{"id":6201,"date":"2017-12-06T15:43:25","date_gmt":"2017-12-06T17:43:25","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=6201"},"modified":"2017-12-03T12:47:27","modified_gmt":"2017-12-03T14:47:27","slug":"zumbis-de-tanto-sono","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2017\/12\/06\/zumbis-de-tanto-sono\/","title":{"rendered":"Zumbis de tanto sono"},"content":{"rendered":"<p><strong>Chlo\u00e9 Pinheiro<\/strong> &#8211;\u00a0Voc\u00ea provavelmente j\u00e1 sentiu os efeitos de uma noite mal dormida. A mem\u00f3ria falha, os bocejos surgem nos momentos mais impr\u00f3prios, o racioc\u00ednio demora a pegar no tranco e a irrita\u00e7\u00e3o, muitas vezes, faz a gente explodir. Isso \u00e9 o que voc\u00ea nota. Mas tem o que voc\u00ea n\u00e3o percebe. Por exemplo, aquilo que acontece dentro do c\u00e9rebro insone.\u00a0Basta uma \u00fanica noite com dificuldade s\u00e9ria para pregar os olhos e a massa cinzenta de pessoas acima de 35 anos j\u00e1 passa a produzir muito mais de uma prote\u00edna que forma placas pelos neur\u00f4nios, em um sinal t\u00edpico do Alzheimer. E o que acontece depois de uma semana inteira sem dormir direito? As c\u00e9lulas nervosas come\u00e7am a acumular uma segunda prote\u00edna capaz de fazer o mesmo estrago. Essas foram as descobertas de cientistas de duas universidades americanas, a de Washington e a Stanford.<\/p>\n<p>Outros danos s\u00e3o emocionais. Nesse sentido, um dos estudos mais recentes acaba de ser divulgado pela Universidade de Michigan,\u00a0considerada centro\u00a0de refer\u00eancia mundial em investiga\u00e7\u00f5es sobre o sono. Os cientistas selecionaram 170 mulheres que, em princ\u00edpio, n\u00e3o tinham o menor sinal de melancolia. O objetivo era observar como elas dormiam e como passavam o dia ao longo de duas semanas. E eles notaram que,\u00a0se algo lhes atrapalhava o descanso noturno, isso era capaz de\u00a0disparar sintomas\u00a0depressivos na manh\u00e3 seguinte. O dado se junta aos de outras pesquisas apontando\u00a0que os\u00a0insones t\u00eam um risco quase dez vezes maior de desenvolver depress\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo os especialistas, h\u00e1 um caminho de m\u00e3o dupla: a ins\u00f4nia favorece o aparecimento de uma tristeza sem fim e quem est\u00e1 deprimido acaba levando toda sorte de pensamentos ruins para a cama, sem conseguir relaxar, o que a neurologista Dalva\u00a0Poyares, da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo, descreve como &#8220;um terr\u00edvel c\u00edrculo vicioso&#8221;.<\/p>\n<p>O mesmo time de Michigan, ali\u00e1s, revela:\u00a0o Brasil est\u00e1 entre os tr\u00eas pa\u00edses que menos dormem no planeta, sendo o campe\u00e3o absoluto entre os ocidentais. N\u00f3s dormimos em m\u00e9dia 7h36. No Jap\u00e3o e em Cingapura, o tempo m\u00e9dio ficou empatado em 7h24. Talvez voc\u00ea ache que isso \u00e9 dormir de mont\u00e3o. Mas os especialistas garantem que essa quantidade de horas n\u00e3o \u00e9 restauradora para todos.<\/p>\n<p>E tem outra: os 6 mil participantes pelo mundo eram pessoas que tinham certa disciplina em rela\u00e7\u00e3o ao sono. Independentemente de dormirem mais ou dormirem menos, sempre costumavam ir para a cama e se levantar no mesmo hor\u00e1rio. Os cientistas acreditam que a situa\u00e7\u00e3o deva ser bem pior se forem considerados aqueles indiv\u00edduos sem a menor rotina \u00e0 noite, que de vez em quando avan\u00e7am nas madrugadas animados com uma maratona de s\u00e9rie ou deitam a cabe\u00e7a no travesseiro, mas s\u00f3 adormecem quando se cansam de ficar de olho nas redes sociais. Da\u00ed dormem pouco e, agitados, dormem mal.<\/p>\n<p>Segundo um levantamento realizado pela Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp),\u00a076% dos brasileiros t\u00eam pelo menos uma queixa relacionada \u00e0 qualidade do sono. \u00c9 hora de acender as luzes sobre essa discuss\u00e3o.<\/p>\n<blockquote><p>Quem n\u00e3o dorme mais do que seis horas costuma viver menos<\/p><\/blockquote>\n<section class=\"special-image text-center caption-off infografico isImageWeb dft-tpl\">\n<div class=\"container-full\">\n<div class=\"rel\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"visible-xs\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/conteudo.imguol.com.br\/c\/vivabem\/especiais\/sono\/brasil_japao_mobile.jpg?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"R\u00f4molo\/VivaBem \" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<section class=\"special-thematic thematic um-texto caption-on claro um-texto\">\n<div class=\"container\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-md-offset-3 col-md-18 col-lg-offset-4 col-lg-16 col-sm-offset-2 col-sm-20 col-xs-8\">\n<div class=\"wrap-content\">\n<div class=\"wrap-inner\">\n<div class=\"wrap-txt\">\n<p>N\u00e3o existe uma quantidade de horas de sono ideal para todo mundo. Cada indiv\u00edduo tem a sua necessidade e n\u00e3o adianta comparar o que acontece em um quarto de dormir e outro. Em geral,\u00a0<strong>a faixa considerada mais saud\u00e1vel vai de sete a nove horas de descanso noturno para um adulto<\/strong>. Mas nada \u00e9 r\u00edgido. Existem o que os cientistas chamam de grandes dormidores, que acordam quebrados se n\u00e3o tiverem descansado umas nove horas ou um pouco mais. E h\u00e1 os pequenos dormidores, uma gente que dorme s\u00f3 umas seis, sete horas por noite e passa o dia inteiro bem, obrigado.<\/p>\n<p>Nada de errado com um grupo, nem com outro. O par\u00e2metro \u00e9 sempre esse: voc\u00ea precisa despertar muito bem disposto, sem sinais de quebradeira no corpo, cansa\u00e7o nos olhos, apetite desregulado, dores de cabe\u00e7a, lapsos de mem\u00f3ria, dificuldade para aprender ou entender uma informa\u00e7\u00e3o, falta de concentra\u00e7\u00e3o, des\u00e2nimo e pensamentos depressivos ou vontade de sair berrando \u00e0 toa, s\u00f3 para listar os principais ind\u00edcios de que a noite n\u00e3o foi l\u00e1 t\u00e3o boa.<\/p>\n<p>Se algum desses sintomas \u00e9 constante, preste aten\u00e7\u00e3o na dura\u00e7\u00e3o do sono. \u00c9 prov\u00e1vel que esteja dormindo menos do que deveria. E \u00e9 prov\u00e1vel mesmo, porque na sociedade moderna tudo parece ser motivo para &#8220;roubar&#8221; alguns minutos preciosos do tempo em que dever\u00edamos estar deitados e adormecidos.\u00a0 Ali\u00e1s,\u00a0<strong>as pessoas passaram a dormir cerca de uma hora e meia a menos por noite em todo mundo, comparado com 20 anos atr\u00e1s<\/strong>.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<section class=\"special-image text-center caption-off infografico isImageWeb dft-tpl\">\n<div class=\"container-full\">\n<div class=\"rel\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"visible-xs\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/conteudo.imguol.com.br\/c\/vivabem\/especiais\/sono\/sono_mobile.jpg?w=640&#038;ssl=1\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<section class=\"special-thematic thematic um-texto caption-on claro um-texto\">\n<div class=\"container\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-md-offset-3 col-md-18 col-lg-offset-4 col-lg-16 col-sm-offset-2 col-sm-20 col-xs-8\">\n<div class=\"wrap-content\">\n<div class=\"wrap-inner\">\n<div class=\"wrap-txt\">\n<p><strong>Qual a raz\u00e3o dessa explos\u00e3o de noites mal dormidas?<\/strong><br \/>\nO fen\u00f4meno da falta de sono adequado n\u00e3o surgiu da noite para o dia. Vem crescendo nas \u00faltimas d\u00e9cadas, porque passamos a ser induzidos a levar o que podemos rotular de um \u201cestilo de vida 24 horas\u201d. H\u00e1 a percep\u00e7\u00e3o de que a priva\u00e7\u00e3o do sono \u00e9 algo necess\u00e1rio se algu\u00e9m quer aumentar a produtividade no trabalho. De 50 a 70 milh\u00f5es de americanos vivem essa situa\u00e7\u00e3o, que hoje sabemos estar ligada ao risco de doen\u00e7as cr\u00f4nicas, como hipertens\u00e3o, diabetes, obesidade, depress\u00e3o, ataques card\u00edacos e derrames.<\/p>\n<p><strong>No trabalho mais recente de sua equipe, os transtornos do sono s\u00e3o relacionados \u00e0 depress\u00e3o. Como \u00e9 esse elo?<\/strong><br \/>\nAs liga\u00e7\u00f5es s\u00e3o complexas e ainda n\u00e3o s\u00e3o completamente compreendidas. O sono mexe com o humor. Mesmo em pessoas que n\u00e3o se sentem melanc\u00f3licas, se as for\u00e7amos a ficar em claro, observamos rea\u00e7\u00f5es similares aos sintomas da depress\u00e3o: falta de energia e de motiva\u00e7\u00e3o, irritabilidade, sensa\u00e7\u00e3o de baixo astral. O que sabemos por meio de exames de neuroimagem e testes neuroqu\u00edmicos \u00e9 que, quando dormimos bem, aumenta a ativa\u00e7\u00e3o no organismo de tudo aquilo que est\u00e1 ligado \u00e0 resili\u00eancia, nossa capacidade de lidar com as situa\u00e7\u00f5es. J\u00e1 noites mal dormidas nos deixam emocionalmente mais fr\u00e1geis e est\u00e3o associadas a padr\u00f5es pensamentos negativos recorrentes.<\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o, podemos considerar a priva\u00e7\u00e3o de sono como um fator de risco para a depress\u00e3o e para os transtornos de ansiedade?<\/strong><br \/>\nDefinitivamente, dormir mal \u00e9 fator de risco para muitas desordens mentais. H\u00e1 pelo menos 15 grandes estudos recentes que provam uma forte associa\u00e7\u00e3o entre ins\u00f4nia e depress\u00e3o. Dois deles envolveram gente jovem. Um comparou 300 pares de g\u00eameos na fase da adolesc\u00eancia. Outro analisou 1014 adolescentes. Ambos conclu\u00edram que os epis\u00f3dios depressivos s\u00e3o bem mais frequentes entre os que n\u00e3o dormem direito. Pior, quem n\u00e3o dorme direito responde mal ao tratamento. E, se voc\u00ea comparar s\u00f3 jovens que j\u00e1 sofrem de depress\u00e3o, as tentativas de suic\u00eddio s\u00e3o mais frequentes nos que dormem menos.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<section class=\"special-list colunada sem-imagem claro sem-imagem dft-tpl\">\n<div class=\"container wrap-content\">\n<div class=\"row\">\n<ul class=\"wrap-list row\">\n<li class=\"col-xs-6 col-xs-offset-1 col-sm-offset-0 col-sm-12 col-md-12 col-lg-12\">\n<div class=\"wrap-txt\">\n<p>As lembran\u00e7as do que aconteceu durante o dia s\u00e3o gravadas de modo mais permanente no momento em que voc\u00ea se entrega ao sono. Portanto, lapsos de mem\u00f3ria s\u00e3o frequentes quando n\u00e3o se dorme direito. Consequentemente, o aprendizado fica prejudicado e o racioc\u00ednio tamb\u00e9m. Na falta de sono, subst\u00e2ncias relacionadas ao bem-estar deixam de ser produzidas a contento. Da\u00ed, o mau humor. E, por fim, noites de ins\u00f4nia acumuladas v\u00e3o causando danos perenes nas c\u00e9lulas nervosas, favorecendo o aparecimento de dem\u00eancias na terceira idade, inclusive o Alzheimer.<\/p>\n<\/div>\n<\/li>\n<li class=\"col-xs-6 col-xs-offset-1 col-sm-offset-0 col-sm-12 col-md-12 col-lg-12\">\n<div class=\"wrap-txt\">\n<p>\u00c9 durante o sono que o metabolismo do colesterol no f\u00edgado atinge seu \u00e1pice, em uma esp\u00e9cie de reciclagem noturna. Sem dormir, uma quantidade maior dessa gordura continua perambulando pelos vasos sangu\u00edneos e isso pode facilitar o surgimento de placas capazes de entupi-los. Outro fen\u00f4meno \u00e9 que a press\u00e3o arterial se eleva se voc\u00ea briga com o travesseiro, quase que para compensar a tend\u00eancia natural de o ritmo card\u00edaco diminuir, o que aconteceria se voc\u00ea dormisse. O problema \u00e9 que ela costuma permanecer nas alturas depois, durante o dia.<\/p>\n<\/div>\n<\/li>\n<li class=\"col-xs-6 col-xs-offset-1 col-sm-offset-0 col-sm-12 col-md-12 col-lg-12\">\n<div class=\"wrap-txt\">\n<p>Quem dorme menos est\u00e1 sujeito ao aumento de peso. Ocorre um desequil\u00edbrio nos horm\u00f4nios que controlam o apetite. Cai a produ\u00e7\u00e3o da subst\u00e2ncia que gera a saciedade e aumenta a de outra, que dispara a fome. H\u00e1 ainda um aumento do cortisol, horm\u00f4nio do estresse que aumenta a probabilidade de o organismo reservar energia na forma de gordura abdominal para caso necessidade. Ali\u00e1s, talvez porque entenda a ins\u00f4nia como uma amea\u00e7a prestes a eclodir &#8211;ou um bom motivo para n\u00e3o deix\u00e1-lo adormecer&#8211;, o c\u00e9rebro precavido clama pela energia dos carboidratos, como doces e p\u00e3es.<\/p>\n<\/div>\n<\/li>\n<li class=\"col-xs-6 col-xs-offset-1 col-sm-offset-0 col-sm-12 col-md-12 col-lg-12\">\n<div class=\"wrap-txt\">\n<p>A subida do ponteiro da balan\u00e7a, por si s\u00f3, aumenta o que se chama de resist\u00eancia \u00e0 insulina, situa\u00e7\u00e3o em que o horm\u00f4nio, como se estivesse defeituoso, n\u00e3o consegue colocar direito a glicose dos alimentos para dentro das c\u00e9lulas de todo o corpo. Da\u00ed esse a\u00e7\u00facar termina sobrando na corrente sangu\u00ednea. O p\u00e2ncreas procura compensar esse quadro, liberando mais e mais insulina at\u00e9 uma hora que entra em fal\u00eancia, quase que por cansa\u00e7o. \u00c9 o diabetes tipo 2. Mas aten\u00e7\u00e3o: o p\u00e9ssimo h\u00e1bito de dormir mal provoca a mesma rea\u00e7\u00e3o, mesmo que voc\u00ea continue magro.<\/p>\n<\/div>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<section class=\"special-quote isQuoteWeb claro frases-1 dft-tpl caption-off\">\n<div class=\"container\">\n<div class=\"row\">\n<blockquote class=\"wrap-content col-xs-8 col-sm-offset-1 col-sm-22 col-md-18 col-md-offset-3\">\n<div class=\"quotation\">\n<p class=\"text-size\">Tirar uma soneca para compensar a noite mal dormida n\u00e3o resolve em termos de sa\u00fade. At\u00e9 porque pode piorar a ins\u00f4nia depois<\/p>\n<\/div>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<section class=\"special-image text-center caption-off infografico isImageWeb dft-tpl\">\n<div class=\"container-full\">\n<div class=\"rel\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"visible-xs\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/conteudo.imguol.com.br\/c\/vivabem\/especiais\/sono\/soneca_trabalho_mobile.jpg?w=640&#038;ssl=1\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<section class=\"special-thematic thematic um-texto caption-on claro um-texto\">\n<div class=\"container\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-md-offset-3 col-md-18 col-lg-offset-4 col-lg-16 col-sm-offset-2 col-sm-20 col-xs-8\">\n<div class=\"wrap-content\">\n<div class=\"wrap-inner\">\n<div class=\"wrap-txt\">\n<p>Durante a tarde, h\u00e1 uma diminui\u00e7\u00e3o no nosso ritmo biol\u00f3gico, ent\u00e3o \u00e9 natural que bata um soninho. E existem pessoas que sentem mais essa moleza do que outras.<br \/>\nMas<strong>\u00a0a soneca n\u00e3o substitui o sono \u00e0 noite porque todas as rea\u00e7\u00f5es do seu organismo programadas para se desenrolarem durante o sono<\/strong>\u00a0<strong>s\u00f3 acontecem se voc\u00ea adormece em plena escurid\u00e3o noturna<\/strong>. Por mais que escure\u00e7a o quarto durante o dia, n\u00e3o conseguir\u00e1 enganar seu sistema nervoso, regulado pela luz natural.<\/p>\n<p>Mesmo assim, dizem os especialistas, a soneca diurna tem o seu valor. Se n\u00e3o compensa as horas insones na madrugada, diminui o estresse, representando uma pausa na correria. S\u00f3 aten\u00e7\u00e3o:\u00a0<strong>para ser saud\u00e1vel, a tal soneca precisa durar 30 minutos, no m\u00e1ximo<\/strong>. Se voc\u00ea cochilar por mais tempo, o c\u00e9rebro entender\u00e1 que \u00e9 para dormir pra valer, ainda mais se estiver cansado depois de uma madrugada em claro. Ent\u00e3o, o sistema nervoso desacelera demais e voc\u00ea tem a sensa\u00e7\u00e3o de acordar do cochilo ainda mais cansado. O fen\u00f4meno \u00e9 chamado de in\u00e9rcia do sono.<\/p>\n<p>Algumas empresas at\u00e9 j\u00e1 oferecem salas de descanso para funcion\u00e1rios e colaboradores adeptos da soneca.\u00a0\u201c\u00c0s vezes, bate uma vontade de relaxar durante o expediente\u201d, opina Francielle Barbosa Siqueira, 27 anos, vendedora executiva da Microsoft Brasil. H\u00e1 menos de um ano, a empresa resolveu que seu time deveria parar de brigar contra o sono e, nas instala\u00e7\u00f5es em S\u00e3o Paulo, criou um espa\u00e7o, cheio de pufes e sof\u00e1s, liberado para sonecas. Mas o lugar vive disputado. \u201cNoutro dia quis us\u00e1-lo e n\u00e3o tinha nenhum lugar dispon\u00edvel\u201d, conta Francielle.Nem sempre esse tipo de benef\u00edcio funciona na pr\u00e1tica. O designer gr\u00e1fico Chico Maciel, de 34 anos, conta que j\u00e1 trabalhou em ag\u00eancias de publicidade que ofereciam espa\u00e7os de descanso e se diziam flex\u00edveis. Mas, na pr\u00e1tica, a correria fazia com que todo mundo se sentisse constrangido para tirar uma soneca em pleno expediente.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<section class=\"special-image text-center caption-off infografico isImageWeb dft-tpl\">\n<div class=\"container-full\">\n<div class=\"rel\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"visible-xs\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/conteudo.imguol.com.br\/c\/vivabem\/especiais\/sono\/telas_mobile.jpg?w=640&#038;ssl=1\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<section class=\"special-thematic thematic um-texto caption-on claro um-texto\">\n<div class=\"container\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-md-offset-3 col-md-18 col-lg-offset-4 col-lg-16 col-sm-offset-2 col-sm-20 col-xs-8\">\n<div class=\"wrap-content\">\n<div class=\"wrap-inner\">\n<div class=\"wrap-txt\">\n<p>N\u00e3o importa se \u00e9 smartphone, tablet ou aparelho de televis\u00e3o:\u00a0<strong>se h\u00e1 luminosidade, h\u00e1 tamb\u00e9m a chance de voc\u00ea demorar mais para se desconectar e relaxar.<\/strong>\u00a0Isso em grande parte por conta da luz azul, faixa de radia\u00e7\u00e3o emitida pelas telas desses equipamentos. Ela atrapalha a fabrica\u00e7\u00e3o da melatonina, o horm\u00f4nio cerebral que induz ao sono.<\/p>\n<p>A luz, diga-se, \u00e9 o principal marcador para o nosso rel\u00f3gio biol\u00f3gico. Por isso, quando o c\u00e9u escurece, o organismo fica naturalmente mais cansado. S\u00f3 que a claridade da tela, ainda mais por conta da tal luz azul, confunde essa percep\u00e7\u00e3o. E n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 esse o problema: o que fazemos no celular ou no computador tamb\u00e9m pode nos deixar mais alertas. Trabalhar at\u00e9 despencar \u00e9 um erro cl\u00e1ssico, por exemplo. Mas mesmo programas gostosos podem atrapalhar o sono. Em um estudo rec\u00e9m-conclu\u00eddo pela Universidade Cat\u00f3lica de Leuven, na B\u00e9lgica,\u00a0<strong>entre<\/strong><strong>as pessoas que gostavam de maratonas de s\u00e9ries, a probabilidade de dormir mal era 98% maior<\/strong>.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<section class=\"special-image text-center caption-off infografico isImageWeb dft-tpl\">\n<div class=\"container-full\">\n<div class=\"rel\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"visible-xs\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/conteudo.imguol.com.br\/c\/vivabem\/especiais\/sono\/para_dormir_bem_mobile2.gif?w=640&#038;ssl=1\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<section class=\"special-thematic thematic claro um-texto-com-imagem caption-on horizontal\">\n<div class=\"container\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"col-md-offset-2 col-md-20 col-lg-offset-3 col-lg-18 wrap-photo\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" class=\"horizontal loaded\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/conteudo.imguol.com.br\/c\/entretenimento\/53\/2017\/11\/27\/imagens-do-documentario-salaryman-sobre-execitivos-japoneses-que-dormem-na-rua-1511809503520_v2_956x500.png?w=640&#038;ssl=1\" alt=\"Allegra Pacheco\/Divulga\u00e7\u00e3o\"  \/><\/div>\n<div class=\"col-sm-offset-2 col-sm-20 col-md-offset-3 col-md-18 col-lg-offset-4 col-lg-16\">\n<div class=\"wrap-txt\">\n<p><strong>Como surgiu ideia de fazer esse document\u00e1rio?<\/strong><br \/>\nNa minha primeira visita ao Jap\u00e3o, h\u00e1 poucos anos, fiquei impressionada com a imagem desses trabalhadores se deslocando de um lado para outro, sem parar de trabalhar\u2026 Mas, logo na primeira noite, fiquei chocada ao ver cinco ou seis\u00a0<em>salarymen<\/em>, como eles s\u00e3o conhecidos, dormindo de terno e gravata nas cal\u00e7adas. Comecei a me perguntar como um homem pode come\u00e7ar o dia no escrit\u00f3rio e terminar daquele jeito, deitado na rua.<\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 um salaryman?<\/strong>Na cultura japonesa, \u00e9 uma esp\u00e9cie de executivo de menor n\u00edvel hier\u00e1rquico e alguns deles chegam a trabalhar mais 100 horas por semana. Nem todos dormem na rua, mas \u00e9 sabido que muitos est\u00e3o sobrecarregados. Quando eles saem para beber depois do trabalho, frequentemente n\u00e3o conseguem pegar o \u00faltimo trem para voltar para casa. Ent\u00e3o acabam ficando na rua mesmo.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea entrevistou muitos deles?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, entrevistamos mais de 30 pessoas, entre os pr\u00f3prios\u00a0<em>salarymen<\/em>, suas esposas e especialistas em sa\u00fade. Os\u00a0<em>salarymen<\/em>\u00a0contam que n\u00e3o dormem o suficiente por conta das agendas de trabalho e que costumam tamb\u00e9m tirar cochilos em p\u00fablico. Tem at\u00e9 uma express\u00e3o para essas cochiladas:\u00a0<em>inemuri<\/em>.<\/p>\n<p><strong>Qual foi a cena mais chocante que voc\u00ea registrou?<\/strong><\/p>\n<p>Todas foram bem impressionantes, mas acho que o mais chocante foi ver um\u00a0<em>salaryman<\/em>\u00a0mais velho, que aparentava ter mais 70 anos, dormindo naquela situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>https:\/\/vivabem.uol.com.br\/especiais\/sono\/index.htm#os-japoneses-que-dormem-na-rua<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Chlo\u00e9 Pinheiro &#8211;\u00a0Voc\u00ea provavelmente j\u00e1 sentiu os efeitos de uma noite mal dormida. A mem\u00f3ria falha, os bocejos surgem nos momentos mais impr\u00f3prios, o racioc\u00ednio demora a pegar no tranco e a irrita\u00e7\u00e3o, muitas vezes, faz a gente explodir. Isso \u00e9 o que voc\u00ea nota. Mas tem o que voc\u00ea n\u00e3o percebe. 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