{"id":5267,"date":"2017-09-16T09:26:54","date_gmt":"2017-09-16T12:26:54","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=5267"},"modified":"2017-09-07T18:29:49","modified_gmt":"2017-09-07T21:29:49","slug":"revolucao-russa-obstinacao-e-contingencia-historica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2017\/09\/16\/revolucao-russa-obstinacao-e-contingencia-historica\/","title":{"rendered":"Revolu\u00e7\u00e3o Russa: obstina\u00e7\u00e3o e conting\u00eancia hist\u00f3rica"},"content":{"rendered":"<p><strong>Giovanni Alves<\/strong> &#8211;\u00a0Enquanto a I Revolu\u00e7\u00e3o Industrial criou as circunstancias hist\u00f3ricas para a eclos\u00e3o do movimento cartista e das revolu\u00e7\u00f5es europeias de 1848, a II Revolu\u00e7\u00e3o Industrial aprofundou nos &#8216;elos mais fracos&#8217; do sistema imperialista, como a R\u00fassia tsarista, contradi\u00e7\u00f5es sociais que, sob o impacto da I Guerra Mundial, levaram efetivamente \u00e0 insurg\u00eancia das massas oper\u00e1rias e das classes subalternas.\u00a0\u00c9 importante, no entanto, n\u00e3o desprezar o papel das personalidades ou &#8216;conting\u00eancias&#8221; de car\u00e1ter na hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><strong>Obstina\u00e7\u00e3o e conting\u00eancia hist\u00f3rica no processo revolucion\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>A Revolu\u00e7\u00e3o Russa de 1917 ocorreu como suprema contingencia hist\u00f3rica do capitalismo do come\u00e7o do s\u00e9culo XX. O Imp\u00e9rio Russo constitu\u00eda um dos \u201celos mais fracos\u201d da cadeia imperialista. Uma s\u00e9rie de circunstancias hist\u00f3ricas singulares contribu\u00edram para a eclos\u00e3o da Revolu\u00e7\u00e3o de 1917 na R\u00fassia, evento hist\u00f3rico imprevisto por todos as lideran\u00e7as pol\u00edticas que dela fizeram parte. Podemos destacar a Primeira Guerra Mundial, que degradou a situa\u00e7\u00e3o social russa, acelerando o tempo hist\u00f3rico e criando uma n\u00e9voa de imprevisibilidade diante dos desdobramentos da deteriora\u00e7\u00e3o da domina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do tsarismo.<\/p>\n<p>Num artigo de 24 de novembro de 1917 intitulado \u201cA Revolu\u00e7\u00e3o contra\u00a0<em>O Capital<\/em>\u201d, Antonio Gramsci observou que os bolcheviques\u00a0<em>agarraram-se<\/em>\u00a0\u00e0 contingencia hist\u00f3rica do devir da luta de classes na R\u00fassia, indo al\u00e9m do pr\u00f3prio Marx que, de acordo com os c\u00e2nones dos marxistas positivistas e naturalistas n\u00e3o admitiria uma revolu\u00e7\u00e3o anticapitalista e socialista na \u201catrasada\u201d R\u00fassia de 1917. Disse ele:<\/p>\n<p>\u201cMarx previu o previs\u00edvel. N\u00e3o podia prever a guerra europeia, ou melhor, n\u00e3o podia prever que esta guerra duraria o tempo que durou e os efeitos que esta guerra teve. N\u00e3o podia prever que esta guerra, em tr\u00eas anos de sofrimento e mis\u00e9ria indescrit\u00edveis, suscitaria na R\u00fassia a\u00a0<em>vontade coletiva popular<\/em>\u00a0que suscitou. Uma vontade deste tipo precisa normalmente, para se formar, dum longo processo de infiltra\u00e7\u00f5es capilares, duma longa s\u00e9rie de experi\u00eancias de classe\u201d [o grifo \u00e9 nosso].<\/p>\n<p>A trag\u00e9dia hist\u00f3rica da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), o acirramento da autocracia tsarista e a escalada de repress\u00e3o ao movimento popular, al\u00e9m da insatisfa\u00e7\u00e3o crescente da classe oper\u00e1ria e dos camponeses com a situa\u00e7\u00e3o de pauperiza\u00e7\u00e3o e fome, contribu\u00edram para a derrubada do tsar e a deflagra\u00e7\u00e3o da Revolu\u00e7\u00e3o Russa.<\/p>\n<p>O que ocorreu em 1917 foi a primeira revolu\u00e7\u00e3o social a se dar nas circunstancias hist\u00f3ricas oriundas da Segunda Revolu\u00e7\u00e3o Industrial (c. 1850-1945). Esse largo per\u00edodo hist\u00f3rico de transforma\u00e7\u00e3o industrial que marcou o advento da Alemanha e dos Estados Unidos como pot\u00eancias industriais, juntando-se \u00e0 Fran\u00e7a e ao Reino Unido, marcou tamb\u00e9m o desenvolvimento do capitalismo industrial na R\u00fassia. Enquanto a I Revolu\u00e7\u00e3o Industrial (1760-1840) criou as circunstancias hist\u00f3ricas para a eclos\u00e3o do movimento cartista (c.1830-1840) e das revolu\u00e7\u00f5es europeias de 1848, a II Revolu\u00e7\u00e3o Industrial aprofundou nos \u201celos mais fracos\u201d do sistema imperialista (como a R\u00fassia tsarista) contradi\u00e7\u00f5es sociais que, sob o impacto da guerra mundial de 1914-1918, levaram efetivamente \u00e0 insurg\u00eancia das massas oper\u00e1rias e das classes subalternas.<\/p>\n<p>O desenvolvimento tardio do capitalismo industrial da R\u00fassia, analisado por L\u00eanin no seu livro cl\u00e1ssico de 1899 (\u201cO desenvolvimento do capitalismo na R\u00fassia: O processo de forma\u00e7\u00e3o do mercado interno para a grande ind\u00fastria\u201d), aprofundou suas contradi\u00e7\u00f5es durante o reinado de Nicolau II (1894-1918), sucessor de Alexandre III (1881-1894). Nicolau II facilitou a entrada de capitais estrangeiros, principalmente da Fran\u00e7a, Alemanha, Inglaterra e B\u00e9lgica, para promover a industrializa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Esse processo de industrializa\u00e7\u00e3o ocorreu posteriormente ao da maioria dos pa\u00edses da Europa Ocidental. O desenvolvimento capitalista russo foi ativado por medidas como o in\u00edcio da exporta\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo, a implanta\u00e7\u00e3o de estradas de ferro e da ind\u00fastria sider\u00fargica, todos eventos vinculados \u00e0 II Revolu\u00e7\u00e3o Industrial que nasceu no interior da primeira longa depress\u00e3o do capitalismo moderno (1875-1893).<\/p>\n<p>Os investimentos industriais foram concentrados em centros urbanos populosos, como Moscou, S\u00e3o Petersburgo, Odessa e Kiev. Nessas cidades, formou-se um operariado de aproximadamente 3 milh\u00f5es de pessoas submetidas a condi\u00e7\u00f5es p\u00e9ssimas de trabalho: sal\u00e1rios miser\u00e1veis, sem receber alimenta\u00e7\u00e3o e jornadas de 12 a 16 horas di\u00e1rias em locais completamente insalubres. Nessa dram\u00e1tica situa\u00e7\u00e3o de explora\u00e7\u00e3o, as ideias socialistas encontraram um campo f\u00e9rtil para o seu florescimento.<\/p>\n<p>Na R\u00fassia, a moderniza\u00e7\u00e3o tardia e desigual do capitalismo, com a persist\u00eancia do\u00a0<em>ancien r\u00e9gime<\/em>, o refor\u00e7o da autocracia com Nicolau II e a estupidez pol\u00edtica da aristocracia que se opunha a qualquer concess\u00e3o \u00e0s classes subalternas insatisfeitas (oper\u00e1rios e camponeses), e,\u00a0<em>last but not least<\/em>, a presen\u00e7a singular de personalidades pol\u00edticas marxistas de alto calibre intelectual no movimento oper\u00e1rio (como L\u00eanin, Plekhanov e Tr\u00f3stki, por exemplo), deram uma nova qualidade \u00e0 dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do processo hist\u00f3rico de luta de classes. \u00c9 importante, portanto, n\u00e3o desprezar o papel das personalidades ou \u201cacidentes\u201d de car\u00e1ter na hist\u00f3ria. No calor dos acontecimentos da Comuna de Paris, em 1871, o velho Marx observou, nas cartas a Kugelman:<\/p>\n<p>\u201cA hist\u00f3ria mundial seria na verdade muito f\u00e1cil de fazer-se se a luta fosse empreendida apenas em condi\u00e7\u00f5es nas quais as possibilidades fossem infalivelmente favor\u00e1veis. Seria, por outro lado, coisa muito m\u00edstica se os \u2018acidentes\u2019 n\u00e3o desempenhassem papel algum. Esses acidentes mesmos caem naturalmente no curso geral do desenvolvimento e s\u00e3o compensados outra vez por novos acidentes. Mas a acelera\u00e7\u00e3o e a demora s\u00e3o muito dependentes de tais \u2018acidentes\u2019,\u00a0<em>que incluem o \u2018acidente\u2019 do car\u00e1ter daqueles que de in\u00edcio ficam \u00e0 frente do movimento<\/em>.\u201d<\/p>\n<p>A presen\u00e7a viva de personalidades pol\u00edticas do porte intelectual de um L\u00eanin ou Tr\u00f3tski, verdadeiros \u201cacidentes\u201d de car\u00e1ter \u2013 \u201cacidentes\u201d progressistas que catalisaram intelectual (e moralmente) o salto hist\u00f3rico \u2013 n\u00e3o pode ser desprezado na an\u00e1lise concreta da situa\u00e7\u00e3o concreta da Revolu\u00e7\u00e3o Russa. O outro \u201cacidente\u201d decisivo favor\u00e1vel para o processo revolucion\u00e1rio de 1917 foi o cataclismo social e pol\u00edtico provocado na R\u00fassia pela Primeira Guerra Mundial. (Rosa Luxemburgo diria: \u201cA Revolu\u00e7\u00e3o Russa \u00e9 o fato mais prodigioso da guerra mundial\u201d).<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, existem precedentes hist\u00f3ricos que indicam uma acumula\u00e7\u00e3o de experiencia coletiva na luta das massas russas. Apreciando a Revolu\u00e7\u00e3o Russa, Rosa Luxemburgo observou:<\/p>\n<p>\u201cA pr\u00e1tica do socialismo exige uma transforma\u00e7\u00e3o completa no esp\u00edrito das massas degradadas por s\u00e9culos de domina\u00e7\u00e3o da classe burguesa, instintos sociais, em vez de instintos ego\u00edstas, iniciativa das massas em vez da in\u00e9rcia, idealismo que supere todos os sofrimentos, etc. Ningu\u00e9m o sabe melhor, ningu\u00e9m o descreve com mais precis\u00e3o nem o repete com mais obstina\u00e7\u00e3o que L\u00eanin.\u201d<\/p>\n<p>Nesse texto, publicado no\u00a0<em>Neue Zeit<\/em>\u00a0em 1923, Rosa Luxemburgo elencou as precondi\u00e7\u00f5es para a pr\u00e1tica hist\u00f3rica do socialismo: a transforma\u00e7\u00e3o completa do esp\u00edrito das massas degradadas por s\u00e9culos de domina\u00e7\u00e3o burguesa. \u00c9 preciso transformar o esp\u00edrito dessas massas subsumidas durante s\u00e9culos para que elas possam ser efetivamente o sujeito hist\u00f3rico da constru\u00e7\u00e3o do socialismo sob pena da pr\u00e1tica da nova sociedade arruinar-se. Ao inv\u00e9s de instintos ego\u00edstas, instintos sociais; ao inv\u00e9s da in\u00e9rcia das massas, seu idealismo e iniciativa capazes de superar os sofrimentos cotidianos.<\/p>\n<p>Entretanto, logo a seguir, sem atentar para as diferen\u00e7as entre a R\u00fassia e a Alemanha (o oriente e o ocidente, diria Gramsci), Rosa Luxemburgo critica L\u00eanin que, apesar de salientar com obstina\u00e7\u00e3o a necessidade da transforma\u00e7\u00e3o integral do esp\u00edrito das massas em sujeitos hist\u00f3ricos emancipados, utilizou meios inadequados que paralisaram (e extinguiram \u2013 como fez St\u00e1lin) a constru\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica do socialismo na R\u00fassia. Diz ela:<\/p>\n<p>\u201c[\u2026] ele engana-se redondamente no emprego dos meios [para transformar o esp\u00edrito das massas]. Decretos, for\u00e7a ditatorial dos Inspectores de f\u00e1bricas, san\u00e7\u00f5es draconianas, terror, n\u00e3o passam de paliativos. [\u2026] A \u00fanica via que conduz a uma renova\u00e7\u00e3o \u00e9 a pr\u00f3pria\u00a0<em>escola da vida p\u00fablica, uma democracia muito ampla e sem a menor limita\u00e7\u00e3o, a opini\u00e3o p\u00fablica<\/em>.\u201d (o grifo e o texto entre colchetes s\u00e3o nossos).<\/p>\n<p>Na verdade, havia um acumulo de lutas sociais de massa na R\u00fassia pelo menos desde 1905, com a forma\u00e7\u00e3o naquela \u00e9poca, no decorrer das greves de massa, de sovietes (conselhos populares), representando no in\u00edcio do s\u00e9culo XX um salto de qualidade no processo da luta de classes na R\u00fassia. Assim, a guerra contra o Jap\u00e3o em 1904 criou as circunst\u00e2ncias hist\u00f3ricas para o prel\u00fadio da Revolu\u00e7\u00e3o de 1917: as greves de massa de 1905.<\/p>\n<p><strong>1905-1917: do \u201censaio geral\u201d \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o consumada<\/strong><\/p>\n<p>Apesar da acelerada moderniza\u00e7\u00e3o capitalista da R\u00fassia durante o reinado de Nicolau II, persistiam na sociedade russa no seio das classes subalternas la\u00e7os sociais de natureza comunit\u00e1ria. Em 1904, a R\u00fassia, com sua sede imperialista, desejava expandir-se mais para o oriente, e entrou em guerra contra o Jap\u00e3o devido \u00e0 posse da Manch\u00faria. Diante da iminente derrota militar do pa\u00eds, agravou-se a situa\u00e7\u00e3o da economia russa, atingindo as classes subalternas e tamb\u00e9m a burguesia liberal. Em 1905, o regime pol\u00edtico do tsar Nicolau II foi abalado por uma s\u00e9rie de revoltas, envolvendo oper\u00e1rios, camponeses, marinheiros (como a revolta no encoura\u00e7ado Potemkin) e soldados do ex\u00e9rcito. Greves e protestos contra o dom\u00ednio absolutista explodiram em diversas regi\u00f5es da R\u00fassia. Em S\u00e3o Petersburgo, foi criado um soviete para auxiliar na coordena\u00e7\u00e3o das v\u00e1rias greves e servir de palco para debate pol\u00edtico. Na verdade, os bolcheviques ocupavam o espa\u00e7o organizativo e social criado pela espontaneidade das massas russas.<\/p>\n<p>Entretanto, n\u00e3o foram s\u00f3 as classes subalternas que estavam insatisfeitas com o regime de Nicolau II. A burguesia liberal demonstrava tamb\u00e9m insatisfa\u00e7\u00e3o com a autocracia tsarista, buscando canais alternativos de express\u00e3o pol\u00edtica. Diante do crescente clima de revolta, tsar prometeu, por meio do Manifesto de Outubro, realizar grandes reformas no pa\u00eds: estabeleceria um governo constitucional, dando fim ao absolutismo, e convocaria elei\u00e7\u00f5es gerais para o parlamento (a Duma), que elaboraria uma constitui\u00e7\u00e3o para a R\u00fassia. Os partidos de orienta\u00e7\u00e3o liberal burguesa (como o Partido Constitucional Democrata ou partido dos \u201ccadetes\u201d) deram-se por satisfeitos com as promessas do tsar. Entretanto, as classes subalternas foram isoladas, n\u00e3o sendo atendidas suas reivindica\u00e7\u00f5es de reforma democr\u00e1tica e popular.<\/p>\n<p>Terminada a guerra contra o Jap\u00e3o, o governo russo mobilizou suas tropas especiais (cossacos) para reprimir os principais focos de revolta dos oper\u00e1rios. Depois de satisfeita a burguesia liberal, era preciso calar as classes subalternas. Diversos l\u00edderes revolucion\u00e1rios foram presos, desmantelando-se o soviete de S\u00e3o Petersburgo. Assumindo o comando da situa\u00e7\u00e3o, Nicolau II deixou de lado as promessas liberais que tinha feito no Manifesto de Outubro. Apenas a Duma continuou funcionando, mas com poderes limitados e sob intimida\u00e7\u00e3o policial das for\u00e7as do governo. A Revolu\u00e7\u00e3o Russa de 1905, mais conhecida como \u201cDomingo Sangrento\u201d, tinha sido derrotada pelo tsar, mas serviu de li\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica para os l\u00edderes revolucion\u00e1rios russos. Segundo L\u00eanin, as greves de massa de 1905 foi um \u201censaio geral\u201d para a Revolu\u00e7\u00e3o Russa de 1917. (\u201cDomingo Sangrento\u201d foi um massacre que aconteceu em 9 de janeiro de 1905 na cidade de S\u00e3o Petersburgo, onde manifestantes pac\u00edficos marcharam at\u00e9 o Pal\u00e1cio de Inverno para pedir uma peti\u00e7\u00e3o ao tsar, mas foram baleados pela Guarda Imperial. Cerca de 1.5 mil pessoas foram mortas e cerca de 6 mil ficaram feridas).<\/p>\n<p>Entretanto, mesmo abatida pelos reflexos da derrota militar frente ao Jap\u00e3o em 1905, a R\u00fassia envolveu-se em outro grande conflito, a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), em que tamb\u00e9m sofreu pesadas derrotas nos combates contra os alem\u00e3es. A longa dura\u00e7\u00e3o da guerra mundial provocou uma crise de abastecimento alimentar nas cidades, desencadeando uma s\u00e9rie de greves e revoltas populares. Enfim, repetia-se numa propor\u00e7\u00e3o maior o que ocorrera h\u00e1 quase 10 anos. Incapaz de conter a onda de insatisfa\u00e7\u00f5es oper\u00e1ria, o regime tsarista mostrava-se intensamente debilitado. Em 15 de mar\u00e7o de 1917, o conjunto de for\u00e7as pol\u00edticas de oposi\u00e7\u00e3o (liberais, burgueses e socialistas), com o apoio dos movimentos de massa, depuseram o tsar Nicolau II, dando in\u00edcio \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Russa de 1917.<\/p>\n<p>A escalada da insatisfa\u00e7\u00e3o popular e oper\u00e1ria contra o tsarismo pode ser verificada pelas reuni\u00f5es e passeatas aconteceram em Petrogrado, por ocasi\u00e3o do Dia Internacional das Mulheres Trabalhadoras no dia 8 de mar\u00e7o de 1917 (ou 23 de fevereiro, segundo o calend\u00e1rio juliano vigente at\u00e9 ent\u00e3o). Nos dias que se seguiram, a agita\u00e7\u00e3o popular continuou a aumentar, recebendo ades\u00e3o das tropas encarregadas de manter a ordem p\u00fablica, que se recusavam a atacar os manifestantes. Dias depois, em 27 de fevereiro de 1917, uma massa de soldados e oper\u00e1rios com len\u00e7os vermelhos em suas roupas invadiu o Pal\u00e1cio Tauride, onde a Duma se reunia, formando dois comit\u00eas provis\u00f3rios em sal\u00f5es diferentes do pal\u00e1cio. Um, formado por deputados moderados da Duma, se tornaria o Governo Provis\u00f3rio. O outro era o soviete de Petrogrado, formado por oper\u00e1rios, soldados e militantes socialistas (bolcheviques, mencheviques e anarquistas).<\/p>\n<p>Temendo uma repeti\u00e7\u00e3o do \u201cDomingo Sangrento\u201d de 1905, o Gr\u00e3o-Duque Mikhail ordenou que as tropas leais baseadas no Pal\u00e1cio de Inverno n\u00e3o se opusessem \u00e0 insurrei\u00e7\u00e3o popular e se retirassem. No dia 2 de mar\u00e7o de 1917 (calend\u00e1rio juliano) cercado por amotinados, Nicolau II assinou sua abdica\u00e7\u00e3o. Meses depois, no dia 17 de julho de 1918, a fam\u00edlia imperial russa dos Romanov \u2013 composta por Nicolau II, sua esposa Czarina Alexandra e seus cinco filhos Olga, Tatiana, Maria, Anast\u00e1sia, e Alexei e todos aqueles que escolheram acompanh\u00e1-los no ex\u00edlio (notadamente Eugene Botkin, Anna Demidova, Alexei Trupp e Ivan Kharitonov) \u2013 foram executados em Ecaterimburgo por tropas bolcheviques.<\/p>\n<p><strong>1917-2017<\/strong><\/p>\n<p>No referido texto de 24 de novembro de 1917, Antonio Gramsci observou que os bolcheviques (ou \u201cmaximalistas\u201d, como ele os denominava) eram o \u201cfermento necess\u00e1rio\u201d para que os acontecimentos de 1917, \u201ca revolu\u00e7\u00e3o contra\u00a0<em>O capital<\/em>, de Marx\u201d, n\u00e3o se detivesse; para que \u201ca marcha em dire\u00e7\u00e3o ao futuro n\u00e3o terminasse\u201d. Enfim, para Gramsci, os bolcheviques seriam o que poder\u00edamos chamar aqui de\u00a0<em>fermento do futuro<\/em>\u00a0capaz de \u201celaborar as formas socialistas em que a revolu\u00e7\u00e3o dever\u00e1 enquadrar-se para continuar a desenvolver-se harmoniosamente, sem excesso de grandes choques, partindo das grandes conquistas j\u00e1 realizadas\u201d.<\/p>\n<p>A Revolu\u00e7\u00e3o de 1917 para o jovem Gramsci \u2013 que tinha 27 anos \u00e0 \u00e9poca \u2013 era a revolu\u00e7\u00e3o feita de\u00a0<em>ideologias<\/em>\u00a0que rebentaram os\u00a0<em>esquemas<\/em>\u00a0de que a hist\u00f3ria da R\u00fassia devia desenrolar-se segundo os c\u00e2nones do materialismo hist\u00f3rico. Os bolcheviques, disse o jovem Gramsci, \u201crenegam Karl Marx quando afirmam, com o testemunho da a\u00e7\u00e3o concreta, das conquistas alcan\u00e7adas, que os c\u00e2nones do materialismo hist\u00f3rico n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o f\u00e9rreos como se poderia pensar e se pensou\u201d. Entretanto, Gramsci afirma, logo a seguir que, embora os bolcheviques n\u00e3o tenham sido marxistas, n\u00e3o renegam o seu pensamento imanente, vivificador.<\/p>\n<p>Os bolcheviques n\u00e3o foram marxistas no sentido de que n\u00e3o retiraram das obras de Marx \u2013 como ainda insistem em fazer hoje muitos marxistas no Brasil com as obras de L\u00eanin ou Tr\u00f3stki \u2013 \u201cuma doutrina exterior feita de afirma\u00e7\u00f5es dogm\u00e1ticas e indiscut\u00edveis\u201d. Isto \u00e9, os bolcheviques \u201cvivem o pensamento marxista\u201d, a filosofia da pr\u00e1xis, diria ele d\u00e9cadas mais tarde. E d\u00e1-nos uma apresenta\u00e7\u00e3o da natureza do pensamento marxista como sendo um pensamento que coloca sempre como fator m\u00e1ximo da hist\u00f3ria, \u201co homem, a sociedade dos homens, dos homens que se aproximam uns dos outros, se entendem entre si, desenvolvem atrav\u00e9s destes contatos (civiliza\u00e7\u00e3o) uma vontade social, coletiva, e compreendem os fatos econ\u00f4micos, julgam-nos e ad\u00e9quam-nos \u00e0 sua vontade, at\u00e9 ela se transformar no motor da economia, na plasmadora da realidade objetiva, que vive, se move e adquire car\u00e1ter de mat\u00e9ria tel\u00farica em ebuli\u00e7\u00e3o que pode ser canalizada para onde a vontade quiser e como a vontade quiser\u201d. Enfim, o jovem Gramsci indicava, acima de tudo, que os verdadeiros\u00a0<em>plasmadores da futuridade<\/em>\u00a0nas condi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas de manifesta\u00e7\u00e3o da espontaneidade das classes subalternas inquietas, indignadas e insatisfeitas com a ordem burguesa em deteriora\u00e7\u00e3o (como ocorreu na R\u00fassia de 1917), devem (<em>sollen<\/em>) canalizar a \u201cmat\u00e9ria tel\u00farica em ebuli\u00e7\u00e3o [\u2026] para onde a vontade quiser e como a vontade quiser\u201d.<\/p>\n<p>Isso posto, imp\u00f5e-se uma quest\u00e3o atual: adquire hoje a realidade objetiva da sociedade brasileira do s\u00e9culo XXI no Brasil, o car\u00e1ter de \u201cmat\u00e9ria tel\u00farica em ebuli\u00e7\u00e3o\u201d tal como na R\u00fassia de 1917? A crise estrutural do capital nas condi\u00e7\u00f5es do capitalismo perif\u00e9rico como o Brasil do s\u00e9culo XXI libera energias emancipat\u00f3rias, com o \u201ccaos-povo\u201d, como diria Gramsci, tornando-se \u201ccada vez mais consciente da sua pr\u00f3pria for\u00e7a, da sua capacidade para assumir a responsabilidade social, para ser o \u00e1rbitro do seu pr\u00f3prio destino\u201d? Podemos dizer que apenas os marxistas delirantes poderiam imaginar isso.<\/p>\n<p>Indo a Rosa Luxemburgo poder\u00edamos dizer que falta no Brasil a transforma\u00e7\u00e3o completa no esp\u00edrito das massas degradadas por s\u00e9culos de domina\u00e7\u00e3o da classe burguesa de origem colonial-escravista. Na \u201cmis\u00e9ria brasileira, ao inv\u00e9s de instintos sociais, temos instintos ego\u00edstas que se reproduzem no corporativismo de fra\u00e7\u00e3o. Ao inv\u00e9s de iniciativa das massas temos a in\u00e9rcia, muitas vezes alimentada pela burocratiza\u00e7\u00e3o de sindicatos e partidos de esquerda eivados de positivismo e naturalismo. Enfim, falta-nos a tradi\u00e7\u00e3o comunitarista da velha R\u00fassia. O Brasil foi fundado no seio do fetichismo da mercadoria (pau-brasil). Nunca tivemos\u00a0<em>comunidades\u00a0<\/em>\u2013 talvez s\u00f3 aldeias ind\u00edgenas. O que desperta a vontade coletiva popular no Brasil, al\u00e9m do futebol e do carnaval? O que unifica o sofrimento do povo \u201ccapado e recapado\u201d, como diria Capistrano de Abreu? Os socialistas conhecem o povo\u2026? Pode a pr\u00e9dica socialista criar a vontade social do povo brasileiro? Enfim, refletir a Revolu\u00e7\u00e3o Russa de 1917 exige mais do que obstina\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria, mas a lucidez de identificar as contingencias hist\u00f3ricas \u2013 sociais, pol\u00edticas e culturais \u2013 da mis\u00e9ria brasileira e das trevas do s\u00e9culo XXI e sua barb\u00e1rie social.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"ikrhhs2YpW\"><p><a href=\"https:\/\/blogdaboitempo.com.br\/2017\/09\/04\/revolucao-russa-obstinacao-e-contingencia-historica\/\">Revolu\u00e7\u00e3o Russa: obstina\u00e7\u00e3o e conting\u00eancia hist\u00f3rica<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Revolu\u00e7\u00e3o Russa: obstina\u00e7\u00e3o e conting\u00eancia hist\u00f3rica&#8221; &#8212; Blog da Boitempo\" src=\"https:\/\/blogdaboitempo.com.br\/2017\/09\/04\/revolucao-russa-obstinacao-e-contingencia-historica\/embed\/#?secret=HzbQBoCsAQ#?secret=ikrhhs2YpW\" data-secret=\"ikrhhs2YpW\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Giovanni Alves &#8211;\u00a0Enquanto a I Revolu\u00e7\u00e3o Industrial criou as circunstancias hist\u00f3ricas para a eclos\u00e3o do movimento cartista e das revolu\u00e7\u00f5es europeias de 1848, a II Revolu\u00e7\u00e3o Industrial aprofundou nos &#8216;elos mais fracos&#8217; do sistema imperialista, como a R\u00fassia tsarista, contradi\u00e7\u00f5es sociais que, sob o impacto da I Guerra Mundial, levaram efetivamente \u00e0 insurg\u00eancia das massas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5268,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[4],"tags":[44],"class_list":["post-5267","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-teoria","tag-100-anos-rev-russa"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.8 - 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