{"id":4675,"date":"2017-07-30T21:00:04","date_gmt":"2017-07-31T00:00:04","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=4675"},"modified":"2017-07-30T20:50:33","modified_gmt":"2017-07-30T23:50:33","slug":"a-economia-politica-e-o-grande-salto-atras%ef%bb%bf","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2017\/07\/30\/a-economia-politica-e-o-grande-salto-atras%ef%bb%bf\/","title":{"rendered":"A Economia Pol\u00edtica e o grande salto atr\u00e1s\ufeff"},"content":{"rendered":"<p><strong>LUIS CASADO<\/strong> &#8211;\u00a0Os\u00a0banqueiros\u00a0dominam a produ\u00e7\u00e3o,\u00a0controlam\u00a0os pal\u00e1cios, n\u00e3o pagam impostos. As sociedades\u00a0tornam-se\u00a0impotentes. A democracia reduz-se a fic\u00e7\u00e3o.\u00a0Diante da crise da modernidade, o\u00a0neoliberalismo prop\u00f5e\u00a0marcha \u00e0 r\u00e9<\/p>\n<p>A gruta de Lascaux (Dordogne, Fran\u00e7a) possui uma das mais impressionantes amostras de arte rupestre do Paleol\u00edtico. Em 80 a 90 metros de comprimento, foram classificadas 1.963 unidades gr\u00e1ficas entre pinturas e grava\u00e7\u00f5es, 915 das quais s\u00e3o de animais. Ao lado de Altamira (Cantabria, Espanha) e Chauvet (Ard\u00e8che, Fran\u00e7a), ela constitui o que os entendidos chamam de Capelas Sistinas da arte pr\u00e9-hist\u00f3rica, ainda que as imagens n\u00e3o mostrem nenhum querubim.<\/p>\n<p>Apesar de Lascaux n\u00e3o ter as atra\u00e7\u00f5es ou a variedade de um shopping e, diga-se o que quiser, n\u00e3o ser t\u00e3o emocionante como a Eurodisney ou o final da Liga dos Campe\u00f5es, at\u00e9 1955 recebia mais de 1.200 visitantes por dia. O di\u00f3xido de carbono produzido pelos turistas come\u00e7ou a danificar as obras que o\u00a0<em>Homo sapiens sapiens<\/em>\u00a0pintou h\u00e1 uns 15 a 18 mil anos, de modo que, para garantir sua preserva\u00e7\u00e3o, a gruta de Lascaux foi fechada ao p\u00fablico em 1963: triste fim de uma oportunidade de neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>Conta-se que Picasso esteve entre os privilegiados que chegaram a visitar Lascaux. Ao sair, os jornalistas perguntaram sua opini\u00e3o. O pintor, impressionado pelo que havia visto, declarou: \u201cn\u00e3o inventamos nada\u201d.<em><br \/>\n<\/em><\/p>\n<p>Nem o abuso de criatividade de Picasso, que no seu auge pintava de diferentes maneiras, sem jamais satisfazer-se com o resultado, conseguiu superar as t\u00e9cnicas e a arte que praticaram os c<em>ro-Magnons<\/em>do Paleol\u00edtico.<\/p>\n<p>Por isso, entre outras raz\u00f5es, n\u00e3o me surpreendeu que Bernard Maris assegurasse, num de seus livros, que a Teologia e a Economia n\u00e3o descobriram nada nos \u00faltimos s\u00e9culos. Quest\u00e3o de f\u00e9, h\u00e1 mais de dois mil anos \u00e9 a mesma cantilena: o padre, o filho e o esp\u00edrito santo. Am\u00e9m. Por sua vez, quando perguntavam a Milton Friedman, \u201cO que h\u00e1 de novo?\u201d, Milton, que era um gozador, respondia \u201cAdam Smith\u201d \u2014 e morria de rir.<\/p>\n<p>Como qualquer pessoa normal, considerava Adam Smith (1723-1790) e Jean-Baptiste Say (1767-1832) os fundadores da Economia Pol\u00edtica. Sabendo que ainda em nossos dias a m\u00e3o invis\u00edvel do mercado \u00e9 o dogma entre os dogmas, e a pol\u00edtica econ\u00f4mica da oferta \u00e9 a panac\u00e9ia universal, compreende-se por que raz\u00e3o ambos autores pesam tanto.<\/p>\n<p>O bom dos primeiros economistas \u00e9 que n\u00e3o havia ilus\u00f5es quanto \u00e0 ci\u00eancia econ\u00f4mica, a ci\u00eancia do mal e da mis\u00e9ria, a\u00a0<em>dismal science<\/em>, a ci\u00eancia sinistra \u2014 porque sinistro \u00e9 o destino a que conduzem o capitalismo e o liberalismo que eles defendiam (B. Maris). Um pouco mais tarde, Marx concordou com esse sentido quando escreveu: \u201cA humanidade se situa fora da economia pol\u00edtica, a desumanidade dentro\u201d. Bernard Maris n\u00e3o deixou por menos, ao escrever: \u201cTudo o que \u00e9 econ\u00f4mico \u00e9 desumano. Tudo o que \u00e9 desumano diz respeito \u00e0 economia. A economia \u00e9 o dom\u00ednio do horror e da desumanidade. O homem nasce quando morre a economia\u201d. Como n\u00e3o dou uma de erudito, n\u00e3o vou lembrar que para John Maynard Keynes a economia era um vasto horror que um dia, felizmente, iria dar lugar \u00e0 cultura, \u00e0 arte, \u00e0 pol\u00edtica, \u00e0 liberdade, \u00e0 felicidade.<\/p>\n<p>Se conto essas coisas \u00e9 porque, h\u00e1 alguns dias, uma leitora de\u00a0<em><a href=\"http:\/\/www.politika.cl\/\">Politika<\/a><\/em>\u00a0sentiu-se mal quando lhe fiz ver que os economistas s\u00e3o seres abomin\u00e1veis. Eu n\u00e3o sabia que um de seus sobrinhos \u00e9 economista, que sempre teve boas notas, que fez seus estudos nos EUA, que \u00e9 um orgulho para a fam\u00edlia\u2026<\/p>\n<p>E eu tentando explicar-lhe que \u201cna melhor das hip\u00f3teses um economista n\u00e3o passa de um vigarista, um charlat\u00e3o que esconde em seu palavr\u00f3rio, geralmente complicado, o objetivo imposto por seus senhores, que \u00e9 manter os homens na servid\u00e3o. Na pior, \u00e9 a pol\u00edcia ou o prostituto do capital. E a economia \u00e9 o canto gregoriano da submiss\u00e3o do homem. A teoria da ordem dominante, a ci\u00eancia da escravid\u00e3o\u201d. (B. Maris).<\/p>\n<p>N\u00e3o sou o \u00fanico estraga-prazeres. Antes de mim, Nicol\u00e1s Guill\u00e9n, em um de seus poemas, falou do of\u00edcio do filho de \u201cDona Maria\u201d:<\/p>\n<p>Ai, pobre dona Maria,<br \/>\nela que nada sabe!<br \/>\nSeu filho, o que tem a pele manchada<br \/>\na soldo na pol\u00edcia.<br \/>\nOntem, sorrateiro e sutil,<br \/>\nandou rondando minha casa.<br \/>\nPassa! \u2013 pensei ao v\u00ea-lo \u2013 Passa!<br \/>\n(Ia de traje civil);<br \/>\nSenhora t\u00e3o respeitada,<br \/>\na pobre dona Maria,<br \/>\ncom um filho na pol\u00edcia,<br \/>\ne ela n\u00e3o sabe de nada [1]<\/p>\n<p>Karl Marx e, por que n\u00e3o dizer, John Maynard Keynes, tentaram libertar o homem da economia. N\u00e3o se deram bem. Hoje, n\u00e3o h\u00e1 santo dia em que meia d\u00fazia de economistas n\u00e3o subam ao p\u00falpito, perd\u00e3o, \u00e0 televis\u00e3o, para nos contar suas fabula\u00e7\u00f5es, mentiras, dogmas, n\u00fameros e percentuais que, em sua vis\u00e3o distorcida, s\u00e3o mais importantes que o ser humano.<\/p>\n<p>O certo \u00e9 que Adam Smith, Jean-Baptiste Say, Karl Marx, John Maynard Keynes e muitos outros s\u00f3 tiveram que examinar uma realidade t\u00e3o antiga quanto o mundo para se dar conta da cloaca em que se metiam ao dedicar-se \u00e0 economia.<\/p>\n<p>Adam Smith e Jean-Baptiste Say eram comerciantes; \u00e0s vezes, produtores. John Maynard Keyner e David Ricardo foram especuladores. Marx foi pobre. Quando nasceram as t\u00e9cnicas de produ\u00e7\u00e3o industrial, do com\u00e9rcio, dos bancos e das finan\u00e7as, os truques da dupla contabilidade, os monop\u00f3lios, o tr\u00e1fico de influ\u00eancia, o conflito de interesses, o engano, a fraude, o golpe, o roubo, a arbitrariedade, a pilhagem, a explora\u00e7\u00e3o, a dissimula\u00e7\u00e3o, a informa\u00e7\u00e3o privilegiada, os privil\u00e9gios, a inc\u00faria, a prevarica\u00e7\u00e3o, as propinas, a usura, o abuso do poder, a conspira\u00e7\u00e3o \u2014 em suma, as t\u00e9cnicas do capitalismo j\u00e1 existem h\u00e1 s\u00e9culos!<\/p>\n<p>Se voc\u00ea vai a Provins, cidadezinha medieval perto de Paris, encontrar\u00e1 n\u00e3o apenas uma fortaleza, as imponentes muralhas e torres que circundam o povoado, mas tamb\u00e9m a igreja bas\u00edlica colegial de Saint-Quiriace, que data do s\u00e9culo XII, onde Joana d\u2019Arc ajoelhou-se ao lado do rei Charles VII em 3 de agosto de 1429, e este escritor h\u00e1 cerca de um m\u00eas, mas n\u00e3o exatamente para rezar.<\/p>\n<p>Se anda por Provins, chegar\u00e1 a Le Roy Lire, livraria especializada na Idade M\u00e9dia. Ali encontrei duas j\u00f3ias que veem ao caso: um livro sobre as\u00a0<em>Foires de Champagne<\/em>\u00a0(Feiras de Champanhe), que reuniam comerciantes das cidades mercantes da Europa entre os s\u00e9culos XII e XV. A cada ano, as cidades de Lagny-sur-Marne, Bar-sur-Aube, Troyes e Provins organizavam uma enorme feira \u00e0 qual acorriam negociantes de Veneza, Floren\u00e7a, G\u00eanova, Lucques, Bruges, Londres, Leipzig, Sev\u00edlia, Stettin, Crac\u00f3via, L\u00fcbeck, Barcelona, Praga, Paris, Novgorod e outras tantas.<\/p>\n<p>Essas feiras precederam, por sua influ\u00eancia econ\u00f4mica e financeira, os primeiros centros financeiros internacionais. Ningu\u00e9m sa\u00eda andando com o dinheiro das vendas: j\u00e1 existiam redes banc\u00e1rias e as duplicatas e ordens de pagamento emitidas em Bruges e compensadas em Veneza ou Londres.<\/p>\n<p>Era preciso lidar com os incipientes caminhos cheios de grupos de assaltantes armados, da navega\u00e7\u00e3o aleat\u00f3ria em redes fluviais incertas e dos ped\u00e1gios caros, para n\u00e3o falar de um tr\u00e1fego mar\u00edtimo exposto aos caprichos dos ventos e ao temor dos cors\u00e1rios. Goscinny conta, em um de seus\u00a0<em>Ast\u00e9rix<\/em>: um navio de comerciantes fen\u00edcios avista um barco pirata. A reflex\u00e3o de um comerciante diz tudo: \u201cPiratas! Que m\u00e1 sorte! Poderiam nos afundar, ou ent\u00e3o nos matar. Pior ainda, roubar nossas mercadorias\u201d.<\/p>\n<p>Se cada cidade possu\u00eda sua pr\u00f3pria moeda e seu pr\u00f3prio sistema de pesos e medidas, os banqueiros e agentes de c\u00e2mbio facilitavam os interc\u00e2mbios com uma ci\u00eancia que j\u00e1 era milenar. O\u00a0<em>denier provinois<\/em>(dinheiro de Provins) fazia as vezes do euro medieval, e a\u00a0<em>on\u00e7a troy<\/em>(medida de peso), que era ent\u00e3o calculada no\u00a0<em>tr\u00e9buchet<\/em>\u00a0(balan\u00e7a de precis\u00e3o), continua ainda hoje sendo a refer\u00eancia mundial de peso para metais preciosos.<\/p>\n<p>A outra joia \u00e9 um livro de Jean Favier, membro do Instituto da Fran\u00e7a, ex-Diretor Geral dos Arquivos da Fran\u00e7a, e ex-presidente da Grande Biblioteca Nacional. Um erudito, o Favier. O t\u00edtulo do seu livro diz tudo:\u00a0<em>Do ouro e das especiarias \u2013 Nascimento do homem de neg\u00f3cios da Idade M\u00e9dia.<\/em><\/p>\n<p>Sua leitura oferece, para al\u00e9m de uma vis\u00e3o estereosc\u00f3pica da vida medieval, um comp\u00eandio t\u00e3o completo de truques, armadilhas e velhacarias que daria para poupar as cobran\u00e7as das escolas de com\u00e9rcio. Harvard, The London School of Business and Finance, HEC Paris (Escola de Altos Estudos Comerciais de Paris) e outras institui\u00e7\u00f5es semelhantes s\u00e3o um arremedo perto dos comerciantes da Idade M\u00e9dia.<\/p>\n<p>O livro \u00e9 uma mina de ouro. Jean Favier nos conta que, entre os homens de neg\u00f3cios da \u00e9poca, \u201co grupo social se fecha deliberadamente para preservar e explorar suas vantagens\u201d. Como se v\u00ea, o cap\u00edtulo come\u00e7a bem. Entre as vantagens, contam-se \u201cas do reino ou cidade, a do of\u00edcio organizado, a arte ou a corpora\u00e7\u00e3o\u201d. Quer dizer que, no marco de determinadas fronteiras, quem exercia o poder estabelecia privil\u00e9gios que a alguns ca\u00edam bem e a outros ca\u00edam mal \u2014 voc\u00ea sabe como \u00e9 isso de livre concorr\u00eancia\u2026<\/p>\n<p>Se havia concorr\u00eancia, ela ocorria entre privilegiados de diferentes reinos, cidades-rep\u00fablica ou dom\u00ednios feudais. Assim, cada reino, cada cidade, cada of\u00edcio, cada corpora\u00e7\u00e3o definia regras que dificultavam o trabalho da concorr\u00eancia. \u201cEliminar as barreiras era desaparecer\u201d, dizia Favier. Para definir privil\u00e9gios, estabelecer barreiras, construir obst\u00e1culos, era imprescind\u00edvel que \u201co poder p\u00fablico tivesse for\u00e7a para imp\u00f4-los, e sobretudo obter a concord\u00e2ncia, ainda melhor, a coniv\u00eancia dos meios de neg\u00f3cios\u201d. Na Idade M\u00e9dia, os rica\u00e7os j\u00e1 manipulavam.<\/p>\n<p>Os privil\u00e9gios concedidos aos grandes, aos poderosos, aos peixes gordos, tornavam virtualmente imposs\u00edvel que surgisse um concorrente entre os peixes pequenos, \u201ca impossibilidade para o pequeno comerciante de algum dia integrar o grupo dos comerciantes de horizontes amplos\u201d. Soa familiar?<\/p>\n<p>Em Veneza, no ano de 1297, acabaram fechando a lista das fam\u00edlias mercadoras autorizadas a tomar parte do Grande Conselho. Desse modo \u201cconsolidavam-se as grandes fortunas, continham-se as aud\u00e1cias e cimentavam-se as mediocridades\u201d. N\u00e3o era o Chile [ou o Brasil \u2014 Nota da Tradu\u00e7\u00e3o], mas a Rep\u00fablica de Veneza.<\/p>\n<p>Biche e Mouche, comerciantes toscanos, conseguiram transformar-se nos conselheiros mais ouvidos de Felipe, o Belo, rei da Fran\u00e7a (1268-1314) \u201ce aproveitaram-se disso sem vergonha. Reservaram para si as melhores especula\u00e7\u00f5es. Monopolizaram a moeda real. Receberam concess\u00e3o dos impostos das Feiras de Champanhe. O privil\u00e9gio de informa\u00e7\u00e3o que confere a familiaridade com o rei lhes ofereceu muitas oportunidades no com\u00e9rcio e nos bancos. E seu sobrinho Tote foi o homem de neg\u00f3cios pessoal de Enguerran de Marigny, na \u00e9poca em que aquele que era chamado de vice-rei pelos invejosos transformou as rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas \u2013 com o Papa, assim como com as cidades flamengas \u2013 numa s\u00f3rdida negociata em escala europeia\u201d. Das duas uma: ou naqueles anos n\u00e3o se conhecia a confian\u00e7a cega, ou ent\u00e3o eram especialistas no assunto.<\/p>\n<p>Entre os anos de 1298 e 1326 sucedem-se as quebras e as crises. \u201cA confian\u00e7a afunda\u201d. Para restaurar a confian\u00e7a, parece mais \u00fatil eliminar a livre concorr\u00eancia. \u201cAs empresas novatas que s\u00e3o formadas preferem ent\u00e3o entender-se para n\u00e3o se arruinar mutuamente. Os mercados se distribuem, operam em conjunto nas pra\u00e7as banc\u00e1rias. Cada empresa explora uma \u00e1rea geogr\u00e1fica bem definida\u201d. Apari\u00e7\u00e3o \u2013 ou reapari\u00e7\u00e3o \u2013 dos carteis. Os Papas Jo\u00e3o XXII e Benedito XII bendizem as opera\u00e7\u00f5es. N\u00e3o inventamos nada.<\/p>\n<p>\u201cUma das armas da livre concorr\u00eancia \u2013 disse Jean Favier \u2013 \u00e9 naturalmente o segredo\u201d. J\u00e1 na Idade M\u00e9dia. O que nos faz compreender a profundidade da \u201ctranspar\u00eancia\u201d e os discursos sobre a simetria da informa\u00e7\u00e3o, virtude\u00a0<em>sine qua<\/em>\u00a0<em>non<\/em>\u00a0dos mercados perfeitos em que as barreiras de entrada devem ser as mesmas para todos os concorrentes. Palavr\u00f3rio oco.<\/p>\n<p>A informa\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 um ativo, um valor que n\u00e3o conv\u00e9m compartilhar com ningu\u00e9m, nem sequer com os s\u00f3cios que contribuem com capital: \u201cAs estruturas do capitalismo nascente \u2013 escreve Jean Favier \u2013 refletem esta preocupa\u00e7\u00e3o: evitar que muitos s\u00f3cios conhe\u00e7am a realidade econ\u00f4mica. A pr\u00e1tica do dep\u00f3sito remunerado, que atrai\u00a0capitais estrangeiros no contrato constitutivo da sociedade, exclui com efic\u00e1cia do conhecimento e da gest\u00e3o dos neg\u00f3cios boa parte dos investidores. Bernard Madoff e as administradoras de fundos de pens\u00e3o tiveram precursores.<\/p>\n<p>Melhor ainda, \u201cas sociedades em nome coletivo e as sociedades com filiais permitem de modo mais sutil a multiplica\u00e7\u00e3o de s\u00f3cios, que em sua grande maioria n\u00e3o conhecem sen\u00e3o uma parte do neg\u00f3cio\u201d.<\/p>\n<p>Tal cidade, tal rei cobra ped\u00e1gios nas pontes dos rios que cruzam seus territ\u00f3rios, ou exime de tais tributos determinados comerciantes, mediante retribui\u00e7\u00e3o. Paris exige que cada comerciante estrangeiro \u201cse associe\u201d a um parisiense, sob pena de exclus\u00e3o de suas mercadorias. Assim nasceu \u2013 ou renasceu \u2013 o traficante de influ\u00eancias com entrada no pal\u00e1cio, o lobista, o \u201cagente local\u201d cujo aporte limitava-se a cobrar \u2013 naquela \u00e9poca \u2013 at\u00e9 uns 50% de lucro sem fazer absolutamente nada.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes a \u201clivre concorr\u00eancia\u201d chega \u00e0 agress\u00e3o f\u00edsica. Os comerciantes ingleses pediram a Henri VI \u2013 no ano de 1949 \u2013 que afundasse os barcos bret\u00f5es ou normandos para que pudessem \u201cdominar os mares\u201d.<\/p>\n<p>Uma magn\u00edfica biografia de Jean-Baptiste Colbert (1619-1683) \u2013 ministro das finan\u00e7as de Luis XIV e grande impulsionador do Estado no desenvolvimento econ\u00f4mico da Fran\u00e7a \u2013, publicada no s\u00e9culo XVIII, conta sobre a pirataria holandesa contra os navios mercantes franceses. E sobre a espionagem francesa que conseguiu apoderar-se das t\u00e9cnicas dos vidraceiros de Murano. Livre concorr\u00eancia. Em mat\u00e9ria de pirataria, e de espionagem, os ingleses n\u00e3o ficam atr\u00e1s. \u00c0s vezes vale a pena ler livros velhos.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as a estas joias da literatura econ\u00f4mica, \u00e0 minuciosa pesquisa realizada durante d\u00e9cadas por verdadeiros estudiosos, ao exame de milh\u00f5es de documentos comerciais dispersos por toda a Europa, cresce minha convic\u00e7\u00e3o: quando as grandes corpora\u00e7\u00f5es, as multinacionais, algum chefe de Estado, dois ou tr\u00eas lacaios, muitos pol\u00edticos, n\u00e3o poucos \u201chomens de armas\u201d e seus in\u00fameros criados acumulam uma r\u00e1pida riqueza e transformam-se em milion\u00e1rios da noite para o dia, utilizam t\u00e9cnicas e recursos que nasceram, em alguns casos, h\u00e1 mil\u00eanios.<\/p>\n<p><em>N\u00e3o inventamos nada<\/em>\u00a0nos tempos de nossa feliz modernidade.<\/p>\n<p>\u2014<\/p>\n<p>[1]<\/p>\n<p><em>\u00a1Ay, pobre do\u00f1a Mar\u00eda,<br \/>\nella que no sabe nada!<br \/>\nSu hijo, el de la piel manchada,<br \/>\na sueldo en la polic\u00eda.<br \/>\nAyer, taimado y sutil,<br \/>\nrondando anduvo mi casa.<br \/>\n\u00a1Pasa! \u2013 pens\u00e9 al verle \u2013 \u00a1Pasa!<br \/>\n(Iba de traje civil).<br \/>\nSe\u00f1ora tan respetada,<br \/>\nla pobre do\u00f1a Mar\u00eda,<br \/>\ncon un hijo polic\u00eda,<br \/>\ny ella que no sabe nada.<\/em><\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"ss14GlpcFa\"><p><a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/desigualdades-mundo\/a-economia-politica-e-o-grande-salto-atras\/\">A Economia Pol\u00edtica e o grande salto atr\u00e1s<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;A Economia Pol\u00edtica e o grande salto atr\u00e1s&#8221; &#8212; Outras Palavras\" src=\"https:\/\/outraspalavras.net\/desigualdades-mundo\/a-economia-politica-e-o-grande-salto-atras\/embed\/#?secret=tWAVRzK0o6#?secret=ss14GlpcFa\" data-secret=\"ss14GlpcFa\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>LUIS CASADO &#8211;\u00a0Os\u00a0banqueiros\u00a0dominam a produ\u00e7\u00e3o,\u00a0controlam\u00a0os pal\u00e1cios, n\u00e3o pagam impostos. As sociedades\u00a0tornam-se\u00a0impotentes. A democracia reduz-se a fic\u00e7\u00e3o.\u00a0Diante da crise da modernidade, o\u00a0neoliberalismo prop\u00f5e\u00a0marcha \u00e0 r\u00e9 A gruta de Lascaux (Dordogne, Fran\u00e7a) possui uma das mais impressionantes amostras de arte rupestre do Paleol\u00edtico. 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