{"id":2569,"date":"2016-12-17T15:51:58","date_gmt":"2016-12-17T17:51:58","guid":{"rendered":"http:\/\/controversia.com.br\/?p=2569"},"modified":"2017-01-06T16:27:28","modified_gmt":"2017-01-06T18:27:28","slug":"o-que-significa-donald-trump","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2016\/12\/17\/o-que-significa-donald-trump\/","title":{"rendered":"O que significa Donald Trump"},"content":{"rendered":"<p><strong>Alan Woods<\/strong> &#8211; Na quarta-feira, 9 de novembro, o \u201cmundo livre\u201d despertou para descobrir que tinha um novo l\u00edder. Donald J. Trump foi eleito como o 45o presidente dos Estados Unidos da Am\u00e9rica. As ondas de choque imediatamente se espalharam pelo mundo com esta not\u00edcia, que contradizia todas as confiantes expectativas das sondagens pr\u00e9vias.<\/p>\n<p>O establishment e seus partidos foram sacudidos at\u00e9 a medula. Hillary Clinton, a candidata preferida do establishment nos EUA e internacionalmente, tinha dito que se Trump fosse eleito presidente, \u201cj\u00e1 n\u00e3o reconheceria mais este pa\u00eds\u201d. Mas Hillary Clinton e o resto de sua classe nunca reconheceu a verdadeira situa\u00e7\u00e3o que existe nos Estados Unidos, e que, na realidade, existe em todos os outros pa\u00edses do mundo.<\/p>\n<p>A elei\u00e7\u00e3o de Trump \u00e9 descrita comumente como um terremoto pol\u00edtico. A analogia \u00e9 precisa. Sob a superf\u00edcie da sociedade, h\u00e1 descontentamento em plena ebuli\u00e7\u00e3o, raiva e frustra\u00e7\u00e3o. Assim como sob a superf\u00edcie da Terra existem for\u00e7as inimagin\u00e1veis buscando encontrar uma sa\u00edda, tamb\u00e9m na sociedade essas for\u00e7as est\u00e3o buscando uma express\u00e3o, que n\u00e3o encontram nos partidos e l\u00edderes existentes.<\/p>\n<p>Este fen\u00f4meno n\u00e3o se confina aos Estados Unidos. J\u00e1 vimos isto no resultado do referendo brit\u00e2nico sobre a Uni\u00e3o Europeia. Mas esta elei\u00e7\u00e3o \u00e9 mil vezes mais importante que o Brexit. O que estamos testemunhando \u00e9 nada mais nada menos que um ponto de viragem na hist\u00f3ria do mundo. The Economist comparou-o \u00e0 queda do Muro de Berlim, comentando: \u201cA hist\u00f3ria est\u00e1 de volta \u2013 com uma vingan\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>A atitude da classe dominante<\/p>\n<p>A classe dominante v\u00ea Trump como uma amea\u00e7a, em parte porque \u00e9 um elemento dissidente e dif\u00edcil de controlar, mas principalmente porque seus apelos demag\u00f3gicos \u00e0 classe trabalhadora e suas den\u00fancias do Establishment de Washington criaram ilus\u00f5es perigosas e despertaram milh\u00f5es de pessoas na base da oposi\u00e7\u00e3o ao status quo. \u00c9 por esta raz\u00e3o que o Establishment utilizou todos os meios poss\u00edveis para bloquear seu caminho \u00e0 Casa Branca. Atiraram tudo contra ele, mas fracassaram.<\/p>\n<p>Com atraso, os estrategistas da classe dominante est\u00e3o despertando para as realidades da vida. Este foi um protesto contra a desigualdade, que alcan\u00e7ou n\u00edveis sem precedentes; contra o desemprego e a inseguran\u00e7a no trabalho; contra o governo de uma elite corrupta de indiv\u00edduos super-ricos que dirigiam Washington como um neg\u00f3cio familiar; contra as dinastias pol\u00edticas de Bush e Clinton, que manejavam o poder pol\u00edtico como se estivessem deixando uma heran\u00e7a no testamento e o tratavam como se fosse sua propriedade pessoal. Acima de tudo, foi um protesto das pessoas que sentiam que ningu\u00e9m os estava ouvindo, nem se preocupava por seu destino.<\/p>\n<p>Observa\u00e7\u00e3o semelhante foi feita pelo Financial Times, o \u00f3rg\u00e3o mais representativo da classe dominante brit\u00e2nica, em um artigo com o t\u00edtulo \u201cA vit\u00f3ria de Donald Trump \u00e9 um mandato para explodir Washington\u201d:<\/p>\n<p>\u201cLevar\u00e1 seu tempo assimilar as grandes implica\u00e7\u00f5es da elei\u00e7\u00e3o do Sr. Trump. Todos os pesquisadores do planeta leram mal a opini\u00e3o p\u00fablica dos Estados Unidos. Ao eleger um homem que os eleitores sabiam que era desrespeitoso com as sutilezas constitucionais norte-americanas, os EUA enviaram o equivalente eleitoral de um kamikaze a Washington. O mandato de Trump \u00e9 fazer explodir o sistema. Sua previs\u00e3o [de Trump] de fazer desta elei\u00e7\u00e3o \u2018um Brexit dez vezes maior\u2019 era um eufemismo. O Reino Unido pode deslizar \u00e0 deriva, mas as consequ\u00eancias de sua decis\u00e3o ter\u00e3o meramente um alcance local.<\/p>\n<p>\u201cOs Estados Unidos, pelo contr\u00e1rio, \u00e9 ao mesmo tempo o criador e o sustent\u00e1culo da ordem mundial do p\u00f3s-guerra. Trump foi muito expl\u00edcito em sua promessa de se afastar dessa ordem. Precisamente, como vai realizar sua agenda de \u201cEstados Unidos primeiro\u201d \u00e9 secund\u00e1rio neste ponto. A opini\u00e3o p\u00fablica estadunidense enviou um sinal inequ\u00edvoco. O resto do mundo agir\u00e1 em consequ\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p>Repercuss\u00f5es internacionais<\/p>\n<p>Donald Trump n\u00e3o parece demasiado interessado no resto do mundo. Mas o resto do mundo est\u00e1 muito interessado nele. A elei\u00e7\u00e3o de Trump provocou consterna\u00e7\u00e3o, para n\u00e3o dizer p\u00e2nico, nos governos de todo o globo terrestre. Normalmente, um candidato vitorioso nas elei\u00e7\u00f5es presidenciais dos Estados Unidos poderia esperar ser imediatamente felicitado pelos l\u00edderes pol\u00edticos estrangeiros. No entanto, esta elei\u00e7\u00e3o foi recebida com um silencia ensurdecedor, interrompido apenas por Marine Le Pen \u2013 que felicitou Trump por sua vit\u00f3ria tr\u00eas horas antes de que o resultado fosse anunciado \u2013 seguida, um pouco mais tarde, por Vladimir Putin.<\/p>\n<p>As manchetes da imprensa na Alemanha estavam cheias de tristeza e fatalidade. Um jornal proclamou em termos apocal\u00edpticos: \u201ca autodestrui\u00e7\u00e3o do Ocidente continua\u201d. O Minist\u00e9rio de Assuntos Externos alem\u00e3o disse sem rodeios que este n\u00e3o era o resultado desejado, nem pelo governo nem pelo povo da Alemanha. Lamentavelmente, contudo, n\u00e3o \u00e9 o povo da Alemanha, mas o povo dos Estados Unidos que decide quem se senta na Oficina Oval. Angela Merkel viu-se for\u00e7ada a fazer um discurso de felicita\u00e7\u00e3o, que se caracterizou por seu tom frio e formal.<\/p>\n<p>Em completo contraste, a rea\u00e7\u00e3o de Moscou foi de alegria n\u00e3o dissimulada. Os deputados da Duma aplaudiram fortemente a not\u00edcia e Vladimir Putin n\u00e3o perdeu tempo em enviar suas felicita\u00e7\u00f5es pessoais ao Sr. Trump. A raz\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nenhum segredo. Em geral, a pol\u00edtica externa n\u00e3o estar\u00e1 entre as prioridades fundamentais de Trump. A \u00fanica \u00e1rea dela em que se expressou com clareza extrema \u00e9 que quer estabelecer melhores rela\u00e7\u00f5es com a R\u00fassia.<\/p>\n<p>Putin expressou o seu desejo de que o novo inquilino da Casa Branca tomar\u00e1 medidas para melhorar as rela\u00e7\u00f5es russo-estadunidenses, desde que, naturalmente, se resguardem os interesses de ambas as na\u00e7\u00f5es \u2013 ou seja, dos banqueiros e dos capitalistas de ambas as na\u00e7\u00f5es. Se o desejo expresso de Trump de melhores rela\u00e7\u00f5es com a R\u00fassia pode se materializar na realidade, j\u00e1 \u00e9 uma quest\u00e3o de especula\u00e7\u00e3o, uma vez que os interesses das \u201cduas na\u00e7\u00f5es\u201d s\u00e3o bastante antag\u00f4nicos.<\/p>\n<p>Seja como for, o homem do Kremlin, sem d\u00favida, se aproveitar\u00e1 da presente agita\u00e7\u00e3o e confus\u00e3o pol\u00edtica em Washington para tirar vantagem durante os pr\u00f3ximos meses no cen\u00e1rio mundial, come\u00e7ando com uma ofensiva total na S\u00edria. Obama se queixa disso, mas n\u00e3o faz nada. Trump n\u00e3o disse nada at\u00e9 agora.<\/p>\n<p>Estados Unidos, R\u00fassia e S\u00edria<\/p>\n<p>Trump se comprometeu a intensificar a luta contra o Estado Isl\u00e2mico na S\u00edria. Mas isso significa uma maior coordena\u00e7\u00e3o entre os EUA e a R\u00fassia, que agora \u00e9 a for\u00e7a dominante naquele pa\u00eds. Essas pessoas, incluindo alguns \u201cesquerdistas\u201d, que choram constantemente dizendo que \u201ch\u00e1 que se fazer algo\u201d, est\u00e3o fazendo um apelo para que se decrete uma zona de exclus\u00e3o a\u00e9rea na S\u00edria \u201cpor raz\u00f5es humanit\u00e1rias\u201d. Mas isto n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel sem um comprometimento militar s\u00e9rio no terreno, que somente os EUA est\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es de proporcionar.<\/p>\n<p>Exigir que os imperialistas intervenham para resolver os problemas do povo da S\u00edria n\u00e3o \u00e9 apenas est\u00fapido, tamb\u00e9m \u00e9 criminoso. Esqueceram estas pessoas que o atual caos no Oriente M\u00e9dio foi causado pela invas\u00e3o criminosa do Iraque pelo imperialismo estadunidense e seus aliados? J\u00e1 esqueceram os desastres que foram causados pelas interven\u00e7\u00f5es imperialistas no Afeganist\u00e3o e na L\u00edbia? E n\u00e3o est\u00e3o conscientes de que os pr\u00f3prios imperialistas, a quem est\u00e3o chamando para \u201csalvar Aleppo\u201d, est\u00e3o colaborando ativamente com seus aliados da Ar\u00e1bia Saudita no bombardeio de escolas e hospitais no I\u00eamen, matando civis e utilizando deliberadamente a morte pela fome como arma de guerra?<\/p>\n<p>Mas deixemos esta insensatez de lado. O quid da quest\u00e3o \u00e9 que as op\u00e7\u00f5es dos Estados Unidos na S\u00edria s\u00e3o extremamente limitadas. S\u00f3 h\u00e1 duas possibilidades. A primeira \u00e9 uma interven\u00e7\u00e3o militar em grande escala \u2013 com botas no terreno \u2013 para tratar de reverter a situa\u00e7\u00e3o, e que se descarta, por raz\u00f5es militares e pol\u00edticas. A li\u00e7\u00e3o recebida no Iraque e no Afeganist\u00e3o \u00e9 que \u00e9 muito f\u00e1cil se envolver em uma guerra no Oriente M\u00e9dio, mas muito dif\u00edcil livrar-se dela depois. E, depois dos desastres do Iraque e do Afeganist\u00e3o, a opini\u00e3o p\u00fablica estadunidense est\u00e1 decididamente pouco entusiasmada com novas aventuras no exterior.<\/p>\n<p>A segunda op\u00e7\u00e3o \u00e9 chegar a um acordo com a R\u00fassia. Na realidade, essa op\u00e7\u00e3o j\u00e1 foi aceita, embora de m\u00e1 vontade, pela administra\u00e7\u00e3o Obama. Trump se limita a dizer em p\u00fablico o que todas as pessoas s\u00e9rias compreendem privadamente. Na S\u00edria, \u00e9 a R\u00fassia quem agora decide. Portanto, \u00e9 bastante prov\u00e1vel que Donald Trump trate de chegar a algum tipo de acordo com Putin. O homem do Kremlin propor\u00e1 um acordo que lhe deixe o controle da Ucr\u00e2nia e que garanta que a OTAN n\u00e3o fa\u00e7a novas intromiss\u00f5es nas antigas rep\u00fablicas da ex-Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, nem em suas antigas esferas de influ\u00eancia, incluindo a S\u00edria.<\/p>\n<p>Em troca, os Estados Unidos poderiam ter m\u00e3o livre em suas pr\u00f3prias esferas de influ\u00eancia, incluindo a Am\u00e9rica Latina. Isto teria s\u00e9rias implica\u00e7\u00f5es para Cuba e Venezuela. Recentemente, a aten\u00e7\u00e3o de Washington estava centralizada no Oriente M\u00e9dio e o Extremo Oriente. Mas, agora, sua aten\u00e7\u00e3o est\u00e1 se centrando mais uma vez na Am\u00e9rica Latina. Se levar adiante sua promessa de campanha, Trump utilizar\u00e1 a maioria Republicana em ambas as c\u00e2maras do Congresso para sabotar a liberaliza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es com Cuba realizada por Obama.<\/p>\n<p>Na Venezuela a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 se tornando cr\u00edtica. A oposi\u00e7\u00e3o contrarrevolucion\u00e1ria est\u00e1 se aproveitando da crise econ\u00f4mica, da hiperinfla\u00e7\u00e3o, da escassez de alimentos e da inseguran\u00e7a extrema para ir \u00e0 ofensiva. At\u00e9 o momento n\u00e3o tiveram \u00eaxito em derrubar o governo, mas as coisas parecem estar chegando a um cl\u00edmax. Quanto mais tempo os l\u00edderes bolivarianos permanecerem vacilantes e pendurados no poder, mais desesperada chegar\u00e1 a ser a situa\u00e7\u00e3o. A presid\u00eancia de Trump coincidir\u00e1 com o momento em que a Venezuela alcan\u00e7ar\u00e1 seu ponto cr\u00edtico.<\/p>\n<p>As medidas de emerg\u00eancia adotadas pelo governo venezuelano n\u00e3o ser\u00e3o suficientes para evitar a cessa\u00e7\u00e3o de pagamentos de sua d\u00edvida soberana, provavelmente nos pr\u00f3ximos doze meses. A amea\u00e7a de quebra dar\u00e1 \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o novas oportunidades para lan\u00e7ar protestos massivos que podem terminar em derramamento de sangue e viol\u00eancia. Toda a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 em espiral descendente que somente pode terminar num confronto direto entre for\u00e7as antag\u00f4nicas. A vit\u00f3ria de Trump, sem d\u00favida, dar\u00e1 \u00edmpeto \u00e0s for\u00e7as contrarrevolucion\u00e1rias, que poder\u00e3o esperar maior apoio de Washington para suas a\u00e7\u00f5es agressivas.<\/p>\n<p>Para todo lado que se olhe, Washington enfrenta uma situa\u00e7\u00e3o turbulenta, com as explos\u00f5es que est\u00e3o sendo preparadas em todos os n\u00edveis. Mas, por mais que encante a Donald Trump voltar as costas para o resto do mundo e fechar a porta da Am\u00e9rica do Norte a fim de centrar-se na solu\u00e7\u00e3o dos problemas nacionais, as chamas que explodirem al\u00e9m das fronteiras dos EUA exigir\u00e3o sua aten\u00e7\u00e3o. Se n\u00e3o o fizer, essas chamas podem amea\u00e7ar incendiar a porta da casa ou inclusive a pr\u00f3pria casa.<\/p>\n<p>Trump e a OTAN<\/p>\n<p>A vit\u00f3ria de Trump fez soar o sinal de alarme em pa\u00edses como a Pol\u00f4nia e os Estados B\u00e1lticos, que temem o novo fortalecimento da R\u00fassia na arena mundial. Trump, que j\u00e1 expressou seu ceticismo sobre o papel da OTAN, est\u00e1 exigindo que a Europa, a Coreia do Sul e o Jap\u00e3o, \u201cpaguem\u201d, isto \u00e9, a fatura de sua defesa. Isso significa obrig\u00e1-los a aumentar o gasto em armas e, portanto, a reduzir ainda mais o n\u00edvel de vida da popula\u00e7\u00e3o. Esta \u00e9 a pol\u00edtica de \u201cEstados Unidos primeiro\u201d expressa em dinheiro contado.<\/p>\n<p>Naturalmente, a resposta foi de protestos dos \u201caliados\u201d dos Estados Unidos. Os europeus temem que uma retirada estadunidense para o isolamento debilite seriamente a OTAN, deixando a primeira linha dos estados europeus do Leste vulner\u00e1vel diante da R\u00fassia, embora, contrariamente \u00e0 propaganda alarmista difundida pelos poloneses e estonianos, a R\u00fassia n\u00e3o tem inten\u00e7\u00e3o de tratar de traz\u00ea-los de volta pela for\u00e7a. O que Putin quer \u00e9 que o deixem tranquilo para controlar seu pr\u00f3prio p\u00e1tio traseiro.<\/p>\n<p>Os europeus se queixaram das a\u00e7\u00f5es da R\u00fassia na Ucr\u00e2nia, ignorando o papel da interfer\u00eancia ocidental inicial de provocar a desordem que existe. Moscou gostaria de chegar a um acordo com os estadunidenses e europeus para que lhe deixem o controle dessa regi\u00e3o. Trump fez saber que ele est\u00e1 disposto a permitir que a R\u00fassia mantenha a Crimeia. Isso \u00e9 algo que provavelmente n\u00e3o pode ser revertido e os estadunidenses sabem disso.<\/p>\n<p>A Europa se encontra em uma posi\u00e7\u00e3o muito d\u00e9bil. Seus l\u00edderes est\u00e3o falando da cria\u00e7\u00e3o de um ex\u00e9rcito europeu. Mas isto est\u00e1 fora de quest\u00e3o. Os interesses nacionais de cada estado v\u00eam em primeiro lugar, e seria imposs\u00edvel estabelecer um comando conjunto. O in\u00edcio das negocia\u00e7\u00f5es do Brexit (a sa\u00edda efetiva da Gr\u00e3-Bretanha da Uni\u00e3o Europeia \u2013 NDT) e as elei\u00e7\u00f5es na Alemanha e na Fran\u00e7a debilitar\u00e3o ainda mais a Europa. Portanto, n\u00e3o h\u00e1 possibilidade de uma frente dos estados ocidentais que possa pressionar Moscou a n\u00e3o fazer nada.<\/p>\n<p>Em consequ\u00eancia, \u00e9 muito prov\u00e1vel que uma administra\u00e7\u00e3o Trump encerre as san\u00e7\u00f5es \u00e0 R\u00fassia, ou, pelo menos, permita uma certa relaxa\u00e7\u00e3o da press\u00e3o a fim de facilitar um acordo com o Kremlin. Trump torcer\u00e1 bra\u00e7os para impor um limite \u00e0 expans\u00e3o da OTAN na antiga esfera sovi\u00e9tica. E os ucranianos logo descobrir\u00e3o a verdade da afirma\u00e7\u00e3o: \u201cas na\u00e7\u00f5es n\u00e3o tem amigos, t\u00eam interesses\u201d. Os aliados europeus de Washington n\u00e3o v\u00e3o gostar, mas ter\u00e3o que engolir e aceitar.<\/p>\n<p>A \u201crela\u00e7\u00e3o especial\u201d da Gr\u00e3-Bretanha<\/p>\n<p>A primeira-ministra conservadora brit\u00e2nica, Theresa May, expressou seu profundo desejo de que a \u201crela\u00e7\u00e3o especial\u201d da Gr\u00e3-Bretanha com os EUA continue e seja consumada com um acordo comercial no momento mais breve poss\u00edvel. Uma vez que a Gr\u00e3-Bretanha logo poderia estar fora do mercado \u00fanico europeu, a perspectiva de um acordo comercial substancioso com os EUA est\u00e1, naturalmente, muito pr\u00f3xima de seu cora\u00e7\u00e3o. Mas, em mat\u00e9ria de com\u00e9rcio, \u00e9 a cabe\u00e7a, mais que o cora\u00e7\u00e3o, o \u00f3rg\u00e3o mais \u00fatil.<\/p>\n<p>Estas ilus\u00f5es de desvaneceram r\u00e1pida e brutalmente. A realidade da chamada rela\u00e7\u00e3o especial entre a Gr\u00e3-Bretanha e os EUA ficou exposta imediatamente pelo fato de que o presidente eleito somente se lembrou de chamar por telefone \u00e0 primeira-ministra brit\u00e2nica depois que j\u00e1 havia chamado aos l\u00edderes de outros nove pa\u00edses \u2013 entre eles, a Irlanda e a Austr\u00e1lia. Isso foi um insulto calculado ao Establishment brit\u00e2nico. Mas o pior estava por vir.<\/p>\n<p>Quando o ministro do exterior da Gr\u00e3-Bretanha, Boris Johnson, se encontrava em Nova Iorque durante a campanha eleitoral fez algumas observa\u00e7\u00f5es muito oportunas \u00e0 custa do candidato Republicano (porque era evidente que n\u00e3o acreditava que pudesse ganhar a elei\u00e7\u00e3o). Hoje em dia, Boris est\u00e1 proclamando em voz alta sua admira\u00e7\u00e3o, respeito e afeto sem limites pelo 45o presidente dos EUA. Ele v\u00ea, agora, enormes oportunidades para as empresas brit\u00e2nicas sob a nova administra\u00e7\u00e3o Trump e espera que todo o mundo se esque\u00e7a do passado (mais particularmente que o novo presidente esque\u00e7a de seus coment\u00e1rios ofensivos).<\/p>\n<p>Mas Donald J. Trump n\u00e3o \u00e9 o tipo de homem que se esquece de coisas como essas, e as ilus\u00f5es de May e Boris, de que a Gr\u00e3-Bretanha poderia obter um bom acordo comercial com os EUA de Trump, desinflaram como um pneu que passa sobre um cravo de seis polegadas. Passaram por alto um pequeno detalhe: a pol\u00edtica de Trump \u00e9 \u201cEstados Unidos primeiro\u201d. Trump tem como objetivo \u201cfazer os EUA grande\u201d \u2013 e tem como objetivo fazer isto \u00e0 custa do resto do mundo. Essa \u00e9 a verdadeira pedra angular de sua pol\u00edtica. E a Gr\u00e3-Bretanha n\u00e3o pode esperar nenhum favor nem qualquer \u201crela\u00e7\u00e3o especial\u201d.<\/p>\n<p>Para botar sal na ferida infligida por essa chamada tardia, de todos os pol\u00edticos do mundo, o presidente eleito escolheu se reunir com Nigel Farage, l\u00edder do partido de direita brit\u00e2nico UKIP \u2013 um homem que sequer \u00e9 membro do parlamento brit\u00e2nico, e muito menos representante de seu governo. Com um sorriso de orelha \u00e0 orelha, Farage foi fotografado junto ao seu her\u00f3i em um elevador dourado, parecendo um proxeneta de terceira categoria que recebeu inesperadamente um convite do Vaticano para uma audi\u00eancia privada com o Papa.<\/p>\n<p>No entanto, durante uma hora, o exitoso Chef\u00e3o e seu pequeno sequaz da cidade tiveram uma conversa\u00e7\u00e3o das mais agrad\u00e1veis. Os detalhes deste encontro intrigante n\u00e3o nos foi revelado. Mas o Sr. Farage saiu como um homem flutuando no ar. Sua mente estava obviamente um pouco aturdida pelo encontro com a Grandeza. Nigel teve a eleg\u00e2ncia de informar deste encontro ao governo de Sua Majestade em sua volta a Londres e que, se a Sra. May o desejasse, ela podia confiar-lhe os servi\u00e7os de intermedi\u00e1rio com o homem da Casa Branca e de organiza\u00e7\u00e3o dos contatos com seu entorno.<\/p>\n<p>A am\u00e1vel oferta de Farage foi recebida de in\u00edcio com um sil\u00eancio sepulcral no n\u00famero 10 de Downing Street e, mais tarde, com uma refuta\u00e7\u00e3o firme. A Sra. May e seus assessores mal podiam ocultar sua mortifica\u00e7\u00e3o absoluta pelo fato de que o primeiro pol\u00edtico convidado a se reunir com o Chefe em Washington fosse o terr\u00edvel homenzinho de UKIP. Nada de melhor poderia ter sido urdido para ofender a dignidade dos Conservadores, ou para deixar mais claro que a Gr\u00e3-Bretanha \u00e9 agora vista do outro lado do Atl\u00e2ntico como a Pequena Inglaterra.<\/p>\n<p>As consequ\u00eancias econ\u00f4micas de Trump<\/p>\n<p>Os mercados, que n\u00e3o esperam por ningu\u00e9m, n\u00e3o perderam tempo para expressar sua consterna\u00e7\u00e3o pelo resultado das elei\u00e7\u00f5es. Isto provocou de imediato fortes quedas nas bolsas de valores da \u00c1sia e da Europa. Grandes quantidades de dinheiro abandonaram os mercados de valores em busca de ref\u00fagios seguros como o ouro, que registrou fortes subidas, o yen japon\u00eas e o franco su\u00ed\u00e7o.<\/p>\n<p>Na realidade, a pol\u00edtica econ\u00f4mica de Trump n\u00e3o \u00e9 nova. \u00c9 uma mistura de ideias confusas e contradit\u00f3rias, na qual o financiamento de d\u00e9ficit Keynesiano \u00e9 combinado com os cortes de impostos monetaristas. Do ponto de vista capitalista, isto \u00e9 analfabetismo econ\u00f4mico. Um est\u00edmulo fiscal baseado na redu\u00e7\u00e3o de impostos, junto a um grande aumento da invers\u00e3o p\u00fablica na infraestrutura da maior economia do mundo, agir\u00e1 como um est\u00edmulo que poderia alentar temporariamente a economia. Mas tamb\u00e9m traz seus pr\u00f3prios problemas e riscos.<\/p>\n<p>As redu\u00e7\u00f5es de impostos, que beneficiariam os ricos, junto com enormes incrementos em gastos de infraestrutura, dar\u00e3o lugar a d\u00e9ficits crescentes. De acordo com algumas estimativas, a rela\u00e7\u00e3o d\u00edvida-PIB incrementaria em mais 25% em 2026. No final, esta \u00e9 uma receita pronta e acabada para uma nova crise econ\u00f4mica. O veredicto de The Economist foi claro: \u201cDepois da alta subida do a\u00e7\u00facar, as pol\u00edticas populistas finalmente colapsam sob suas pr\u00f3prias contradi\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>No entanto, o conte\u00fado real de seu programa econ\u00f4mico \u00e9 o protecionismo. Donald Trump \u00e9 um isolacionista, acompanhando uma antiga tradi\u00e7\u00e3o estadunidense bem estabelecida. Quando ele diz \u201cEstados Unidos primeiro\u201d, o dia a s\u00e9rio. Quando ele promete tornar grande os EUA, significa que quer fazer isto \u00e0 custa do resto do mundo.<\/p>\n<p>A defesa de Trump do protecionismo p\u00f5e em risco toda a estrutura do sistema econ\u00f4mico capitalista mundial. \u00c9 vista com horror pelos pol\u00edticos e economistas de todo o mundo que advertem que se for posta em pr\u00e1tica daria lugar n\u00e3o somente a uma recess\u00e3o como tamb\u00e9m a uma profunda depress\u00e3o em escala mundial. Longe de proteger postos de trabalho, daria lugar a um desemprego massivo em escala nunca vista desde a d\u00e9cada de 1930. Desde a II Guerra Mundial, a for\u00e7a real do motor do crescimento econ\u00f4mico mundial foi a expans\u00e3o do com\u00e9rcio mundial. A Grande Depress\u00e3o da d\u00e9cada de 1930 foi o resultado das pol\u00edticas protecionistas, das desvaloriza\u00e7\u00f5es competitivas e de uma atitude de empobrecer a economia do vizinho. E a hist\u00f3ria pode se repetir.<\/p>\n<p>Trump est\u00e1 amea\u00e7ando fragmentar o Tratado de Livre Com\u00e9rcio da Am\u00e9rica do Norte (NAFTA) e romper o Tratado de Com\u00e9rcio e Investimentos Transatl\u00e2ntico (TTIP) entre os EUA e a Uni\u00e3o Europeia. Este j\u00e1 estava em s\u00e9rios problemas antes, mas com a chegada de Trump, estar\u00e1 agora morto afogado. A vit\u00f3ria de Trump tamb\u00e9m decreta a senten\u00e7a de morte da Associa\u00e7\u00e3o Trans-Pac\u00edfico (TPP), que projetava impulsionar o PIB do Jap\u00e3o em 2,7% em 2030. E a economia japonesa \u00e9 um dos elementos-chave da \u00c1sia e da economia mundial.<\/p>\n<p>O peso mexicano veio abaixo quando se anunciou o resultado eleitoral. Se Trump cumprir sua promessa de retirar-se do NAFTA, tal movimento seria um golpe mortal \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es mexicanas, afundando esse pa\u00eds em profunda crise de consequ\u00eancias sociais e pol\u00edticas explosivas. Trump tamb\u00e9m tem ao Brasil, para quem os EUA \u00e9 o seu segundo maior mercado externo, em seu ponto de mira como um dos pa\u00edses com o qual os acordos comerciais devem ser \u201creajustados\u201d.<\/p>\n<p>Trump acusa a China de \u201cviolar\u201d os EUA. Agora a segunda maior economia do mundo, a China representa aproximadamente a metade do d\u00e9ficit comercial l\u00edquido dos EUA. Trump amea\u00e7a com uma barragem de tarifas punitivas as importa\u00e7\u00f5es chinesas, de 45% para o a\u00e7o da China, por exemplo. A imposi\u00e7\u00e3o de tarifas comerciais punitivas golpearia as exporta\u00e7\u00f5es chinesas, particularmente no setor da eletr\u00f4nica. Isso conduziria inevitavelmente Pequim a tomar repres\u00e1lias com barreiras comerciais, seguindo a l\u00f3gica do \u201colho por olho, dente por dente\u201d, o que poderia terminar em uma guerra comercial sem quartel com a China. Isso tamb\u00e9m criaria uma situa\u00e7\u00e3o similar \u00e0 da Grande Depress\u00e3o da d\u00e9cada de 1930.<\/p>\n<p>Mesmo que Trump evite uma guerra comercial aberta, h\u00e1 mil formas de introduzir medidas protecionistas pela porta traseira: a aprova\u00e7\u00e3o de leis que exijam que uma certa percentagem dos produtos vendidos no mercado estadunidense deva ser produzida nos EUA, ou leis em mat\u00e9ria de seguran\u00e7a e higiene ou para \u201cproteger o meio ambiente\u201d etc. Isso tamb\u00e9m levar\u00e1 a repres\u00e1lias. De qualquer forma, o efeito ser\u00e1 o de deprimir o com\u00e9rcio e o crescimento mundial e o de aumentar todas as contradi\u00e7\u00f5es em escala global.<\/p>\n<p>A Europa ser\u00e1 ainda mais vulner\u00e1vel que a China quando os ventos frios do protecionismo soprarem desde o outro lado do Atl\u00e2ntico. Em torno de 14% das exporta\u00e7\u00f5es de bens da zona do euro vai para os EUA. Apesar disto ser menos que os 18% da China, os EUA representam aproximadamente 40% do crescimento recente das exporta\u00e7\u00f5es da zona do euro. Portanto, o protecionismo estadunidense apresenta uma amea\u00e7a ainda maior para a Europa que para a China.<\/p>\n<p>Depois de 8 anos de recess\u00e3o, contra a qual os capitalistas lutaram sem \u00eaxito, a economia mundial se mant\u00e9m em estado fr\u00e1gil. A moeda \u00fanica continua extremamente inst\u00e1vel. Depois de anos de austeridade e de queda dos n\u00edveis de vida, nada foi resolvido. Obama visitou recentemente a Gr\u00e9cia para expressar sua \u201csolidariedade\u201d. Sugeriu-se que ele era favor\u00e1vel a ajudar a pagar as d\u00edvidas desse pa\u00eds. Contudo, seria muito surpreendente que o isolacionista Trump v\u00e1 pagar um s\u00f3 centavo.<\/p>\n<p>A vota\u00e7\u00e3o na Gr\u00e3-Bretanha de junho passado para sair da Uni\u00e3o Europeia foi o primeiro aviso do sentimento antissistema. No entanto, existem tend\u00eancias centr\u00edfugas similares na Fran\u00e7a, Alemanha, It\u00e1lia e em outros pa\u00edses. As repercuss\u00f5es da vit\u00f3ria de Trump se far\u00e3o sentir no referendo italiano sobre a reforma constitucional em 4 de dezembro, onde o primeiro-ministro Matteo Renzi bem que pode enfrentar uma revolta semelhante.<\/p>\n<p>Uma derrota pode significar a queda de Renzi e ajudar a impulsionar o populista Movimento Cinco Estrelas, que defende a sa\u00edda da It\u00e1lia do euro. As implica\u00e7\u00f5es para o futuro da zona do euro e mesmo para a pr\u00f3pria Uni\u00e3o Europeia seriam das mais graves. Se, como parece inevit\u00e1vel, a demanda de celebra\u00e7\u00e3o de referendos sobre a perman\u00eancia na Uni\u00e3o Europeia aumentar o seu ritmo, n\u00e3o somente o futuro da moeda \u00fanica, como tamb\u00e9m a pr\u00f3pria Uni\u00e3o Europeia, estar\u00e1 em perigo.<\/p>\n<p>Significa Trump um risco de fascismo?<\/p>\n<p>O resultado imediato do \u00eaxito de Trump ser\u00e1 um impulso para os partidos de direita anti-imigra\u00e7\u00e3o, como a Frente Nacional na Fran\u00e7a e o partido de Geert Wilders na Holanda. Marine Le Pen busca emular seu \u00eaxito quando a Fran\u00e7a eleger um novo presidente em abril\/maio de 2017. Como resultado, podemos esperar a ruidosa campanha habitual de setores da esquerda, gritando sobre o suposto \u201cperigo do fascismo\u201d.<\/p>\n<p>O Marxismo \u00e9 uma ci\u00eancia, e como qualquer outra ci\u00eancia utiliza uma terminologia precisa para caracterizar fen\u00f4menos. O fascismo \u00e9 uma forma muito espec\u00edfica de rea\u00e7\u00e3o. No sentido cl\u00e1ssico, \u00e9 um movimento de massas da pequena burguesia e do lumpenproletariado que tem por objetivo destruir o movimento dos trabalhadores completamente, e que \u00e9 capaz de faz\u00ea-lo devido a sua base de massas.<\/p>\n<p>Hitler n\u00e3o somente destruiu os partidos oper\u00e1rios e sindicatos, como tamb\u00e9m, inclusive, fechou os clubes de xadrez dos trabalhadores. Sob o dom\u00ednio dos nazistas, a democracia burguesa foi substitu\u00edda por uma ditadura totalit\u00e1ria. O movimento dos trabalhadores foi esmagado e a classe oper\u00e1ria completamente atomizada. Com um ex\u00e9rcito de espi\u00f5es e informante em cada bloco de apartamentos, os nazistas foram capazes de fazer isto.<\/p>\n<p>\u00c9 certo que Donald Trump \u00e9 um reacion\u00e1rio, um racista intolerante e raivoso, e um inimigo jurado do movimento dos trabalhadores. Mas n\u00e3o \u00e9 Adolf Hitler nem Mussolini. Ele \u00e9 um demagogo de direita que se baseia nas estruturas da democracia burguesa. Seu objetivo n\u00e3o \u00e9 o de derrubar o sistema, sequer o de \u201cdrenar o p\u00e2ntano de Washington\u201d [dar um fim ao desperd\u00edcio da administra\u00e7\u00e3o \u2013 NDT]. Busca se promover a si mesmo, a sua fam\u00edlia e aos seus interesses comerciais. Isto logo se revelar\u00e1 na pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Temos que manter o senso da propor\u00e7\u00e3o. Aquelas pessoas que est\u00e3o constantemente gritando sobre o \u201cfascismo\u201d est\u00e3o desempenhando um papel negativo, confundindo as pessoas e, definitivamente, desorientando as massas, de tal forma que, quando houver uma amea\u00e7a real de rea\u00e7\u00e3o, n\u00e3o estar\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es de responder adequadamente. \u00c9 como a crian\u00e7a que gritava \u201co lobo est\u00e1 chegando\u201d t\u00e3o frequentemente que, quando o lobo fez ato de presen\u00e7a na realidade, ningu\u00e9m respondeu aos seus pedidos de ajuda.<\/p>\n<p>A falsa ideia do \u201cmal menor\u201d conduz diretamente ao p\u00e2ntano da colabora\u00e7\u00e3o de classes, como vimos nos EUA quando certas pessoas de esquerda apoiaram a candidatura de Hillary Clinton, na base de que era o \u201cmal menor\u201d quando comparada com o \u201cfascista\u201d Donald Trump. Recordemos tamb\u00e9m que a vit\u00f3ria de Trump foi preparada por Obama, que h\u00e1 oito anos ganhou um grande apoio com o lema da \u201cmudan\u00e7a\u201d, mas que n\u00e3o produziu mudan\u00e7a alguma.<\/p>\n<p>Esta abordagem \u00e9 falsa na teoria e desastrosa na pr\u00e1tica. Hillary Clinton e Donald Trump representam precisamente os mesmos interesses de classe. Ambos defendem o dom\u00ednio dos bancos e dos monop\u00f3lios. De fato, s\u00e3o as botas esquerda e direita do mesmo sistema. Recordemos tamb\u00e9m que foi Hillary Clinton que n\u00e3o derrotou Donald Trump. De fato, sua campanha estava destinada ao fracasso precisamente porque muita gente pensava \u2013 corretamente \u2013 que os dois eram igualmente maus. Muitos disseram que votaram por Trump porque pensavam que ele era o \u201cmal menor\u201d!<\/p>\n<p>A natureza reacion\u00e1ria do programa de Trump \u00e9 clara e n\u00e3o necessita ser mais detalhada aqui. Com o controle Republicano da C\u00e2mara de Representantes e do Senado, Trump aprovar\u00e1 a legisla\u00e7\u00e3o que restringe os direitos civis. Ele disse que far\u00e1 o poss\u00edvel para designar ju\u00edzes que revoguem senten\u00e7as favor\u00e1veis \u00e0 igualdade de matrim\u00f4nio e ao acesso ao aborto para as mulheres. E reduzir\u00e1 ou liquidar\u00e1 o acesso de milh\u00f5es de pessoas pobres aos cuidados de sa\u00fade. Tudo isto representa uma agenda reacion\u00e1ria de direita que deve ser enfrentada por todos os meios poss\u00edveis.<\/p>\n<p>Naturalmente, \u00e9 necess\u00e1rio realizar uma luta s\u00e9ria contra Trump, Le Pen e outros reacion\u00e1rios. Mas a \u00fanica for\u00e7a na sociedade que \u00e9 capaz de realizar uma luta deste tipo \u00e9 a classe trabalhadora. O que se exige \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o conjunta por parte dos sindicatos e partidos oper\u00e1rios para lutar contra a rea\u00e7\u00e3o em todas as suas formas. Mas o que n\u00e3o \u00e9 admiss\u00edvel \u00e9 defender a unidade de todas as supostas \u201cfor\u00e7as progressistas\u201d com a finalidade de \u201cdefender a democracia\u201d, inclu\u00eddos os partidos e pol\u00edticos burgueses. Essa \u00e9 uma receita segura para a derrota. A elei\u00e7\u00e3o nos EUA foi a confirma\u00e7\u00e3o mais clara disto.<\/p>\n<p>E agora?<\/p>\n<p>\u201cOs Estados Unidos votaram n\u00e3o tanto por uma mudan\u00e7a de partido quanto por uma mudan\u00e7a de regime\u201d (The Economist).<\/p>\n<p>O verdadeiro significado deste resultado \u00e9 que o centro pol\u00edtico est\u00e1 se desintegrando diante de nossos olhos. A pol\u00edtica estadunidense est\u00e1 se polarizando fortemente entre direita e esquerda. Isto \u00e9 o que mais alarma a classe dominante e a seus estrategistas. Naturalmente, Trump, um magnata multimilion\u00e1rio, \u00e9 parte importante do sistema capitalista e n\u00e3o representa uma amea\u00e7a real para ele. Mas as for\u00e7as que ele desencadeou de fato, sim representam uma amea\u00e7a.<\/p>\n<p>Durante gera\u00e7\u00f5es, o capitalismo estadunidense se baseou politicamente em dois pilares principais: os Republicanos e os Democratas. Durante o tempo que todos podem recordar o poder pol\u00edtico passou de uns a outros sem que ningu\u00e9m notasse alguma diferen\u00e7a substancial. Nas palavras do grande escritor estadunidense: \u201cNossa rep\u00fablica tem um s\u00f3 partido \u2013 o Partido da propriedade \u2013 com duas alas de direita\u201d. Agora, essa confort\u00e1vel situa\u00e7\u00e3o foi desbaratada.<\/p>\n<p>\u00c9 significativo que, pela primeira vez nestas elei\u00e7\u00f5es, os pol\u00edticos dos EUA come\u00e7aram a se dar conta da exist\u00eancia da classe trabalhadora. A pr\u00f3pria express\u00e3o \u201cclasse trabalhadora\u201d havia desaparecido do vocabul\u00e1rio pol\u00edtico dos Estados Unidos. At\u00e9 agora somente se referiam \u00e0 \u201cclasse m\u00e9dia\u201d. Mas a situa\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de eleitores sem posses e alienados nos estados nortistas do cintur\u00e3o da ferrugem [\u201crustbelt\u201d, amplas zonas de f\u00e1bricas fechadas \u2013 NDT] atraiu a for\u00e7a de sua aten\u00e7\u00e3o sobre a exist\u00eancia da classe que produz tudo e n\u00e3o possui nada. Um comentarista pol\u00edtico preocupado observou alarmado: \u201cH\u00e1 uma enorme quantidade de ira por a\u00ed\u201d.<\/p>\n<p>Demagogo h\u00e1bil, o multimilion\u00e1rio Trump teve \u00eaxito em se conectar com o estado de \u00e2nimo de revolta que estava se espalhando, sobretudo nos estados industrializados deprimidos como Michigan, Wisconsin e Ohio. Fazia-se passar como seu campe\u00e3o, ou seu \u201cdefensor\u201d, como assinalava a cita\u00e7\u00e3o anterior. Na realidade, Trump \u00e9 s\u00f3 o defensor de si mesmo. Mas ao apelar para esta massa de trabalhadores descontentes, estava dando a entender uma estrat\u00e9gia que \u00e9 muito perigosa para a classe governante dos EUA. Uma estrat\u00e9gia que ele viver\u00e1 para lamentar.<\/p>\n<p>O per\u00edodo atual \u00e9 de uma profunda crise capitalista, caracterizada internacionalmente por violentas oscila\u00e7\u00f5es da opini\u00e3o p\u00fablica, tanto \u00e0 direita quanto \u00e0 esquerda. As massas est\u00e3o buscando uma forma de sair da crise, mirando primeiro em uma dire\u00e7\u00e3o e depois em outra. H\u00e1 dois anos, Obama se beneficiou disto levantando a bandeira da \u201cmudan\u00e7a\u201d. Isto teve uma grande resposta. Mas as esperan\u00e7as de uma mudan\u00e7a com Obama se desvaneceram.<\/p>\n<p>Foi isto que provocou uma forte rea\u00e7\u00e3o e uma virada \u00e0 direita, que, no entanto, cont\u00e9m muitos elementos contradit\u00f3rios. Em seu discurso final antes das elei\u00e7\u00f5es, Trump apelou deliberadamente \u00e0 classe trabalhadora dos EUA para que fizesse ouvir sua voz. Fez um apelo aos \u201camericanos esquecidos\u201d \u2013 aos milh\u00f5es de pessoas desempregadas, desencantadas e desprotegidas do \u201ccintur\u00e3o da ferrugem\u201d e de outras zonas deprimidas que foram devastadas pela crise do capitalismo.<\/p>\n<p>Essa mensagem n\u00e3o caiu em saco roto. Estados como Wisconsin, que tradicionalmente votavam nos Democratas agora se passaram aos Republicanos \u2013 ou, mais corretamente, a Donald Trump. Esta \u00e9 uma express\u00e3o do desespero que sentem os milh\u00f5es de esquecidos, as v\u00edtimas da crise capitalista. Muitos dos partid\u00e1rios de Trump ficaram impressionados com a mensagem socialista de Sanders e estariam dispostos a votar por ele, mas nunca por Hillary Clinton, uma pol\u00edtica do Establishment que representa tudo o que a maioria dos estadunidenses detesta.<\/p>\n<p>O presidente Trump descobrir\u00e1 logo que uma grande vit\u00f3ria traz consigo grandes responsabilidades. O problema de Trump \u00e9 que agora tem que cumprir suas promessas. N\u00e3o tem mais desculpas para n\u00e3o as cumprir. N\u00e3o poder\u00e1 culpar um Congresso obstrucionista controlado pelos Democratas. Estar\u00e1 sob press\u00e3o para cumprir suas promessas e para agir r\u00e1pido.<\/p>\n<p>O problema que Trump enfrentar\u00e1 \u00e9 que a classe dominante tem muitas formas diferentes de controlar pol\u00edticos e presidentes, e tem alavancas suficientes em suas m\u00e3os para se assegurar de que Trump n\u00e3o escape de seu controle. No papel, tem um enorme poder em suas m\u00e3os. Os Republicanos n\u00e3o controlam agora somente a Casa Branca, tamb\u00e9m controlam a C\u00e2mara de Representantes e o Senado. Est\u00e3o em posi\u00e7\u00e3o muito mais poderosa do que a que Obama tinha h\u00e1 oito anos.<\/p>\n<p>O presidente cessante, n\u00e3o sem uma nota antecipat\u00f3ria maliciosa, previu que o Sr. Trump ter\u00e1 que adaptar suas promessas eleitorais mais extravagantes \u00e0s realidades do poder. Essa \u00e9 a fervorosa esperan\u00e7a do Establishment estadunidense e internacional. Se esta esperan\u00e7a vai se materializar ou n\u00e3o, \u00e9 quest\u00e3o de especula\u00e7\u00e3o. Os primeiros ind\u00edcios j\u00e1 revelam que Trump est\u00e1 retrocedendo em sua demagogia eleitoral.<\/p>\n<p>Ainda ontem estava amea\u00e7ando botar Hillary Clinton no c\u00e1rcere; depois das elei\u00e7\u00f5es, a elogiou por sua valente campanha e lhe agradeceu por tudo o que deu ao povo estadunidense. Comprometeu-se a expulsar onze milh\u00f5es de imigrantes ilegais, mas agora diz que a cifra ser\u00e1 de dois a tr\u00eas milh\u00f5es. O famoso muro que vai ser constru\u00eddo ao longo do Rio Grande j\u00e1 se transformou em apenas uma vala. Mesmo o programa de sa\u00fade Obamacare, disse ele, n\u00e3o ser\u00e1 exatamente abolido, mas somente \u201creformado\u201d (embora isso provavelmente signifique a mesma coisa).<\/p>\n<p>A proposta de Trump de reverter o acordo de Paris sobre a mudan\u00e7a clim\u00e1tica provocou protestos gerais. Mas, al\u00e9m de seu efeito sobre o meio ambiente, n\u00e3o produzir\u00e1 os efeitos econ\u00f4micos que antecipa. Sua promessa de fazer reviver a ind\u00fastria do carv\u00e3o dos EUA \u00e9 completamente vazia, visto que \u00e9 pouco prov\u00e1vel que algu\u00e9m v\u00e1 proporcionar o investimento necess\u00e1rio para que isto aconte\u00e7a. Tampouco Trump, um representante das grandes empresas, estar\u00e1 inclinado a tomar medidas que prejudiquem o lucrativo neg\u00f3cio da energia n\u00e3o-f\u00f3ssil que floresceu nos EUA nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>Trump disse: \u201cisto n\u00e3o era uma campanha, e sim um grande movimento\u201d. Mas este movimento agora o levou ao governo, e o governo, como sabemos, n\u00e3o \u00e9 absolutamente um movimento, e sim uma proposta inteligente de neg\u00f3cios. A drenagem do p\u00e2ntano de Washington, uma promessa fundamental, de imediato se contradiz com a escolha de seus colaboradores, que inclui um bom n\u00famero de crocodilos pol\u00edticos que passaram toda a sua vida nadando felizes em tal p\u00e2ntano. Naturalmente, n\u00e3o se esqueceu dos membros de sua pr\u00f3pria fam\u00edlia, que ocupam posi\u00e7\u00f5es importantes em sua equipe, ao mesmo tempo em que dirigem seus lucrativos neg\u00f3cios.<\/p>\n<p>No s\u00e9culo XIX, os vendedores estadunidenses iam de cidade em cidade no meio oeste com caixas cheias de rem\u00e9dios em vag\u00f5es fechados. Estes medicamentos, conhecidos popularmente como \u00f3leo de cobra, supostamente curavam todos os males. Na aus\u00eancia de aten\u00e7\u00e3o m\u00e9dica adequada, muitas pessoas compravam o citado \u00f3leo de cobra e o consumiam, esperando ansiosamente um resultado r\u00e1pido e eficaz. Dado que, no entanto, este medicamento milagroso consistia principalmente de \u00e1gua colorida, suas esperan\u00e7as logo se desvaneciam, fosse porque sua condi\u00e7\u00e3o n\u00e3o melhorava ou porque piorava consideravelmente, dependendo de que outros imaginosos ingredientes tinham sido acrescentados \u00e0 \u00e1gua colorida.<\/p>\n<p>O grau de indigna\u00e7\u00e3o resultante correspondia \u00e0s esperan\u00e7as que a havia precedido. Em muitos casos, o vendedor ambulante era embreado e emplumado e conduzido para fora da cidade. Donald Trump vendeu a marca Trump a um eleitorado desesperado por mudan\u00e7as, e ansioso por acreditar no incr\u00edvel. Mas vai logo descobrir que os produtos que lhes venderam n\u00e3o s\u00e3o adequados ao seu prop\u00f3sito.<\/p>\n<p>No final, Donald Trump chegar\u00e1 a ser apenas outro presidente de direita e conservador, que defende os interesses das grandes empresas. Os especialistas pol\u00edticos j\u00e1 est\u00e3o prevendo que o presidente Trump ser\u00e1 um animal muito diferente do animal que triunfou na campanha eleitoral. Isto produzir\u00e1 o mesmo tipo de desencanto entre os eleitores Republicanos como o que experimentaram anteriormente os que puseram suas esperan\u00e7as em Obama.<\/p>\n<p>The Economist v\u00ea que Trump vai fracassar e sua conclus\u00e3o \u00e9 significativa: \u201cO perigo da ira popular, contudo, \u00e9 que a desilus\u00e3o com o Sr. Trump somente servir\u00e1 para aumentar o descontentamento que o p\u00f4s no cargo de presidente. Se for assim, seu fracasso poder\u00e1 preparar o caminho para algu\u00e9m ainda mais decidido a destro\u00e7ar o sistema\u201d (\u00eanfase nossa).<\/p>\n<p>Este processo levar\u00e1 um tempo. As esperan\u00e7as exageradas de um setor consider\u00e1vel da sociedade estadunidense na nova administra\u00e7\u00e3o podem durar algum tempo. Nas palavras do poeta, \u201ca esperan\u00e7a \u00e9 eterna no cora\u00e7\u00e3o humana\u201d. Mas os acontecimentos a desgastar\u00e3o gradualmente, produzindo uma rea\u00e7\u00e3o poderosa. Na pol\u00edtica, como na mec\u00e2nica, a cada a\u00e7\u00e3o corresponde uma rea\u00e7\u00e3o igual e contr\u00e1ria. Lentamente, mas com seguran\u00e7a, a roda gira. O caminho estar\u00e1 preparado para uma oscila\u00e7\u00e3o ainda maior \u00e0 esquerda no futuro.<\/p>\n<p>Muitos dos que votaram por Trump ficaram impressionados com a mensagem socialista de Bernie Sanders e seu apelo por uma \u201crevolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica contra a classe bilion\u00e1ria\u201d. Estiveram dispostos a votar por ele, mas n\u00e3o por Hillary Clinton. Mas Sanders foi afastado devido \u00e0s intrigas da maquinaria do Partido Democrata. Seu apoio posterior a Hillary Clinton (como o \u201cmal menor\u201d), decepcionou seus seguidores que, ou deixaram de votar ou votaram pelo partido Verde, ou mesmo por Trump.Trump teve \u00eaxito porque adotou uma atitude desafiadora ante o Establishment Republicano. Se Bernie Sanders tivesse adotado uma atitude intransigente semelhante diante do Establishment da Conven\u00e7\u00e3o Democrata [que tinha que eleger entre Clinton ou Sanders \u2013 NDT], agora estaria em posi\u00e7\u00e3o muito forte. Mas isto teria significado romper com os Democratas. E este continua sendo o \u00fanico caminho a seguir.<\/p>\n<p>Entramos em um per\u00edodo de enorme turbul\u00eancia, caos e incerteza em escala global. A elei\u00e7\u00e3o dos EUA \u00e9 somente um sintoma deste fato. A velha ordem oscila e se encaminha para uma queda. As massas est\u00e3o despertando para a vida pol\u00edtica. Nas etapas iniciais, inevitavelmente haver\u00e1 confus\u00e3o. As massas n\u00e3o aprendem dos livros de textos revolucion\u00e1rios. Somente podem aprender com a pr\u00e1tica, e ser\u00e1 uma experi\u00eancia muito dolorosa. Mas com certeza aprender\u00e3o. As massas nos EUA est\u00e3o se erguendo. As novas camadas de trabalhadores e jovens s\u00e3o frescas e n\u00e3o est\u00e3o contaminadas por gera\u00e7\u00f5es de dire\u00e7\u00f5es reformistas e estalinistas. Est\u00e3o muito abertas \u00e0s ideias revolucion\u00e1rias \u2013 a campanha de Sanders demonstrou isto al\u00e9m de toda d\u00favida.<\/p>\n<p>Este processo levar\u00e1 um tempo. Haver\u00e1 muitos altos e baixos; per\u00edodos de grandes lutas ser\u00e3o acompanhados de derrotas, decep\u00e7\u00f5es e mesmo de rea\u00e7\u00e3o. N\u00e3o esque\u00e7amos que, mesmo na R\u00fassia em 1917, a revolu\u00e7\u00e3o de fevereiro foi seguida pela derrota das Jornadas de Julho e pela rea\u00e7\u00e3o kornilovista. Mas isso, por sua vez, somente preparou um novo e vitorioso levantamento que levou \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro. Cedo ou tarde, este movimento encontrar\u00e1 sua express\u00e3o em um verdadeiro movimento na dire\u00e7\u00e3o de uma mudan\u00e7a social: ou seja, na dire\u00e7\u00e3o de uma revolu\u00e7\u00e3o socialista. Grandes acontecimentos est\u00e3o sendo preparados! \u00c9 uma alegria viver e lutar nestes tempos!<\/p>\n<p>http:\/\/www.marxist.com\/o-que-significa-donald-trump.htm<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alan Woods &#8211; Na quarta-feira, 9 de novembro, o \u201cmundo livre\u201d despertou para descobrir que tinha um novo l\u00edder. Donald J. Trump foi eleito como o 45o presidente dos Estados Unidos da Am\u00e9rica. As ondas de choque imediatamente se espalharam pelo mundo com esta not\u00edcia, que contradizia todas as confiantes expectativas das sondagens pr\u00e9vias. 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