{"id":5123,"date":"2017-09-02T09:25:45","date_gmt":"2017-09-02T12:25:45","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=5123"},"modified":"2017-08-31T18:30:41","modified_gmt":"2017-08-31T21:30:41","slug":"estamos-frente-a-um-sistema-de-agiotagem-que-paralisou-o-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2017\/09\/02\/estamos-frente-a-um-sistema-de-agiotagem-que-paralisou-o-pais\/","title":{"rendered":"&#8216;Estamos frente a um sistema de agiotagem que paralisou o pa\u00eds&#8217;"},"content":{"rendered":"<p>Glauco Faria &#8211; O economista Ladislau Dowbor, que est\u00e1 lan\u00e7ando o livro &#8220;A Era do Capital Improdutivo&#8221;, fala sobre como os mecanismos financeiros capturaram o poder pol\u00edtico em todo o mundo, inclusive no Brasil<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;As corpora\u00e7\u00f5es manejam grande poder sem nenhum contrapeso significativo&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p>&#8220;N\u00e3o h\u00e1 nenhuma raz\u00e3o objetiva para os dramas sociais que vive o mundo. Se arredondarmos o PIB mundial para US$ 80 trilh\u00f5es, chegamos a um produto per capita m\u00e9dio de US$ 11 mil. Isto representa US$ 3.600 por m\u00eas por fam\u00edlia de quatro pessoas, cerca de R$ 11 mil reais por m\u00eas. \u00c9 o caso tamb\u00e9m no Brasil, que est\u00e1 exatamente na m\u00e9dia mundial em termos de renda. N\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o objetiva para a gigantesca mis\u00e9ria em que vivem bilh\u00f5es de pessoas, a n\u00e3o ser justamente o fato de que &#8216;nenhum quadro de refer\u00eancia emergiu para guiar as pol\u00edticas e as pr\u00e1ticas&#8217;: o sistema est\u00e1 desgovernado, ou melhor, mal governado e n\u00e3o h\u00e1 perspectivas no horizonte.&#8221;<\/p>\n<p class=\"pargraforegular\">O trecho acima \u00e9 uma das passagens do livro\u00a0<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/brasil\/a-era-do-capital-improdutivo-e-como-supera-la\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><i>A Era do Capital Improdutivo<\/i><\/a><strong>\u00a0<\/strong>(Outras Palavras &amp; Autonomia Liter\u00e1ria), do economista Ladislau Dowbor, professor titular de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo (PUC-SP). Na obra, ele mostra que o ponto fundamental que define o cen\u00e1rio econ\u00f4mico e social da maior parte do mundo n\u00e3o \u00e9 propriamente a falta de recursos financeiros, mas sim sua apropria\u00e7\u00e3o por corpora\u00e7\u00f5es que utilizam esses recursos para especular em vez de investir de forma produtiva. Uma esteriliza\u00e7\u00e3o que aprofunda as desigualdades e desenha um horizonte sombrio para o futuro do planeta.<\/p>\n<p class=\"pargraforegular\">Dowbor analisa uma estrutura em rede nada trivial, na qual as corpora\u00e7\u00f5es transnacionais dominam a (n\u00e3o) competi\u00e7\u00e3o de mercado e p\u00f5e o tempo todo em risco a estabilidade econ\u00f4mica, \u00e0 merc\u00ea de seus interesses. Isso apoiado n\u00e3o em teorias da conspira\u00e7\u00e3o, mas em dados e pesquisas de institui\u00e7\u00f5es que mostram uma gigantesca estrutura na qual grande parte do controle flui para um n\u00facleo diminuto e fortemente articulado de institui\u00e7\u00f5es financeiras, uma verdadeira &#8220;superentidade&#8221;.<\/p>\n<p class=\"pargraforegular\">&#8220;Ao vermos como nos principais setores as atividades se concentraram no topo da pir\u00e2mide, com poucas empresas extremamente poderosas, come\u00e7amos a entender que se trata sim de poder no sentido amplo. Agindo no espa\u00e7o planet\u00e1rio, na aus\u00eancia de governo\/governan\u00e7a mundial, frente \u00e0 fragilidade do sistema pol\u00edtico multilateral, as corpora\u00e7\u00f5es manejam grande poder sem nenhum contrapeso significativo&#8221;, diz Dowbor no livro. \u201cCom efeito, menos de 1% das empresas consegue controlar 40% de toda a rede.\u201d Trata-se de institui\u00e7\u00f5es financeiras como Barclays Bank, JPMorgan Chase&amp;Co e Goldman Sachs.<\/p>\n<p class=\"pargraforegular\">\u00c9 esse exerc\u00edcio constante da captura do poder \u2013 seja ele pol\u00edtico, jur\u00eddico ou midi\u00e1tico \u2013 que faz com que as grandes corpora\u00e7\u00f5es continuem lucrando \u00e0s custas de aplica\u00e7\u00f5es que n\u00e3o servem ao conjunto da sociedade. E que desestabiliza economias e governos como, segundo Dowbor, aconteceu com o Brasil.<\/p>\n<p><b>Em seu livro, o senhor fala do poder extremamente concentrado dos grandes grupos corporativos, com uma gigantesca concentra\u00e7\u00e3o da riqueza no planeta e que opera por meio de mecanismos financeiros, o que resultou tamb\u00e9m na captura do poder pol\u00edtico por esse reduzido grupo. Como chegamos a esse sistema de apropria\u00e7\u00e3o por uma minoria t\u00e3o reduzida sem as pessoas se darem conta disso?<\/b><\/p>\n<p>As pessoas n\u00e3o entendem mecanismos financeiros. Quando voc\u00ea compara em uma loja um produto com outro, quando te oferecem uma presta\u00e7\u00e3o de R$ 69,99 e outra de R$ 79 ao m\u00eas, em geral n\u00e3o se v\u00ea muita diferen\u00e7a. O c\u00e1lculo atuarial n\u00e3o faz parte da nossa cultura e, no sistema de educa\u00e7\u00e3o brasileiro, nunca se teve uma aula sobre a moeda, que \u00e9 o principal estruturador da sociedade. Ent\u00e3o, h\u00e1 um desconhecimento profundo dos mecanismos financeiros.<\/p>\n<p>Fazer aplica\u00e7\u00f5es financeiras \u2013 comprar pap\u00e9is, n\u00e3o se produzindo nada\u00a0\u2013 rende em m\u00e9dia, no mundo, 7% ao ano. Sem esfor\u00e7o nenhum, apenas pagando uma pequena comiss\u00e3o a uma entidade de intermedia\u00e7\u00e3o, corretores financeiros, coisas do g\u00eanero. O progresso da produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 de 7% ao ano, s\u00f3 a China tem esse \u00edndice, mas, no mundo, esse ritmo gira em torno de 2% a 2,5% ao ano. Ou seja, produzir rende muito menos do que as aplica\u00e7\u00f5es financeiras.<\/p>\n<p>Quem faz aplica\u00e7\u00f5es financeiras s\u00e3o os ricos. As pessoas sequer sabem o que \u00e9 ganhar 7% ao ano sobre capital parado. Se voc\u00ea tem um bilh\u00e3o de d\u00f3lares e aplica a uma modesta taxa de rendimento de 5% ao ano, ganha 137 mil d\u00f3lares ao dia. Quando o bilion\u00e1rio ganha 137 mil d\u00f3lares por dia, isso entra na conta dele diariamente, e esse dinheiro se incorpora aos 5% que est\u00e3o rendendo. Vira uma bola de neve e voc\u00ea passa ter uma massa de capitais improdutivos, imensa, que \u00e9 drenada dos processos produtivos pela raz\u00e3o de que esse tipo de dinheiro vai atr\u00e1s de onde pode render mais. N\u00e3o s\u00f3 rende mais na aplica\u00e7\u00e3o financeira, como rende mais sem precisar de esfor\u00e7o, obviamente isso acaba descapitalizando o setor produtivo.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, tem-se o aumento da desigualdade, porque o 1% ou um d\u00e9cimo de 1% enriquece de maneira fenomenal, mas esse dinheiro n\u00e3o se reverte em investimento em bens e servi\u00e7os. Tem-se ao mesmo tempo o aumento de desigualdade e uma relativa estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Nesse sentido, \u00e9 um capital improdutivo que est\u00e1 no t\u00edtulo do livro.<\/p>\n<p><b>\u00c9 um capitalismo, pelo menos para as grandes corpora\u00e7\u00f5es que dominam esses mecanismos financeiros, sem risco.<\/b><\/p>\n<p>Eles podem ter risco, mas o capital tem risco quando a pessoa investe, faz um projeto de constru\u00e7\u00e3o de casas, por exemplo, investe efetivamente em produ\u00e7\u00e3o. Quando tratamos dos capitais improdutivos, n\u00e3o falamos em investimentos, mas sim de aplica\u00e7\u00f5es financeiras.<\/p>\n<p>O risco que existe, e forte, \u00e9 sist\u00eamico, como aconteceu em 1929 e em 2008, e, provavelmente, vai se repetir adiante. Porque, de tanto extrair capital do setor produtivo e atrai-lo para processos especulativos, pode haver um colapso dos papeis por insufici\u00eancia de base correspondente produtiva.<\/p>\n<p><b>A crise de 2008, por ter sido causada pela especula\u00e7\u00e3o financeira, n\u00e3o foi uma oportunidade de se refletir sobre o capitalismo financeiro? Perdemos essa oportunidade?<\/b><\/p>\n<p>Est\u00e1 surgindo nos \u00faltimos meses de 2017 um conjunto de estudos a respeito de como se perdeu a oportunidade. A crise poderia ter gerado uma volta a uma certa regula\u00e7\u00e3o ao ordenamento do sistema financeiro. O que aconteceu \u00e9 que, de um lado, essa bolha financeira gerada pelos grandes bancos teve seu buraco compensado com dinheiro p\u00fablico \u2013 cerca de 4 trilh\u00f5es de d\u00f3lares nos Estados Unidos e outros tantos na Europa \u2013 que normalmente seria destinado a investimentos em infraestrutura, pol\u00edticas sociais, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e outras do g\u00eanero, mas foi desviado para bancos. Esse cen\u00e1rio possibilitou a cria\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica de austeridade, que promove um empobrecimento da popula\u00e7\u00e3o em proveito dos bancos.<\/p>\n<p>Nesse movimento se geraram tens\u00f5es pol\u00edticas, mas apenas embri\u00f5es de uma poss\u00edvel volta a uma pol\u00edtica de regula\u00e7\u00e3o. Nos Estados Unidos, se negociou a lei\u00a0<a class=\"external-link\" title=\"\" href=\"https:\/\/www.nexojornal.com.br\/expresso\/2017\/02\/20\/O-que-%C3%A9-a-lei-Dodd-Frank.-E-o-que-Trump-quer-fazer-com-ela\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Dodd-Frank<\/a>, que substitui a lei que assegurou a estabilidade financeira durante 30 anos no p\u00f3s-guerra, a\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Lei_Glass%E2%80%93Steagall\">Glass Steagall<\/a>. Logo no in\u00edcio da crise em 2008, se avan\u00e7ou com essa regulamenta\u00e7\u00e3o, e assim que os bancos voltaram a ter os bolsos cheios e a situa\u00e7\u00e3o se tranquilizou, com as popula\u00e7\u00f5es aceitando a tal da austeridade, come\u00e7aram a liquidar a lei Dodd-Frank e se voltou ao sistema de caos financeiro de hoje. Saiu essa semana um estudo sobre fraudes financeiras dos grandes bancos, como as praticadas pelo Bank of America. As multas que eles t\u00eam que pagar por fraudes e atos do g\u00eanero chegam a 340 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. Esse \u00e9 o n\u00edvel da fraude. Est\u00e3o se sentindo \u00e0 vontade de novo, eles mesmo dizem: \u201chappy days are back\u201d.<\/p>\n<p>A Europa tentou um movimento de regula\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o avan\u00e7ou, s\u00f3 um pouco na Inglaterra. Quanto ao Brasil, o pa\u00eds j\u00e1 tinha liquidado a regula\u00e7\u00e3o financeira que estava no artigo 192 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 e limitava os juros e os processos especulativos. Esse artigo foi liquidado por meio de uma PEC em 1999 e uma emenda constitucional em 2003. N\u00e3o se aproveitou a oportunidade de por ordem no sistema.<\/p>\n<p><b>Esse dado sobre as fraudes e as multas mostram que o crime compensa, j\u00e1 que os ganhos continuam superiores \u00e0s multas&#8230;<\/b><\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00f3 compensa como gera um poder suficientemente grande para que esses processos se tornem legais. Por exemplo, de toda essa gente que criou esse caos a partir de 2008, ningu\u00e9m foi preso. Eles s\u00e3o fortes o bastante para criar um sistema jur\u00eddico paralelo, com acordos pelos quais as empresas pagam uma multa para a qual j\u00e1 fizeram provis\u00e3o. Sabem que est\u00e3o fazendo errado, pagam, mas n\u00e3o obrigados a reconhecer culpa. Ningu\u00e9m \u00e9 preso. Pagam a multa e continuam no mesmo processo. No n\u00edvel mundial, temos o Bank of America, o Deutsche Bank, o Barclays, Morgan, todos os grandes bancos est\u00e3o nesse processo. Eles t\u00eam for\u00e7a para dobrar a legalidade.<\/p>\n<p>O segundo eixo disso \u00e9 que n\u00f3s temos cerca de 60 para\u00edsos fiscais no planeta, e esses mesmos bancos t\u00eam um mecanismo de transfer\u00eancia internacional, j\u00e1 que hoje n\u00e3o se carrega mais notas, s\u00f3 sinais magn\u00e9ticos. Ent\u00e3o, quando voc\u00ea pega mais de 200 mil empresas no Panam\u00e1&#8230; Como \u00e9 que cabe? Voc\u00ea tem ilhas com mais empresas do que habitantes.<\/p>\n<p>Grande parte desses recursos migram para os para\u00edsos fiscais, hoje, em ordem de grandeza, s\u00e3o em torno de 21 a 31 trilh\u00f5es de d\u00f3lares, dados de 2012, quando o PIB mundial era de 73 trilh\u00f5es. O resultado \u00e9 que esses capitais que resultam das poupan\u00e7as n\u00e3o s\u00e3o reinvestidos para desenvolver o pa\u00eds, tampouco pagam impostos porque v\u00e3o para para\u00edsos fiscais. E o dinheiro nem fica nos para\u00edsos fiscais, continua nas m\u00e3os do Bank of America, do Barclays etc e segue rendendo para os diversos bancos. \u00c9 um sistema disfuncional.<\/p>\n<p><b>Nesse caso, de acordo com sua an\u00e1lise expressa no livro, \u00e9 preciso estabelecer uma governan\u00e7a global, j\u00e1 que cada pa\u00eds tem sua pol\u00edtica e \u00e9 necess\u00e1rio controlar esse fluxo que hoje est\u00e1 sob dom\u00ednio das corpora\u00e7\u00f5es.<\/b><\/p>\n<p>Atualmente, os mecanismos financeiros s\u00e3o variados, desde os chamados derivativos, que tamb\u00e9m s\u00e3o chamados de\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Transfer_Price\">transfer pricing<\/a>, at\u00e9 o\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Negocia%C3%A7%C3%B5es_de_alta_frequ%C3%AAncia\">high frequency trading<\/a>&#8230; H\u00e1 um gloss\u00e1rio de termos dos diversos mecanismos utilizados.<\/p>\n<p>Gosto de citar o exemplo da Shell na Nig\u00e9ria porque \u00e9 muito simples e faz as pessoas entenderem. O petr\u00f3leo extra\u00eddo l\u00e1 pertence ao pa\u00eds e o acordo que a Shell tem \u00e9 pagar um imposto sobre seus lucros. A companhia vende o petr\u00f3leo extra\u00eddo para uma empresa laranja nas Ilhas Virgens Brit\u00e2nicas, a um pre\u00e7o muito barato, e o lucro \u00e9 muito pequeno com a transa\u00e7\u00e3o. Em vista disso, n\u00e3o paga muito imposto na Nig\u00e9ria. Essa empresa laranja revende a pre\u00e7o cheio no mercado internacional, tem um lucro fenomenal, e est\u00e1 numa ilha em que n\u00e3o se pagam impostos.<\/p>\n<p>O fato de se desviarem os recursos financeiros da produ\u00e7\u00e3o \u00e9 um desastre econ\u00f4mico. Permitir que uma imensa parte da popula\u00e7\u00e3o, apesar das novas tecnologias e do grande esfor\u00e7o de trabalho, continue pobre enquanto uma parcela m\u00ednima tem esse enriquecimento, \u00e9 um problema de justi\u00e7a social, um problema \u00e9tico. Mas quando as pessoas est\u00e3o vendo que n\u00e3o h\u00e1 retorno para elas, come\u00e7a a gerar um caos pol\u00edtico, n\u00e3o temos mais no mundo pobres que apenas dizem \u201csim, senhor\u201d e tudo bem. Por mais que se construam muros entre os EUA e o M\u00e9xico, entre palestinos e israelenses, ou se coloquem mais bases militares no Mediterr\u00e2neo, o equil\u00edbrio pol\u00edtico entre as regi\u00f5es pobres do mundo e as ricas, e mesmo dentro desses pa\u00edses, n\u00e3o vai ser restabelecido.<\/p>\n<p>Os dois ter\u00e7os dos norte-americanos que nos \u00faltimos 40 anos t\u00eam somente umas dezenas de d\u00f3lares a mais na sua renda n\u00e3o acreditam mais no sistema pol\u00edtico, por isso votam no Trump, como votariam em outro. Na Fran\u00e7a, nem os socialistas nem os republicanos, que dividiam o poder desde sempre, chegou ao segundo turno. Os ingleses votarem de maneira idiota e irrefletida a favor do Brexit, a Pol\u00f4nia voltar a um regime fundamentalista e religioso, o caos em todo Oriente M\u00e9dio&#8230; \u00c9 s\u00f3 olhar o mundo. Sem falar do Brasil, Venezuela, Argentina&#8230;<\/p>\n<p>Se voc\u00ea rompe a l\u00f3gica do ciclo econ\u00f4mico, rompe o sentimento de justi\u00e7a social, de ser remunerado quem merece. \u00c9 uma ruptura sist\u00eamica. O dinheiro navega no planeta enquanto os governos est\u00e3o se fragmentando em 200 pontos de decis\u00e3o diferentes, n\u00e3o h\u00e1 sistema que funcione dessa maneira.<\/p>\n<p><b>Mas esse caos que fragiliza a democracia tamb\u00e9m n\u00e3o d\u00e1 chances para que o poder das corpora\u00e7\u00f5es possa aumentar ainda mais?<\/b><\/p>\n<p>N\u00e3o tenho d\u00favida. E elas est\u00e3o se organizando. Veja como financiam as elei\u00e7\u00f5es, universidades, think tanks, est\u00e3o comprando at\u00e9 as revistas acad\u00eamicas. Est\u00e3o construindo a sua legitimidade, pois est\u00e3o articuladas a n\u00edvel mundial, e os governos n\u00e3o. Inclusive o sistema multinacional, representado pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas, est\u00e1 sendo capturado rapidamente pelas pr\u00f3prias corpora\u00e7\u00f5es financeiras.<\/p>\n<p><b>O senhor falou dessa estrat\u00e9gia de captura e existe um dado no livro sobre a for\u00e7a dos lobbies, citando o exemplo da Google, contando hoje com oito empresas de lobby contratadas apenas na Europa, al\u00e9m de financiamento direto de parlamentares e de membros da Comiss\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia.<\/b><\/p>\n<p>As somas s\u00e3o gigantescas. A Google se d\u00e1 ao luxo de contratar senadores americanos para viajar a Bruxelas e pressionar homens p\u00fablicos europeus. H\u00e1 uma estrutura\u00e7\u00e3o de poder global que, por sua vez, \u00e9 dominado essencialmente por mecanismos financeiros.<\/p>\n<p><b>No EUA, o lobby \u00e9 legalizado. Aqui, n\u00e3o \u00e9 e acabou o financiamento empresarial \u2013 embora seja prov\u00e1vel que continue existindo o caixa 2 e outras formas de burlar essa proibi\u00e7\u00e3o. Nesse processo com impeditivos do ponto de vista formal, a import\u00e2ncia da m\u00eddia tradicional aumenta ainda mais nesse jogo da captura da pol\u00edtica por esse poder financeiro-econ\u00f4mico?<\/b><\/p>\n<p>Aqui a captura do poder se deu de maneira extremamente ampla. Temos a presen\u00e7a das multinacionais, n\u00e3o sei se voc\u00ea reparou, mas todas as multinacionais instaladas no Brasil financiam pol\u00edticos da mesma maneira que a Odebrecht e outras empresas nacionais, mas n\u00e3o h\u00e1 uma s\u00f3 multinacional mencionada estrangeira nesse processo.<\/p>\n<p>Os americanos est\u00e3o intervindo pesadamente porque t\u00eam interesse em desestabilizar o processo que estava em curso na Am\u00e9rica Latina, mas, al\u00e9m da apropria\u00e7\u00e3o da m\u00eddia, h\u00e1 uma tradicional penetra\u00e7\u00e3o dos poderes econ\u00f4micos no Judici\u00e1rio. Curiosamente, o conjunto das medidas tomadas agora, que s\u00e3o uma regress\u00e3o para o Brasil, s\u00e3o ditadas por um presidente com 5% de apoio e um Congresso eleito por um sistema ilegal, financiado por corpora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Visto por outro \u00e2ngulo, com o presidente Lula e em determinado momento com a presidenta Dilma, um grupo tem a presid\u00eancia e diz-se que est\u00e1 no poder, mas ele tem que entregar uma s\u00e9rie de minist\u00e9rios porque n\u00e3o tem maioria no parlamento. Tem apenas parte do Executivo, n\u00e3o tem o Judici\u00e1rio, o parlamento, nem a m\u00eddia.<\/p>\n<p>Quem criou essa crise \u00e9 quem est\u00e1 no poder. Essas outras for\u00e7as tiveram a capacidade de estrangular o que o Banco Mundial chamou de \u201cD\u00e9cada de Ouro\u201d, quando o Brasil teve resultados fant\u00e1sticos.<\/p>\n<p><b>No livro o senhor fala dos quatro motores da economia brasileira: as exporta\u00e7\u00f5es, a demanda das fam\u00edlias, as iniciativas empresariais e as pol\u00edticas p\u00fablicas. Como o poder financeiro afetou esses motores e acabou travando a economia?<\/b><\/p>\n<p>\u00c9 importante entender que a gente sabe fazer funcionar a economia. Na Europa do p\u00f3s-guerra houve a eleva\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios, fortes investimentos em pol\u00edticas sociais e infraestrutura, forte presen\u00e7a reguladora do Estado. A grande demanda por parte da popula\u00e7\u00e3o gerava mercado para a produ\u00e7\u00e3o crescente. E era uma pol\u00edtica financiada em grande parte pelo Estado, mas como existia um aumento da demanda, havia como consequ\u00eancia um aumento de produ\u00e7\u00e3o e os impostos indiretos tanto sobre o consumo quanto sobre as empresas, e os diretos sobre a renda, passaram a alimentar o caixa estatal para que se continuasse a financiar a dinamiza\u00e7\u00e3o da economia. Esse \u00e9 o caminho. Isso funcionou na crise de 1929 nos EUA, com o\u00a0<i>New Deal<\/i>, funcionava na Europa, com o\u00a0<i>Welfare State<\/i>, que depois se chamou de social democracia, e tamb\u00e9m na China, cuja economia tem a import\u00e2ncia dos produtos importados, mas \u00e9 essencialmente o mercado interno que domina. Funcionou na Coreia e, agora, em Portugal, que ao inv\u00e9s de austeridade, que na pr\u00e1tica \u00e9 tirar dinheiro dos pobres para dar aos ricos, dinamiza a base de consumo da popula\u00e7\u00e3o, o principal motor da economia.<\/p>\n<p>N\u00f3s temos hoje um dado mostrando que temos 61 milh\u00f5es de adultos inadimplentes no Brasil, ou seja, gente que n\u00e3o consegue nem pagar sua pr\u00f3pria d\u00edvida, quem dir\u00e1 consumir. Quando se travou o consumo, travou-se tamb\u00e9m a produ\u00e7\u00e3o das empresas. Se vangloriam que abaixaram a infla\u00e7\u00e3o, mas na verdade quebraram a economia. Travou-se a produ\u00e7\u00e3o e assim se gera desemprego, o que reduz mais ainda a capacidade de consumo. O pa\u00eds entrou num processo descendente.<br \/>\nCom as empresas produzindo menos e as pessoas consumindo menos, o governo arrecada menos com impostos. Ent\u00e3o, o governo que chegou ao poder em nome de restabelecer o equil\u00edbrio fiscal est\u00e1 aprofundando o contr\u00e1rio. Corta investimentos sociais e em infraestrutura, mas, como paralisou a economia, isso faz entrar menos dinheiro ainda. Reduziu os gastos, mas reduziu ainda mais as entradas. Isso \u00e9 um crime contra a teoria econ\u00f4mica.<\/p>\n<p><b>Uma das principais cr\u00edticas no segundo mandato de Dilma se baseava no crescimento da rela\u00e7\u00e3o entre d\u00edvida p\u00fablica e PIB, quase um fetiche entre economistas com vi\u00e9s liberal. Essa rela\u00e7\u00e3o caiu no governo Lula e, na crise econ\u00f4mica, voltou a subir. Mas entre o come\u00e7o do primeiro e o in\u00edcio do segundo governo FHC, essa rela\u00e7\u00e3o dobrou&#8230;<\/b><\/p>\n<p>O estoque de d\u00edvida do Jap\u00e3o \u00e9 de 250% do PIB. Isso n\u00e3o tira peda\u00e7o, o Jap\u00e3o est\u00e1 indo bem. Nos Estados Unidos, \u00e9 mais de 100%. O problema n\u00e3o \u00e9 esse estoque \u2013 que \u00e9 dinheiro das pessoas que t\u00eam dinheiro e n\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o em geral, dos bancos que t\u00eam o nosso dinheiro. Compram t\u00edtulos da d\u00edvida p\u00fablica, tudo bem, s\u00f3 que no Brasil, quando foi criado, em julho de 1996, o sistema de taxas elevadas de juros sobre a d\u00edvida p\u00fablica, permitiu-se aos bancos se financiarem aplicando em t\u00edtulos em vez de buscarem fomentar a economia. Naquela \u00e9poca o \u00edndice estava em um patamar de 25% para uma infla\u00e7\u00e3o j\u00e1 baixa. Enquanto nos EUA \u00e9 0,5%, na Europa \u00e9 0,75%, e no Jap\u00e3o \u00e9 zero. Esse \u00e9 o problema, quando o banco pega o meu dinheiro, minha poupan\u00e7a, paga uma merreca e aplica em t\u00edtulos do governo.<\/p>\n<p>O Lula pegou a Selic com 24,5%, baixou para 14%, e a Dilma baixou isso para 7,25%. Ao mesmo tempo, ofereceu \u00e0s fam\u00edlias enforcadas em juros, empresas e pessoas f\u00edsicas, taxas mais baixas nos bancos oficiais, Banco do Brasil e Caixa Econ\u00f4mica Federal, o que aliviou essa popula\u00e7\u00e3o mas tirou a principal forma de ganho de todas as elites e da classe m\u00e9dia alta. A partir de meados de 2013, n\u00e3o se tem mais governo, mas uma guerra. A\u00ed a l\u00f3gica \u00e9 pol\u00edtica, n\u00e3o \u00e9 econ\u00f4mica. Foi assim que pioraram todos os indicadores.<\/p>\n<p><b>Naquele momento, o rentismo acabou com a concilia\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/b><\/p>\n<p>Perfeito. Acabou o que era representado pela Carta aos Brasileiros, de junho de 2002, em que o Lula disse que respeitaria os contratos. O \u201cesquem\u00e3o\u201d que o presidente Fernando Henrique Cardoso montou era muito simples: voc\u00ea corta a infla\u00e7\u00e3o, faz o acordo com os bancos \u2013 que precisavam desse acordo porque, com a economia globalizada, n\u00e3o se consegue entrar com uma moeda que muda de tamanho todo dia \u2013 que perderam uma gigantesca fonte de renda \u00e0 \u00e9poca, a infla\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea perdia seu dinheiro todo dia, mas o banco sempre recuperava. O que eles perderam com infla\u00e7\u00e3o, Fernando Henrique entregou de volta em forma de taxa Selic. Eles podiam ganhar 25% pagos por meio de dinheiro p\u00fablico.<br \/>\nCriou-se um sistema de \u201cdesvio dos impostos\u201d, que por lei deveriam servir para investimentos p\u00fablicos e para pol\u00edticas sociais, mas passaram a ser desviados para os bancos. Por isso Fernando Henrique foi aumentando a carga de impostos, que era a forma de captar mais dinheiro para transferir. E aumentou em particular os impostos indiretos, que hoje s\u00e3o 56% de toda a carga tribut\u00e1ria, que prejudica os mais pobres.<\/p>\n<p><b>Naquele momento foi gestado um modelo para preservar os ganhos das institui\u00e7\u00f5es financeiras.<\/b><\/p>\n<p>Exatamente. Lula, em junho de 2002, fez a Carta aos Brasileiros dizendo que manteria os contratos, mas chegou um momento em que a popula\u00e7\u00e3o brasileira ficaria estrangulada. Como n\u00e3o havia mais o artigo 192 da Constitui\u00e7\u00e3o, o governo n\u00e3o tinha poder de interfer\u00eancia sobre a taxa de juros de pessoas f\u00edsicas e jur\u00eddicas, s\u00f3 sobre a Selic. Hoje, existe uma taxa do rotativo do cart\u00e3o de 480%. Uma piada. Economista que me visita n\u00e3o acredita. N\u00f3s estamos frente a um sistema de agiotagem que paralisou o pa\u00eds.<\/p>\n<p><b>O senhor fala dessa quest\u00e3o do endividamento dos Estados nacionais no livro, e de como as institui\u00e7\u00f5es conseguem acabar capturando esses governos por conta disso. Como se d\u00e1 esse processo?<\/b><\/p>\n<p>No livro, cito o Wolfgang Streeck que diz: antes, o governo tinha que responder \u00e0 cidadania; agora, ele responde aos intermedi\u00e1rios financeiros. Antes se calculava quantos votos t\u00eam, hoje se calculam quantos empr\u00e9stimos.<\/p>\n<p>\u00c9 s\u00f3 contar a quantidade de governos eleitos pela esquerda, e com programas de esquerda, que acabam fazendo pol\u00edtica de direita. N\u00e3o \u00e9 porque s\u00e3o bandidos, mas porque h\u00e1 uma grande press\u00e3o \u2013 e n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma press\u00e3o nacional, mas mundial, j\u00e1 que envolve grandes bancos como o Citibank, Santander etc. Por isso Temer n\u00e3o est\u00e1 nem a\u00ed se s\u00f3 5% da popula\u00e7\u00e3o o apoia, quem o est\u00e1 apoiando s\u00e3o os tr\u00eas grupos que d\u00e3o a nota de investimento para um pais. O peso externo, a confiabilidade dos mercados pesa mais que o interesse nacional.<\/p>\n<p><b>E os bancos recebem para dar essa nota.<\/b><\/p>\n<p>Isso \u00e9 denunciado pela\u00a0<i>The<\/i>\u00a0<i>Economist<\/i>.<\/p>\n<p><b>O senhor falou dos governos de esquerda e da rela\u00e7\u00e3o que se estabelece com o poder financeiro. Como a esquerda pode sair dessa armadilha? Existe um modelo a ser adotado hoje?<\/b><\/p>\n<p>N\u00e3o diria nem de esquerda, mas eu chamaria de capitalismo civilizado. E produtivo. Voc\u00ea pode pegar o livro do (Joseph) Stiglitz, Reescrevendo as Regras (<span class=\"st\"><em>Rewriting the Rules of the American Economy<\/em>:\u00a0<em>An Agenda for Growth and Shared Prosperity<\/em><\/span>), e a f\u00f3rmula est\u00e1 a\u00ed. Vai encontrar isso em in\u00fameras propostas, como a do Bernie Sanders nos EUA e a do (Jeremy) Corbyn na Inglaterra.<\/p>\n<p>O caminho \u00e9 extremamente simples. No caso brasileiro, tem que se usar as reservas, o compuls\u00f3rio, os bancos p\u00fablicos, o BNDES, para refor\u00e7ar empr\u00e9stimos a baixo custo para a popula\u00e7\u00e3o e para as empresas. Dinamizando a capacidade de as fam\u00edlias consumirem, mesmo aumentando o buraco\u00a0\u2013 o que n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio porque o Brasil tem 400 bilh\u00f5es de d\u00f3lares em reservas e pode convert\u00ea-los \u2013, refor\u00e7ando o consumo das fam\u00edlias isso se traduz em consumo imediato, que vai redinamizar as empresas, pois os estoques v\u00e3o se reduzir e elas v\u00e3o voltar a produzir. Se voltar a produzir, v\u00e3o voltar a empregar, temos um efeito multiplicador. Com mais consumo das fam\u00edlias e mais empregos, \u00e9 mais dinheiro em forma de impostos e isso cobre o buraco inicial. \u00c9 assim que funciona o cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>N\u00e3o estamos em crise de capacidade produtiva, mas em uma crise de paralisia gerada pelo sistema financeiro. O caminho \u00e9 claro, n\u00e3o tem mist\u00e9rio. O problema \u00e9 conseguir o poder pol\u00edtico correspondente para impor isso, porque voc\u00ea n\u00e3o vai poder montar uma coisa dessas com a popula\u00e7\u00e3o pagando 400% de juros. O banco, dentro desse tipo de proposta, tem que voltar a ser aquilo para o qual foi criado e estava no artigo 192 da Constitui\u00e7\u00e3o: o sistema financeiro nacional deve servir para o desenvolvimento equilibrado do pa\u00eds. Coisa que qualquer banqueiro deveria saber fazer. Voc\u00ea p\u00f5e uma ag\u00eancia banc\u00e1ria, identifica na sua cidade empres\u00e1rios locais e v\u00ea que ali tem uma f\u00e1brica de sapatos mas n\u00e3o tem curtume, porque n\u00e3o investiram. O banco, como financiador, vai estimular o processo produtivo e gerar lucro para o dono da empresa, que vai poder pagar o empr\u00e9stimo. Ou seja, \u00e9 o banco a servi\u00e7o do desenvolvimento, e n\u00e3o o desenvolvimento a servi\u00e7o do banco. Acaba com o que os americanos chamam de \u201co rabo abanando o cachorro\u201d.<\/p>\n<p><b>Para concluir, o senhor citou, nesse aspecto de modelos, Sanders e Corbyn, mas nenhum brasileiro. A esquerda brasileira pensa pouco na economia?<\/b><\/p>\n<p>N\u00e3o. Na situa\u00e7\u00e3o atual, se fizer a proposta como descrevi aqui, v\u00e3o dizer: voc\u00ea est\u00e1 brincando, sabe quem est\u00e1 no poder?<\/p>\n<p>A esquerda tem imensa dificuldade, apesar de ter v\u00e1rias propostas surgindo, como a da Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo e outras de estrat\u00e9gia para o Brasil. H\u00e1 tempos atr\u00e1s n\u00f3s fizemos com Ignacy Sachs e Carlos Lopes uma proposta com uma vis\u00e3o de elementos b\u00e1sicos para uma economia funcionar. S\u00e3o 13 eixos, sendo todos j\u00e1 experimentados onde foram instalados.<\/p>\n<p>O que trava \u00e9 que n\u00e3o estamos mais numa democracia. Temos decis\u00f5es tr\u00e1gicas para o pa\u00eds tomadas por um Congresso eleito de forma ilegal e com um presidente que tenta salvar a pele, al\u00e9m de uma m\u00eddia que bate palmas. Estamos vivendo uma curiosa estrutura formalmente legal, mas que, a meu ver, n\u00e3o \u00e9 democr\u00e1tica.<\/p>\n<p><b>O senhor enxerga sa\u00edda a curto prazo?<\/b><\/p>\n<p>N\u00e3o a curto prazo. E a presen\u00e7a de um Trump nos Estados Unidos \u00e9 muito ruim para n\u00f3s, estimula vis\u00f5es racistas, conservadoras e destruidoras do meio ambiente, veja que se retomou a destrui\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia&#8230; Estamos com grupos nacionais e internacionais que est\u00e3o se lambuzando na entrega do petr\u00f3leo do pa\u00eds. O pessoal diz que voltou o investimento externo&#8230; Claro, est\u00e3o comprando a pre\u00e7o de banana, se apropriando do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Na realidade, para mim e para outros economistas preocupados com interesse nacional e n\u00e3o com rentabilidade financeira, \u00e9 dif\u00edcil fazer propostas quando n\u00e3o temos a for\u00e7a pol\u00edtica necess\u00e1ria para as mudan\u00e7as que temos que fazer. Uma impot\u00eancia institucional.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"x6RE2s2kxG\"><p><a href=\"https:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/revistas\/estamos-frente-a-um-sistema-de-agiotagem-que-paralisou-o-pais\/\">&#8216;Estamos frente a um sistema de agiotagem que paralisou o pa\u00eds&#8217;<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;&#8216;Estamos frente a um sistema de agiotagem que paralisou o pa\u00eds&#8217;&#8221; &#8212; Rede Brasil Atual\" src=\"https:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/revistas\/estamos-frente-a-um-sistema-de-agiotagem-que-paralisou-o-pais\/embed\/#?secret=03fDrSlyaz#?secret=x6RE2s2kxG\" data-secret=\"x6RE2s2kxG\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Glauco Faria &#8211; O economista Ladislau Dowbor, que est\u00e1 lan\u00e7ando o livro &#8220;A Era do Capital Improdutivo&#8221;, fala sobre como os mecanismos financeiros capturaram o poder pol\u00edtico em todo o mundo, inclusive no Brasil &#8220;As corpora\u00e7\u00f5es manejam grande poder sem nenhum contrapeso significativo&#8221; &#8220;N\u00e3o h\u00e1 nenhuma raz\u00e3o objetiva para os dramas sociais que vive o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4434,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[5,2],"tags":[58],"class_list":["post-5123","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia","category-politica","tag-financeirizacao"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - 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