{"id":6586,"date":"2017-12-30T15:51:30","date_gmt":"2017-12-30T17:51:30","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=6586"},"modified":"2017-12-30T10:55:42","modified_gmt":"2017-12-30T12:55:42","slug":"as-mulheres-que-dizem-nao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2017\/12\/30\/as-mulheres-que-dizem-nao\/","title":{"rendered":"As mulheres que dizem n\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><strong>ELIANE BRUM<\/strong> &#8211; Nem tudo foi retrocesso em 2017: h\u00e1 algo importante que se move e n\u00e3o \u00e9 para tr\u00e1s<\/p>\n<p>Ele estava l\u00e1, o homem perplexo. Ele tinha dito qualquer coisa como \u201cgostosa\u201d para uma jovem mulher. E ela tinha mostrado o dedo, bem na sua cara. Tipo \u201cte liga\u201d. Ele explicava que aquilo n\u00e3o era abuso, era cantada. E a cada vez que explicava parecia encolher de tamanho. Acostumado ao topo da cadeia alimentar por quase toda uma vida, porque ele j\u00e1 era um velho, ele n\u00e3o conseguia compreender porque os lugares haviam mudado. Ele n\u00e3o podia mais fingir que era desejado, ele n\u00e3o podia mais dizer o que queria, e por fim ele desabafou que n\u00e3o era capaz de viver num mundo em que uma mulher n\u00e3o gostasse de ser chamada na rua de gostosa por um homem como ele. De repente, ele tinha ficado muito mais velho. E perguntava: mas por qu\u00ea? E tenho certeza de que ele n\u00e3o estava blefando. Ele n\u00e3o sabia. Porque por tempo demais n\u00e3o precisou saber. E agora precisa. Naquele exato momento, aquele homem perdeu o \u00faltimo pinto que ainda ficava duro. E n\u00e3o tinha a menor ideia sobre como alcan\u00e7ar pot\u00eancia sendo o que n\u00e3o sabia como ser.<\/p>\n<blockquote><p>De tantas cenas fortes deste ano, a minha foi essa pequena, quase despercebida. Um desacontecimento que desvela um acontecimento feito onda.<\/p><\/blockquote>\n<p>H\u00e1 uma brutalidade objetiva no que vivemos, no Brasil e em boa parte do mundo, que se acentuou ainda mais em 2017, neste per\u00edodo da hist\u00f3ria que talvez possa ficar conhecido como a par\u00f3dia que ele tamb\u00e9m \u00e9, a da bo\u00e7alidade do mal. E como j\u00e1 sabemos, em fases assim os anos n\u00e3o terminam nem come\u00e7am, apenas se emendam, e a bo\u00e7alidade do mal acordar\u00e1 em 2018 t\u00e3o bo\u00e7al quando dormiu em 2017. Possivelmente sem sequer saber de si, porque \u00e9 constitutivo dos bo\u00e7ais ter certeza sobre tudo, inclusive sobre aquilo que menos conhecem, que \u00e9 sobre si mesmos. Quem sabe de si tem d\u00favidas enormes, acorda sobressaltado \u00e0 noite duvidando do seu pr\u00f3prio rosto. Os bo\u00e7ais jamais as t\u00eam, pensam que a m\u00e1scara que colaram \u00e9 sua \u00fanica face e repetem muito a palavra \u201cverdade\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 preciso fazer aqui a retrospectiva de nossos horrores. N\u00f3s os conhecemos, eles se imiscu\u00edram como parasitas \u00edntimos, aproveitando-se das fissuras que eles mesmos abriam na nossa pele e foram nos sugando a alegria. Mas h\u00e1 uma outra tessitura, uma que se costura numa camada abaixo dos acontecimentos, e que nos aponta onde est\u00e1 a vida e a possibilidade. H\u00e1 algo que se move \u2013 e n\u00e3o \u00e9 para tr\u00e1s.<\/p>\n<blockquote><p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ejacular nas mulheres em nenhum meio de transporte<\/p><\/blockquote>\n<p>As mulheres riscaram o ch\u00e3o. Com as unhas. N\u00e3o \u00e9 um de repente, \u00e9 um processo. Mas algo emergiu com for\u00e7a, tamb\u00e9m por conta da facilidade de mobiliza\u00e7\u00e3o das redes sociais que, se destroem \u2013 e destroem \u2013, tamb\u00e9m rompem. E fazem irromper. E quando escutamos o que n\u00f3s mesmas dizemos, quando nos escutamos, \u00e9 chocante que tenha sido preciso dizer.<\/p>\n<p>N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ejacular em n\u00f3s nos \u00f4nibus, nos metr\u00f4s e nos avi\u00f5es. Est\u00e1 vetado ejacular em n\u00f3s em qualquer meio de transporte. N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel passar a m\u00e3o na nossa bunda nas ruas ou nos corredores das firmas. Nem dar tapinhas. N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel dizer que a mulher \u00e9 a parte chata da buceta ou fazer qualquer outra piada machista em festas ou em qualquer lugar. N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel mostrar o pinto quando passamos nem nos olhar de cima abaixo como se quisesse nos lamber. N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel nos chamar de gostosa ou emitir qualquer coment\u00e1rio sexual no espa\u00e7o p\u00fablico. N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel dizer que \u201c\u00e9 das novinhas que eles gostam mais\u201d nem que \u201cpanela velha \u00e9 que faz comida boa\u201d. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. Acabou.<\/p>\n<p>Um n\u00e3o \u00e9 um n\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 um sim disfar\u00e7ado, n\u00e3o \u00e9 n\u00e3o mesmo. E um homem ter\u00e1 que ser mais sens\u00edvel, se esfor\u00e7ar mais, para entender quando h\u00e1 consentimento para olhares e para aproxima\u00e7\u00f5es e para sexo. Um homem, se ainda n\u00e3o sabe, porque muitos j\u00e1 sabem, ter\u00e1 que aprender a escutar melhor. N\u00e3o \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil assim, desde que se compreenda algo muito simples: um n\u00e3o \u00e9 um limite inultrapass\u00e1vel.<\/p>\n<p>E isso vale para os estranhos, isso vale para os amigos, isso vale para os solteiros, para os casados, para os que escolheram o poliamor. Isso vale.<\/p>\n<blockquote><p>Isso vale para a direita e vale para a esquerda. Isso vale.<\/p><\/blockquote>\n<p>Com consentimento, pode experimentar todas as fantasias, at\u00e9 a de n\u00e3o ter consentimento. Sem consentimento, n\u00e3o pode nada. Mas. H\u00e1 um mas. Se em qualquer momento a mulher mudar de ideia e quiser parar, o consentimento vira um n\u00e3o. E um n\u00e3o \u00e9 um n\u00e3o.<\/p>\n<blockquote><p>O homem podia ser abusado pelo patr\u00e3o ou abusado pelo branco, mas havia uma mulher que ele abusava depois<\/p><\/blockquote>\n<p>N\u00e3o pode bater em mulheres. N\u00e3o pode assediar e abusar de mulheres. N\u00e3o pode violentar mulheres.<\/p>\n<p>N\u00e3o pode matar mulheres.<\/p>\n<p>Entendo que, para um homem que sempre p\u00f4de tudo, porque em qualquer classe social e em qualquer ra\u00e7a os homens sempre puderam mais, parece dif\u00edcil. O homem podia ser abusado pelo patr\u00e3o ou abusado pelo branco, mas havia uma mulher que ele abusava depois. Em alguma inst\u00e2ncia da sua vida ele tinha esta outra a quem poderia impor sua vontade, subjugar. Assujeitar. Arrebentar. Um dia matar.<\/p>\n<p>Est\u00e1 terminando o autoconsentimento t\u00e1cito do homem sobre a mulher, produzido pelo sil\u00eancio, pelo preconceito, pelo dom\u00ednio ainda masculino das institui\u00e7\u00f5es. Produzido como direito de nascen\u00e7a, que vinha junto com o pinto. Produzido pelo discurso do \u201cela provocou\u201d, \u201cela estava pedindo\u201d, \u201cela usava saia curta\u201d, \u201cela tinha aquele decote\u201d, \u201cela andava na rua tarde da noite\u201d, \u201cela no fundo queria\u201d. De nossos desejos s\u00f3 n\u00f3s sabemos. Mas eventualmente podemos contar. E estamos contando. Basta escutar.<\/p>\n<blockquote><p>Para quem sempre monopolizou o poder, \u00e9 dif\u00edcil dividir o poder: para alguns \u00e9 o privil\u00e9gio de falar sozinho que est\u00e1 em risco<\/p><\/blockquote>\n<p>Quem pensa que est\u00e1 cada vez mais dif\u00edcil ser homem, com mulheres que dizem n\u00e3o, tem raz\u00e3o. Deve ser bem dif\u00edcil dividir o poder para quem sempre monopolizou o poder. E para alguns \u00e9 o poder de falar sozinho que est\u00e1 em risco. Para alguns dos mais envernizados pela educa\u00e7\u00e3o formal e pelos livros, o que d\u00f3i mais \u00e9 a perda do privil\u00e9gio de ser a \u00fanica voz na sala, na mesa do bar, nas livrarias. No palco.<\/p>\n<p>E h\u00e1 algo que d\u00f3i ainda um pouquinho mais, que \u00e9 a perda do privil\u00e9gio de se achar t\u00e3o bacana, t\u00e3o moderno, t\u00e3o cosmopolita, at\u00e9 um pouco feminino. E ent\u00e3o chega uma mulher \u2013 uma mulher! \u2013 e diz: seu rosto, este que voc\u00ea v\u00ea no espelho, n\u00e3o \u00e9 o mesmo que eu vejo. E, olha, voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o importante assim, voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 a\u00ed rompendo paradigmas com seu discurso, seus posts name-dropping n\u00e3o nos impressionam. Quem est\u00e1 quebrando paradigmas s\u00e3o estas mulheres juntas, andando de m\u00e3os dadas pelas ruas.<\/p>\n<p>A\u00ed os envernizados, sentindo-se atacados em seus privil\u00e9gios de homens e de brancos e de esquerda, adaptam o discurso dos toscos, daqueles que t\u00eam menos repert\u00f3rio para atacar. As mulheres ent\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o mais \u201cas loucas\u201d, \u201cas hist\u00e9ricas\u201d, aquelas \u201cem TPM permanente\u201d. Dizer isso seria se expor em demasia. A ideia de que enxerguem sua brutalidade os horroriza, \u00e9 preciso exerc\u00ea-la com palavras melhores e com refer\u00eancias, muitas refer\u00eancias, para encobrir a viol\u00eancia do discurso. Os \u201cesquerdomachos\u201d, uma das palavras mais interessantes que se consolidou em 2017, s\u00e3o sofisticados demais para dizer isso. O que eles dizem ent\u00e3o, empacotando suas teorias em esperma e cita\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>A mulher que conquistou espa\u00e7os de poder e de fala, apesar de todo o machismo vigente, quando aponta privil\u00e9gios de g\u00eanero e de ra\u00e7a \u201cn\u00e3o entende os conceitos\u201d, \u201cnomeia erroneamente os fen\u00f4menos\u201d, \u201c\u00e9 incapaz de debater\u201d, \u201cestava indo bem, mas perdeu-se\u201d, \u201cem vez de pensamento t\u00eam compaix\u00e3o\u201d, sua ignor\u00e2ncia os constrange.<\/p>\n<blockquote><p>Uma mulher envelhecer virou n\u00e3o s\u00f3 sin\u00f4nimo de perda de beleza e de pot\u00eancia num mundo masculino, mas tamb\u00e9m \u201cvelha\u201d virou palavr\u00e3o<\/p><\/blockquote>\n<p>Os esquerdomachos arrancam frases do contexto, o que \u00e9 uma forma de viol\u00eancia no debate p\u00fablico. Deslocam imagens tamb\u00e9m do contexto. Para ilustrar seus posts, buscam fotos em que a mulher parece raivosa, talvez porque estivesse falando sobre genoc\u00eddios quando a fotografia foi tirada e jogada na internet. O carimbo machista do momento \u00e9 justamente mostrar como as mulheres se tornaram \u201cagressivas\u201d, \u201craivosas\u201d, \u201cviolentas\u201d. E nada mais instant\u00e2neo que a imagem para \u201cprovar\u201d esse \u201cfato\u201d. Vale tudo para exercer a misoginia sem parecer exercer a misoginia. O desonesto fala de honestidade, o sem \u00e9tica fala de \u00e9tica.<\/p>\n<p>E ent\u00e3o, sentindo cheiro de sangue, os lambaris acreditam que s\u00e3o tubar\u00f5es, autorizam-se e acusam: \u201cSua velha!\u201d. Porque uma mulher envelhecer virou n\u00e3o s\u00f3 sin\u00f4nimo de perda de beleza e de pot\u00eancia num mundo masculino, mas tamb\u00e9m \u201cvelha\u201d, uma palavra t\u00e3o rica de sentidos e de experi\u00eancias, passou a ser usada como palavr\u00e3o. Ou outro cl\u00e1ssico: \u201cEspero que voc\u00ea morra de c\u00e2ncer, sem nem mesmo paracetamol para aliviar a dor!\u201d. E, para n\u00e3o deixar d\u00favidas, passam a perseguir a m\u00e3e, a filha, as mulheres que aquela a ser destru\u00edda ama.<\/p>\n<p>O truque j\u00e1 \u00e9 um clich\u00ea. As mulheres, que passaram a vida de viol\u00eancia em viol\u00eancia, percebem a obviedade do prop\u00f3sito na primeira linha.<\/p>\n<blockquote><p>Em 2018 teremos que andar juntas, de m\u00e3os dadas, tamb\u00e9m com os homens capazes de escutar e de dialogar de igual para igual<\/p><\/blockquote>\n<p>Os direitos das mulheres sobre o seu corpo seguir\u00e3o sendo atacados em 2018. Os direitos \u00e0s suas mentes, tamb\u00e9m, mas de formas mais capciosas. Em ano eleitoral, e numa elei\u00e7\u00e3o nebulosa como a que temos pela frente, o corpo das mulheres \u00e9 convertido em moeda. Todas as formas de controle sobre nossos corpos, das mais evidentes, como a criminaliza\u00e7\u00e3o do aborto at\u00e9 em casos hoje permitidos pela lei, \u00e0s mais sutis, como nos converterem em insanas ou em burras ou em raivosas, estar\u00e1 valendo.<\/p>\n<p>Mais do que nunca teremos que andar juntas, de m\u00e3os dadas, tamb\u00e9m com os homens capazes de escutar e de dialogar de igual para igual. E andar juntas \u00e9 tamb\u00e9m escutar, porque o \u201coutro\u201d tem o direito de problematizar tanto quanto \u201ceu\u201d. O direito que n\u00e3o tem \u00e9 o de desqualificar a pessoa, em vez de enfrentar o seu argumento com argumentos. A premissa de qualquer di\u00e1logo \u00e9 o respeito pelo interlocutor, mesmo que se divirja de suas ideias. Que venham mais livros com cada vez mais vozes e mais diferen\u00e7as. E que os textos que buscam silenciar argumentos que perturbam sejam apenas esquecidos.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos o ano come\u00e7ou com a marcha das mulheres contra Trump e termina com o barulho dos corpos dos abusadores caindo de seus postos em Hollywood. Mesmo que um homem seja um superpoderoso de uma das ind\u00fastrias mais lucrativas, j\u00e1 n\u00e3o pode mais assediar, abusar, estuprar. No Brasil, alguns passos come\u00e7am a ser ensaiados nesse sentido. Se as brasileiras romperem o sil\u00eancio sobre o que acontece nos bastidores de grandes empresas e tamb\u00e9m de reda\u00e7\u00f5es da m\u00eddia, em universidades e coxias, algo por aqui vai se mover um pouco mais.<\/p>\n<blockquote><p>O homem branco e heterossexual que ainda n\u00e3o compreendeu que ter\u00e1 que dividir poder e perder privil\u00e9gios j\u00e1 come\u00e7a a pagar um pre\u00e7o alto<\/p><\/blockquote>\n<p>Pelo menos dois fatos possivelmente in\u00e9ditos marcaram 2017: a Globo, maior rede de comunica\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, afastou um de seus principais gal\u00e3s de novelas por ass\u00e9dio sexual e rescindiu o contrato com um de seus jornalistas mais conhecidos por um coment\u00e1rio racista que se tornou p\u00fablico. S\u00e3o dois fatos de um Brasil que se move \u2013 e n\u00e3o \u00e9 para tr\u00e1s.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a tessitura, de camada mais profunda, feita pelos feminismos \u2013 e tamb\u00e9m pelos movimentos negros e pelos movimentos LGBTQ. Essa segue, persiste, se complexifica, avan\u00e7a. H\u00e1 muito para conquistar, uma enormidade. Ainda vivemos a bo\u00e7alidade do mal da direita \u00e0 esquerda. Mas o homem branco e heterossexual que ainda n\u00e3o compreendeu que ter\u00e1 que dividir poder e perder privil\u00e9gios j\u00e1 come\u00e7a a ser enfrentado. E o custo come\u00e7a a aumentar.<\/p>\n<p>De certo modo, este ano, que n\u00e3o come\u00e7ou em janeiro de 2017 nem acabar\u00e1 em 31 de dezembro, se iniciou com um retrato. O retrato de grande poder simb\u00f3lico do primeiro minist\u00e9rio de Michel Temer: branco e masculino. E com a mulher relegada ao papel de primeira-dama \u201cbela, recatada e do lar\u201d, enquanto parlamentares, empres\u00e1rios e jornalistas, especialmente jornalistas, produziam textos e coment\u00e1rios embasbacados com a beleza e a juventude de \u201cdona Marcela\u201d e com a pot\u00eancia de Temer, construindo a par\u00f3dia de um folhetim de Nelson Rodrigues com efeitos na narrativa pol\u00edtica. H\u00e1 todo um imagin\u00e1rio dos sentidos deste casal presidencial e de seus pap\u00e9is, que produziu impactos na cr\u00f4nica de Bras\u00edlia, e que ainda precisa ser desvelado para a melhor compreens\u00e3o desse momento hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>Talvez, no campo das simbologias, seja interessante observar que 2017 termina com o marido de dona Marcela governando o pa\u00eds com uma sonda na uretra.<\/p>\n<p>https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/12\/25\/opinion\/1514215938_126857.html?id_externo_rsoc=FB_BR_CM<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ELIANE BRUM &#8211; Nem tudo foi retrocesso em 2017: h\u00e1 algo importante que se move e n\u00e3o \u00e9 para tr\u00e1s Ele estava l\u00e1, o homem perplexo. Ele tinha dito qualquer coisa como \u201cgostosa\u201d para uma jovem mulher. E ela tinha mostrado o dedo, bem na sua cara. Tipo \u201cte liga\u201d. 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