{"id":2640,"date":"2016-12-20T09:20:04","date_gmt":"2016-12-20T11:20:04","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=2640"},"modified":"2016-12-19T16:29:37","modified_gmt":"2016-12-19T18:29:37","slug":"a-intelectualidade-negra-do-imperio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2016\/12\/20\/a-intelectualidade-negra-do-imperio\/","title":{"rendered":"A intelectualidade negra do Imp\u00e9rio"},"content":{"rendered":"<p><strong>MAURICIO PULS<\/strong> &#8211; Antes da Aboli\u00e7\u00e3o, editores e homens de letras descendentes de escravos desempenharam papel social importante<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/080_Negro_Tardes-de-um-pintor_249.jpg?resize=484%2C729\" width=\"484\" height=\"729\" \/><\/p>\n<p><em>Romance do escritor Teixeira e Sousa\u2026<\/em><\/p>\n<p>Em novembro de 1831, o tip\u00f3grafo negro Francisco de Paula Brito (1809-1861) comprou a livraria de seu primo, o mulato Silvino Jos\u00e9 de Almeida, e a transformou em uma das maiores editoras do Segundo Reinado. Entre seus acionistas figurou o pr\u00f3prio d. Pedro II, que em 1851 lhe concedeu o t\u00edtulo de impressor da Casa Imperial. A import\u00e2ncia de Paula Brito n\u00e3o se limitou a seu \u00eaxito empresarial: ele imprimiu um dos primeiros peri\u00f3dicos em defesa dos direitos dos negros e, mais tarde, publicou as primeiras obras dos escritores Teixeira e Sousa e Machado de Assis.<\/p>\n<p>Como explica Rodrigo Camargo de Godoi em sua tese <em>Um editor no Imp\u00e9rio: Francisco de Paula Brito (1809-1861)<\/em>, defendida no Instituto de Filosofia e Ci\u00eancias Humanas da Universidade Estadual de Campinas (IFCH-Unicamp) em 2014 e agora publicada em livro pela Edusp, a trajet\u00f3ria do editor n\u00e3o \u00e9 um caso isolado: \u201cH\u00e1 toda uma intelectualidade negra que se forma no fim do s\u00e9culo XVIII e no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, integrada por figuras como o jurista Antonio Pereira Rebou\u00e7as e o pol\u00edtico Francisco J\u00ea de Acaiaba Montezuma, o Visconde de Jequitinhonha. S\u00e3o filhos e netos de escravos que se afastaram do cativeiro, ascenderam socialmente e ocuparam cargos em \u00e1reas que v\u00e3o da medicina at\u00e9 o jornalismo e a pol\u00edtica\u201d.<\/p>\n<p>A integra\u00e7\u00e3o dos afrodescendentes \u00e0 elite cultural do Imp\u00e9rio nunca foi f\u00e1cil, pois o preconceito fechava muitas portas. Na Faculdade de Direito do Largo S\u00e3o Francisco, em S\u00e3o Paulo, diversos professores (como Avellar Brotero e Veiga Cabral) n\u00e3o escondiam suas tend\u00eancias racistas \u2013 tanto assim que foi apenas em 1879 que um negro, Jos\u00e9 Rubino de Oliveira, conseguiu se tornar professor da institui\u00e7\u00e3o. A resist\u00eancia, contudo, foi diminuindo com a expans\u00e3o do estrato de afrodescendentes livres.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/080_Negro_Pavuna_1843_249.jpg?resize=390%2C577\" width=\"390\" height=\"577\" \/><\/p>\n<p><em>\u2026e livro publicado pelo editor Paula Brito: intelectuais negros na d\u00e9cada de 1840<\/em><\/p>\n<p>O percentual de escravos na popula\u00e7\u00e3o diminuiu bastante durante o s\u00e9culo XIX, em parte pelas restri\u00e7\u00f5es crescentes ao tr\u00e1fico negreiro, em parte pela expans\u00e3o de outras rela\u00e7\u00f5es de trabalho. Em 1818, segundo o historiador Jacob Gorender, no livro <em>O escravismo colonial<\/em>, de 1978, os cativos ainda representavam 50,5% da popula\u00e7\u00e3o. Esse percentual declinou para 34,5% em 1850 e atingiu 15,2% em 1872. Nesse \u00faltimo ano, de acordo com o professor da Unicamp Sidney Chalhoub (<em>A for\u00e7a da escravid\u00e3o<\/em>, 2012), os negros e mulatos livres representavam 42,7% da popula\u00e7\u00e3o. \u00c0 \u00e9poca, de cada quatro negros tr\u00eas eram livres. Muitos deles se destacavam nas institui\u00e7\u00f5es de ensino, nas artes e sobretudo na imprensa, como mostra Ana Fl\u00e1via Magalh\u00e3es Pinto em sua tese \u201cFortes la\u00e7os em linhas rotas: Literatos negros, racismo e cidadania na segunda metade do s\u00e9culo XIX\u201d, defendida no IFCH-Unicamp em 2014 e que recebeu men\u00e7\u00e3o honrosa do Pr\u00eamio Capes de Teses em 2015.<\/p>\n<p>Que fatores possibilitaram o aparecimento desses intelectuais negros em uma sociedade ainda cindida pelo trabalho escravo? Segundo Ana Fl\u00e1via, os esfor\u00e7os dos descendentes de africanos para superar as barreiras colocadas ao exerc\u00edcio da cidadania tiveram de se valer dos canais de poder e prest\u00edgio ent\u00e3o vigentes. Como argumenta o cr\u00edtico Roberto Schwarz em seu livro <em>Ao vencedor as batatas<\/em> (1977), em uma sociedade fundada nas rela\u00e7\u00f5es de domina\u00e7\u00e3o pessoal (senhor-escravo), a distribui\u00e7\u00e3o dos cargos p\u00fablicos e dos benef\u00edcios do Estado dependia de favores pessoais prestados pelos detentores do poder. A distribui\u00e7\u00e3o desses favores, contudo, n\u00e3o se processava apenas por meio \u201cde rela\u00e7\u00f5es verticais, hierarquizadas, de prote\u00e7\u00e3o pessoal\u201d. Segundo Chalhoub, havia tamb\u00e9m \u201credes horizontais\u201d, integradas por muitos indiv\u00edduos, que agiam de forma mais ou menos coordenada: \u201cPor exemplo, quando come\u00e7ou a atuar como jornalista, Machado de Assis atendia a muitos pedidos de resenhas para divulgar livros de colegas iniciantes\u201d.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/080_Negro_Antonio-Teixeira_249.jpg?resize=371%2C390\" width=\"371\" height=\"390\" \/><\/p>\n<p><em>Teixeira e Sousa\u2026<\/em><\/p>\n<p>Dentre as redes de sociabilidade, uma das mais conhecidas \u00e9 a ma\u00e7onaria. Ligia Fonseca Ferreira, professora do programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em letras da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp) e organizadora da edi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica de <em>Com a palavra, Luiz Gama: Poemas, artigos, cartas, m\u00e1ximas (2011)<\/em>, observa que dois importantes intelectuais negros, o advogado Luiz Gama e o escritor Jos\u00e9 Ferreira de Menezes, aderiram \u00e0 Loja Am\u00e9rica, em S\u00e3o Paulo, fundada em 1868. Dois anos depois, a institui\u00e7\u00e3o j\u00e1 mantinha uma escola noturna de primeiras letras com 214 alunos: \u201cEles recebiam libertos e alforriados na escola. E, dada a car\u00eancia de bibliotecas na cidade, criaram tamb\u00e9m uma biblioteca aberta \u00e0 popula\u00e7\u00e3o\u201d, diz Ligia. De acordo com ela, o pr\u00f3prio Luiz Gama atuou como professor na escola, e algumas classes funcionavam na casa dele.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da ma\u00e7onaria, os partidos pol\u00edticos tamb\u00e9m desempenharam um papel essencial. Enfrentando uma concorr\u00eancia acirrada de livreiros franceses como Baptiste Louis Garnier, o editor brasileiro Paula Brito deveu parte do seu sucesso a alian\u00e7as com os pol\u00edticos liberais em fins da d\u00e9cada de 1830 e com os conservadores de 1840 at\u00e9 o fim da vida. Como mostra Rodrigo Godoi, seus contatos pol\u00edticos permitiram que ele fosse agraciado com os servi\u00e7os de africanos resgatados de navios negreiros apreendidos. Esses trabalhadores (que na pr\u00e1tica pouco se distinguiam dos escravos) eram entregues a particulares, que em troca deveriam vesti-los e aliment\u00e1-los. Como explica Godoi em seu livro, \u201creceber tais concess\u00f5es refletia antes de tudo o prest\u00edgio social [\u2026], tornando-se sin\u00f4nimo de favor pol\u00edtico\u201d.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/080_Negro-Francisco-de-Paula_249.jpg?resize=355%2C343\" width=\"355\" height=\"343\" \/><\/p>\n<p><em>\u2026e Paula Brito: frequentadores dos c\u00edrculos intelectuais do Imp\u00e9rio<\/em><\/p>\n<p>Mas a emerg\u00eancia da intelectualidade negra n\u00e3o se apoiou apenas em conex\u00f5es com as classes propriet\u00e1rias, sustenta Ana Fl\u00e1via. \u201c\u00c9 comum explicar a ascens\u00e3o de pessoas como Luiz Gama, Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio e Machado de Assis a partir da identifica\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a de algum medalh\u00e3o como protetor\u201d, afirma a pesquisadora. \u201cSem negar a import\u00e2ncia da l\u00f3gica do favor entre \u2018senhores\u2019 e \u2018livres dependentes\u2019, a pesquisa tem me permitido acessar outras redes de prote\u00e7\u00e3o t\u00e3o importantes quanto essas.\u201d Ana Fl\u00e1via destaca os casos de Arthur Carlos, Ign\u00e1cio de Ara\u00fajo Lima e Theophilo Dias de Castro, envolvidos com a edi\u00e7\u00e3o dos jornais <em>A P\u00e1tria<\/em> e <em>O Progresso<\/em>, primeiros exemplares da imprensa negra em S\u00e3o Paulo, e que eram vinculados \u00e0s irmandades de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio e de Nossa Senhora dos Rem\u00e9dios. Segundo Ana Fl\u00e1via, cada indiv\u00edduo muitas vezes participava de diversas associa\u00e7\u00f5es ao longo da vida: \u201cVicente de Souza, que estou pesquisando no p\u00f3s-doutorado, participou de mais de 50 organiza\u00e7\u00f5es, religiosas, pol\u00edticas e liter\u00e1rias. Ele tem v\u00ednculos com a ma\u00e7onaria e o positivismo. Era abolicionista, republicano e socialista. V\u00e1rios l\u00edderes do movimento oper\u00e1rio no Rio de Janeiro nas d\u00e9cadas de 1890 eram negros\u201d.<\/p>\n<p>Paula Brito criou uma esp\u00e9cie de clube, a Sociedade Petal\u00f3gica, que se reunia em sua livraria para discutir assuntos da atualidade. Entre seus integrantes estavam os pol\u00edticos Visconde de Rio Branco (Jos\u00e9 Maria da Silva Paranhos), Eus\u00e9bio de Queiroz e Justiniano Rocha, os escritores Joaquim Manuel de Macedo, Teixeira e Sousa e Machado de Assis, o jornalista Augusto Em\u00edlio Zaluar e o ator Jo\u00e3o Caetano. Segundo escreveu Machado de Assis na cr\u00f4nica <em>Ao acaso<\/em>, publicada em 1865, na Petal\u00f3gica se conversava sobre tudo, \u201cdesde a retirada de um minist\u00e9rio at\u00e9 a pirueta da dan\u00e7arina da moda\u201d. Era um \u201ccampo neutro\u201d no qual o estreante em letras se encontrava com o conselheiro, e o cantor italiano dialogava com o ex-ministro.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" height=\"290\" width=\"300\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/080_Negro_Revista-Ilustrada_249-300x290.jpg?resize=300%2C290\" \/><\/p>\n<p><em>Edi\u00e7\u00e3o da Revista Ilustrada de 1880 mostra o escritor Ferreira de Meneses (<em>na janela, \u00e0 esq<\/em>.) e o jornalista Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio na <em>Gazeta de Not\u00edcias<\/em>, da qual ambos foram donos<\/em><\/p>\n<p>Neto de negros libertos que se alfabetizaram ainda no s\u00e9culo XVIII, Paula Brito teve acesso \u00e0s letras ainda muito jovem, o que permitiu que ele se tornasse tip\u00f3grafo em 1824. Tamb\u00e9m compunha poesias (um de seus poemas, a \u201cOde \u00e0 imprensa\u201d, foi escrito diante de dom Pedro II no Pa\u00e7o Imperial) e, ap\u00f3s comprar a livraria de seu primo, passou a imprimir dezenas de jornais. Foi ele quem publicou um dos primeiros peri\u00f3dicos da imprensa negra no Brasil, <em>O mulato<\/em> ou <em>O homem de cor<\/em>, que criticava a aus\u00eancia dos afrodescendentes nos cargos p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Uma vez inseridos em redes de sociabilidade, intelectuais negros conseguiam abrir caminho para outros. Paula Brito deu emprego a Teixeira e Sousa, do qual publicou <em>C\u00e2nticos l\u00edricos<\/em> em 1841 e <em>O filho do pescador<\/em>, o primeiro romance brasileiro, em 1843. Paula Brito tamb\u00e9m publicou os primeiros poemas e artigos de Machado de Assis em seu jornal <em>Marmota Fluminense<\/em>. Segundo Godoi, com Paula Brito nasceu no Brasil a figura do \u201ceditor moderno, aquele que compra o manuscrito e o publica\u201d. Em uma \u00e9poca em que as editoras costumavam publicar tradu\u00e7\u00f5es piratas de autores estrangeiros, ele decidiu comprar textos e direitos de autores nacionais.<\/p>\n<p>Esses intelectuais, por\u00e9m, eram alvo de muitas cr\u00edticas. Alguns estudiosos, como o historiador Humberto Fernandes Machado (autor da tese \u201cPalavras e brados: A imprensa abolicionista do Rio de Janeiro, 1880-1888\u201d), afirmam que jornalistas como Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio tinham \u201cuma postura paternalista, conciliadora e reformista\u201d, sintonizada com os interesses dos senhores. Acusa\u00e7\u00f5es semelhantes eram feitas j\u00e1 no s\u00e9culo XIX a Machado de Assis pelo gram\u00e1tico negro Hemet\u00e9rio Jos\u00e9 dos Santos. Na opini\u00e3o de Ana Fl\u00e1via, considera\u00e7\u00f5es desse tipo esquecem o fato de que os intelectuais negros eram obrigados a dialogar com um p\u00fablico muito diversificado, que inclu\u00eda tanto senhores de escravos refrat\u00e1rios a qualquer concess\u00e3o quanto abolicionistas radicais.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/080_Negro_Gazeta-Tribunais_249-300x193.jpg?resize=451%2C290\" width=\"451\" height=\"290\" \/><\/p>\n<p><em>Edi\u00e7\u00e3o da Gazeta de Not\u00edcias anuncia a publica\u00e7\u00e3o em forma de folhetim do primeiro romance brasileiro, O filho do pescador, do escritor negro Teixeira e Sousa<\/em><\/p>\n<p>Para Chalhoub, os intelectuais negros ganharam maior visibilidade a partir da d\u00e9cada de 1870 porque o abolicionismo se tornou uma causa generalizada, agregando intelectuais de diferentes tend\u00eancias (liberais, conservadores, republicanos). Mas, ap\u00f3s o fim da escravid\u00e3o, \u201chouve um silenciamento do legado da escravid\u00e3o: o regime republicano foi em grande medida criado em rea\u00e7\u00e3o \u00e0 percep\u00e7\u00e3o de que a Coroa, ao se aliar \u00e0 luta contra a escravid\u00e3o, prejudicara os interesses da cafeicultura\u201d. A partir da\u00ed, a intelectualidade negra come\u00e7ou a perder espa\u00e7o.<\/p>\n<p>http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/autor\/mauricio-puls\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MAURICIO PULS &#8211; Antes da Aboli\u00e7\u00e3o, editores e homens de letras descendentes de escravos desempenharam papel social importante Romance do escritor Teixeira e Sousa\u2026 Em novembro de 1831, o tip\u00f3grafo negro Francisco de Paula Brito (1809-1861) comprou a livraria de seu primo, o mulato Silvino Jos\u00e9 de Almeida, e a transformou em uma das maiores [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2641,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-2640","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sociedade"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - 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