{"id":264,"date":"2016-05-13T09:46:30","date_gmt":"2016-05-13T12:46:30","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=264"},"modified":"2016-05-09T19:48:18","modified_gmt":"2016-05-09T22:48:18","slug":"molenbeek-a-cidade-de-todas-as-bombas-do-deus-do-dinheiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2016\/05\/13\/molenbeek-a-cidade-de-todas-as-bombas-do-deus-do-dinheiro\/","title":{"rendered":"Molenbeek: a cidade de todas as bombas do deus do dinheiro"},"content":{"rendered":"<p><strong>GREGORIO CARBONI MAESTRI<\/strong> &#8211;\u00a0Na B\u00e9lgica sou filho da imigra\u00e7\u00e3o. Os meus av\u00f3s maternos vieram em 1946 para trabalhar com min\u00e9rio. E, no ano de 1990, p\u00f3s-muro de Berlim e do neoliberalismo vitorioso, estudei em uma daquelas escolas da nova imigra\u00e7\u00e3o, aquelas que os belgas chamam \u201cescola lixeira\u201d.<\/p>\n<p>Naquela escola, L\u2019Ath\u00e9n\u00e9e Royal Andr\u00e9 Vesale, era quase o \u00fanico n\u00e3o magrebino e, j\u00e1 ent\u00e3o, pude observar gera\u00e7\u00f5es perdidas, cheias de raiva, sem esperan\u00e7a. Agora, em Bruxelas, moro na comunidade dos imigrantes por excel\u00eancia, Molenbeek, na famosa rua Quatre Vents. A rua de Abdeslam, a poucas casas de onde estava escondido. Se novembro, depois dos atentados de Paris, foi muito complicado para n\u00f3s de Molenbeek, a semana da captura de Abdeslam foi um inferno: tiroteios, explos\u00f5es, jovens atirando pedras na pol\u00edcia, tens\u00e3o. Antes, durante, depois. Um bairro que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, por d\u00e9cadas abandonado pela elite belga: a pobreza, a degrada\u00e7\u00e3o, tristeza. Os \u201cbobos\u201d que n\u00e3o colocam os p\u00e9s aqui. Os \u201cbobos\u201d, como s\u00e3o chamados aqui, s\u00e3o a pequena burguesia jovem e fresca, branca, que frequenta caf\u00e9s e bares hipsters, t\u00e3o tocada pelas atrocidades em Paris, mas pouco tocada pela segrega\u00e7\u00e3o da qual s\u00e3o v\u00edtimas milhares de jovens, seus compatriotas, de origem magrebina.<\/p>\n<p>Contradi\u00e7\u00f5es \u00e9tnico-sociais<\/p>\n<p>Uma gera\u00e7\u00e3o cuja ideologia mistura um gen\u00e9rico progressismo com um egocentrismo muito profundo, que v\u00ea a possibilidade de mudan\u00e7a apenas atrav\u00e9s do consumo de produtos org\u00e2nicos, uma esquerda caviar, que se insere em uma din\u00e2mica capitalista, a partir de m\u00fasicas indie, em que ser multicultural se limita a consumir cuscuz \u00e0 noite com os amigos, nos restaurantes decorados com l\u00e2mpadas marroquinas e fotos de crian\u00e7as africanas nas paredes, mas que evita qualquer milit\u00e2ncia ou cr\u00edtica anticapitalista.<\/p>\n<p>Esta pequena burguesia v\u00ea Molenbeek no melhor dos casos ao atravessar com seus barcos os canais que separam &#8211; a partir do final do s\u00e9culo 19 &#8211; o centro do poder (Bruxelas), burgu\u00eas, nobre, opulento, de bairros como \u201cpequena Birmingham\u201d ou \u201cpequena Manchester\u201d, ocupados primeiramente por uma classe trabalhadora oprimida e agora por uma imigra\u00e7\u00e3o silenciosa.<\/p>\n<p>Uma contradi\u00e7\u00e3o amplamente vista a partir da arquitetura que ainda mostra edif\u00edcios por um lado luxuosos, decorados de forma ecl\u00e9tica, e de outro as arquiteturas essenciais, simples, t\u00e9cnicas e as f\u00e1bricas. As f\u00e1bricas que fecharam pouco a pouco, atingindo um pico no ano de 1970, deixando um rastro de imigrantes \u201ctrazidos\u201d pelo capitalismo belga, sobretudo do Marrocos, para rebaixar o pre\u00e7o do trabalho da vingadora classe oper\u00e1ria belga (j\u00e1 composta em uma substancial parte por uma precedente imigra\u00e7\u00e3o, especialmente italiana).<\/p>\n<p>Muitas dessas f\u00e1bricas ainda est\u00e3o em Molenbeek, abandonadas, em ru\u00ednas, ocupadas ocasionalmente por jovens desocupados residentes de bairros bons, para raves e festas noturnas underground. Um canal, aquele que separa Bruxelas de Molenbeek, cada vez mais assediado por uma especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria violenta e uma gentrifica\u00e7\u00e3o que expulsa, dia ap\u00f3s dia, os ocupantes mais pobres.<\/p>\n<p>N\u00e3o menos importante para entender este fen\u00f4meno \u00e9 a inaugura\u00e7\u00e3o, h\u00e1 alguns dias (16 de abril), de um novo museu, o Mima, com as chamadas artes menores e de rua \u2013 grafite, artistas n\u00e3o convencionais, parte do que foi at\u00e9 agora reprimido pela cultura oficial, recuperada e absorvida pelo grande mercado de arte global. Um centro cultural que, de modo cool, participa, involuntariamente ou talvez n\u00e3o, deste fen\u00f4meno de &#8220;limpeza \u00e9tnica&#8221;, e sem que nada seja dito sobre a situa\u00e7\u00e3o de Molenbeek.<\/p>\n<p>Explorados e esquecidos<\/p>\n<p>Pelas ruas de Molenbeek \u00e9 poss\u00edvel ver sobretudo a segunda e a terceira gera\u00e7\u00e3o dos imigrantes. Jovens que se sentem belgas, n\u00e3o porque queiram ser, mas porque ningu\u00e9m os quer, ningu\u00e9m fez com que se sintam parte do pa\u00eds, da comunidade. Gera\u00e7\u00f5es perdidas, para sempre, confinadas entre \u201cescolas-lixeira\u201d, aus\u00eancia de esperan\u00e7a e desemprego em massa.<\/p>\n<p>E uma esquerda e os sindicatos inexistentes sobre estas quest\u00f5es e territ\u00f3rios, nenhuma real coes\u00e3o social, uma das muitas consequ\u00eancias de um mundo de trabalho destrutivo e humilhante pautado durante mais de 30 anos pela pol\u00edtica da grande capital belga. Uma desocupa\u00e7\u00e3o de massa controlada, por assim dizer, por almofadas de prote\u00e7\u00e3o social, almofadas que s\u00e3o cortadas sem miseric\u00f3rdia para todas as fam\u00edlias de Molenbeek, cujos filhos s\u00e3o apenas suspeitos de participarem no Estado Isl\u00e2mico.<\/p>\n<p>Depois da captura de Abdeslam, a tens\u00e3o n\u00e3o parou de crescer, mesclando-se progressivamente ao cotidiano e por mais de um dia n\u00e3o pudemos voltar para nossas casas. Depois, a felicidade hist\u00e9rica da popula\u00e7\u00e3o por uma captura simb\u00f3lica do \u201cprocurado n\u00famero 1\u201d e, como era de se esperar, a resposta com o atentado ao aeroporto. Sobre bomba em Zaventem eu soube ao acordar. A minha aliena\u00e7\u00e3o agora avan\u00e7ada, no entanto, me empurrou a andar para o trabalho, apesar do que aconteceu. Na verdade, com todo mundo.<\/p>\n<p>Um pouco atrasado, peguei o metr\u00f4, com destino a Maelbeek, a parada que mais gosto em Bruxelas, porque \u00e9 toda branca, com pinturas feitas com azulejos portugueses e Maelbeek escrita, sempre \u00e0 m\u00e3o. De l\u00e1, todos os dias, pego o \u00f4nibus para a pra\u00e7a Flagey, onde trabalho. De repente, param o metr\u00f4. Eles pararam o metr\u00f4 e iniciaram uma evacua\u00e7\u00e3o, a poucas paradas de Maelbeek, agora em destro\u00e7os. Falavam de explos\u00f5es em v\u00e1rias esta\u00e7\u00f5es (informa\u00e7\u00f5es desmentidas depois). Havia p\u00e2nico, mas em sil\u00eancio. Cada um por si, o deus do dinheiro por todos. Ningu\u00e9m fala. Ningu\u00e9m ajuda. Estamos todos nas ruas, perdidos.<\/p>\n<p>Individualismo at\u00e9 no desespero<\/p>\n<p>Os carros n\u00e3o param para dar passagem, sem saber o que acontece, assim como os t\u00e1xis. Como um perfeito produto alienado da sociedade atual, continuo pensando que devo chegar \u00e0 universidade. Posso encontrar um Uber por milagre. Pergunto se entre as pessoas tem algu\u00e9m que vai para Flagey, para dividir o valor, mas mesmo s\u00f3 observando me deparo com v\u00e1rios \u201cn\u00e3o, obrigado\u201d. Cada um por si e o deus do dinheiro por todos. Gasto 30 euros e, junto \u00e0 Universidade, sigo a vida normalmente. Est\u00e1 acontecendo uma confer\u00eancia que estou organizando sobre a \u201cdesconstru\u00e7\u00e3o das pris\u00f5es\u201d. As not\u00edcias das mortes chegaram. Neste meio tempo chega um companheiro de Paris, L\u00e9opold Lambert, que, apesar das primeira not\u00edcias sobre os atentados, decide vir mesmo assim a Bruxelas para dar uma ajuda no workshop.<\/p>\n<p>A universidade \u00e9 evacuada. Os 50 estudantes, professores e conferencistas decidem continuar a trabalhar. Os temas s\u00e3o pris\u00f5es, crimes, impunidade, puni\u00e7\u00e3o, lugares de justi\u00e7a e de injusti\u00e7a. Vamos trabalhar em um bar; L\u00e9opold n\u00e3o sabe se poder\u00e1 retornar a Paris, todos os trens foram suspensos. O dia \u00e9 triste, mas intenso. Fazemos o que d\u00e1 mais esperan\u00e7a: juntos, com os jovens envolvidos, queremos raciocinar sobre o futuro. No fim do dia a linha ferrovi\u00e1ria para Paris foi reativada, para a grande satisfa\u00e7\u00e3o dos eurocratas.<\/p>\n<p>Acompanho L\u00e9opold a Gare du Midi (esta\u00e7\u00e3o de trem), entre a pol\u00edcia, os militares e as armas. Controles feitos somente nos jovens negros e ar\u00e1bicos, enquanto os brancos, sobretudo bem vestidos, passam sem problemas. Na realidade, \u00e9 mais que uma quest\u00e3o \u00e9tnica, trata-se de uma quest\u00e3o de classe. Assim que Leo partiu, me encontro sozinho, em uma cidade blindada, sem transporte p\u00fablico, sem coletividade, sem solidariedade, sem di\u00e1logo entre as pessoas. Cada um por si e o deus do dinheiro por todos. E tantos, tantos militares, mais do que aqueles em novembro, como em um pa\u00eds fascista sob ass\u00e9dio.<\/p>\n<p>O workshop prosseguiu no dia seguinte, a cidade continuou a viver aquela normaliza\u00e7\u00e3o do anormal: controle para entrar no metr\u00f4 (nas poucas esta\u00e7\u00f5es reabertas, sem que qualquer informa\u00e7\u00e3o tenha sido dada), suspens\u00e3o de carros, \u00f4nibus com 30 minutos de atraso. Nenhuma solu\u00e7\u00e3o para os trabalhadores que de novo t\u00eam que ir para o trabalho, apesar do caos. Sim, porque, o fio condutor \u00e9: \u201ca normalidade, para vencer o terrorismo\u201d (continuar a trabalhar porque n\u00e3o querem perder dinheiro, mas, enquanto isso, continuamos a infligir a propaganda do terror). Mas quem paga as consequ\u00eancias dessa normaliza\u00e7\u00e3o for\u00e7ada? A pobre gente, aquela que mora em Molenbeek apenas, como eu, que se encontra sem meios, que deve caminhar uma hora ou mais para chegar em casa, aqueles sem carros, que n\u00e3o moram na boa vizinhan\u00e7a (vizinhos a tudo) e que n\u00e3o t\u00eam a bicicleta (sim, porque uma bicicleta, em um quarteir\u00e3o pobre, depois de um m\u00eas voc\u00ea n\u00e3o tem mais).<\/p>\n<p>Enquanto isso, eles, os mestres da cidade, eurocratas, burocratas, lobistas, pol\u00edticos, grandes capitalistas, membros da OTAN, a pequena e m\u00e9dia burguesia, todos, entupiram a cidade com seus grandes carros da Baviera. E agora Bruxelas tamb\u00e9m se encontra sob o cerco, obstru\u00edda: tantos e tantos carros por todos os lados, cada um na sua pequena mesquinharia, sozinho, cada um por si, o deus do dinheiro por todos. E n\u00f3s caminhando, como coitados, esperamos durante horas os \u00f4nibus j\u00e1 escassos mesmo antes dos ataques. Nenhuma restri\u00e7\u00e3o pra eles. Restri\u00e7\u00f5es para n\u00f3s. Meios gratuitos? N\u00e3o. Meios especiais durante a noite? N\u00e3o, toque de recolher. Somos n\u00f3s, sempre n\u00f3s, a permanecer sem nada. N\u00f3s, \u201cdas periferias do centro\u201d, sempre n\u00f3s, a pagar pelo inoperante metr\u00f4, a passar por controles nas estradas, a pagar pela guerra de Senhores, eles que est\u00e3o bem em suas BMW. Para n\u00f3s, as dificuldades e as mortes de suas guerras e de seus ganhos.<\/p>\n<p>Banaliza\u00e7\u00e3o do mal<\/p>\n<p>E, nesse meio tempo, uma profus\u00e3o de banalidade, um tiroteio incessante de clich\u00eas, propagandas mais ou menos veladas. E, no que se diz respeito \u00e0 m\u00eddia italiana, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais dram\u00e1tica. \u00c9 que naqueles dias vimos em primeira m\u00e3o o abismo intranspon\u00edvel que foi criado entre a It\u00e1lia e o resto da Europa em termos de informa\u00e7\u00e3o. Nos jornais \u201cLa Republica\u201d e \u201cCorriere della Sera\u201d vi not\u00edcias obtidas a partir do facebook, imagens rom\u00e2nticas com jingle de Hollywood, puro sensacionalismo, artigos, banaliza\u00e7\u00e3o de problemas complexos, confus\u00e3o, vazios informativos. Eu inclusive li um artigo que mostra o aeroporto de Bruxelas como s\u00edmbolo do \u201csecularismo ocidental\u201d, um aeroporto onde os \u00e1rabes e negros s\u00e3o produtos de limpeza. N\u00e3o vi coisa mais dolorosa, o que vimos foi uma morte f\u00edsica da intelig\u00eancia coletiva.<\/p>\n<p>Naqueles dias seguintes, a universidade ficou novamente fechada. Mas n\u00e3o completamente. N\u00e3o. Segundo o modelo dominante do capitalismo atual, trata-se de um fechamento para a manuten\u00e7\u00e3o da produtividade normal. Cada pessoa deve mostrar a carteira de estudante, passar por controles. Nenhuma pessoa n\u00e3o estudante entrava, a n\u00e3o ser mediante nova ordem. O controle era feito por membros da Cruz Vermelha. Tudo, como sempre nestes dias na B\u00e9lgica, \u00e9 bastante normal. Para os estudantes, ap\u00e1ticos e alienados, completamente normal. Os professores, todos normais. Uma professora ilustre de um ilustre centro de pesquisa com ilustres t\u00edtulos, me disse: \u201c&#8230; mas \u00e9 normal! caso contr\u00e1rio, algu\u00e9m poderia entrar! Pense, Gregory, que \u00e0s vezes v\u00eam aqui pessoas desabrigadas para usar nossos banheiros, voc\u00ea percebe? \u00c9 um esc\u00e2ndalo!&#8221;. A partir de uma grande pesquisadora, eu teria esperado que o esc\u00e2ndalo fosse a pr\u00f3pria exist\u00eancia dos sem-teto.<\/p>\n<p>Um dia tentei fazer uma foto da quantidade de caminh\u00f5es militares que ocupavam a cidade. Um soldado pegou meu celular e apagou a fotografia, sem sequer pedir minha permiss\u00e3o. Este \u00e9 o ar que soprou naqueles dias. Nas semanas seguintes o metr\u00f4 continuou fechado, com algumas esta\u00e7\u00f5es abertas, e assim mesmo s\u00f3 at\u00e9 as 22h. A presen\u00e7a dos militares e da pol\u00edcia se intensificou, mas o pa\u00eds n\u00e3o reagiu, como aconteceu em Paris, com uma manifesta\u00e7\u00e3o, se n\u00e3o aquela de domingo 17 de abril, \u201cContra o medo e o terror\u201d, que contou com a participa\u00e7\u00e3o de uma migalha de gente. Dois ministros se demitiram depois da revela\u00e7\u00e3o do seu mau funcionamento em termos de seguran\u00e7a. O ministro do Interior, em um governo federal liderado pela direita \u2013 da direita conservadora e da extrema direita \u2013 declarou que \u201cmuitos mul\u00e7umanos dan\u00e7aram quando descobriram o ataque a Bruxelas\u201d. Quem sabe, talvez algum mu\u00e7ulmano tenha dan\u00e7ado. Mas o que \u00e9 certo, aqui, \u00e9 a oscila\u00e7\u00e3o da democracia.<\/p>\n<p>http:\/\/www.correiocidadania.com.br\/index.php?option=com_content&#038;view=article&#038;id=11650:molenbeek-a-cidade-de-todas-as-bombas-do-deus-do-dinheiro&#038;catid=72:imagens-rolantes<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>GREGORIO CARBONI MAESTRI &#8211;\u00a0Na B\u00e9lgica sou filho da imigra\u00e7\u00e3o. Os meus av\u00f3s maternos vieram em 1946 para trabalhar com min\u00e9rio. E, no ano de 1990, p\u00f3s-muro de Berlim e do neoliberalismo vitorioso, estudei em uma daquelas escolas da nova imigra\u00e7\u00e3o, aquelas que os belgas chamam \u201cescola lixeira\u201d. 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