{"id":3295,"date":"2017-03-17T12:48:49","date_gmt":"2017-03-17T15:48:49","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=3295"},"modified":"2017-03-16T19:57:29","modified_gmt":"2017-03-16T22:57:29","slug":"soja-destroi-a-amazonia-e-chantageia-o-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2017\/03\/17\/soja-destroi-a-amazonia-e-chantageia-o-pais\/","title":{"rendered":"Soja destr\u00f3i a Amaz\u00f4nia e \u201cchantageia o pa\u00eds\u201d"},"content":{"rendered":"<p><strong>Mauricio Torres e\u00a0Sue Branford<\/strong> &#8211; O agroneg\u00f3cio representa metade das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras, o que garante poder pol\u00edtico ao setor<\/p>\n<p>Em apenas 40 anos o norte do estado de Mato Grosso sofreu uma transforma\u00e7\u00e3o profunda: o avan\u00e7o do agroneg\u00f3cio substituiu o cerrado e a floresta amaz\u00f4nica por extensas monoculturas agr\u00edcolas, protagonizadas pela soja.<\/p>\n<p>A soja entrou no estado a uma velocidade assustadora: a \u00e1rea sob cultivo pulou de 1,2 milh\u00f5es de hectares em 1991 para 6,2 milh\u00f5es de hectares em 2010 e para 9,4 milh\u00f5es de hectares em 2016. Segundo o ge\u00f3grafo Ant\u00f4nio Ioris, professor da Universidade de Cardiff, que pesquisa o avan\u00e7o do agroneg\u00f3cio em Mato Grosso, um fator-chave neste processo foi a participa\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o de pesquisa agr\u00edcola do governo federal: \u201cAs novas tecnologias desenvolvidas pela Embrapa para os solos \u00e1cidos e outros problemas permitem que a soja entre ap\u00f3s uma crise do setor na d\u00e9cada de 1980, dando novo f\u00f4lego \u00e0 fronteira agr\u00edcola\u201d. \u00a0Entretanto, a grande expans\u00e3o da soja aconteceria no final dos anos 1990, \u201cbeneficiada pelo <em>boom<\/em> das <em>commodities<\/em> e pela liberaliza\u00e7\u00e3o da economia\u201d, completa Ioris.<\/p>\n<p>O avan\u00e7o do <a href=\"http:\/\/www.escoladegestao.pr.gov.br\/arquivos\/File\/2015\/VIII_Consad\/041.pdf\">agroneg\u00f3cio no MT foi acompanhado da narrativa de levar \u201cdesenvolvimento para o estado\u201d<\/a> mas, segundo Andreia Fanzeres, coordenadora do programa de direitos ind\u00edgenas da Opera\u00e7\u00e3o Amaz\u00f4nia Nativa (OPAN), ONG que trabalha com povos ind\u00edgenas na regi\u00e3o, tais \u201cbenef\u00edcios\u201d n\u00e3o alcan\u00e7aram todos que ali viviam. Como ocorreu em epis\u00f3dios anteriores de coloniza\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia, as popula\u00e7\u00f5es tradicionais que habitavam a regi\u00e3o h\u00e1 centenas de anos nunca foram consultadas ou beneficiadas com a ind\u00fastria da soja: \u201cAs comunidades ind\u00edgenas e agricultores familiares de forma geral sempre estiveram \u00e0 margem do processo de decis\u00e3o sobre que tipo de desenvolvimento querem\u201d.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 certas regi\u00f5es, como ali pr\u00f3ximo \u00e0 Brasnorte [munic\u00edpio \u00e0s margens do rio Juruena], por exemplo, onde voc\u00ea pode olhar 360 graus ao redor sem ver uma \u00fanica \u00e1rvore\u201d, comenta o antrop\u00f3logo Rinaldo Arruda, professor da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<div class=\"img-wrap align-bleed width-auto\">\n<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/prod01-cdn07.cdn.firstlook.org\/wp-uploads\/sites\/1\/2017\/02\/Mapa-Soja-Rio-Teles-Pires-Tapajos-Agronegocio-Sinop-copy-1486997388.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-112334 size-article-large\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/prod01-cdn07.cdn.firstlook.org\/wp-uploads\/sites\/1\/2017\/02\/Mapa-Soja-Rio-Teles-Pires-Tapajos-Agronegocio-Sinop-copy-1486997388-e1487005140595-1000x609.jpg?resize=640%2C390&#038;ssl=1\" alt=\"Mapa-Soja-Rio-Teles-Pires-Tapajos-Agronegocio-Sinop-copy-1486997388\" width=\"640\" height=\"390\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"caption overlayed\"><em>Norte de Mato Grosso: em apenas 30 anos, o avan\u00e7o do agroneg\u00f3cio reduziu drasticamente a cobertura florestal da regi\u00e3o.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p><strong>Chantagem \u201cModerna\u201d<\/strong><\/p>\n<p>O cultivo da soja \u00a0exige grandes extens\u00f5es de terra para ser lucrativo. Assim, sua expans\u00e3o no estado levou \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria. Com a valoriza\u00e7\u00e3o da <em>commodity<\/em> e o aumento da produtividade, a economia nacional foi se tornando cada vez mais dependente das divisas oriundas da exporta\u00e7\u00e3o desse bem prim\u00e1rio. O peso da soja na balan\u00e7a comercial brasileira \u201cgarante poder pol\u00edtico para influenciar a implementa\u00e7\u00e3o de infraestrutura e log\u00edstica, como a pavimenta\u00e7\u00e3o das estradas e at\u00e9 a constru\u00e7\u00e3o de hidrovias\u201d, explica Ioris, sintetizando: \u201cO agroneg\u00f3cio chantageia o pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<div class=\"img-wrap align-none width-auto\">\n<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/prod01-cdn07.cdn.firstlook.org\/wp-uploads\/sites\/1\/2017\/02\/BR-163-a-Cuiaba-Santarem-na-chegada-a-Sorriso-MT-1486997661.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" height=\"422\" width=\"640\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-article-large wp-image-112335\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/prod01-cdn07.cdn.firstlook.org\/wp-uploads\/sites\/1\/2017\/02\/BR-163-a-Cuiaba-Santarem-na-chegada-a-Sorriso-MT-1486997661-1000x659.jpg?resize=640%2C422&#038;ssl=1\" alt=\"BR-163-a-Cuiaba-Santarem-na-chegada-a-Sorriso-MT-1486997661\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"caption\"><em>BR-163, a Cuiab\u00e1-Santar\u00e9m, na chegada \u00e0 Sorriso (MT), o munic\u00edpio com a maior produ\u00e7\u00e3o de soja no pa\u00eds.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"img-wrap align-none width-auto\">\n<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/prod01-cdn07.cdn.firstlook.org\/wp-uploads\/sites\/1\/2017\/02\/fundiaria-agronegocio-reforma-agraria-tensao-constante-3-1486997682.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" height=\"349\" width=\"640\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-article-large wp-image-112336\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/prod01-cdn07.cdn.firstlook.org\/wp-uploads\/sites\/1\/2017\/02\/fundiaria-agronegocio-reforma-agraria-tensao-constante-3-1486997682-1000x546.jpg?resize=640%2C349&#038;ssl=1\" alt=\"fundiaria-agronegocio-reforma-agraria-tensao-constante-3-1486997682\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"caption\"><em>A concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria provocada pelo agroneg\u00f3cio abarca terras que deveriam estar destinadas \u00e0 reforma agr\u00e1ria. resultado \u00e9 tens\u00e3o constante.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p>Em todos os n\u00edveis, o agroneg\u00f3cio na regi\u00e3o \u00e9 amplamente promovido por governos e ind\u00fastria como sin\u00f4nimo de \u201cmodernidade\u201d e \u201cdesenvolvimento\u201d.<\/p>\n<p>\u201cSe n\u00e3o fosse a soja, Mato Grosso ainda estaria em uma situa\u00e7\u00e3o de atraso\u201c, diz o atual ministro da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento, Blairo Maggi, um dos maiores produtores do gr\u00e3o no pa\u00eds e que governou o estado entre 2003 e 2010. \u201cHoje, o produtor de soja consegue margem de 30% sobre o capital investido\u201d, afirma Maggi.<\/p>\n<p>Entretanto, o lucro de poucos fazendeiros ao pre\u00e7o da expropria\u00e7\u00e3o de um grande contingente de fam\u00edlias camponesas se revela uma concep\u00e7\u00e3o bastante particular de progresso. O esvaziamento populacional do campo, provocado pelas imensas monoculturas, tamb\u00e9m n\u00e3o parece ser exatamente \u201cmoderno\u201d.<\/p>\n<p>Em trabalhos que s\u00e3o refer\u00eancia obrigat\u00f3ria para entender a <em>fronteira<\/em>, o soci\u00f3logo Jos\u00e9 de Souza Martins apontou o uso de din\u00e2mica similar durante a ditadura. Suas pesquisas mostram que, ao mesmo tempo em que o governo militar discursava a camponeses pobres, acenava a grandes grupos econ\u00f4micos com fartas ofertas de financiamentos; enquanto propagava a ocupa\u00e7\u00e3o do \u201cvazio\u201d amaz\u00f4nico, beneficiava com pol\u00edticas p\u00fablicas os megaprojetos de pecu\u00e1ria, atividade que justamente expropriou mais gente do que trazia.<\/p>\n<p>Nos campos desnudos de gente e \u00e1rvores, erguem-se, aqui e ali, um e outro grande terminal graneleiro para estocar a soja. Os silos ostentam marcas de grandes multinacionais em suas fachadas, principalmente Bunge, ADM e Cargill, e da empresa brasileira Amaggi, cujo dono \u00e9 Blairo Maggi, atual ministro de Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento. Depois de ter acumulado fortuna com o plantio, processamento e exporta\u00e7\u00e3o de soja, a Amaggi se juntou aos grandes operadores do com\u00e9rcio internacional. A empresa tem rela\u00e7\u00e3o particularmente estreita com a Bunge, de quem \u00e9 s\u00f3cia nos terminais graneleiros localizados em Miritituba (Itaituba, PA), \u00e0s margens do baixo rio Tapaj\u00f3s.<\/p>\n<div class=\"img-wrap align-none width-auto\">\n<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/prod01-cdn07.cdn.firstlook.org\/wp-uploads\/sites\/1\/2017\/02\/norte-mato-grossense-BR-163-regiao-colonizacao-a-ocupacao-1486997875.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" height=\"427\" width=\"640\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-article-large wp-image-112339\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/prod01-cdn07.cdn.firstlook.org\/wp-uploads\/sites\/1\/2017\/02\/norte-mato-grossense-BR-163-regiao-colonizacao-a-ocupacao-1486997875-1000x667.jpg?resize=640%2C427&#038;ssl=1\" alt=\"norte-mato-grossense-BR-163-regiao-colonizacao-a-ocupacao-1486997875\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"caption\"><em>\u00c0s margens da por\u00e7\u00e3o norte mato-grossense da BR-163, na regi\u00e3o dos projetos de coloniza\u00e7\u00e3o, a \u201cocupa\u00e7\u00e3o\u201d da Amaz\u00f4nia gerou desertos onde nada se v\u00ea al\u00e9m de soja e dos grandes silos das multinacionais.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p><strong>Tratorando a reforma agr\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<p>Rumo ao norte, a soja expandiu-se de forma irregular, chegando a lugares como o projeto de assentamento de reforma agr\u00e1ria Wesley Manoel dos Santos, criado pelo Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria (Incra), em 1997. Localizado a 70 km ao noroeste do munic\u00edpio de Sinop, o assentamento \u00e9 um claro indicativo dos desafios que a agricultura familiar enfrenta no Brasil, e em especial, na Amaz\u00f4nia. Ali \u00e9 poss\u00edvel perceber como o abandono e a neglig\u00eancia estatais acabam inviabilizando a vida dos assentados e permitindo que o agroneg\u00f3cio avan\u00e7asse sobre suas terras.<\/p>\n<p>A \u00e1rea fora comprada pela Mercedes Benz do Brasil no final da d\u00e9cada de 1960. Segundo as pesquisas de Odimar Jo\u00e3o Peripolli, professor da Universidade Estadual de Mato Grosso, para burlar a lei, a Mercedes constituiu dez empresas de sociedade an\u00f4nima; cada S\/A acumulava terras em seu nome, integrando \u201c40, 50, 60\u2026 mil hectares, perfazendo um total de mais ou menos 500.000 mil hectares. Formada a propriedade, a grande \u00e1rea, o latif\u00fandio passou a ser chamado\/conhecido como Gleba Mercedes.\u201d A cria\u00e7\u00e3o das empresas tamb\u00e9m \u201csignificava garantia de financiamentos junto \u00e0 Sudam (a antiga Superintend\u00eancia de Desenvolvimento da Amaz\u00f4nia)\u201d. Os empr\u00e9stimos deveriam ser investidos nas terras mas, segundo depoimentos colhidos por Peripolli, a \u00e1rea \u201cnunca foi, de fato, ocupada pela empresa\u201d. A Mercedes acabou por n\u00e3o quitar o terreno e o vendeu a uma empresa familiar de S\u00e3o Paulo. Em 1997, o Incra comprou a terra e criou um assentamento para instalar 507 fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Implementar a reforma agr\u00e1ria n\u00e3o se limita a entregar a terra; inclui assist\u00eancia t\u00e9cnica, constru\u00e7\u00e3o de vias de acesso e um pacote de apoio ao colono. Por\u00e9m, em uma conjuntura na qual o agroneg\u00f3cio \u00e9 a prioridade das pol\u00edticas p\u00fablicas, as fam\u00edlias procuraram outros caminhos.<\/p>\n<blockquote class=\"stylized pull-none\"><p>Em um mundo onde terra desmatada vale muito mais do que floresta em p\u00e9, \u00e9 a \u00fanica forma que o assentado consegue valorizar seu lote.<\/p><\/blockquote>\n<p>No in\u00edcio, criavam gado leiteiro e vendiam leite e queijo em Sinop, o mercado mais pr\u00f3ximo, distante mais de tr\u00eas horas de viagem em dias sem chuva. Os problemas n\u00e3o \u00a0demoraram a surgir. Segundo o colono Jair Marcelo da Silva, conhecido como Capixaba, eles sempre adotaram cuidados com higiene, pois tinham como princ\u00edpio s\u00f3 vender no mercado produtos que suas pr\u00f3prias fam\u00edlias consumissem. Entretanto, a pr\u00e1tica de seu cotidiano n\u00e3o atendia aos crit\u00e9rios da vigil\u00e2ncia sanit\u00e1ria elaborados para latic\u00ednios industriais. \u201cOs \u00f3rg\u00e3os sanit\u00e1rios n\u00e3o pensam como a gente\u201d, contou Capixaba. Os colonos foram proibidos de vender seus produtos em Sinop e os sonhos ru\u00edram. \u201cEu tinha seis vacas dando leite, tirava at\u00e9 90 litros por dia\u201d, explicou Capixaba. \u201cFazer o que com esse leite? O que a gente fazia? Dava para os porcos. Imagina s\u00f3!\u201d<\/p>\n<p>Os assentados tentaram, ent\u00e3o, outro caminho \u2013 a cria\u00e7\u00e3o de porcos e galinhas \u2013 e, mais uma vez, encontraram barreiras intranspon\u00edveis na legisla\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria e veterin\u00e1ria. Sem renda, alguns colonos fizeram cursos para aprender a operar as m\u00e1quinas sofisticadas usadas pelos grandes fazendeiros (que tinham, sim, como cumprir com as exig\u00eancias sanit\u00e1rias e veterin\u00e1rias) e outros foram trabalhar como diaristas.<\/p>\n<p>A terra dos colonos que n\u00e3o conseguiram viabilizar economicamente sua ocupa\u00e7\u00e3o acabaram entregues de m\u00e3o beijada aos sojeiros. Alguns, sem condi\u00e7\u00f5es de viver, venderam seus lotes a pre\u00e7os muito baixos enquanto outros colonos acabaram arrendando por pre\u00e7os baix\u00edssimos ou at\u00e9, cedendo gratuitamente suas terras para que o fazendeiro as \u201camansasse\u201d. Amansar a terra significa desmatar, destocar (arrancar as ra\u00edzes das \u00e1rvores derrubadas) e corrigir a acidez do solo, um processo custoso que leva pelo menos \u00a0tr\u00eas ou quatro anos.<\/p>\n<p>Ao final, o colono acaba com uma \u00e1rea apta para o capitalizado agroneg\u00f3cio da soja. Em um mundo onde terra desmatada vale muito mais do que floresta em p\u00e9, \u00e9 a \u00fanica forma que o assentado consegue valorizar seu lote.<\/p>\n<div class=\"img-wrap align-none width-auto\">\n<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/prod01-cdn07.cdn.firstlook.org\/wp-uploads\/sites\/1\/2017\/02\/terra-agronegocio-floresta-abaixo-arrancar-as-raizes-das-arvores-derrubadas-1486998019.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" height=\"427\" width=\"640\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-article-large wp-image-112340\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/prod01-cdn07.cdn.firstlook.org\/wp-uploads\/sites\/1\/2017\/02\/terra-agronegocio-floresta-abaixo-arrancar-as-raizes-das-arvores-derrubadas-1486998019-1000x667.jpg?resize=640%2C427&#038;ssl=1\" alt=\"terra-agronegocio-floresta-abaixo-arrancar-as-raizes-das-arvores-derrubadas-1486998019\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"caption\"><em>Para preparar a terra para o agroneg\u00f3cio, n\u00e3o basta colocar a floresta abaixo; \u00e9 preciso arrancar as ra\u00edzes das \u00e1rvores derrubadas.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p>Por\u00e9m, o principal volume de soja no assentamento entrou por outro caminho. Durante nossa visita ao assentamento, notamos uma enorme planta\u00e7\u00e3o de soja, grande demais para pertencer a um \u00fanico colono. Capixaba explicou: parte da reserva legal dos lotes (por\u00e7\u00e3o que deve ser mantida como floresta de acordo com o C\u00f3digo Florestal) foi reunida em uma \u00e1rea coletiva, de modo a formar uma grande massa florestal, proposta adequada do ponto de vista ecol\u00f3gico. Segundo os colonos, a \u00e1rea escolhida era coberta por uma \u201cfloresta t\u00e3o densa que o fogo nunca penetrava\u201d.<\/p>\n<div class=\"img-wrap align-none width-auto\">\n<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/prod01-cdn07.cdn.firstlook.org\/wp-uploads\/sites\/1\/2017\/02\/Jair-Marcelo-da-Silva-o-Capixaba-assentado-do-PA-Wesley-Manoel-dos-Santos-soja-1486998124.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" height=\"358\" width=\"640\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-article-large wp-image-112341\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/prod01-cdn07.cdn.firstlook.org\/wp-uploads\/sites\/1\/2017\/02\/Jair-Marcelo-da-Silva-o-Capixaba-assentado-do-PA-Wesley-Manoel-dos-Santos-soja-1486998124-1000x559.jpg?resize=640%2C358&#038;ssl=1\" alt=\"Jair-Marcelo-da-Silva-o-Capixaba-assentado-do-PA-Wesley-Manoel-dos-Santos-soja-1486998124\" \/><\/a><\/p>\n<p class=\"caption\"><em>Jair Marcelo da Silva, o Capixaba, assentado do PA Wesley Manoel dos Santos. O vasto campo de soja atr\u00e1s dele \u00e9 a reserva legal florestal do assentamento, toda grilada por sojeiros.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p>Pouco a pouco, a soja venceu a floresta. Os sojeiros usaram o <em>corrent?o<\/em>, t\u00e9cnica em que \u00a0\u00a0uma enorme corrente de a\u00e7o com 100m de comprimento \u00e9 atada pelas pontas a grandes tratores e arrastada, derrubando tudo que encontra pela frente. A \u00e1rea desmatada cobre hoje 3.500 hectares e est\u00e1 toda plantada com soja. Como aconteceu? Ningu\u00e9m sabe dizer ao certo. H\u00e1 relatos que um funcion\u00e1rio corrupto do Incra local vendeu a reserva para fazendeiros. Nada foi provado, mas de acordo com os assentados, hoje, o servidor goza de sua aposentadoria em uma mans\u00e3o na cidade vizinha.<\/p>\n<p><strong>Corrup\u00e7\u00e3o, madrinha do Agroneg\u00f3cio<\/strong><\/p>\n<p>O avan\u00e7o criminoso do agroneg\u00f3cio sobre assentamentos de reforma agr\u00e1ria n\u00e3o \u00e9 peculiaridade da gleba Mercedes. No Tapur\u00e1h-Itanhang\u00e1, localizado ao oeste de Sinop, a <a href=\"https:\/\/noticias.terra.com.br\/brasil\/policia\/mt-ilegais-do-agronegocio-grilam-terras-publicas-de-r-1-bi,081ad9f8523f9410VgnVCM10000098cceb0aRCRD.html\">Opera\u00e7\u00e3o Terra Prometida<\/a>, deflagrada em novembro de 2004 pela Pol\u00edcia Federal prendeu mais de 20 pessoas pela apropria\u00e7\u00e3o de 1 mil lotes de um \u00a0total de 1.149 lotes do assentamento. Segundo a Opera\u00e7\u00e3o, as \u00e1reas eram concentradas e utilizadas como campos de soja. Entre os presos, estavam Odair e Milton Geller, irm\u00e3os do ent\u00e3o ministro da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento Neri Geller, que hoje \u00e9 secret\u00e1rio de Pol\u00edtica Agr\u00edcola do Minist\u00e9rio.<\/p>\n<p>De acordo com o ge\u00f3grafo Antonio Ioris, h\u00e1 um car\u00e1ter sist\u00eamico na associa\u00e7\u00e3o entre grilagem e agroneg\u00f3cio: \u201co agroneg\u00f3cio \u00e9 intrinsecamente corrupto; h\u00e1 a corrup\u00e7\u00e3o mais evidente e imediata (como no caso da atua\u00e7\u00e3o do Incra e seu controle por fazendeiros e grileiros), mas h\u00e1 tamb\u00e9m a corrup\u00e7\u00e3o de longo-prazo, demonstrada na apropria\u00e7\u00e3o violenta e especula\u00e7\u00e3o da terra, na agressividade contra posseiros e \u00edndios e na destrui\u00e7\u00e3o socioambiental.\u201d<\/p>\n<p>A Constitui\u00e7\u00e3o Federal institui que o t\u00edtulo que um assentado da reforma agr\u00e1ria recebe \u00e9 inegoci\u00e1vel pelo prazo de 10 anos. Isso torna ilegal a compra de lotes pelo agroneg\u00f3cio no assentamento Tapur\u00e1h-Itanhang\u00e1, pois, apesar do assentamento ter 20 anos de cria\u00e7\u00e3o, a grande maioria de seus benefici\u00e1rios n\u00e3o tinha t\u00edtulos dos lotes h\u00e1 mais de 10 anos.<\/p>\n<blockquote class=\"stylized pull-none\"><p>O Brasil \u00e9 o pa\u00eds com maior possibilidade de ampliar sua produ\u00e7\u00e3o de soja.<\/p><\/blockquote>\n<p>Essa regra foi alterada em 23 de dezembro de 2016, quando o governo de Michel Temer editou a Medida Provis\u00f3ria (MP) 759. \u00a0<a href=\"http:\/\/www.radardf.com.br\/mario-gilberto-comenta-medida-provisoria-que-ira-regularizar-a-situacao-fundiaria-do-pais-e-do-df\/\">Festejada por alguns<\/a>, a <a href=\"http:\/\/congressoemfoco.uol.com.br\/noticias\/governo-publica-mp-com-regras-para-regularizacao-fundiaria-urbana-e-rural\/\">medida apresentava caminhos <\/a>para a situa\u00e7\u00e3o ca\u00f3tica das ocupa\u00e7\u00f5es em periferias urbanas.<\/p>\n<p>Por outro lado, a MP acelerou o processo que reconcentra lotes em assentamentos de reforma agr\u00e1ria. Pelo texto da Medida Provis\u00f3ria, o prazo de 10 anos \u00a0passa a contar logo no in\u00edcio do assentamento, quando as fam\u00edlias recebem a autoriza\u00e7\u00e3o formal para se instalarem no lote, e n\u00e3o mais a partir do momento que o assentado recebe o t\u00edtulo.<\/p>\n<p>Para C\u00e2ndido Neto da Cunha, \u201ca MP tem a estrat\u00e9gia de jogar as terras da reforma agr\u00e1ria no mercado com a maior rapidez poss\u00edvel e criar meios de tornar \u2018legais\u2019 as ocupa\u00e7\u00f5es ilegais de terras da reforma agr\u00e1ria\u201d. Segundo Cunha, os assentamentos da regi\u00e3o n\u00e3o contam com a estrutura necess\u00e1ria e a precariedade torna-se uma forma de press\u00e3o para que o assentado n\u00e3o consiga permanecer na terra.<\/p>\n<p>\u201cIsso torna as fam\u00edlias assentadas mais suscept\u00edveis \u00e0 press\u00e3o que passar\u00e3o a sofrer para a venda das terras nas \u00e1reas de expans\u00e3o do agroneg\u00f3cio\u201d, completa o perito agr\u00e1rio do Incra.<\/p>\n<p><strong>Futuro que repete o Passado<\/strong><\/p>\n<p>O cen\u00e1rio \u00e9 de crescente mercado de consumo internacional para a soja, especialmente por parte da China. Prev\u00ea-se que at\u00e9 2024 a demanda chinesa chegue a 180 milh\u00f5es de toneladas de soja por ano, ou mais do que a soma atual dos tr\u00eas maiores produtores mundiais \u2013 Estados Unidos, Brasil e Argentina.<\/p>\n<p>De onde vir\u00e1 essa soja? Os Estados Unidos t\u00eam pouca margem para aumentar \u00a0sua produ\u00e7\u00e3o e, desde 2010, analistas diziam que a \u00e1rea cultivada com soja na Argentina n\u00e3o pode mais crescer.<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 o pa\u00eds com maior possibilidade de ampliar sua produ\u00e7\u00e3o de soja.<\/p>\n<p>At\u00e9 o in\u00edcio da d\u00e9cada passada, o Brasil aumentou o volume de gr\u00e3os por meio do crescimento em produtividade. Tal op\u00e7\u00e3o n\u00e3o existe mais: desde 2000, a produtividade se estabilizou em aproximadamente 3,1 toneladas de soja por hectare. A perspectiva, ent\u00e3o, \u00e9 a expans\u00e3o da \u00e1rea cultivada e, neste sentido, uma das \u00fanicas op\u00e7\u00f5es \u00e9 o avan\u00e7o da fronteira agr\u00edcola sobre a Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Esse cen\u00e1rio apavora o antrop\u00f3logo Rinaldo Arruda: \u201cCidades inchadas de gente, sem saneamento, muito violentas, com conflitos internos e meio ambiente degradado. Uma Amaz\u00f4nia de periferia. Essa no\u00e7\u00e3o que acompanha nossa sociedade, pelo menos desde o s\u00e9culo XIX, de uma evolu\u00e7\u00e3o civilizat\u00f3ria \u00e9 totalmente enganosa: \u00e9 uma fic\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Ao que tudo indica, o projeto de futuro do agroneg\u00f3cio, que inclui a soja alastrando-se pela floresta amaz\u00f4nica e as comunidades locais expropriadas mudando-se para as grandes cidades, repete um passado de devasta\u00e7\u00e3o ambiental, grilagem, concentra\u00e7\u00e3o de terras, pobreza e viola\u00e7\u00f5es dos direitos de povos ind\u00edgenas e comunidades rurais.<\/p>\n<p>https:\/\/theintercept.com\/2017\/02\/14\/soja-destroi-a-amazonia-e-chantageia-o-pais\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mauricio Torres e\u00a0Sue Branford &#8211; O agroneg\u00f3cio representa metade das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras, o que garante poder pol\u00edtico ao setor Em apenas 40 anos o norte do estado de Mato Grosso sofreu uma transforma\u00e7\u00e3o profunda: o avan\u00e7o do agroneg\u00f3cio substituiu o cerrado e a floresta amaz\u00f4nica por extensas monoculturas agr\u00edcolas, protagonizadas pela soja. 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