{"id":3230,"date":"2017-03-12T12:31:12","date_gmt":"2017-03-12T15:31:12","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=3230"},"modified":"2017-03-09T15:36:00","modified_gmt":"2017-03-09T18:36:00","slug":"a-longa-depressao-do-seculo-21-e-a-era-da-barbarie-social-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2017\/03\/12\/a-longa-depressao-do-seculo-21-e-a-era-da-barbarie-social-i\/","title":{"rendered":"A longa depress\u00e3o do s\u00e9culo 21 e a era da barb\u00e1rie social \u2013 I"},"content":{"rendered":"<p><strong>Giovanni Alves<\/strong> &#8211;\u00a0A magistral obra &#8220;O capital: cr\u00edtica da economia pol\u00edtica&#8221;, de Karl Marx tornou-se, mais do que nunca, no s\u00e9culo XXI, o ponto de partida para desvelarmos o sentido do nosso tempo hist\u00f3rico<\/p>\n<p>O capitalismo global que se iniciou na d\u00e9cada de 1980, como resposta \u00e0 grande recess\u00e3o de 1973-1975, teve, com a crise de 2008, sua Grande Recess\u00e3o superior \u00e0quelas ocorridas em 1987, 1996 e 2000 que foram meramente recess\u00f5es provocadas pela instabilidade sist\u00eamica do capitalismo predominantemente financeirizado. Entretanto, o <em>big crash <\/em>financeiro de 2008 n\u00e3o se tratou apenas de uma mera <em>crise financeira global<\/em> ou recess\u00e3o da economia, como as demais que ocorreram nos \u201ctrinta anos perversos\u201d de capitalismo global (1980-2010), mas o in\u00edcio daquilo que podemos denominar a <em>longa depress\u00e3o do s\u00e9culo XXI<\/em>.<span id=\"more-17152\"><\/span><\/p>\n<p>O economista Michael Roberts no seu interessante livro <em>The Long Depression: How it happened, why it happened, and what happens next<\/em> (Haymarket Books, 2016), defendeu a tese de que a economia capitalista global permanece desde 2008 numa profunda crise incapaz de recuperar n\u00e3o apenas as taxas de crescimento dos pa\u00edses da OCDE anteriores \u00e0 recess\u00e3o global de 1973-1975, mas, inclusive, as taxas de crescimento das economias capitalistas centrais anteriores \u00e0 Grande Recess\u00e3o de 2008.<\/p>\n<p>Por exemplo, num comunicado de 2016, a OCDE previu para 2017 uma prov\u00e1vel estagna\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio mundial que dever\u00e1 enfraquecer o ritmo de crescimento da economia global, com taxas que n\u00e3o eram vistas desde a crise financeira de 2008. Diz ao relat\u00f3rio: \u201cOito anos ap\u00f3s a crise financeira, a retomada da economia global permanece decepcionadamente fr\u00e1gil\u201d. Segundo a OCDE, a economia mundial dever\u00e1 apresentar uma expans\u00e3o de 2,9% em 2016, contra estimativa anterior de 3% divulgada em junho. Esta \u00e9 a taxa mais fraca desde a crise financeira de 2008\/2009. A longa recess\u00e3o da economia brasileira (2015-?) \u00e9 parte do cen\u00e1rio da longa depress\u00e3o do capitalismo global no s\u00e9culo XXI (iremos tratar da crise brasileira no \u00faltimo artigo desta s\u00e9rie).<\/p>\n<p>Uma depress\u00e3o na economia capitalista global n\u00e3o significa que ela n\u00e3o cres\u00e7a, mas sim, que as taxas de recupera\u00e7\u00e3o da atividade s\u00e3o t\u00e3o fr\u00e1geis, comparadas com aquelas do per\u00edodo anterior \u00e0 Grande Recess\u00e3o, que as economias podem desacelerar e voltar a cair numa recess\u00e3o. \u00c9 o que tem se verificado desde 2008 nas economias do capitalismo central. Podemos, por exemplo, dizer de modo esquem\u00e1tico que uma recess\u00e3o e a retomada do crescimento assumem a forma da letra V, como ocorreu, por exemplo, na recess\u00e3o global de 1974-1975 nos pa\u00edses da OCDE; ou talvez a forma da letra U; ou ainda a letra W no sentido de termos um \u201cduplo mergulho\u201d na recess\u00e3o, como ocorreu na recess\u00e3o de 1980-1982. Entretanto, uma depress\u00e3o n\u00e3o pode ser comparada a uma recess\u00e3o cl\u00e1ssica, no sentido de que a profunda queda do crescimento da economia que ocorre numa depress\u00e3o, como ocorreu com o <em>big crash<\/em> de 2008 nos pa\u00edses capitalistas centrais, n\u00e3o assume a forma da letra V, isto \u00e9, uma queda e logo depois uma retomada no mesmo patamar de crescimento anterior. Pelo contr\u00e1rio, ap\u00f3s a Grande Recess\u00e3o, como ocorreu em 2008, pode-se verificar retomadas e crescimento fr\u00e1geis das economias capitalistas.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos oito anos, ap\u00f3s o <em>big crash<\/em> de 2008, o crescimento das economias capitalistas centrais n\u00e3o foi restaurada ao mesmo patamar anterior, mas se mant\u00e9m rebaixado se compararmos com as taxas de crescimento anteriores (os EUA est\u00e3o a sair-se ligeiramente melhor do que Uni\u00e3o Europ\u00e9ia e Jap\u00e3o, crescendo, de 2009-2014, cerca de 2%, quando costumava ser na m\u00e9dia de 3,5% e por vez mais, na era dourada do capitalismo fordista-keynesiano). Conforme o Gr\u00e1fico 1, verificamos que a partir de 2014 percebe-se uma ligeira inflex\u00e3o na curva de crescimento, demonstrando a fragilidade da retomada da economia norte-americana ap\u00f3s a Grande Recess\u00e3o de 2008.<\/p>\n<div id=\"attachment_17155\" class=\"wp-caption aligncenter\" data-shortcode=\"caption\">\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-17155 size-full\" src=\"https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2017\/01\/grc3a1fico1.jpg?w=620&#038;h=297&#038;fit=620%2C297&#038;resize=620%2C297\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" srcset=\"https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2017\/01\/grc3a1fico1.jpg?w=620&amp;h=297 620w, https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2017\/01\/grc3a1fico1.jpg?w=150&amp;h=72 150w, https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2017\/01\/grc3a1fico1.jpg?w=300&amp;h=144 300w, https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2017\/01\/grc3a1fico1.jpg?w=768&amp;h=367 768w, https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2017\/01\/grc3a1fico1.jpg?w=1024&amp;h=490 1024w, https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2017\/01\/grc3a1fico1.jpg 1066w\" alt=\"grafico1\" width=\"620\" height=\"297\" data-attachment-id=\"17155\" data-permalink=\"https:\/\/blogdaboitempo.com.br\/2017\/01\/26\/a-longa-depressao-do-seculo-21-e-a-era-da-barbarie-social-i\/grafico1\/\" data-orig-file=\"https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2017\/01\/grc3a1fico1.jpg?w=620&amp;h=297\" data-orig-size=\"1066,510\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"grafico1\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2017\/01\/grc3a1fico1.jpg?w=620&amp;h=297?w=300\" data-large-file=\"https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2017\/01\/grc3a1fico1.jpg?w=620&amp;h=297?w=620\" \/><\/p>\n<p><em>Gr\u00e1fico 1: Crescimento do PIB dos EUA (2014-2017)\u00a0(Fonte: <a href=\"http:\/\/pt.tradingeconomics.com\/united-states\/gdp-growth\" rel=\"nofollow\">http:\/\/pt.tradingeconomics.com\/united-states\/gdp-growth<\/a>. Acesso em: 20\/01\/2017)<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p>Um importante detalhe: mesmo as taxas de crescimento das economias capitalistas centrais durante a era neoliberal (de 1982 a 2007), n\u00e3o tiveram o mesmo patamar de crescimento ocorrido, por exemplo, na era dourada do capitalismo fordista-keynesiano (1945-1975). Enfim, a era neoliberal continha em si, as causalidades complexas da longa depress\u00e3o do s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p>Procuraremos resgatar a explica\u00e7\u00e3o marxista cl\u00e1ssica para a trag\u00e9dia no nosso tempo hist\u00f3rico, situando-o numa perspectiva de largo espectro. Apenas deste modo conseguiremos ir al\u00e9m da n\u00e9voa (e da perplexidade) provocada pelo fardo do tempo hist\u00f3rico do capitalismo global no s\u00e9culo XXI. O capitalismo industrial teve historicamente 3 longas depress\u00f5es: a <em>longa depress\u00e3o de fins do s\u00e9culo XIX<\/em> (1873-1898), a <em>longa depress\u00e3o da metade do s\u00e9culo XX<\/em> (1929-1940) e a <em>longa depress\u00e3o do s\u00e9culo XXI<\/em> (2008-?). Cada crise capitalista e suas longas depress\u00f5es possuem um complexo hist\u00f3rico de causalidades particulares que n\u00e3o discutiremos aqui. Entretanto, como demonstrou Michael Roberts, todas possuem como causa essencial <em>a queda da taxa de lucro<\/em> provocada pelo aumento da <em>composi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica do capital.<\/em> Esta \u00e9 a tend\u00eancia hist\u00f3rica do capitalismo como demonstrou Karl Marx no Livro III de <em>O capital<\/em>. Esta \u00e9 a chave heur\u00edstica capaz de explicar o desenvolvimento e as crises do capitalismo industrial.<\/p>\n<p>Em seu livro, Michael Roberts nos fornece uma s\u00e9rie de argumentos hist\u00f3rico-emp\u00edricos para demonstrar a validade da explica\u00e7\u00e3o marxista cl\u00e1ssica para as crises capitalistas baseada na queda da taxa de lucro, apesar das controv\u00e9rsias candentes entre os pr\u00f3prios marxistas sobre uma teoria das crises em Marx. N\u00e3o iremos discutir neste pequeno artigo o debate marxista sobre a natureza das crises capitalistas (a interpreta\u00e7\u00e3o marxista usual explica que as crises s\u00e3o causadas por alguma forma de subconsumismo e\/ou superprodu\u00e7\u00e3o de mercadorias pelo capital e n\u00e3o propriamente pela queda da taxa de lucro). Interessa-nos resgatar a explica\u00e7\u00e3o marxista cl\u00e1ssica. Deste modo, a Grande Recess\u00e3o de 2008 e a longa depress\u00e3o do s\u00e9culo XXI ser\u00e1 explicada pelo movimento da <em>queda da taxa de lucro devido ao aumento hist\u00f3rico da composi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica do capital<\/em>. Deste modo, iremos compor, de modo sint\u00e9tico \u2013 e meramente ensa\u00edstico \u2013, o complexo de muta\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas do capitalismo do s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p>Vejamos a seguinte passagem do Livro III de <em>O Capital<\/em> de Karl Marx:<\/p>\n<blockquote><p>\u201ca mesma quantidade de for\u00e7a de trabalho tornada dispon\u00edvel por um capital vari\u00e1vel de volume de valor dado, mobiliza \u2013 elabora, consome produtivamente \u2013, em consequ\u00eancia dos m\u00e9todos de produ\u00e7\u00e3o peculiares que se desenvolvem no interior da produ\u00e7\u00e3o capitalista, uma massa sempre crescente de meios de trabalho, maquinaria e capital fixo de todo tipo, mat\u00e9rias\u2011primas e materiais auxiliares, no mesmo intervalo de tempo e, por conseguinte, tamb\u00e9m um capital constante\u00a0de volume de valor sempre crescente. <strong><em>Essa diminui\u00e7\u00e3o relativa crescente do capital vari\u00e1vel em rela\u00e7\u00e3o ao capital constante<\/em><\/strong> [\u2026]\u00a0\u00e9 id\u00eantica ao aumento progressivo da composi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica do capital social em sua m\u00e9dia. E, do mesmo modo, n\u00e3o \u00e9 mais que outro modo de expressar <em>o <strong>desenvolvimento progressivo da for\u00e7a produtiva social do trabalho<\/strong><\/em>\u201d [o grifo \u00e9 nosso]<\/p>\n<p>Karl Marx,\u00a0<em>O Capital: cr\u00edtica da economia pol\u00edtica. Livro III: O processo global da produ\u00e7\u00e3o capitalista<\/em>\u00a0(Boitempo, 2017, no prelo, p.252)<\/p><\/blockquote>\n<p>Essa \u00e9 uma formula\u00e7\u00e3o b\u00e1sica de economia marxista que iremos apenas relembrar \u00e0queles que dominam a explica\u00e7\u00e3o de Marx para a acumula\u00e7\u00e3o capitalista. Para os iniciantes que tem interesse numa boa leitura comentada de <em>O Capital<\/em> de Karl Marx, recomendamos os livros publicados pela Boitempo editorial de David Harvey (embora o pr\u00f3prio Harvey n\u00e3o concorde com a efic\u00e1cia explicativa da lei da queda da taxa de lucros para as crises capitalistas). Os livros de introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 obra-prima de Karl Marx seriam <em>Os limites do capital<\/em> e os livros <em>Para entender O<\/em>\u00a0capital<em>, livo I<\/em>\u00a0e <em>Para entender <\/em>O capital<em>, livros II e III<\/em>. A magistral obra <em>O capital: cr\u00edtica da economia pol\u00edtica<\/em>, de Karl Marx tornou-se, mais do que nunca, no s\u00e9culo XXI, o ponto de partida para desvelarmos o sentido do nosso tempo hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>Esta foi a grande contribui\u00e7\u00e3o de Karl Marx e Friedrich Engels: esclarecer os mecanismos (e a natureza) da acumula\u00e7\u00e3o capitalista com seus complexos de contradi\u00e7\u00f5es no plano da produ\u00e7\u00e3o, circula\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e consumo e no plano da pr\u00f3pria reprodu\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho como mercadoria, a \u00fanica capaz de criar valor. Nesse caso, o que exporemos \u00e9 a pr\u00f3pria lei do valor em seu movimento contradit\u00f3rio.<\/p>\n<p>A \u201clei\u201d de crescimento da <em>composi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica do capital<\/em> desempenha um papel vital na explica\u00e7\u00e3o marxista das crises capitalistas. O que Marx est\u00e1 dizendo ao formular o aumento da composi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica do capital \u00e9 que a propor\u00e7\u00e3o de trabalho \u201cmorto\u201d (capital constante) para trabalho \u201cvivo\u201d (capital vari\u00e1vel) tende historicamente a aumentar como resultado do <em>desenvolvimento progressivo da produtividade do trabalhador<\/em> ou o aumento do capital constante tecnicamente necess\u00e1rio por hora decorrente do progresso t\u00e9cnico (o que verificamos historicamente no decorrer do s\u00e9culo XX).<\/p>\n<p>Marx nos diz que, com o aumento da composi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica do capital, temos a <em>tend\u00eancia <\/em>decrescente da taxa de lucro (a raz\u00e3o \u00edntima do pr\u00f3prio movimento de acumula\u00e7\u00e3o do capital). Eis a explica\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica das crises capitalistas.<\/p>\n<p>No <em>Manifesto Comunista<\/em>, Karl Marx e Friedrich Engels observaram em 1848, com arg\u00facia cr\u00edtica, que \u201cA burguesia n\u00e3o pode existir sem revolucionar incessantemente os instrumentos de produ\u00e7\u00e3o, por conseguinte, as rela\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o e, com isso, todas as rela\u00e7\u00f5es sociais.\u201d (S\u00e3o Paulo, Boitempo, 1999, p.43) Enfim, o desenvolvimento progressivo da produtividade social do trabalhador \u00e9 uma tend\u00eancia candente inelut\u00e1vel do desenvolvimento capitalista. O s\u00e9culo XX, o s\u00e9culo das revolu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas, demonstrou \u00e0 exaust\u00e3o como verdade emp\u00edrica a constata\u00e7\u00e3o de Marx e Engels. A <em>sacada<\/em> de Marx foi que \u201cessa cont\u00ednua diminui\u00e7\u00e3o <em>relativa<\/em> do capital vari\u00e1vel <em>vis-\u00e0-vis<\/em> o constante\u201d, o aumento da composi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica do capital, leva, como <em>tend\u00eancia estrutural<\/em>, \u00e0 queda da taxa m\u00e9dia de lucro. Enfim, o s\u00e9culo XX demonstrou que, quando o capitalismo se expande e acumula capital, h\u00e1 uma tend\u00eancia hist\u00f3rica para a lucratividade cair. Eis o enunciado fundamental (e fundante) da l\u00f3gica da acumula\u00e7\u00e3o capitalista em sua \u00edntima natureza contradit\u00f3ria.<\/p>\n<p>Remetemos os leitores \u00e0 Parte Terceira do Livro 3 de <em>O capital<\/em>, intitulada \u201cLei: tend\u00eancia a cair da taxa de lucro\u201d, onde Marx exp\u00f5e seu argumento, sem deixar de tratar tamb\u00e9m \u2013 e isso \u00e9 muito importante \u2013 dos fatores contr\u00e1rios \u00e0 lei e das contradi\u00e7\u00f5es da lei tendencial \u00e0 queda da taxa de lucros. O artigo n\u00e3o nos permite expor em detalhes como Marx chega \u00e0 f\u00f3rmula da taxa de lucro como sendo uma fun\u00e7\u00e3o entre a taxa de mais-valia e a composi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica do capital + 1 (l = m\/(c+v) +1). Portanto, a taxa de lucro \u00e9 diretamente proporcional \u00e0 taxa de mais-valia e inversamente proporcional a (c+v) + 1 (composi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica do capital mais um). Portanto, a eleva\u00e7\u00e3o da composi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica do capital faz declinar a taxa de lucro, a menos que, <em>em contrapartida<\/em>, a taxa de mais-valia aumente suficientemente para poder contrabalan\u00e7ar o primeiro efeito (a determina\u00e7\u00e3o da luta de classes entre o capital e o trabalho).<\/p>\n<p>Na verdade, a <em>tend\u00eancia<\/em> implica, de modo contradit\u00f3rio, um complexo de <em>contratendencias<\/em> que visam restabelecer o n\u00edvel da lucratividade capaz de permitir um novo patamar de acumula\u00e7\u00e3o de capital. Marx em <em>O capital<\/em> referiu-se particularmente aos seguintes fatores contra-restantes: a eleva\u00e7\u00e3o da taxa de explora\u00e7\u00e3o do trabalho, a redu\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio abaixo do valor da for\u00e7a de trabalho, isto \u00e9, a n\u00edveis insuficientes para garantir a restaura\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho segundo os padr\u00f5es de vida historicamente estabelecidos; a desvaloriza\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho, o barateamento de elementos do capital constante, o excedente relativo da popula\u00e7\u00e3o e o com\u00e9rcio exterior.<\/p>\n<p>A principal contratend\u00eancia utilizada pelos capitalistas, de modo imediato, \u00e9 o aumento da taxa de mais-valia ou taxa de explora\u00e7\u00e3o por meio, por exemplo, o aumento da extra\u00e7\u00e3o da mais-valia relativa. Portanto, h\u00e1 uma contradi\u00e7\u00e3o candente no sistema capitalista entre elevar a produtividade do trabalho atrav\u00e9s de mais investimento em tecnologia e sustentabilidade da lucratividade. Como vimos acima, isto pode ser ultrapassado por algum tempo pela intensifica\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho como ocorre hoje no capitalismo global, com a s\u00edntese entre mais-valia absoluta e mais-valia relativa, gest\u00e3o toyotista acoplada a novas tecnologias organizacionais, precariza\u00e7\u00e3o dos contratos de trabalho, expans\u00e3o do com\u00e9rcio mundial (globaliza\u00e7\u00e3o). Estes s\u00e3o fatores contra-restantes \u00e0 queda da taxa da lucratividade que, por exemplo, operaram com vigor nas d\u00e9cadas de 1980 e 1990, visando reverter a baixa lucratividade que levou a recess\u00e3o global de 1973-1975.<\/p>\n<p>Entretanto, \u00e0 medida que se eleva a composi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica do capital, a taxa de lucro se torna progressivamente menos sens\u00edvel a varia\u00e7\u00f5es na taxa de mais-valia. Assim, n\u00e3o apenas uma elevada composi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica do capital origina um poss\u00edvel lucro menor, como, ademais, torna as varia\u00e7\u00f5es na taxa de mais-valia menos eficiente como estrat\u00e9gia para sustentar a taxa de lucro num certo patamar. Portanto, se houver, de fato, uma eleva\u00e7\u00e3o secular na composi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica do capital, ent\u00e3o, ainda que a taxa de mais-valia tamb\u00e9m se eleve, torna-se cada vez menos prov\u00e1vel que isso possa compensar \u2013 por si s\u00f3 \u2013 o efeito declinante da eleva\u00e7\u00e3o da composi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica do capital. \u00c9, pois, perfeitamente l\u00f3gico admitir que as eleva\u00e7\u00f5es na composi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica do capital devem atuar como um obst\u00e1culo significativo ao processo de valoriza\u00e7\u00e3o do capital (o Gr\u00e1fico 2 abaixo demonstra a tend\u00eancia hist\u00f3rica de queda da taxa de lucro no <em>core<\/em> das economias capitalistas avan\u00e7adas).<\/p>\n<div id=\"attachment_17154\" class=\"wp-caption aligncenter\" data-shortcode=\"caption\">\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-17154 size-full\" src=\"https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2017\/01\/grc3a1fico2.jpg?w=620&#038;h=273&#038;fit=620%2C273&#038;resize=620%2C273\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" srcset=\"https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2017\/01\/grc3a1fico2.jpg?w=620&amp;h=273 620w, https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2017\/01\/grc3a1fico2.jpg?w=150&amp;h=66 150w, https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2017\/01\/grc3a1fico2.jpg?w=300&amp;h=132 300w, https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2017\/01\/grc3a1fico2.jpg?w=768&amp;h=338 768w, https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2017\/01\/grc3a1fico2.jpg?w=1024&amp;h=450 1024w, https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2017\/01\/grc3a1fico2.jpg 1076w\" alt=\"grafico2\" width=\"620\" height=\"273\" data-attachment-id=\"17154\" data-permalink=\"https:\/\/blogdaboitempo.com.br\/2017\/01\/26\/a-longa-depressao-do-seculo-21-e-a-era-da-barbarie-social-i\/grafico2\/\" data-orig-file=\"https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2017\/01\/grc3a1fico2.jpg?w=620&amp;h=273\" data-orig-size=\"1076,473\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"grafico2\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2017\/01\/grc3a1fico2.jpg?w=620&amp;h=273?w=300\" data-large-file=\"https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2017\/01\/grc3a1fico2.jpg?w=620&amp;h=273?w=620\" \/><\/p>\n<p><em>Gr\u00e1fico 2 Taxa de Lucro nas Economias Capitalistas Avan\u00e7adas\u00a0(Fonte: E. Maito Apud ROBERTS, Michael. The Long Depression)<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p>Embora a lucratividade nas economias capitalistas centrais tenha se recuperado nas d\u00e9cadas de 1980 e 1990, a recupera\u00e7\u00e3o n\u00e3o atingiu de forma alguma os patamares dos \u201ctrinta anos dourados\u201d do capitalismo (1945-1975) (vide Gr\u00e1fico 1). Desde o fim da d\u00e9cada de 1990, a lei tendencial de queda da taxa de lucro come\u00e7ou a operar outra vez, criando as condi\u00e7\u00f5es para a Grande Recess\u00e3o de 2008-2009 e a longa depress\u00e3o do s\u00e9culo XXI onde estamos inseridos. Na verdade, buscou-se contra-restar a queda de lucratividade por meio do enorme <em>boom<\/em> de cr\u00e9dito e inova\u00e7\u00f5es financeiras visando especular com o capital fict\u00edcio e manter os lucros alt\u00edssimos da burguesia rentista-parasit\u00e1ria. Entretanto, especula\u00e7\u00e3o financeira n\u00e3o cria valor efetivo e a crise de valoriza\u00e7\u00e3o do capital com a queda da lucratividade contribuiu para a ocorr\u00eancia do <em>crash<\/em> de 2008 nos EUA, disseminando-se de imediato pela Europa e Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>A longa depress\u00e3o do s\u00e9culo XXI (2008-?) demonstra a efic\u00e1cia heur\u00edstica das pondera\u00e7\u00f5es marxistas cl\u00e1ssicas. Desde a Grande Recess\u00e3o de 2008-2009 nos pa\u00edses capitalistas centrais (EUA, Uni\u00e3o Europ\u00e9ia e Jap\u00e3o), recess\u00e3o superior \u00e0quela ocorrida de 1973-1975, tem havida \u2013 sem sucesso \u2013 a mobiliza\u00e7\u00e3o de contratend\u00eancias do capital para resgatar o patamar de lucratividade. Enquanto o capital n\u00e3o restabelecer um novo patamar de lucratividade, persistir\u00e3o os ciclos de recess\u00e3o e crescimento fr\u00e1gil e insustent\u00e1vel, apresentando taxas inferiores \u00e0quelas que existiam antes da Grande Recess\u00e3o que deu origem \u00e0 longa depress\u00e3o.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, desde a recess\u00e3o global de 1973-1975, a taxa de lucratividade nos pa\u00edses capitalistas centrais tem ca\u00eddo, apesar da recupera\u00e7\u00e3o relativa da lucratividade ocorrida de 1982-1997, por conta da mobiliza\u00e7\u00e3o de contratend\u00eancias como salientamos acima, com destaque para a reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva, precariza\u00e7\u00e3o estrutural do trabalho e globaliza\u00e7\u00e3o. A ofensiva neoliberal e a globaliza\u00e7\u00e3o, com a deslocaliza\u00e7\u00e3o produtiva para pa\u00edses de baixos sal\u00e1rios, aceleraram de forma extrema, a precariza\u00e7\u00e3o do trabalho nos pa\u00edses do capitalismo central. Foi a degrada\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es salariais \u2013 a flexibiliza\u00e7\u00e3o laboral \u2013 e o aumento do desemprego em massa, que resgatou a taxa de lucratividade depois da recess\u00e3o global de 1973-1975. Entretanto, mesmo na recupera\u00e7\u00e3o de 1982-1997, a taxa da lucratividade ficou abaixo daquela da era dourado do capitalismo fordista-keynesiano.<\/p>\n<p>De acordo com Andrew Kliman no livro <em>The failure of capitalista production<\/em> (Pluto Press, 2012), as economias capitalistas centrais nunca se recuperaram efetivamente da recess\u00e3o global de 1973-1975 pois n\u00e3o ocorreu, naquele momento, a destrui\u00e7\u00e3o de valor de capital como deveria ter ocorrido, caso as economias capitalistas quisessem criar as bases efetivas para um novo patamar de lucratividade (como diria David Harvey no livro <em>Os limites do capital<\/em>, uma vez realizada a necess\u00e1ria desvaloriza\u00e7\u00e3o, a superacumula\u00e7\u00e3o \u00e9 eliminada e a acumula\u00e7\u00e3o pode renovar o seu curso, com frequ\u00eancia em uma nova base social e tecnol\u00f3gica\u201d).<\/p>\n<p>Portanto, ap\u00f3s a recess\u00e3o global de 1973-1975 n\u00e3o ocorreu a necess\u00e1ria <em>destrui\u00e7\u00e3o de capital<\/em> que propiciasse a seguir, uma nova acumula\u00e7\u00e3o de capital e um novo patamar de lucratividade. \u00c9 a cria\u00e7\u00e3o de lucro que torna poss\u00edvel o investimento produtivo. Por isso, mesmo com a recupera\u00e7\u00e3o nas d\u00e9cadas de 1980 e 1990 da taxa de lucratividade, num patamar inferior \u00e0quele do p\u00f3s-guerra, percebeu-se nas primeiras d\u00e9cadas do capitalismo global (1982-1997) um decl\u00ednio na taxa de acumula\u00e7\u00e3o de capital (investimento produtivo) e por conseguinte, queda do emprego e renda do trabalho, aumento da especula\u00e7\u00e3o financeira, aumento in\u00e9dito da desigualdade social e crescente endividamento das fam\u00edlias e empresas.<\/p>\n<div id=\"attachment_17153\" class=\"wp-caption aligncenter\" data-shortcode=\"caption\">\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-17153 size-full\" src=\"https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2017\/01\/grc3a1fico3.jpg?w=620&#038;h=374&#038;fit=620%2C374&#038;resize=620%2C374\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" srcset=\"https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2017\/01\/grc3a1fico3.jpg?w=620&amp;h=374 620w, https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2017\/01\/grc3a1fico3.jpg?w=150&amp;h=90 150w, https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2017\/01\/grc3a1fico3.jpg?w=300&amp;h=181 300w, https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2017\/01\/grc3a1fico3.jpg?w=768&amp;h=463 768w, https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2017\/01\/grc3a1fico3.jpg?w=1024&amp;h=617 1024w, https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2017\/01\/grc3a1fico3.jpg 1093w\" alt=\"grafico3\" width=\"620\" height=\"374\" data-attachment-id=\"17153\" data-permalink=\"https:\/\/blogdaboitempo.com.br\/2017\/01\/26\/a-longa-depressao-do-seculo-21-e-a-era-da-barbarie-social-i\/grafico3\/\" data-orig-file=\"https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2017\/01\/grc3a1fico3.jpg?w=620&amp;h=374\" data-orig-size=\"1093,659\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"grafico3\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2017\/01\/grc3a1fico3.jpg?w=620&amp;h=374?w=300\" data-large-file=\"https:\/\/boitempoeditorial.files.wordpress.com\/2017\/01\/grc3a1fico3.jpg?w=620&amp;h=374?w=620\" \/><\/p>\n<p><em>Gr\u00e1fico 3 Taxa de Lucro nos EUA\u00a0(Fonte: BEA, Apud ROBERTS, Michael. The Long Depression.)<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p>O gr\u00e1fico acima demonstra a hip\u00f3tese de Andrew Kliman \u2013 ap\u00f3s a crise de lucratividade ocorrida na recess\u00e3o global de 1973-1975, o capitalismo nos EUA, a economia mais din\u00e2mica do sistema mundial do capital, n\u00e3o conseguiu recuperar a mesma taxa de lucratividade da era dourada do capitalismo fordista-keynesiado do p\u00f3s-guerra (Golden age-high), apesar da <em>retomada neoliberal<\/em> (neo-liberal recovery) ocorrida de 1982-1997. A partir de 2006, a taxa de lucratividade volta a cair, prenunciado a Grande Recess\u00e3o de 2008.<\/p>\n<p>Portanto, entendemos a Grande Recess\u00e3o de 2008 e a longa depress\u00e3o do s\u00e9culo XXI que se seguiu a ela, como sendo o resultado do desenvolvimento das contradi\u00e7\u00f5es org\u00e2nicas no <em>core<\/em> do capitalismo global. As <em>contratendencias<\/em> \u00e0 crise do capitalismo fordismo-keynesianismo, como a globaliza\u00e7\u00e3o neoliberal, caracterizada pela precariza\u00e7\u00e3o estrutural do trabalho e desregulamenta\u00e7\u00e3o financeira num cen\u00e1rio de eleva\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da composi\u00e7\u00e3o org\u00e2nica do capital, propiciaram as condi\u00e7\u00f5es do <em>boom<\/em> de capital fict\u00edcio da d\u00e9cada de 2000 (a pequena retomada com a <em>bolha especulativa<\/em> que come\u00e7a em 2001 e que em 2006, com a queda da taxa de lucros, prenuncia o <em>big crash<\/em> de 2008). Na verdade, a retomada neoliberal da taxa de lucro iniciada no come\u00e7o da d\u00e9cada de 1980 demonstrou seu folego curto com a queda da taxa de lucratividade nos EUA em 1997. A crise recessiva de 2000 antecipou o desastre que seria muito maior, oito anos depois.<\/p>\n<p>Nas experi\u00eancias hist\u00f3ricas anteriores de longas depress\u00f5es, o capitalismo s\u00f3 conseguiu superar a in\u00e9rcia rebaixada da lucratividade, com uma ampla desvaloriza\u00e7\u00e3o de capital e novas bases sociais e tecnol\u00f3gicas propiciadas pelas revolu\u00e7\u00f5es industriais; um novo surto de expans\u00e3o capitalista (imperialismo) e guerras mundiais. Por exemplo, a longa depress\u00e3o de fins do s\u00e9culo XIX deu origem \u00e0 Segunda Revolu\u00e7\u00e3o Industrial e ao imperialismo \u2013 que levaria o mundo para a Primeira Guerra Mundial. A longa depress\u00e3o de 1929 conseguiu ser superada apenas com a Segunda Guerra Mundial e a expans\u00e3o americanista no p\u00f3s-guerra, constituindo o capitalismo fordista-keynesiano. Perguntemos: o que ir\u00e1 contribuir para a sa\u00edda da longa depress\u00e3o do s\u00e9culo XXI?<\/p>\n<p>Como cada crise capitalista \u00e9 \u00fanica, o que podemos \u00e9 especular sobre tend\u00eancias de desenvolvimento hist\u00f3rico que apontam para possibilidades de constitui\u00e7\u00e3o de um novo mundo do capital no s\u00e9culo XXI (o que indicamos sendo a era da barb\u00e1rie social). Caso n\u00e3o haja uma revolu\u00e7\u00e3o social que supere o capitalismo \u2013 o que deveras improv\u00e1vel -, as contratendencias \u00e0 queda da lucratividade e os movimentos do capital para superar a longa depress\u00e3o do s\u00e9culo XXI, o capitalismo global assumir\u00e1 um novo patamar hist\u00f3rico no interior do qual se desenvolver\u00e3o suas contradi\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n<p>Nos pr\u00f3ximos artigos, trataremos da longa depress\u00e3o do s\u00e9culo XXI e a desmedida do valor, financeiriza\u00e7\u00e3o da riqueza capitalista, a Quarta Revolu\u00e7\u00e3o Industrial e seus impactos no mundo social do trabalho, o delineamento do que consideramos como sendo a era da barb\u00e1rie social e por fim, a longa depress\u00e3o do s\u00e9culo XXI e o Brasil.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-embedded-content\" data-secret=\"svSNRtOy1I\"><p><a href=\"https:\/\/blogdaboitempo.com.br\/2017\/01\/26\/a-longa-depressao-do-seculo-21-e-a-era-da-barbarie-social-i\/\">A longa depress\u00e3o do s\u00e9culo 21 e a era da barb\u00e1rie social &#8211; I<\/a><\/p><\/blockquote>\n<p><iframe loading=\"lazy\" class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"&#8220;A longa depress\u00e3o do s\u00e9culo 21 e a era da barb\u00e1rie social &#8211; I&#8221; &#8212; Blog da Boitempo\" src=\"https:\/\/blogdaboitempo.com.br\/2017\/01\/26\/a-longa-depressao-do-seculo-21-e-a-era-da-barbarie-social-i\/embed\/#?secret=8xVdz1kGfS#?secret=svSNRtOy1I\" data-secret=\"svSNRtOy1I\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Giovanni Alves &#8211;\u00a0A magistral obra &#8220;O capital: cr\u00edtica da economia pol\u00edtica&#8221;, de Karl Marx tornou-se, mais do que nunca, no s\u00e9culo XXI, o ponto de partida para desvelarmos o sentido do nosso tempo hist\u00f3rico O capitalismo global que se iniciou na d\u00e9cada de 1980, como resposta \u00e0 grande recess\u00e3o de 1973-1975, teve, com a crise [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":238,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[5,2],"tags":[],"class_list":["post-3230","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia","category-politica"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>A longa depress\u00e3o do s\u00e9culo 21 e a era da barb\u00e1rie social \u2013 I - Controversia<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2017\/03\/12\/a-longa-depressao-do-seculo-21-e-a-era-da-barbarie-social-i\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_PT\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"A longa depress\u00e3o do s\u00e9culo 21 e a era da barb\u00e1rie social \u2013 I - Controversia\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Giovanni Alves &#8211;\u00a0A magistral obra &#8220;O capital: cr\u00edtica da economia pol\u00edtica&#8221;, de Karl Marx tornou-se, mais do que nunca, no s\u00e9culo XXI, o ponto de partida para desvelarmos o sentido do nosso tempo hist\u00f3rico O capitalismo global que se iniciou na d\u00e9cada de 1980, como resposta \u00e0 grande recess\u00e3o de 1973-1975, teve, com a crise [&hellip;]\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2017\/03\/12\/a-longa-depressao-do-seculo-21-e-a-era-da-barbarie-social-i\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Controversia\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/\" \/>\n<meta property=\"article:author\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2017-03-12T15:31:12+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Giovanni-Alves.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"1280\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"720\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Ricardo Alvarez\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@https:\/\/twitter.com\/contro_versia\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@contro_versia\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Ricardo Alvarez\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Tempo estimado de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"18 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2017\\\/03\\\/12\\\/a-longa-depressao-do-seculo-21-e-a-era-da-barbarie-social-i\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2017\\\/03\\\/12\\\/a-longa-depressao-do-seculo-21-e-a-era-da-barbarie-social-i\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"Ricardo Alvarez\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"headline\":\"A longa depress\u00e3o do s\u00e9culo 21 e a era da barb\u00e1rie social \u2013 I\",\"datePublished\":\"2017-03-12T15:31:12+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2017\\\/03\\\/12\\\/a-longa-depressao-do-seculo-21-e-a-era-da-barbarie-social-i\\\/\"},\"wordCount\":3619,\"commentCount\":0,\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2017\\\/03\\\/12\\\/a-longa-depressao-do-seculo-21-e-a-era-da-barbarie-social-i\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2016\\\/05\\\/Giovanni-Alves.jpg?fit=1280%2C720&ssl=1\",\"articleSection\":[\"Economia\",\"Pol\u00edtica\"],\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2017\\\/03\\\/12\\\/a-longa-depressao-do-seculo-21-e-a-era-da-barbarie-social-i\\\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2017\\\/03\\\/12\\\/a-longa-depressao-do-seculo-21-e-a-era-da-barbarie-social-i\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2017\\\/03\\\/12\\\/a-longa-depressao-do-seculo-21-e-a-era-da-barbarie-social-i\\\/\",\"name\":\"A longa depress\u00e3o do s\u00e9culo 21 e a era da barb\u00e1rie social \u2013 I - Controversia\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2017\\\/03\\\/12\\\/a-longa-depressao-do-seculo-21-e-a-era-da-barbarie-social-i\\\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2017\\\/03\\\/12\\\/a-longa-depressao-do-seculo-21-e-a-era-da-barbarie-social-i\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2016\\\/05\\\/Giovanni-Alves.jpg?fit=1280%2C720&ssl=1\",\"datePublished\":\"2017-03-12T15:31:12+00:00\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2017\\\/03\\\/12\\\/a-longa-depressao-do-seculo-21-e-a-era-da-barbarie-social-i\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2017\\\/03\\\/12\\\/a-longa-depressao-do-seculo-21-e-a-era-da-barbarie-social-i\\\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2017\\\/03\\\/12\\\/a-longa-depressao-do-seculo-21-e-a-era-da-barbarie-social-i\\\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2016\\\/05\\\/Giovanni-Alves.jpg?fit=1280%2C720&ssl=1\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/i0.wp.com\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2016\\\/05\\\/Giovanni-Alves.jpg?fit=1280%2C720&ssl=1\",\"width\":1280,\"height\":720},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/2017\\\/03\\\/12\\\/a-longa-depressao-do-seculo-21-e-a-era-da-barbarie-social-i\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"A longa depress\u00e3o do s\u00e9culo 21 e a era da barb\u00e1rie social \u2013 I\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/\",\"name\":\"Controversia\",\"description\":\"Um site de leitura e debate\",\"publisher\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\"},\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-PT\"},{\"@type\":[\"Person\",\"Organization\"],\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2\",\"name\":\"Ricardo Alvarez\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"url\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\",\"width\":1015,\"height\":1024,\"caption\":\"Ricardo Alvarez\"},\"logo\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/controversia.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2020\\\/05\\\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png\"},\"description\":\"Professor, mestre em geografia urbana pela USP e criador do site Controv\u00e9rsia e escreve semanalmente.\",\"sameAs\":[\"http:\\\/\\\/controversia.com.br\",\"https:\\\/\\\/www.facebook.com\\\/Controversiascontemporaneas\\\/\",\"https:\\\/\\\/www.linkedin.com\\\/in\\\/controversia\\\/\",\"https:\\\/\\\/x.com\\\/https:\\\/\\\/twitter.com\\\/contro_versia\"]}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"A longa depress\u00e3o do s\u00e9culo 21 e a era da barb\u00e1rie social \u2013 I - Controversia","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2017\/03\/12\/a-longa-depressao-do-seculo-21-e-a-era-da-barbarie-social-i\/","og_locale":"pt_PT","og_type":"article","og_title":"A longa depress\u00e3o do s\u00e9culo 21 e a era da barb\u00e1rie social \u2013 I - Controversia","og_description":"Giovanni Alves &#8211;\u00a0A magistral obra &#8220;O capital: cr\u00edtica da economia pol\u00edtica&#8221;, de Karl Marx tornou-se, mais do que nunca, no s\u00e9culo XXI, o ponto de partida para desvelarmos o sentido do nosso tempo hist\u00f3rico O capitalismo global que se iniciou na d\u00e9cada de 1980, como resposta \u00e0 grande recess\u00e3o de 1973-1975, teve, com a crise [&hellip;]","og_url":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2017\/03\/12\/a-longa-depressao-do-seculo-21-e-a-era-da-barbarie-social-i\/","og_site_name":"Controversia","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","article_author":"https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","article_published_time":"2017-03-12T15:31:12+00:00","og_image":[{"width":1280,"height":720,"url":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Giovanni-Alves.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"Ricardo Alvarez","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@https:\/\/twitter.com\/contro_versia","twitter_site":"@contro_versia","twitter_misc":{"Escrito por":"Ricardo Alvarez","Tempo estimado de leitura":"18 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2017\/03\/12\/a-longa-depressao-do-seculo-21-e-a-era-da-barbarie-social-i\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2017\/03\/12\/a-longa-depressao-do-seculo-21-e-a-era-da-barbarie-social-i\/"},"author":{"name":"Ricardo Alvarez","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"headline":"A longa depress\u00e3o do s\u00e9culo 21 e a era da barb\u00e1rie social \u2013 I","datePublished":"2017-03-12T15:31:12+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2017\/03\/12\/a-longa-depressao-do-seculo-21-e-a-era-da-barbarie-social-i\/"},"wordCount":3619,"commentCount":0,"publisher":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"image":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2017\/03\/12\/a-longa-depressao-do-seculo-21-e-a-era-da-barbarie-social-i\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Giovanni-Alves.jpg?fit=1280%2C720&ssl=1","articleSection":["Economia","Pol\u00edtica"],"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/controversia.com.br\/2017\/03\/12\/a-longa-depressao-do-seculo-21-e-a-era-da-barbarie-social-i\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2017\/03\/12\/a-longa-depressao-do-seculo-21-e-a-era-da-barbarie-social-i\/","url":"https:\/\/controversia.com.br\/2017\/03\/12\/a-longa-depressao-do-seculo-21-e-a-era-da-barbarie-social-i\/","name":"A longa depress\u00e3o do s\u00e9culo 21 e a era da barb\u00e1rie social \u2013 I - Controversia","isPartOf":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2017\/03\/12\/a-longa-depressao-do-seculo-21-e-a-era-da-barbarie-social-i\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2017\/03\/12\/a-longa-depressao-do-seculo-21-e-a-era-da-barbarie-social-i\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Giovanni-Alves.jpg?fit=1280%2C720&ssl=1","datePublished":"2017-03-12T15:31:12+00:00","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2017\/03\/12\/a-longa-depressao-do-seculo-21-e-a-era-da-barbarie-social-i\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/controversia.com.br\/2017\/03\/12\/a-longa-depressao-do-seculo-21-e-a-era-da-barbarie-social-i\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2017\/03\/12\/a-longa-depressao-do-seculo-21-e-a-era-da-barbarie-social-i\/#primaryimage","url":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Giovanni-Alves.jpg?fit=1280%2C720&ssl=1","contentUrl":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Giovanni-Alves.jpg?fit=1280%2C720&ssl=1","width":1280,"height":720},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/2017\/03\/12\/a-longa-depressao-do-seculo-21-e-a-era-da-barbarie-social-i\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/controversia.com.br\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"A longa depress\u00e3o do s\u00e9culo 21 e a era da barb\u00e1rie social \u2013 I"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#website","url":"https:\/\/controversia.com.br\/","name":"Controversia","description":"Um site de leitura e debate","publisher":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2"},"potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/controversia.com.br\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-PT"},{"@type":["Person","Organization"],"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/#\/schema\/person\/890416adf48f0d52618900e97e15edf2","name":"Ricardo Alvarez","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","url":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","contentUrl":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png","width":1015,"height":1024,"caption":"Ricardo Alvarez"},"logo":{"@id":"https:\/\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/Plano-de-Fundo-1015x1024.png"},"description":"Professor, mestre em geografia urbana pela USP e criador do site Controv\u00e9rsia e escreve semanalmente.","sameAs":["http:\/\/controversia.com.br","https:\/\/www.facebook.com\/Controversiascontemporaneas\/","https:\/\/www.linkedin.com\/in\/controversia\/","https:\/\/x.com\/https:\/\/twitter.com\/contro_versia"]}]}},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/controversia.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Giovanni-Alves.jpg?fit=1280%2C720&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":true,"jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3230","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3230"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3230\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3231,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3230\/revisions\/3231"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/238"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3230"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3230"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3230"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}