{"id":25410,"date":"2026-10-01T12:38:03","date_gmt":"2026-10-01T15:38:03","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=25410"},"modified":"2026-09-30T12:41:02","modified_gmt":"2026-09-30T15:41:02","slug":"a-epidemia-de-suicidios-na-argentina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2026\/10\/01\/a-epidemia-de-suicidios-na-argentina\/","title":{"rendered":"A epidemia de suic\u00eddios na Argentina"},"content":{"rendered":"<p><strong>Jorge Elbaum<\/strong> &#8211; Com segunda maior taxa da Am\u00e9rica do Sul, Argentina vive surto de suic\u00eddios. Por tr\u00e1s dos dados, o desmonte das pol\u00edticas sociais, a cultura do isolamento e a austeridade econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>A Argentina atravessa outra pandemia: ela n\u00e3o envolve febre, n\u00e3o \u00e9 combatida com vacinas nem se protege com m\u00e1scaras. Ela avan\u00e7a em ambientes fechados, com sensa\u00e7\u00f5es de vazio e uma letargia que n\u00e3o encontra sa\u00edda. Se a COVID exigiu dist\u00e2ncia, essa realidade clama por proximidade e por uma m\u00e3o estendida. O mapa emocional dessa epidemia tende a situar quem carrega essa tristeza ardente como o int\u00e9rprete solit\u00e1rio de uma ang\u00fastia que tem ramifica\u00e7\u00f5es anteriores, causalidades coletivas e imagin\u00e1rios desolados.<\/p>\n<p>A cada duas horas, algu\u00e9m se suicida no pa\u00eds. Os dados dessa realidade superam a m\u00e9dia mundial e nos interpelam como sociedade para alertar que \u201ca macroeconomia\u201d \u2014 t\u00e3o idolatrada e aparentemente neutra \u2014 tamb\u00e9m cumpre seu papel de horror nas estat\u00edsticas da devasta\u00e7\u00e3o dolosa. Parece inquestion\u00e1vel que as pol\u00edticas econ\u00f4micas, o discurso da crueldade, a doutrina liberticida de \u201cchutar quem j\u00e1 est\u00e1 ca\u00eddo\u201d e o desprezo pelos mais vulner\u00e1veis tamb\u00e9m t\u00eam consequ\u00eancias devastadoras na pele da subjetividade.<\/p>\n<p>Talvez n\u00e3o consigamos perceber, al\u00e9m disso, que o utilitarismo e a aus\u00eancia de esperan\u00e7a v\u00eam acompanhados da reverbera\u00e7\u00e3o da verborragia dist\u00f3pica. E esta \u00faltima, pela naturaliza\u00e7\u00e3o da crueldade que desdobra sua geografia de abismo e sua certeza de extin\u00e7\u00e3o humana. N\u00e3o havia algum indicador que ligasse a queda da natalidade a essa escurid\u00e3o com a qual nos martirizam, apelando para os cantos de sereias taciturnas que apenas entoam m\u00e1s not\u00edcias?<\/p>\n<p>\u00c0 medida que a curva de suic\u00eddios aumenta, n\u00e3o conseguimos perceber a \u00edntima conex\u00e3o que existe entre a retra\u00e7\u00e3o do Estado, o isolamento, a preval\u00eancia de uma imagina\u00e7\u00e3o dist\u00f3pica, a conectividade digital (desencarnada) e a deteriora\u00e7\u00e3o dos la\u00e7os sociais. Quando te desarmam, te excluem do cuidado m\u00fatuo \u2014 que proporciona um colch\u00e3o emocional \u2014 e te privam do apoio comunit\u00e1rio, voc\u00ea fica mais vulner\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso dizer isso. O suic\u00eddio mant\u00e9m uma rela\u00e7\u00e3o particularmente tensa com o futuro. O presente perde seu encanto e sua beleza porque est\u00e1 pendurado em um futuro que s\u00f3 augura mais do mesmo, um quarto sem janelas no qual n\u00e3o se consegue ver a brasa sob a cinza. O suic\u00eddio cresce como uma calamidade silenciosa. Sobretudo entre adolescentes e jovens. Exige que reconhe\u00e7amos sua presen\u00e7a sem simplifica\u00e7\u00f5es, reducionismos nem estigma.<\/p>\n<p>H\u00e1 mais de um s\u00e9culo, o soci\u00f3logo franc\u00eas \u00c9mile Durkheim estudou as causalidades sociais que contribuem para que determinadas pessoas tomem decis\u00f5es desesperadas. Ele exp\u00f4s as raz\u00f5es transversais que contribuem para essas decis\u00f5es tr\u00e1gicas, sem que as pr\u00f3prias v\u00edtimas tenham consci\u00eancia delas. Al\u00e9m disso, demonstrou que as taxas de suic\u00eddio variam de acordo com os n\u00edveis de integra\u00e7\u00e3o ou anomia social. E, por sua vez, com a capacidade que as sociedades t\u00eam de proporcionar um sentido vital poderoso aos seus membros.<\/p>\n<p>Durkheim revelou que existiam grupos sociais mais propensos a tais predisposi\u00e7\u00f5es. Entre eles, os homens. Essa \u00faltima tend\u00eancia continua se manifestando na Argentina atual de forma semelhante ao que ocorria na Fran\u00e7a, no final do s\u00e9culo 19. Que concep\u00e7\u00e3o continua atuando na masculinidade contempor\u00e2nea para que quase 80% das pessoas que cometeram suic\u00eddio em nosso pa\u00eds, em 2025, sejam homens? Quando o soci\u00f3logo franc\u00eas publicou seu trabalho estat\u00edstico-demogr\u00e1fico, em 1897, ficou claro que a faixa et\u00e1ria mais exposta era a dos idosos. E que a taxa diminu\u00eda com a idade: quanto mais jovens, menor a propor\u00e7\u00e3o de suic\u00eddios.<\/p>\n<p>Esses dados s\u00e3o inversos na Argentina atual. Por que os jovens entre 15 e 34 anos s\u00e3o os mais expostos \u00e0 automutila\u00e7\u00e3o? O fato de existirem padr\u00f5es demogr\u00e1ficos nos alerta de que tamb\u00e9m coexistem causalidades sociais associadas \u00e0s subjetivas.<\/p>\n<p>Essa busca por um fim n\u00e3o nasce exclusivamente de uma experi\u00eancia biogr\u00e1fica particular. Tamb\u00e9m existem os outros. Aqueles que internalizamos e aqueles que interagem diariamente conosco nas fam\u00edlias, nas institui\u00e7\u00f5es, na (in)comunica\u00e7\u00e3o digital. Eles nos fizeram acreditar que somos autossuficientes e que todo o caos e a ordem do mundo cabem dentro de n\u00f3s. Isso \u00e9 falso. N\u00e3o nascemos nem crescemos isolados. Algu\u00e9m nos ajudou nos primeiros anos. Algu\u00e9m cuidou de n\u00f3s ou nos protegeu.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o fosse por esses outros, n\u00e3o ter\u00edamos conseguido sobreviver. Pode at\u00e9 ser que essa tarefa tenha sido bem ou mal realizada, mas sem ela n\u00e3o ter\u00edamos passado do primeiro limiar. Esse empurr\u00e3o inicial d\u00e1 in\u00edcio ao que fomos construindo. Depois, cabisbaixos ou sorridentes, cruzamos com dezenas, centenas e milhares de outras pessoas que deixaram luz ou sombra em nossa maneira de estar no mundo.<\/p>\n<p><strong>Somos o que fazemos com o que fizeram de n\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>Quanto menor for o cuidado e a prote\u00e7\u00e3o coletiva, maior ser\u00e1 a possibilidade das pessoas perderem a motiva\u00e7\u00e3o para viver. \u00c9 verdade que o apoio emocional surge como uma condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria, mas n\u00e3o suficiente, para nos proteger diante das diversas prova\u00e7\u00f5es pelas quais passamos na vida. Uma frase atribu\u00edda a Jean-Paul Sartre afirma que \u201csomos o que fazemos com o que fizeram de n\u00f3s\u201d. Isso implica duas vertentes cronol\u00f3gicas entrela\u00e7adas. A primeira refere-se a tudo o que recebemos sem poder escolher: o lugar onde nascemos, o capital social que herdamos, nosso ambiente familiar e a educa\u00e7\u00e3o inicial que recebemos.<\/p>\n<p>Esses s\u00e3o os fatores determinantes com os quais moldamos nosso presente e nosso futuro: a primeira parte da frase de Sartre \u201csomos o que fazemos\u201d. Essa articula\u00e7\u00e3o pressup\u00f5e que a argila inicial \u00e9 diferente. E o que \u201cpodemos fazer\u201d \u00e9 fortemente marcado pelo que recebemos.<\/p>\n<p>Naquilo que \u201cfizeram de n\u00f3s\u201d \u2013 e at\u00e9 mesmo no que continuam fazendo conosco \u2013 h\u00e1 for\u00e7as que sustentam, destroem, enfraquecem ou fortalecem nossa subjetividade: culturas familiares marcadas pelo abuso; precariedades emocionais que nos afundam no medo; marcas de viol\u00eancia n\u00e3o curadas; vulnerabilidades econ\u00f4micas que transformam o presente em um pesadelo; impossibilidades de imaginar o futuro; d\u00edvidas de jogo ou empr\u00e9stimos contra\u00eddos para comprar comida; v\u00edcios; problemas de sa\u00fade mental n\u00e3o tratados a tempo; neglig\u00eancias governamentais que transformam a crueldade em uma forma de orgulho.<\/p>\n<p>Todos esses elementos, ou cada um separadamente, causam um impacto t\u00e3o grande que muitos (e muitas) n\u00e3o conseguem transformar essas afli\u00e7\u00f5es em uma aposta pela vida. \u00c9 verdade que existem outros que \u2014 por meio do trabalho, da poesia, do apoio externo, do amor ou da terapia \u2014 conseguem conter o impacto avassalador de certos golpes. Mas vamos culpar quem n\u00e3o consegue, quem sofre, quem n\u00e3o conseguiu sair do confinamento em que percebe sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria? Vamos abandon\u00e1-lo com uma revitimiza\u00e7\u00e3o que o torna respons\u00e1vel por seu sofrimento encarnado?<\/p>\n<p>As dores t\u00eam origens diversas. Longas depress\u00f5es n\u00e3o tratadas, lutos n\u00e3o superados, v\u00edcios que prometiam al\u00edvio e acabaram alienando, marcas antigas sem cura, fam\u00edlias e escolas que dizem proteger, mas que, na verdade, destroem, sistemas de sa\u00fade mental sobrecarregados, sem financiamento ou distantes. Falar do social n\u00e3o apaga o \u00edntimo: integra-o e complementa-o. Pois cada exist\u00eancia \u00e9 uma trama de corpo, mem\u00f3ria, la\u00e7os, hist\u00f3ria, economia e comunidade.<\/p>\n<p>N\u00e3o sabemos ao certo se algu\u00e9m est\u00e1 lendo estas linhas de um quarto fechado, remoendo seu mart\u00edrio por n\u00e3o encontrar outra sa\u00edda. Nesse ref\u00fagio interno, \u00e0 beira de sua sombra, um n\u00f3 repete em solid\u00e3o seu segredo \u00edntimo sem futuro. Em muitas ocasi\u00f5es, aqueles que pensam em p\u00f4r fim \u00e0 pr\u00f3pria exist\u00eancia v\u00e3o se desconectando progressivamente da rede afetiva. N\u00e3o acreditam que algu\u00e9m possa ajud\u00e1-los porque est\u00e3o convencidos de que tudo se decide em seu interior. \u00c9 a\u00ed que faltamos.<\/p>\n<p>Onde nossa aus\u00eancia se torna evidente porque n\u00e3o sabemos como pronunciar as s\u00edlabas de seus fantasmas. Ou porque n\u00e3o conseguimos unir a \u00e9tica do cuidado \u00e0 responsabilidade e \u00e0 delicadeza que toda vida atormentada merece. Esse sufoco se aprofunda, al\u00e9m disso, quando se omitem \u2014 na agenda social p\u00fablica \u2014 os exemplos de coragem; as hist\u00f3rias de amizades inabal\u00e1veis; a nobreza da dedica\u00e7\u00e3o militante; a beleza curativa da natureza e as m\u00faltiplas formas vivas de companheirismo e dedica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>L\u00e1 fora caminham parentes, amigos e companheiros que percebem sua exist\u00eancia como uma experi\u00eancia infeliz. E, al\u00e9m disso, vivem seu sofrimento em um clima onde n\u00e3o abundam relatos coletivos de esperan\u00e7a. O contexto entrela\u00e7a a subjetividade da dor com o abandono do cuidado social organizado. A isso se soma a propaga\u00e7\u00e3o cont\u00ednua de distopias e um murm\u00fario persistente que costuma celebrar a crueldade e impor o des\u00e2nimo.<\/p>\n<p>Dada a generaliza\u00e7\u00e3o dessa pandemia, \u00e9 poss\u00edvel que, perto de n\u00f3s, existam pessoas que estejam passando por esse pesadelo. Talvez tenham dificuldade para respirar. Mas, mesmo nessa sufocamento, h\u00e1 um fio de oxig\u00eanio que afirma que a hist\u00f3ria delas n\u00e3o est\u00e1 encerrada. Pode estar mutilada, mas ainda guarda ar suficiente para dizer que precisa de ajuda.<\/p>\n<p>H\u00e1 momentos em que o calend\u00e1rio pesa como uma pedra e o corpo se torna uma casa sem janelas. Nesses momentos, a mente repete uma senten\u00e7a escrita pelo sofrimento. Nesse momento, os discursos moralistas n\u00e3o ajudam: \u00e9 preciso um sil\u00eancio compartilhado, uma m\u00e3o morna, uma voz que n\u00e3o profira serm\u00f5es. Basta uma presen\u00e7a compreensiva. Uma proximidade, mesmo que silenciosa.<\/p>\n<p>Henri Bergson chamou de \u00e9lan vital o impulso misterioso que atravessa tudo o que respira. Esse impulso perde vigor quando uma sensa\u00e7\u00e3o de fracasso, transformada em uma tela autom\u00e1tica de infort\u00fanios, come\u00e7a a pesar toneladas. A vitalidade sempre precisa de um sentido. Uma ilus\u00e3o poderosa que aspira e deseja. Uma for\u00e7a que inventa caminhos mesmo quando as trilhas est\u00e3o alagadas, que funciona como um farol, mas que privilegia a jornada em detrimento do destino. Konstantin Kavafis transmitiu essa disposi\u00e7\u00e3o em um poema escrito no final do s\u00e9culo 19, intitulado \u201c\u00cdtaca\u201d. Essa jornada, que transforma o trajeto na parte essencial da viagem, nem sempre segue em linha reta. Implica cair e n\u00e3o se realiza com sapatos limpos.<\/p>\n<p>Baruch Spinoza sabia que a tristeza nos tira a for\u00e7a, diminui nosso ritmo, rouba-nos a possibilidade de agir. Jauretche, com sua sabedoria da terra e da esquina, traduziu isso para o espanhol portenho: as oligarquias preferem povos entristecidos, corpos isolados, almas exaustas. Por isso, falar de suic\u00eddio n\u00e3o pode se reduzir a uma cena privada: tamb\u00e9m nos obriga a nos perguntar quais formas de abandono, precariedade e brutalidade social est\u00e3o erguendo muros ao redor da esperan\u00e7a. Devemos observar, al\u00e9m disso, que abundam as observa\u00e7\u00f5es que associam a fragilidade \u00e0 culpa e o cansa\u00e7o \u00e0 vergonha. As li\u00e7\u00f5es mundanas de um estoicismo \u2014 rebaixado a manual de autoajuda \u2014 que insiste em qualificar o \u201cn\u00e3o aguento mais\u201d como uma falha da matriz privada. N\u00e3o \u00e9 crime estar abatido.<\/p>\n<p>Precisamos popularizar a possibilidade de ligar para uma linha de apoio, procurar um pronto-socorro, um centro de sa\u00fade, uma escola ou uma organiza\u00e7\u00e3o do bairro. N\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rias palavras perfeitas: basta dizer \u201cn\u00e3o aguento mais\u201d para que \u2014 do outro lado \u2014 surja alguma forma de apoio. A ternura pode ser uma p\u00e1tria port\u00e1til. Chorar a dois dilui o desespero. Faz com que o peso da afli\u00e7\u00e3o seja repartido, que o sinal saia do buraco e se transforme em passagem. N\u00e3o h\u00e1 contradi\u00e7\u00e3o entre estar quebrado e buscar os outros. \u00c0s vezes, o fio que salva come\u00e7a exatamente ali: em mostrar a rachadura e permitir que outra pessoa entre para alarg\u00e1-la, para deixar entrar um pouco mais de luz.<\/p>\n<p>Precisamos uns dos outros nessa tarefa porque somos necess\u00e1rios. Precisamos uns dos outros em dias nublados e noites desoladas. Com sil\u00eancios e talvez sem perguntas. Ningu\u00e9m volta do precip\u00edcio por obedecer a uma ordem de fortaleza. Volta-se com os outros: com uma amiga que escuta sem julgar, com um professor que percebe um sinal, com uma m\u00e9dica que coloca a m\u00e3o no ombro, com um clube que acende as luzes de seu quadriculado para convid\u00e1-lo a jogar, com uma pol\u00edtica p\u00fablica sustent\u00e1vel, com or\u00e7amento, preven\u00e7\u00e3o, tratamento e acompanhamento. Isso se constr\u00f3i em comunidade. Acompanhar n\u00e3o \u00e9 ter todas as respostas: \u00e9 estar por perto; afastar perigos imediatos, insistir com delicadeza, acompanhar com a presen\u00e7a pr\u00f3xima e\/ou dar apoio at\u00e9 que os profissionais cheguem.<\/p>\n<p>O suic\u00eddio tamb\u00e9m deve ser entendido como uma interroga\u00e7\u00e3o coletiva. Precisamos reivindicar novamente espa\u00e7os onde a exist\u00eancia e o cotidiano sejam invocados pelo nome e n\u00e3o sejam associados ao isolamento das redes sociais, ao egocentrismo, \u00e0 competi\u00e7\u00e3o ou \u00e0 guerra de todos contra todos. A vida, quando d\u00f3i tanto, precisa de testemunhas amorosas. Toda desola\u00e7\u00e3o merece e exige companhia.<\/p>\n<p><em><b>(*) Jorge Elbaum<\/b> \u00e9 soci\u00f3logo, doutor em Ci\u00eancias Econ\u00f4micas, analista s\u00eanior do Centro Latino-Americano de An\u00e1lise Estrat\u00e9gica (CLAE,<a href=\"http:\/\/www.estrategia.la\/\" rel=\"noopener\"> www.estrategia.la<\/a>)<\/em><\/p>\n<p>Fonte: A epidemia de suic\u00eddios na Argentina &#8211; Revista Opera &#8211; Link da mat\u00e9ria: https:\/\/revistaopera.operamundi.uol.com.br\/2026\/09\/28\/a-epidemia-de-suicidios-na-argentina\/<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jorge Elbaum &#8211; Com segunda maior taxa da Am\u00e9rica do Sul, Argentina vive surto de suic\u00eddios. Por tr\u00e1s dos dados, o desmonte das pol\u00edticas sociais, a cultura do isolamento e a austeridade econ\u00f4mica. 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