{"id":6790,"date":"2018-01-14T12:17:01","date_gmt":"2018-01-14T14:17:01","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=6790"},"modified":"2018-01-11T11:19:33","modified_gmt":"2018-01-11T13:19:33","slug":"o-declinio-do-imperio-militar-americano%ef%bb%bf","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2018\/01\/14\/o-declinio-do-imperio-militar-americano%ef%bb%bf\/","title":{"rendered":"O decl\u00ednio do imp\u00e9rio militar americano\ufeff"},"content":{"rendered":"<p><strong>Alfred W. McCoy &#8211;\u00a0<\/strong>Suplantados econ\u00f4mica e cientificamente, EUA preparam-se para reagir no \u00fanico terreno em que mant\u00eam supremacia. Mas os cen\u00e1rios para uma III Guerra Mundial sugerem: a aposta pode estar furada. O que Pequim tem a ver com isso?<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos 50 anos, os governantes norte-americanos estiveram absolutamente confiantes de que poderiam sofrer contratempos militares em lugares como Cuba ou Vietn\u00e3 sem ter seu sistema de hegemonia global, sustentado pela economia mais rica e o mais sofisticado aparato militar do mundo, afetado. O pa\u00eds era, afinal, a \u201cna\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel\u201d do planeta, como a secret\u00e1ria de Estado Madeleine Albright\u00a0<a href=\"https:\/\/en.wikiquote.org\/wiki\/Madeleine_Albright\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">proclamou<\/a>\u00a0em 1998 (e outros presidentes e pol\u00edticos reiteraram desde ent\u00e3o). Os EUA gozaram da maior \u201cdisparidade de poder\u201d com seus pretensos rivais do que qualquer imp\u00e9rio que j\u00e1 tenha existido, como\u00a0<a href=\"https:\/\/ratical.org\/ratville\/JFK\/JohnJudge\/linkscopy\/EagleLand.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">anunciou<\/a>\u00a0o historiador de Yale, Paul Kennedy, em 2002. Certamente, poderia permanecer como \u201ca \u00fanica superpot\u00eancia pelas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas\u201d, nos\u00a0<a href=\"https:\/\/www.foreignaffairs.com\/articles\/united-states\/2016-04-13\/once-and-future-superpower\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">assegurou<\/a>\u00a0a revista\u00a0<em>Foreign Affairs<\/em>\u00a0no ano passado. Ao longo da campanha de 2016, o candidato Donald Trump\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cnn.com\/videos\/politics\/2017\/08\/18\/trump-albany-rally-winning-sot.cnn\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">prometeu<\/a>\u00a0aos seus apoiadores que \u201cn\u00f3s vamos vencer com for\u00e7a militar\u2026 vamos vencer tanto que voc\u00eas v\u00e3o at\u00e9 ficar cansados de vencer\u201d. Em agosto, enquanto anunciava sua decis\u00e3o de mandar mais tropas ao Afeganist\u00e3o, Trump\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2017\/08\/21\/world\/asia\/trump-speech-afghanistan.html?mcubz=0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">asseverou<\/a>\u00a0\u00e0 na\u00e7\u00e3o: \u201cA cada gera\u00e7\u00e3o, enfrentamos o mal, e sempre o superamos\u201d. Neste mundo em r\u00e1pida mudan\u00e7a, apenas uma coisa era certa: quando era para valer, os Estados Unidos nunca podiam perder.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 mais assim.<\/p>\n<p>A Casa Branca de Trump pode ainda estar desfrutando do brilho da supremacia global dos Estados Unidos, mas, do outro lado do condado de Potomac, o Pent\u00e1gono formou uma vis\u00e3o mais realista de sua decadente superioridade militar. Em junho, o Departamento de Defesa expediu um\u00a0<a href=\"https:\/\/ssi.armywarcollege.edu\/pdffiles\/PUB1358.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">grande relat\u00f3rio<\/a>\u00a0intitulado\u00a0<em>Avalia\u00e7\u00e3o de Riscos em um Mundo P\u00f3s-Primazia<\/em>, opinando que a for\u00e7a militar dos EUA \u201cj\u00e1 n\u00e3o goza de uma posi\u00e7\u00e3o inating\u00edvel em rela\u00e7\u00e3o a Estados competidores\u201d, e \u201cn\u00e3o \u00e9 mais capaz de gerar automaticamente uma superioridade militar local sustent\u00e1vel em campo\u201d. Esta avalia\u00e7\u00e3o s\u00f3bria levou os altos estrategistas do Pent\u00e1gono \u00e0 \u201cchocante consci\u00eancia de que \u2018n\u00f3s podemos perder\u2019\u201d. Cada vez mais, na vis\u00e3o dos planejadores do Pent\u00e1gono, a \u201cautoimagem de um l\u00edder global incompar\u00e1vel\u201d oferece \u201cfr\u00e1geis fundamentos para uma estrat\u00e9gia de defesa com vis\u00e3o futura\u2026 em um contexto de p\u00f3s-primazia\u201d. Este relat\u00f3rio do Pent\u00e1gono tamb\u00e9m alertou que, como a R\u00fassia, a China est\u00e1 \u201cengajada em um deliberado programa para demonstrar os limites da autoridade dos EUA\u201d; veja-se a aposta de Pequim pela \u201cprimazia no Pac\u00edfico\u201d e sua \u201ccampanha para expandir seu controle sobre o Mar da China do Sul\u201d.<\/p>\n<p><strong>O desafio da China<\/strong><\/p>\n<p>De fato, tens\u00f5es militares entre os dois pa\u00edses t\u00eam crescido no oeste do Pac\u00edfico desde o ver\u00e3o de 2010. Da mesma forma que Washington usou sua alian\u00e7a de guerra com a Gr\u00e3-Bretanha para se apropriar de muito do poder global daquele imp\u00e9rio decadente depois da II Guerra Mundial, Pequim come\u00e7ou a usar seus lucros com a exporta\u00e7\u00e3o para os EUA para financiar o desafio militar ao seu dom\u00ednio sobre as vias naveg\u00e1veis da \u00c1sia e do Pac\u00edfico.<\/p>\n<p>Alguns n\u00fameros reveladores sugerem que a natureza da futura grande competi\u00e7\u00e3o por poder entre Washington e Pequim poder\u00e1 determinar o curso do s\u00e9culo 21. Em abril de 2015, por exemplo, o Departamento de Agricultura\u00a0<a href=\"http:\/\/watchingamerica.com\/WA\/2015\/04\/28\/us-projections-for-the-2030-world-economy-ranking\/\">relatou<\/a>\u00a0que a economia dos EUA pode crescer pr\u00f3ximo de 50% pelos pr\u00f3ximos 15 anos, enquanto a China pode expandir-se 300%, igualando ou superando os Estados Unidos por volta de 2030.<\/p>\n<p>De maneira semelhante, na crucial corrida por patentes globais, a lideran\u00e7a norte-americana em inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica est\u00e1 claramente em decl\u00ednio. Em 2008, os Estados Unidos ainda detinham o segundo lugar atr\u00e1s do Jap\u00e3o em solicita\u00e7\u00f5es de patentes, com 232 mil. A China estava, de todo modo,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.wipo.int\/edocs\/pubdocs\/en\/intproperty\/941\/wipo_pub_941_2010.pdf\">aproximando-se<\/a>\u00a0rapidamente com 195 mil, gra\u00e7as a um explosivo crescimento de 400% desde 2000. Em 2014, a China efetivamente tomou a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.wipo.int\/edocs\/pubdocs\/en\/wipo_pub_941_2015.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">dianteira<\/a>\u00a0nessa categoria cr\u00edtica com 801 mil patentes, quase a metade do total mundial, comparado com apenas 285 mil para os estadunidenses.<\/p>\n<p>Com a supercomputa\u00e7\u00e3o agora ocupando um lugar cr\u00edtico para tudo, desde a quebra de c\u00f3digos at\u00e9 produtos ao consumidor, o Minist\u00e9rio da Defesa da China\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2010\/10\/28\/technology\/28compute.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">superou<\/a>\u00a0o Pent\u00e1gono pela primeira vez em 2010, lan\u00e7ando o supercomputador mais r\u00e1pido do mundo, o Tianhe-1A. Pequim produziu a m\u00e1quina mais r\u00e1pida e no ano passado finalmente\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2016\/06\/21\/technology\/china-tops-list-of-fastest-computers-again.html?_r=0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">venceu<\/a>\u00a0de uma maneira que n\u00e3o poderia ser mais crucial: com um supercomputador que tinha chips microprocessadores produzidos na China. A essa altura, o pa\u00eds j\u00e1 tem a maioria dos supercomputadores, com 167 em compara\u00e7\u00e3o com 165 dos Estados Unidos e apenas 29 do Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>A longo prazo, o sistema de educa\u00e7\u00e3o estadunidense, essa fonte cr\u00edtica de futuros cientistas e inovadores, ficar\u00e1 para tr\u00e1s de seus competidores. Em 2012, a Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e o Desenvolvimento Econ\u00f4mico fez exames com meio milh\u00f5es de adolescentes de 15 anos em todo o mundo. Os de Xangai\u00a0<a href=\"https:\/\/www.oecd.org\/pisa\/keyfindings\/PISA-2012-results-US.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ficaram em primeiro lugar<\/a>\u00a0em matem\u00e1tica e ci\u00eancia, enquanto os de Massachusetts, \u201cum estado dos EUA de forte desempenho\u201d, ficaram em 20\u00ba em ci\u00eancia e 27\u00ba em matem\u00e1tica. Em 2015, a posi\u00e7\u00e3o estadunidense\u00a0<a href=\"http:\/\/www.businessinsider.com\/pisa-worldwide-ranking-of-math-science-reading-skills-2016-12\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">caiu<\/a>\u00a0para 25\u00ba em ci\u00eancia e 39\u00ba em matem\u00e1tica.<\/p>\n<p>Mas por que, voc\u00ea pode perguntar, algu\u00e9m deveria se preocupar com um bando de moleques de 15 anos com mochilas, aparelho nos dentes e cheios de atitude? Porque em 2030 eles ser\u00e3o cientistas e engenheiros em meio de carreira, determinando quais computadores sobreviver\u00e3o aos ciberataques, os sat\u00e9lites de quem v\u00e3o escapar de ataques de m\u00edsseis, e a economia de quem tem o \u00faltimo lan\u00e7amento a apresentar.<\/p>\n<p><strong>Estrat\u00e9gias das superpot\u00eancias rivais<\/strong><\/p>\n<p>Com seus recursos crescendo, Pequim tem reivindicado um arco de ilhas e \u00e1guas que v\u00e3o da Coreia at\u00e9 a Indon\u00e9sia, regi\u00e3o por muito tempo dominada pela Marinha dos EUA. Em agosto de 2010, depois que Washington expressou o \u201cinteresse nacional\u201d pelo Mar da China Meridional e conduziu exerc\u00edcios navais ali para refor\u00e7ar sua reivindica\u00e7\u00e3o, o\u00a0<em>Global Times\u00a0<\/em>de Pequim\u00a0<a href=\"https:\/\/www.csmonitor.com\/World\/Asia-Pacific\/2010\/0817\/China-and-the-US-battle-to-assert-presence-in-South-China-Sea\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">respondeu<\/a>\u00a0com irrita\u00e7\u00e3o que \u201ca luta livre entre EUA e China sobre o Mar da China Meridional elevou as apostas para se decidir quem ser\u00e1 o verdadeiro futuro governante do planeta\u201d.<\/p>\n<p>Quatro anos depois, Pequim ampliou suas reivindica\u00e7\u00f5es territoriais sobre essas \u00e1guas,\u00a0<a href=\"http:\/\/fas.org\/blogs\/security\/2014\/04\/chinassbnfleet\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">construiu<\/a>\u00a0uma base para submarino nuclear na ilha de Hainan e\u00a0<a href=\"http:\/\/www.bbc.co.uk\/news\/special\/2014\/newsspec_8701\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">acelerou<\/a>\u00a0a dragagem de sete at\u00f3is artificiais para bases militares nas Ilhas Spratly Islands. Quando o Tribunal Permanente de Arbitragem de Haia\u00a0<a href=\"http:\/\/www.pcacases.com\/pcadocs\/PH-CN%20-%2020160712%20-%20Award.pdf\">decidiu<\/a>, em 2016, que esses at\u00f3is n\u00e3o deram nenhum direito a reivindica\u00e7\u00e3o territorial das \u00e1reas circundantes, o Minist\u00e9rio de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores de Pequim\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2016\/07\/13\/world\/asia\/south-china-sea-hague-ruling-philippines.html?mcubz=0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">rejeitou<\/a>\u00a0a decis\u00e3o.<\/p>\n<p>Para fazer face ao desafio da China em alto mar, o Pent\u00e1gono come\u00e7ou a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2016\/03\/31\/world\/asia\/south-china-sea-us-navy.html?mcubz=0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">enviar<\/a>\u00a0uma s\u00e9rie de porta-avi\u00f5es em cruzeiros de \u201cliberdade de navega\u00e7\u00e3o\u201d para o Mar da China Meridional. Tamb\u00e9m come\u00e7ou a transferir seus equipamentos a\u00e9reos e marinhos de reposi\u00e7\u00e3o para uma linha de bases do Jap\u00e3o at\u00e9 a Austr\u00e1lia, apostando em fortalecer sua posi\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica ao longo do litoral asi\u00e1tico. Desde o fim da II Guerra Mundial, Washington tentou controlar a estrat\u00e9gica massa de terra eurasiana a partir de uma rede de bases militares da OTAN na Europa e uma cadeia de ilhas como basti\u00f5es no Pac\u00edfico. Entre as \u201c<a href=\"http:\/\/www.tomdispatch.com\/post\/176007\/tomgram%3A_alfred_mccoy,_washington%27s_great_game_and_why_it%27s_failing_\/\">extremidades axiais<\/a>\u201d deste vasto continente, Washington construiu, ao longo dos \u00faltimos 70 anos, sucessivas camadas de poder militar \u2013\u00a0bases a\u00e9reas e navais durante a Guerra Fria e, mais recentemente, uma linha de 60 bases de drones que se estende da Sic\u00edlia at\u00e9 Guam.<\/p>\n<p>Simultaneamente, entretanto, a China conduziu o que o Pent\u00e1gono chamou em 2010 de \u201cabrangente transforma\u00e7\u00e3o de suas for\u00e7as militares\u201d voltada a preparar o Ex\u00e9rcito Popular de Liberta\u00e7\u00e3o (EPL) \u201cpara uma proje\u00e7\u00e3o de poder em um territ\u00f3rio expandido\u201d. Com \u201co mais ativo programa de m\u00edsseis bal\u00edsticos e de cruzeiro de base terrestre\u201d do mundo, Pequim pode colocar como alvo de \u201csuas for\u00e7as nucleares amplamente\u2026 a maior parte do mundo, inclusive a parte continental dos Estados Unidos\u201d. Enquanto isso, m\u00edsseis acurados hoje fornecem ao EPL a capacidade de \u201catacar navios, inclusive porta-avi\u00f5es, no oeste do Oceano Pac\u00edfico\u201d. Em zonas militares emergentes, a China come\u00e7ou a enfrentar o dom\u00ednio estadunidense sobre o ciberespa\u00e7o e o espa\u00e7o, com plano de dominar \u201co espectro da informa\u00e7\u00e3o em todas as dimens\u00f5es do espa\u00e7o de batalha moderno\u201d.<\/p>\n<p>O ex\u00e9rcito da China desenvolveu um sofisticado\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2013\/02\/19\/technology\/chinas-army-is-seen-as-tied-to-hacking-against-us.html?mcubz=0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">poder<\/a>\u00a0de guerra cibern\u00e9tica por meio de sua Unidade 61398 e empresas aliadas que \u201ccada vez mais focam\u2026 em empresas envolvidas na infraestrutura cr\u00edtica dos Estados Unidos \u2013 sua rede de energia el\u00e9trica, gasodutos e abastecimento de \u00e1gua\u201d. Depois de identificar essa unidade como respons\u00e1vel por uma s\u00e9rie de roubos de propriedade intelectual, Washington assumiu uma medida in\u00e9dita, em 2013, de entrar com a\u00e7\u00f5es criminais contra cinco altos oficiais cibern\u00e9ticos chineses da ativa.<\/p>\n<p>A China j\u00e1 realizou grandes avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos que poderiam se provar decisivos em qualquer guerra futura contra Washington. Em vez de competir em todos os flancos, Pequim, como muitos que adotaram tardiamente a tecnologia, escolheu estrategicamente \u00e1reas chave para perseguir, em particular os sat\u00e9lites orbitais, que s\u00e3o fulcrais para se defender efetivamente no espa\u00e7o. J\u00e1 em 2012, a China havia lan\u00e7ado 14 sat\u00e9lites em \u201ctr\u00eas tipos de \u00f3rbitas\u201d com \u201cmais sat\u00e9lites em alta \u00f3rbita e\u2026 com mais poder anti blindagem\u00a0do que qualquer outro sistema\u201d. Quatro anos depois, Pequim\u00a0<a href=\"http:\/\/www.chinadaily.com.cn\/china\/2016-06\/16\/content_25732439.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">anunciou<\/a>\u00a0que estava a caminho de \u201ccobrir o globo inteiro com uma constela\u00e7\u00e3o de 35 sat\u00e9lites at\u00e9 2020\u201d, ficando atr\u00e1s apenas dos Estados Unidos no que se refere a sistemas de sat\u00e9lite operacionais.<\/p>\n<p>Brincando de pega-pega, a China recentemente alcan\u00e7ou avan\u00e7os audaciosos em comunica\u00e7\u00e3o segura. Em agosto de 2016, tr\u00eas anos depois de o Pent\u00e1gono abandonar sua pr\u00f3pria tentativa de seguran\u00e7a por sat\u00e9lite em escala completa, Pequim\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2016\/08\/17\/world\/asia\/china-quantum-satellite-mozi.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">lan\u00e7ou<\/a>\u00a0o primeiro sat\u00e9lite qu\u00e2ntico do mundo, que transmite f\u00f3tons, tido como \u201cinvulner\u00e1vel a hackers\u201d, em vez de contar com as ondas de r\u00e1dio, mais facilmente viol\u00e1veis. De acordo com um\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/news\/chinese-satellite-is-one-giant-step-for-the-quantum-internet-1.20329\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">relat\u00f3rio<\/a>\u00a0cient\u00edfico, essa nova tecnologia ir\u00e1 \u201ccriar uma rede de comunica\u00e7\u00f5es supersegura, potencialmente ligando as pessoas em qualquer lugar\u201d. A China estava planejando, conforme reportado, lan\u00e7ar 20 dos sat\u00e9lites caso a tecnologia comprove seu completo sucesso.<\/p>\n<p>Para vigiar a China, Washington est\u00e1 construindo uma nova rede de defesa digital com avan\u00e7ado poder de armas cibern\u00e9ticas e rob\u00f3tica aeroespacial. Entre 2010 e 2012, o Pent\u00e1gono estendeu as opera\u00e7\u00f5es de drones at\u00e9 a exosfera, criando uma arena para as guerras do futuro que n\u00e3o se parece com nada que tenha acontecido antes. J\u00e1 em 2020, se tudo correr como planejado, o Pent\u00e1gono ir\u00e1 cobrir-se com um\u00a0<a href=\"http:\/\/www.tomdispatch.com\/post\/176324\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">escudo em tr\u00eas camadas<\/a>\u00a0de drones n\u00e3o-tripulados cobrindo da estratosfera at\u00e9 a exosfera, armados de m\u00edsseis \u00e1geis, ligados por um sistema expandido de sat\u00e9lites e operado por meio de controles rob\u00f3ticos.<\/p>\n<p>Pesando esse equil\u00edbrio de for\u00e7as, a RAND Corporation recentemente publicou um estudo,\u00a0<em>War with China\u00a0<\/em>[<em>Guerra com a China<\/em>]<em>,\u00a0<\/em><a href=\"https:\/\/www.rand.org\/content\/dam\/rand\/pubs\/research_reports\/RR1100\/RR1140\/RAND_RR1140.synopsis.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">prevendo<\/a>que at\u00e9 2025 \u201ca China provavelmente ter\u00e1 mais e melhores armas e maior\u00a0 n\u00famero de m\u00edsseis, como m\u00edsseis bal\u00edsticos e de cruzeiro; defesas a\u00e9reas avan\u00e7adas; ca\u00e7as de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o; submarinos mais discretos; mais e melhores sensores; comunica\u00e7\u00f5es digitais, poder de processamento e C2 [seguran\u00e7a cibern\u00e9tica] necess\u00e1rios para operar uma integrada cadeia da morte\u201d.<\/p>\n<p>No caso de uma guerra total, sugeriu a RAND, os Estados Unidos devem sofrer pesadas perdas em seus porta-avi\u00f5es, submarinos, m\u00edsseis e avi\u00f5es das for\u00e7as estrat\u00e9gicas chinesas, enquanto seus sistemas de computadores e de sat\u00e9lites seriam deteriorados gra\u00e7as ao \u201caprimorado poder chin\u00eas para a guerra cibern\u00e9tica e ASAT [antisat\u00e9lite]\u201d. Embora as for\u00e7as estadunidenses pudessem contra-atacar, sua \u201ccrescente vulnerabilidade\u201d tem como consequ\u00eancia que a vit\u00f3ria de Washington n\u00e3o estaria assegurada. Em um conflito como este, concluiu o\u00a0<em>think tank<\/em>, pode muito bem n\u00e3o haver um \u201cclaro vencedor\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o se engane quanto ao peso dessas palavras. Pela primeira vez, um dois principais\u00a0<em>think tanks\u00a0<\/em>estrat\u00e9gicos, muito alinhado com as for\u00e7as militares dos EUA e h\u00e1 muito tempo famoso pela influ\u00eancia de suas an\u00e1lises estrat\u00e9gicas, vislumbrou seriamente uma grande guerra com a China que os Estados Unidos poderiam n\u00e3o vencer.<\/p>\n<p><strong>Terceira Guerra Mundial: cen\u00e1rio 2030<\/strong><\/p>\n<p>A tecnologia da guerra espacial e cibern\u00e9tica \u00e9 t\u00e3o nova, ainda n\u00e3o testada, que mesmo os cen\u00e1rios mais estranhos atualmente imaginados pelos planejadores estrat\u00e9gicos podem logo ser superados por uma realidade ainda dif\u00edcil de conceber. Em um\u00a0<a href=\"http:\/\/www.defensenews.com\/story\/defense\/air-space\/air-force\/2015\/12\/18\/air-force-nuclear-war-game-tests-future-bomber-fleet\/77515594\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">exerc\u00edcio<\/a>\u00a0de guerra nuclear em 2015, o Air Force Wargaming Institute usou uma sofisticada modelagem computadorizada para\u00a0<a href=\"https:\/\/tinyletter.com\/lseligman\/letters\/lara-s-weekly-roundup-air-force-nuclear-war-game-tests-future-bomber-fleet\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">imaginar<\/a>\u00a0\u201cum cen\u00e1rio de 2030 em que a frota de B-52 da For\u00e7a A\u00e9rea era\u2026 atualizada com\u2026 armas aprimoradas\u201d para patrulhar os c\u00e9us prontos para atacar. Simultaneamente, \u201cm\u00edsseis bal\u00edsticos intercontinentais novinhos\u201d est\u00e3o prontos para serem lan\u00e7ados. Ent\u00e3o, em uma arrojada jogada t\u00e1tica, bombardeiros B-1 atualizados com \u201cEsta\u00e7\u00f5es de Batalha Integradas (IBS) completas\u201d deslizam sobre as defesas inimigas para devastadores ataques nucleares.<\/p>\n<p>Esse cen\u00e1rio era sem d\u00favida \u00fatil para os planejadores das For\u00e7as Armadas, mas diziam pouco sobre o verdadeiro futuro do poder global dos EUA. De modo similar, o estudo da RAND\u00a0<em>War with China<\/em>apenas comparou os poderes militares, sem avaliar as estrat\u00e9gias espec\u00edficas que cada lado poderia usar em seu benef\u00edcio.<\/p>\n<p>Eu posso n\u00e3o ter acesso \u00e0 modelagem computadorizada do Wargaming Institute ou aos renomados recursos anal\u00edticos da RAND, mas eu posso pelo menos levar o trabalho deles um passo adiante imaginando um futuro conflito com um resultado desfavor\u00e1vel para os Estados Unidos. Como pot\u00eancia global ainda dominante, Washington dever\u00e1 espalhar suas defesas por todos os dom\u00ednios militares, tornando sua for\u00e7a, paradoxalmente, uma fonte de potencial fraqueza. Como desafiante, a China tem a vantagem assim\u00e9trica de identificar e explorar algumas falhas estrat\u00e9gicas na globalmente esmagadora superioridade militar de Washington.<\/p>\n<p>Por anos, proeminentes intelectuais chineses da defesa, como\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cas.fudan.edu.cn\/viewprofile.en.php?id=66\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Shen Dingli<\/a>\u00a0da Universidade de Fudan, rejeitaram a ideia de se contrapor aos EUA com\u00a0 grande ac\u00famulo de for\u00e7a naval e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.washingtonpost.com\/wp-dyn\/content\/article\/2010\/12\/31\/AR2010123101858.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">argumentaram<\/a>\u00a0em vez disso a favor de \u201cciberataques, armas espaciais, lasers, pulsos e outros feixes de energia direcionada\u201d. Em vez de correr para lan\u00e7ar porta-avi\u00f5es que \u201cser\u00e3o queimados\u201d por lasers atirados do espa\u00e7o, a China deveria, segundo Shen, desenvolver armas avan\u00e7adas \u201cpara fazer outros sistemas de comando falharem\u201d. Embora d\u00e9cadas distante de equiparar todo o poder das for\u00e7as militares globais de Washington, a China poderia, combinando guerra cibern\u00e9tica, guerra espacial e supercomputadores, encontrar maneiras de debilitar as comunica\u00e7\u00f5es militares dos EUA e ent\u00e3o cegar suas for\u00e7as estrat\u00e9gicas. Com isso em mente, eis aqui um cen\u00e1rio poss\u00edvel para a III Guerra Mundial:<\/p>\n<p>S\u00e3o 11:59 da noite,\u00a0na quinta-feira de A\u00e7\u00e3o de Gra\u00e7as em 2030. Por meses, as tens\u00f5es cresceram entre as patrulhas chinesas e da Marinha estadunidense no Mar da China Meridional. As tentativas de Washington de usar a diplomacia para refrear a China mostraram-se um vergonhoso fracasso entre aliados de longa data \u2013 com a OTAN debilitada por anos de apoio hesitante dos EUA, o Reino Unido, agora uma pot\u00eancia de terceiro n\u00edvel, o Jap\u00e3o com uma neutralidade funcional e outros l\u00edderes internacionais frios em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s preocupa\u00e7\u00f5es de Washington ap\u00f3s sofrer por muito tempo com sua ciber-vigil\u00e2ncia. Com a economia estadunidense diminu\u00edda, Washington joga sua \u00faltima carta de uma m\u00e3o cada vez mais fraca, deslocando seis de seus oito grupos de porta-avi\u00f5es restantes para o Pac\u00edfico Ocidental.<\/p>\n<p>Em vez de intimidar os l\u00edderes chineses, esses movimentos tornam-nos mais belicosos. Voando a partir de suas bases nas Ilhas Spratly, seus ca\u00e7as logo come\u00e7am a zumbir sobre os navios da Marinha estadunidense no Mar da China Meridional, enquanto as fragatas chinesas provocam dois dos porta-avi\u00f5es em patrulha, cruzando cada vez mais perto das suas miras.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o explode a trag\u00e9dia. \u00c0s 4 horas,\u00a0numa madrugada enevoada de outubro, o porta-avi\u00f5es gigante USS\u00a0<em>Gerald Ford<\/em>\u00a0picota a velha Fragata 536\u00a0<em>Xuchang<\/em>, afundando o navio chin\u00eas com todos os seus 165 tripulantes. Pequim exige desculpas e repara\u00e7\u00f5es. Quando Washington recusa, a f\u00faria da China vem r\u00e1pido.<\/p>\n<p>Ao bater a meia-noite da Black Friday, quando os ciber-compradores invadem os portais da Best Buy em busca dos fortes descontos nos \u00faltimos eletr\u00f4nicos produzidos em Bangladesh, a equipe da Marinha do\u00a0<a href=\"http:\/\/newatlas.com\/sst-delivery\/30063\/\">Telesc\u00f3pio\u00a0<\/a><a href=\"http:\/\/newatlas.com\/sst-delivery\/30063\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">de Vigil\u00e2ncia Espacial<\/a>\u00a0em Exmouth, na Austr\u00e1lia Ocidental, entra em choque. Suas telas panor\u00e2micas do c\u00e9u do sul repentinamente ficam pretas. A milhares de quil\u00f4metros dali, no centro de opera\u00e7\u00f5es do CiberComando dos EUA, no Texas, t\u00e9cnicos das For\u00e7as A\u00e9reas detectam c\u00f3digos bin\u00e1rios maliciosos que, embora inseridos anonimamente nos sistemas de armas estadunideneses em todo o mundo, mostram as\u00a0<a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/2010\/04\/06\/science\/06cyber.html?mcubz=0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">digitais<\/a>\u00a0que identificam o Ex\u00e9rcito Popular de Liberta\u00e7\u00e3o da China.<\/p>\n<p>Naquela que os historiadores chamar\u00e3o de \u201cBatalha dos Bin\u00e1rios\u201d, computadores da CyberCom lan\u00e7am seus contrac\u00f3digos matadores. Enquanto alguns dos servidores provinciais da China perdem dados administrativos de rotina, o sistema de sat\u00e9lite qu\u00e2ntico de Pequim, equipado com a supersegura transmiss\u00e3o por f\u00f3tons, se mostra imperme\u00e1vel aos hackers. Enquanto isso, uma armada de supercomputadores maiores e mais r\u00e1pidos subordinados \u00e0 Unidade 61398 de armamento cibern\u00e9tico de Xangai explode de volta com logaritmos impenetr\u00e1veis de in\u00e9dita sutileza e sofistica\u00e7\u00e3o,\u00a0infiltrando-se no\u00a0sistema de sat\u00e9lites dos EUA por meio de seus antiquados sinais de micro-ondas.<\/p>\n<p>O primeiro ataque aberto \u00e9 tal que ningu\u00e9m no Pent\u00e1gono havia previsto. Voando a 20 mil metros acima do Mar da China Meridional, in\u00fameros\u00a0<a href=\"https:\/\/www.flightglobal.com\/news\/articles\/us-navy-descoping-stealth-requirement-for-stingray-t-423039\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">drones<\/a>\u00a0MQ-25 Stingray baseados em porta-avi\u00f5es dos EUA, infectados por\u00a0<em>malware<\/em>\u00a0chineses, de repente disparam todos os seus proj\u00e9teis sob sua enorme envergadura em delta, enviando dezenas de m\u00edsseis letais para mergulhar inofensivamente no oceano, efetivamente desarmando esses armamentos formid\u00e1veis.<\/p>\n<p>Determinada a combater fogo com fogo, a Casa Branca autoriza um ataque em retalia\u00e7\u00e3o. Confiante que seu sistema de sat\u00e9lites \u00e9 impenetr\u00e1vel, os comandantes das For\u00e7as A\u00e9reas na Calif\u00f3rnia transmitem c\u00f3digos rob\u00f3ticos a uma flotilha de\u00a0<a href=\"http:\/\/www.space.com\/32839-x37b-military-space-plane-one-year-mission-otv4.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">drones espaciais<\/a>\u00a0X-37B, orbitando a 400 quil\u00f4metros acima da Terra, para lan\u00e7ar seus m\u00edsseis Triplo-Exterminadores em muitos sat\u00e9lites de comunica\u00e7\u00e3o da China. A resposta \u00e9 zero.<\/p>\n<p>Quase em p\u00e2nico, a Marinha ordena seus destr\u00f3ieres classe Zumwalt a atirar seus\u00a0<a href=\"http:\/\/www.space.com\/5006-navy-hits-satellite-heat-seeking-missile.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">m\u00edsseis mortais<\/a>\u00a0RIM-174 em sete sat\u00e9lites chineses em \u00f3rbitas geoestacion\u00e1rias pr\u00f3ximas. Os c\u00f3digos de lan\u00e7amento de repente se mostram inoperantes.<\/p>\n<p>Enquanto os v\u00edrus de Pequim se espalham descontroladamente atrav\u00e9s da arquitetura de sat\u00e9lites dos EUA, os supercomputadores de segunda-classe do pa\u00eds n\u00e3o conseguem quebrar os c\u00f3digos diabolicamente complexos dos\u00a0<em>malware\u00a0<\/em>chineses. Com velocidade assombrosa, os sinais de GPS, cruciais para a navega\u00e7\u00e3o dos navios e avi\u00f5es estadunidenses em todo o mundo ficam comprometidos.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s do Pac\u00edfico, oficiais de conv\u00e9s da Marinha se atropelam atr\u00e1s de seus sextantes, lutando para relembrar as velhas aulas de navega\u00e7\u00e3o de Annapolis. Guiando-se pelo sol e pelas estrelas, esquadr\u00f5es de porta-avi\u00f5es abandonam suas esta\u00e7\u00f5es pr\u00f3ximas \u00e0 costa da China e rumam a vapor para a seguran\u00e7a do Hava\u00ed.<\/p>\n<p>Um furioso presidente estadunidense ordena um ataque de retalia\u00e7\u00e3o em um alvo chin\u00eas secund\u00e1rio, a Base Naval de Longpo na ilha de Hainan. Dentro de minutos, o comandante da Base A\u00e9rea Andersen em Guam lan\u00e7a uma bateria de supersecretos\u00a0<a href=\"http:\/\/www.military.com\/daily-news\/2015\/05\/19\/air-force-getting-closer-to-testing-hypersonic-weapon.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">m\u00edsseis hipers\u00f4nicos<\/a>\u00a0X-51 \u201cSurfista\u201d que se elevam a 25 mil\u00a0metros e ent\u00e3o viajam atrav\u00e9s do Pac\u00edfico a 6.400 quil\u00f4metros por hora \u2014 muito mais r\u00e1pido do que qualquer m\u00edssil de guerra ou ar-contra-ar chin\u00eas. Dentro da Sala de Crise de Casa Branca o sil\u00eancio \u00e9 sufocante enquanto todos fazem a contagem regressiva de 30 curtos minutos antes que as ogivas nucleares t\u00e1ticas choquem-se com os r\u00edgidos submarinos de Longpo, encerrando as opera\u00e7\u00f5es navais chinesas no Mar da China Meridional. Em meio ao voo, os m\u00edsseis inopinadamente mergulham seus narizes no Pac\u00edfico.<\/p>\n<p>Em um bunker enterrado profundamente sob a pra\u00e7a Tiananmen, o sucessor do presidente Xi Jinping, escolhido a dedo, Li Keqiang, ainda mais nacionalista que o seu mentor, est\u00e1 indignado que Washington tenha tentado um ataque nuclear t\u00e1tico ao territ\u00f3rio chin\u00eas. Quando o Conselho de Estado da China vacila ao pensamento de uma guerra aberta, o presidente cita o antigo estrategista Sun Tzu: \u201cOs guerreiros vitoriosos vencem primeiro e depois v\u00e3o \u00e0 guerra, enquanto os guerreiros derrotados v\u00e3o \u00e0 guerra primeiro e depois buscam a vit\u00f3ria\u201d. Entre o aplauso e o riso, o voto \u00e9 un\u00e2nime. \u00c9 guerra!<\/p>\n<p>Quase imediatamente, Pequim escala de ciberataques secretos para a\u00e7\u00f5es abertas. Dezenas de m\u00edsseis chineses SC-19 de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o decolam para ataques em sat\u00e9lites de comunica\u00e7\u00e3o chave dos EUA, obtendo um alto \u00edndice de mortes cin\u00e9ticas nessas desajeitadas unidades. Bruscamente, Washington perde comunica\u00e7\u00e3o segura com centenas de bases militares. As esquadras de guerra dos EUA em todo o mundo est\u00e3o no solo. Dezenas de pilotos de F-35 que j\u00e1 est\u00e3o no ar s\u00e3o cegados quando a tela de seus capacetes equipados com visores avi\u00f4nicos fica escura, for\u00e7ando-os a descer a 3 mil\u00a0metros para ter uma vis\u00e3o clara da terra. Sem navega\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica, eles precisam seguir as rodovias e os marcos terrestres de volta \u00e0s suas bases como motoristas de \u00f4nibus nos c\u00e9us.<\/p>\n<p>Em meio ao voo de patrulhas regulares ao redor do continente eurasiano, duas d\u00fazias de drones de vigil\u00e2ncia RQ-180 repentinamente deixam de responder aos comandos transmitidos por sat\u00e9lite. Eles voam sem objetivo na dire\u00e7\u00e3o do horizonte e se destroem quando acaba o combust\u00edvel. Com surpreendente rapidez, os Estados Unidos perdem controle daquilo que sua For\u00e7a A\u00e9rea durante muito tempo\u00a0<a href=\"http:\/\/www.dtic.mil\/dtic\/tr\/fulltext\/u2\/p023961.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">chamou<\/a>\u00a0de \u201calto solo definitivo\u201d.<\/p>\n<p>Com a\u00a0intelig\u00eancia inundando o Kremlin de informa\u00e7\u00f5es sobre a debilidade do poder estadunidense, Moscou, ainda um aliado pr\u00f3ximo dos chineses, envia uma d\u00fazia de submarinos nucleares classe Severodvinsk atrav\u00e9s do C\u00edrculo \u00c1rtico para patrulhas provocativas permanentes entre Nova York e Newport News. Simultaneamente, meia-d\u00fazia de fragatas de m\u00edsseis classe Grigorovich da frota russa do Mar Negro, acompanhadas de um n\u00famero n\u00e3o revelado de submarinos de ataque, dirigem-se ao Mediterr\u00e2neo ocidental para fazer sombra \u00e0 Sexta Frota dos EUA.<\/p>\n<p>Dentro de horas, o aperto estrat\u00e9gico de Washington nas extremidades axiais da Eur\u00e1sia \u2014 a pedra de toque de seu dom\u00ednio global pelos \u00faltimos 85 anos \u2014 est\u00e1 quebrado. Em r\u00e1pida sucess\u00e3o, os tijolos da fr\u00e1gil arquitetura do poder global dos EUA come\u00e7a a cair.<\/p>\n<p>Cada arma gera sua pr\u00f3pria n\u00eamesis. Exatamente como os mosqueteiros suplantaram os cavaleiros montados, os tanques destru\u00edram as trincheiras e os bombardeiros de mergulho afundaram os navios de guerra, o superior poder cibern\u00e9tico da China cegou os sat\u00e9lites de comunica\u00e7\u00e3o estadunidenses que eram os nervos de um aparato militar outrora formid\u00e1vel, dando a Pequim uma assombrosa vit\u00f3ria nessa guerra de rob\u00f3tica militar. Sem uma \u00fanica v\u00edtima de combate em nenhum dos lados, a superpot\u00eancia que havia dominado o planeta por quase um s\u00e9culo \u00e9 derrotada na III Guerra Mundial.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"hN0BxRFcjB\"><p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/declinio-do-imperio-militar-americano\/\">O decl\u00ednio do imp\u00e9rio militar americano<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;O decl\u00ednio do imp\u00e9rio militar americano&#8221; &#8212; Outras Palavras\" src=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/declinio-do-imperio-militar-americano\/embed\/#?secret=dvY33GZLuW#?secret=hN0BxRFcjB\" data-secret=\"hN0BxRFcjB\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alfred W. McCoy &#8211;\u00a0Suplantados econ\u00f4mica e cientificamente, EUA preparam-se para reagir no \u00fanico terreno em que mant\u00eam supremacia. Mas os cen\u00e1rios para uma III Guerra Mundial sugerem: a aposta pode estar furada. O que Pequim tem a ver com isso? 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