{"id":3720,"date":"2017-04-30T15:45:58","date_gmt":"2017-04-30T18:45:58","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=3720"},"modified":"2017-04-22T17:57:48","modified_gmt":"2017-04-22T20:57:48","slug":"no-brasil-44-dos-estudantes-de-15-e-16-anos-trabalham-mostra-ranking-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2017\/04\/30\/no-brasil-44-dos-estudantes-de-15-e-16-anos-trabalham-mostra-ranking-2\/","title":{"rendered":"Tiranos de n\u00f3s mesmos: a servid\u00e3o volunt\u00e1ria na era da sociedade do desempenho"},"content":{"rendered":"<p><strong>Lucas de Melo Prado<\/strong>\u00a0&#8211; \u00c9 o pr\u00f3prio povo que se escraviza e se suicida quando, podendo escolher entre ser submisso ou ser livre, renuncia \u00e0 liberdade e aceita o jugo; quando consente com seu sofrimento, ou melhor, o procura.<\/p>\n<p>Durante o s\u00e9culo XVI, em algum ponto entre seus 16 e 18 anos, \u00c9tienne de La Bo\u00e9tie escreveu o <em>\u201cDiscurso da Servid\u00e3o Volunt\u00e1ria\u201d<\/em><a href=\"http:\/\/justificando.cartacapital.com.br\/2017\/04\/12\/tiranos-de-nos-mesmos-servidao-voluntaria-na-era-da-sociedade-do-desempenho\/#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. La Bo\u00e9tie perguntava-se como um \u00fanico tirano poderia manter sob o seu jugo milhares de homens e dezenas de cidades. Como resposta, ele prop\u00f5e que os pr\u00f3prios homens, por h\u00e1bito, ignor\u00e2ncia e fraqueza moral, voluntariamente se submetem \u00e0 tirania. Um pequeno n\u00famero deles obt\u00e9m a confian\u00e7a do tirano e dele se aproxima, compartilhando de seus desmandos e recebendo seus favores. Esse pequeno n\u00famero de homens disp\u00f5e de seus pr\u00f3prios s\u00faditos, que tamb\u00e9m compartilham de seus desmandos e recebem seus favores. Esses s\u00faditos mant\u00eam uma s\u00e9rie de subordinados, os quais, por sua vez, possuem tamb\u00e9m seus pr\u00f3prios subordinados.<\/p>\n<p>Formam-se, destarte, rela\u00e7\u00f5es de favorecimento e obedi\u00eancia em m\u00faltiplos n\u00edveis ou inst\u00e2ncias. Todas essas inst\u00e2ncias controlam a malta ignorante pela for\u00e7a e, principalmente, pela engana\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas de \u201cp\u00e3o e circo\u201d e dos discursos religiosos e supersticiosos que envolvem o tirano em um manto de devo\u00e7\u00e3o. Tece-se assim uma rede de favores e concess\u00f5es, em que um homem deve obedi\u00eancia a outro, em uma teia cuja ponta leva, em \u00faltima inst\u00e2ncia, ao tirano. Ao cabo, os s\u00faditos s\u00e3o subjugados uns por meio dos outros. O tirano se mant\u00e9m tirano porque os pr\u00f3prios s\u00faditos se mant\u00eam servis. A servid\u00e3o, paradoxalmente, \u00e9 volunt\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u00c9 imposs\u00edvel ler La Bo\u00e9tie sem nos questionarmos sobre a nossa pr\u00f3pria situa\u00e7\u00e3o p\u00f3s-moderna e sobre os limites de nossa liberdade. At\u00e9 que ponto somos livres? \u00c9 \u00f3bvio que, em nossa sociedade pretensamente democr\u00e1tica, n\u00e3o cabe continuarmos falando do tirano absolutista de La Bo\u00e9tie \u2014 ainda que a descri\u00e7\u00e3o da din\u00e2mica das rela\u00e7\u00f5es de favorecimento e obedi\u00eancia seja assustadoramente atual em nosso sistema pol\u00edtico fortemente patrimonialista. Mas seria esta a \u00fanica forma de tirania?<\/p>\n<p>Byung-Chul Han, no op\u00fasculo \u201cSociedade do Cansa\u00e7o\u201d<a href=\"http:\/\/justificando.cartacapital.com.br\/2017\/04\/12\/tiranos-de-nos-mesmos-servidao-voluntaria-na-era-da-sociedade-do-desempenho\/#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>, discute a ascens\u00e3o de um novo paradigma social, em que a sociedade disciplinar de Foucault \u00e9 substitu\u00edda pela sociedade do desempenho. Esse novo modelo social \u00e9 movido por um imperativo de maximizar a produ\u00e7\u00e3o. N\u00f3s, sujeitos de desempenho, somos constante e sistematicamente pressionados a aperfei\u00e7oar nossa performance e aumentar nossa produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A cren\u00e7a subjacente, segundo Han, \u00e9 a de que nada \u00e9 imposs\u00edvel. N\u00f3s podemos fazer tudo. Estamos constantemente pressionados por um poder-fazer ilimitado. \u00c9 um excesso de positividade, que se constitui em verdadeira viol\u00eancia neuronal \u2014 uma viol\u00eancia que n\u00e3o parte do outro, mas que \u00e9 imanente ao sistema.<\/p>\n<p>E por isso produzimos. Produzimos at\u00e9 a exaust\u00e3o. E, mesmo cansados, continuamos produzindo. Uma meta \u00e9 sempre substitu\u00edda por outra. A tarefa nunca acaba. \u00c9 frustrante e esgotante. O resultado \u00e9 uma sociedade que gera fracassados e depressivos, a quem s\u00f3 resta recorrer a medicamentos para continuar produzindo mais eficientemente. Eliane Brum<a href=\"http:\/\/justificando.cartacapital.com.br\/2017\/04\/12\/tiranos-de-nos-mesmos-servidao-voluntaria-na-era-da-sociedade-do-desempenho\/#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a> capta muito bem esse sentido da sociedade do cansa\u00e7o:<\/p>\n<blockquote><p>Estamos exaustos e correndo. Exaustos e correndo. Exaustos e correndo. E a m\u00e1 not\u00edcia \u00e9 que continuaremos exaustos e correndo, porque exaustos-e-correndo virou a condi\u00e7\u00e3o humana dessa \u00e9poca. E j\u00e1 percebemos que essa condi\u00e7\u00e3o humana um corpo humano n\u00e3o aguenta. O corpo ent\u00e3o virou um atrapalho, um ap\u00eandice inc\u00f4modo, um n\u00e3o-d\u00e1-conta que adoece, fica ansioso, deprime, entra em p\u00e2nico. E assim dopamos esse corpo falho que se contorce ao ser submetido a uma velocidade n\u00e3o humana. Viramos exaustos-e-correndo-e-dopados. Porque s\u00f3 dopados para continuar exaustos-e-correndo.<\/p><\/blockquote>\n<p>Mas por que insistimos em continuar correndo, mesmo exaustos? Por que nos submetemos a tamanha viol\u00eancia ps\u00edquica? Onde est\u00e1 o tirano que nos obriga a continuar correndo quando nossos corpos est\u00e3o gritando por um momento de pausa?<\/p>\n<p>\u00c9 nesse momento que Byung-Chul Han encontra \u00c9tienne de La Bo\u00e9tie: n\u00f3s, exaustos e dopados, continuamos correndo <strong>voluntariamente<\/strong>. Al\u00e7ados a empres\u00e1rio de n\u00f3s mesmos, respons\u00e1veis e culpados por tudo o que nos acontece, n\u00f3s nos coagimos a sermos cada vez mais eficientes. No s\u00e9culo XVI, La Bo\u00e9tie denunciava a servid\u00e3o volunt\u00e1ria aos governos tiranos; o homem submetia-se voluntariamente \u00e0 coa\u00e7\u00e3o do tirano; e o tirano era o outro. Na sociedade do cansa\u00e7o de Han, n\u00f3s somos tiranos de n\u00f3s mesmos. Longe do que se poderia esperar, <em>\u201c[a] queda da inst\u00e2ncia dominadora n\u00e3o leva \u00e0 liberdade. Ao contr\u00e1rio, faz com que liberdade e coa\u00e7\u00e3o coincidam\u201d<\/em><a href=\"http:\/\/justificando.cartacapital.com.br\/2017\/04\/12\/tiranos-de-nos-mesmos-servidao-voluntaria-na-era-da-sociedade-do-desempenho\/#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>. Somos levados \u2014 ou melhor, entregamo-nos \u2014 \u00e0 \u201cliberdade coercitiva\u201d ou \u00e0 \u201clivre coer\u00e7\u00e3o\u201d de maximizar o desempenho. Enquanto empres\u00e1rios de n\u00f3s mesmos, somos ao mesmo tempo exploradores e explorados, agressores e v\u00edtimas, senhores e escravos do trabalho. <em>\u201cEssa autorreferencialidade gera uma liberdade paradoxal que, em virtude das estruturas coercitivas que lhe s\u00e3o inerentes, se transforma em viol\u00eancia.\u201d<\/em><a href=\"http:\/\/justificando.cartacapital.com.br\/2017\/04\/12\/tiranos-de-nos-mesmos-servidao-voluntaria-na-era-da-sociedade-do-desempenho\/#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a><\/p>\n<p>O instigante paradoxo de La Bo\u00e9tie, portanto, mant\u00e9m-se e sofistica-se. A liberdade encontra novas formas de coer\u00e7\u00e3o, oriundas n\u00e3o mais de fora, mas sistematicamente imposta a n\u00f3s e por n\u00f3s. Na superatividade incessante de nossa condi\u00e7\u00e3o de exaustos-e-correndo-e-dopados, nos quedamos passivos. Sem tempo para parar, contemplar, pensar ou criar, n\u00e3o chegamos nem a perceber nossa servid\u00e3o volunt\u00e1ria p\u00f3s-moderna \u2014 ainda que sintamos todos os seus efeitos. Como ent\u00e3o podemos deixar de ser servos na sociedade do desempenho?<\/p>\n<p>Na Fran\u00e7a de La Bo\u00e9tie, a monarquia absolutista foi deposta quando, no contexto da revolu\u00e7\u00e3o francesa, o terceiro estado (burguesia) tomou consci\u00eancia de sua condi\u00e7\u00e3o de servid\u00e3o volunt\u00e1ria e decidiu dela libertar-se. Foi esse \u00edmpeto que inspirou as famosas palavras do abade Siey\u00e8s:<\/p>\n<p>N\u00f3s temos tr\u00eas quest\u00f5es para nos fazer.<\/p>\n<p><em>1\u00ba O que \u00e9 o terceiro estado? \u2014 TUDO.<\/em><\/p>\n<p><em>2\u00ba O que ele tem sido at\u00e9 o presente na ordem pol\u00edtica? \u2014 NADA.<\/em><\/p>\n<p><em>3\u00ba O que ele exige? \u2014 SER ALGUMA COISA.<a href=\"http:\/\/justificando.cartacapital.com.br\/2017\/04\/12\/tiranos-de-nos-mesmos-servidao-voluntaria-na-era-da-sociedade-do-desempenho\/#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a><\/em><\/p>\n<p>\u00c9 bem verdade que, no s\u00e9culo XVIII, a revolu\u00e7\u00e3o sangrenta levou os tiranos \u00e0 forca. Na Fran\u00e7a, a guilhotina, literalidade da morte do tirano, foi s\u00edmbolo da morte da tirania. Mas, se o tirano do Estado absolutista vestia coroa, cetro e todos os s\u00edmbolos do poder, podendo ser imediatamente identificado, o tirano da sociedade do desempenho n\u00e3o tem rosto. Ou melhor, o tirano da sociedade do desempenho s\u00f3 ganha um rosto quando nos olhamos no espelho. Como ent\u00e3o matar a tirania da sociedade do desempenho quando o tirano somos n\u00f3s mesmos?<\/p>\n<p>Talvez a li\u00e7\u00e3o da revolu\u00e7\u00e3o francesa para os homens exaustos-e-correndo-e-dopados seja a tomada de consci\u00eancia. O primeiro passo para conseguirmos superar a livre coer\u00e7\u00e3o \u00e9 nos percebermos inseridos em uma estrutura social que nos leva a uma guerra conosco mesmos, na qual nos auto violentamos a ponto de nos encontrarmos \u00e0 beira de um \u201cinfarto ps\u00edquico\u201d ou de um \u201cinfarto da alma\u201d, para utilizarmos as express\u00f5es de Han<a href=\"http:\/\/justificando.cartacapital.com.br\/2017\/04\/12\/tiranos-de-nos-mesmos-servidao-voluntaria-na-era-da-sociedade-do-desempenho\/#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que j\u00e1 adentrou o senso comum a ideia de a depress\u00e3o ser o mal do nosso s\u00e9culo. O que falta \u00e9 compreendermos o quanto nossa depress\u00e3o \u00e9 fruto de uma viol\u00eancia volunt\u00e1ria.<\/p>\n<p>Essa percep\u00e7\u00e3o abre novos horizontes de compreens\u00e3o. Ela permite, por exemplo, que nos demos conta do quanto nossa hiperatividade \u00e9, na verdade, passiva (paradoxo da hiperatividade). Sobrecarregados de informa\u00e7\u00f5es e afazeres, realizamos as m\u00faltiplas tarefas que nos cabem, liquidando nossos impulsos criativos. A sociedade do desempenho, que tanto cobra empreendedorismo, mata a criatividade do sujeito que corre. Han<a href=\"http:\/\/justificando.cartacapital.com.br\/2017\/04\/12\/tiranos-de-nos-mesmos-servidao-voluntaria-na-era-da-sociedade-do-desempenho\/#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a> aponta que, em nossa correria hiperativa, dispersamos nossa aten\u00e7\u00e3o em um esfor\u00e7o de multitarefas e perdemos nossa capacidade de aten\u00e7\u00e3o profunda, que \u00e9 pressuposto das cria\u00e7\u00f5es culturais. Nossos movimentos variam entre o andar, o correr e o cavalgar. Mas nenhum \u00e9 um movimento novo. Trata-se de movimentos lineares, retos, que se diferenciam apenas por serem mais ou menos acelerados. S\u00e3o \u201c[p]ura inquieta\u00e7\u00e3o [que] n\u00e3o gera nada de novo. Reproduz e acelera o j\u00e1 existente\u201d. A atividade incessante aniquila a criatividade.<\/p>\n<p>Contra essa hiperatividade passiva, prop\u00f5e o autor que criemos espa\u00e7o para o repouso, o t\u00e9dio e a contempla\u00e7\u00e3o. O repouso nos d\u00e1 tempo \u2014 tempo para pensar e para criar. \u00c9 assim que nos apercebemos de novos movimentos que, ao inv\u00e9s de reproduzirem o andar linear, adotam a din\u00e2mica fresca da dan\u00e7a. <em>\u201cComparada com o andar linear, reto, a dan\u00e7a, com seus movimentos revoluteantes, \u00e9 um luxo que foge totalmente do princ\u00edpio do desempenho\u201d.<\/em><a href=\"http:\/\/justificando.cartacapital.com.br\/2017\/04\/12\/tiranos-de-nos-mesmos-servidao-voluntaria-na-era-da-sociedade-do-desempenho\/#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a> Nesses novos movimentos, conseguimos fugir da l\u00f3gica de reprodu\u00e7\u00e3o hiperativa e resgatamos a criatividade. Para tanto, precisamos apenas aprendermos a parar de correr.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo XVI, La Bo\u00e9tie j\u00e1 constatava que a for\u00e7a da tirania provinha da servid\u00e3o fornecida voluntariamente ao tirano. Por conseguinte, para enfraquecer os tiranos, <em>\u201cbasta n\u00e3o lhes dar nada e n\u00e3o lhes obedecer, sem combat\u00ea-lo ou atac\u00e1-lo, e eles ficam nus e s\u00e3o derrotados\u201d<\/em><a href=\"http:\/\/justificando.cartacapital.com.br\/2017\/04\/12\/tiranos-de-nos-mesmos-servidao-voluntaria-na-era-da-sociedade-do-desempenho\/#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a>. Na sociedade do desempenho, permitirmo-nos o repouso \u00e9 uma atitude revolucion\u00e1ria. \u00c9 um exerc\u00edcio de desobedi\u00eancia aos imperativos tir\u00e2nicos de produ\u00e7\u00e3o que nos impomos. Se quisermos superar nossa condi\u00e7\u00e3o de exaustos-e-correndo-e-dopados, basta n\u00e3o lhe darmos mais o combust\u00edvel da hiperatividade incessante. Se a servid\u00e3o \u00e9 volunt\u00e1ria, a autonomia tamb\u00e9m o \u00e9.<\/p>\n<p><strong>Bibliografia<\/strong><\/p>\n<p>BRUM, Eliane. Exaustos-e-correndo-e-dopados. <strong>El Pa\u00eds<\/strong>, 4 jul. 2016. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/07\/04\/politica\/1467642464_246482.html&gt;. Acesso em: 9 fev. 2017.<\/p>\n<p>HAN, Byung-Chul. <strong>Sociedade do cansa\u00e7o<\/strong>. Tradu\u00e7\u00e3o de Enio Paulo Giachini. Petr\u00f3polis: Vozes, 2015. T\u00edtulo original: M\u00fcdigkeitsgesellschaft.<\/p>\n<p>LA BO\u00c9TIE, \u00c9tienne de. <strong>Discurso da servid\u00e3o volunt\u00e1ria<\/strong>. Tradu\u00e7\u00e3o de Casemiro Linarth. S\u00e3o Paulo: Martin Claret, 2009. T\u00edtulo original: Discours de la servitude volontaire.<\/p>\n<p>SIEY\u00c8S, Emmanuel Joseph. <strong>Qu\u2019est-ce que le tiers \u00e9tat?<\/strong> 3. ed. Paris: Ed. du Boucher, 2002. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.leboucher.com\/pdf\/sieyes\/tiers.pdf&gt;. Acesso em: 9 fev. 2017.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/justificando.cartacapital.com.br\/2017\/04\/12\/tiranos-de-nos-mesmos-servidao-voluntaria-na-era-da-sociedade-do-desempenho\/#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> LA BO\u00c9TIE, \u00c9tienne de. <strong>Discurso da servid\u00e3o volunt\u00e1ria<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Martin Claret, 2009. p. 36.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/justificando.cartacapital.com.br\/2017\/04\/12\/tiranos-de-nos-mesmos-servidao-voluntaria-na-era-da-sociedade-do-desempenho\/#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Ibid.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/justificando.cartacapital.com.br\/2017\/04\/12\/tiranos-de-nos-mesmos-servidao-voluntaria-na-era-da-sociedade-do-desempenho\/#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> HAN, Byung-Chul. <strong>Sociedade do cansa\u00e7o<\/strong>. Petr\u00f3polis: Vozes, 2015.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/justificando.cartacapital.com.br\/2017\/04\/12\/tiranos-de-nos-mesmos-servidao-voluntaria-na-era-da-sociedade-do-desempenho\/#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> BRUM, Eliane. Exaustos-e-correndo-e-dopados. <strong>El Pa\u00eds<\/strong>, 4 jul. 2016. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/07\/04\/politica\/1467642464_246482.html&gt;. Acesso em: 9 fev. 2017.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/justificando.cartacapital.com.br\/2017\/04\/12\/tiranos-de-nos-mesmos-servidao-voluntaria-na-era-da-sociedade-do-desempenho\/#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> HAN, Byung-Chul. op. cit. p. 29.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/justificando.cartacapital.com.br\/2017\/04\/12\/tiranos-de-nos-mesmos-servidao-voluntaria-na-era-da-sociedade-do-desempenho\/#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> Ibid. p. 30.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/justificando.cartacapital.com.br\/2017\/04\/12\/tiranos-de-nos-mesmos-servidao-voluntaria-na-era-da-sociedade-do-desempenho\/#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> SIEY\u00c8S, Emmanuel Joseph. <strong>Qu\u2019est-ce que le tiers \u00e9tat?<\/strong> 3. ed. Paris: Ed. du Boucher, 2002. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.leboucher.com\/pdf\/sieyes\/tiers.pdf&gt;. Acesso em: 9 fev. 2017. Tradu\u00e7\u00e3o nossa. Texto original: Nous avons trois questions \u00e0 nous faire. 1\u00ba Qu\u2019est-ce que le Tiers \u00e9tat ? \u2014 TOUT. 2\u00ba Qu\u2019a-t-il \u00e9t\u00e9 jusqu\u2019\u00e0 pr\u00e9sent dans l\u2019ordre politique ? \u2014 RIEN. 3\u00ba Que demande-t-il ? \u2014 \u00c0 \u00caTRE QUELQUE CHOSE.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/justificando.cartacapital.com.br\/2017\/04\/12\/tiranos-de-nos-mesmos-servidao-voluntaria-na-era-da-sociedade-do-desempenho\/#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> HAN, Byung-Chul. op. cit. Respectivamente p. 20 e 71.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/justificando.cartacapital.com.br\/2017\/04\/12\/tiranos-de-nos-mesmos-servidao-voluntaria-na-era-da-sociedade-do-desempenho\/#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> Ibid. p. 31-35. Cita\u00e7\u00e3o direta: p. 34.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/justificando.cartacapital.com.br\/2017\/04\/12\/tiranos-de-nos-mesmos-servidao-voluntaria-na-era-da-sociedade-do-desempenho\/#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> Ibid. p. 35.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/justificando.cartacapital.com.br\/2017\/04\/12\/tiranos-de-nos-mesmos-servidao-voluntaria-na-era-da-sociedade-do-desempenho\/#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> LA BO\u00c9TIE, \u00c9tienne de. op. cit. p. 37.<\/p>\n<p>http:\/\/justificando.cartacapital.com.br\/2017\/04\/12\/tiranos-de-nos-mesmos-servidao-voluntaria-na-era-da-sociedade-do-desempenho\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lucas de Melo Prado\u00a0&#8211; \u00c9 o pr\u00f3prio povo que se escraviza e se suicida quando, podendo escolher entre ser submisso ou ser livre, renuncia \u00e0 liberdade e aceita o jugo; quando consente com seu sofrimento, ou melhor, o procura. 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