\u00f3n, idem. Todos viam um inimigo: fosse o imperialismo ou a oligarquia, havia um inimigo.<\/p>\n<p>Ao n\u00e3o demarcar um inimigo, estes governos passam a mensagem de que est\u00e3o renunciando \u00e0 luta e nesse momento, no mundo, n\u00e3o se pode viver sem lutar. As for\u00e7as pol\u00edticas que n\u00e3o lutam contra um inimigo ficam presas pelas for\u00e7as pol\u00edticas que, essas sim, definem um inimigo, como \u00e9 a direita hoje.<\/p>\n<p><strong>O que as lutas populares t\u00eam em comum, hoje, no continente? Qual a import\u00e2ncia delas na constru\u00e7\u00e3o de um futuro que n\u00e3o seja o neoliberalismo total?<\/strong><\/p>\n<p>Na minha opini\u00e3o, o que todas elas t\u00eam em comum \u00e9 que lutam contra o extrativismo e a hegemonia do capital financeiro sobre suas vidas.<\/p>\n<p>Os Mapuches contra as empresas que mandam na Patag\u00f4nia, os estudantes no Brasil contra o modelo neoliberal aplicado na educa\u00e7\u00e3o, os ind\u00edgenas equatorianos e bolivianos e os camponeses paraguaios contra o agroneg\u00f3cio e a minera\u00e7\u00e3o; todos v\u00e3o contra diferentes pilares do extrativismo. As pr\u00f3prias AFPs (Associa\u00e7\u00e3o de Fundos de Pens\u00e3o), no Chile, alvos de grandes mobiliza\u00e7\u00f5es, s\u00e3o parte fundamental do dom\u00ednio do capital financeiro naquele pa\u00eds.<\/p>\n<p>Esses movimentos est\u00e3o nos indicando que para construir um futuro coletivo, primeiro temos de derrubar este modelo neoliberal, financeiro e extrativo. E n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel conseguir isso a partir de governos, mas tal derrubada tem de partir das ruas.<\/p>\n<p>Isso implica que os setores populares, para porem fim ao modelo neoliberal, devem sair \u00e0s ruas e colocar em xeque a governabilidade. Da mesma maneira como sucedeu durante os ciclos das privatiza\u00e7\u00f5es, quando a governabilidade neoliberal acabou e n\u00e3o foi poss\u00edvel concluir o processo, que agora \u00e9 retomado.<\/p>\n<p>Nem no Equador, nem na Bol\u00edvia, nem na Argentina e nem na Venezuela se abriu uma nova conjuntura. \u00c9 preciso colocar em xeque a governabilidade atual. E n\u00e3o pode ser feito de maneira gradual, com press\u00f5es internas, dentro dos governos, mas de forma combativa nas ruas.<\/p>\n<p>Voc\u00eas no Brasil sabem muito bem que as medidas de Temer (e de todo o parlamento e imprensa que o apoiam) n\u00e3o podem ser neutralizadas do gabinete do governo. Se amanh\u00e3 ganhar o Lula, as reformas do Temer n\u00e3o ser\u00e3o tocadas. Apenas as ruas podem anular os ajustes.<\/p>\n<p><strong>Podemos afirmar que as destitui\u00e7\u00f5es de Lugo no Paraguai e Zelaya em Honduras possam ter servido como laborat\u00f3rio para a tomada de influ\u00eancia das direitas em pa\u00edses mais centrais como Brasil e Argentina?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 prov\u00e1vel que sim. \u00c9 muito prov\u00e1vel que haja esta rela\u00e7\u00e3o, ou seja, que os casos de Paraguai e Honduras \u2013 com Lugo e Zelaya \u2013 tenham sido laborat\u00f3rios para destituir governos legalmente, sem que houvesse a necessidade de colocar tanques nas ruas, como eram os cl\u00e1ssicos golpes de Estado no continente. O que h\u00e1 em comum, por exemplo, com o caso do Brasil, \u00e9 ativar e colocar em funcionamento um jogo de mecanismos constitucionais, legais \u2013 que completamente fora de contexto podem se tornar ileg\u00edtimos \u2013 para derrubar ou direcionar um processo pol\u00edtico.<\/p>\n<p>\u00c9 imposs\u00edvel saber a resposta com exatid\u00e3o porque a burguesia internacional n\u00e3o diz isso claramente. Mas sim, \u00e9 muito prov\u00e1vel que possamos pensar esses casos, de Paraguai e Honduras, como exitosos, uma vez que outras burguesias tomaram o mesmo caminho.<\/p>\n<p><strong>Que tipo de setor das elites latino-americanas se apropriou do poder ap\u00f3s essa virada? Concorda com o termo dado pelo economista argentino Jorge Benstein que o chama \u201clumpemburguesia\u201d?<\/strong><\/p>\n<p>Para compreender a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 preciso ter em conta que o mundo est\u00e1 vivendo uma mudan\u00e7a hegem\u00f4nica muito profunda. E tal mudan\u00e7a implica que as velhas burguesias j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam a for\u00e7a ou a capacidade de articular a sociedade como tiveram em seu momento.<\/p>\n<p>Nesse per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o parece que surgem setores oportunistas. Como dizia o historiador Fernand Braudel, que caracterizava a burguesia como \u201cave de rapina que aproveita o momento certo para capturar a presa\u201d. Assim, temos personagens muito curiosos, como os que integram o MBL, Kim Kataguiri e outros que realmente n\u00e3o v\u00eam da velha burguesia como os pol\u00edticos do DEM, do PMDB ou os tucanos. Ainda que em determinado momento eles dialoguem, \u00e9 um erro dizer que v\u00eam do mesmo lugar.<\/p>\n<p>O mesmo ocorre no caso de Macri, que vem de uma burguesia que nasce no amparo dos neg\u00f3cios do Estado. \u00c9 outro tipo de classe dominante e \u00e9 prov\u00e1vel que isso leve a uma amplia\u00e7\u00e3o das classes dominantes com elementos que poderiam se caracterizar como \u201clumpemburguesia\u201d, que crescem \u00e0 sombra do Estado e ligados \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o e a neg\u00f3cios muito duvidosos.<\/p>\n<p>A esquerda tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 muito alheia a este processo, n\u00e3o \u00e9? Se olharmos para o caso da Odebrecht e dos irm\u00e3os Batista da JBS no Brasil, vemos uma alian\u00e7a entre esta nova burguesia e o governo do PT. Uma burguesia oportunista \u2013 n\u00e3o \u00e9 a cl\u00e1ssica burguesia especializada em um setor produtivo, mas uma burguesia de ocasi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel que Benstein tenha raz\u00e3o. Estamos em um processo de transi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m no terreno das classes dominantes.<\/p>\n<p><strong>No seu artigo \u201cO fim das sociedades democr\u00e1ticas na Am\u00e9rica Latina\u201d, voc\u00ea elenca quatro pontos que destacariam o que chamou de eros\u00e3o das bases culturais e pol\u00edticas das democracias. Entre esses pontos, destaco o quarto \u2013 no qual afirma que \u201cn\u00f3s que queremos derrotar o capitalismo devemos ter em mente que o sistema est\u00e1 se desintegrando e levar em conta que nosso ativismo fomentou a ascens\u00e3o dos governos direitistas\u201d. De que maneira \u00e9 poss\u00edvel notar esta desintegra\u00e7\u00e3o capitalista em um momento em que muitos analistas apontam para uma consolida\u00e7\u00e3o do sistema?<\/strong><\/p>\n<p>Por um lado podemos ver a crise de desintegra\u00e7\u00e3o do sistema atrav\u00e9s das crises das democracias. Por exemplo, o triunfo de governos como o de Trump. Ou mesmo o que est\u00e1 acontecendo em Honduras. Ou o Brexit. Ou a rea\u00e7\u00e3o espanhola a respeito da independ\u00eancia da Catalunha. Todos podem ser sintomas dessa desintegra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um sintoma claro \u00e9 o que Benstein aponta como a lumpemburguesia. Outro \u00e9 que hoje os territ\u00f3rios populares j\u00e1 n\u00e3o podem ser governados sem o narcotr\u00e1fico e os feminic\u00eddios. \u00c9 preciso entender tais fatores como uma nova forma de governar, de controle social, no sentido do que Foucault colocava do controle a c\u00e9u aberto sobre os setores populares em um momento no qual o velho pan\u00f3ptico j\u00e1 foi desmontado pelos de baixo. Parece-me que aqui h\u00e1 um terreno de an\u00e1lise muito importante porque a crise do pan\u00f3ptico, a crise do fordismo e a do Estado-na\u00e7\u00e3o t\u00eam muita rela\u00e7\u00e3o com este per\u00edodo de transi\u00e7\u00f5es ca\u00f3ticas que estamos vivendo.<\/p>\n<p>Acredito que para compreender a desintegra\u00e7\u00e3o das sociedades \u00e9 preciso olhar para a situa\u00e7\u00e3o comparada com o que se vivia nos nossos pa\u00edses h\u00e1 cinquenta anos. Nos anos 60, uma favela era completamente diferente do que \u00e9 uma favela hoje. As periferias urbanas da Am\u00e9rica Latina eram completamente diferentes.<\/p>\n<p>Hoje, grande parte da popula\u00e7\u00e3o sob o modelo financeiro-extrativo n\u00e3o tem direito \u00e0 sa\u00fade, moradia, educa\u00e7\u00e3o e simplesmente n\u00e3o tem direito a nada. Tem um ou outro benef\u00edcio. O Bolsa Fam\u00edlia, por exemplo, \u00e9 um benef\u00edcio, n\u00e3o \u00e9 um direito. E a diferen\u00e7a de ser um cidad\u00e3o com direitos ou um exclu\u00eddo com benef\u00edcios marca, a partir dos setores populares, a diferen\u00e7a entre esses dois per\u00edodos: um de certa estabilidade no sistema e outro de desintegra\u00e7\u00e3o sist\u00eamica, o que estamos vivendo agora.<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea v\u00ea a quest\u00e3o do narcotr\u00e1fico, do racismo e do feminic\u00eddio como controle social, em especial no Brasil, um pa\u00eds que atinge anualmente a cifra de 60 mil homic\u00eddios por ano?<\/strong><\/p>\n<p>O importante \u00e9 ver que tanto o pan\u00f3ptico quanto o fordismo foram desmontados pelos trabalhadores e pelos setores populares. Ou seja, as formas de controle anteriores foram derrubadas por baixo. E por isso eu digo que n\u00f3s jogamos um papel fundamental na crise atual. Pois o sistema, em seu movimento natural, vai desenvolvendo novas formas de controle.<\/p>\n<p>Diferentemente de outros analistas, n\u00e3o acredito que o pan\u00f3ptico tenha ca\u00eddo por quest\u00f5es tecnol\u00f3gicas, muito menos o fordismo. Foi a luta dos oprimidos que os neutralizaram. Assim, hoje, no caso do fordismo, em vez das linhas de produ\u00e7\u00e3o tradicionais, temos automatiza\u00e7\u00e3o e rob\u00f4s nas f\u00e1bricas de autom\u00f3veis \u2013 e um menor n\u00famero de trabalhadores nesse setor da economia.<\/p>\n<p>E na reorganiza\u00e7\u00e3o do controle, aparecem as ONGs fazendo um papel claramente designado pelo grande capital de controlar as dissid\u00eancias, uma vez que o pan\u00f3ptico fracassa.<\/p>\n<p>Como \u201cpan\u00f3ptico\u201d, me refiro ao tempo em que fam\u00edlia, igreja, escola, quartel e f\u00e1brica tinham um papel central e eficaz no controle social. Eram espa\u00e7os de conten\u00e7\u00e3o e disciplina muito r\u00edgidos que hoje vivem decad\u00eancia e buscam reinven\u00e7\u00e3o. Ou seja, \u00e9 um momento em que o poder busca uma gama mais ampla de possibilidades de exercer o controle sobre a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As ONGs s\u00e3o uma forma de controlar dissid\u00eancias, outra \u00e9 o endividamento que falava Deleuze e que hoje no Brasil tem um papel muito importante \u2013 o endividamento \u00e9 uma forma de disciplinar e controlar. Os feminic\u00eddios, o narcotr\u00e1fico e a Pol\u00edcia Militar, \u00e9 claro, tamb\u00e9m s\u00e3o formas de controle social, pelo medo e pela viol\u00eancia. E as classes dominantes est\u00e3o investindo em pesquisas sobre como ampliar esse leque de t\u00e1ticas de controle social atrav\u00e9s da intelig\u00eancia artificial, do todo o rol cibern\u00e9tico e das novas tecnologias \u2013 al\u00e9m, \u00e9 claro, de apagar experi\u00eancias libertadoras como a de Paulo Freire da mem\u00f3ria das pessoas, como vemos nas inten\u00e7\u00f5es do movimento Escola Sem Partido.<\/p>\n<p>Resumindo, a burguesia est\u00e1 buscando em muitos sentidos novas formas de controle porque os partidos de esquerda e os sindicatos que tamb\u00e9m funcionaram em muitos momentos como formas de controle, no sentido de limitar a luta popular aos seus programas e impedir o crescimento de radicalismos. Nesse sentido, o PT foi muito importante no Brasil. Mas quando esses partidos e sindicatos come\u00e7am a fracassar, aparece uma multiplicidade de formas de controle para evitar que os setores populares se autonomizem em rela\u00e7\u00e3o ao capital e ao Estado.<\/p>\n<p><strong>E pensando na crise que enfrentam os partidos de esquerda e sindicatos dentro desse contexto, como entra a quest\u00e3o das ONGs?<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 um modelo de ONG que \u00e9 o do George Soros e vem para tomar para si as mesmas palavras de ordem da esquerda e dos movimentos populares, bem como muitas das suas formas de a\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o para, assim, neutraliz\u00e1-los. As ONGs que funcionam dessa forma s\u00e3o como um v\u00edrus introduzido nas lutas populares.<\/p>\n<p>Isto ocorre porque constituem organiza\u00e7\u00f5es que aparentemente s\u00e3o para a luta mas que buscam, no final das contas, neutralizar a luta. Isto gera enorme confus\u00e3o. H\u00e1 um s\u00e1bio que disse que \u00e9 mais f\u00e1cil sair do erro do que da confus\u00e3o. E a burguesia atrav\u00e9s dessas ONGs e de movimentos confusos est\u00e1 introduzindo a confus\u00e3o no campo popular.<\/p>\n<p>No Brasil, parte da confus\u00e3o pode ser ilustrada pela organiza\u00e7\u00e3o \u201cFora do Eixo\u201d, de Pablo Capil\u00e9. N\u00e3o \u00e9 um movimento popular, nem social, nem pol\u00edtico. \u00c9 uma cria\u00e7\u00e3o artificial das elites, nesse caso progressistas, mas no mesmo sentido que fazem organiza\u00e7\u00f5es semelhantes pela direita, como as do m\u00e9todo Soros, para derrubar a luta popular, quando o sindicato e o partido n\u00e3o conseguem mais organizar os jovens que est\u00e3o fora dessas organiza\u00e7\u00f5es \u2013 a maioria deles hoje.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca de Lula, h\u00e1 quarenta anos, os jovens eram oper\u00e1rios e se organizavam em sindicatos, em comunidades eclesiais de base, no PT e no MST. Hoje em dia, h\u00e1 um grande n\u00famero de jovens que est\u00e3o fora de qualquer organiza\u00e7\u00e3o e h\u00e1 uma disputa no sentido de poder organiz\u00e1-los. E nesse sentido, o Fora do Eixo e o MBL cumprem o mesmo papel \u2013 cada um, obviamente, para o lado que defende e para onde e quem, desde a elite, foram concebidos.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 poss\u00edvel um fortalecimento das resist\u00eancias que se oponham a estes avan\u00e7os do capital para 2018?<\/strong><\/p>\n<p>Sem d\u00favidas h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es para um fortalecimento das resist\u00eancias porque a ofensiva das direitas \u00e9 muito dura.<\/p>\n<p>O caso do Equador, por exemplo, pode se repetir em outros pa\u00edses. Na Argentina h\u00e1 um aumento das lutas como vimos nestes \u00faltimos meses e na maioria dos pa\u00edses temos uma situa\u00e7\u00e3o de tens\u00e3o muito forte porque os setores populares recha\u00e7am reformas propostas pela direita.<\/p>\n<p>Mas aqui surge um problema. No seio dessas lutas h\u00e1 duas tend\u00eancias, na Argentina e no Brasil sobretudo. H\u00e1 aqueles que lutam para derrubar as reformas da direita e o modelo extrativista e h\u00e1 aqueles que lutam para que Lula e Cristina Kirchner retornem aos governos dos seus pa\u00edses.<\/p>\n<p>Observei que no Brasil a CUT tem freado lutas porque seu objetivo n\u00e3o \u00e9 derrubar Temer agora, mas sangr\u00e1-lo para que Lula possa ganhar as elei\u00e7\u00f5es de 2018. Significa que, mesmo em condi\u00e7\u00f5es de fortalecimento das lutas populares, tamb\u00e9m h\u00e1 problemas internos dentro do campo popular que podem desviar a luta para o terreno eleitoral novamente.<\/p>\n<p><strong>Como avalia a situa\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o amaz\u00f4nica, onde vemos a minera\u00e7\u00e3o e setores hidrel\u00e9tricos em verdadeira ofensiva sobre territ\u00f3rios ind\u00edgenas \u2013 cobertos pelas pretens\u00f5es de um dos eixos do plano IIRSA?<\/strong><\/p>\n<p>Os povos ind\u00edgenas s\u00e3o novamente a vanguarda da luta contra o modelo extrativista. N\u00e3o apenas os ind\u00edgenas, como tamb\u00e9m todos os povos origin\u00e1rios: ribeirinhos, pescadores, quilombolas \u2013 todos os povos origin\u00e1rios est\u00e3o diretamente interessados na derrubada do modelo neoliberal. E neste per\u00edodo come\u00e7a a surgir um novo ator pol\u00edtico que s\u00e3o os povos afrodescendentes, os negros. E a luta negra, nos quilombos rurais e periferias urbanas, est\u00e1 fazendo um papel muito importante nas resist\u00eancias.<\/p>\n<p>Acredito que o extrativismo s\u00f3 possa ser derrotado localmente. Por exemplo, a luta contra a hidrel\u00e9trica de Belo Monte, tem que ser em Belo Monte. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel lutar contra o modelo extrativista no Pal\u00e1cio do Planalto, mas em cada um dos lugares onde tal modelo se desenvolve.<\/p>\n<p>Como foi a luta contra o fordismo: nas f\u00e1bricas. Acredito que esses atores, tais sujeitos sociais e pol\u00edticos s\u00e3o os que est\u00e3o questionando a fundo o modelo extrativista, as obras da IIRSA, todo o projeto de hidrel\u00e9tricas, de minera\u00e7\u00e3o e de soja, pois s\u00e3o os que est\u00e3o mais afetados diretamente por este modelo.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 importante olhar para os movimentos das periferias urbanas e das popula\u00e7\u00f5es das favelas, que t\u00eam um interesse objetivo de lutar junto com esses movimentos do campo. N\u00e3o de lutar na mesma organiza\u00e7\u00e3o, mas de confluir no mesmo objetivo. Por exemplo, o Ocupa Alem\u00e3o do Morro do Alem\u00e3o no Rio de Janeiro lutando contra a viol\u00eancia policial, e os Munduruku no rio Tapaj\u00f3s contra os projetos hidrel\u00e9tricos e mineradores, no final das contas est\u00e3o lutando contra o mesmo projeto, querem derrubar o mesmo modelo. Suas lutas v\u00e3o na mesma dire\u00e7\u00e3o naturalmente.<\/p>\n<p><strong>O que est\u00e1 colocado para a Am\u00e9rica do Sul no pr\u00f3ximo per\u00edodo?<\/strong><\/p>\n<p>Diferentemente do que opinam os analistas que acreditam que o principal \u00e9 tirar a direita dos governos, eu acredito que o fundamental \u00e9 derrubar o modelo extrativista. Porque este modelo \u00e9 o que est\u00e1 causando danos aos setores populares da cidade e do campo. \u00c9 o que est\u00e1 facilitando a volta das direitas aos governos e sua continuidade.<\/p>\n<p>Na minha opini\u00e3o, a tarefa principal do pr\u00f3ximo per\u00edodo \u00e9 organizar as for\u00e7as para derrotar o modelo extrativista da mesma maneira que se lutou contra o modelo das privatiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Imagino os pr\u00f3ximos anos com os povos lutando fortemente em cada um dos lugares onde este modelo se manifesta. Contra a ferrovia de Caraj\u00e1s, contra as 300 hidrel\u00e9tricas que querem construir na Amaz\u00f4nia, contra a soja e toda sorte de transg\u00eanicos, contra a viol\u00eancia policial nas cidades e por a\u00ed vai. Esta \u00e9 a luta principal que, creio, nos ocupar\u00e1 nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>https:\/\/outraspalavras.net\/outrasmidias\/capa-outras-midias\/extrativismo-o-algoz-da-america-latina\/<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Raphael Sanz &#8211;\u00a0Para Raul Zibechi, jornalista e estudioso dos movimentos sociais, retrocessos na regi\u00e3o s\u00e3o comandados por um setor particular das elites, predador e mafioso. E s\u00f3 as ruas \u2014 n\u00e3o os governos \u2014 reverter\u00e3o onda conservadora O ano se encerrou em todo o continente com enormes retrocessos para os trabalhadores. Macri e Temer aprofundam [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6783,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[5,1,2],"tags":[49],"class_list":["post-6969","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia","category-geografia","category-politica","tag-conjuntura"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Extrativismo, o algoz da Am\u00e9rica Latina?\ufeff - Controversia<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2018\/02\/03\/extrativismo-o-algoz-da-america-latina\ufeff\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_PT\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Extrativismo, o algoz da Am\u00e9rica Latina?\ufeff - Controversia\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Raphael Sanz &#8211;\u00a0Para Raul Zibechi, jornalista e estudioso dos movimentos sociais, retrocessos na regi\u00e3o s\u00e3o comandados por um setor particular das elites, predador e mafioso. E s\u00f3 as ruas \u2014 n\u00e3o os governos \u2014 reverter\u00e3o onda conservadora O ano se encerrou em todo o continente com enormes retrocessos para os trabalhadores. Macri e Temer aprofundam [&hellip;]\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2018\/02\/03\/extrativismo-o-algoz-da-america-latina\ufeff\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Controversia\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/\" \/>\n<meta property=\"article:author\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2018-02-03T14:28:10+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/raul_zibechi.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"700\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"394\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Ricardo Alvarez\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@https:\/\/twitter.com\/contro_versia\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@contro_versia\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Ricardo Alvarez\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Tempo estimado de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"21 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/03\\\/extrativismo-o-algoz-da-america-latina%ef%bb%bf\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/03\\\/extrativismo-o-algoz-da-america-latina%ef%bb%bf\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"Ricardo Alvarez\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"headline\":\"Extrativismo, o algoz da Am\u00e9rica Latina?\ufeff\",\"datePublished\":\"2018-02-03T14:28:10+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/03\\\/extrativismo-o-algoz-da-america-latina%ef%bb%bf\\\/\"},\"wordCount\":4266,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/03\\\/extrativismo-o-algoz-da-america-latina%ef%bb%bf\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2018\\\/01\\\/raul_zibechi.jpg?fit=700%2C394&ssl=1\",\"keywords\":[\"Conjuntura\"],\"articleSection\":[\"Economia\",\"Geografia\",\"Pol\u00edtica\"],\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/03\\\/extrativismo-o-algoz-da-america-latina%ef%bb%bf\\\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/03\\\/extrativismo-o-algoz-da-america-latina%ef%bb%bf\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/03\\\/extrativismo-o-algoz-da-america-latina%ef%bb%bf\\\/\",\"name\":\"Extrativismo, o algoz da Am\u00e9rica Latina?\ufeff - Controversia\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/03\\\/extrativismo-o-algoz-da-america-latina%ef%bb%bf\\\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/03\\\/extrativismo-o-algoz-da-america-latina%ef%bb%bf\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2018\\\/01\\\/raul_zibechi.jpg?fit=700%2C394&ssl=1\",\"datePublished\":\"2018-02-03T14:28:10+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/03\\\/extrativismo-o-algoz-da-america-latina%ef%bb%bf\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/03\\\/extrativismo-o-algoz-da-america-latina%ef%bb%bf\\\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/03\\\/extrativismo-o-algoz-da-america-latina%ef%bb%bf\\\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2018\\\/01\\\/raul_zibechi.jpg?fit=700%2C394&ssl=1\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2018\\\/01\\\/raul_zibechi.jpg?fit=700%2C394&ssl=1\",\"width\":700,\"height\":394},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2018\\\/02\\\/03\\\/extrativismo-o-algoz-da-america-latina%ef%bb%bf\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Extrativismo, o algoz da Am\u00e9rica Latina?\ufeff\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/\",\"name\":\"Controversia\",\"description\":\"Um site de leitura e debate\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-PT\"},{\"@type\":[\"Person\",\"Organization\"],\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\",\"name\":\"Ricardo Alvarez\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"width\":1015,\"height\":1024,\"caption\":\"Ricardo Alvarez\"},\"logo\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\"},\"description\":\"Professor, mestre em geografia urbana pela USP e criador do site Controv\u00e9rsia e escreve semanalmente.\",\"sameAs\":[\"http:\\\/\\\/controversia.com.br\",\"https:\\\/\\\/www.facebook.com\\\/Controversiascontemporaneas\\\/\",\"https:\\\/\\\/www.linkedin.com\\\/in\\\/controversia\\\/\",\"https:\\\/\\\/x.com\\\/https:\\\/\\\/twitter.com\\\/contro_versia\"]}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Extrativismo, o algoz da Am\u00e9rica Latina?\ufeff - Controversia","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2018\/02\/03\/extrativismo-o-algoz-da-america-latina\ufeff\/","og_locale":"pt_PT","og_type":"article","og_title":"Extrativismo, o algoz da Am\u00e9rica Latina?\ufeff - Controversia","og_description":"Raphael Sanz &#8211;\u00a0Para Raul Zibechi, jornalista e estudioso dos movimentos sociais, retrocessos na regi\u00e3o s\u00e3o comandados por um setor particular das elites, predador e mafioso. E s\u00f3 as ruas \u2014 n\u00e3o os governos \u2014 reverter\u00e3o onda conservadora O ano se encerrou em todo o continente com enormes retrocessos para os trabalhadores. Macri e Temer aprofundam [&hellip;]","og_url":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2018\/02\/03\/extrativismo-o-algoz-da-america-latina\ufeff\/","og_site_name":"Controversia","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","article_author":"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","article_published_time":"2018-02-03T14:28:10+00:00","og_image":[{"width":700,"height":394,"url":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/raul_zibechi.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"Ricardo Alvarez","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@https:\/\/twitter.com\/contro_versia","twitter_site":"@contro_versia","twitter_misc":{"Escrito por":"Ricardo Alvarez","Tempo estimado de leitura":"21 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/03\/extrativismo-o-algoz-da-america-latina%ef%bb%bf\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/03\/extrativismo-o-algoz-da-america-latina%ef%bb%bf\/"},"author":{"name":"Ricardo Alvarez","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"headline":"Extrativismo, o algoz da Am\u00e9rica Latina?\ufeff","datePublished":"2018-02-03T14:28:10+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/03\/extrativismo-o-algoz-da-america-latina%ef%bb%bf\/"},"wordCount":4266,"commentCount":0,"publisher":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"image":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/03\/extrativismo-o-algoz-da-america-latina%ef%bb%bf\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/raul_zibechi.jpg?fit=700%2C394&ssl=1","keywords":["Conjuntura"],"articleSection":["Economia","Geografia","Pol\u00edtica"],"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/03\/extrativismo-o-algoz-da-america-latina%ef%bb%bf\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/03\/extrativismo-o-algoz-da-america-latina%ef%bb%bf\/","url":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/03\/extrativismo-o-algoz-da-america-latina%ef%bb%bf\/","name":"Extrativismo, o algoz da Am\u00e9rica Latina?\ufeff - Controversia","isPartOf":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/03\/extrativismo-o-algoz-da-america-latina%ef%bb%bf\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/03\/extrativismo-o-algoz-da-america-latina%ef%bb%bf\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/raul_zibechi.jpg?fit=700%2C394&ssl=1","datePublished":"2018-02-03T14:28:10+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/03\/extrativismo-o-algoz-da-america-latina%ef%bb%bf\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/03\/extrativismo-o-algoz-da-america-latina%ef%bb%bf\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/03\/extrativismo-o-algoz-da-america-latina%ef%bb%bf\/#primaryimage","url":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/raul_zibechi.jpg?fit=700%2C394&ssl=1","contentUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/raul_zibechi.jpg?fit=700%2C394&ssl=1","width":700,"height":394},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2018\/02\/03\/extrativismo-o-algoz-da-america-latina%ef%bb%bf\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/controversia.com.br\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Extrativismo, o algoz da Am\u00e9rica Latina?\ufeff"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#website","url":"https:\/\/controversia.com.br\/","name":"Controversia","description":"Um site de leitura e debate","publisher":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/controversia.com.br\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-PT"},{"@type":["Person","Organization"],"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2","name":"Ricardo Alvarez","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","url":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","contentUrl":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","width":1015,"height":1024,"caption":"Ricardo Alvarez"},"logo":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png"},"description":"Professor, mestre em geografia urbana pela USP e criador do site Controv\u00e9rsia e escreve semanalmente.","sameAs":["http:\/\/controversia.com.br","https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","https:\/\/www.linkedin.com\/in\/controversia\/","https:\/\/x.com\/https:\/\/twitter.com\/contro_versia"]}]}},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/raul_zibechi.jpg?fit=700%2C394&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6969","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6969"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6969\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6970,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6969\/revisions\/6970"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6783"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6969"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6969"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6969"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}