{"id":6780,"date":"2018-01-13T12:25:23","date_gmt":"2018-01-13T14:25:23","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=6780"},"modified":"2018-01-10T10:27:07","modified_gmt":"2018-01-10T12:27:07","slug":"o-desejo-de-retorno-do-mundo-do-trabalho-a-escravidao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2018\/01\/13\/o-desejo-de-retorno-do-mundo-do-trabalho-a-escravidao\/","title":{"rendered":"O desejo de retorno do mundo do trabalho \u00e0 escravid\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><strong>Ricardo Machado &#8211;\u00a0<\/strong>Ricardo Antunes, ao analisar a atual morfologia dos trabalhadores brasileiros, debate a maneira pela qual as reformas pretendidas mergulham o pa\u00eds em um retrocesso de 100 anos.<\/p>\n<p>Ao analisar o atual mundo do trabalho no Brasil em perspectiva com os movimentos pol\u00edticos que tentam redirecionar, por meio das reformas trabalhista e previdenci\u00e1ria, as conquistas sociais dos trabalhadores brasileiros, Ricardo Antunes n\u00e3o usa meios-termos para definir a atual conjuntura. \u201cVeja que na proposta deste governo frankstein do PMDB, que tenho classificado como um governo terceirizado, contratado para destruir os direitos do trabalho, ele faz uma proposta de previd\u00eancia para que s\u00f3 depois de 49 anos de trabalho com salario integral, sem nenhum dia de desemprego, os trabalhadores e trabalhadoras possam se aposentar. \u00c9 um processo, em verdade, criminoso. Ent\u00e3o este \u00e9 o sentido essencial do governo Temer\u201d, critica o professor e pesquisador da Universidade Estadual de Campinas &#8211; Unicamp, em entrevista por telefone \u00e0\u00a0<strong>IHU On-Line<\/strong>. \u201cA amplia\u00e7\u00e3o da terceiriza\u00e7\u00e3o \u00e9 outro sentido forte deste governo. \u00c9 um retorno \u00e0 escravid\u00e3o\u201d, complementa.<\/p>\n<p>Na sua avalia\u00e7\u00e3o, um dos fatores preponderantes dessa nova organiza\u00e7\u00e3o do trabalho \u00e9 sua subordina\u00e7\u00e3o ao capital especulativo. \u201cIsso significa dizer que a ponta produtiva do capital financeiro, uma vez que ele n\u00e3o pode prescindir do trabalho, quer que ele funcione sob sua forma mais aviltada, mais vilipendiada, que \u00e9 pelos modos da informalidade, da precariza\u00e7\u00e3o, da flexibilidade e da devasta\u00e7\u00e3o de todas as conquistas do mundo do trabalho\u201d, avalia.<\/p>\n<p><strong>Confira a entrevista.<\/strong><\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Como podemos caracterizar o atual cen\u00e1rio sobre o mundo do trabalho no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ricardo Antunes \u2013<\/strong>\u00a0O Brasil caminha sob o comando do que Florestan Fernandes certa vez denominou como contrarrevolu\u00e7\u00e3o preventiva, que se gestou a partir do golpe que dep\u00f4s Dilma e colocou na presid\u00eancia Michel Temer , um golpe parlamentar e com fortes resson\u00e2ncias judiciais, al\u00e9m de um enorme apoio da m\u00eddia. Esta contrarrevolu\u00e7\u00e3o tem como objetivo prec\u00edpuo destruir todas as conquistas do mundo do trabalho e da classe trabalhadora, constru\u00eddas desde o in\u00edcio do s\u00e9culo 20 no Brasil. A jornada de trabalho de oito horas, o descanso semanal, o sal\u00e1rio igual para trabalho igual, o pagamento de horas extras, tudo aquilo que, de algum modo, foi consolidado na legisla\u00e7\u00e3o do trabalho em 1943, com a Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho &#8211; CLT, est\u00e1 sendo demolido pelo atual governo e pelo grupo que se apoderou do aparelho de Estado comandado por Temer e um grupo de deputados a mando do capital, sob hegemonia do n\u00facleo financeiro. O objetivo, portanto, \u00e9 destro\u00e7ar a legisla\u00e7\u00e3o social protetora do trabalho.<\/p>\n<p>E quanto \u00e0 reforma previdenci\u00e1ria, qual seu objetivo? O primeiro deles \u00e9 demolir a previd\u00eancia p\u00fablica; o segundo, incentivar os trabalhadores a migrarem para a previd\u00eancia privada; e, por fim, a consequ\u00eancia disso \u00e9 destruir a previd\u00eancia p\u00fablica no Brasil. Vale um par\u00eantese sobre o Chile, que privatizou sua previd\u00eancia p\u00fablica durante a ditadura militar do Pinochet e naquele contexto se dizia que a privatiza\u00e7\u00e3o da previd\u00eancia seria algo positivo, mas qual o resultado? O Chile tem um enorme movimento popular contra a previd\u00eancia privada porque as pessoas chegam no tempo de se aposentar e n\u00e3o conseguem. Veja que na proposta deste governo frankstein do PMDB, que tenho classificado como um governo terceirizado, contratado para destruir os direitos do trabalho, ele faz uma proposta de previd\u00eancia para que s\u00f3 depois de 49 anos de trabalho, sem nenhum dia de desemprego, os trabalhadores e trabalhadoras possam se aposentar com sal\u00e1rio integral. \u00c9 um processo, em verdade, criminoso. Ent\u00e3o este \u00e9 o sentido essencial do governo Temer.<\/p>\n<p>A amplia\u00e7\u00e3o da terceiriza\u00e7\u00e3o \u00e9 outro sentido forte deste governo. \u00c9 um retorno \u00e0 escravid\u00e3o. Trabalhadores e trabalhadoras poder\u00e3o ser contratados de modo intermitente. No Reino Unido, especialmente na Inglaterra, tem uma modalidade de emprego que se chama zero hour contract (Contrato de zero hora), em que m\u00e9dicos, advogados, profissionais liberais, trabalhadores na \u00e1rea de servi\u00e7os, eletricistas, cuidadores, etc. s\u00e3o chamados e prestam servi\u00e7os pontuais. Se tem trabalho s\u00e3o chamados, se n\u00e3o tem n\u00e3o recebem. Este \u00e9 o verdadeiro quadro que se pretende instaurar no Brasil. Em s\u00edntese, em uma era digital, informacional e computacional, o governo Temer quer legitimar a nova escravid\u00e3o, tamb\u00e9m digital, no Brasil, e s\u00f3 as lutas sociais poder\u00e3o impedi-la e evitar que esse desmoronamento se consolide.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 De que forma podemos definir a atual morfologia do trabalho no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ricardo Antunes \u2013<\/strong>\u00a0A constru\u00e7\u00e3o da ideia de morfologia do trabalho tenta dar conta da heterogeneidade do trabalho em nosso pa\u00eds, como, ali\u00e1s, ocorre em toda parte do mundo. Estou trabalhando na It\u00e1lia, como professor visitante na cidade de Veneza, e posso ver isso em uma cidade onde tamb\u00e9m ocorre o desenho multifacetado do trabalho. Aqui encontra-se um proletariado de servi\u00e7os enorme e um proletariado imigrante que tamb\u00e9m cresce, relacionado ao turismo, sobretudo em hot\u00e9is e restaurantes; s\u00e3o os pobres que trabalham em Veneza e moram nas ilhas circunvizinhas.<\/p>\n<p>Mas o que \u00e9 a morfologia do trabalho no Brasil? Trata-se de um n\u00facleo comp\u00f3sito e heterog\u00eaneo, para recordar novamente Florestan Fernandes, que configura a classe trabalhadora oper\u00e1ria e industrial, com n\u00facleos como S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, algumas capitais do Nordeste. Al\u00e9m disso, h\u00e1 a presen\u00e7a de um proletariado rural que acentua muito sua heterogeneidade com o agroneg\u00f3cio, uma mescla de agricultura e ind\u00fastria, que trabalha na ind\u00fastria da soja, do etanol e at\u00e9 a ind\u00fastria de alimentos como carnes, su\u00ednos e aves para exporta\u00e7\u00e3o, que \u00e9 muito intensa. H\u00e1 ainda um novo proletariado de servi\u00e7os que tem um papel cada vez mais crescente no processo de cria\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o no valor. Quem \u00e9 esse novo proletariado de servi\u00e7os? Os trabalhadores e trabalhadoras de call center, telermarketing, hipermercados, ind\u00fastrias de hot\u00e9is, motoboys, ou seja, uma mir\u00edade de trabalhadores e trabalhadoras que compreendem esse grupo de trabalhadores que se expandem exponencialmente no mundo urbano.<\/p>\n<p>Menos que uma sociedade p\u00f3s-industrial, conceito que nunca usei pois considero equivocado, temos que compreender a classe-que-vive-do-trabalho na ind\u00fastria, agricultura, nos servi\u00e7os, na agroind\u00fastria e na ind\u00fastria de servi\u00e7os como o contingente que comp\u00f5e a classe trabalhadora no Brasil. Isto \u00e9, aquela que vende sua for\u00e7a de trabalho em troca de sal\u00e1rio para sobreviver. Essa \u00e9 a nova morfologia do trabalho no Brasil.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Em um contexto macroecon\u00f4mico que privilegia o capital especulativo em rela\u00e7\u00e3o ao capital produtivo, de que ordem s\u00e3o os desafios ao mundo do trabalho no cen\u00e1rio brasileiro?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ricardo Antunes \u2013<\/strong>\u00a0\u00c9 o capital financeiro, esta simbiose entre capital industrial e banc\u00e1rio, e que se desdobrou da ponta produtiva ao fict\u00edcio e que desenha o atual mundo do trabalho \u00e0 sua imagem e semelhan\u00e7a. Como o capital financeiro \u00e9 o mais destrutivo de todos os capitais, ele sabe que n\u00e3o pode prescindir do trabalho porque a ponta primeira do capital financeiro \u00e9 o mundo produtivo. Nesse sentido, o capital financeiro n\u00e3o \u00e9 a nega\u00e7\u00e3o do mundo produtivo, mas uma forma superior em rela\u00e7\u00e3o ao capital produtivo, ainda que o primeiro n\u00e3o exista sem o segundo.<\/p>\n<p>Isso significa dizer que a ponta produtiva do capital financeiro (uma vez que ele n\u00e3o pode prescindir do trabalho), quer que ele funcione sob sua forma mais aviltada, mais vilipendiada, que \u00e9 pelos modos da informalidade, da precariza\u00e7\u00e3o, da flexibilidade e da devasta\u00e7\u00e3o de todas as conquistas do mundo do trabalho, que foram constru\u00eddas ao longo de d\u00e9cadas e mesmo s\u00e9culos de lutas. O capital financeiro desafia o mundo o trabalho \u00e0 medida que ele exige um mundo do trabalho aviltado, de modo que a luta do trabalho deve ser uma luta contra a sociedade do capital, incluindo a\u00ed todas as fra\u00e7\u00f5es da burguesia. H\u00e1 um segundo elemento: apesar da burguesia ser composta por v\u00e1rias fra\u00e7\u00f5es, \u00e9 o capital financeiro tem o comando geral de maneira que a parte do capital produtivo que \u00e9 propriedade do capital financeiro, faz com que o primeiro v\u00e1 a reboque do segundo.<\/p>\n<p>Com isso qualquer ilus\u00e3o de uma burguesia democr\u00e1tica e progressista, com o mito lulista da concilia\u00e7\u00e3o de classes e do apoio \u00e0 burguesia industrial brasileira, mostrou-se, mais uma vez, como se n\u00e3o bastasse 1964 , fadada ao desastre. O mundo do trabalho sob a hegemonia financeira sempre se apresenta como um desastre.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 A pol\u00edtica de terceiriza\u00e7\u00f5es nos governos Lula e Dilma fez os postos de trabalho terceirizados passarem de 4 milh\u00f5es para 12,7 milh\u00f5es de empregados. H\u00e1 algo de novo no projeto atual, levado a cabo por Michel Temer, de intensifica\u00e7\u00e3o das terceiriza\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ricardo Antunes \u2013<\/strong>\u00a0H\u00e1, sim, diferen\u00e7as e \u00e9 importante entend\u00ea-las. Eu fui um cr\u00edtico duro dos governos Lula e Dilma, pelos in\u00fameros limites que eles significaram em rela\u00e7\u00e3o ao que poderia ter sido feito para o mundo do trabalho no Brasil. Ambos os governos ficaram aqu\u00e9m do que se poderia ter realizado em termos de reformas estruturais importantes. N\u00e3o houve reforma agr\u00e1ria, n\u00e3o houve reforma financeira, n\u00e3o houve reforma urbana, ao contr\u00e1rio, foi um governo de expans\u00e3o econ\u00f4mica, grandes benef\u00edcios para os capitais, transnacionaliza\u00e7\u00e3o da burguesia brasileira, abertura do Brasil ao capital externo, incremento no capital interno e uma pequena valoriza\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo. Al\u00e9m disso, um Bolsa Fam\u00edlia de perfil assistencialista, importante, mas profundamente limitada, que no m\u00e1ximo diminuiu um pouco os bols\u00f5es de mis\u00e9ria nos lugares mais empobrecidos.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o significa que n\u00e3o haja diferen\u00e7as entre os governos Lula e Dilma e o atual governo Temer. Houve expans\u00e3o dos terceirizados nos governos do Partido dos Trabalhadores \u2013 PT por que ocorreu um significativo crescimento econ\u00f4mico. N\u00f3s sabemos que um dos tra\u00e7os que Lula cita como sendo m\u00e9rito de seu governo \u00e9 o crescimento econ\u00f4mico, que ocorreu no final do primeiro mandato e no segundo mandato de seu governo e, tamb\u00e9m, no primeiro per\u00edodo do primeiro governo Dilma, governos que elevaram a taxa de emprego em 22 milh\u00f5es de postos. E os capitais ampliaram muito esses empregos no setor terceirizado. Isso foi feito por meio de uma brecha na legisla\u00e7\u00e3o que permitia a terceiriza\u00e7\u00e3o nas atividades meio.<\/p>\n<p>O projeto Temer \u00e9 profundamente destrutivo, \u00e9 uma concess\u00e3o cabal e completa ao mais destrutivo dos capitais, porque permite uma terceiriza\u00e7\u00e3o em todas atividades, em todos os ramos, inclusive no setor p\u00fablico. Significa uma devasta\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es do trabalho no Brasil e uma regress\u00e3o muito maior, porque volta-se atr\u00e1s em uma legisla\u00e7\u00e3o \u2013 que j\u00e1 era ruim pois permitia a vig\u00eancia e que permitia a terceiriza\u00e7\u00e3o somente da atividade meio. Agora \u00e9 ainda muito pior.<\/p>\n<p>Sempre fui contra a terceiriza\u00e7\u00e3o e defendi que a classe trabalhadora deve ser contra, porque a terceiriza\u00e7\u00e3o avilta ainda mais o trabalho. J\u00e1 esse novo projeto \u00e9 um flagelo total. Caso esse projeto n\u00e3o sofra derrota em algum momento, inclusive com a greve geral do dia 28 de abril, que ser\u00e1 muito importante para mostrar a capacidade de luta que a classe trabalhadora est\u00e1 sinalizando, ser\u00e1 um retorno \u00e0 escravid\u00e3o no Brasil. Esse projeto pretende instaurar no Brasil o modelo indiano, com condi\u00e7\u00f5es brutais de mis\u00e9ria exponencialmente mais amplas que as atuais e uma classe burguesa riqu\u00edssima enfeixada em seus condom\u00ednios fechados, tendo sua seguran\u00e7a garantida por pol\u00edcias privadas. Este \u00e9 o projeto Temer e, por isso, ele precisa ser derrotado.<\/p>\n<p><strong>IHU On-Line \u2013 Tendo em conta os projetos em tramita\u00e7\u00e3o de reformas Trabalhista e Previdenci\u00e1ria, qual o rumo do trabalho no Brasil? H\u00e1 formas de retomar uma condi\u00e7\u00e3o mais favor\u00e1vel aos trabalhadores?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ricardo Antunes \u2013<\/strong>\u00a0S\u00f3 a luta dos trabalhadores e trabalhadoras, dos sem teto, dos sem-terra, das periferias, das comunidades ind\u00edgenas, dos brancos, dos negros, da juventude, s\u00f3 por meio desta luta ampliada que poderemos retomar uma condi\u00e7\u00e3o melhor \u00e0 classe trabalhadora. Este avan\u00e7o, amplia\u00e7\u00e3o e radicaliza\u00e7\u00e3o das lutas sociais t\u00eam como segundo objetivo prec\u00edpuo eliminar, extinguir, mudar completamente este parlamento brasileiro. O atual congresso \u00e9 o pior de toda a hist\u00f3ria republicana brasileira.<\/p>\n<p>Nunca houve em nossa hist\u00f3ria um parlamento t\u00e3o servil, t\u00e3o pantanoso, e a coisa \u00e9 t\u00e3o violenta, que mesmo estando na It\u00e1lia, li, na Folha de S\u00e3o Paulo, que uma grande parte dos deputados envolvidos na Opera\u00e7\u00e3o Lava Jato aumentaram muito suas riquezas no \u00faltimo per\u00edodo. Estamos diante do parlamento do roubo ampliado e generalizado, com as exce\u00e7\u00f5es que sabemos que existem formadas por aqueles que n\u00e3o aparecem no Caixa 2, nos esquemas de corrup\u00e7\u00e3o, nas rela\u00e7\u00f5es incestuosas com as empresas.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 preciso, ent\u00e3o, uma a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica radical que reconfigure a formata\u00e7\u00e3o pol\u00edtica brasileira. Com esse parlamento, este Senado, este executivo e este judici\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel avan\u00e7ar. O judici\u00e1rio tamb\u00e9m \u00e9 um exemplo disso, e vivemos um processo d\u00faplice em que h\u00e1 a judicializa\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica (em que o judici\u00e1rio se arvora em atuar sobre tudo) e a politiza\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a, de modo que alguns membros proeminentes do judici\u00e1rio est\u00e3o na batalha pol\u00edtica da conserva\u00e7\u00e3o e da contrarrevolu\u00e7\u00e3o. A rela\u00e7\u00e3o incestuosa de ministros do Supremo com o governo Temer, com os atuais ministros, com n\u00facleos empresariais mostra que h\u00e1 um processo de contamina\u00e7\u00e3o do Executivo, do Legislativo e do Judici\u00e1rio em que a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 muito perto de dizer que n\u00e3o suporta mais.<\/p>\n<p>Isto significa que a forma de retomar uma condi\u00e7\u00e3o mais favor\u00e1vel \u00e0s classes trabalhadoras \u00e9 pensar, \u00e9 refletir em profundidade, pontos e quest\u00f5es que s\u00e3o centrais na vida cotidiana. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que a reforma da previd\u00eancia leve \u00e0 morte o trabalhador brasileiro antes de ele poder descansar um pouco. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que se retorne \u00e0 escravid\u00e3o do trabalho no Brasil. Em outro plano, \u00e9 preciso repensar uma a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de subst\u00e2ncia e de radicalidade que redesenhe toda a institucionalidade brasileira. Os desafios que temos pela frente n\u00e3o s\u00e3o pequenos, mas s\u00e3o vitais.<\/p>\n<p>O quadro atual de uma pol\u00edtica destrutiva e de um governo cuja decomposi\u00e7\u00e3o avan\u00e7a a cada dia apresenta um imprevis\u00edvel cen\u00e1rio. Em 2017 e 2018, vamos ter muitos embates, de tal modo que \u00e9 significativa a mobiliza\u00e7\u00e3o para o pr\u00f3ximo dia 28 de abril. Essa greve geral tem que ser um momento muito importante para dizer ao Executivo, ao Senado e \u00e0 C\u00e2mara e ao Judici\u00e1rio que tudo o que foi conquistado pela classe trabalhadora brasileira nos \u00faltimos 70 anos n\u00e3o pode ser destru\u00eddo no pior momento pol\u00edtico brasileiro, que \u00e9 o atual.<\/p>\n<p>http:\/\/www.ihuonline.unisinos.br\/artigo\/6827-o-desejo-de-retorno-do-mundo-do-trabalho-a-escravidao<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ricardo Machado &#8211;\u00a0Ricardo Antunes, ao analisar a atual morfologia dos trabalhadores brasileiros, debate a maneira pela qual as reformas pretendidas mergulham o pa\u00eds em um retrocesso de 100 anos. 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