{"id":3644,"date":"2017-04-23T12:12:21","date_gmt":"2017-04-23T15:12:21","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=3644"},"modified":"2017-04-19T18:14:55","modified_gmt":"2017-04-19T21:14:55","slug":"pode-nao-haver-2018-alerta-o-economista-marcio-pochmann","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2017\/04\/23\/pode-nao-haver-2018-alerta-o-economista-marcio-pochmann\/","title":{"rendered":"\u201cPode n\u00e3o haver 2018\u201d, alerta o economista Marcio Pochmann"},"content":{"rendered":"<p><strong>Reda\u00e7\u00e3o<\/strong> &#8211; \u201cA crise que o Brasil vive hoje tem uma sa\u00edda institucional, que \u00e9 a elei\u00e7\u00e3o de 2018, com chance de o PT ou uma frente de esquerda venc\u00ea-la. Mas talvez possa n\u00e3o haver 2018\u201d, afirma o economista e professor da Unicamp Marcio Pochmann<\/p>\n<p>O aspecto mais grave da crise pol\u00edtica e econ\u00f4mica vivida pelo Brasil hoje \u00e9 que o pa\u00eds est\u00e1 completamente sem rumo. A avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 do economista Marcio Pochmann, professor da Unicamp e ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (IPEA). Segundo Pochmann, n\u00e3o h\u00e1 qualquer debate sobre um projeto nacional.<\/p>\n<p>Os setores de petr\u00f3leo e g\u00e1s, constru\u00e7\u00e3o civil, agroneg\u00f3cio e ind\u00fastria automobil\u00edstica est\u00e3o gravemente comprometidos. O pa\u00eds est\u00e1 cada vez mais dependente de uma pauta de exporta\u00e7\u00e3o primarizada. Segundo Pochmann, em entrevista ao jornalista Marco Weissheimer, do jornal Sul 21, em 2014, a ind\u00fastria representava cerca de 15% de todo o produto nacional.<\/p>\n<p>\u201cEm 2017, esse n\u00famero deve chegar a algo em torno de 8% a 9% do PIB, o que equivale ao que era o Brasil na d\u00e9cada de 1910. A avalia\u00e7\u00e3o do economista Marcio Pochmann, professor da Unicamp e ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (IPEA), n\u00e3o recomenda nenhum otimista sobre o futuro da economia brasileira nos pr\u00f3ximos meses\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Leia, adiante, os principais trechos da entrevista ao Sul21:<\/p>\n<p><strong>\u2014 Como voc\u00ea definiria o atual momento econ\u00f4mico que o Brasil est\u00e1 vivendo?<\/strong><\/p>\n<p>\u2014 Se olharmos do ponto de vista hist\u00f3rico, essa \u00e9 a quarta recess\u00e3o que temos no pa\u00eds desde que o capitalismo aqui se instalou, sendo a terceira do per\u00edodo em que o Brasil se tornou urbano e industrial. Essa \u00e9 a recess\u00e3o mais grave do ponto de vista da desorganiza\u00e7\u00e3o do sistema de investimentos do pa\u00eds. N\u00e3o \u00e9 apenas uma recess\u00e3o no sentido da redu\u00e7\u00e3o do n\u00edvel de atividade, mas tamb\u00e9m pelo processo de desinvestimento com o fechamento de empresas no pa\u00eds.<\/p>\n<p>A ind\u00fastria que, desde a Revolu\u00e7\u00e3o de 30, havia sido o vetor principal do comando da acumula\u00e7\u00e3o capitalista no Brasil, praticamente vai se desfazer com essa recess\u00e3o. J\u00e1 est\u00e1vamos convivendo com uma fase de descenso da ind\u00fastria. Em 2014, a ind\u00fastria representava cerca de 15% de todo o produto nacional. Em 2017, esse n\u00famero deve chegar a algo em torno de 8% a 9% do PIB, o que equivale ao que era o Brasil na d\u00e9cada de 1910.<\/p>\n<p>Podemos at\u00e9, em 2017, ter uma inflex\u00e3o na recess\u00e3o, mas isso n\u00e3o significa que temos base sustent\u00e1vel para voltar a crescer, pois estamos cada vez mais dependentes de uma pauta de exporta\u00e7\u00e3o primarizada. Al\u00e9m disso, o agroneg\u00f3cio est\u00e1 sendo atingido por uma s\u00e9rie de den\u00fancias. Os setores de petr\u00f3leo e g\u00e1s, constru\u00e7\u00e3o civil, agroneg\u00f3cio e ind\u00fastria automobil\u00edstica, que foram importantes para viabilizar a recupera\u00e7\u00e3o da economia nos anos 2000, nos governos do PT, est\u00e3o muito comprometidos.<\/p>\n<p>O Brasil est\u00e1 sem rumo. Talvez essa seja uma das coisas mais graves que estamos enfrentando. N\u00e3o h\u00e1 nenhuma discuss\u00e3o sobre um projeto nacional. O pa\u00eds est\u00e1 totalmente contaminado pelo curt\u00edssimo prazo.<\/p>\n<p><strong>\u2014 Qual o impacto que a agenda do governo Temer, com propostas como a da amplia\u00e7\u00e3o da terceiriza\u00e7\u00e3o e da Reforma da Previd\u00eancia, pode ter nesta conjuntura econ\u00f4mica?<\/strong><\/p>\n<p>\u2014 O governo Temer \u00e9 composto por duas for\u00e7as que, contraditoriamente, tamb\u00e9m expressam sua fraqueza. Uma \u00e9 a capacidade de organizar uma maioria no \u00e2mbito do Legislativo. Durante o ciclo da Nova Rep\u00fablica, de 1985 para c\u00e1, dificilmente encontraremos um presidente com tanta capacidade de formar uma maioria como vemos agora. Essa maioria se expressa na perspectiva de que o pr\u00f3prio presidente Temer possa evitar a contamina\u00e7\u00e3o da Lava Jato. \u00c9 uma maioria que se organizou muito mais em torno do medo de estar contaminada pelas investiga\u00e7\u00f5es da Lava Jato, com a expectativa de que o governo Temer possa amenizar os efeitos dessa opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De outro lado, h\u00e1 a for\u00e7a que vem de grandes setores econ\u00f4micos e midi\u00e1ticos em torno das reformas neoliberais que estavam planejadas para os anos 90 e que foram interrompidas pelo ciclo de governos do PT. \u00c9 isso que d\u00e1 for\u00e7a ao governo Temer. No entanto, mesmo essa for\u00e7a tem uma fraqueza, na medida que n\u00e3o encaminha um projeto de inser\u00e7\u00e3o do Brasil no cen\u00e1rio internacional.<\/p>\n<p>O que aconteceu semana passada com a aprova\u00e7\u00e3o da lei da terceiriza\u00e7\u00e3o \u00e9 express\u00e3o de um pensamento que vem desde os tempos do imp\u00e9rio. Naquela \u00e9poca, esse setor das elites dominantes achava que as raz\u00f5es do atraso do Brasil estavam relacionadas \u00e0 presen\u00e7a popula\u00e7\u00e3o negra e n\u00e3o ao modelo agr\u00e1rio exportador.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o que eles apresentaram para isso foi implementar um processo de \u201cbranqueamento\u201d da popula\u00e7\u00e3o, com a atra\u00e7\u00e3o de imigrantes europeus. Em 1872, dois ter\u00e7os da popula\u00e7\u00e3o brasileira eram compostos por negros e ind\u00edgenas. Como resultado desse processo, em 1940, cerca de 63% da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds j\u00e1 \u00e9 branca. (\u2026)<\/p>\n<h4><strong>Demanda favor\u00e1vel<\/strong><\/h4>\n<p>Agora, estamos vendo um terceiro movimento de flexibiliza\u00e7\u00e3o da CLT que se d\u00e1 num quadro recessivo e que, possivelmente, n\u00e3o dever\u00e1 ter um impacto positivo no n\u00edvel de emprego, mas sim o rebaixamento das condi\u00e7\u00f5es de trabalho. Os empres\u00e1rios, em uma situa\u00e7\u00e3o como essa em que n\u00e3o h\u00e1 grande demanda por seus produtos, buscam sobretudo redu\u00e7\u00e3o de custos. Como vivemos em um pa\u00eds com taxas de juros extremamente elevadas, que tem crescido em termos reais n\u00e3o obstante a taxa Selic ter ca\u00eddo nominalmente, e com um sistema tribut\u00e1rio com problemas, a redu\u00e7\u00e3o de custos \u00e9 o caminho mais f\u00e1cil que os empres\u00e1rios v\u00e3o buscar para enfrentar a crise.<\/p>\n<p>Os impactos dessas medidas na demanda ser\u00e3o desfavor\u00e1veis, o que pode comprometer ainda mais uma poss\u00edvel recupera\u00e7\u00e3o da economia brasileira. H\u00e1 outros componentes que podem afetar essa possibilidade de recupera\u00e7\u00e3o. Tivemos agora esse epis\u00f3dio envolvendo o agroneg\u00f3cio e a ind\u00fastria da carne. Estamos com problemas s\u00e9rios envolvendo as administra\u00e7\u00f5es municipais e estaduais. Al\u00e9m disso, se as terceiriza\u00e7\u00f5es aprovadas agora forem implementadas muito rapidamente, isso pode resultar no rebaixamento da taxa de sal\u00e1rios, comprometendo o consumo. Essa conjun\u00e7\u00e3o de fatores pode fazer com tenhamos, em 2017, um terceiro ano recessivo.<\/p>\n<p><strong>\u2014 Voc\u00ea referiu que a participa\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria na composi\u00e7\u00e3o do PIB brasileiro regrediu ao est\u00e1gio de 1910. H\u00e1 quem diga que a decis\u00e3o aprovada na C\u00e2mara dos Deputados liberando as terceiriza\u00e7\u00f5es inclusive nas atividades fim significa o cumprimento do projeto de FHC de \u201cvirar a p\u00e1gina do getulismo\u201d. \u00c9 isso o que est\u00e1 acontecendo, de fato?<\/strong><\/p>\n<p>\u2014 N\u00f3s temos uma polariza\u00e7\u00e3o que \u00e9 recorrente desde a Independ\u00eancia. \u00c9 uma disputa sobre o comando do desenvolvimento brasileiro. Essa polariza\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 presente em 1822 com Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio que defendia que o Brasil n\u00e3o podia ser apenas um pa\u00eds rural e agr\u00e1rio e precisava ter uma base urbana e industrial. Ao longo do Imp\u00e9rio, por\u00e9m, a ind\u00fastria brasileira nunca teve for\u00e7a, com exce\u00e7\u00e3o de algumas iniciativas pontuais. Com a Rep\u00fablica, ela passa a contar com o apoio de abolicionistas, como Rui Barbosa, que tem uma perspectiva urbana e industrial.<\/p>\n<p>No primeiro governo da Rep\u00fablica Velha, Rui Barbosa chega a tentar um ensaio desenvolvimentista com base industrial a partir de uma pol\u00edtica de expans\u00e3o do cr\u00e9dito, que n\u00e3o tem sucesso. A partir da\u00ed, temos mais algumas d\u00e9cadas da Rep\u00fablica Velha sustentada no agrarismo.<\/p>\n<p>A crise de 29, a revolu\u00e7\u00e3o de 30 e o movimento tenentista abre outra perspectiva para o Brasil, colocando a industrializa\u00e7\u00e3o no centro da agenda do governo. As For\u00e7as Armadas desempenham um papel importante neste processo, pois se d\u00e3o conta que, sem ind\u00fastria, elas tamb\u00e9m n\u00e3o ter\u00e3o capacidade de exercer as fun\u00e7\u00f5es que imaginam ser fundamentais. A partir de 30, temos um projeto vitorioso que vem at\u00e9 a d\u00e9cada de 80, quando come\u00e7a a sofrer constrangimentos.<\/p>\n<h4><strong>Setores contaminados<\/strong><\/h4>\n<p>Acredito que o governo Temer, de certa maneira, \u00e9 a pedra que faltava para retirar as possibilidades da industrializa\u00e7\u00e3o brasileira. Isso n\u00e3o significa que n\u00e3o teremos ind\u00fastria. N\u00e3o teremos industrializa\u00e7\u00e3o que \u00e9 uma coisa um pouco diferente. At\u00e9 a d\u00e9cada de 30, o Brasil tinha ind\u00fastrias tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Havia a ind\u00fastria da banha, ind\u00fastria aliment\u00edcia, ind\u00fastrias de bens de consumo n\u00e3o dur\u00e1veis. Mas n\u00e3o existia industrializa\u00e7\u00e3o que \u00e9 a centralidade da ind\u00fastria do ponto de vista da acumula\u00e7\u00e3o de capital. \u00c9 ela que, ao expandir o seu pr\u00f3prio setor, contamina v\u00e1rios outros setores da atividade econ\u00f4mica. O que temos hoje basicamente \u00e9 a for\u00e7a do setor de produ\u00e7\u00e3o agro-mineral e o setor de servi\u00e7os. S\u00e3o setores importantes, mas sem capacidade de permitir um ritmo de expans\u00e3o sustent\u00e1vel para um pa\u00eds com mais de 200 milh\u00f5es de habitantes.<\/p>\n<p>Essa fase de descenso da ind\u00fastria \u00e9 uma longa fase de decad\u00eancia do Brasil. A hist\u00f3ria econ\u00f4mica do Brasil \u00e9 permeada de ciclos econ\u00f4micos. Tivemos os ciclos do pau Brasil, da cana de a\u00e7\u00facar, do ouro, do caf\u00e9 e assim por diante. A industrializa\u00e7\u00e3o possivelmente tenha se transformado num ciclo que teve seu auge e, a partir dos anos 80, vem apresentando sinais de decad\u00eancia.<\/p>\n<p>Com o governo Temer, creio que n\u00e3o teremos mais condi\u00e7\u00f5es de ter industrializa\u00e7\u00e3o porque o que vai sobrar ser\u00e3o algumas ind\u00fastrias sem capacidade de oferecer ao pa\u00eds um projeto de desenvolvimento sustent\u00e1vel de longo prazo.<\/p>\n<p><strong>\u2014 Como voc\u00ea avalia a capacidade das for\u00e7as pol\u00edticas e sociais que apoiaram os governos Lula e Dilma para enfrentar as medidas que vem sendo aprovadas pelo governo Temer e suas conseq\u00fc\u00eancias?<\/strong><\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o acredito que o cen\u00e1rio que estou descrevendo at\u00e9 aqui seja algo definitivo. \u00c9 uma avalia\u00e7\u00e3o do momento que estamos vivendo. Mas \u00e9 poss\u00edvel virar essa p\u00e1gina. Reconstituir a maioria pol\u00edtica que viabilizou a vit\u00f3ria longeva de uma frente liderada pelo Partido dos Trabalhadores. Mas essa maioria foi muito fragmentada. Garantiu a governabilidade para repor aquilo que o neoliberalismo havia retirado nos anos 90. (\u2026)<br \/>\nA crise que o Brasil vive hoje tem uma sa\u00edda institucional. \u00c9 a elei\u00e7\u00e3o de 2018, com chance de o PT ou uma frente de esquerda venc\u00ea-la. Mas, talvez possa n\u00e3o haver 2018.<\/p>\n<p><strong>\u2014 Considerando essa compara\u00e7\u00e3o com 64, h\u00e1 um ator importante que est\u00e1 em relativo sil\u00eancio na crise atual. As for\u00e7as armadas que, inclusive, t\u00eam alguns projetos seus sendo amea\u00e7ados pelo governo Temer. Como \u00e9 o caso do submarino nuclear. Na sua opini\u00e3o, h\u00e1 alguma mudan\u00e7a qualitativa no papel das for\u00e7as armadas em rela\u00e7\u00e3o aquele de 1964?<\/strong><\/p>\n<p>\u2014 Ap\u00f3s o golpe de 64 houve um processo de despolitiza\u00e7\u00e3o das for\u00e7as armadas. Nos anos 50 e 60, as for\u00e7as armadas eram muito politizadas. Essa caracter\u00edstica, se n\u00e3o foi eliminada, perdeu import\u00e2ncia. A impress\u00e3o que eu tenho \u00e9 que as for\u00e7as armadas podem assumir um papel mais ativo. No caso de uma amea\u00e7a constitucional. Alguma coisa identificada como insurrei\u00e7\u00e3o ou desorganiza\u00e7\u00e3o do sistema de seguran\u00e7a. N\u00e3o me parece que elas possam repetir uma iniciativa como a de 64. At\u00e9 porque o cen\u00e1rio internacional est\u00e1 bastante conturbado.<\/p>\n<p>No governo Obama, deu-se uma presen\u00e7a muito grande dos Estados Unidos na retomada da lideran\u00e7a no interior da Am\u00e9rica Latina. O protagonismo assumido pelo Brasil certamente n\u00e3o contou com a aprova\u00e7\u00e3o do governo norte-americano. Agora, por\u00e9m, os Estados Unidos vivem problemas muito mais significativos. E est\u00e3o numa situa\u00e7\u00e3o de maior insulamento, olhando para os seus problemas. O governo Trump n\u00e3o parece muito preocupado com outras realidades, diferentemente da pol\u00edtica externa do governo Obama.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, o apoio externo que os golpistas tiveram em 64 n\u00e3o me parece estar materializado hoje. Alem disso, nem \u00e9 preciso recorrer ao golpe cl\u00e1ssico para evitar que ocorram elei\u00e7\u00f5es em 2018. H\u00e1 outras formas como estamos vendo agora. Estamos vivendo um golpe e n\u00e3o estamos mais vivendo dentro da normalidade democr\u00e1tica.<\/p>\n<p>http:\/\/www.correiodobrasil.com.br\/pode-nao-haver-2018-alerta-o-economista-marcio-pochmann\/<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reda\u00e7\u00e3o &#8211; \u201cA crise que o Brasil vive hoje tem uma sa\u00edda institucional, que \u00e9 a elei\u00e7\u00e3o de 2018, com chance de o PT ou uma frente de esquerda venc\u00ea-la. 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