{"id":5705,"date":"2017-10-20T09:56:00","date_gmt":"2017-10-20T11:56:00","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=5705"},"modified":"2017-10-17T15:00:41","modified_gmt":"2017-10-17T17:00:41","slug":"programado-para-estragar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2017\/10\/20\/programado-para-estragar\/","title":{"rendered":"Programado para estragar"},"content":{"rendered":"<p><strong>JOSEBA ELOLA<\/strong> &#8211; Projetar aparelhos com defeitos e pe\u00e7as pouco dur\u00e1veis para que o consumidor tenha de comprar novamente. \u00c9 a obsolesc\u00eancia programada, uma pr\u00e1tica que nos leva a um beco sem sa\u00edda.<\/p>\n<p>A frase foi publicada em 1928 na\u00a0<em>Printer\u2019s Ink<\/em>, revista do\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/publicidad\/a\">setor publicit\u00e1rio<\/a>\u00a0norte-americano: \u201cUm artigo que n\u00e3o estraga \u00e9 uma trag\u00e9dia para os neg\u00f3cios.\u201d Para que vender menos se voc\u00ea pode vender mais projetando produtos com um defeito incorporado? Por que n\u00e3o abandonar esse af\u00e3 rom\u00e2ntico de fabricar produtos bem feitos, consistentes, duradouros, e ser logo pr\u00e1tico? N\u00e3o ser\u00e1 melhor para o\u00a0<em>business<\/em>\u00a0fazer com que o cliente tenha de abrir a carteira mais vezes?<\/p>\n<p>Essa \u00e9 hist\u00f3ria de uma ideia que ganhou for\u00e7a como salva\u00e7\u00e3o dinamizadora nos anos da Grande Depress\u00e3o,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/01\/03\/ciencia\/1483442907_990965.html\">transformou-se num mantra da sociedade de consumo<\/a>\u00a0\u2013 comprar, usar, jogar fora, voltar a comprar \u2013 e se tornou, j\u00e1 na atualidade, uma s\u00e9ria amea\u00e7a ao meio ambiente. \u00c9 uma hist\u00f3ria escrita aos poucos, cap\u00edtulo por cap\u00edtulo. O \u00faltimo e mais importante deles \u00e9 o destaque que a quest\u00e3o ganhou nos debates da Europa, sinal de que existe uma crescente conscientiza\u00e7\u00e3o: em 4 de julho, o Parlamento Europeu aprovou (por 622 votos a favor e 32 contra) o\u00a0<em>Relat\u00f3rio sobre Produtos com Uma Vida \u00datil Mais Longa: Vantagens para os Consumidores e as Empresas<\/em>, pedindo que a Comiss\u00e3o Europeia adote medidas.<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00f3 isso. A Fran\u00e7a, pa\u00eds com a legisla\u00e7\u00e3o mais dura da Europa contra a obsolesc\u00eancia programada, acaba de registrar a primeira den\u00fancia de um coletivo de consumidores contra os fabricantes de impressoras. O fato ocorreu em 18 de setembro: a associa\u00e7\u00e3o Halte \u00e0 l&#8217; Obsolescence Programm\u00e9e (HOP, Contra a Obsolesc\u00eancia Programada) acusou marcas como Epson, HP, Canon e Brother de pr\u00e1ticas destinadas a reduzir deliberadamente a vida \u00fatil de impressoras e cartuchos.<\/p>\n<p>O truque n\u00e3o \u00e9 novo. Come\u00e7ou a ser usado no final do s\u00e9culo XIX na ind\u00fastria t\u00eaxtil (quando os fabricantes come\u00e7aram a utilizar mais amido e menos algod\u00e3o) e se consolidou em 1924, quando General Electric, Osram e Phillips se reuniram na Su\u00ed\u00e7a e decidiram limitar a vida \u00fatil das l\u00e2mpadas a 1.000 horas, tal como aponta o festejado document\u00e1rio espanhol\u00a0<em>Comprar, Tirar, Comprar<\/em>\u00a0(\u201ccomprar, jogar fora, comprar\u201d), de Cosima Dannoritzer. E assim foi assinado o atestado de \u00f3bito da durabilidade.<\/p>\n<section id=\"sumario_1|html\" class=\"sumario_html derecha\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<blockquote>\n<p class=\"texto_grande\">\u201cHoje, os investimentos em pesquisa e desenvolvimento s\u00e3o usados para reduzir a durabilidade do que compramos\u201d, diz o especialista Benito Muros<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>At\u00e9 ent\u00e3o, as l\u00e2mpadas duravam mais. Como a que brilha ininterruptamente desde 1901 na central dos Bombeiros de Livermore, na Calif\u00f3rnia. De filamento grosso e intensidade menor que a de suas sucessoras (o que impede o alto aquecimento), essa l\u00e2mpada foi concebida para perdurar. E continua l\u00e1, brilhando, mostrando que a obsolesc\u00eancia programada est\u00e1 longe de ser um mito.<\/p>\n<p>Desde a sensa\u00e7\u00e3o causada nos anos trinta pelas meias de n\u00e1ilon Du Pont, que n\u00e3o rasgavam, at\u00e9 o telefone inteligente que fica burro sem raz\u00e3o aparente \u2013 e s\u00f3 um ano e meio depois de ser adquirido \u2013, muita \u00e1gua passou debaixo da ponte. A obsolesc\u00eancia programada (OP) foi aprimorada. E a inten\u00e7\u00e3o de fraude por parte do fabricante n\u00e3o \u00e9 algo f\u00e1cil de demonstrar.<\/p>\n<p>\u201cHoje, os investimentos em pesquisa e desenvolvimento s\u00e3o para ver como reduzir a durabilidade dos aparelhos, mais do que para melhor\u00e1-los ao consumidor\u201d. Quem se expressa de forma t\u00e3o contundente \u00e9 Benito Muros, um ex-piloto de 56 anos que h\u00e1 anos denuncia a OP. Presidente da\u00a0<a href=\"http:\/\/feniss.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Funda\u00e7\u00e3o Energia e Inova\u00e7\u00e3o Sustent\u00e1vel Sem Obsolesc\u00eancia Programada<\/a>\u00a0(Feniss), ele afirma que a OP est\u00e1 presente em todos os dispositivos eletr\u00f4nicos que compramos, \u201cat\u00e9 mesmo nos carros\u201d.<\/p>\n<section id=\"sumario_2|html\" class=\"sumario_html derecha\"><\/section>\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<blockquote>\n<p class=\"texto_grande\">Os consumidores franceses realizaram a primeira den\u00fancia contra v\u00e1rias marcas de impressoras<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Muros lidera uma empresa que desenvolve l\u00e2mpadas, sem\u00e1foros e projetos de ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica para Prefeituras da Espanha, conta que hoje \u00e9 poss\u00edvel observar muitas formas de OP no mercado: dispositivos com carca\u00e7as que n\u00e3o permitem a dissipa\u00e7\u00e3o do calor, e cujo\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/01\/23\/tecnologia\/1485146076_294197.html\">aquecimento gera falhas prematuras<\/a>; componentes como os condensadores eletrol\u00edticos, cujas dimens\u00f5es determinar\u00e3o a vida do produto (perdem l\u00edquido com as horas de uso; quanto menor for a capacidade de armazenamento de l\u00edquido eletrol\u00edtico, menos vai durar); baterias que n\u00e3o podem ser retiradas (como foi o caso do iPhone) e que obrigam o usu\u00e1rio a comprar um novo aparelho; chips que agem como contadores e que est\u00e3o programados para que o sistema pare de funcionar ap\u00f3s certo n\u00famero de utiliza\u00e7\u00f5es, como ocorreu com algumas impressoras (o consumidor que ousar tentar consertar uma logo escutar\u00e1 que \u00e9 mais barato comprar outra).<\/p>\n<p>Muros, que diz ser alvo de campanhas de difama\u00e7\u00e3o na imprensa por se opor \u00e0 OP \u2013 e que fabricou uma l\u00e2mpada que foi objeto de controv\u00e9rsia, \u2013 afirma inclusive que atualiza\u00e7\u00f5es enviadas para os nossos\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/telefono_inteligente\/a\"><em>smartphones<\/em><\/a>\u00a0escondem uma mudan\u00e7a de software que os torna mais lentos.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ep01.epimg.net\/tecnologia\/imagenes\/2017\/10\/13\/actualidad\/1507894455_001314_1507903359_sumario_normal.jpg?resize=640%2C358&#038;ssl=1\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/tecnologia\/imagenes\/2017\/10\/13\/actualidad\/1507894455_001314_1507903359_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/tecnologia\/imagenes\/2017\/10\/13\/actualidad\/1507894455_001314_1507903359_sumario_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/tecnologia\/imagenes\/2017\/10\/13\/actualidad\/1507894455_001314_1507903359_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"Obsolescencia programada\" width=\"640\" height=\"358\" \/><\/p>\n<p><em><span class=\"foto-texto\">A l\u00e2mpada acesa mais antiga do mundo, numa central dos Bombeiros de Livermore, na Calif\u00f3rnia<\/span><\/em><\/p>\n<p>\u201cEles te enviam uma esp\u00e9cie de v\u00edrus que serve para preparar o telefone para o seu final\u201d, diz. Outro\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/02\/18\/politica\/1487418470_101918.html\">aparelho jogado no lixo, e outro res\u00edduo eletr\u00f4nico<\/a>\u00a0que, mais cedo ou mais tarde, vai parar nos t\u00f3xicos (e sinistros) lix\u00f5es que o mundo rico alimenta em lugares remotos, como a \u00c1frica.<\/p>\n<p>Cerca de 215.000 toneladas de aparelhos eletr\u00f4nicos, procedentes sobretudo dos Estados Unidos e da Europa, desembarcam todo ano em Gana, segundo a Motherboard, uma plataforma multim\u00eddia de longa trajet\u00f3ria sobre trabalhos de pesquisa. Acabam gerando 129.000\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/10\/01\/politica\/1443722260_724627.html\">toneladas de res\u00edduos<\/a>\u00a0em lugares como Agbogbloshie, um dos maiores lix\u00f5es tecnol\u00f3gicos do mundo, situado em Accra, a capital do pa\u00eds.<\/p>\n<section id=\"sumario_3|html\" class=\"sumario_html derecha\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<div class=\"sumario-texto\">\n<blockquote>\n<p class=\"texto_grande\" dir=\"ltr\">\u201cSomos os respons\u00e1veis pelo nosso consumo. N\u00e3o podemos seguir assim\u201d, diz a cientista Mari Lundstr\u00f6m<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>A ind\u00fastria de tecnologia produz, sozinha, 41 milh\u00f5es de toneladas de res\u00edduos eletr\u00f4nicos por ano, segundo uma pesquisa do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Entre 60% e 90% desses produtos caem nas m\u00e3os de quadrilhas, que os descarregam ou comercializam ilegalmente. Al\u00e9m de Gana, pa\u00edses como \u00cdndia e Paquist\u00e3o s\u00e3o importantes destinos de televisores, celulares e aparelhos de som descartados com a chegada das liquida\u00e7\u00f5es, porque n\u00e3o somos bobos, e porque uma semana de pre\u00e7os supostamente loucos \u00e9 uma oportunidade que n\u00e3o se pode desperdi\u00e7ar. Tudo pelo \u00faltimo modelo.<\/p>\n<p>Ainda assim, a pr\u00e1tica tem os seus defensores. Eles dizem que uma obsolesc\u00eancia programada controlada, sem abusos excessivos, \u00e9 a f\u00f3rmula para que o mundo continue funcionando como at\u00e9 agora. E uma fonte de cria\u00e7\u00e3o de emprego.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico traz solu\u00e7\u00f5es mais ecol\u00f3gicas e eficientes, como poderia ser o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/01\/26\/tecnologia\/1485435443_182055.html\">caso dos carros el\u00e9tricos<\/a>. Portanto, a OP poderia ter sentido, argumentam seus partid\u00e1rios.<\/p>\n<p>O debate est\u00e1 aberto. E dele tamb\u00e9m participam aqueles que dizem que esse neg\u00f3cio de obsolesc\u00eancia programada \u00e9 uma teoria da conspira\u00e7\u00e3o. Basta um passeio pelo Twitter para ver mais argumentos. Uns dizem que o verdadeiro problema n\u00e3o s\u00e3o as marcas, mas os consumidores: queremos produtos baratos para usar e jogar fora, e n\u00e3o estamos dispostos a pagar o que custariam se realmente fossem de qualidade (e, portanto, mais caros).<\/p>\n<p>Nessa mesma linha se manifesta o diretor geral da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Fabricantes de Eletrodom\u00e9sticos (Anfel), da Espanha, que re\u00fane as marcas de linha branca (geladeiras, lava-roupa, lava-lou\u00e7a, etc). Este jornal tentou realizar uma entrevista com algum diretor da Anfel, que s\u00f3 aceitou responder \u00e0s perguntas por e-mail. Ap\u00f3s afirmar que n\u00e3o h\u00e1 dados embasando a ideia de que os eletrodom\u00e9sticos duravam mais em meados do s\u00e9culo passado do que agora, e de qualificar a pr\u00e1tica da OP como \u201cdeplor\u00e1vel\u201d, Alberto Zapatero, diretor geral da Anfel, escreve: \u201cDevemos levar em conta que os consumidores n\u00e3o s\u00f3 jogam fora os produtos que deixaram de funcionar, mas tamb\u00e9m o fazem por outros motivos, por exemplo quando um aparelho deixa de cumprir com suas expectativas por raz\u00f5es t\u00e9cnicas, regulat\u00f3rias ou econ\u00f4micas (caso de televisores n\u00e3o aptos para a transmiss\u00e3o digital), al\u00e9m do desejo dos consumidores de adquirir um novo modelo por quest\u00f5es de mudan\u00e7as de funcionalidade, design e servi\u00e7os.\u201d<\/p>\n<p>N\u00e3o bastasse o consumismo desenfreado dos cidad\u00e3os ocidentais, existe tamb\u00e9m a contempor\u00e2nea impossibilidade de consertar. E os dados indicam que o consumidor estaria disposto a reparar os produtos, se pudesse: 77% dos europeus prefeririam o conserto a uma nova compra, segundo o Eurobar\u00f4metro de 2014. \u201cA sociedade dos res\u00edduos n\u00e3o pode seguir assim. Estamos perante um modelo econ\u00f4mico superado\u201d, afirma de Bruxela, por telefone, Pascal Durand, deputado verde europeu que liderou a iniciativa apresentada pelo Parlamento Europeu no final de julho.<\/p>\n<p>A cifra de consumidores de produtos de tecnologia aumenta a cada ano. Novas classes m\u00e9dias de\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/07\/29\/internacional\/1438196192_156373.html\">pa\u00edses como China e \u00cdndia<\/a>\u00a0se incorporam ao padr\u00e3o de compra dos pa\u00edses mais desenvolvidos. Mais celulares, mais computadores, mais eletrodom\u00e9sticos. Primeiro para o carrinho de compras, depois para o lixo. E mais extra\u00e7\u00e3o de metais para produzi-los. Mat\u00e9rias-primas que n\u00e3o s\u00e3o ilimitadas.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, quanto mais curta \u00e9 a vida dos dispositivos que compramos (veja os celulares, cuja expectativa de vida oscila entre um e dois anos, segundo os estudos europeus), maior \u00e9 o volume de res\u00edduos gerados.<\/p>\n<p>Jogar fora aparelhos novos que poderiam ser consertados na Europa, enviando-os a lix\u00f5es distantes em barcos que contaminam \u00e1guas, para, ao mesmo tempo, comprar aparelhos fabricados em lugares distantes e que chegam em barcos que contaminam de novo. \u201cCedo ou tarde, isso vai acabar\u201d, diz Durand.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma das reflex\u00f5es de uma proposta que foi batizada como \u201ceconomia circular\u201d e que ganha for\u00e7a nos f\u00f3runs europeus e globais. A ideia \u00e9 simples: ao fabricar um bem, devemos levar em conta o res\u00edduo que ele vai gerar para que este seja reutiliz\u00e1vel, se poss\u00edvel totalmente. Desse modo, em vez de seguir o paradigma da economia linear (produzo, utilizo, jogo fora), passar\u00edamos ao \u201cproduzo, utilizo, reutilizo\u201d. E, se poss\u00edvel, conserto.<\/p>\n<p>Legislar nesse sentido, portanto, significaria fazer com que as marcas aumentem os prazos de garantia; incentivar a possibilidade de repara\u00e7\u00e3o dos produtos em qualquer loja, n\u00e3o s\u00f3 nos servi\u00e7os autorizados; que as marcas projetem artefatos que permitam a extra\u00e7\u00e3o de pe\u00e7as, componentes, baterias; reduzir impostos \u00e0s marcas que adotem essas medidas e aos artes\u00e3os que a elas se dediquem; perseguir e multar a obsolesc\u00eancia programada intencional; revelar a OP inform\u00e1tica. A iniciativa apresentada no\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/parlamento_europeo\/a\">Parlamento Europeu<\/a>\u00a0vai nessa linha. A Comiss\u00e3o dever\u00e1 dar uma resposta legislativa antes de julho de 2018.<\/p>\n<p>Enquanto isso, pa\u00edses como a Finl\u00e2ndia arrega\u00e7am as mangas. O pa\u00eds escandinavo j\u00e1 conta com um plano para fazer a transi\u00e7\u00e3o rumo \u00e0 economia circular. Florescem as\u00a0<em>start-ups<\/em>\u00a0que procuram solu\u00e7\u00f5es para os res\u00edduos que geramos, enquanto fundos s\u00e3o destinados para a pesquisa.<\/p>\n<p>A Universidade Aalto integra um projeto de colabora\u00e7\u00e3o transversal que recebeu cinco milh\u00f5es de euros (18,5 milh\u00f5es de reais) para come\u00e7ar a caminhar. Mari Lundstr\u00f6m, professora de hidrometalurgia e corros\u00e3o, lidera um programa que busca solu\u00e7\u00f5es para a reciclagem de metais. Em entrevista pelo telefone de Estocolmo, ela explica que os celulares, os fios el\u00e9tricos e os computadores que jogamos no lixo est\u00e3o repletos de materiais \u00fateis e valiosos. Alguns inclusive s\u00e3o dif\u00edceis de encontrar no subsolo europeu; e, no entanto, jogamos tudo isso fora. Desperdi\u00e7amos n\u00edquel, cobalto, l\u00edtio&#8230; Muitos deles s\u00e3o facilmente recuper\u00e1veis atrav\u00e9s de tratamentos qu\u00edmicos, por exemplo. Um \u00fanico telefone cont\u00e9m at\u00e9 40 elementos recicl\u00e1veis, dos quais s\u00f3 reutilizamos 10, explica Lundstr\u00f6m. Doze empresas finlandesas que usam metais j\u00e1 trabalham com o fruto das pesquisas cient\u00edficas.<\/p>\n<p>Podemos reciclar o metal da lata de refrigerante. Mas precisamos de 20 vezes mais energia para recuper\u00e1-lo se essa lata foi queimada num saco com lixo org\u00e2nico, explica a cientista finlandesa. Este \u00e9 um dos resultados das pesquisas do programa. Pode-se deduzir, portanto, que a economia circular deve ser promovida pelos Governos, pesquisada pelos docentes e assumida pelas empresas. Ok, mas tamb\u00e9m precisa dos cidad\u00e3os.<\/p>\n<p>\u201cA chave da economia circular \u00e9 o que cada pessoa fizer\u201d, diz Lundstr\u00f6m, de forma categ\u00f3rica. \u201cN\u00e3o podemos continuar vivendo como fizemos at\u00e9 agora. \u00c9 necess\u00e1ria uma resposta da sociedade: somos respons\u00e1veis por nossa forma de consumir.\u201d<\/p>\n<p>Mas a economia circular tamb\u00e9m tem seus cr\u00edticos. Alguns consideram que se trata de uma mera prolonga\u00e7\u00e3o da ideia de crescimento sustent\u00e1vel, que, apesar de bem intencionada, n\u00e3o levou a grandes realiza\u00e7\u00f5es. O problema, explicam, \u00e9 o crescimento. \u00c9 a l\u00f3gica que nos empurra a seguir espremendo o planeta, cujos recursos s\u00e3o finitos.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, e romper com d\u00e9cadas de in\u00e9rcia levar\u00e1 um tempo. H\u00e1 v\u00e1rias perguntas no ar. Num contexto de cont\u00ednuo avan\u00e7o tecnol\u00f3gico, ser\u00e1 mesmo t\u00e3o dif\u00edcil melhorar a durabilidade dos produtos? Faz sentido continuar vivendo do mesmo jeito, conhecendo a toxicidade dos res\u00edduos gerados por nosso modo de consumo? E os Governos n\u00e3o t\u00eam pensado em fazer nada a respeito?<\/p>\n<section id=\"sumario_4|despiece\" class=\"sumario_despiece centro\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<header class=\"sumario-encabezado\">\n<h4 class=\"sumario-titulo\"><span class=\"sin_enlace\">CONSUMIDORES SE MOBILIZAM NA FRAN\u00c7A<\/span><\/h4>\n<\/header>\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p>A Fran\u00e7a \u00e9 a pa\u00eds com a legisla\u00e7\u00e3o mais dura da Europa na luta contra a obsolesc\u00eancia programada, aprovada em 2015. As marcas que realizam a pr\u00e1tica podem pagar multas de at\u00e9 300.000 euros (1,1 bilh\u00e3o de reais).<\/p>\n<p>A den\u00fancia da associa\u00e7\u00e3o HOP apresentada em setembro, a primeira do g\u00eanero, acusou marcas como HP, Canon e Brother de pr\u00e1ticas voltadas a reduzir deliberadamente a vida \u00fatil de impressoras e cartuchos; e destacava, em particular, o caso da Epson.<\/p>\n<p>Este jornal solicitou entrevista com um diretor da Epson na Espanha, mas o pedido foi negado. Um porta-voz somente escreveu esta resposta por e-mail: \u201cA Epson conhece a den\u00fancia da associa\u00e7\u00e3o HOP na Fran\u00e7a e trabalhar\u00e1 com as autoridades competentes para responder de maneira adequada e resolver o caso.\u201d E acrescentou: \u201cRecha\u00e7amos totalmente a afirma\u00e7\u00e3o de que nossos produtos est\u00e3o programados para estragar num per\u00edodo de tempo predeterminado.\u201d<\/p>\n<p>https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/10\/13\/tecnologia\/1507894455_001314.html?id_externo_rsoc=FB_BR_CM<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>JOSEBA ELOLA &#8211; Projetar aparelhos com defeitos e pe\u00e7as pouco dur\u00e1veis para que o consumidor tenha de comprar novamente. \u00c9 a obsolesc\u00eancia programada, uma pr\u00e1tica que nos leva a um beco sem sa\u00edda. 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