{"id":6593,"date":"2017-12-31T10:30:20","date_gmt":"2017-12-31T12:30:20","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=6593"},"modified":"2017-12-31T10:23:09","modified_gmt":"2017-12-31T12:23:09","slug":"estados-unidos-modelo-racial-da-alemanha-nazista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2017\/12\/31\/estados-unidos-modelo-racial-da-alemanha-nazista\/","title":{"rendered":"Estados Unidos: modelo racial da Alemanha nazista"},"content":{"rendered":"<p><strong>David Mikics<\/strong> &#8211; Hitler celebrava os EUA por seu evangelho de mobilidade social, sobre o qual desenhou a base de que o nazismo seria um projeto de igualdade para os arianos<\/p>\n<p>Um livro publicado recentemente &#8212;\u00a0<i>Hitler\u00b4s American Model<\/i>\u00a0(Editora da Universidade de Princeton, 2017), de James Q. Whitman &#8212; argumenta de modo convincente que as medidas pol\u00edticas de Hitler se inspiraram no racismo institucionalizado nos Estados Unidos e no pragmatismo do seu Direito consuetudin\u00e1rio.<\/p>\n<div class=\"blog-post-content\">\n<p>No dia 26 de julho de 1935, cerca de mil militantes antinazistas assaltaram o Bremen, um elegante e modern\u00edssimo transatl\u00e2ntico alem\u00e3o que havia atracado em Nova York. Os manifestantes rasgaram a bandeira com a su\u00e1stica e a lan\u00e7aram ao rio Hudson. Foi o cl\u00edmax de um um longo e c\u00e1lido ver\u00e3o novaiorquino cheio de lutas entre pronazistas e antinazistas.<\/p>\n<p>Cinco rapazes que atacaram o Bremen foram detidos, mas quando compareceram diante do juiz Louis Brodsky, em setembro de 1935, aconteceu algo not\u00e1vel: o magistrado desconheceu todas as acusa\u00e7\u00f5es, alegando que a su\u00e1stica era \u201cuma bandeira negra de pirataria\u201d que merecia ser destru\u00edda, emblema de \u201cuma revolta contra a civiliza\u00e7\u00e3o\u2026 um retrocesso at\u00e1vico a condi\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas de antes da Idade M\u00e9dia, para n\u00e3o dizer b\u00e1rbaras\u201d.<\/p>\n<p>O Direito que amparava a valorosa proclama\u00e7\u00e3o de Brodsky era question\u00e1vel, e n\u00e3o passou muito tempo antes de que o Departamento de Justi\u00e7a de Roosevelt pedisse desculpas \u00e0 Alemanha pela decis\u00e3o. Hitler elogiou Roosevelt por desautorizar o texto de Brodsky. Mas a absolvi\u00e7\u00e3o dos militantes antinazistas por parte do magistrado judeu se tornou uma c\u00e9lebre causa para o partido de Hitler. As Leis de Nuremberg de setembro de 1935, que impunham severas restri\u00e7\u00f5es aos judeus alem\u00e3es, eram segundo os pr\u00f3prios nazistas uma \u201cresposta ao insulto de Brodsky\u201d.<\/p>\n<p>James Q. Whitman dedica seu livro &#8212; cujo t\u00edtulo, em tradu\u00e7\u00e3o livre, seria \u201cO Modelo Norte-Americano de Hitler\u201d &#8212; ao \u201cfantasma de Louis B. Brodsky\u201d. Por\u00e9m, o autor discrepa da afirma\u00e7\u00e3o de que o nazismo de meados dos Anos 30 foi um retrocesso \u00e0 Idade M\u00e9dia. Whitman mostra que as Leis de Nuremberg, em vez de constituir uma b\u00e1rbara anomalia, se modelaram parcialmente a partir das leis raciais estadunidenses, que ainda estavam em vigor naquela mesma \u00e9poca. O regime nazista se considerava a vanguarda da legisla\u00e7\u00e3o racial, e se inspirava na Am\u00e9rica do Norte. \u201cOs advogados nazistas contemplavam os Estados Unidos, n\u00e3o sem raz\u00e3o, como um l\u00edder mundial inovador na cria\u00e7\u00e3o de leis raciais\u201d, observa Whitman. Naquela d\u00e9cada, o Sul norte-americano e a Alemanha nazista eram os regimes mais diretamente racistas do mundo, orgulhosos do modo em que haviam privado a negros e judeus, respectivamente, de seus direitos civis.<\/p>\n<p>Os especialistas acad\u00eamicos sabem que o movimento eugen\u00e9sico norte-americano inspirou o pensamento nazista. Agora, Whitman agrega a essa informa\u00e7\u00e3o a influ\u00eancia da pol\u00edtica de imigra\u00e7\u00e3o norte-americana e suas leis sobre a ra\u00e7a. Hoje em dia, a ideia de Whitman de que o nazismo observava os Estados Unidos em busca de inspira\u00e7\u00e3o poderia nos levar a um certo p\u00e2nico moral. Mas h\u00e1 outra faceta da hist\u00f3ria, e como estamos em plena Era de Trump, podemos aproveitar para analis\u00e1-la mais rigorosamente. O atual presidente foi eleito, entre outras coisas, porque soube capitalizar o nacionalismo e a sede de parte da popula\u00e7\u00e3o por uma ca\u00e7a impiedosa contra inimigos internos e externos. De acordo com essa vis\u00e3o, os cosmopolitas sem ra\u00edzes, os imigrantes e os centros urbanos sem lei s\u00e3o uma constante amea\u00e7a para a verdadeira Norte Am\u00e9rica.<\/p>\n<p>Os historiadores restam import\u00e2ncia \u00e0 conex\u00e3o entre as leis raciais norte-americanas e os Estados Unidos, porque o pa\u00eds estava interessado principalmente em negar a plena cidadania aos negros, mais que aos judeus. Mas o trabalho detectivesco de Whitman demostra que em meados dos Anos 30 os juristas e pol\u00edticos nazistas reivindicavam diversas vezes a forma como os Estados Unidos haviam privado os afro-americanos do direito de votar e de se casar com brancos. Estavam fascinados pela forma como seus inspiradores conseguiram transformar milh\u00f5es de pessoas em cidad\u00e3os de segunda classe.<\/p>\n<p>Por estranho que possa parecer, os nazistas consideravam os Estados Unidos como um modelo para a ra\u00e7a branca, um imp\u00e9rio racial n\u00f3rdico que havia conquistado uma ingente quantidade de Lebensraum (o \u201cespa\u00e7o vital\u201d). Um especialista acad\u00eamico alem\u00e3o chamado Wahrhold Drascher escreveu em seu livro \u201cA Supremacia da Ra\u00e7a Branca\u201d, de 1936, como contemplava a funda\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos como um \u201cponto de inflex\u00e3o transcendental\u201d na ascens\u00e3o da ra\u00e7a ariana. Segundo Drascher, sem os Estados Unidos \u201cnunca teria surgido uma unidade consciente da ra\u00e7a branca\u201d. Rasse e Raum (\u201cra\u00e7a e espa\u00e7o vital\u201d) eram para os nazistas as palavras chave ap\u00f3s o triunfo estadunidense no mundo, de acordo com o historiador Detlef Junker. Hitler admirava o compromisso norte-americano com a pureza racial, alabando as campanhas contra as popula\u00e7\u00f5es nativas, que \u201cmassacraram milh\u00f5es de peles vermelhas at\u00e9 reduzi-los a centenas de milhares\u201d.<\/p>\n<p>Hitler n\u00e3o se equivocava quando voltava sua aten\u00e7\u00e3o \u00e0 Am\u00e9rica do Norte em busca de inova\u00e7\u00f5es racistas. \u201cNo come\u00e7o do S\u00e9culo XX, os Estados Unidos era o l\u00edder global em leis raciais\u201d, afirma Whitman, mais at\u00e9 que a \u00c1frica do Sul. O imp\u00e9rio espanhol do Novo Mundo havia sido pioneiro em leis que ligavam a cidadania ao sangue, mas os Estados Unidos desenvolveram uma legisla\u00e7\u00e3o racial bastante mais avan\u00e7ada que a dos espanh\u00f3is. Durante quase um s\u00e9culo, a escravid\u00e3o africana-estadunidense foi uma mancha monumental na Declara\u00e7\u00e3o de Independ\u00eancia de Jefferson e sua afirma\u00e7\u00e3o de que \u201ctodos os homens foram criados iguais\u201d. A Lei de Naturaliza\u00e7\u00e3o de 1790 estabelecia que \u201cqualquer estrangeiro, tratando-se de uma pessoa branca livre\u201d podia se tornar norte-americano, e os nazistas perceberam, satisfeitos, que se tratava de um caso especial de restri\u00e7\u00e3o racial \u00e0 cidadania. O mesmo princ\u00edpio orientou a Calif\u00f3rnia a proibir a imigra\u00e7\u00e3o chinesa em 1870 &#8212; o pa\u00eds inteiro seguiu o exemplo, 12 anos depois.<\/p>\n<p>A I Guerra Mundial estimulou o \u00edmpeto das doutrinas racistas a respeito de temas de imigra\u00e7\u00e3o. A Lei de Zona Vedada Asi\u00e1tica, de 1917, proibia a entrada a imigrantes asi\u00e1ticos, e tamb\u00e9m de homossexuais, anarquistas e \u201cidiotas\u201d. A Lei de Quotas, de 1921 favorecia os imigrantes do norte da Europa, em detrimento de italianos e judeus. No Mein Kampf, Hitler elogia as restri\u00e7\u00f5es norte-americanas \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o. O futuro ditador alem\u00e3o questionava o fato de que nascer em um pa\u00eds desse direitos a uma pessoa de se tornar cidad\u00e3o do mesmo, e que portanto \u201cum negro que tenha vivido anteriormente em protetorados alem\u00e3es, e que depois termine vivendo na Alemanha, possa se tornar cidad\u00e3o alem\u00e3o\u201d. Ent\u00e3o, citava o seu exemplo: \u201cexiste hoje um Estado onde podemos observar os primeiros passos de uma concep\u00e7\u00e3o melhor sobre o direito de cidadania (&#8230;), me refiro \u00e0 Uni\u00e3o Norte-Americana, que simplesmente pro\u00edbe a imigra\u00e7\u00e3o de certas ra\u00e7as\u201d. Os Estados Unidos, conclu\u00eda Hitler, tinha uma ideia mais verdadeiramente\u00a0<i>v\u00f6lkisch<\/i>\u00a0do Estado que a Alemanha, devido \u00e0s suas leis raciais.<\/p>\n<p>No terreno das restri\u00e7\u00f5es raciales ao matrim\u00f4nio, a Am\u00e9rica era pioneira. A ideia estadunidense de que um matrim\u00f4nio racialmente misto era delito tevo uma intensa repercuss\u00e3o nas Leis de Nuremberg. Nos Anos 30, quase trinta estados norte-americanos tenham leis contr\u00e1rias \u00e0 mesti\u00e7agem em seus c\u00f3digos, proibindo, em alguns casos at\u00e9 mesmo os asi\u00e1ticos, n\u00e3o somente os afro-americanos, a se casar com brancos. Os nazista copiaram com empenho as leis norte-americanas: as Leis de Nuremberg tornaram ilegais os casamentos entre judeus e n\u00e3o judeus.<\/p>\n<p>H\u00e1 um aspecto no qual as leis raciais norte-americanas demonstraram ser severas demais at\u00e9 para os nazistas. Nos Estados Unidos, reinava a regra da \u201cuma gota\u201d: se considerava negro quem tinha at\u00e9 a 1\/16 parte de sangue negro. Mas a proposta alem\u00e3 de linha dura para definir os alem\u00e3es com av\u00f4s judeus como cidad\u00e3os de segunda n\u00e3o foi aprovada em Nuremberg. Pelo contr\u00e1rio, at\u00e9 os que eram apenas meio judeus recebiam um tratamento com relativa indulg\u00eancia. Os Mischlinge, meio judeus, podiam ser contabilizados como arianos, a menos que fossem religiosamente question\u00e1veis ou se estivesse casados com uma pessoa judia.<\/p>\n<p>O tratamento norte-americano a respeito do direito ao voto tamb\u00e9m era crucial para o programa dos nazistas. Hitler prop\u00f4s transformar os judeus alem\u00e3es em residentes sem cidadania, portanto sem direito a voto, entre outros. No Mein Kampf, ele falava de uma divis\u00e3o entre\u00a0<i>staatsb\u00fcrger<\/i>\u00a0(cidad\u00e3os),\u00a0<i>staatsangeh\u00f6rige\u00a0<\/i>(nacionais) e\u00a0<i>ausl\u00e4nder<\/i>\u00a0(estrangeiros). Os Estados Unidos j\u00e1 dispunham dessa divis\u00e3o quando se tratava de certos grupos \u00e9tnicos, principalmente os afro-americanos: a maioria deles n\u00e3o podia votar no Sul. Os sulistas brancos viam os negros do mesmo modo que os nazistas viam os os judeus, em palavras de Whitman, como um \u201cra\u00e7a estrangeira\u201d de invasores que amea\u00e7ava \u201ctomar o controle\u201d. O jurista nazi Heinrich Krieger era particularmente entusiasmado em suas defini\u00e7\u00f5es. Em um artigo escrito em 1934, ele disse que os Estados Unidos privaram do direito a voto n\u00e3o s\u00f3 os negros como tamb\u00e9m os asi\u00e1ticos. Detlef Sahm, outro jurista, aplaudia tamb\u00e9m o voto negado aos ind\u00edgenas norte-americanos.<\/p>\n<p>Os nazista n\u00e3o s\u00f3 se mostraram entusiastas das leis raciais\u00a0 norte-americanas como tamb\u00e9m abra\u00e7aram sua base de Direito consuetudin\u00e1rio (\u201ccommon law\u201d). Erich Kaufmann, um professor de Direito judeu-alem\u00e3o e de direita, que sobreviveu escondido aos anos da guerra, escreveu em 1908 uma resenha sobre o esp\u00edrito das decis\u00f5es legais norte-americanas, segundo ele, cheias de \u201criqueza de vida e imediatismo\u201d, especialmente o r\u00edgido c\u00f3digo de Direito Civil que guiava a jurisprud\u00eancia alem\u00e3 e respondia \u201c\u00e0s intui\u00e7\u00f5es legais vivas do povo norte-americano\u201d.<\/p>\n<p>Trinta anos mais tarde, o elogio de Kaufmann seria assumido pelos nazistas, que consideravam o Direito consuetudin\u00e1rio como uma forma de legislar sobre os preconceitos raciais. \u00c9 verdade, reconheciam eles, que n\u00e3o existia uma defini\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica s\u00f3lida sobre como considerar uma pessoa judia ou n\u00e3o, mas os instintos antissemitas do povo podiam ser considerados um par\u00e2metro. Roland Freisler, um dos juristas nazis mais radicais e impiedosos &#8212; e um dos principais conspiradores do atentado contra Hitler em 20 de julho de 1944 &#8211;, escreveu \u201ccreio que qualquer juiz contaria os judeus entre as pessoas de cor, mesmo os que parecem brancos. Assim, sou da opini\u00e3o de que podemos proceder com o mesmo primitivismo empregado pelos estados norte-americanos. Um Estado poderia simplesmente apontar e definir `pessoas de cor\u00b4. Esse procedimento seria tosco, por\u00e9m eficiente\u201d.<\/p>\n<p>Freisler apreciava o racismo a partir do Direito consuetudin\u00e1rio norte-americano, com (em palavras de Whitman) \u201cseu modo legal sem conclus\u00e3o, uma esp\u00e9cie de entendo-s\u00f3-quando-vejo\u201d. N\u00e3o carecia de defini\u00e7\u00f5es cient\u00edficas de ra\u00e7a, o preconceito popular era mais que suficiente. A experi\u00eancia norte-americana mostrava claramente: o racismo ao estilo Jim Crow, o s\u00edmbolo das leis discriminat\u00f3rias do Sul dos Estados Unidos ap\u00f3s a Guerra Civil, era realismo legal, enraizado nos sentimentos do povo.<\/p>\n<p>Outros juristas nazis, como Bernhard L\u00f6sener, atacavam a defesa do Direito consuetudin\u00e1rio. Se queixavam de que os ju\u00edzes n\u00e3o estavam aptos a tomar decis\u00f5es baseadas em intui\u00e7\u00f5es raciais quando n\u00e3o tinham forma cient\u00edfica de determinar quem era judeu. \u201cVagos sentimentos de \u00f3dio aos judeus\u201d n\u00e3o eram suficientes, insistia L\u00f6sener, defendendo a postura de que o antissemitismo precisava de uma s\u00f3lida base de \u201cci\u00eancia\u201d racial. L\u00f6sener representava um aspecto da ideologia nazista, a \u00eanfase nos fatos rigorosos e cient\u00edficos sobre a ra\u00e7a e o car\u00e1ter dos povos. O outro aspecto era a improvisaci\u00f3n de novas regras para promover o poder alem\u00e3o. A improvisa\u00e7\u00e3o acabou se impondo: a falta de claridade a respeito de quem poderia ou n\u00e3o ser considerado judeu permitiu aos nazistas usar os Mischlinge durante a guerra se era necess\u00e1rio, ou assassin\u00e1-lo quando j\u00e1 n\u00e3o fossem.<\/p>\n<p>Os nazistas eram conscientes de que os Estados Unidos eram governados segundo princ\u00edpios igualit\u00e1rios e liberais, mas destacavam que havia exce\u00e7\u00f5es evidentes desses ideais, que estavam baseados na ra\u00e7a. Em palavras do professor e jurista Herbert Kier, \u201ca for\u00e7a elementar da necessidade de segregar os seres humanos de acordo com sua ascend\u00eancia racial se deixa sentir inclusive quando uma ideologia pol\u00edtica se interp\u00f5e em seu caminho\u201d. Hitler tamb\u00e9m celebrava os Estados Unidos no Mein Kampf por seu evangelho de mobilidade social, sobre o qual desenhou a base de que o nazismo seria um projeto de igualdade de oportunidades para os arianos. At\u00e9 o fim dos Anos 30, o New Deal de Roosevelt gozou de popularidade entre os nazistas. O presidente, declaravam eles, havia assumido poderes ditatoriais com o fim de impulsar as perspectivas de todos os norte-americanos brancos, enquanto a segrega\u00e7\u00e3o continuava em vigor no Sul.<\/p>\n<p>Em suas p\u00e1ginas finais, Whitman sugere que vale a pena refletir sobre a aprova\u00e7\u00e3o, por parte dos nazista da cultura legal estadunidense. O Direito consuetudin\u00e1rio, que se considera habitualmente sinal de pragmatismo e flexibilidade na tomada de decis\u00f5es legais, pode tamb\u00e9m consagrar preconceitos populares. Estados de \u00e2nimo populares como o af\u00e3 em se mostrar duros contra a criminalidade ou contra os imigrantes ilegais podem trazer sementes do fanatismo autorit\u00e1rio.<\/p>\n<p>https:\/\/www.cartamaior.com.br\/?\/Editoria\/Internacional\/Estados-Unidos-modelo-racial-da-Alemanha-nazista\/6\/39020<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>David Mikics &#8211; Hitler celebrava os EUA por seu evangelho de mobilidade social, sobre o qual desenhou a base de que o nazismo seria um projeto de igualdade para os arianos Um livro publicado recentemente &#8212;\u00a0Hitler\u00b4s American Model\u00a0(Editora da Universidade de Princeton, 2017), de James Q. 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