{"id":5210,"date":"2017-09-10T09:27:53","date_gmt":"2017-09-10T12:27:53","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=5210"},"modified":"2017-09-07T14:31:16","modified_gmt":"2017-09-07T17:31:16","slug":"por-que-nos-importamos-com-simbolos-escravagistas-dos-eua-e-ignoramos-os-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2017\/09\/10\/por-que-nos-importamos-com-simbolos-escravagistas-dos-eua-e-ignoramos-os-do-brasil\/","title":{"rendered":"Por que nos importamos com s\u00edmbolos escravagistas dos EUA e ignoramos os do Brasil?"},"content":{"rendered":"<p><strong>REGIANE OLIVEIRA<\/strong> &#8211; O debate sobre a perman\u00eancia de monumentos em homenagem aos bandeirantes ainda passa ao largo do que se discute pelo mundo<\/p>\n<p>Foi em uma escola p\u00fablica convencional de S\u00e3o Paulo, h\u00e1 mais de 20 anos, que o\u00a0\u00edndio guaraniJurandir Augusto Martim descobriu como o\u00a0<em>jurua<\/em>\u00a0(homem branco, na l\u00edngua guarani mbya) contava a hist\u00f3ria dos bandeirantes. Os sertanistas que a partir do s\u00e9culo XVI exploravam o interior do pa\u00eds \u00e0 ca\u00e7a de ind\u00edgenas para\u00a0escraviza\u00e7\u00e3o, riquezas minerais e destrui\u00e7\u00e3o de\u00a0quilombos, eram apresentados como os nobres her\u00f3is nacionais, os desbravadores, respons\u00e1veis por levar a civiliza\u00e7\u00e3o aos rinc\u00f5es do Brasil e delimitar suas fronteiras. Ensinamentos muito diferentes daqueles que Martim aprendeu em casa por meio da tradi\u00e7\u00e3o oral ind\u00edgena.<\/p>\n<p>\u201cFiquei impressionado quando vi pela primeira vez a est\u00e1tua em homenagem ao\u00a0Borba Gato\u00a0[1649 \u2013 1718], em Santo Amaro, um homem respons\u00e1vel por mortes, estupros e inc\u00eandios em aldeias ind\u00edgenas\u201d, conta o hoje professor da Escola Estadual Ind\u00edgena Djekupe Amba Arandu, das aldeias\u00a0Teko\u00e1 Pyau e Teko\u00e1 Ytu, ponto de resist\u00eancia guarani na regi\u00e3o do Parque Estadual do Jaragu\u00e1. \u201cEssa \u00e9 a parte mais dif\u00edcil do ensino de hist\u00f3ria: explicar para crian\u00e7as por que homens que foram respons\u00e1veis por massacres e escravid\u00e3o de ind\u00edgenas ainda serem homenageados em todas as partes\u201d, afirma\u00a0 Martim.<\/p>\n<p>Quando se trata dos s\u00edmbolos brasileiros, a discuss\u00e3o sobre a perman\u00eancia de monumentos em homenagens a personagens pol\u00eamicos da hist\u00f3ria ainda passa ao largo das discuss\u00f5es internacionais. Nos Estados Unidos, os planos de removerem de uma pra\u00e7a a est\u00e1tua do general confederado Robert E. Lee, em Charlottesville (Virginia) \u2013 s\u00edmbolo dos Estados escravistas do sul na Guerra Civil Americana (1861-1865) \u2013 fez aprofundar feridas hist\u00f3ricas quando\u00a0grupos nazistas, supremacistas brancos e\u00a0<em>alt-right<\/em>(nova direita radical), munidos de tochas e armas, decidiram exigir o direito de ter o s\u00edmbolo do passado racista preservado.<\/p>\n<p>Pelos EUA, desde o\u00a0Governo Obama, v\u00e1rios Estados v\u00eam adotando a pol\u00edtica de retirar de \u00e1reas p\u00fablicas s\u00edmbolos confederados e racistas. Em maio, por exemplo, uma est\u00e1tua do general Lee perdeu seu lugar de honra como monumento em Nova Orleans. Na semana passada, a cidade de Hollywood, na Florida, decidiu renomear tr\u00eas ruas que honravam um l\u00edder da\u00a0Ku Klux Klan\u00a0e militares confederados em um bairro afro-americano.<\/p>\n<p>Na Fran\u00e7a, honrarias ao passado colonial ainda podem ser encontradas em Paris, onde a perman\u00eancia de uma est\u00e1tua de Jacques Fran\u00e7ois Dugommier (1738-1794), propriet\u00e1rio de escravos da ilha de Guadalupe e \u201cescravista fervoroso, jamais arrependido\u201d \u2013 segundo o historiador Marcel Dorigny, co-autor do\u00a0<em>Atlas de las esclavitudes, desde la Antig\u00fcedad a nuestros d\u00edas<\/em>\u00a0\u2013 gera controv\u00e9rsia entre os moradores. Na Espanha, por sua vez, desde 2007, a lei da mem\u00f3ria hist\u00f3rica determina a retirada de s\u00edmbolos e monumentos p\u00fablicos que tenham como objetivo exalta\u00e7\u00e3o de s\u00edmbolos militares, da\u00a0Guerra Civil, ou da repress\u00e3o da ditadura franquista.<\/p>\n<p>No Brasil, o debate sobre a perman\u00eancia ou n\u00e3o de monumentos em honra ao passado escravista ainda \u00e9 incipiente, por vezes, inexistente. \u201cEnquanto nos EUA a imprensa cobre os conflitos na Virginia como se fosse uma disputa entre a supremacia branca e os defensores dos direitos humanos, no Brasil, quando foram feitas interven\u00e7\u00f5es no Borba Gato e no Monumento \u00e0s Bandeiras, o assunto foi tratado como vandalismo. Ainda temos que avan\u00e7ar muito\u201d, afirma a historiadora Deborah Neves, que trabalha na Secretaria da Cultura do Estado de S\u00e3o Paulo, na unidade de preserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio hist\u00f3rico.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/09\/02\/politica\/1504310652_774711_1504370527_sumario_normal.jpg?resize=640%2C403&#038;ssl=1\" srcset=\"\/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/09\/02\/politica\/1504310652_774711_1504370527_sumario_normal_recorte1.jpg 1960w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/09\/02\/politica\/1504310652_774711_1504370527_sumario_normal_recorte2.jpg 720w, \/\/ep01.epimg.net\/brasil\/imagenes\/2017\/09\/02\/politica\/1504310652_774711_1504370527_sumario_normal.jpg 980w\" alt=\"Monumento em homenagem ao bandeirante Borba Gato, em S\u00e3o Paulo\" width=\"640\" height=\"403\" \/><em><span class=\"foto-texto\">Monumento em homenagem ao bandeirante Borba Gato, em S\u00e3o Paulo<\/span>\u00a0<span class=\"foto-firma\"><span class=\"foto-agencia\">ALESP<\/span><\/span><\/em><\/p>\n<p><strong>S\u00edmbolos do passado genocida x desbravadores da na\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A pergunta que ningu\u00e9m faz em todo o mundo \u00e9 se esses monumentos em\u00a0homenagem a personagens pol\u00eamicos da hist\u00f3ria\u00a0devem permanecer em local p\u00fablico e\/ou como eles devem ser representados nos dias de hoje. Inaugurada em 1963, em comemora\u00e7\u00e3o ao IV Centen\u00e1rio do Bairro Santo Amaro, em S\u00e3o Paulo, a est\u00e1tua de Borba Gato, do escultor J\u00falio Guerra, e seus 10 metros de altura revestidos de pedras coloridas, basalto, m\u00e1rmore e muita pol\u00eamica sobre sua qualidade est\u00e9tica, \u00e9 s\u00f3 um dos muitos s\u00edmbolos bandeirantes que sobreviveram ao tempo e \u00e0 cr\u00edtica no pa\u00eds.<\/p>\n<p>As aldeias do Jaragu\u00e1 fazem divisa com a\u00a0Rodovia dos Bandeirantes, inaugurada em 1978, em pleno governo militar, pelo ent\u00e3o presidente Ernesto Geisel, na mesma rota utilizada pelos bandeirantes para sair do litoral para o interior do pa\u00eds. Juntamente com a rodovia Anhanguera \u2013\u00a0<em>diabo velho<\/em>, em tupi guarani, apelido compartilhado por dois bandeirantes, pai e filho, ambos chamados Bartolomeu Bueno da Silva \u2013, forma o sistema Anhanguera-Bandeirantes, hoje administrado pela concession\u00e1ria Autoban, um dos corredores log\u00edsticos mais nobres do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Anhanguera, ali\u00e1s, tem sua vasta gama de homenagens, de uma est\u00e1tua do artista italiano Luigi Brizzolara, localizada em frente ao Museu de Arte de S\u00e3o Paulo (Masp), a v\u00e1rias pra\u00e7as, ruas, avenidas e at\u00e9 mesmo uma retransmissora afiliada da rede Globo em Goi\u00e1s e Tocantins. E o mesmo acontece com Fern\u00e3o Dias, Raposo Tavares, Br\u00e1s Leme, Cunha Gago, dentre outros, homenageados com est\u00e1tuas, ruas e avenidas. Em S\u00e3o Paulo, at\u00e9 mesmo a sede do Governo do Estado \u00e9 uma homenagem aos sertanistas: o\u00a0Pal\u00e1cio dos Bandeirantes.<\/p>\n<p>A exalta\u00e7\u00e3o do mito dos bandeirantes \u00e9 relativamente recente e est\u00e1 muito ligada com a constru\u00e7\u00e3o da identidade paulista. As homenagens come\u00e7aram j\u00e1 no s\u00e9culo XVIII quando o cronista\u00a0Frei Gaspar da Madre de Deus, um representante da elite seiscentista paulista, decidiu homenagear seus antepassados em suas obras.<\/p>\n<p>Mas foi nos anos 1930, quando a oligarquia paulista, durante a\u00a0Revolu\u00e7\u00e3o de 1932, precisava de argumentos para unir a popula\u00e7\u00e3o em torno de um sentimento comum, que os bandeirantes foram escolhidos como s\u00edmbolo desse ideal. Segundo a historiadora Katia Maria Abud, no artigo\u00a0<em>Paulista Uni-vos,<\/em>\u00a0no recrutamento dos cidad\u00e3os para pegar em armas era preciso omitir a divis\u00e3o de classes e os interesses de grupos em prol de uma causa maior, heroica. A m\u00e1xima do her\u00f3i bandeirante passou a ser usada como ide\u00e1rio paulista. E a hist\u00f3ria dos mais de 300.000 \u00edndios capturados e escravizados pelas bandeiras, bem como sua vida de mis\u00e9ria e doen\u00e7a, foram caindo no ostracismo.<\/p>\n<p>\u201cA simbologia dessas homenagens tem valor e mesmo que ela n\u00e3o seja t\u00e3o representativa como foi no passado, ainda fortalece a lembran\u00e7a. N\u00e3o faz sentido ter esses s\u00edmbolos. Eles deveriam ser derrubados\u201d, afirma Martim. Ele admite que este \u00e9 um desejo pessoal seu, j\u00e1 que esta bandeira n\u00e3o est\u00e1 na pauta das\u00a0lutas ind\u00edgenas. \u201cN\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o seja importante, \u00e9 que precisamos focar naquilo que nos impacta mais, a\u00a0demarca\u00e7\u00e3o de terras\u201d.<\/p>\n<p>A opini\u00e3o de Martim n\u00e3o \u00e9 unanimidade. \u201cN\u00e3o tenho uma opini\u00e3o formada sobre a perman\u00eancia desses monumentos. Ao mesmo tempo que acho que eles t\u00eam que ser contestados e at\u00e9 derrubados se for a vontade geral, acredito que \u00e9 poss\u00edvel ressignific\u00e1-los no espa\u00e7o urbano. Simplesmente apagar da hist\u00f3ria vai nos fazer esquecer dela\u201d, afirma D\u00e9borah Neves.<\/p>\n<p>Ela cita como exemplo a recente aprova\u00e7\u00e3o da mudan\u00e7a de nome do elevado Costa e Silva, mais conhecido como\u00a0Minhoc\u00e3o, em S\u00e3o Paulo, para Elevado Presidente Jo\u00e3o Goulart.\u00a0\u201cO Brasil, a partir da d\u00e9cada de 50, deixa de lado as homenagens em monumentos. As grandes obras de interven\u00e7\u00e3o urbana, como o\u00a0Minhoc\u00e3o, substituem as est\u00e1tuas como monumentos da ditadura\u201d, afirma Neves. \u201cTrocar o nome do elevado \u00e9 bastante significativo porque estamos desconstruindo uma hist\u00f3ria&#8221;. A historiadora defende que, em caso de decis\u00e3o de demoli\u00e7\u00e3o, exista ao menos um marco temporal que diga que tal monumento \u2013 seja ponte ou est\u00e1tua \u2013 existiu no local.<\/p>\n<p>\u201cInfelizmente, temos uma invisibilidade em rela\u00e7\u00e3o a simbologia desses monumentos. Poucas pessoas sabem que o\u00a0Monumento \u00e0s Bandeiras, mais conhecido como \u2018empurra-empurra\u2019 ou \u2018deixa que eu empurro\u2019, no Ibirapuera, \u00e9 uma obra de\u00a0Victor Brecheret\u201d, diz Deborah Neves. \u201cNossa rela\u00e7\u00e3o com os bandeirantes \u00e9 impessoal, de ignor\u00e2ncia, porque consideramos que a viol\u00eancia est\u00e1 restrita aos \u00edndios, com quem a maioria de n\u00f3s n\u00e3o tem mem\u00f3ria afetiva. H\u00e1 mais discuss\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos s\u00edmbolos da Ditadura ou do Estado Novo, cujas pessoas envolvidas ainda est\u00e3o por a\u00ed.&#8221;<\/p>\n<section id=\"sumario_1|despiece\" class=\"sumario_despiece centro\">\n<div class=\"sumario__interior\">\n<header class=\"sumario-encabezado\">\n<p class=\"sumario-titulo\"><strong><span class=\"sin_enlace\">PARA CONTESTAR \u00c9 PRECISO CONHECER PRIMEIRO<\/span><\/strong><\/p>\n<\/header>\n<div class=\"sumario-texto\">\n<p>Afinal, voc\u00ea aprendeu que os bandeirantes s\u00e3o bandidos ou her\u00f3is? Se voc\u00ea \u00e9 da chamada\u00a0Gera\u00e7\u00e3o Z\u00a0\u2013 aqueles nascidos em meados dos anos 1990 e anos 2000 \u2013 h\u00e1 uma boa chance de que sua escola tenha apresentado uma vis\u00e3o mais cr\u00edtica sobre os bandeirantes. As leis\u00a010.639\/03\u00a0e\u00a011.645\/08, que tornaram obrigat\u00f3rios o ensino da hist\u00f3ria africana, afro-brasileira e ind\u00edgena no pa\u00eds, levou a uma mudan\u00e7a no material did\u00e1tico. \u201cTrabalhamos hoje com a cr\u00edtica aos \u00eddolos e imagens, buscando entender as homenagens em monumentos, nomes de ruas e avenidas como produtos das rela\u00e7\u00f5es de poder e das tentativas de legitima\u00e7\u00e3o de um estrato social sobre os outros\u201d, afirma o professor de hist\u00f3ria Danilo Oliveira.<\/p>\n<p>A professora e historiadora Raquel Foresti alerta, no entanto, que ainda n\u00e3o est\u00e3o dispon\u00edveis livros que mostrem a vis\u00e3o ind\u00edgena das bandeiras. \u201cA contesta\u00e7\u00e3o do mito do her\u00f3i que temos nos materiais did\u00e1ticos ainda \u00e9 branca e acad\u00eamica\u201d, afirma. Para ela, os monumentos teriam um papel importante na educa\u00e7\u00e3o dos alunos, mas infelizmente,\u00a0S\u00e3o Paulo\u00a0n\u00e3o cumpre seu papel de cidade educadora. Foresti sonha em poder levar seus alunos para discutir as bandeiras junto ao monumento de Victor Brecheret, no Ibirapuera, mas faltam recursos e espa\u00e7o. \u201cImagine parar um \u00f4nibus com estudantes naquela regi\u00e3o? Seria considerado um transtorno.\u201d<\/p>\n<p>O professor e ge\u00f3grafo Paulo Roberto Moraes, concorda com o papel educador dos monumentos. \u201cNosso problema hoje n\u00e3o s\u00e3o as est\u00e1tuas, mas sim o fato de as pessoas n\u00e3o saberem do que se trata. At\u00e9 para contestar, \u00e9 preciso conhecer primeiro.\u201d<\/p>\n<p>https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/09\/02\/politica\/1504310652_774711.html?id_externo_rsoc=whatsapp<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>REGIANE OLIVEIRA &#8211; O debate sobre a perman\u00eancia de monumentos em homenagem aos bandeirantes ainda passa ao largo do que se discute pelo mundo Foi em uma escola p\u00fablica convencional de S\u00e3o Paulo, h\u00e1 mais de 20 anos, que o\u00a0\u00edndio guaraniJurandir Augusto Martim descobriu como o\u00a0jurua\u00a0(homem branco, na l\u00edngua guarani mbya) contava a hist\u00f3ria dos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5211,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[8],"tags":[28,19],"class_list":["post-5210","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sociedade","tag-direita","tag-racismo"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.8 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Por que nos importamos com s\u00edmbolos escravagistas dos EUA e ignoramos os do Brasil? 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