{"id":6064,"date":"2017-11-24T09:26:08","date_gmt":"2017-11-24T11:26:08","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=6064"},"modified":"2017-11-21T13:31:22","modified_gmt":"2017-11-21T15:31:22","slug":"freyre-nas-senzalas-da-bahia-de-1835-havia-mais-gente-sabendo-ler-do-que-nas-casas-grandes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2017\/11\/24\/freyre-nas-senzalas-da-bahia-de-1835-havia-mais-gente-sabendo-ler-do-que-nas-casas-grandes\/","title":{"rendered":"Freyre: \u201cnas senzalas da Bahia de 1835 havia mais gente sabendo ler do que nas casas-grandes\u201d"},"content":{"rendered":"<p><strong>Cynara Menezes<\/strong> &#8211; A quem interessa a persist\u00eancia do mito de que todo africano que veio escravizado para o Brasil era &#8220;selvagem&#8221;?<\/p>\n<p>Um dos mitos mais persistentes sobre a escravid\u00e3o \u00e9 a de que os negros que foram trazidos \u00e0 for\u00e7a para o Brasil vieram exclusivamente para trabalhar na lavoura e na cozinha das casas-grandes e executar todo o servi\u00e7o pesado que os sinh\u00f4s e sinh\u00e1s se recusavam a fazer. Claro, interessa \u00e0s elites brancas disseminar que os negros se tornaram escravos, ainda na \u00c1frica, porque n\u00e3o tinham condi\u00e7\u00f5es intelectuais de resistir, que eram \u201cselvagens\u201d. A hist\u00f3ria, por\u00e9m, \u00e9 outra.<\/p>\n<div class=\"has-content-area\" data-url=\"http:\/\/www.socialistamorena.com.br\/freyre-nas-senzalas-da-bahia-de-1835-havia-mais-gente-sabendo-ler-do-que-nas-casas-grandes\/\" data-title=\"Freyre: \u201cnas senzalas da Bahia de 1835 havia mais gente sabendo ler do que nas casas-grandes\u201d\">\n<p>Muitos dos negros escravizados, ao contr\u00e1rio de seus donos, eram alfabetizados. J\u00e1 possu\u00edam um of\u00edcio especializado em sua na\u00e7\u00e3o de origem e foram trazidos para c\u00e1 com essa fun\u00e7\u00e3o. Quem faz o alerta sobre a generaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 Gilberto Freyre, no cl\u00e1ssico\u00a0<em>Casa Grande &amp; Senzala<\/em>(1933). \u201cNada mais anticient\u00edfico que falar-se da inferioridade do negro africano em rela\u00e7\u00e3o ao amer\u00edndio sem discriminar-se antes que amer\u00edndio; sem distinguir-se que negro. Se o tapuio; se o banto; se o hotentote. Nada mais absurdo do que negar-se ao negro sudan\u00eas, por exemplo, importado em n\u00famero consider\u00e1vel para o Brasil, cultura superior \u00e0 do ind\u00edgena mais adiantado\u201d, escreve Freyre.<\/p>\n<p>O autor pernambucano, citando\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Edgar_Roquette-Pinto\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Roquette-Pinto,<\/a>\u00a0conta que os bandeirantes se depararam no s\u00e9culo 18 com quilombos onde os negros haviam ensinado a l\u00edngua portuguesa aos cafuzos que l\u00e1 viviam e a fabricar tecidos, criar galinhas e plantar o algod\u00e3o. \u201cTodos os cabor\u00e9s<em>(mesti\u00e7o de negro e \u00edndio)<\/em>\u00a0de maior idade \u2018sabiam alguma doutrina crist\u00e3 que aprenderam com os negros. Todos falavam portugu\u00eas com a mesma intelig\u00eancia dos pretos, de quem aprenderam&#8217;\u201d.<\/p>\n<p>Freyre questiona as teses pseudocient\u00edficas em voga no Brasil e no mundo naquele momento sobre as caracter\u00edsticas f\u00edsicas e clim\u00e1ticas e sua influ\u00eancia sobre as ra\u00e7as, e se concentra em fatos hist\u00f3ricos para fugir ao erro de se generalizar o africano como uma s\u00f3 figura de \u201cpe\u00e7a da Guin\u00e9\u201d ou \u201cpreto da Costa\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA verdade \u00e9 que importaram-se para o Brasil, da \u00e1rea mais penetrada pelo Islamismo, negros maometanos de cultura superior n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 dos ind\u00edgenas como \u00e0 da grande maioria dos colonos brancos \u2013portugueses e filhos de portugueses quase sem instru\u00e7\u00e3o nenhuma, analfabetos uns, semi-analfabetos na maior parte. Gente que quando tinha de escrever uma carta ou de fazer uma conta era pela m\u00e3o do padre-mestre ou pela cabe\u00e7a do caixeiro. Quase que s\u00f3 sabiam lan\u00e7ar no papel o\u00a0<a href=\"http:\/\/www.dicionarioinformal.com.br\/jameg%C3%A3o\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">jameg\u00e3o;<\/a>\u00a0e este mesmo em letra troncha. Letra de menino aprendendo a escrever\u201d.<\/p>\n<blockquote><p>Importaram-se para o Brasil negros maometanos de cultura superior n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 dos ind\u00edgenas como \u00e0 da grande maioria dos colonos brancos, portugueses e filhos de portugueses quase sem instru\u00e7\u00e3o, analfabetos uns, semi-analfabetos na maior parte.<\/p><\/blockquote>\n<p>Ele cita o abade \u00c9tienne Ignace Brazil, em seu trabalho de 1909\u00a0<a href=\"file:\/\/\/C:\/Users\/Win7\/Downloads\/20764-70961-1-SM.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">sobre a revolta dos Mal\u00eas<\/a>\u00a0na Bahia, para quem este levante, em 1835, foi motivado tamb\u00e9m pela opress\u00e3o de uma cultura adiantada, a dos negros, por outra, menos nobre, a dos brancos. O chefe da pol\u00edcia da prov\u00edncia da Bahia, Francisco Gon\u00e7alves Martins, impressionado com tantos escritos feitos por escravos, salientou em seu relat\u00f3rio que quase todos os envolvidos sabiam ler e escrever em caracteres desconhecidos que \u201cse assemelham ao \u00e1rabe\u201d. \u201c\u00c9 que nas senzalas da Bahia de 1835 havia talvez maior n\u00famero de gente sabendo ler e escrever do que no alto das casas-grandes\u201d, acrescenta Freyre. N\u00e3o \u00e9 exagero. Segundo o censo de 1872,\u00a079,44% da popula\u00e7\u00e3o livre da Bahia era analfabeta.<\/p>\n<div id=\"attachment_14807\" class=\"wp-caption aligncenter\">\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-14807\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.socialistamorena.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/escritomales.jpg?resize=480%2C640\" alt=\"\" width=\"480\" height=\"640\" \/><\/p>\n<p><em>MANUSCRITO EM \u00c1RABE DA REVOLTA DOS MAL\u00caS EM 1835<\/em><\/p>\n<p>\u201cAnt\u00f4nio, escravo Hau\u00e7\u00e1, pescador, disse que sabia escrever em \u00e1rabe, mas s\u00f3 escrevia \u2018ora\u00e7\u00f5es segundo o cisma de sua terra\u2019. Ou seja, n\u00e3o escrevia coisas subversivas, pol\u00edticas, s\u00f3 ora\u00e7\u00f5es. Acrescentou que \u2018quando pequeno em sua terra andava na escola\u2019.\u00a0O escravo nag\u00f4 Gaspar, preso com grande quantidade de escritos \u00e1rabes, amuletos, um tessub\u00e1 (o ros\u00e1rio mal\u00ea) etc., disse ter sido ele autor dos escritos, e que aprendera o \u00e1rabe em sua terra. Ele leu trechos do que havia escrito, embora alegasse n\u00e3o saber traduzir para o portugu\u00eas. Observamos em todas essas declara\u00e7\u00f5es as lembran\u00e7as de uma educa\u00e7\u00e3o mu\u00e7ulmana na \u00c1frica, \u00e0s vezes lembran\u00e7as de quando eram ainda crian\u00e7as\u201d,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.zereinaldo.blog.br\/index.php\/802-jo%C3%A3o-reis-180-anos-da-revolta-dos-mal%C3%AAs\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">disse o historiador<\/a>Jo\u00e3o Jos\u00e9 Reis, da UFBA, sobre participantes da revolta.<\/p>\n<p>Um dos pontos que Gilberto Freyre questiona \u00e9 o fato de os historiadores do s\u00e9culo 19, influenciados por Spix e Martius, limitarem a proced\u00eancia de escravos ao grupo banto, quando veio para c\u00e1, afirma, \u201co melhor da cultura negra da \u00c1frica\u201d, inclusive elementos da elite. Estas teorias equivocadas refor\u00e7aram a concep\u00e7\u00e3o que ainda perdura, difundida pela direita, da \u201cselvageria\u201d dos negros escravizados. Foi o eugenista Nina Rodrigues, segundo o autor pernambucano, quem revelou a vinda de um n\u00famero similar de sudaneses. As l\u00ednguas dos negros, portanto, eram variadas: al\u00e9m do banto, falava-se gege, hau\u00e7\u00e1, nag\u00f4 e iorub\u00e1.<\/p>\n<blockquote><p>Um dos pontos que Freyre questiona \u00e9 o fato de os historiadores do s\u00e9culo 19 limitarem a proced\u00eancia de escravos ao grupo banto, quando veio para c\u00e1, afirma, \u201co melhor da cultura negra da \u00c1frica\u201d, inclusive elementos da elite<\/p><\/blockquote>\n<p>Fisicamente tamb\u00e9m se diferenciavam. Havia os pretos \u201cde ra\u00e7a branca\u201d ou Fulas, \u201cgente de cor c\u00f3brea avermelhada e cabelos ondeados quase lisos\u201d, fruto da mistura entre sangue\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Camitas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ham\u00edtico<\/a>\u00a0e \u00e1rabe. Os hau\u00e7\u00e1s eram igualmente mesti\u00e7os de hamitas e talvez de\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Berberes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">berberes.<\/a>\u00a0Os Mandingo, que vieram em v\u00e1rias levas, tinham sangue \u00e1rabe e\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Tuaregues\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">tuaregue.<\/a>\u00a0A cor variava de um pardo escuro, chocolate, at\u00e9 o \u201cnegro retinto\u201d da Guin\u00e9. Alguns eram alt\u00edssimos e outros mais baixos e encorpados. Os narizes tamb\u00e9m diferiam, mais largos ou mais estreitos, assim como os cabelos, mais encarapinhados ou encaracolados e at\u00e9 lisos.<\/p>\n<p>\u201cOs escravos de cultura negra mais adiantada foram um elemento ativo, criador, e quase que se pode acrescentar nobre na coloniza\u00e7\u00e3o do Brasil; degradados apenas pela sua condi\u00e7\u00e3o de escravos\u201d, escreve Gilberto Freyre. \u201cLonge de terem sido apenas animais de tra\u00e7\u00e3o e oper\u00e1rios de enxada, a servi\u00e7o da agricultura, desempenharam uma fun\u00e7\u00e3o civilizadora.\u201d E n\u00e3o s\u00f3 em rela\u00e7\u00e3o a t\u00e9cnicas agr\u00e1rias, diz o historiador: a minera\u00e7\u00e3o de ferro no Brasil foi aprendida dos africanos. \u201cSeu \u00e9 o m\u00e9rito da primeira ind\u00fastria de preparo direto de ferro, nas forjas rudimentares de Minas Gerais, fruto natural da ci\u00eancia pr\u00e1tica infusa nesses metal\u00fargicos natos que s\u00e3o os africanos\u201d, diz Jo\u00e3o Pandi\u00e1 Cal\u00f3geras em\u00a0<em>Forma\u00e7\u00e3o Hist\u00f3rica do Brasil<\/em>\u00a0(1930), citado por Freyre.<\/p>\n<p>\u201cOs primeiros fornos de minera\u00e7\u00e3o de ferro em Minas Gerais eram africanos. Os negros sabiam, tinham a tradi\u00e7\u00e3o milenar de explora\u00e7\u00e3o de ouro, tanto do ouro de bateia dos rios quanto da escava\u00e7\u00e3o de minas e corredores subterr\u00e2neos. Boa parte da ourivesaria brasileira tem ra\u00edzes africanas\u201d, confirmou o historiador Alberto da Costa e Silva em 2015 em\u00a0<a href=\"http:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/noticias\/2015\/11\/151120_entrevista_historiador_fe_ab\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">entrevista \u00e0 BBC.<\/a>\u00a0\u201cDe maneira geral, quando se estuda a hist\u00f3ria do Brasil, o negro aparece como m\u00e3o de obra cativa, com certas exce\u00e7\u00f5es de grandes figuras, mulatos ou negros que pontuam a nossa hist\u00f3ria. O negro n\u00e3o aparece como o que ele realmente foi, um criador, um povoador do Brasil, um introdutor de t\u00e9cnicas importantes de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e de minera\u00e7\u00e3o do ouro.\u201d<\/p>\n<blockquote><p>Longe de terem sido apenas animais de tra\u00e7\u00e3o e oper\u00e1rios de enxada, a servi\u00e7o da agricultura, os negros desempenharam uma fun\u00e7\u00e3o civilizadora<\/p><\/blockquote>\n<p>\u201cMuitas t\u00e9cnicas, sen\u00e3o a maior parte delas, usadas e indispens\u00e1veis nas v\u00e1rias etapas do processo minerat\u00f3rio \u2013extra\u00e7\u00e3o, remo\u00e7\u00e3o e beneficiamento\u2013 foram trazidas pelos escravos africanos, como bateia, canoas e carumb\u00e9. Cumpre lembrar que o processo de fundi\u00e7\u00e3o do min\u00e9rio aur\u00edfero e de ferro, com utiliza\u00e7\u00e3o de fornalhas e foles, j\u00e1 era conhecido e usual no continente africano, como na \u00c1frica Central, hoje Zimb\u00e1bue, antes de 1500. Nas palavras de Davidson Basil este fato \u2018revela a capacidade inventiva dos africanos, pois o princ\u00edpio b\u00e1sico destas fornalhas n\u00e3o diferia do dos fornos modernos&#8217;\u201d, dizem as historiadoras Tania Maria Souza e Liana Reis\u00a0<a href=\"http:\/\/www.cedeplar.ufmg.br\/seminarios\/seminario_diamantina\/2006\/D06A018.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">nesta pesquisa<\/a>\u00a0sobre as t\u00e9cnicas minerat\u00f3rias dos s\u00e9culos 18 e 19.<\/p>\n<div id=\"attachment_14802\" class=\"wp-caption aligncenter\">\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-14802 size-medium\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.socialistamorena.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/forja-600x600.jpg?resize=600%2C600\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" srcset=\"http:\/\/www.socialistamorena.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/forja-600x600.jpg 600w, http:\/\/www.socialistamorena.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/forja-70x70.jpg 70w\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"600\" \/><br \/>\n<em>ESPANH\u00d3IS TRABALHANDO NA FORJA REAL NO S\u00c9CULO 16 COM A AJUDA DE UM NEGRO<\/em><\/p>\n<p>O etn\u00f3logo alem\u00e3o Max Schmidt \u201cobservou no Mato Grosso que muitas das pr\u00e1ticas ligadas \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do gado eram de origem africana. Tamb\u00e9m os instrumentos de ferreiro. Teriam sido transmitidas aos mesti\u00e7os de \u00edndios com brancos pelos escravos negros\u201d. Os quilombolas tiveram a \u201ca\u00e7\u00e3o civilizadora\u201d de retransmitir a l\u00edngua que aprenderam dos portugueses e as pr\u00e1ticas agr\u00edcolas que trouxeram de sua terra natal, \u201cquase sempre elevando a cultura das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o veio da \u00c1frica, portanto, apenas gente para trabalhar na cozinha, em canaviais e cafezais, como aparece nas novelas de \u00e9poca. \u201cVieram-lhe da \u00c1frica \u2018donas-de-casa\u2019 para seus colonos sem mulher branca; t\u00e9cnicos para as minas; art\u00edfices em ferro; negros entendidos na cria\u00e7\u00e3o de gado e na ind\u00fastria pastoril; comerciantes de panos e sab\u00e3o; mestres, sacerdotes e tiradores de reza maometanos\u201d, assegura Gilberto Freyre.<\/p>\n<blockquote><p>O etn\u00f3logo alem\u00e3o Max Schmidt \u201cobservou no Mato Grosso que muitas das pr\u00e1ticas ligadas \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do gado eram de origem africana<i class=\"fa fa-twitter\" aria-hidden=\"true\"><\/i><\/p><\/blockquote>\n<p>O escritor pernambucano divide os negros que vieram para c\u00e1 em nove grupos distintos:<\/p>\n<ol>\n<li>hotentote, caracterizada pela cria\u00e7\u00e3o de gado, pelo uso de bois no transporte de fardos, pela utiliza\u00e7\u00e3o de suas peles no vestu\u00e1rio, pelo largo consumo de sua carne etc.<\/li>\n<li>boximane, pobre, n\u00f4made, sem animal nenhum a servi\u00e7o do homem a n\u00e3o ser o cachorro, sem organiza\u00e7\u00e3o agr\u00e1ria ou pastoril, mas grandes pintores;<\/li>\n<li>a \u00e1rea de gado da \u00c1frica oriental (banto), com agricultura, ind\u00fastria pastoril, trabalhos em ferro e madeira;<\/li>\n<li>\u00e1rea do Congo (tamb\u00e9m de l\u00edngua banto), economia agr\u00edcola, ca\u00e7a e pesca, domestica\u00e7\u00e3o da cabra, do porco, da galinha e do cachorro, mercados onde se re\u00fanem para a venda de produtos agr\u00edcolas e de ferro, artistas ocupando um lugar de honra na comunidade;<\/li>\n<li>Horn Oriental, com atividade pastoril, utiliza\u00e7\u00e3o de diversos animais (vaca, carneiro, cabra, camelo), organiza\u00e7\u00e3o influenciada pelo islamismo;<\/li>\n<li>Sud\u00e3o oriental, \u00e1rea ainda mais influenciada pela religi\u00e3o maometana, l\u00edngua \u00e1rabe, abund\u00e2ncia de animais a servi\u00e7o do homem, vestu\u00e1rio de panos semelhantes aos berberes;<\/li>\n<li>Sud\u00e3o Ocidental, regi\u00e3o de grandes monarquias ou reinos, sociedades secretas influenciadoras da vida pol\u00edtica, agricultura, cria\u00e7\u00e3o de gado e com\u00e9rcio, not\u00e1veis trabalhos art\u00edsticos em pedra, ferro, terracota e tecelagem;<\/li>\n<li>\u00e1rea do deserto (berbere);<\/li>\n<li>\u00e1rea eg\u00edpcia.<\/li>\n<\/ol>\n<p>A influ\u00eancia do islamismo veio para o Brasil junto com os escravos, \u201cflorescendo no escuro das senzalas\u201d, diz Freyre, citando o abade \u00c9tienne. Vieram mestres e pregadores para ensinar a ler o Alcor\u00e3o em \u00e1rabe, e funcionaram aqui escolas e casas de ora\u00e7\u00e3o maometanas. O ambiente que precedeu a revolta dos Mal\u00eas em 1835 foi \u201cde intenso ardor religioso entre os escravos. (\u2026)Escravos lidos no Alcor\u00e3o pregavam a religi\u00e3o do profeta, opondo-se \u00e0 de Cristo, seguida pelos senhores brancos no alto das casas-grandes. Faziam propaganda contra a missa cat\u00f3lica dizendo que era o mesmo que adorar pau; e aos ros\u00e1rios crist\u00e3os, com a cruz de Nosso Senhor, opunham os seus, de 50 cent\u00edmetros de comprimento, noventa e nove contas de madeira, terminando com uma bola em vez da cruz\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_14803\" class=\"wp-caption aligncenter\">\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-14803\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.socialistamorena.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/algodao-e1511198344343.jpg?resize=640%2C660\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"660\" \/><br \/>\n<em><br \/>\nNEGRA SEPARANDO FIBRAS DE ALGOD\u00c3O NO SENEGAL NO S\u00c9CULO 18. GRAVURA DE\u00a0REN\u00c9 CLAUDE GEOFFROY DE VILLENEUVE<\/em><\/p>\n<p>O fato de terem vindo para c\u00e1 muitas vezes nus tampouco significa que andassem sem roupa em suas na\u00e7\u00f5es de origem e sim que foram despidos de suas vestes ao serem escravizados. Tanto \u00e9 que os trajes de influ\u00eancia \u00e1rabe persistiram at\u00e9 hoje: de onde v\u00eam os turbantes e os panos da costa usados pelas baianas de acaraj\u00e9? Suas figas, pulseiras, braceletes, colares? Os Mal\u00eas, por exemplo, embora os negros andassem de peito nu na Salvador da \u00e9poca, sa\u00edram para sua revolta vestidos com t\u00fanicas tipicamente mu\u00e7ulmanas.<\/p>\n<p>Se muitos negros vinham para o Brasil sabendo ler e escrever, a desigualdade educacional que ainda existe foi legada a seus descendentes pelas leis discriminat\u00f3rias do imp\u00e9rio. A Constitui\u00e7\u00e3o de 1824, por n\u00e3o considerar os escravos \u201ccidad\u00e3os\u201d, lhes negava o acesso \u00e0 instru\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Em 1854, o\u00a0Regulamento da Instru\u00e7\u00e3o Prim\u00e1ria e Secund\u00e1ria no Munic\u00edpio da Corte s\u00f3 permitia o\u00a0acesso \u00e0s escolas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o livre e vacinada, n\u00e3o portadora de mol\u00e9stias contagiosas. Para manter os negros sob o jugo dos brancos, os escravos eram expressamente proibidos de estudar nas escolas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>S\u00e3o estas distin\u00e7\u00f5es feitas j\u00e1 em cativeiro e n\u00e3o por uma origem intelectualmente \u201cinferior\u201d que explicam a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.socialistamorena.com.br\/darcy-ribeiro-explica-a-desvantagem-historica-do-negro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">desvantagem hist\u00f3rica<\/a>\u00a0dos negros em rela\u00e7\u00e3o aos brancos. E \u00e9 esta desvantagem que a pol\u00edtica de cotas adotada durante os governos Lula e Dilma veio com a inten\u00e7\u00e3o de corrigir. Um povo sem instru\u00e7\u00e3o \u00e9 um povo f\u00e1cil de manipular. Ser\u00e1 um resqu\u00edcio do escravagismo o \u00f3dio de nossa elite \u00e0s\u00a0<a href=\"http:\/\/www.socialistamorena.com.br\/guia-pratico-das-cotas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">cotas?<\/a><\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"Ev1HRVZAoZ\"><p><a href=\"https:\/\/www.socialistamorena.com.br\/freyre-nas-senzalas-da-bahia-de-1835-havia-mais-gente-sabendo-ler-do-que-nas-casas-grandes\/\">&#8220;Nas senzalas da BA de 1835 havia mais gente sabendo ler que nas casas-grandes&#8221;<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;&#8220;Nas senzalas da BA de 1835 havia mais gente sabendo ler que nas casas-grandes&#8221;&#8221; &#8212; Socialista Morena\" src=\"https:\/\/www.socialistamorena.com.br\/freyre-nas-senzalas-da-bahia-de-1835-havia-mais-gente-sabendo-ler-do-que-nas-casas-grandes\/embed\/#?secret=Ev1HRVZAoZ\" data-secret=\"Ev1HRVZAoZ\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cynara Menezes &#8211; A quem interessa a persist\u00eancia do mito de que todo africano que veio escravizado para o Brasil era &#8220;selvagem&#8221;? Um dos mitos mais persistentes sobre a escravid\u00e3o \u00e9 a de que os negros que foram trazidos \u00e0 for\u00e7a para o Brasil vieram exclusivamente para trabalhar na lavoura e na cozinha das casas-grandes [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6065,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[6,8],"tags":[72],"class_list":["post-6064","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-educacao","category-sociedade","tag-historia"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Freyre: \u201cnas senzalas da Bahia de 1835 havia mais gente sabendo ler do que nas casas-grandes\u201d - Controversia<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2017\/11\/24\/freyre-nas-senzalas-da-bahia-de-1835-havia-mais-gente-sabendo-ler-do-que-nas-casas-grandes\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_PT\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Freyre: \u201cnas senzalas da Bahia de 1835 havia mais gente sabendo ler do que nas casas-grandes\u201d - Controversia\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Cynara Menezes &#8211; A quem interessa a persist\u00eancia do mito de que todo africano que veio escravizado para o Brasil era &#8220;selvagem&#8221;? Um dos mitos mais persistentes sobre a escravid\u00e3o \u00e9 a de que os negros que foram trazidos \u00e0 for\u00e7a para o Brasil vieram exclusivamente para trabalhar na lavoura e na cozinha das casas-grandes [&hellip;]\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2017\/11\/24\/freyre-nas-senzalas-da-bahia-de-1835-havia-mais-gente-sabendo-ler-do-que-nas-casas-grandes\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Controversia\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/\" \/>\n<meta property=\"article:author\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2017-11-24T11:26:08+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/escravidao.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"1200\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"698\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Ricardo Alvarez\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@https:\/\/twitter.com\/contro_versia\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@contro_versia\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Ricardo Alvarez\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Tempo estimado de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"11 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2017\\\/11\\\/24\\\/freyre-nas-senzalas-da-bahia-de-1835-havia-mais-gente-sabendo-ler-do-que-nas-casas-grandes\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2017\\\/11\\\/24\\\/freyre-nas-senzalas-da-bahia-de-1835-havia-mais-gente-sabendo-ler-do-que-nas-casas-grandes\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"Ricardo Alvarez\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"headline\":\"Freyre: \u201cnas senzalas da Bahia de 1835 havia mais gente sabendo ler do que nas casas-grandes\u201d\",\"datePublished\":\"2017-11-24T11:26:08+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2017\\\/11\\\/24\\\/freyre-nas-senzalas-da-bahia-de-1835-havia-mais-gente-sabendo-ler-do-que-nas-casas-grandes\\\/\"},\"wordCount\":2307,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2017\\\/11\\\/24\\\/freyre-nas-senzalas-da-bahia-de-1835-havia-mais-gente-sabendo-ler-do-que-nas-casas-grandes\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2017\\\/11\\\/escravidao.jpg?fit=1200%2C698&ssl=1\",\"keywords\":[\"Hist\u00f3ria\"],\"articleSection\":[\"Educa\u00e7\u00e3o\",\"Sociedade\"],\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2017\\\/11\\\/24\\\/freyre-nas-senzalas-da-bahia-de-1835-havia-mais-gente-sabendo-ler-do-que-nas-casas-grandes\\\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2017\\\/11\\\/24\\\/freyre-nas-senzalas-da-bahia-de-1835-havia-mais-gente-sabendo-ler-do-que-nas-casas-grandes\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2017\\\/11\\\/24\\\/freyre-nas-senzalas-da-bahia-de-1835-havia-mais-gente-sabendo-ler-do-que-nas-casas-grandes\\\/\",\"name\":\"Freyre: \u201cnas senzalas da Bahia de 1835 havia mais gente sabendo ler do que nas casas-grandes\u201d - Controversia\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2017\\\/11\\\/24\\\/freyre-nas-senzalas-da-bahia-de-1835-havia-mais-gente-sabendo-ler-do-que-nas-casas-grandes\\\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2017\\\/11\\\/24\\\/freyre-nas-senzalas-da-bahia-de-1835-havia-mais-gente-sabendo-ler-do-que-nas-casas-grandes\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2017\\\/11\\\/escravidao.jpg?fit=1200%2C698&ssl=1\",\"datePublished\":\"2017-11-24T11:26:08+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2017\\\/11\\\/24\\\/freyre-nas-senzalas-da-bahia-de-1835-havia-mais-gente-sabendo-ler-do-que-nas-casas-grandes\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2017\\\/11\\\/24\\\/freyre-nas-senzalas-da-bahia-de-1835-havia-mais-gente-sabendo-ler-do-que-nas-casas-grandes\\\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2017\\\/11\\\/24\\\/freyre-nas-senzalas-da-bahia-de-1835-havia-mais-gente-sabendo-ler-do-que-nas-casas-grandes\\\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2017\\\/11\\\/escravidao.jpg?fit=1200%2C698&ssl=1\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2017\\\/11\\\/escravidao.jpg?fit=1200%2C698&ssl=1\",\"width\":1200,\"height\":698},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2017\\\/11\\\/24\\\/freyre-nas-senzalas-da-bahia-de-1835-havia-mais-gente-sabendo-ler-do-que-nas-casas-grandes\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Freyre: \u201cnas senzalas da Bahia de 1835 havia mais gente sabendo ler do que nas casas-grandes\u201d\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/\",\"name\":\"Controversia\",\"description\":\"Um site de leitura e debate\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-PT\"},{\"@type\":[\"Person\",\"Organization\"],\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\",\"name\":\"Ricardo Alvarez\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"width\":1015,\"height\":1024,\"caption\":\"Ricardo Alvarez\"},\"logo\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\"},\"description\":\"Professor, mestre em geografia urbana pela USP e criador do site Controv\u00e9rsia e escreve semanalmente.\",\"sameAs\":[\"http:\\\/\\\/controversia.com.br\",\"https:\\\/\\\/www.facebook.com\\\/Controversiascontemporaneas\\\/\",\"https:\\\/\\\/www.linkedin.com\\\/in\\\/controversia\\\/\",\"https:\\\/\\\/x.com\\\/https:\\\/\\\/twitter.com\\\/contro_versia\"]}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Freyre: \u201cnas senzalas da Bahia de 1835 havia mais gente sabendo ler do que nas casas-grandes\u201d - Controversia","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2017\/11\/24\/freyre-nas-senzalas-da-bahia-de-1835-havia-mais-gente-sabendo-ler-do-que-nas-casas-grandes\/","og_locale":"pt_PT","og_type":"article","og_title":"Freyre: \u201cnas senzalas da Bahia de 1835 havia mais gente sabendo ler do que nas casas-grandes\u201d - Controversia","og_description":"Cynara Menezes &#8211; A quem interessa a persist\u00eancia do mito de que todo africano que veio escravizado para o Brasil era &#8220;selvagem&#8221;? Um dos mitos mais persistentes sobre a escravid\u00e3o \u00e9 a de que os negros que foram trazidos \u00e0 for\u00e7a para o Brasil vieram exclusivamente para trabalhar na lavoura e na cozinha das casas-grandes [&hellip;]","og_url":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2017\/11\/24\/freyre-nas-senzalas-da-bahia-de-1835-havia-mais-gente-sabendo-ler-do-que-nas-casas-grandes\/","og_site_name":"Controversia","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","article_author":"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","article_published_time":"2017-11-24T11:26:08+00:00","og_image":[{"width":1200,"height":698,"url":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/escravidao.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"Ricardo Alvarez","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@https:\/\/twitter.com\/contro_versia","twitter_site":"@contro_versia","twitter_misc":{"Escrito por":"Ricardo Alvarez","Tempo estimado de leitura":"11 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2017\/11\/24\/freyre-nas-senzalas-da-bahia-de-1835-havia-mais-gente-sabendo-ler-do-que-nas-casas-grandes\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2017\/11\/24\/freyre-nas-senzalas-da-bahia-de-1835-havia-mais-gente-sabendo-ler-do-que-nas-casas-grandes\/"},"author":{"name":"Ricardo Alvarez","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"headline":"Freyre: \u201cnas senzalas da Bahia de 1835 havia mais gente sabendo ler do que nas casas-grandes\u201d","datePublished":"2017-11-24T11:26:08+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2017\/11\/24\/freyre-nas-senzalas-da-bahia-de-1835-havia-mais-gente-sabendo-ler-do-que-nas-casas-grandes\/"},"wordCount":2307,"commentCount":0,"publisher":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"image":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2017\/11\/24\/freyre-nas-senzalas-da-bahia-de-1835-havia-mais-gente-sabendo-ler-do-que-nas-casas-grandes\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/escravidao.jpg?fit=1200%2C698&ssl=1","keywords":["Hist\u00f3ria"],"articleSection":["Educa\u00e7\u00e3o","Sociedade"],"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/controversia.com.br\/2017\/11\/24\/freyre-nas-senzalas-da-bahia-de-1835-havia-mais-gente-sabendo-ler-do-que-nas-casas-grandes\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2017\/11\/24\/freyre-nas-senzalas-da-bahia-de-1835-havia-mais-gente-sabendo-ler-do-que-nas-casas-grandes\/","url":"https:\/\/controversia.com.br\/2017\/11\/24\/freyre-nas-senzalas-da-bahia-de-1835-havia-mais-gente-sabendo-ler-do-que-nas-casas-grandes\/","name":"Freyre: \u201cnas senzalas da Bahia de 1835 havia mais gente sabendo ler do que nas casas-grandes\u201d - Controversia","isPartOf":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2017\/11\/24\/freyre-nas-senzalas-da-bahia-de-1835-havia-mais-gente-sabendo-ler-do-que-nas-casas-grandes\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2017\/11\/24\/freyre-nas-senzalas-da-bahia-de-1835-havia-mais-gente-sabendo-ler-do-que-nas-casas-grandes\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/escravidao.jpg?fit=1200%2C698&ssl=1","datePublished":"2017-11-24T11:26:08+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2017\/11\/24\/freyre-nas-senzalas-da-bahia-de-1835-havia-mais-gente-sabendo-ler-do-que-nas-casas-grandes\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/controversia.com.br\/2017\/11\/24\/freyre-nas-senzalas-da-bahia-de-1835-havia-mais-gente-sabendo-ler-do-que-nas-casas-grandes\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2017\/11\/24\/freyre-nas-senzalas-da-bahia-de-1835-havia-mais-gente-sabendo-ler-do-que-nas-casas-grandes\/#primaryimage","url":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/escravidao.jpg?fit=1200%2C698&ssl=1","contentUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/escravidao.jpg?fit=1200%2C698&ssl=1","width":1200,"height":698},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2017\/11\/24\/freyre-nas-senzalas-da-bahia-de-1835-havia-mais-gente-sabendo-ler-do-que-nas-casas-grandes\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/controversia.com.br\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Freyre: \u201cnas senzalas da Bahia de 1835 havia mais gente sabendo ler do que nas casas-grandes\u201d"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#website","url":"https:\/\/controversia.com.br\/","name":"Controversia","description":"Um site de leitura e debate","publisher":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/controversia.com.br\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-PT"},{"@type":["Person","Organization"],"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2","name":"Ricardo Alvarez","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","url":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","contentUrl":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","width":1015,"height":1024,"caption":"Ricardo Alvarez"},"logo":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png"},"description":"Professor, mestre em geografia urbana pela USP e criador do site Controv\u00e9rsia e escreve semanalmente.","sameAs":["http:\/\/controversia.com.br","https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","https:\/\/www.linkedin.com\/in\/controversia\/","https:\/\/x.com\/https:\/\/twitter.com\/contro_versia"]}]}},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/11\/escravidao.jpg?fit=1200%2C698&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6064","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6064"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6064\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6066,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6064\/revisions\/6066"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6065"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6064"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6064"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6064"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}