{"id":6299,"date":"2017-12-16T15:19:36","date_gmt":"2017-12-16T17:19:36","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=6299"},"modified":"2017-12-08T18:26:29","modified_gmt":"2017-12-08T20:26:29","slug":"investigacao-revela-exercito-de-perfis-falsos-usados-para-influenciar-eleicoes-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2017\/12\/16\/investigacao-revela-exercito-de-perfis-falsos-usados-para-influenciar-eleicoes-no-brasil\/","title":{"rendered":"Investiga\u00e7\u00e3o revela ex\u00e9rcito de perfis falsos usados para influenciar elei\u00e7\u00f5es no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><strong>Kako Abraham<\/strong> &#8211; Cada funcion\u00e1rio seria respons\u00e1vel por controlar de 20 a 50 perfis falsos.<\/p>\n<p>S\u00e3o sete da manh\u00e3 e um rapaz de 18 anos liga o computador em sua casa em Vit\u00f3ria, no Esp\u00edrito Santo, e d\u00e1 in\u00edcio \u00e0 sua rotina de trabalho. Atualiza o status de um dos perfis que mant\u00e9m no Facebook: &#8220;Algu\u00e9m tem um filme para recomendar?&#8221;, pergunta. Abre outro perfil na mesma rede. &#8220;S\u00f3 queria dormir a tarde inteira&#8221;, escreve. Um terceiro perfil: &#8220;Estou com muita fome&#8221;. Ele intercala esses textos com outros em que apoia pol\u00edticos brasileiros.<\/p>\n<p>Esses perfis n\u00e3o tinham sua foto ou nome verdadeiros, assim como os outros 17 que ele disse controlar no Facebook e no Twitter em troca de R$ 1.200 por m\u00eas. Eram, segundo afirma, perfis falsos com fotos roubadas, nomes e cotidianos inventados. O jovem relatou \u00e0 BBC Brasil que esses perfis foram usados ativamente para influenciar o debate pol\u00edtico durante as elei\u00e7\u00f5es de 2014.<\/p>\n<p>As evid\u00eancias reunidas por uma investiga\u00e7\u00e3o da BBC Brasil ao longo de tr\u00eas meses sugerem que uma esp\u00e9cie de ex\u00e9rcito virtual de fakes foi usado por uma empresa com base no Rio de Janeiro para manipular a opini\u00e3o p\u00fablica, principalmente, no pleito de 2014.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia de manipula\u00e7\u00e3o eleitoral e da opini\u00e3o p\u00fablica nas redes sociais seria similar \u00e0 usada por russos nas elei\u00e7\u00f5es americanas, e j\u00e1 existiria no Brasil ao menos desde 2012. A reportagem identificou tamb\u00e9m um caso recente, ativo at\u00e9 novembro de 2017, de suposto uso da estrat\u00e9gia para beneficiar uma deputada federal do Rio.<\/p>\n<p>A reportagem entrevistou quatro pessoas que dizem ser ex-funcion\u00e1rios da empresa, reuniu vasto material com o hist\u00f3rico da atividade online de mais de cem supostos fakes e identificou 13 pol\u00edticos que teriam se beneficiado da atividade. N\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias de que os pol\u00edticos soubessem que perfis falsos estavam sendo usados.<\/p>\n<p>Com ajuda de especialistas, a BBC Brasil identificou como os perfis se interligavam e seus padr\u00f5es t\u00edpicos de comportamento. Seriam o que pesquisadores come\u00e7am a identificar agora como ciborgues, uma evolu\u00e7\u00e3o dos j\u00e1 conhecidos rob\u00f4s ou bots, uma mistura entre pessoas reais e &#8220;m\u00e1quinas&#8221; com rastros de atividade mais dif\u00edceis de serem detectados por computador devido ao comportamento mais parecido com o de humanos.<\/p>\n<p>Parte desses perfis j\u00e1 vinha sendo pesquisada pelo Laborat\u00f3rio de Estudos sobre Imagem e Cibercultura (Labic) da Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo, coordenado pelo pesquisador F\u00e1bio Malini.<\/p>\n<p>&#8220;Os ciborgues ou personas geram cortinas de fuma\u00e7a, orientando discuss\u00f5es para determinados temas, atacando advers\u00e1rios pol\u00edticos e criando rumores, com clima de &#8216;j\u00e1 ganhou&#8217; ou &#8216;j\u00e1 perdeu'&#8221;, afirma ele. Exploram o chamado &#8220;comportamento de manada&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Ou venc\u00edamos pelo volume, j\u00e1 que a nossa quantidade de posts era muito maior do que o p\u00fablico em geral conseguia contra-argumentar, ou consegu\u00edamos estimular pessoas reais, milit\u00e2ncias, a comprarem nossa briga. Cri\u00e1vamos uma no\u00e7\u00e3o de maioria&#8221;, diz um dos ex-funcion\u00e1rios entrevistados.<\/p>\n<p>Esta reportagem \u00e9 a primeira da s\u00e9rie\u00a0<em>Democracia Ciborgue<\/em>, em que a BBC Brasil mergulha no universo dos fakes mercen\u00e1rios, que teriam sido usados por pelo menos uma empresa, mas que podem ser apenas a ponta do iceberg de um fen\u00f4meno que n\u00e3o preocupa apenas o Brasil, mas tamb\u00e9m o mundo.<\/p>\n<p>Segundo Pablo Ortellado, professor do curso de Gest\u00e3o de Pol\u00edticas P\u00fablicas da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), a suspeita de que esse seria um servi\u00e7o oferecido normalmente para candidatos e grupos pol\u00edticos &#8220;faz pensar que a pr\u00e1tica deva j\u00e1 estar bem disseminada nesse ambiente pol\u00edtico polarizado e que vai ser bastante explorada nas elei\u00e7\u00f5es de 2018, que, ao que tudo indica, ser\u00e3o ainda mais polarizadas que as \u00faltimas de 2014&#8221;.<\/p>\n<p>Philip Howard, professor do Instituto de Internet da Oxford, v\u00ea os ciborgues como &#8220;um perigo para a democracia&#8221;. &#8220;Democracias funcionam bem quando h\u00e1 informa\u00e7\u00e3o correta circulando nas redes sociais&#8221;, afirma, colocando os fakes ao lado do problema da dissemina\u00e7\u00e3o das\u00a0<em>fake news<\/em>, ou seja, not\u00edcias falsas.<\/p>\n<p><strong>Ex\u00e9rcito fake<\/strong><\/p>\n<p>Em 2012, segundo os entrevistados pela BBC Brasil, o empres\u00e1rio carioca Eduardo Trevisan, propriet\u00e1rio da Facemedia, registrada como Face Comunica\u00e7\u00e3o On Line Ltda, teria come\u00e7ado a mobilizar um ex\u00e9rcito de perfis falsos, contratando at\u00e9 40 pessoas espalhadas pelo Brasil que administrariam as contas para, sobretudo, atuar em campanhas pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Inicialmente, a BBC Brasil entrou em contato com Trevisan por telefone. Ele negou que sua empresa crie perfis falsos. &#8220;A gente nunca criou perfil falso. N\u00e3o \u00e9 esse nosso trabalho. N\u00f3s fazemos monitoramento e rastreamento de redes sociais&#8221;, afirmou, pedindo que a reportagem enviasse perguntas por e-mail.<\/p>\n<p>&#8220;Os servi\u00e7os em campanhas eleitorais prestados pela Facemedia est\u00e3o descritos e registrados pelo TSE, de forma transparente. Por quest\u00f5es \u00e9ticas e contratuais, a Facemedia n\u00e3o repassa informa\u00e7\u00f5es de clientes privados&#8221;, respondeu, posteriormente, por email (leia resposta completa na parte final desta reportagem).<\/p>\n<div class=\"mod-foto-embed w615x300\">\n<div class=\"figure\">\n<div class=\"pinit-wraper\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"pinit-img\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/88\/2017\/12\/08\/empresario-criou-a-pagina-lei-seca-rj-que-alerta-motoristas-para-locais-de-blitze-no-rio-1512735912318_615x300.jpg?w=640&#038;ssl=1\" \/><\/div>\n<\/div>\n<p><span class=\"legenda pg-color10\">Empres\u00e1rio criou a p\u00e1gina Lei Seca RJ, que alerta motoristas para locais de blitze no Rio<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p>Trevisan, cujo perfil pessoal no Twitter carrega a descri\u00e7\u00e3o &#8220;Brasil, P\u00e1tria do Drible&#8221;, tem quase um milh\u00e3o de seguidores. Ele ganhou proje\u00e7\u00e3o com sua p\u00e1gina Lei Seca RJ, criada em 2009. Seguida por 1,2 milh\u00e3o de usu\u00e1rios, ela alerta motoristas para locais de blitze no Rio.<\/p>\n<p>Um ex-funcion\u00e1rio disse ter sido contratado justamente achando que trabalharia administrando o Twitter do Lei Seca RJ.<\/p>\n<p>&#8220;Era um trabalho bem sigiloso. N\u00e3o sabia que trabalharia com perfis falsos&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Quando descobriu, conta, passou a esconder de amigos e familiares o que fazia. Hoje, afirma, tem medo de falar, porque trabalhou &#8220;para gente muito importante&#8221; e teria assinado um contrato de sigilo com a empresa.<\/p>\n<p><strong>Pol\u00edticos<\/strong><\/p>\n<p>Os depoimentos dos entrevistados e os temas dos tu\u00edtes e publica\u00e7\u00f5es no Facebook levam aos nomes de 13 pol\u00edticos que teriam sido beneficiados pelo servi\u00e7o, entre eles\u00a0<strong>os senadores A\u00e9cio Neves (PSDB-MG) e Renan Calheiros (PMDB-AL) e o atual presidente do Senado, Eun\u00edcio Oliveira (PMDB-CE)<\/strong>.<\/p>\n<p>A atua\u00e7\u00e3o era variada. Para A\u00e9cio, perfis supostamente falsos publicaram, por exemplo, mensagens elogiosas ao candidato durante debate com Dilma Rousseff (PT) na campanha de 2014: &#8220;A\u00e9cio \u00e9 o mais bem preparado&#8221;. No caso de Renan, criaram uma hashtag para defend\u00ea-lo durante protestos em 2013 que pediam o impeachment do ent\u00e3o presidente do Senado: #MexeuComRenanMexeuComigo. Foi apoiada por usu\u00e1rios como &#8220;Patrick Santino&#8221;, que usa a imagem de um ator grego no perfil. J\u00e1 sobre Eun\u00edcio, divulgaram voto durante as elei\u00e7\u00f5es: &#8220;Vou com 15. Melhores propostas&#8221;.<\/p>\n<div class=\"mod-foto-embed w300x420\">\n<div class=\"figure\">\n<div class=\"pinit-wraper\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"pinit-img\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/15\/2017\/12\/08\/foto-do-ator-e-cantor-grego-sakis-rouvas-usada-para-ilustrar-perfil-falso-1512736016563_300x420.jpg?w=640&#038;ssl=1\" \/><\/div>\n<\/div>\n<p><strong><span class=\"legenda pg-color10\">Foto do ator e cantor grego Sakis Rouvas, usada para ilustrar perfil falso<\/span><\/strong><\/p>\n<\/div>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias de que os pol\u00edticos soubessem que o uso de perfis falsos fazia parte de um servi\u00e7o de consultoria em redes sociais (veja ao final desta reportagem a resposta completa de cada um).<\/p>\n<p><strong>Monitorados por Skype<\/strong><\/p>\n<p>Os funcion\u00e1rios, segundo os relatos, ficavam em diferentes Estados do pa\u00eds, trabalhando de casa e monitorados por Skype. Quando se levantava para ir ao banheiro, conta um deles, era preciso explicar sua aus\u00eancia pelo Skype a um coordenador.<\/p>\n<p>Jovens e na maioria das vezes sem curso superior, eles contam que eram chamados na empresa de &#8220;ativadores&#8221;. Recebiam de profissionais mais graduados uma &#8220;ficha t\u00e9cnica&#8221; e perfis prontos do que chamavam de &#8220;personas&#8221;. Continham foto, nome e hist\u00f3ria de cada um &#8211; de onde era, se era casado, se tinha filhos e quais eram seus gostos, hobbies e profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Eles teriam de &#8220;ativar&#8221; o perfil, alimentando e dando prosseguimento \u00e0 narrativa criada, mesclando publica\u00e7\u00f5es sobre sua rotina com postagens apoiando pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Segundo as diferentes entrevistas, um controlador de perfis falsos recebia por volta de R$ 800 mensais quando come\u00e7ava a trabalhar na empresa. Nas elei\u00e7\u00f5es de 2014, o sal\u00e1rio teria subido para at\u00e9 R$ 2.000.<\/p>\n<p>Fotos eram retiradas de bancos de imagens, roubadas de sites de not\u00edcias e de perfis existentes. A BBC Brasil identificou, por meio de pesquisa em ferramenta de busca, a origem de v\u00e1rias dessas fotos. Uma delas pertencia a uma jovem v\u00edtima de assassinato cuja foto havia sido publicada em um ve\u00edculo de imprensa local. Algumas imagens eram manipuladas digitalmente, o que dificulta o rastreamento de sua origem.<\/p>\n<p>A empresa, segundo os entrevistados, fornecia chips de celular para autenticar perfis em redes sociais.<\/p>\n<p>A parte &#8220;rob\u00f4&#8221;, ou semiautomatizada, n\u00e3o era sofisticada. Os funcion\u00e1rios contam e fica claro nas postagens que eram usadas plataformas que possibilitam a administra\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios perfis ao mesmo tempo, como o Hootsuite (que cobra R$ 258 mensais para que tr\u00eas usu\u00e1rios operem 20 perfis em redes sociais ao mesmo tempo).<\/p>\n<p>Agendavam publica\u00e7\u00f5es que falavam sobre a rotina do personagem e outras mais gen\u00e9ricas, como &#8220;bom dia&#8221;, &#8220;vou almo\u00e7ar&#8221;, &#8220;boa noite&#8221;, &#8220;estou cansado&#8221;, &#8220;dia exaustivo&#8221;, entre outras postagens semelhantes, para dar a impress\u00e3o de que se tratavam de perfis reais.<\/p>\n<div class=\"mod-foto-embed w615x300\">\n<div class=\"figure\">\n<div class=\"pinit-wraper\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"pinit-img\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/d6\/2017\/12\/08\/perfil-usa-foto-de-mulher-que-apareceu-no-noticiario-ela-escreve-sobre-seu-cotidiano-e-comenta-sobre-politico-paulo-hartung-1512736056298_615x300.jpg?w=640&#038;ssl=1\" \/><\/div>\n<\/div>\n<p><em><span class=\"legenda pg-color10\">Perfil usa foto de mulher que apareceu no notici\u00e1rio; ela escreve sobre seu cotidiano e comenta sobre pol\u00edtico Paulo Hartung<\/span><\/em><\/p>\n<\/div>\n<p>Alguns &#8220;ativadores&#8221; passavam o dia fazendo isso, relatam. Outros se dedicavam a programar publica\u00e7\u00f5es para a semana inteira e ficavam de olho para eventuais intera\u00e7\u00f5es que tinham de fazer, como responder a mensagens de perfis reais.<\/p>\n<p><strong>Amigos reais<\/strong><\/p>\n<p>Perfis falsos criam &#8220;reputa\u00e7\u00e3o&#8221; e parecem ser leg\u00edtimos adicionando pessoas aleat\u00f3rias com o objetivo de colecionar amigos reais.<\/p>\n<p>Pessoas reais chegam a dar parab\u00e9ns a fakes em anivers\u00e1rios mesmo sem conhec\u00ea-los e fazem coment\u00e1rios elogiosos a fotos de perfil, ajudando a criar a sensa\u00e7\u00e3o de que s\u00e3o verdadeiros. \u00c9 desta forma que, inadvertidamente, usu\u00e1rios reais contribuem para a cria\u00e7\u00e3o de &#8220;reputa\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>A reportagem detectou que os perfis identificados como fakes tamb\u00e9m interagem entre si &#8211; encontrou at\u00e9 um &#8220;casal&#8221; de perfis falsos.<\/p>\n<p>Uma ex-funcion\u00e1ria ouvida pela BBC Brasil afirma que, na \u00e9poca, n\u00e3o sabia que trabalhava administrando perfis falsos. Segundo ela, quando trabalhou na empresa, de 2012 a 2014, tinha acesso a perfis no Facebook de pessoas que eram &#8220;apoiadores&#8221; de candidatos, como se eles tivessem cedido o acesso. Ela conta que seu trabalho era monitorar o que era publicado sobre candidatos e fazer coment\u00e1rios que os apoiassem por meio dos perfis que controlava.<\/p>\n<p>&#8220;Eu j\u00e1 desconfiei que n\u00e3o eram de pessoas reais, mas n\u00e3o sei se eram. Eu n\u00e3o tinha muita mal\u00edcia na \u00e9poca. Como eu s\u00f3 tinha acesso a publicar determinados conte\u00fados, eu n\u00e3o verificava muito os perfis.&#8221;<\/p>\n<p>Outro ex-funcion\u00e1rio define o trabalho, do qual chega a ter at\u00e9 um pouco de orgulho: &#8220;Voc\u00ea \u00e9 s\u00f3 uma pessoa mascarada atr\u00e1s de um perfil. A resposta \u00e9 forte, o retorno \u00e9 bom. Voc\u00ea sente que realmente faz diferen\u00e7a na campanha&#8221;.<\/p>\n<p>Quando um fake era &#8220;desmascarado&#8221; por outros usu\u00e1rios ou desativados pelas plataformas, logo havia outro para substitu\u00ed-lo, que vinha de um grande banco de perfis falsos criado e mantido pela empresa, tamb\u00e9m de acordo com os entrevistados.<\/p>\n<p>Muitos dos perfis reunidos pela BBC Brasil foram abandonados. Cerca de um quinto dos identificados no Twitter publicaram mensagens pela \u00faltima vez entre os dias 24 e 27 de outubro de 2014. O segundo turno das elei\u00e7\u00f5es daquele ano aconteceu no dia 26 de outubro.<\/p>\n<p>Um dos ex-funcion\u00e1rios entrevistados diz que os perfis identificados como falsos pela BBC Brasil representam apenas uma pequena parcela do fen\u00f4meno, j\u00e1 que a empresa teria criado &#8220;milhares&#8221; de perfis como estes. Ele diz tamb\u00e9m que havia empresas concorrentes fazendo o mesmo no Brasil.<\/p>\n<p>Um tipo de atua\u00e7\u00e3o comum, segundo os entrevistados, era deixar coment\u00e1rios em sites de not\u00edcias e tamb\u00e9m votar em enquetes, como as do site do Senado, tomando at\u00e9 o cuidado de deixar a opini\u00e3o oposta ultrapassar um pouco antes de venc\u00ea-la, para que &#8220;tudo parecesse muito org\u00e2nico e natural&#8221;, nas palavras de um ex-funcion\u00e1rio. &#8220;\u00c0s vezes, dez pessoas ficavam votando em determinada op\u00e7\u00e3o durante oito horas do dia.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Como identificar um fake?<\/strong><\/p>\n<p>Para identificar os perfis supostamente falsos, com a ajuda de especialistas, a reportagem levou em considera\u00e7\u00e3o elementos como: o uso de fotos comprovadamente falsas, modificadas ou roubadas; a publica\u00e7\u00e3o de mensagens a partir da mesma ferramenta externa \u00e0s redes sociais; o padr\u00e3o de mensagens que simulam rotina, com repeti\u00e7\u00e3o de palavras; a participa\u00e7\u00e3o ativa nas redes durante debates e &#8220;tuita\u00e7os&#8221;; atividade apenas durante o hor\u00e1rio &#8220;\u00fatil&#8221; do dia; as recorrentes mensagens de apoio ou de agress\u00e3o a candidatos espec\u00edficos e, por fim, v\u00e1rios casos de datas coincidentes de cria\u00e7\u00e3o, ativa\u00e7\u00e3o e desativa\u00e7\u00e3o dos perfis.<\/p>\n<div class=\"mod-foto-embed w615x300\">\n<div class=\"figure\">\n<div class=\"pinit-wraper\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"pinit-img\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/94\/2017\/12\/08\/perfis-usavam-fotos-roubadas-para-escrever-a-favor-de-candidatos-1512736649308_615x300.jpg?w=640&#038;ssl=1\" \/><\/div>\n<\/div>\n<p><em><span class=\"legenda pg-color10\">Perfis usavam fotos roubadas para escrever a favor de candidatos<\/span><\/em><\/p>\n<\/div>\n<p>Malini, o acad\u00eamico do Esp\u00edrito Santo cujo grupo que coordena j\u00e1 pesquisava parte dos supostos fakes identificados pela BBC Brasil, elaborou o que especialistas chamam de &#8220;grafo&#8221;, um desenho gerado por computador que espelha o hist\u00f3rico da intera\u00e7\u00e3o e atividade dos perfis no Twitter. Isso inclui os retu\u00edtes, men\u00e7\u00f5es a outros usu\u00e1rios e coment\u00e1rios em tu\u00edtes feitos pelos usu\u00e1rios com caracter\u00edsticas falsas.<\/p>\n<p>O resultado mostra os perfis com os quais estabeleceram o maior n\u00famero de intera\u00e7\u00f5es, gerando uma esp\u00e9cie de &#8220;nuvem&#8221;.<\/p>\n<p>Nela, aparecem os pol\u00edticos mencionados pelos ex-funcion\u00e1rios como clientes da empresa, a p\u00e1gina Lei Seca RJ e, no centro, Eduardo Trevisan, &#8220;inflacionado&#8221; pela atividade dos supostos fakes. &#8220;Ele \u00e9 uma figura central, que recebe men\u00e7\u00f5es e retu\u00edtes de grande parte dos usu\u00e1rios analisados&#8221;, afirma Malini. &#8220;Essa alta centralidade salta aos olhos e aponta quem deve ser investigado&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p><strong>Pagamentos<\/strong><\/p>\n<p><strong>Por meio da an\u00e1lise de pagamentos legais dispon\u00edveis ao p\u00fablico em presta\u00e7\u00f5es de contas, a BBC Brasil conseguiu mostrar a liga\u00e7\u00e3o da Facemedia de Trevisan com tr\u00eas pol\u00edticos e um partido, o PSDB<\/strong>. A empresa recebeu tamb\u00e9m, neste caso, segundo dados de um relat\u00f3rio dispon\u00edvel no site da C\u00e2mara, transfer\u00eancia de uma ag\u00eancia de propaganda e marketing. No total, os pagamentos feitos pelas cinco partes somam R$ 1,2 milh\u00e3o. Veja em detalhes abaixo, e um resumo da resposta de cada um:<\/p>\n<p>&#8211; A empresa de Trevisan recebeu R$ 360 mil do Comit\u00ea Nacional do PSDB para a campanha presidencial em 2014 pela &#8220;presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de marketing e comunica\u00e7\u00e3o digital&#8221;, segundo consta da presta\u00e7\u00e3o de contas do partido. O PSDB disse que a empresa foi contratada para presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de melhoria e monitoramento de movimento e tend\u00eancias nas redes sociais.<\/p>\n<p>&#8211; A Facemedia tamb\u00e9m recebeu R$ 200 mil de Renan Filho (PMDB) em 2014, ent\u00e3o candidato ao governo de Alagoas, segundo a presta\u00e7\u00e3o de contas. A assessoria do pol\u00edtico, que venceu a elei\u00e7\u00e3o, disse que a empresa foi contratada para presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de monitoramento e an\u00e1lise digital das redes sociais durante a campanha e acompanhamento do interesse do eleitor. &#8220;Em nenhuma hip\u00f3tese houve contrata\u00e7\u00e3o ou realiza\u00e7\u00e3o de pagamento para a cria\u00e7\u00e3o de perfis falsos ou divulga\u00e7\u00f5es online por estes em favor da campanha.&#8221;<\/p>\n<p>&#8211; Recebeu tamb\u00e9m R$ 30 mil do ministro do Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU) Vital do R\u00eago Filho (PMDB), ent\u00e3o candidato ao governo da Para\u00edba, de acordo com os dados p\u00fablicos. Sua assessoria afirmou que o candidato &#8220;utilizou servi\u00e7os de m\u00eddias sociais para divulga\u00e7\u00e3o regular de sua campanha, desconhecendo qualquer cria\u00e7\u00e3o de perfis falsos por parte da empresa contratada&#8221;.<\/p>\n<p>&#8211; Os mais recentes pagamentos encontrados pela reportagem vieram da cota parlamentar do gabinete da deputada federal Laura Carneiro (PMDB-RJ). A empresa de Trevisan recebeu R$ 14 mil por m\u00eas por &#8220;divulga\u00e7\u00e3o da atividade parlamentar por meio da diagrama\u00e7\u00e3o, manuten\u00e7\u00e3o e alimenta\u00e7\u00e3o das suas m\u00eddias sociais (Instagram, Facebook, Twitter)&#8221; de fevereiro a\u00a0<strong><a href=\"http:\/\/www.camara.gov.br\/cota-parlamentar\/documento?nuDeputadoId=1118&amp;numMes=9&amp;numAno=2017&amp;despesa=5&amp;cnpjFornecedor=17643074000149&amp;idDocumento=00000280\">setembro deste ano<\/a><\/strong>, totalizando R$ 112 mil. As datas coincidem com o per\u00edodo de atividade de um grupo de perfis supostamente falsos identificados pela BBC Brasil atuando na p\u00e1gina da deputada. A assessoria dela disse que &#8220;os servi\u00e7os prestados eram de monitoramento e de divulga\u00e7\u00e3o do mandato parlamentar nas m\u00eddias sociais. A deputada n\u00e3o tem qualquer conhecimento sobre o uso anti\u00e9tico de perfis falsos em qualquer presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os realizados por essa empresa&#8221;.<\/p>\n<p>&#8211; Entre mar\u00e7o de 2014 e julho de 2014, a Facemedia recebeu R$ 504 mil da ag\u00eancia PVR Propaganda e Marketing Ltda, de Paulo Vasconcelos, marqueteiro da campanha de A\u00e9cio \u00e0 Presid\u00eancia. O pagamento da PVR foi descrito em um relat\u00f3rio produzido pelo Conselho de Controle de Atividades Financeira (Coaf) em julho deste ano. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel determinar no registro do pagamento quais dos clientes da PVR teriam se beneficiado dos servi\u00e7os da Facemedia. A ag\u00eancia tinha entre seus clientes o PSDB e a J&amp;F, controladora da JBS. A JBS foi identificada como tema em diferentes tu\u00edtes, entre os reunidos pela BBC Brasil, e tamb\u00e9m citada por um ex-funcion\u00e1rio como cliente da Facemedia. A J&amp;F n\u00e3o quis comentar. A PVR disse que contratou a Facemedia &#8220;para presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de monitoramento e an\u00e1lise do ambiente pol\u00edtico&#8221;. A empresa nega que tenha feito algum pagamento para divulga\u00e7\u00e3o da candidatura de A\u00e9cio Neves.<\/p>\n<p><strong>Outros pol\u00edticos<\/strong><\/p>\n<p>Um ex-funcion\u00e1rio de Trevisan cita uma longa lista com outros pol\u00edticos que tamb\u00e9m teriam contratado o servi\u00e7o. Todos eles foram citados em algum momento pelos perfis falsos identificados pela BBC Brasil.\u00a0<strong>S\u00e3o eles: o presidente do Senado, Eun\u00edcio Oliveira (PMDB-CE), os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL), Eduardo Braga (PMDB-AM) e Ricardo Ferra\u00e7o (PSDB-ES), o governador do Esp\u00edrito Santo, Paulo Hartung (PMDB), o ex-prefeito de Vila Velha (ES) Rodney Miranda (DEM), o secret\u00e1rio municipal de Urbanismo, Infraestrutura e Habita\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro, \u00cdndio da Costa (PSD), o ex-senador Gim Argello (DF) e o ex-deputado estadual Felipe Peixoto (PSB-RJ)<\/strong>.<\/p>\n<p>Eles negaram ter conhecimento sobre qualquer uso de perfis falsos nesse contexto. N\u00e3o h\u00e1 nenhum ind\u00edcio de que os citados acima sabiam da exist\u00eancia e do uso de fakes nas suas redes sociais como parte de um servi\u00e7o para favorec\u00ea-los.<\/p>\n<p>Wallim Vasconcelos, que foi candidato \u00e0 presid\u00eancia do Flamengo, tamb\u00e9m \u00e9 citado pelo ex-funcion\u00e1rio e tamb\u00e9m foi tema de tu\u00edtes de perfis considerados falsos. Ele encaminhou \u00e0 BBC Brasil a resposta de sua assessoria \u00e0 \u00e9poca das elei\u00e7\u00f5es. Disseram que a Facemedia fazia apenas &#8220;monitoramento&#8221; das redes.<\/p>\n<p>O \u00fanico citado com quem a reportagem n\u00e3o conseguiu contato foi Gim Argello, hoje preso da opera\u00e7\u00e3o Lava Jato. Seu advogado, Marcelo Bessa, disse que n\u00e3o tem procura\u00e7\u00e3o para responder sobre esse assunto. (leia a \u00edntegra da resposta de todos os citados no final do texto)<\/p>\n<div class=\"mod-foto-embed w300x300\">\n<div class=\"figure\">\n<div class=\"pinit-wraper\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"pinit-img\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/52\/2017\/12\/08\/perfil-falso-que-apoia-paulo-hartung-no-twitter-usa-foto-de-banco-de-imagens-1512736708999_300x300.jpg?w=640&#038;ssl=1\" \/><\/div>\n<\/div>\n<p><em><span class=\"legenda pg-color10\">Perfil falso que apoia Paulo Hartung no Twitter usa foto de banco de imagens<\/span><\/em><\/p>\n<\/div>\n<p><strong>Responsabilidade<\/strong><\/p>\n<p>Perfis falsos foram usados para tentar influenciar as elei\u00e7\u00f5es americanas no ano passado e representam uma crescente preocupa\u00e7\u00e3o no mundo ao lado das not\u00edcias falsas, facilmente compartilhadas nas redes, e tamb\u00e9m do papel da propaganda direcionada nas redes sociais, mecanismo que teria sido usado por russos nas elei\u00e7\u00f5es dos EUA. O Facebook declarou ter desativado 470 contas e p\u00e1ginas &#8220;provavelmente operadas da R\u00fassia&#8221;, que publicavam conte\u00fado que visava causar maior divis\u00e3o nacional em t\u00f3picos como direitos LGBT e quest\u00f5es raciais e de imigra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O reflexo desta tend\u00eancia no Brasil levou especialistas ouvidos pela BBC Brasil a refor\u00e7ar um apelo por a\u00e7\u00e3o mais rigorosa tanto do Twitter quanto do Facebook.<\/p>\n<p>Para Pablo Ortellado, professor da USP, deve haver maior transpar\u00eancia e regula\u00e7\u00e3o nas plataformas como o Facebook, que deve come\u00e7ar a agir &#8220;como se fosse um Estado, j\u00e1 que virou a nova esfera p\u00fablica&#8221; onde acontecem discuss\u00f5es e intera\u00e7\u00f5es entre as pessoas. Ou seja, para ele, a plataforma deve come\u00e7ar a se autorregular, se n\u00e3o quiser ser regulada pelos Estados, um cen\u00e1rio tamb\u00e9m n\u00e3o livre de pol\u00eamicas.<\/p>\n<p>O Twitter informa que &#8220;a falsa identidade \u00e9 uma viola\u00e7\u00e3o&#8221; de suas regras. &#8220;As contas do Twitter que representem outra pessoa de maneira confusa ou enganosa poder\u00e3o ser permanentemente suspensas de acordo com a Pol\u00edtica para Falsa Identidade do Twitter. Se a atividade automatizada de uma conta violar as Regras do Twitter ou as Regras de Automa\u00e7\u00e3o, o Twitter pode tomar medidas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 conta, incluindo a suspens\u00e3o da conta.&#8221;<\/p>\n<p>J\u00e1 o Facebook informa que suas pol\u00edticas &#8220;n\u00e3o permitem perfis falsos&#8221;. &#8220;Estamos o tempo todo aperfei\u00e7oando nossos sistemas para detectar e remover essas contas e todo o conte\u00fado relacionado a elas. Estamos eliminando contas falsas em todo o mundo e cooperando com autoridades eleitorais sobre temas relacionados \u00e0 seguran\u00e7a online, e esperamos tomar medidas tamb\u00e9m no Brasil antes das elei\u00e7\u00f5es de 2018.&#8221;<\/p>\n<p>A empresa tamb\u00e9m afirma que n\u00e3o pode comentar os perfis citados na reportagem porque n\u00e3o teve acesso a eles antes da publica\u00e7\u00e3o deste texto. &#8220;Entretanto, vale ressaltar que durante as elei\u00e7\u00f5es de 2014 mais de 90 milh\u00f5es de pessoas no Brasil usaram a plataforma para debater temas relevantes para elas e engajar com seus candidatos.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Roteiro<\/strong><\/p>\n<p>O padr\u00e3o de cria\u00e7\u00e3o de uma conta falsa no Twitter e no Facebook, segundo os entrevistados, seguia um roteiro: durante um ou dois meses, determinado perfil apenas tuitava sobre sua rotina, publicando tu\u00edtes muito parecidos para &#8220;martelar&#8221; ou &#8220;fixar&#8221; seu cotidiano por meio das publica\u00e7\u00f5es agendadas, com caracter\u00edsticas e hobbies que s\u00e3o muito claros: h\u00e1 a m\u00e3e que gosta de assistir a s\u00e9ries e faz pilates, a universit\u00e1ria que fala sobre seus estudos, o s\u00edndico de pr\u00e9dio que gosta de futebol.<\/p>\n<p>De repente, uma aglomera\u00e7\u00e3o de tu\u00edtes a favor de determinado pol\u00edtico interrompe esse padr\u00e3o &#8211; e a\u00ed entram de fato seres humanos, assistindo aos debates na televis\u00e3o e fazendo coment\u00e1rios ou promovendo &#8220;tuita\u00e7os&#8221; a favor de seu candidato.<\/p>\n<p>Um dos tuita\u00e7os de que participaram os usu\u00e1rios fakes foi para que o perfil Lei Seca RJ fosse nomeado ao pr\u00eamio Shorty, que reconhece pessoas e organiza\u00e7\u00f5es que produzam bom conte\u00fado nas redes sociais.<\/p>\n<p>Em alguns casos, o hist\u00f3rico revela &#8220;reciclagem&#8221; de perfis, apoiando diferentes candidatos ao longo do tempo. Em 5 de outubro de 2014, &#8220;Fernanda Lucci&#8221;, que usa no perfil uma foto de Petra Mattar, cantora e filha do ator Maur\u00edcio Mattar, escreve ter dado seu voto para Renan Filho (PMDB), ent\u00e3o candidato ao governo de Alagoas.<\/p>\n<div class=\"mod-foto-embed w615x300\">\n<div class=\"figure\">\n<div class=\"pinit-wraper\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"pinit-img\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/58\/2017\/12\/08\/perfil-falso-conta-ter-votado-em-renan-filho-1512736908477_615x300.jpg?w=640&#038;ssl=1\" \/><\/div>\n<\/div>\n<p><em><span class=\"legenda pg-color10\">Perfil falso conta ter votado em Renan Filho<\/span><\/em><\/p>\n<\/div>\n<p>J\u00e1 no dia 24 de outubro, escreve: &#8220;Dia 26 quero #Eunicio15 para mudar CE&#8221;, em refer\u00eancia ao senador Eun\u00edcio Oliveira (PMDB), que na \u00e9poca concorria ao governo do Cear\u00e1.<\/p>\n<div class=\"mod-foto-embed w615x300\">\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"pinit-img\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/21\/2017\/12\/08\/perfil-falso-diz-apoiar-o-senador-eunicio-oliveira-1512737022705_615x300.jpg?w=640&#038;ssl=1\" \/><\/p>\n<p><em><span class=\"legenda pg-color10\">Perfil falso diz apoiar o senador Eun\u00edcio Oliveira<\/span><\/em><\/p>\n<\/div>\n<p>Dois meses antes, ela elogiava Paulo Hartung (PMDB), ent\u00e3o candidato ao governo do Esp\u00edrito Santo, por sua performance em um debate, sempre incluindo tamb\u00e9m uma hashtag em refer\u00eancia a esses pol\u00edticos.<\/p>\n<div class=\"mod-foto-embed w300x200\">\n<div class=\"figure\">\n<div class=\"pinit-wraper\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"pinit-img\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/2f\/2017\/12\/08\/fernanda-lucci-apoia-hartung-1512738446247_300x200.jpg?w=640&#038;ssl=1\" \/><\/div>\n<\/div>\n<p><em><span class=\"legenda pg-color10\">&#8216;Fernanda Lucci&#8217; apoia Hartung<\/span><\/em><\/p>\n<\/div>\n<p><strong>Atividade recente<\/strong><\/p>\n<p>Parte dos perfis identificados como falsos estavam ativos at\u00e9 novembro deste ano, interagindo, curtindo e comentando em publica\u00e7\u00f5es da deputada federal Laura Carneiro (PMDB-RJ), como fazem os perfis de &#8220;Marcos Vieira&#8221; e &#8220;Breno Marson&#8221;, que tagueiam perfis de pessoas com maior proemin\u00eancia no Twitter para tentar aumentar o alcance da publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A assessoria de imprensa da deputada diz n\u00e3o ter &#8220;conhecimento sobre o uso anti\u00e9tico de perfis falsos em qualquer presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os realizados por essa empresa&#8221;.<\/p>\n<div class=\"mod-foto-embed w300x420\">\n<div class=\"figure\">\n<div class=\"pinit-wraper\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"pinit-img\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/20\/2017\/12\/08\/perfis-marcam-twitter-de-famosos-em-publicacao-de-deputada-no-twitter-1512738571998_300x420.jpg?w=640&#038;ssl=1\" \/><\/div>\n<\/div>\n<p><em><span class=\"legenda pg-color10\">Perfis marcam Twitter de famosos em publica\u00e7\u00e3o de deputada no Twitter<\/span><\/em><\/p>\n<\/div>\n<p>Uma publica\u00e7\u00e3o sobre vacina\u00e7\u00e3o antirr\u00e1bica na p\u00e1gina do Facebook da parlamentar, do dia 26 de setembro deste ano, tem nove coment\u00e1rios. Cinco deles foram feitos por perfis identificados como ciborgues, com poucos minutos de diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8220;Romulo Borges&#8221; comenta que a iniciativa da deputada \u00e9 &#8220;Super importante!!!&#8221;. Ele tem 71 amigos e come\u00e7ou a publicar no Facebook, em mar\u00e7o deste ano, textos como &#8220;esperando a hora de chegar em casa e comer sobra de pizza&#8221; e &#8220;segunda-feira chuvosa e fria&#8221;, sempre da plataforma Hootsuite.<\/p>\n<p>&#8220;Borges&#8221; tamb\u00e9m tem um perfil no Twitter, com a mesma foto e mesmo nome. Foi criado em 2010 e ficou ativo entre julho e outubro de 2014, quando tuitava sobre sua rotina (&#8220;bom dia&#8221;, &#8220;trabalho pesado&#8221;, &#8220;fome&#8221;, &#8220;boa noite&#8221; s\u00e3o express\u00f5es recorrentes).<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, chegou a tuitar sobre um debate entre Dilma Rousseff (PT) e A\u00e9cio, criticando a performance de Dilma. Encerrou suas atividades no fim de outubro daquele ano e s\u00f3 voltou em mar\u00e7o de 2017. Hoje em dia, curte no Twitter quase todas as publica\u00e7\u00f5es de Laura Carneiro. Uma pesquisa feita pela BBC Brasil revela que sua foto, na realidade, pertence a outra pessoa.<\/p>\n<p><strong>Ator grego<\/strong><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m fora de campanha, mas em 2013, Renan Calheiros (PMDB-AL) teria contratado a empresa para cuidar de sua imagem, segundo um dos entrevistados.<\/p>\n<p>Naquele ano, quando manifesta\u00e7\u00f5es pelo Brasil pediam o impeachment do ent\u00e3o presidente do Senado, os perfis supostamente falsos criaram a hashtag #MexeuComRenanMexeuComigo, defendendo o pol\u00edtico nas redes e criando a falsa ilus\u00e3o de que ele era apoiado por aquele grupo de pessoas.<\/p>\n<p>O perfil falso abaixo, de &#8220;Patrick Santino&#8221;, entrou em uma briga com outro usu\u00e1rio (que j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 mais ativo) usando a hashtag para defender o senador, num tu\u00edte replicado 777 vezes. Sua foto de perfil pertence ao ator e cantor grego Sakis Rouvas.<\/p>\n<div class=\"mod-foto-embed w615x300\">\n<div class=\"figure\">\n<div class=\"pinit-wraper\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"pinit-img\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/4f\/2017\/12\/08\/perfil-falso-escreve-mensagem-a-favor-do-senador-renan-calheiros-1512738745163_615x300.jpg?w=640&#038;ssl=1\" \/><\/div>\n<\/div>\n<p><em><span class=\"legenda pg-color10\">Perfil falso escreve mensagem a favor do senador Renan Calheiros<\/span><\/em><\/p>\n<\/div>\n<p><strong>Press\u00e3o por projeto de lei<\/strong><\/p>\n<p>Ao menos oito perfis falsos identificados pela BBC Brasil\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/web.archive.org\/web\/20171101172041\/https:\/\/twitter.com\/LeticiaPriori\/status\/519906661256138753\">fizeram postagens positivas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Friboi<\/a><\/strong>, da JBS. Segundo um dos entrevistados pela reportagem, a empresa contratou os servi\u00e7os da ag\u00eancia para &#8220;botar press\u00e3o&#8221; pela aprova\u00e7\u00e3o de um projeto de lei que exigisse de todos abatedouros no Brasil um selo mais r\u00edgido &#8211; favorecendo o frigor\u00edfico, que teria a capacidade de t\u00ea-lo. A J&amp;F Investimentos, holding que controla a JBS, n\u00e3o quis comentar.<\/p>\n<p>&#8220;Let\u00edcia Priori&#8221; est\u00e1 no\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/twitter.com\/LeticiaPriori\">Twitter<\/a><\/strong>\u00a0e no\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/profile.php?id=100005198986714&amp;hc_ref=ARQUD0q7uvbhfeZTx9fQXA2ZgYGOa6aQA1NpwDxYRJDJUKDnzmLZlDnAAW_kbDLkgYQ\">Facebook<\/a><\/strong>, onde j\u00e1 escreveu sobre A\u00e9cio Neves (PSDB), Renan Filho (PMDB) e Eun\u00edcio Oliveira (PMDB). Quando n\u00e3o fala sobre pol\u00edticos, escreve a respeito das sobrinhas e do chefe. E, numa manh\u00e3 de quarta-feira, recomenda a seus seguidores uma receita da Friboi, acompanhada de sua hashtag. A foto de &#8220;Let\u00edcia&#8221; pertence a uma mulher morta. A BBC Brasil tentou entrar em contato, sem sucesso, com a fam\u00edlia da jovem real, assassinada de forma brutal no Rio de Janeiro.<\/p>\n<div class=\"mod-foto-embed w615x300\">\n<div class=\"figure\">\n<div class=\"pinit-wraper\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"pinit-img\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/36\/2017\/12\/08\/perfil-que-usa-foto-de-mulher-morta-elogia-friboi-1512742151206_615x300.jpg?w=640&#038;ssl=1\" \/><\/div>\n<\/div>\n<p><em><span class=\"legenda pg-color10\">Perfil que usa foto de mulher morta elogia Friboi<\/span><\/em><\/p>\n<\/div>\n<p><strong>Ataque a inimigos<\/strong><\/p>\n<p>Os perfis, segundo os entrevistados, tamb\u00e9m participavam de grupos pol\u00edticos no Facebook. A BBC Brasil identificou um grupo\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/groups\/345062735642687\/about\/\">contra Renato Casagrande (PSB)<\/a><\/strong>, ent\u00e3o candidato ao governo do Esp\u00edrito Santo, criado por &#8220;Deborah Mendes&#8221;, que usa foto de perfil retirada de um banco de imagens e \u00e9 um dos perfis que seriam ligados \u00e0 Facemedia. A atividade da p\u00e1gina mostra que ela adicionou um funcion\u00e1rio da Facemedia ao grupo.<\/p>\n<p>Casagrande disputava as elei\u00e7\u00f5es com o atual governador Paulo Hartung (PMDB), defendido pelos perfis falsos.<\/p>\n<div class=\"mod-foto-embed w615x300\">\n<div class=\"figure\">\n<div class=\"pinit-wraper\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"pinit-img\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/85\/2017\/12\/08\/grupo-criado-por-perfil-falso-no-facebook-tem-participacao-de-coordenador-da-facemedia-1512742210027_615x300.jpg?w=640&#038;ssl=1\" \/><\/div>\n<\/div>\n<p><em><span class=\"legenda pg-color10\">Grupo criado por perfil falso no Facebook tem participa\u00e7\u00e3o de coordenador da Facemedia<\/span><\/em><\/p>\n<\/div>\n<p>Ao menos uma dezena dos membros do grupo s\u00e3o fakes. Outra parte \u00e9 composta por pessoas verdadeiras, que foram expostas \u00e0s postagens no grupo, visualizando not\u00edcias e coment\u00e1rios publicados por eles, sempre contra o candidato. Quando um perfil publicava uma not\u00edcia, imediatamente outros comentavam abaixo dela, dando &#8220;for\u00e7a&#8221; \u00e0 publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>&#8216;Esse tal de Twitter&#8217;<\/strong><\/p>\n<p>Em 2009, Trevisan foi convidado para o programa matinal de Ana Maria Braga na TV Globo para falar sobre &#8220;esse tal de Twitter&#8221;, nas palavras dela. Apresentou-se como &#8220;consultor de marketing&#8221;, que trabalhava &#8220;monitorando marcas e produtos&#8221; nas redes sociais e disse ter recebido treinamento dos &#8220;papas de Twitter&#8221; da campanha do ent\u00e3o presidente americano Barack Obama. Em seu Instagram, Trevisan posta imagens com logos do Facebook e do Twitter agradecendo sua exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Foi entrevistado v\u00e1rias vezes para reportagens sobre a p\u00e1gina Lei Seca RJ, sempre dizendo que ela fora criada com o intuito de melhorar a vida de quem n\u00e3o havia bebido e perdia tempo nas filas das blitze no Rio &#8211; e n\u00e3o por quem bebe acima do limite, dirige e quer escapar da lei.<\/p>\n<p>Em 2010, Trevisan foi\u00a0<strong><a href=\"http:\/\/mail.camara.rj.gov.br\/APL\/Legislativos\/scpro0711.nsf\/56def559fc7569530325764000555c06\/f98138066edb9b730325771c005952ab?OpenDocument\">homenageado pela C\u00e2mara Municipal do Rio de Janeiro<\/a><\/strong>&#8220;por seu relevante servi\u00e7o volunt\u00e1rio prestado em prol dos atingidos pelas fortes chuvas do m\u00eas de abril&#8221; &#8211; a autora da proposta foi a ent\u00e3o vereadora Clarissa Garotinho. Na \u00e9poca, a p\u00e1gina Lei Seca RJ orientou seguidores publicando informa\u00e7\u00f5es sobre as enchentes.<\/p>\n<p><strong>Implica\u00e7\u00f5es legais<\/strong><\/p>\n<p>Apenas criar um perfil falso sem a inten\u00e7\u00e3o de enganar os outros, ou seja, de modo transparente, n\u00e3o \u00e9 ilegal e &#8220;se aproxima ao conceito do pseud\u00f4nimo, de criar uma identidade nova&#8221;, diz a advogada Patr\u00edcia Peck, especialista em direito digital. &#8220;Onde come\u00e7a a ter problema? Quando o pseud\u00f4nimo existir com a finalidade de enganar outros, entrando no crime da falsa identidade.&#8221;<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o de perfis expostos nessa reportagem, segundo ela, se encaixaria no crime de falsa identidade, j\u00e1 que interagiram com outras pessoas sem deixar claro que eram falsos. A pena \u00e9 deten\u00e7\u00e3o de tr\u00eas meses a um ano ou multa.<\/p>\n<p>Os perfis falsos que usaram imagens de pessoas reais cometeram o il\u00edcito civil do uso n\u00e3o autorizado de imagem. As pessoas reais, donas das fotos, podem pedir indeniza\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m podem alegar na Justi\u00e7a que houve crime contra a honra, por difama\u00e7\u00e3o &#8211; &#8220;quando voc\u00ea fala como se fosse outra pessoa, pode construir uma imagem diferente da dela e ferir sua imagem e reputa\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Peck. A pena \u00e9 de tr\u00eas meses a um ano de deten\u00e7\u00e3o e multa.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o de personagens nas redes sociais tamb\u00e9m pode ser enquadrada no crime de falsidade ideol\u00f3gica, na vis\u00e3o de Peck, para quem as p\u00e1ginas s\u00e3o uma esp\u00e9cie de documento, cuja falsifica\u00e7\u00e3o \u00e9 pr\u00e9-requisito para esse tipo de crime. A pena \u00e9 reclus\u00e3o de um a tr\u00eas anos e multa.<\/p>\n<p>E, por fim, caso seja provado que houve alguma esp\u00e9cie de ganho com a cria\u00e7\u00e3o dos perfis falsos, \u00e9 poss\u00edvel que seja enquadrada no crime de estelionato. A pena \u00e9 reclus\u00e3o de um a cinco anos e multa.<\/p>\n<p>A transgress\u00e3o \u00e9 menos clara no campo pol\u00edtico, mas foi em parte endere\u00e7ada na reforma eleitoral aprovada em outubro. E o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) se prepara para divulgar at\u00e9 dezembro um conjunto de novas regras de comportamento online para partidos e candidatos.<\/p>\n<p>A\u00a0<strong><a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2015-2018\/2017\/lei\/L13488.htm\">nova legisla\u00e7\u00e3o<\/a><\/strong>\u00a0pro\u00edbe &#8220;a veicula\u00e7\u00e3o de conte\u00fados de cunho eleitoral&#8221; por meio de &#8220;cadastro de usu\u00e1rio de aplica\u00e7\u00e3o de internet com a inten\u00e7\u00e3o de falsear identidade&#8221;.<\/p>\n<p>Mas isso durante o per\u00edodo eleitoral &#8211; j\u00e1 passaram os prazos para quaisquer reclama\u00e7\u00f5es referentes \u00e0s elei\u00e7\u00f5es de 2012 e 2014.<\/p>\n<p><strong>O que dizem os citados na reportagem<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eduardo Trevisan<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;A Facemedia \u00e9 uma empresa de comunica\u00e7\u00e3o digital consolidada no mercado h\u00e1 dez anos. Nesse per\u00edodo, prestamos servi\u00e7os para mais de uma centena de clientes. Nossa empresa \u00e9 especializada em planejamento estrat\u00e9gico de marketing digital, cria\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o de sites e perfis, monitoramento de redes e bigdata, especializada em diversas t\u00e9cnicas de marketing como SEO, SEM, copywriting, branding, design thinking, relacionamento com influenciadores digitais entre outros. Al\u00e9m de atender a ampla carteira de clientes privados, a Facemedia utiliza seu know-how de mobiliza\u00e7\u00e3o digital em causas sociais. Em 2011, por exemplo, a Facemedia foi agraciada pelo The New York Times com o &#8216;Oscar do Twitter&#8217;, pela ajuda humanit\u00e1ria aos desabrigados da trag\u00e9dia das chuvas que atingiram a Regi\u00e3o Serrana no Rio de Janeiro. Na ocasi\u00e3o, centenas de pessoas em situa\u00e7\u00e3o de risco foram ajudadas por meio dos canais digitais da empresa, com mais de 5 milh\u00f5es de pessoas conectadas. As conex\u00f5es entre os perfis s\u00e3o estabelecidas por crit\u00e9rios das pr\u00f3prias redes sociais, inexistindo o conceito de &#8216;vincula\u00e7\u00e3o&#8217;, sugerido na pergunta. Os servi\u00e7os em campanhas eleitorais prestados pela Facemedia est\u00e3o descritos e registrados pelo TSE, de forma transparente. Por quest\u00f5es \u00e9ticas e contratuais, a Facemedia n\u00e3o repassa informa\u00e7\u00f5es de clientes privados.&#8221;<\/p>\n<p><strong>PSDB<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;A empresa Face Comunica\u00e7\u00e3o On Line Ltda. foi contratada no primeiro turno das elei\u00e7\u00f5es de 2014 para presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os \u00e0 elei\u00e7\u00e3o presidencial, que consistiu em monitoramento e an\u00e1lises de movimentos e tend\u00eancias em Redes Sociais. O PSDB desconhece o suposto uso de perfis falsos por referida empresa e registra que jamais fez uso dessa forma de divulga\u00e7\u00e3o de mensagens em redes sociais ou qualquer outro ambiente.&#8221;<\/p>\n<p><strong>A\u00e9cio Neves (PSDB)<\/strong><\/p>\n<p>Por meio de sua assessoria, o senador diz n\u00e3o conhecer a empresa em quest\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Renan Filho (PMDB)<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;A empresa em quest\u00e3o prestou \u00e0 campanha do atual governador Renan Filho, mediante contrato e objetivo expressamente delineados, os servi\u00e7os de monitoramento e an\u00e1lise digital, fornecendo \u00e0 campanha informa\u00e7\u00f5es capazes de projetar\/avaliar a densidade eleitoral das candidaturas atrav\u00e9s do n\u00edvel de interesse apresentado pelo eleitor, conforme suas prefer\u00eancias manifestadas na rede social. A despesa em quest\u00e3o consta da presta\u00e7\u00e3o de contas do ent\u00e3o candidato e foi devidamente aprovada pelo TRE\/AL. Em nenhuma hip\u00f3tese houve contrata\u00e7\u00e3o ou realiza\u00e7\u00e3o de pagamento para a cria\u00e7\u00e3o de perfis falsos ou divulga\u00e7\u00f5es online por estes em favor da campanha.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Vital do R\u00eago Filho (PMDB)<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;A coordena\u00e7\u00e3o da campanha de Vital do R\u00eago para o governo da Para\u00edba, em 2014, contratou servi\u00e7os de m\u00eddias sociais para divulga\u00e7\u00e3o regular de sua campanha, desconhecendo qualquer cria\u00e7\u00e3o de perfis falsos por parte da empresa contratada. Todas as despesas da campanha constam da presta\u00e7\u00e3o de contas, devidamente aprovada pelo TSE. A coordena\u00e7\u00e3o da campanha afirma ainda o seu inteiro rep\u00fadio a esse tipo de pr\u00e1tica.&#8221;<\/p>\n<p><strong>PVR Propaganda e Marketing Ltda<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;A empresa s\u00f3 reconhece pagamentos feitos no primeiro semestre de 2014. A PVR pagou R$ 504 mil \u00e0 empresa Face Media por servi\u00e7os de monitoramento e an\u00e1lise do cen\u00e1rio pol\u00edtico em internet e redes sociais. A PVR n\u00e3o pagou pela divulga\u00e7\u00e3o da candidatura de A\u00e9cio Neves nem de produtos da JBS. O contrato da PVR com a J&amp;F n\u00e3o prev\u00ea isso e n\u00e3o existe outra presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os \u00e0 J&amp;F que n\u00e3o seja o contratado. N\u00e3o existe nenhuma solicita\u00e7\u00e3o de contrata\u00e7\u00e3o deste tipo de servi\u00e7o pela PVR durante os quatro meses em que durou o contrato com a Face Media.&#8221; Tamb\u00e9m ressaltou que o Coaf n\u00e3o encontrou nenhuma irregularidade em suas movimenta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>J&amp;F<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o quis comentar.<\/p>\n<p><strong>Laura Carneiro (PMDB)<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;O gabinete da deputada Laura Carneiro informa que contratou os servi\u00e7os da Face Comunica\u00e7\u00e3o On Line Ltda em fevereiro de 2017, conforme presta\u00e7\u00e3o de contas no Portal da Transpar\u00eancia da C\u00e2mara dos Deputados. A empresa foi contratada pelo hist\u00f3rico de trabalhos no Brasil e no exterior, e por seu bom conceito no mercado. Os servi\u00e7os eram de monitoramento e de divulga\u00e7\u00e3o do mandato parlamentar nas m\u00eddias sociais. A assessoria da deputada n\u00e3o tem qualquer conhecimento sobre o uso anti\u00e9tico de perfis falsos em qualquer presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os realizados por essa empresa.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Eun\u00edcio Oliveira (PMDB)<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;O senador Eun\u00edcio Oliveira desconhece e em nenhum momento autorizou o uso de perfis falsos em suas campanhas eleitorais. O senador lamenta o uso e a dissemina\u00e7\u00e3o de perfis e not\u00edcias falsos em qualquer tipo de comunica\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Renan Calheiros (PMDB)<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Renan Calheiros afirma que jamais contratou esse tipo de servi\u00e7o. Em 2013, o senador sequer participava efetivamente das redes sociais, o que aconteceu apenas a partir do final do ano passado. Uma das grandes preocupa\u00e7\u00f5es do senador atualmente \u00e9 com o alcance org\u00e2nico das publica\u00e7\u00f5es e com as rea\u00e7\u00f5es de perfis verdadeiros, que realmente representem o pensamento da sociedade. Nos \u00faltimos meses, o parlamentar tem feito discursos defendendo a fiscaliza\u00e7\u00e3o dos conte\u00fados postados por fakes em redes sociais. Renan, inclusive, tem sido v\u00edtima constante de ataques, especialmente quando faz cr\u00edticas aos excessos cometidos por integrantes do Minist\u00e9rio P\u00fablico ou defende a proibi\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio de armas. Como forma de resguardar o processo democr\u00e1tico nas elei\u00e7\u00f5es que se aproximam, o senador acredita que \u00e9 preciso criar ferramentas para fiscalizar e punir a dissemina\u00e7\u00e3o de mentiras e \u00f3dio nas redes sociais.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Eduardo Braga (PMDB)<\/strong><\/p>\n<p>O senador informou que n\u00e3o contratou nem ouviu falar da empresa Facemedia.<\/p>\n<p><strong>Ricardo Ferra\u00e7o (PSDB)<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;No curto per\u00edodo de maio a dezembro de 2012, a empresa Face Comunica\u00e7\u00e3o Online Ltda. prestou servi\u00e7os de assessoria de comunica\u00e7\u00e3o digital ao meu gabinete, com o objetivo de estruturar o uso de m\u00eddias sociais. Os servi\u00e7os contratados eram de diagn\u00f3stico, monitoramento de redes e consultoria de conte\u00fado de postagens. Jamais foi contratada, solicitada ou autorizada qualquer estrat\u00e9gia de comunica\u00e7\u00e3o que n\u00e3o fosse legal e \u00e9tica. De mesmo modo, nunca orientei ou tive informa\u00e7\u00e3o de que tal empresa se valia de algum expediente que n\u00e3o os legais e \u00e9ticos, muito menos com a utiliza\u00e7\u00e3o de perfis fakes na internet. Obviamente, estou surpreso.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Gim Argello<\/strong><\/p>\n<p>A reportagem n\u00e3o conseguiu contato com a assessoria de Gim Argello, hoje preso da Lava Jato. Seu advogado disse que n\u00e3o poderia responder sobre o tema.<\/p>\n<p><strong>Paulo Hartung (PMDB)<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Por meio da assessoria, o governador Paulo Hartung declarou que repudia o uso de qualquer tipo de mecanismo que utilize influ\u00eancia criminosa da tecnologia no processo eleitoral e no dia a dia das pessoas. De acordo com a assessoria, na \u00faltima elei\u00e7\u00e3o, o governador utilizou uma equipe enxuta de comunica\u00e7\u00e3o, que foi respons\u00e1vel pelo atendimento \u00e0 imprensa e m\u00eddias sociais. Acreditamos que as redes viabilizam um canal direto com a popula\u00e7\u00e3o que participou com questionamentos, contribui\u00e7\u00f5es e reflex\u00f5es. O governador recha\u00e7a qualquer informa\u00e7\u00e3o sobre uso de perfis fakes na campanha no \u00faltimo pleito eleitoral ao Poder Executivo Estadual.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Rodney Miranda (DEM)<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Por meio de sua assessoria de imprensa, Rodney Miranda esclareceu que desconhece a atua\u00e7\u00e3o da empresa mencionada e ratificou que o trabalho nas redes sociais foi, \u00e0 \u00e9poca, desenvolvido por apoiadores do ent\u00e3o candidato.&#8221;<\/p>\n<p><strong>\u00cdndio da Costa (PSD)<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;O deputado federal licenciado e atual secret\u00e1rio municipal de Urbanismo, Infraestrutura e Habita\u00e7\u00e3o esclarece que n\u00e3o contratou os servi\u00e7os citados e por isso nada tem a dizer sobre o assunto.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Felipe Peixoto (PSB)<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Reafirmamos que nossas campanhas sempre foram pautadas pela \u00e9tica e transpar\u00eancia e repudiamos qualquer utiliza\u00e7\u00e3o de mecanismos fora desses princ\u00edpios em nossas atua\u00e7\u00f5es.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Assessoria que prestou servi\u00e7os a Wallim Vasconcelos na \u00e9poca da elei\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;O uso da Facemedia em campanha foi para monitoramento e rea\u00e7\u00e3o nas redes. Pelo tempo curto de campanha, optamos por receber relat\u00f3rios sobre performance nas redes sociais. Fechamos um valor simb\u00f3lico, j\u00e1 que nossa campanha foi toda feita atrav\u00e9s de volunt\u00e1rios, e apoiadores. Receb\u00edamos relat\u00f3rios de aceita\u00e7\u00e3o da chapa nas redes. Um term\u00f4metro que apontava pontos positivos e negativos das chapas (tanto a nossa quanto dos concorrentes), dos candidatos e seus apoiadores. O trabalho deles era somente monitorar, captar dados, compilar relat\u00f3rios para que tiv\u00e9ssemos como trabalhar nossa estrat\u00e9gia de atua\u00e7\u00e3o. Eles nunca usaram nossas redes de campanha nem acesso a dados nossos. Na reta final de campanha, surgiram nas redes perfis fakes, em grande quantidade, e ao questionarmos sobre este surgimento, se estava associado \u00e0 ag\u00eancia, recebemos a resposta formal por eles, que n\u00e3o se utilizam desta estrat\u00e9gia. Na ocasi\u00e3o passamos a denunciar os perfis, que era a \u00fanica forma de combater a atua\u00e7\u00e3o, uma vez que n\u00e3o t\u00ednhamos como saber sua origem.&#8221;<\/p>\n<p>https:\/\/noticias.uol.com.br\/ultimas-noticias\/bbc\/2017\/12\/08\/exclusivo-investigacao-revela-exercito-de-perfis-falsos-usados-para-influenciar-eleicoes-no-brasil.htm<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Kako Abraham &#8211; Cada funcion\u00e1rio seria respons\u00e1vel por controlar de 20 a 50 perfis falsos. S\u00e3o sete da manh\u00e3 e um rapaz de 18 anos liga o computador em sua casa em Vit\u00f3ria, no Esp\u00edrito Santo, e d\u00e1 in\u00edcio \u00e0 sua rotina de trabalho. 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