{"id":4194,"date":"2017-06-13T09:56:55","date_gmt":"2017-06-13T12:56:55","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=4194"},"modified":"2017-06-06T10:00:52","modified_gmt":"2017-06-06T13:00:52","slug":"antonio-candido-o-homem-que-nos-ensinou-a-pensar-por-conta-propria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2017\/06\/13\/antonio-candido-o-homem-que-nos-ensinou-a-pensar-por-conta-propria\/","title":{"rendered":"Antonio Candido: o homem que nos ensinou a pensar por conta pr\u00f3pria"},"content":{"rendered":"<p><strong>Rodrigo Morais<\/strong> &#8211; Como todos os necrol\u00f3gios sobre ele haver\u00e3o de afirmar, Antonio Candido, al\u00e9m de grande cr\u00edtico liter\u00e1rio e historiador, foi um dos maiores pensadores da cultura brasileira, \u00e0 altura de nomes como Gilberto Freyre, S\u00e9rgio Buarque de Holanda e Caio Prado J\u00fanior. Carioca criado em Minas e formado intelectualmente em S\u00e3o Paulo, Candido foi um dos primeiros egressos da USP, universidade surgida em 1934 com a funda\u00e7\u00e3o da antiga Faculdade de Filosofia, Ci\u00eancias e Letras (FFCL).<\/p>\n<p>Come\u00e7ou sua carreira ao criar, em 1941, juntamente com alguns colegas do curso de Filosofia, a revista <em>Clima<\/em>, que duraria at\u00e9 1944. Surgia o chamado \u201cGrupo Clima\u201d, do qual fizeram parte, entre outros, D\u00e9cio de Almeida Prado, Paulo Em\u00edlio Sales Gomes e Lourival Gomes Machado, intelectuais que, ao longo dos anos, se tornariam refer\u00eancias em suas \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"attachment_4294\" class=\"wp-caption aligncenter\">\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/issocompensa.com\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/grupo-clima.jpg?w=640\" \/><\/p>\n<p><em>O \u201cGrupo Clima\u201d: em p\u00e9, da esquerda para a direita, Antonio Branco Lef\u00e8vre, D\u00e9cio de Almeida Prado, Paulo Em\u00edlio Sales Gomes e Roberto Pinto de Souza; sentados, Alfredo Mesquita, Antonio Candido e Lourival Gomes Machado. S\u00e3o Paulo, 1944.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p>Alvos da poderosa veia c\u00f4mica de Oswald de Andrade, esses garotos, por apresentarem um discurso pr\u00f3prio da mentalidade universit\u00e1ria, mais formal e sisudo, ganhariam do escritor modernista o impag\u00e1vel apelido de <em>chato-boys<\/em>, do qual jamais se livraram. Contudo, em que pese o aparente \u201cchoque de gera\u00e7\u00f5es\u201d, caberiam a Antonio Candido e seus colegas, ao adentrarem na USP como professores, academizar muitos dos preceitos te\u00f3ricos defendidos pela primeira gera\u00e7\u00e3o modernista, sistematizando-os.<\/p>\n<div id=\"attachment_4295\" class=\"wp-caption aligncenter\">\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4295 img-responsive\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/issocompensa.com\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/grupo-clima-1944.jpg?resize=640%2C835\" sizes=\"auto, (max-width: 736px) 100vw, 736px\" srcset=\"http:\/\/issocompensa.com\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/grupo-clima-1944.jpg 736w, http:\/\/issocompensa.com\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/grupo-clima-1944-230x300.jpg 230w\" alt=\"D\u00e9cio de Almeida Prado, Paulo Em\u00edlio Sales Gomes , Antonio Candido e Lourival Gomes Machado, cr\u00edticos da revista Clima. Pra\u00e7a da Rep\u00fablica, S\u00e3o Paulo, 1944. \" width=\"640\" height=\"835\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><em>D\u00e9cio de Almeida Prado, Paulo Em\u00edlio Sales Gomes , Antonio Candido e Lourival Gomes Machado, cr\u00edticos da revista Clima. Pra\u00e7a da Rep\u00fablica, S\u00e3o Paulo, 1944.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p>\u00c9 o que pensa, por exemplo, Abel Barros Baptista, professor de literatura brasileira na Universidade Nova de Lisboa e autor de um ensaio sobre a obra de Candido intitulado <em>O C\u00e2none como Forma\u00e7\u00e3o<\/em>. Segundo ele, \u201co trabalho cr\u00edtico de Antonio Candido, prolongando o projeto liter\u00e1rio do Modernismo de 1922, produziu um paradigma cr\u00edtico, ainda dominante, que, articulado com uma dimens\u00e3o institucional decisiva, a universit\u00e1ria, estabeleceu a possibilidade de desconhecer Portugal \u2018pura e simplesmente\u2019, dando esse desconhecimento como resultado natural do processo de \u2018forma\u00e7\u00e3o\u2019 da literatura brasileira\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_4296\" class=\"wp-caption aligncenter\">\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4296 img-responsive\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/issocompensa.com\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/antonio-candido-paraty.jpg?resize=618%2C450\" sizes=\"auto, (max-width: 618px) 100vw, 618px\" srcset=\"http:\/\/issocompensa.com\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/antonio-candido-paraty.jpg 618w, http:\/\/issocompensa.com\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/antonio-candido-paraty-300x218.jpg 300w\" alt=\"Candido durante a 9\u00ba Festa Liter\u00e1ria Internacional de Paraty (FLIP), em 2011, que homenageou o escritor Oswald de Andrade. \" width=\"618\" height=\"450\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><em>Candido durante a 9\u00ba Festa Liter\u00e1ria Internacional de Paraty (FLIP), em 2011, que homenageou o escritor Oswald de Andrade.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p>E por que desconhecer Portugal \u201cpura e simplesmente\u201d? Porque, de acordo com os pressupostos da historiografia liter\u00e1ria candidiana, nossa literatura n\u00e3o teria exatamente <em>nascido<\/em> com a chegada dos portugueses \u00e0 Am\u00e9rica, conforme outros historiadores defendem. Em sua obra magna, <em>Forma\u00e7\u00e3o da Literatura Brasileira<\/em>, de 1959, Candido exp\u00f5e a famosa tese segundo a qual uma literatura s\u00f3 se torna aspecto org\u00e2nico da civiliza\u00e7\u00e3o quando, em um determinado momento, tr\u00eas elementos se conjugam: \u201ca exist\u00eancia de um conjunto de produtores liter\u00e1rios, mais ou menos conscientes do seu papel; um conjunto de receptores, formando os diferentes tipos de p\u00fablico, sem os quais a obra n\u00e3o vive; um mecanismo transmissor (de modo geral, uma linguagem traduzida em estilos), que liga uns aos outros\u201d.<\/p>\n<p>\u00c9 a partir desse ponto que se <em>forma<\/em> aquilo nomeado por Candido de <em>sistema liter\u00e1rio<\/em>, condi\u00e7\u00e3o fundamental para a exist\u00eancia, no Brasil ou em outras na\u00e7\u00f5es americanas, de uma <em>literatura propriamente dita<\/em>, ligada por certos denominadores comuns pass\u00edveis de serem reconhecidos. Esta, devido \u00e0 sua organicidade, se diferenciaria das chamadas <em>manifesta\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias<\/em>, isto \u00e9, daquela literatura produzida quando tais elementos ainda n\u00e3o haviam se conjugado.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4299 img-responsive alignnone\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/issocompensa.com\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/formacao-da-literatura-brasileira.jpg?resize=460%2C504\" sizes=\"auto, (max-width: 460px) 100vw, 460px\" srcset=\"http:\/\/issocompensa.com\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/formacao-da-literatura-brasileira.jpg 460w, http:\/\/issocompensa.com\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/formacao-da-literatura-brasileira-274x300.jpg 274w\" alt=\"formacao da literatura brasileira\" width=\"460\" height=\"504\" \/><\/p>\n<p>Assim compreendida, percebe-se que a teoria elaborada pelo cr\u00edtico, do ponto de vista historiogr\u00e1fico, seria muito mais <em>teleol\u00f3gica<\/em> do que <em>geneal\u00f3gica<\/em>, na medida em que o seu eixo se desloca n\u00e3o para uma origem, mas, sim, para um fim. Isso explica, ao menos em parte, o porqu\u00ea de Candido \u201cdesconhecer\u201d Portugal em sua obra, conferindo pouca ou nenhuma aten\u00e7\u00e3o \u00e0 literatura que aqui se <em>manifestou<\/em> entre o \u201cdescobrimento\u201d (1500) e o advento do arcadismo (em torno de 1750), precisamente aquela mais atrelada \u00e0 p\u00e1tria-m\u00e3e. Como defende Abel Barros Baptista, a teoria da forma\u00e7\u00e3o significaria, em \u00faltima inst\u00e2ncia, \u201c[\u2026] a impossibilidade da origem\u201d.<\/p>\n<p>Focado em dois momentos considerados decisivos na configura\u00e7\u00e3o do sistema liter\u00e1rio brasileiro, o arcadismo e o romantismo, o primeiro por integrar e o segundo por diferenciar nossa literatura em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s letras universais, n\u00e3o se encontra em <em>Forma\u00e7\u00e3o da Literatura Brasileira<\/em> nada que preceda ou ultrapasse essas balizas. Aqu\u00e9m ou al\u00e9m do recorte proposto ficaram de fora, por exemplo, o barroco e o realismo, aus\u00eancias que at\u00e9 hoje desconcertam certos leitores \u201cincautos\u201d, por n\u00e3o encontrarem em <em>Forma\u00e7\u00e3o <\/em>nada a respeito de autores como Greg\u00f3rio de Matos ou Raul Pompeia.<\/p>\n<p>Como n\u00e3o poderia deixar de ser, tais aus\u00eancias, \u00e0 \u00e9poca do lan\u00e7amento do livro, acabaram ensejando algumas pol\u00eamicas, as principais, salvo engano, motivadas por Afr\u00e2nio Coutinho e Haroldo de Campos. Enquanto aquele, centrado em quest\u00f5es geneal\u00f3gicas, entendia que a literatura brasileira nascera pronta com a carta de Pero Vaz de Caminha, o \u00faltimo assumiu como causa a inclus\u00e3o do barroco dentro do esquema proposto por Candido. Pol\u00eamicas \u00e0 parte, observando sua obra em conjunto, percebe-se que, em primeiro lugar, mais do que um estudo historiogr\u00e1fico, <em>Forma\u00e7\u00e3o<\/em>seria mesmo um livro de teoria liter\u00e1ria; em segundo lugar, para uma completa apreens\u00e3o dessa teoria, \u00e9 necess\u00e1ria a leitura de outros trabalhos do autor, alguns deles escritos com a inten\u00e7\u00e3o precisa de complementar o quadro anteriormente exposto em <em>Forma\u00e7\u00e3o<\/em>.<\/p>\n<div id=\"attachment_4307\" class=\"wp-caption aligncenter\">\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4307 img-responsive\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/issocompensa.com\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/gilda-de-mello-e-souza-e-antonio-candido.jpg?resize=550%2C555\" sizes=\"auto, (max-width: 550px) 100vw, 550px\" srcset=\"http:\/\/issocompensa.com\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/gilda-de-mello-e-souza-e-antonio-candido.jpg 550w, http:\/\/issocompensa.com\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/gilda-de-mello-e-souza-e-antonio-candido-150x150.jpg 150w, http:\/\/issocompensa.com\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/gilda-de-mello-e-souza-e-antonio-candido-297x300.jpg 297w\" alt=\"Gilda de Mello e Souza e Antonio Candido, parceiros na vida e na milit\u00e2ncia intelectual. Foto por Bob Wolfenson.\" width=\"550\" height=\"555\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><em>Gilda de Mello e Souza e Antonio Candido, parceiros na vida e na milit\u00e2ncia intelectual. S\u00e3o Paulo, foto por Bob Wolfenson.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p>S\u00f3 assim \u00e9 poss\u00edvel entrever algumas das principais premissas do pensamento de Candido, uma delas, sem d\u00favida, o seu entranhado \u201cmodernocentrismo\u201d, ou seja, o seu vezo em interpretar o passado liter\u00e1rio nacional \u00e0 luz do modernismo, em especial aquele surgido em 1922 no rastro da Semana de Arte Moderna.<\/p>\n<p>Se, na vis\u00e3o do cr\u00edtico, coube ao romantismo o papel hist\u00f3rico de criar uma <em>literatura brasileira<\/em>, gra\u00e7as \u00e0s suas tend\u00eancias particularistas, somente no modernismo tais tend\u00eancias deixariam de lado certo aspecto \u201cdeformante\u201d para adquirirem plena autenticidade art\u00edstica. Ou, em outros termos, deixariam de lado o \u201cpitoresco\u201d dos rom\u00e2nticos na busca de uma express\u00e3o que, ao inv\u00e9s de camuflar idealisticamente a realidade nacional, a assumisse de corpo e alma, com suas qualidades e defeitos. A diferen\u00e7a que distinguiria, muito didaticamente, personagens como Ceci e Peri, criadas por Jos\u00e9 de Alencar, do Macuna\u00edma de M\u00e1rio de Andrade.<\/p>\n<div id=\"attachment_4311\" class=\"wp-caption aligncenter\">\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4311 img-responsive\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/issocompensa.com\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/antonio-candido-1936.jpg?resize=640%2C474\" sizes=\"auto, (max-width: 774px) 100vw, 774px\" srcset=\"http:\/\/issocompensa.com\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/antonio-candido-1936.jpg 774w, http:\/\/issocompensa.com\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/antonio-candido-1936-300x222.jpg 300w, http:\/\/issocompensa.com\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/antonio-candido-1936-768x569.jpg 768w\" alt=\"Antonio Candido, 1936\" width=\"640\" height=\"474\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><em>Antonio Candido, 1936<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p>Tratava-se, conforme resumiu certa vez o pr\u00f3prio M\u00e1rio, de propor a \u201c[\u2026] estabiliza\u00e7\u00e3o de uma consci\u00eancia criadora nacional\u201d. Gra\u00e7as a essa postura, o modernismo significaria para Candido o fim da dial\u00e9tica que at\u00e9 ent\u00e3o marcara a vida intelectual brasileira, pendente ora para os padr\u00f5es est\u00e9ticos universais, de origem europeia, ora para o dado local, isto \u00e9, a realidade nacional. Ao interiorizarem e refazerem, em moldes pr\u00f3prios, as press\u00f5es culturais advindas de fora, os modernistas teriam logrado a supera\u00e7\u00e3o dessa dial\u00e9tica, condi\u00e7\u00e3o fundamental para a cria\u00e7\u00e3o de uma arte \u00e0 altura da civiliza\u00e7\u00e3o que a engendrara.<\/p>\n<p>Apesar de ser nacional e internacionalmente conhecido como um cr\u00edtico liter\u00e1rio, \u00e9 curioso observar que Antonio Candido exerceu durante pouco tempo a chamada cr\u00edtica de rodap\u00e9, aquela publicada na imprensa e voltada \u00e0 an\u00e1lise de escritores contempor\u00e2neos. Isso s\u00f3 aconteceu entre 1941 e 1947, per\u00edodo no qual contribuiu para a revista <em>Clima<\/em> e os jornais <em>Folha da Manh\u00e3<\/em> e <em>Di\u00e1rio de S\u00e3o Paulo<\/em>. Mesmo assim, ao se deparar com as primeiras obras de Clarice Lispector e Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto, Candido produziu textos importantes sobre esses autores, hoje reunidos no volume <em>Brigada Ligeira e Outros Escritos<\/em> (1992).<\/p>\n<div id=\"attachment_4305\" class=\"wp-caption aligncenter\">\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-4305 img-responsive\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/issocompensa.com\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/antonio-candido-e-joao-cabral-de-melo-neto.jpg?resize=484%2C304\" sizes=\"auto, (max-width: 484px) 100vw, 484px\" srcset=\"http:\/\/issocompensa.com\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/antonio-candido-e-joao-cabral-de-melo-neto.jpg 484w, http:\/\/issocompensa.com\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/antonio-candido-e-joao-cabral-de-melo-neto-300x188.jpg 300w\" alt=\"Antonio Candido com o poeta Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto, em 1994. Foto por Renata Jubran.\" width=\"484\" height=\"304\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><em>Antonio Candido com o poeta Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto, em 1994<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p>Ap\u00f3s abandonar a cr\u00edtica de rodap\u00e9, Candido se dedicaria exclusivamente ao ensino universit\u00e1rio e ao ensa\u00edsmo de cunho te\u00f3rico-historiogr\u00e1fico, atividades que lhe granjearam um prest\u00edgio invulgar no panorama intelectual brasileiro e que culminaram na concess\u00e3o a ele de dois dos mais importantes pr\u00eamios liter\u00e1rios do universo ibero-americano: o Cam\u00f5es, em 1998, e o Afonso Reyes, em 2005.<\/p>\n<p>Apesar disso, ou qui\u00e7\u00e1 por causa disso, alguns departamentos de Letras espalhados pelo Brasil afora parecem demonstrar, tenho essa impress\u00e3o, certa m\u00e1 vontade com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua obra, n\u00e3o a inserindo, por exemplo, como refer\u00eancia bibliogr\u00e1fica em seus cursos de gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Isso se deve, \u00e9 poss\u00edvel aventar, a dois motivos: pelo fato de Antonio Candido jamais ter pagado tributo a alguns te\u00f3ricos afinados com o discurso p\u00f3s-moderno, cujo maior representante no campo liter\u00e1rio seria, talvez, Roland Barthes; pelo fato de jamais ter escrito em franc\u00eas e ter sido publicado pela <em>Gallimard<\/em>, o c\u00famulo do absurdo na vis\u00e3o do intelectual colonizado.<\/p>\n<div id=\"attachment_4306\" class=\"wp-caption aligncenter\">\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-4306 img-responsive\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/issocompensa.com\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/antonio-candido-e-os-escritores-fernando-sabino-e-otto-lara-resende-1024x679.jpg?resize=640%2C424\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"http:\/\/issocompensa.com\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/antonio-candido-e-os-escritores-fernando-sabino-e-otto-lara-resende-1024x679.jpg 1024w, http:\/\/issocompensa.com\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/antonio-candido-e-os-escritores-fernando-sabino-e-otto-lara-resende-300x199.jpg 300w, http:\/\/issocompensa.com\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/antonio-candido-e-os-escritores-fernando-sabino-e-otto-lara-resende-768x509.jpg 768w\" alt=\"Antonio Candido, Fernando Sabino e Otto Lara Resende. Paris, 1965. Foto de Al\u00e9cio de Andrade pertencente ao acervo do Instituto Moreira Salles.\" width=\"640\" height=\"424\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\"><em>Antonio Candido, Fernando Sabino e Otto Lara Resende. Paris, 1965. Foto de\u00a0Al\u00e9cio de Andrade pertencente ao acervo do Instituto Moreira Salles.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p>Para al\u00e9m das in\u00fameras influ\u00eancias estrangeiras que conformaram seu pensamento, como as obras de Roger Bastide e Georg Luk\u00e1cs, creio que as refer\u00eancias mais caras a Antonio Candido deveriam ser procuradas na pr\u00f3pria literatura brasileira. Assim como o cr\u00edtico afirma, em <em>Forma\u00e7\u00e3o<\/em>, ser mais interessante interpretar o romance machadiano pela perspectiva de Jos\u00e9 de Alencar do que de um Laurence Sterne, por se surpreender certo determinismo liter\u00e1rio agindo dentro do <em>sistema<\/em>, talvez fosse mais interessante interpretar a obra de Candido pela perspectiva de alguns antecessores seus, entre os quais Silvio Romero, Jos\u00e9 Ver\u00edssimo e S\u00e9rgio Milliet. Ou seja: antevendo no <em>sistema<\/em>, para al\u00e9m do determinismo liter\u00e1rio (autores que geram outros autores), o determinismo cr\u00edtico-historiogr\u00e1fico. Ler, absorver e reelaborar dialeticamente o trabalho deixado pelos literatos de outrora, eis a quest\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o cabe aqui, claro, adentrar por tais veredas, mais apropriadas a uma tese de doutoramento do que a um simples necrol\u00f3gio. De todo modo, ao procurar se inserir numa tradi\u00e7\u00e3o j\u00e1 existente de pensamento liter\u00e1rio, sem se preocupar obsessivamente com a importa\u00e7\u00e3o de teorias estrangeiras, Antonio Candido alcan\u00e7ou, em sua seara, o projeto idealizado pelos modernistas, inaugurando uma linhagem cr\u00edtica e historiogr\u00e1fica at\u00e9 certo ponto aut\u00f3ctone, que pode e merece ser chamada de brasileira. Nossa d\u00edvida para com ele \u00e9, portanto, imensa, entre outros motivos por ter nos ensinado a pensar por conta pr\u00f3pria.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-4315 img-responsive\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/issocompensa.com\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/antoniocandido-300x199.jpg?resize=300%2C199\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" srcset=\"http:\/\/issocompensa.com\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/antoniocandido-300x199.jpg 300w, http:\/\/issocompensa.com\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/antoniocandido-768x510.jpg 768w, http:\/\/issocompensa.com\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/antoniocandido.jpg 1024w\" alt=\"Foto por Andr\u00e9 Gomes de Melo \/ Reprodu\u00e7\u00e3o Minist\u00e9rio da Cultura\" width=\"300\" height=\"199\" \/><\/p>\n<p><strong>Para saber mais:<\/strong><\/p>\n<p>AGUIAR, Fl\u00e1vio (org.). <em>Antonio Candido: Pensamento e Milit\u00e2ncia<\/em>. S\u00e3o Paulo: Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo, 1999.<\/p>\n<p>BAPTISTA, Abel Barros. \u201cO c\u00e2none como forma\u00e7\u00e3o\u201d. In: <em>O livro Agreste<\/em>. Campinas: Editora da Unicamp, 2005.<\/p>\n<p>CAMPOS, Haroldo. <em>O Sequestro do Barroco na Forma\u00e7\u00e3o da Literatura Brasileira<\/em>. S\u00e3o Paulo: Iluminuras, 2011.<\/p>\n<p>COELHO, Ruy. <em>Tempo de Clima<\/em>. S\u00e3o Paulo: Perspectiva, 2002.<\/p>\n<p>COUTINHO, Afr\u00e2nio. \u201cForma\u00e7\u00e3o da Literatura Brasileira\u201d. In: <em>Conceito de Literatura Brasileira<\/em>. Rio de Janeiro: Pallas\/MEC, 1959.<\/p>\n<p>D\u2019INCAO, Maria Angela e SCARAB\u00d4TOLO, Elo\u00edsa Faria (orgs.). <em>Dentro do Texto, Dentro da Vida: Ensaios sobre Antonio Candido<\/em>. S\u00e3o Paulo: Cia. das Letras, 1992.<\/p>\n<p>DE LA SENA, Jorge Ruedas. <em>Hist\u00f3ria e Literatura: Homenagem a Antonio Candido<\/em>. Campinas: Unicamp, 2003.<\/p>\n<p>LAFER, Celso (org.). <em>Esbo\u00e7o de Figura: Homenagem a Antonio Candido<\/em>. S\u00e3o Paulo: Duas Cidades, 1979.<\/p>\n<p>MARTINS, WILSON. <em>A Cr\u00edtica Liter\u00e1ria no Brasil<\/em>. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 2002.<\/p>\n<p>MORAES, Anita Martins Rodrigues. <em>Para Al\u00e9m das Palavras: Representa\u00e7\u00e3o e Realidade em Antonio Candido<\/em>. S\u00e3o Paulo: Unesp, 2015.<\/p>\n<p>MOTA, Carlos Guilherme. <em>Ideologia da Cultura Brasileira (1933-1974)<\/em>. S\u00e3o Paulo: Ed. 34, 2008.<\/p>\n<p>NUNES, Benedito. \u201cHistoriografia Liter\u00e1ria do Brasil\u201d. In: <em>Crivo de Papel<\/em>. S\u00e3o Paulo: \u00c1tica, 1998.<\/p>\n<p>PEDROSA, C\u00e9lia. <em>Antonio Candido: A Palavra Empenhada<\/em>. S\u00e3o Paulo: Edusp; Eduff, 1994.<\/p>\n<p>PONTES, Helo\u00edsa. <em>Destinos Mistos<\/em>: <em>Os Cr\u00edticos do Grupo Clima em S\u00e3o Paulo (1940-1968)<\/em>. S\u00e3o Paulo: Cia. das Letras, 1998.<\/p>\n<p>S\u00dcSSEKIND, Flora. \u201cRodap\u00e9s, Tratados e Ensaios \u2013 a Forma\u00e7\u00e3o da Cr\u00edtica Brasileira\u201d. In: <em>Pap\u00e9is Colados<\/em>. Rio de Janeiro: UFRJ, 1993.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"A5bq9Qtfe4\"><p><a href=\"http:\/\/issocompensa.com\/academia\/antonio-candido\">Antonio Candido: o homem que nos ensinou a pensar por conta pr\u00f3pria<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;Antonio Candido: o homem que nos ensinou a pensar por conta pr\u00f3pria&#8221; &#8212; Isso Compensa\" src=\"http:\/\/issocompensa.com\/academia\/antonio-candido\/embed#?secret=A5bq9Qtfe4\" data-secret=\"A5bq9Qtfe4\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rodrigo Morais &#8211; Como todos os necrol\u00f3gios sobre ele haver\u00e3o de afirmar, Antonio Candido, al\u00e9m de grande cr\u00edtico liter\u00e1rio e historiador, foi um dos maiores pensadores da cultura brasileira, \u00e0 altura de nomes como Gilberto Freyre, S\u00e9rgio Buarque de Holanda e Caio Prado J\u00fanior. 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