{"id":25424,"date":"2026-10-09T12:23:05","date_gmt":"2026-10-09T15:23:05","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=25424"},"modified":"2026-10-09T08:31:22","modified_gmt":"2026-10-09T11:31:22","slug":"encarando-o-abismo-disputando-o-horizonte-classe-trabalho-e-renda-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2026\/10\/09\/encarando-o-abismo-disputando-o-horizonte-classe-trabalho-e-renda-no-brasil\/","title":{"rendered":"Encarando o abismo, disputando o horizonte: classe, trabalho e renda no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><strong>Teresa M. Maia de Carvalho; Delana Corazza e Rodrigo Lentz &#8211;<\/strong> O que nos levou \u00e0 atual \u201cpolariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica\u201d e \u00e0 uma \u201ccalcifica\u00e7\u00e3o das identidades pol\u00edticas\u201d? O que est\u00e1 por tr\u00e1s do pragmatismo do eleitorado brasileiro? Este artigo pretende compreender a polariza\u00e7\u00e3o n\u00e3o como fen\u00f4meno aut\u00f4nomo do comportamento pol\u00edtico, mas como um sintoma de um processo mais amplo marcado por quarenta anos de hegemonia neoliberal e pela atual fragilidade da esquerda em formular um projeto de futuro hegem\u00f4nico e compartilhado.<\/p>\n<p>No Brasil, h\u00e1 um esfor\u00e7o amplo para compreender a ideia difundida de \u201cpolariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica\u201d. O livro <i>Biografia do Abismo<\/i>, de Felipe Nunes e Thomas Traumann, fala em \u201ccalcifica\u00e7\u00e3o das identidades pol\u00edticas\u201d. J\u00e1 o publicit\u00e1rio Jo\u00e3o Santana defende que o eleitorado brasileiro \u00e9, na pr\u00e1tica, pragm\u00e1tico: a mesma pessoa pode apoiar o Bolsa Fam\u00edlia e querer menos impostos, defender a pol\u00edcia e um fortalecimento do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), ser contra privatiza\u00e7\u00f5es e admirar empres\u00e1rios.Entre a calcifica\u00e7\u00e3o identit\u00e1ria e o pragmatismo eleitoral, este texto prop\u00f5e um terceiro caminho: compreender a polariza\u00e7\u00e3o n\u00e3o como fen\u00f4meno aut\u00f4nomo do comportamento pol\u00edtico, mas como sintoma de um processo mais amplo, marcado por quarenta anos de hegemonia neoliberal no Brasil e pela fragilidade atual da esquerda em formular um projeto de futuro hegem\u00f4nico e compartilhado.Ao assumir cargos no Executivo e posi\u00e7\u00f5es relevantes no Legislativo, a esquerda viu-se progressivamente absorvida pela l\u00f3gica de gest\u00e3o do pr\u00f3prio sistema que se propunha a superar. Sua atua\u00e7\u00e3o, cada vez mais circunscrita \u00e0 disputa por pol\u00edticas espec\u00edficas dentro dos marcos institucionais vigentes, converteu-a \u2014 aos olhos de parcelas relevantes da sociedade \u2014 em fiadora da ordem capitalista, n\u00e3o mais em sua antagonista. Essa reflex\u00e3o dialoga tamb\u00e9m com a tese de Andr\u00e9 Singer sobre o lulismo: transforma\u00e7\u00f5es <i>dentro<\/i> da ordem, n\u00e3o <i>da<\/i> ordem. Esse deslocamento abriu espa\u00e7o para a direita se apropriar do discurso antissistema, encenando-se como for\u00e7a insurgente \u2014 uma invers\u00e3o simb\u00f3lica em que a esquerda aparece institucionalizada e a direita se apresenta, contraditoriamente, como a voz da revolta.<\/p>\n<p>O argumento central deste texto \u00e9 que esse suposto abismo pol\u00edtico n\u00e3o est\u00e1 apenas no comportamento eleitoral: est\u00e1, sobretudo, no abismo material e hist\u00f3rico que separa quem vive do pr\u00f3prio trabalho \u2014 formal e informal \u2014 de quem vive da renda do capital, da terra e do rentismo. Um abismo que a financeiriza\u00e7\u00e3o da economia e o discurso empreendedor n\u00e3o apenas reproduzem, mas atualizam e aprofundam constantemente.<\/p>\n<p>Para sustentar esse argumento, o texto revisita a leitura de Andr\u00e9 Singer sobre a consci\u00eancia amb\u00edgua dos mais pobres; apresenta dados sobre a profundidade e a perman\u00eancia hist\u00f3rica da desigualdade brasileira, da forma\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho \u00e0 precariza\u00e7\u00e3o atual; situa esse quadro nacional na disputa internacional por hegemonia e recursos que hoje redesenham o capitalismo global; e defende que a resposta n\u00e3o pode se limitar \u00e0 restaura\u00e7\u00e3o do modelo anterior \u00e0 reforma trabalhista de 2017, propondo uma agenda que combina a defesa imediata dos direitos amea\u00e7ados com a constru\u00e7\u00e3o de um horizonte coletivo de futuro.<\/p>\n<p><strong>A consci\u00eancia amb\u00edgua da classe trabalhadora<\/strong><\/p>\n<p>Desde seus estudos sobre a elei\u00e7\u00e3o de 1989, Andr\u00e9 Singer identifica um fen\u00f4meno aparentemente contradit\u00f3rio no <i>subproletariado<\/i>: uma posi\u00e7\u00e3o que combina a defesa da ordem e da hierarquia social \u2014 t\u00edpica de leitura de direita \u2014 com a aspira\u00e7\u00e3o por igualdade e interven\u00e7\u00e3o estatal, mais pr\u00f3xima \u00e0s pautas da esquerda. N\u00e3o se trata de alinhamento \u00e0 direita liberal cl\u00e1ssica, mas de uma combina\u00e7\u00e3o entre conservadorismo de costumes e defesa da ordem com posi\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel \u00e0 a\u00e7\u00e3o estatal na redu\u00e7\u00e3o da desigualdade. Essa formula\u00e7\u00e3o explica tanto a resist\u00eancia hist\u00f3rica desse eleitorado a greves e mobiliza\u00e7\u00f5es de classe quanto sua posterior ades\u00e3o ao lulismo a partir de 2006, quando um programa de distribui\u00e7\u00e3o de renda com interven\u00e7\u00e3o estatal, sem ruptura da ordem, passou a dialogar diretamente com essa base social.Essa ambiguidade fica mais n\u00edtida \u00e0 luz da distin\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica entre classe em si e classe para si. Como classe em si, o subproletariado j\u00e1 existe objetivamente e partilha a posi\u00e7\u00e3o de despossess\u00e3o diante do trabalho e da renda. Mas essa exist\u00eancia material n\u00e3o se converte automaticamente em consci\u00eancia organizada em torno de interesses comuns; n\u00e3o basta ocupar o mesmo lugar na estrutura social para agir coletivamente a partir dele. Entre a classe que se \u00e9 e a classe que se constitui, para si, como sujeito pol\u00edtico, h\u00e1 um trajeto que depende de organiza\u00e7\u00e3o, experi\u00eancia de luta e disputa cotidiana pela hegemonia. \u00c9 a aus\u00eancia desse trajeto que Singer identifica quando descreve a defesa da ordem como resposta \u00e0 desprote\u00e7\u00e3o material, n\u00e3o como convic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para essa fra\u00e7\u00e3o de classe, explica Singer, a clivagem esquerda\/direita n\u00e3o se organiza em torno de ser contra ou a favor da redu\u00e7\u00e3o da desigualdade, mas em torno de <i>como<\/i> obt\u00ea-la. A esquerda, historicamente associada \u00e0 luta de classes e \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o social, \u00e9 percebida como via que amea\u00e7a a ordem estabelecida. O subproletariado \u2014 sem carteira assinada, sem sindicato, sem capacidade de autodefesa coletiva \u2014 \u00e9 particularmente vulner\u00e1vel \u00e0 instabilidade que um conflito aberto poderia trazer, ao contr\u00e1rio do trabalhador formal e dos setores mais abastados, que disp\u00f5em de instrumentos institucionais e reservas financeiras para se proteger em momentos de crise.<\/p>\n<p>Essa reflex\u00e3o ganha urg\u00eancia particular \u00e0s v\u00e9speras das elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 2026. O mercado de trabalho brasileiro segue profundamente precarizado, inclusive para quem tem carteira assinada, com grande contingente informal e crescimento constante do trabalho por conta pr\u00f3pria. Se a ades\u00e3o de setores da sociedade mais empobrecidos \u00e0 ordem estabelecida sempre esteve condicionada \u00e0 sua fragilidade material e \u00e0 aus\u00eancia de redes de prote\u00e7\u00e3o social, \u00e9 justamente essa fragilidade que se aprofunda hoje, num cen\u00e1rio de multiplica\u00e7\u00e3o de v\u00ednculos prec\u00e1rios, plataformiza\u00e7\u00e3o do trabalho e enfraquecimento da a\u00e7\u00e3o sindical. Compreender as condi\u00e7\u00f5es de trabalho e de vida da classe trabalhadora \u00e9, portanto, condi\u00e7\u00e3o para qualquer projeto pol\u00edtico que pretenda romper o ciclo hist\u00f3rico de precariza\u00e7\u00e3o e disputar, de fato, sua ades\u00e3o a um horizonte coletivo de transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>O verdadeiro abismo da sociedade brasileira<\/strong><\/p>\n<p>Desde o fim do tr\u00e1fico de escravizados e a Lei de Terras de 1850 \u2014 que impediu a integra\u00e7\u00e3o com dignidade do trabalhador negro liberto \u00e0 sociedade \u2014, a nega\u00e7\u00e3o do direito ao trabalho e \u00e0 renda \u00e9 a marca permanente do abismo entre classe trabalhadora e classe dominante.O que sobra de um lado, historicamente falta do outro: a combina\u00e7\u00e3o de fatores que garante \u00e0s elites o \u201cdireito\u201d \u00e0 acumula\u00e7\u00e3o de renda \u2014 o privil\u00e9gio hist\u00f3rico no acesso \u00e0 terra e \u00e0 propriedade, a injusti\u00e7a tribut\u00e1ria e os ganhos do rentismo que drenam recursos p\u00fablicos e bens comuns para fundos privados \u2014, nega o direito ao trabalho digno a cerca de 56 milh\u00f5es de pessoas, praticamente 1 em cada 3 pessoas em idade ativa no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Hoje, os 10% mais ricos do Brasil concentram 70% da riqueza nacional. Cerca de 1% dos estabelecimentos rurais concentram 47,6% da \u00e1rea ocupada e apenas 0,36% dos declarantes do Imposto de Renda concentram 41,6% de todo o patrim\u00f4nio declarado no pa\u00eds. Crian\u00e7as nascidas em fam\u00edlias entre os 50% mais pobres t\u00eam apenas 10,82% de probabilidade de chegar aos 25% mais ricos da popula\u00e7\u00e3o \u2014 e 1,94% de probabilidade de concluir o ensino superior. A classe trabalhadora est\u00e1 sem renda, sem direitos e sem perspectiva de futuro; a nova configura\u00e7\u00e3o da polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica \u00e9 parte recente desse processo hist\u00f3rico de desigualdade.<\/p>\n<p>Apesar da centralidade inquestion\u00e1vel do trabalho para a reprodu\u00e7\u00e3o do capitalismo, a radicaliza\u00e7\u00e3o do projeto neoliberal consolidou no Brasil uma l\u00f3gica que pode ser chamada de \u201canti-trabalho\u201d: o trabalho deixou de ser via de mobilidade social e passou, para parcela crescente da popula\u00e7\u00e3o, a n\u00e3o garantir sequer a subsist\u00eancia m\u00ednima. Resultado desse projeto pol\u00edtico \u00e9 um mercado de trabalho historicamente desestruturado e, ap\u00f3s a Reforma Trabalhista de 2017, profundamente fragmentado e desregulamentado \u2014 o que explica por que, mesmo em momentos de \u201cpleno emprego\u201d, com desocupa\u00e7\u00e3o entre 5,6% e 6,1%, a classe trabalhadora vive em uma economia aquecida sob uma base institucional precarizada, como avalia a economista Lucia Garcia (Dieese).<\/p>\n<p><strong>Condi\u00e7\u00f5es de vida da classe trabalhadora: precariza\u00e7\u00e3o, empobrecimento e \u201cempreendedorismo\u201d<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 uma s\u00edntese comum entre trabalhadores e trabalhadoras entrevistados\/as para pesquisa do Instituto Tricontinental sobre as <a href=\"https:\/\/thetricontinental.org\/pt-pt\/nuestra-america\/a-situacao-da-classe-trabalhadora-no-brasil\/\">condi\u00e7\u00f5es de vida da classe trabalhadora no Brasil<\/a>: \u201cHoje trabalho mais e ganho menos.\u201d Como especificou uma trabalhadora dos servi\u00e7os gerais de uma empresa terceirizada que presta servi\u00e7o em hospital p\u00fablico: \u201caumentou muito a intensidade do trabalho\u2026 Diminuiu muito o quadro de funcion\u00e1rios. Ent\u00e3o, a gente ficou muito carregado hoje em dia\u2026 j\u00e1 tem mais de cinco anos.\u201dEntre 2012 e 2025, viveu-se de fato um processo de intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho sem contrapartida equivalente de renda. Em termos nominais, a renda m\u00e9dia no Brasil cresceu 140,2% nesse per\u00edodo, mas o ganho real foi de apenas 15,5%, e ficou concentrado quase todo nos \u00faltimos tr\u00eas anos (2023\u20132025), como mostra a tabela abaixo:<\/p>\n<div class=\"__reading_mode_table_and_collapse_button_container\">\n<table class=\"__reading_mode_data_table_class\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><b>Ano<\/b><\/td>\n<td><b>Rendimento real (R$)<\/b><\/td>\n<td><b>Desocupa\u00e7\u00e3o (%)<\/b><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>2012<\/td>\n<td><b>3.083<\/b><\/td>\n<td>7,4<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>2016<\/td>\n<td>3.164<\/td>\n<td>11,6<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>2019<\/td>\n<td>3.204<\/td>\n<td>11,8<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>2021<\/td>\n<td>3.101<\/td>\n<td>14,0<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>2022<\/td>\n<td><b>3.032<\/b><\/td>\n<td>9,6<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>2023<\/td>\n<td>3.249<\/td>\n<td>7,7<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>2025<\/td>\n<td>3.560<\/td>\n<td>5,6<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<\/div>\n<p><i>Fonte: IBGE, PNAD Cont\u00ednua Anual. S\u00e9rie completa 2012-2025 e metodologia na nota de rodap\u00e9.<\/i><\/p>\n<p>Entre 2012 e 2022, o poder de compra m\u00e9dio ficou estagnado e chegou a cair abaixo do n\u00edvel de 2012 \u2014 justamente no ano (2022) em que a desocupa\u00e7\u00e3o j\u00e1 recuava com for\u00e7a frente a 2021 (de 14,0% para 9,6%, quase 4,4 pontos em um \u00fanico ano). Uma hip\u00f3tese para esse paradoxo \u00e9 que a retomada p\u00f3s-pandemia trouxe de volta ao mercado sobretudo pessoas em posi\u00e7\u00f5es de renda mais baixa \u2014 vagas informais, de com\u00e9rcio, servi\u00e7os e aplicativos \u2014, puxando a m\u00e9dia geral da renda para baixo. Se correta, essa hip\u00f3tese \u00e9 um alerta direto contra a promessa do empreendedorismo como porta de sa\u00edda: o problema n\u00e3o \u00e9 falta de vagas, \u00e9 que as vagas que sobram pagam menos, e entrar nelas em massa reduz a renda m\u00e9dia sem melhorar a vida e dar condi\u00e7\u00f5es para projetar o futuro.<\/p>\n<p>A estagna\u00e7\u00e3o de 2012\u20132022 coincidiu com piora mensur\u00e1vel nas condi\u00e7\u00f5es de trabalho como um todo: o n\u00edvel de desocupa\u00e7\u00e3o praticamente dobrou e a informalidade aumentou, e a taxa composta de subutiliza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m terminou 2022 pior do que em 2012. Foi tamb\u00e9m resultado da Reforma Trabalhista de 2017 que, segundo estudo do Cesit\/Unicamp, precarizou formas de contrata\u00e7\u00e3o, flexibilizou jornadas, rebaixou remunera\u00e7\u00e3o e fragilizou a a\u00e7\u00e3o sindical e o acesso \u00e0 Justi\u00e7a do Trabalho, um impacto estrutural que a melhora econ\u00f4mica de 2023\u20132025 ainda n\u00e3o foi capaz de superar.<\/p>\n<p>Isso porque o crescimento da economia nesses anos veio, sobretudo, de mais gente entrando no mercado em piores condi\u00e7\u00f5es, n\u00e3o do crescimento do rendimento por hora trabalhada: a jornada encolheu mais r\u00e1pido do que uma subida da remunera\u00e7\u00e3o por hora. Essa precariza\u00e7\u00e3o da quantidade de trabalho dispon\u00edvel tamb\u00e9m se expressa como polariza\u00e7\u00e3o da jornada: de um lado, 4,6 milh\u00f5es de pessoas subocupadas por insufici\u00eancia de horas \u2014 querem e podem trabalhar mais, mas n\u00e3o conseguem \u2014; de outro, quem trabalha por conta pr\u00f3pria, fora de qualquer prote\u00e7\u00e3o de jornada m\u00e1xima, segue com a maior carga hor\u00e1ria m\u00e9dia entre todas as posi\u00e7\u00f5es (45 horas semanais, mesmo ap\u00f3s queda).<\/p>\n<p>O trabalho por conta pr\u00f3pria, ali\u00e1s, cresceu de forma constante desde 2012: o salto mais forte acontece j\u00e1 entre 2012 e 2016 (+12,2%), junto com a crise, n\u00e3o depois dela; em 2021, chega a 27,1% do total de ocupados, o maior percentual do per\u00edodo. Mas o discurso de que \u201ca vida melhora sem patr\u00e3o\u201d n\u00e3o se confirma: segundo o Censo 2022, o trabalho por conta pr\u00f3pria sem CNPJ \u2014 maior contingente informal isolado do pa\u00eds, 17,2 milh\u00f5es de pessoas, quase 1 em cada 5 ocupados \u2014 rende em m\u00e9dia R$1.821,10, praticamente o mesmo que um empregado informal (R$1.761,15) e bem menos que um empregado com carteira assinada (R$2.616,98). Segundo esses dados, ter carteira assinada ou CNPJ segue assegurando renda maior; o que mudou \u00e9 que esse ganho j\u00e1 n\u00e3o basta para produzir, por si s\u00f3, a sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a para a reprodu\u00e7\u00e3o da vida que antes o justificava.<\/p>\n<p>Essa promessa n\u00e3o cumprida do empreendedorismo ajuda a entender por que a desigualdade material afeta de forma distinta a consci\u00eancia de cada grupo da classe trabalhadora. A queda de renda entre 2012 e 2022 atingiu sobretudo homens, pessoas brancas e trabalhadores mais escolarizados \u2014 justamente o grupo mais exposto \u00e0 disputa ideol\u00f3gica pela direita e \u00e0 promessa do empreendedorismo como rota de fuga individual. J\u00e1 a renda de mulheres, pretos e pardos e pessoas de menor escolaridade, historicamente nas faixas mais baixas, n\u00e3o caiu na mesma propor\u00e7\u00e3o, em parte por efeito da pol\u00edtica de valoriza\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo, que sustenta o piso desses grupos mesmo quando o restante da distribui\u00e7\u00e3o recua.<\/p>\n<p>Entre quem tem superior completo, a queda de renda mais acentuada n\u00e3o contradiz essa leitura \u2014 \u00e9 sobretudo efeito de composi\u00e7\u00e3o: entre 2012 e 2022, o n\u00famero de ocupados com superior completo saltou de 12,4 milh\u00f5es para 21,2 milh\u00f5es, passando de 14,1% para 22,0% de todos os ocupados do pa\u00eds. Mais gente com diploma disputando vagas que n\u00e3o cresceram na mesma propor\u00e7\u00e3o dilui a renda m\u00e9dia do grupo, sem que graduados individualmente estejam necessariamente ganhando menos \u2014 o \u201cgraduado m\u00e9dio\u201d de 2022 \u00e9 uma base mais ampla, menos seletiva e inserida no mercado de trabalho em piores condi\u00e7\u00f5es do que a de 2012.<\/p>\n<p>Essa dilui\u00e7\u00e3o do valor do diploma e do trabalho pesa ainda mais sobre os mais jovens, que j\u00e1 vivem doze anos sob o signo da estagna\u00e7\u00e3o e com baix\u00edssima margem para projetar o futuro. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil entender por que absorvem com mais facilidade um discurso que desvaloriza tanto o estudo quanto o v\u00ednculo formal como caminhos de vida: se o diploma vale menos e o emprego com carteira n\u00e3o garante seguran\u00e7a, a promessa do empreendedorismo individual ganha terreno por elimina\u00e7\u00e3o, n\u00e3o por convic\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O des\u00e2nimo tem lastro material e n\u00e3o se reduz a uma quest\u00e3o de percep\u00e7\u00e3o. O endividamento das fam\u00edlias se aprofunda justamente nos anos de \u201crecupera\u00e7\u00e3o\u201d da economia. O comprometimento da renda mensal com d\u00edvidas, que era de 25,58% em 2021, no auge da crise, chegou a 28,12% em 2025, o maior valor da s\u00e9rie hist\u00f3rica, acima at\u00e9 do registrado na pandemia. Enquanto o desemprego ca\u00eda e a renda m\u00e9dia real voltava a crescer, esse indicador bateu sucessivos recordes. Uma explica\u00e7\u00e3o prov\u00e1vel \u00e9 que boa parte das novas vagas de trabalho tenham sido ocupadas por pessoas que j\u00e1 tinham a renda comprometida com o pagamento de d\u00edvidas.<\/p>\n<p>A composi\u00e7\u00e3o dessas d\u00edvidas ajuda a entender o quadro. Segundo a economista Marilane Teixeira, em 2022 a propor\u00e7\u00e3o de endividados foi maior entre as mulheres, se concentrando em cart\u00e3o de cr\u00e9dito, cheque especial, carn\u00ea de loja, cr\u00e9dito consignado e empr\u00e9stimo pessoal. Para ela, \u201co permanente endividamento aumenta a pobreza, a desigualdade, e s\u00f3 amplia os rendimentos do capital, ao custo do comprometimento da qualidade de vida e da pr\u00f3pria sustentabilidade das mulheres e suas fam\u00edlias.\u201d<\/p>\n<p>Fecha-se, assim, o ciclo que cava o abismo: a superexplora\u00e7\u00e3o do trabalho se intensifica, parte consider\u00e1vel da renda \u00e9 direcionada para pagar juros e garantir lucros aos rentistas, justamente no momento em que os indicadores agregados sugerem melhora geral da economia. Esse abismo \u00e9 central, material e estrutural \u2014 e reproduz condi\u00e7\u00f5es de ambiguidade material e ideol\u00f3gica na classe trabalhadora, que perdeu direitos e renda de formas desiguais ao longo de uma d\u00e9cada, viu o desemprego cair sem sentir al\u00edvio real, endivida-se mais justamente quando os indicadores dizem que a economia melhora e, diante desse quadro, oscila entre a descren\u00e7a nas institui\u00e7\u00f5es coletivas e a ades\u00e3o pragm\u00e1tica a solu\u00e7\u00f5es individuais que raramente entregam o que prometem.<\/p>\n<p><strong>O abismo em escala global: imperialismo, rentismo e disputa por horizontes<\/strong><\/p>\n<p>Esse abismo brasileiro n\u00e3o pode ser compreendido isoladamente do est\u00e1gio atual do desenvolvimento capitalista, que pode ser descrito como um \u201c<a href=\"https:\/\/thetricontinental.org\/pt-pt\/estudos-sobre-dilemas-contemporaneos-4-hiper-imperialismo\/\">hiperimperialismo<\/a>\u201d. Os Estados Unidos, diante do decl\u00ednio de sua hegemonia econ\u00f4mica e tecnol\u00f3gica frente \u00e0 China, acentuam seu car\u00e1ter agressivo e militarista. Na Am\u00e9rica Latina, essa ofensiva se manifesta por guerras h\u00edbridas, hipersan\u00e7\u00f5es e interven\u00e7\u00f5es diretas que visam o controle de recursos estrat\u00e9gicos, como o petr\u00f3leo venezuelano, o l\u00edtio do \u201ctri\u00e2ngulo\u201d andino (Argentina, Bol\u00edvia e Chile), as terras raras brasileiras. Como economia dependente, o Brasil v\u00ea seu destino atrelado aos interesses do capital financeiro internacional, que subordina a pol\u00edtica nacional \u00e0 l\u00f3gica da especula\u00e7\u00e3o e do rentismo; a mesma l\u00f3gica que, internamente, j\u00e1 vimos drenar cerca de R$1,165 trilh\u00e3o por ano em juros da d\u00edvida p\u00fablica enquanto nega trabalho digno e direitos aos trabalhadores.Essa din\u00e2mica geopol\u00edtica se reflete no cotidiano da classe trabalhadora pela precariza\u00e7\u00e3o estrutural. Mesmo sob o regime da CLT, observa-se uma \u201cformalidade prec\u00e1ria\u201d em setores como com\u00e9rcio e varejo, marcada por jornadas vari\u00e1veis, baixos sal\u00e1rios e enfraquecimento dos v\u00ednculos coletivos. O neoliberalismo n\u00e3o apenas desregulamenta o trabalho, mas tamb\u00e9m opera uma reconfigura\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica profunda, naturalizando a instabilidade e convertendo o trabalho \u2014 antes um direito social \u2014 em responsabilidade puramente individual, mediada pelo discurso da meritocracia. A internaliza\u00e7\u00e3o desses valores desloca a identidade de classe para uma identidade centrada na sobreviv\u00eancia, fragmentando o senso de coletividade e limitando a capacidade de planejamento de m\u00e9dio e longo prazo da pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p>O crescimento da extrema direita \u00e9 indissoci\u00e1vel dessa crise. Financiada pelo capital financeiro para proteger seus ganhos, ela utiliza o \u00f3dio a minorias e o medo e o apego \u00e0 ordem como ferramentas de imobiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. A precariza\u00e7\u00e3o do tempo social imp\u00f5e um horizonte restrito, no qual a juventude e os trabalhadores, sem perspectiva de futuro, tornam-se receptivos a solu\u00e7\u00f5es moralizantes e violentas que preenchem o vazio deixado pela desestrutura\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, as mulheres trabalhadoras podem emergir como sujeitos pol\u00edticos estrat\u00e9gicos, como bem demonstram experi\u00eancias latino-americanas, j\u00e1 que sua posi\u00e7\u00e3o central na reprodu\u00e7\u00e3o social e na gest\u00e3o da vida nos territ\u00f3rios perif\u00e9ricos exige a articula\u00e7\u00e3o de formas de solidariedade pr\u00e1tica que se op\u00f5em ao individualismo neoliberal \u2014 um dado que qualquer projeto de futuro precisa levar em considera\u00e7\u00e3o, e ao qual voltamos na agenda que segue.<\/p>\n<p><strong>Como constru\u00edmos o futuro?<\/strong><\/p>\n<p>Os trabalhadores do futuro no Brasil j\u00e1 nasceram e, segundo M\u00e1rcio Pochmann, \u201csete de cada dez nasceram em fam\u00edlias miser\u00e1veis\u201d. Diante dos dados apresentados e mantidas as condi\u00e7\u00f5es do projeto em curso, a mobilidade social n\u00e3o se coloca como perspectiva vi\u00e1vel para esse grupo \u2014 o que torna funcional a cren\u00e7a no \u201calpinista social\u201d que, por m\u00e9rito e e de forma individual, consegue escalar o abismo e fincar a bandeira no alto por m\u00e9rito e esfor\u00e7o empreendedor. \u00c9 urgente discutir adequadamente as desigualdades estruturais, atentos ao verdadeiro abismo e ao seu impacto real no cancelamento do futuro do povo e do pa\u00eds.N\u00e3o se trata, por\u00e9m, de perseguir a restaura\u00e7\u00e3o do passado no presente. Insistir exclusivamente na defesa da CLT ou na amplia\u00e7\u00e3o de v\u00ednculos formais \u00e9 ignorar a tend\u00eancia objetiva de precariza\u00e7\u00e3o, informaliza\u00e7\u00e3o e fragmenta\u00e7\u00e3o do trabalho j\u00e1 demonstrada. Ao mesmo tempo, \u00e9 preciso permanecer comprometidos com todas as lutas por direito e dignidade, como o fim da jornada 6\u00d71, a reforma agr\u00e1ria e urbana, o enfrentamento \u00e0 viol\u00eancia contra as mulheres e ao racismo, e avan\u00e7ar na garantia do direito de cidadania, independentemente das condi\u00e7\u00f5es de formaliza\u00e7\u00e3o, garantindo aos j\u00e1 nascidos o direito ao trabalho e \u00e0 vida; e ao pa\u00eds o direito ao futuro.<\/p>\n<p>Essa disputa n\u00e3o se resolve apenas nas urnas. Diante do quadro internacional j\u00e1 descrito, o desafio para resgatar um horizonte p\u00f3s-capitalista exige superar a mera disputa eleitoral e avan\u00e7ar na politiza\u00e7\u00e3o permanente: a retomada do trabalho de base, a forma\u00e7\u00e3o de militantes com pensamento cr\u00edtico e o uso da arte e da cultura para dialogar com o povo de forma mais ampla. \u00c9 necess\u00e1rio um projeto popular que combine solu\u00e7\u00f5es imediatas \u2014 emprego digno, moradia, tarifa zero \u2014 com mudan\u00e7as estruturais capazes de enfrentar as causas do abismo.<\/p>\n<p>Esse projeto popular n\u00e3o se refere apenas a boas ideias, nem se resume a uma lista de medidas: \u00e9 fruto de um processo de debate e converg\u00eancia com o povo, capaz de traduzir demandas hoje dispersas em um programa comum. Isso exige disputar cotidianamente a hegemonia nos territ\u00f3rios e nas categorias profissionais, formar quadros capazes de estimular esse debate para al\u00e9m dos ciclos eleitorais, e testar coletivamente, em experi\u00eancias concretas de organiza\u00e7\u00e3o e luta, o que poderia ampliar a ades\u00e3o da classe trabalhadora a esse horizonte<i>. <\/i>\u00c9 esse processo, e n\u00e3o apenas a exist\u00eancia de uma condi\u00e7\u00e3o material comum, que pode transformar a classe trabalhadora brasileira de classe em si em classe para si.<\/p>\n<p>As tarefas a seguir s\u00e3o uma tentativa provis\u00f3ria de dar forma a esse processo e n\u00e3o seu ponto de chegada, mas material de debate a ser revisto e aprofundado no pr\u00f3prio movimento coletivo que o produz.<\/p>\n<ol>\n<li>Reduzir a jornada de trabalho e extinguir a escala 6\u00d71, tratando a redistribui\u00e7\u00e3o do tempo como devolu\u00e7\u00e3o de ganhos de produtividade acumulados e n\u00e3o repartidos desde a \u00faltima redu\u00e7\u00e3o constitucional da jornada, em 1988. Mais que pauta de qualidade de vida, \u00e9 o ponto em que convergem, sem contradi\u00e7\u00e3o, a defesa imediata de quem ainda est\u00e1 no modelo celetista e a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade que n\u00e3o subordina toda a vida ao trabalho \u2014 bandeira capaz de unir mulheres, juventude e trabalhadores de setores distintos.<\/li>\n<li>Consolidar uma Nova Carta Social do Trabalho, que resgate a fun\u00e7\u00e3o social da economia e o sentido do trabalho como valor coletivo, reconhe\u00e7a juridicamente atividades da economia colaborativa, do trabalho sociocomunit\u00e1rio e dos \u201cbicos\u201d, e garanta direito \u00e0 renda desatrelado do v\u00ednculo empregat\u00edcio, com direitos universais financiados pelo lucro das empresas ou da taxa\u00e7\u00e3o dos lucros e renda dos mais ricos \u2014 repensando FGTS e INSS, por exemplo, n\u00e3o como contribui\u00e7\u00e3o individual amarrada ao contrato formal, mas como um direito de cidadania.<\/li>\n<li>Instituir um sistema nacional de ocupa\u00e7\u00f5es sociais \u2014 atividades orientadas n\u00e3o pela acumula\u00e7\u00e3o de capital, mas por utilidade social, sustentabilidade ambiental e realiza\u00e7\u00e3o humana, com prote\u00e7\u00e3o garantida independentemente do v\u00ednculo. Resposta estrutural aos milh\u00f5es que j\u00e1 vivem fora do assalariamento cl\u00e1ssico: cuidado e envelhecimento populacional, reflorestamento e recupera\u00e7\u00e3o de mananciais, agroecologia urbana, cultura e economia solid\u00e1ria, com o munic\u00edpio como espa\u00e7o de experimenta\u00e7\u00e3o, desde que articulado \u00e0 regula\u00e7\u00e3o e ao financiamento federal.<\/li>\n<li>Estruturar um sistema nacional de cuidados que reconhe\u00e7a e remunere o trabalho reprodutivo \u2014 hoje gratuito, invis\u00edvel e reca\u00eddo sobre mulheres, sobretudo negras \u2014, enfrentando a divis\u00e3o sexual e racial do trabalho como heran\u00e7a direta da n\u00e3o incorpora\u00e7\u00e3o do trabalhador negro liberto ao mercado assalariado, e n\u00e3o como desigualdade meramente conjuntural.<\/li>\n<li>Regular o trabalho plataformizado e barrar a pejotiza\u00e7\u00e3o, revertendo decis\u00f5es judiciais que hoje disfar\u00e7am de autonomia um v\u00ednculo de subordina\u00e7\u00e3o real a algoritmos que controlam tempo e ganhos, retirando f\u00e9rias, 13\u00ba, FGTS e aposentadoria de quem j\u00e1 \u00e9, na pr\u00e1tica, assalariado; fortalecer a Justi\u00e7a do Trabalho, o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho e a negocia\u00e7\u00e3o coletiva, esvaziados pela reforma de 2017; garantir cobertura integral de sa\u00fade e seguran\u00e7a do trabalho a todo tipo de v\u00ednculo.<\/li>\n<li>Reinventar a organiza\u00e7\u00e3o sindical em bases territoriais e interseccionais \u2014 presente no bairro e n\u00e3o apenas no local de trabalho, incorporando ra\u00e7a, g\u00eanero, juventude e as novas formas de trabalho aut\u00f4nomo e informal \u2014, como condi\u00e7\u00e3o para reconstruir a capacidade de mobiliza\u00e7\u00e3o de uma classe trabalhadora hoje fragmentada e c\u00e9tica quanto \u00e0 a\u00e7\u00e3o coletiva.<\/li>\n<li>Fortalecer a agricultura familiar como estrat\u00e9gia de soberania alimentar, gera\u00e7\u00e3o de emprego e enfrentamento \u00e0 crise ambiental, criando condi\u00e7\u00f5es de perman\u00eancia no campo \u2014 em especial para a juventude \u2014 a ribeirinhos, quilombolas, quebradeiras de coco, extrativistas, pescadores artesanais, posseiros, sem-terra, povos ind\u00edgenas e demais povos do campo, das \u00e1guas e das florestas.<\/li>\n<li>Impulsionar a reindustrializa\u00e7\u00e3o soberana articulada \u00e0 transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica e ao desenvolvimento tecnol\u00f3gico internalizando cadeias produtivas hoje importadas prontas, como fonte de trabalho digno e de soberania tecnol\u00f3gica, revertendo a reprimariza\u00e7\u00e3o da economia.<\/li>\n<li>Enfrentar o rentismo improdutivo, reduzir juros e taxar grandes fortunas para financiar a agenda de transforma\u00e7\u00f5es, aprofundando o passo j\u00e1 dado pela reforma do Imposto de Renda de 2025, que isentou ou reduziu a cobran\u00e7a para 16 milh\u00f5es de pessoas e passou a taxar em at\u00e9 10% os rendimentos acima de R$50 mil por m\u00eas.<\/li>\n<li>Garantir educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica de qualidade, forma\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, t\u00e9cnica e profissional e condi\u00e7\u00f5es de trabalho para o desenvolvimento soberano das capacidades do povo de produzir suas pr\u00f3prias solu\u00e7\u00f5es para o desenvolvimento nacional.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Nenhuma dessas tarefas se resolve isoladamente, nem apenas dentro das fronteiras nacionais. Enfrentar o abismo brasileiro \u00e9 tamb\u00e9m disputar com os povos da Am\u00e9rica Latina e do Sul Global, ombro a ombro, os termos da depend\u00eancia e do rentismo internacional que hoje se reorganizam sob o hiperimperialismo. S\u00f3 a organiza\u00e7\u00e3o coletiva enraizada na solidariedade internacionalista poder\u00e1 transformar a atual crise de projetos em um caminho de soberania e emancipa\u00e7\u00e3o para o povo brasileiro.<\/p>\n<p><strong>Notas<\/strong><\/p>\n<p>1. Felipe Nunes \u00e9 cientista pol\u00edtico, Ph.D. em Ci\u00eancia Pol\u00edtica e mestre em Estat\u00edstica pela Universidade da Calif\u00f3rnia em Los Angeles (UCLA). \u00c9 professor da UFMG e s\u00f3cio-fundador do instituto de pesquisas Quaest, que em 2024 se tornou fornecedora de pesquisas para a TV Globo e suas afiliadas.2. Thomas Traumann \u00e9 jornalista e mestre em Ci\u00eancia Pol\u00edtica pelo IESP\/UERJ. Atuou por vinte anos na Folha de S.Paulo, Veja e \u00c9poca; entre 2011 e 2014 foi porta-voz da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica e ministro da Secretaria de Comunica\u00e7\u00e3o Social no primeiro governo Dilma Rousseff. \u00c9 colunista de pol\u00edtica da Veja e do Poder360, al\u00e9m de consultor de risco pol\u00edtico.<\/p>\n<p>3. Jo\u00e3o Santana \u00e9 jornalista e publicit\u00e1rio, coordenador do marketing vitorioso das campanhas de Lula (2006) e Dilma Rousseff (2010 e 2014) no Brasil, al\u00e9m de campanhas presidenciais vitoriosas na Venezuela, na Rep\u00fablica Dominicana, em Angola e em El Salvador. Fez a afirma\u00e7\u00e3o citada durante a VI edi\u00e7\u00e3o do Summit Cidades, em Florian\u00f3polis, junho de 2026.<\/p>\n<p>4. Em Singer (2012, p. 19), o conceito de subproletariado \u00e9 resgatado de Paul Singer (1981) e definido como a \u201csobrepopula\u00e7\u00e3o trabalhadora superempobrecida permanentemente\u201d.<\/p>\n<p>5. SINGER, Andr\u00e9. Os sentidos do lulismo: reforma gradual e pacto conservador. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2012.<\/p>\n<p>6. No Relat\u00f3rio de Desigualdade Global do World Inequality Lab (dez\/2025), o Brasil aparece como o 5\u00ba pa\u00eds mais desigual entre 216: os 10% mais ricos concentram 59,1% da renda nacional; os 50% mais pobres, apenas 9,3%.<\/p>\n<p>7. Segundo dados do Banco Central compilados por an\u00e1lises do BNDES\/Observat\u00f3rio de Pol\u00edtica Fiscal, o gasto l\u00edquido com juros nominais foi de cerca de R$1,165 trilh\u00e3o em 2025, equivalente a 9,15% do PIB. Fonte: auditoriacidada.org.br.<\/p>\n<p>8. Somam-se aqui a subutiliza\u00e7\u00e3o composta da for\u00e7a de trabalho \u2014 desocupados + subocupados por insufici\u00eancia de horas + for\u00e7a de trabalho potencial, incluindo desalentados, sem sobreposi\u00e7\u00e3o entre categorias: 16,6 milh\u00f5es de pessoas (2025, IBGE\/SIDRA 4666) \u2014 e os trabalhadores informais, ocupados mas sem carteira, CNPJ ou prote\u00e7\u00e3o, grupo distinto que n\u00e3o integra o c\u00e1lculo de subutiliza\u00e7\u00e3o: 39,2 milh\u00f5es de pessoas (2025, IBGE\/SIDRA 4680). A popula\u00e7\u00e3o de 14 anos ou mais \u00e9 de 174,1 milh\u00f5es em 2025.<\/p>\n<p>9. Relat\u00f3rio Mundial sobre a Desigualdade 2026, elaborado por pesquisadores da rede World Inequality Lab, liderada pelo economista franc\u00eas Thomas Piketty.<\/p>\n<p>10. Fonte: IBGE, Censo Agropecu\u00e1rio 2017: 51.203 estabelecimentos com 1.000 hectares ou mais (1% do total de 5.073.324 estabelecimentos) concentravam 47,6% da \u00e1rea ocupada; em 2006 essa fatia era de 45%.<\/p>\n<p>11. Estudo do Inesc (Instituto de Estudos Socioecon\u00f4micos), de autoria de Evil\u00e1sio Salvador, \u201cPerfil da Desigualdade e da Injusti\u00e7a Tribut\u00e1ria\u201d (dados da Receita Federal, ano-base 2013): 726.725 pessoas (0,36% da popula\u00e7\u00e3o, com rendimentos acima de 40 sal\u00e1rios m\u00ednimos) detinham 41,56% do patrim\u00f4nio total informado ao Fisco (R$5,8 trilh\u00f5es), equivalente a 45,54% do PIB da \u00e9poca.<\/p>\n<p>12. Atlas da Mobilidade Social Brasil: atlasmobilidadesocial.org.br.<\/p>\n<p>13.\u00a0Dado de desocupa\u00e7\u00e3o da PNAD Cont\u00ednua\/IBGE, 1\u00ba trimestre de 2026.<\/p>\n<p>14. Entrevista ao programa Brasil Popular, exibido em 2 de maio na TV Brasil 247, sobre Precariza\u00e7\u00e3o, Luta e o Futuro do Trabalho.<\/p>\n<p>15.\u00a0Trabalhadores entrevistados em abril e maio de 2026, durante pesquisa do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social sobre as condi\u00e7\u00f5es da classe trabalhadora no Brasil.<\/p>\n<p>16.\u00a0Fonte: IBGE, PNAD Cont\u00ednua, tabela SIDRA 4660.<\/p>\n<p>17.\u00a0S\u00e9rie completa 2012\u20132025 (rendimento nominal e real mensal, INPC e taxa de desocupa\u00e7\u00e3o anual) \u2014 Fonte: IBGE, PNAD Cont\u00ednua: 2012: nominal R$1.480,00, real R$3.083,00, INPC 6,20%, desocupa\u00e7\u00e3o 7,4%. 2013: nominal R$1.623,00, real R$3.185,00, INPC 5,56%, desocupa\u00e7\u00e3o 7,3%. 2014: nominal R$1.777,00, real R$3.280,00, INPC 6,23%, desocupa\u00e7\u00e3o 7,0%. 2015: nominal R$1.861,00, real R$3.151,00, INPC 11,28%, desocupa\u00e7\u00e3o 8,9%. 2016: nominal R$2.032,00, real R$3.164,00, INPC 6,58%, desocupa\u00e7\u00e3o 11,6%. 2017: nominal R$2.092,00, real R$3.147,00, INPC 2,07%, desocupa\u00e7\u00e3o 12,6%. 2018: nominal R$2.216,00, real R$3.217,00, INPC 3,43%, desocupa\u00e7\u00e3o 12,1%. 2019: nominal R$2.290,00, real R$3.204,00, INPC 4,48%, desocupa\u00e7\u00e3o 11,8%. 2020: nominal R$2.441,00, real R$3.310,00, INPC 5,45%, desocupa\u00e7\u00e3o 13,7%. 2021: nominal R$2.473,00, real R$3.101,00, INPC 10,16%, desocupa\u00e7\u00e3o 14,0%. 2022: nominal R$2.648,00, real R$3.032,00, INPC 5,93%, desocupa\u00e7\u00e3o 9,6%. 2023: nominal R$2.965,00, real R$3.249,00, INPC 3,71%, desocupa\u00e7\u00e3o 7,7%. 2024: nominal R$3.209,00, real R$3.368,00, INPC 4,77%, desocupa\u00e7\u00e3o 6,6%. 2025: nominal R$3.555,00, real R$3.560,00, INPC 3,90%, desocupa\u00e7\u00e3o 5,6%. Nota t\u00e9cnica sobre 2020: o crescimento nominal da renda m\u00e9dia naquele ano n\u00e3o reflete melhora efetiva nas condi\u00e7\u00f5es de trabalho, mas efeito estat\u00edstico da composi\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho ocupada \u2014 a pandemia expulsou de forma desproporcional os trabalhadores de menor rendimento (ocupa\u00e7\u00f5es informais, com\u00e9rcio, servi\u00e7os, trabalho dom\u00e9stico), elevando artificialmente a m\u00e9dia entre os que permaneceram empregados, em sua maioria com v\u00ednculos formais e rendimentos mais altos. Nota: os dados tabulares foram organizados com o aux\u00edlio de ferramenta de intelig\u00eancia artificial (Claude, Anthropic), sendo posteriormente conferidos manualmente para garantir a fidelidade \u00e0s fontes originais.<\/p>\n<p>18.\u00a0S\u00e9rie completa de desocupa\u00e7\u00e3o e informalidade, 2015\u20132025 (%) \u2014 Fonte: IBGE, PNAD Cont\u00ednua anual, tabelas SIDRA 4562 (desocupa\u00e7\u00e3o) e 4708 (informalidade): 2015: 8,9 \/ 39,0. 2016: 11,6 \/ 39,1. 2017: 12,6 \/ 40,6. 2018: 12,1 \/ 40,9. 2019: 11,8 \/ 41,0. 2020: 13,7 \/ 37,7. 2021: 14,0 \/ 39,6. 2022: 9,6 \/ 39,5. 2023: 7,7 \/ 39,2. 2024: 6,6 \/ 39,0. 2025: 5,6 \/ 38,1. A taxa de informalidade soma cinco categorias sem prote\u00e7\u00e3o formal \u2014 empregado do setor privado sem carteira assinada, trabalhador dom\u00e9stico sem carteira, trabalhador por conta pr\u00f3pria sem CNPJ, empregador sem CNPJ e trabalhador familiar auxiliar \u2014, como propor\u00e7\u00e3o do total de ocupados; o conta pr\u00f3pria sem CNPJ \u00e9 o maior componente isolado dessa informalidade.<\/p>\n<p>19.\u00a0M\u00e9trica mais ampla de ociosidade da for\u00e7a de trabalho, que inclui subocupados e desalentados, al\u00e9m dos desempregados.<\/p>\n<p>20.\u00a0GALV\u00c3O, Andr\u00e9ia; KREIN, Jos\u00e9 Dari; BIAVASCHI, Magda Barros; TEIXEIRA, Marilane Oliveira (Orgs.). Contribui\u00e7\u00e3o cr\u00edtica \u00e0 reforma trabalhista. Campinas: Unicamp\/IE\/Cesit, 2017.<\/p>\n<p>21.\u00a0Trabalhadores por conta pr\u00f3pria, Brasil, 2012\u20132025 (milh\u00f5es \/ % do total de ocupados) \u2014 Fonte: IBGE, PNAD Cont\u00ednua mensal (trimestre m\u00f3vel jan-fev-mar de cada ano), tabela SIDRA 6320: 2012: 20,1 \/ 22,9%. 2013: 20,0 \/ 22,4%. 2014: 20,4 \/ 22,5%. 2015: 21,1 \/ 23,1%. 2016: 22,6 \/ 25,1%. 2017: 21,5 \/ 24,5%. 2018: 22,4 \/ 24,9%. 2019: 23,2 \/ 25,4%. 2020: 23,5 \/ 25,7%. 2021: 23,2 \/ 27,1%. 2022: 24,8 \/ 26,5%. 2023: 24,7 \/ 25,7%. 2024: 24,9 \/ 25,3%. 2025: 25,4 \/ 25,2%.<\/p>\n<p>22.\u00a0Renda real do trabalho principal (R$), compara\u00e7\u00e3o entre o 1\u00ba trimestre de 2012 e o 2\u00ba trimestre de 2022 \u2014 Fonte: IBGE, PNAD Cont\u00ednua trimestral, tabelas SIDRA 5436 (sexo), 6405 (ra\u00e7a\/cor) e 5438 (instru\u00e7\u00e3o), vari\u00e1vel 5933, a pre\u00e7os do per\u00edodo mais recente dispon\u00edvel (a s\u00e9rie tem hiato entre o 2\u00ba trimestre de 2020 e o 1\u00ba de 2022, por mudan\u00e7a na coleta durante a pandemia; 2022 T2 \u00e9 o ponto mais pr\u00f3ximo de \u201c2022\u201d dispon\u00edvel). Por sexo: total 3.011 para 2.987 (-0,8%); homens 3.384 para 3.291 (-2,7%); mulheres 2.469 para 2.577 (+4,4%). Por ra\u00e7a\/cor: pessoas brancas 3.834 para 3.821 (-0,3%); pretas 2.207 para 2.267 (+2,7%); pardas 2.190 para 2.286 (+4,4%). Por instru\u00e7\u00e3o: sem instru\u00e7\u00e3o\/menos de 1 ano 1.213 para 1.335 (+10,1%); fundamental incompleto 1.756 para 1.714 (-2,4%); fundamental completo 2.114 para 1.984 (-6,1%); m\u00e9dio incompleto 1.921 para 1.794 (-6,6%); m\u00e9dio completo 2.711 para 2.320 (-14,4%); superior incompleto 3.538 para 2.974 (-15,9%); superior completo 7.551 para 6.003 (-20,5%).<\/p>\n<p>23. \u00a0Fonte: IBGE, PNAD Cont\u00ednua trimestral, tabela SIDRA 4095.<\/p>\n<p>24.\u00a0Endividamento e comprometimento de renda das fam\u00edlias, 2012\u20132025 (%, valores de dezembro de cada ano) \u2014 Fonte: Banco Central do Brasil, s\u00e9ries temporais SGS 29037 (endividamento acumulado em 12 meses) e 29034 (comprometimento mensal de renda com servi\u00e7o da d\u00edvida): 2012: 38,04 \/ 23,47. 2013: 38,21 \/ 22,68. 2014: 39,24 \/ 23,48. 2015: 40,05 \/ 22,99. 2016: 38,11 \/ 23,22. 2017: 37,22 \/ 22,09. 2018: 39,02 \/ 22,58. 2019: 41,46 \/ 22,65. 2020: 41,78 \/ 21,84. 2021: 49,48 \/ 25,58. 2022: 49,14 \/ 27,57. 2023: 47,75 \/ 25,84. 2024: 48,45 \/ 26,80. 2025: 49,72 \/ 28,12.<\/p>\n<p>25.\u00a0PARTIDO DOS TRABALHADORES. Endividadas, mulheres comprometem or\u00e7amento para colocar comida na mesa. Bras\u00edlia, DF, 2 ago. 2022.<\/p>\n<p>26.\u00a0TRICONTINENTAL: INSTITUTO DE PESQUISA SOCIAL. Hiperimperialismo: um novo est\u00e1gio, decadente e perigoso. Estudos sobre Dilemas Contempor\u00e2neos, n. 4, 23 jan. 2024. Dispon\u00edvel em: thetricontinental.org\/pt-pt\/estudos-sobre-dilemas-contemporaneos-4-hiper-imperialismo\/.<\/p>\n<p>27.\u00a0Fala de M\u00e1rcio Pochmann em mesa de debates realizada durante o XXVI Congresso Brasileiro de Economia, em outubro de 2025.<\/p>\n<p>28.\u00a0Os dez pontos foram sistematizados a partir de debates realizados nos \u00faltimos dez anos no Projeto Brasil Popular, com a participa\u00e7\u00e3o de dirigentes de movimentos populares e sindicais, pesquisadores e especialistas no tema do direito ao trabalho e \u00e0 renda.<\/p>\n<p>29.\u00a0Estudo do economista S\u00e9rgio Wulff Gobetti (pesquisador do Ipea) mostra que as fam\u00edlias mais pobres chegam a comprometer at\u00e9 53% da renda com impostos, contra cerca de 29% entre as mais ricas \u2014 o sistema tribut\u00e1rio brasileiro \u00e9 regressivo. Pedro Souza (coautor de Piketty na rede World Inequality Lab) mostrou que o per\u00edodo mais longo de queda na concentra\u00e7\u00e3o de renda no topo no Brasil foi 1945-1964, revertido justamente quando a ditadura adotou um sistema tribut\u00e1rio mais regressivo.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p>GALV\u00c3O, Andr\u00e9ia; KREIN, Jos\u00e9 Dari; BIAVASCHI, Magda Barros; TEIXEIRA, Marilane Oliveira (Orgs.). Contribui\u00e7\u00e3o cr\u00edtica \u00e0 reforma trabalhista. Campinas: Unicamp\/IE\/Cesit, 2017.MICK, Jacques; NOGUEIRA, Jo\u00e3o Carlos. <b>Viver por conta pr\u00f3pria<\/b>. S\u00e3o Paulo: Funda\u00e7\u00e3o Perseu Abramo, 2023. 244 p. ISBN 978-65-5626-107-2. E-book. Dispon\u00edvel em:<a href=\"https:\/\/fpabramo.org.br\/livro\/viver-por-conta-propria\/\"> https:\/\/fpabramo.org.br\/livro\/viver-por-conta-propria\/<\/a><\/p>\n<p>NUNES, Felipe; TRAUMANN, Thomas. Biografia do abismo: como a polariza\u00e7\u00e3o divide fam\u00edlias, desafia empresas e compromete o futuro do Brasil. S\u00e3o Paulo: HarperCollins Brasil, 2023.<\/p>\n<p>PARTIDO DOS TRABALHADORES. Endividadas, mulheres comprometem or\u00e7amento para colocar comida na mesa. Bras\u00edlia, DF, 2 ago. 2022. Dispon\u00edvel em:<a href=\"https:\/\/pt.org.br\/endividadas-mulheres-comprometem-orcamento-para-colocar-comida-na-mesa\/\"> https:\/\/pt.org.br\/endividadas-mulheres-comprometem-orcamento-para-colocar-comida-na-mesa\/<\/a>. Acesso em: 27 set. 2026.<\/p>\n<p>SINGER, Andr\u00e9. Os sentidos do lulismo: reforma gradual e pacto conservador. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2012.<\/p>\n<p>TRICONTINENTAL: INSTITUTO DE PESQUISA SOCIAL. Hiperimperialismo: um novo est\u00e1gio, decadente e perigoso. Estudos sobre Dilemas Contempor\u00e2neos, n. 4, 23 jan. 2024.<\/p>\n<p>Fonte: Encarando o abismo, disputando o horizonte: classe, trabalho e renda no Brasil | Instituto Tricontinental de Pesquisa Social &#8211; Link da mat\u00e9ria: https:\/\/thetricontinental.org\/pt-pt\/nuestra-america\/encarando-o-abismo-disputando-o-horizonte-classe-trabalho-e-renda-no-brasil\/<\/p>\n<\/section>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Teresa M. Maia de Carvalho; Delana Corazza e Rodrigo Lentz &#8211; O que nos levou \u00e0 atual \u201cpolariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica\u201d e \u00e0 uma \u201ccalcifica\u00e7\u00e3o das identidades pol\u00edticas\u201d? O que est\u00e1 por tr\u00e1s do pragmatismo do eleitorado brasileiro? 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