{"id":3303,"date":"2017-03-19T12:01:49","date_gmt":"2017-03-19T15:01:49","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=3303"},"modified":"2017-03-17T13:05:50","modified_gmt":"2017-03-17T16:05:50","slug":"quanto-menos-entendemos-mais-julgamos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2017\/03\/19\/quanto-menos-entendemos-mais-julgamos\/","title":{"rendered":"\u201cQuanto menos entendemos, mais julgamos\u201d"},"content":{"rendered":"<p><strong>Mia Couto<\/strong> &#8211; No ano de 2007, Mia Couto participou, em Campinas \u2013 SP, de um Congresso sobre leitura. O homenageado era o poeta Ferreira Gullar e Mia iniciou o seu discurso falando na import\u00e2ncia de \u201cdesarmadilharmos\u201d o mundo. Segundo ele, \u201ccompete-nos desarmadilhar o mundo para que ele seja mais nosso e mais solid\u00e1rio. Todos queremos um mundo novo, um mundo que tenha tudo de novo e muito pouco de mundo. A isso chamaram de utopia.\u201d<\/p>\n<p>O escritor passa, ent\u00e3o, a discorrer sobre as armadilhas do mundo contempor\u00e2neo, abordando desde o maniqueismo at\u00e9 a \u201cbiologiza\u00e7\u00e3o da identidade\u201d que, segundo ele, s\u00e3o itens a serem \u201cdesarmadilhados\u201d.<\/p>\n<p>Esta interven\u00e7\u00e3o de Mia Couto foi registrada no livro de ensaios \u201cE se Obama fosse africano?\u201d, onde poder\u00e1 ser lida em sua integralidade. Segue o texto de Mia Couto:<\/p>\n<p><strong>As armadilhas de dentro<\/strong><\/p>\n<p>A nossa tenta\u00e7\u00e3o \u00e9 quase sempre manique\u00edsta. A vis\u00e3o simples que separa os \u201cbons\u201d dos \u201cmaus\u201d \u00e9 sempre a mais imediata. Quanto menos entendemos, mais julgamos.<\/p>\n<p>A cilada maior \u00e9 acreditarmos que as armadilhas est\u00e3o sempre fora de n\u00f3s, num mundo que temos por cruel e desumano. Ora, por muito que nos custe, n\u00f3s somos tamb\u00e9m esse mundo. E as armadilhas que pens\u00e1vamos exteriores residem profundamente dentro de n\u00f3s. Quebrar as armadilhas do mundo \u00e9, antes de mais, quebrar o mundo de armadilhas em que se converteu o nosso pr\u00f3prio olhar. Precisamos de passar um programa antiv\u00edrus pelo nosso hardware mental. Escolhi falar dessas ratoeiras interiores que nos convertem em n\u00f3madas deambulando entre ecos e sombras.<\/p>\n<p><strong>A armadilha da realidade<\/strong><\/p>\n<p>Uma das primeiras armadilhas interiores \u00e9 aquilo que chamamos de \u201crealidade\u201d. Falo, \u00e9 claro, da ideia de realidade que actua como a grande fiscalizadora do nosso pensamento. O maior desafio \u00e9 sermos capazes de n\u00e3o ficar aprisionados nesse recinto que uns chamam de \u201craz\u00e3o\u201d, outros de \u201cbom-senso\u201d. A realidade \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o social e \u00e9, frequentemente, demasiado real para ser verdadeira. N\u00f3s<br \/>\nn\u00e3o temos sempre que a levar t\u00e3o a s\u00e9rio.<\/p>\n<p>Quando Ho Chi Minh saiu da pris\u00e3o e lhe perguntaram como conseguiu escrever versos t\u00e3o cheios de ternura numa pris\u00e3o t\u00e3o desumana ele respondeu: \u201cEu desvalorizei as paredes\u201d. Essa li\u00e7\u00e3o se converteu num lema da minha conduta. Ho Chi Minh ensinou a si pr\u00f3prio a ler para al\u00e9m dos muros da pris\u00e3o. Ensinar a ler \u00e9 sempre ensinar a transpor o imediato. \u00c9 ensinar a escolher entre sentidos vis\u00edveis e invis\u00edveis. \u00c9 ensinar a pensar no sentido original da palavra \u201cpensar\u201d que significava \u201ccurar\u201d ou \u201ctratar\u201d um ferimento. Temos de repensar o mundo no sentido terap\u00eautico de o salvar de doen\u00e7as de que padece. Uma das prescri\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas \u00e9 mantermos a habilidade da transcend\u00eancia, recusando ficar pelo que \u00e9 imediatamente percept\u00edvel. Isso implica a aplica\u00e7\u00e3o de um medicamento chamado inquieta\u00e7\u00e3o cr\u00edtica. Significa fazermos com a nossa vida quotidiana aquilo que fizemos neste congresso que \u00e9 deixar entrar a luz da poesia na casa do pensamento.<\/p>\n<p><strong>A armadilha da identidade<\/strong><\/p>\n<p>A mais perigosa armadilha \u00e9 aquela que possui a apar\u00eancia de uma ferramenta de emancipa\u00e7\u00e3o. Uma dessas ciladas \u00e9 a ideia de que n\u00f3s, seres humanos, possu\u00edmos uma identidade essencial: somos o que somos porque estamos geneticamente programados. Ser-se mulher, homem, branco, negro, velho ou crian\u00e7a, ser-se doente ou infeliz, tudo isso surge como condi\u00e7\u00e3o inscrita no ADN. Essas categorias parecem provir apenas da Natureza. A nossa exist\u00eancia resultaria, assim, apenas de uma leitura de um c\u00f3digo de bases e nucle\u00f3tidos.<\/p>\n<p>Esta biologiza\u00e7\u00e3o da identidade \u00e9 uma capciosa armadilha. Simone de Beauvoir disse: a verdadeira natureza humana \u00e9 n\u00e3o ter natureza nenhuma. Com isso ela combatia a ideia estereotipada da identidade. Aquilo que somos n\u00e3o \u00e9 o simples cumprir de um destino programado nos cromossomas, mas a realiza\u00e7\u00e3o de um ser que se constr\u00f3i em trocas com os outros e com a realidade envolvente.<\/p>\n<p>A imensa felicidade que a escrita me deu foi a de poder viajar por entre categorias existenciais. Na realidade, de pouco vale a leitura se ela n\u00e3o nos fizer transitar de vidas. De pouco vale escrever ou ler se n\u00e3o nos deixarmos dissolver por outras identidades e n\u00e3o reacordarmos em outros corpos, outras vozes.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas do dom\u00ednio de t\u00e9cnicas de decifra\u00e7\u00e3o do alfabeto. Tratase, sim, de possuirmos instrumentos para sermos felizes. E o segredo \u00e9 estar dispon\u00edvel para que outras l\u00f3gicas nos habitem, \u00e9 visitarmos e sermos visitados por outras sensibilidades. \u00c9 f\u00e1cil sermos tolerantes com os que s\u00e3o diferentes. \u00c9 um pouco mais dif\u00edcil sermos solid\u00e1rios com os outros. Dif\u00edcil \u00e9 sermos outros, dif\u00edcil<br \/>\nmesmo \u00e9 sermos os outros.<\/p>\n<p><strong>A armadilha da hegemonia da escrita<\/strong><\/p>\n<p>Uma terceira armadilha \u00e9 pensar que a sabedoria tem resid\u00eancia exclusiva no universo da escrita. \u00c9 olhar a oralidade como um sinal de menoridade. Com alguma condescend\u00eancia, \u00e9 usual pensar a oralidade como patrim\u00f3nio tradicional que deve ser preservado. O culto de uma sabedoria livresca pode contrariar o prop\u00f3sito da cultura e do livro que \u00e9 o da descoberta da alteridade.<\/p>\n<p>Certa vez, um menino de rua em Maputo veio-me devolver um livro que ele vira nas m\u00e3os de uma estudante \u00e0 sa\u00edda da escola. Notando a minha fotografia na capa, esse menino acreditou que a estudante me tinha roubado o livro. Me comoveu esse menino que atravessou a cidade para me devolver algo que, no entender dele, me pertencia. Mas o que ele me entregava era mais do que um objecto. Ele me entregava a inquieta\u00e7\u00e3o profunda, a interroga\u00e7\u00e3o: a quem pertence realmente um livro? Ele \u00e9 nosso porque o adquirimos, sim. O livro deve ser objecto e mercadoria para chegar \u00e0s nossas m\u00e3os. Mas s\u00f3 somos donos desse objecto quando ele deixa de ser objecto e deixa de ser mercadoria. O livro s\u00f3 cumpre o seu destino quando transitamos de leitores para produtores do texto, quando tomamos posse dele como seus co-autores.<\/p>\n<p>A mais importante linha divis\u00f3ria em Mo\u00e7ambique n\u00e3o \u00e9 tanto a fronteira que separa analfabetos e alfabetizados, mas a fronteira entre a l\u00f3gica da escrita e a l\u00f3gica da oralidade. A absoluta maioria dos 20 milh\u00f5es de mo\u00e7ambicanos vive e funciona num tipo de racionalidade que tem pouco a ver com o universo urbano. Mas em Mo\u00e7ambique, como no resto do mundo, a l\u00f3gica da escrita instalou-se com absoluta hegemonia. Nesses casos, pressupostos filos\u00f3ficos do mundo rural correm o risco de ser exclu\u00eddos e extintos. Algumas das ideias que venho defendendo nesta comunica\u00e7\u00e3o est\u00e3o claramente presentes na epistemologia da ruralidade africana. A concep\u00e7\u00e3o relacional da identidade, inscrita no prov\u00e9rbio: \u201cEu sou os outros\u201d; a ideia de que a felicidade se alcan\u00e7a n\u00e3o por dom\u00ednio mas por harmonias; a ideia de um tempo circular; o sentimento de gerir o mundo em di\u00e1logo com os mortos: todos estes conceitos constam da rica cosmogonia rural africana. \u00c9 evidente que n\u00e3o se pode romantizar esse mundo n\u00e3o urbanizado. Ele necessita de enfrentar o confronto com a modernidade. O desafio seria alfabetizar sem que a riqueza da oralidade fosse eliminada. O desafio seria ensinar a escrita a conversar com a oralidade.<\/p>\n<p><strong>N\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 os livros que se l\u00eaem<\/strong><\/p>\n<p>Falamos em ler e pensamos apenas nos livros, nos textos escritos. O senso comum diz que lemos apenas palavras. Mas a ideia de leitura aplica-se a um vasto universo. N\u00f3s lemos emo\u00e7\u00f5es nos rostos, lemos os sinais clim\u00e1ticos nas nuvens, lemos o ch\u00e3o, lemos o Mundo, lemos a Vida. Tudo pode ser p\u00e1gina. Depende apenas da inten\u00e7\u00e3o de descoberta do nosso olhar. Queixamo-nos de que as pessoas n\u00e3o l\u00eaem livros. Mas o deficit de leitura \u00e9 muito mais geral. N\u00e3o sabemos ler o mundo, n\u00e3o lemos os outros.<\/p>\n<p>Vale a pena ler livros ou ler a Vida quando o acto de ler nos converte num sujeito de uma narrativa, isto \u00e9, quando nos tornamos personagens. Mais do que saber ler, ser\u00e1 que sabemos, ainda hoje, contar hist\u00f3rias? Ou sabemos simplesmente escutar hist\u00f3rias onde nos parece reinar apenas sil\u00eancio?<\/p>\n<p>Lembrei aqui o epis\u00f3dio do menino de rua porque tudo come\u00e7a a\u00ed, na inf\u00e2ncia. A inf\u00e2ncia n\u00e3o \u00e9 um tempo, n\u00e3o \u00e9 uma idade, uma colec\u00e7\u00e3o de mem\u00f3rias. A inf\u00e2ncia \u00e9 quando ainda n\u00e3o \u00e9 demasiado tarde. \u00c9 quando estamos dispon\u00edveis para nos surpreendermos, para nos deixarmos encantar. Quase tudo se adquire nesse tempo em que aprendemos o pr\u00f3prio sentimento do Tempo.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que mantemos uma rela\u00e7\u00e3o com a crian\u00e7a como se ela fosse uma menoridade, uma falta, um estado prec\u00e1rio. Mas a inf\u00e2ncia n\u00e3o \u00e9 apenas um est\u00e1gio para a maturidade. \u00c9 uma janela que, fechada ou aberta, permanece viva dentro de n\u00f3s.<\/p>\n<p>Recordo-me de que a guerra tinha deflagrado no meu pa\u00eds e o meu pai me levava a passear por antigas vias-f\u00e9rreas \u00e0 procura de min\u00e9rios brilhantes que tombavam dos comboios. Em redor, havia um mundo que se desmoronava mas ali estava um homem ensinando o seu filho a catar brilhos entre as poeiras do ch\u00e3o. Essa foi uma primeira li\u00e7\u00e3o de poesia. Uma li\u00e7\u00e3o de leitura do ch\u00e3o que todos os dias pisava. Meu pai me sugeria uma esp\u00e9cie de intimidade entre o ch\u00e3o e o olhar. E ali estava uma cura para uma ferida que eu n\u00e3o saberei nunca localizar em mim, uma esp\u00e9cie de mem\u00f3ria de algu\u00e9m que viveu em mim e fechou atr\u00e1s de si um cortinado de brumas.<\/p>\n<p>Pois eu vivo praticando a li\u00e7\u00e3o de leitura do meu pai que promove o ch\u00e3o em p\u00e1gina. E estou aplicando o ensinamento de Ho Chi Minh que despromove a pris\u00e3o em possibilidade de p\u00e1gina. Deste modo aprendendo algo que sei que nunca chegarei a saber.<\/p>\n<p>Enquanto escrevia o meu romance O \u00faltimo voo do flamingo viajei pelo litoral do sul de Mo\u00e7ambique \u00e0 procura de mitos e lendas sobre o mar. Mas tal n\u00e3o aconteceu. Dificilmente havia hist\u00f3rias ou lendas. O imagin\u00e1rio destes povos pertencia invariavelmente \u00e0 terra firme. Apesar de habitarem o litoral, os seus sonhos moravam longe do oceano.<\/p>\n<p>Aos poucos fui entendendo \u2014 aquelas zonas costeiras eram habitadas por gente que chegou recentemente \u00e0 beira-mar. S\u00e3o agricultores-pastores que foram sendo empurrados para o litoral. A sua cultura \u00e9 a da imensid\u00e3o da savana interior. Em suas l\u00ednguas n\u00e3o existem palavras pr\u00f3prias para designar barco. O pequeno barquinho toma o nome a partir do ingl\u00eas \u2014 b\u00f4te. O navio grande \u00e9 chamado de xitimela xa mati (literalmente, \u201co comboio da \u00e1gua\u201d). O pr\u00f3prio oceano \u00e9 chamado de \u201clugar grande\u201d. Pescar diz-se \u201cmatar o peixe\u201d. Deitar a rede \u00e9 \u201cpeneirar a \u00e1gua\u201d.<\/p>\n<p>As armadilhas de pesca s\u00e3o constru\u00eddas \u00e0 semelhan\u00e7a daquelas usadas na ca\u00e7a. Os territ\u00f3rios de colecta de mariscos na praia s\u00e3o parcelados e sujeitos a pousio, exactamente como se faz nos terrenos agr\u00edcolas. Ao contr\u00e1rio do que sucede no centro e no norte de Mo\u00e7ambique, estes povos pescam sem serem pescadores. S\u00e3o lavradores que tamb\u00e9m colhem no mar. O seu assunto continua sendo a semente e<br \/>\no fruto. Os seus sonhos moram em terra e os deuses viajam pela chuva.<\/p>\n<p>N\u00f3s estamos todos como esses povos que desconheciam a rela\u00e7\u00e3o com o mar. O chamado \u201cprogresso\u201d nos empurrou para uma fronteira que \u00e9 recente, e olhamos o horizonte como se fosse um abismo sem fim. N\u00e3o sabemos dar nome \u00e0s coisas e n\u00e3o sabemos sonhar neste tempo que nos cabe como nosso. Os nossos deuses dificilmente t\u00eam moradia no actual mundo.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 exactamente nesse espa\u00e7o de fronteira que estamos aprendendo a ser criaturas de fronteira, costureiros de diferen\u00e7as e viajantes de caminhos que atravessam n\u00e3o outras terras mas outras gentes. A poesia de Gullar deu mote a este encontro. O poeta Gullar defende que a poesia tem por miss\u00e3o desafiar o imposs\u00edvel e dizer o indiz\u00edvel. O que o poeta faz \u00e9 mais do que dar nome \u00e0s coisas. O que ele faz \u00e9 converter as coisas em apar\u00eancia pura. O que o poeta faz \u00e9 iluminar as coisas. Como nos versos com que encerro:<\/p>\n<p>Toda coisa tem peso:<br \/>\numa noite em seu centro.<br \/>\nO poema \u00e9 uma coisa<br \/>\nque n\u00e3o tem nada dentro,<br \/>\na n\u00e3o ser o ressoar<br \/>\nde uma imprecisa voz<br \/>\nque n\u00e3o quer se apagar<br \/>\n\u2014 essa voz somos n\u00f3s.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"QDyzgYuAf4\"><p><a href=\"https:\/\/www.revistapazes.com\/8542-2\/\">&#8220;Quanto menos entendemos, mais julgamos.&#8221; &#8211; Mia Couto<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;&#8220;Quanto menos entendemos, mais julgamos.&#8221; &#8211; Mia Couto&#8221; &#8212; Revista Pazes\" src=\"https:\/\/www.revistapazes.com\/8542-2\/embed\/#?secret=0LXK9HbiEC#?secret=QDyzgYuAf4\" data-secret=\"QDyzgYuAf4\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mia Couto &#8211; No ano de 2007, Mia Couto participou, em Campinas \u2013 SP, de um Congresso sobre leitura. 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