{"id":25286,"date":"2026-07-25T12:57:24","date_gmt":"2026-07-25T15:57:24","guid":{"rendered":"https:\/\/controversia.com.br\/?p=25286"},"modified":"2026-07-24T09:01:02","modified_gmt":"2026-07-24T12:01:02","slug":"ultradireita-as-raizes-da-seducao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/controversia.com.br\/pt\/2026\/07\/25\/ultradireita-as-raizes-da-seducao\/","title":{"rendered":"Ultradireita: as ra\u00edzes da sedu\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><strong>Fabr\u00edcio Maciel<\/strong> &#8211; Novo livro analisa as ambival\u00eancias no cora\u00e7\u00e3o do autoritarismo. Frente a um sistema que corroi la\u00e7os solid\u00e1rios e descarta vidas, emergem rancores, at\u00e9 contra a democracia. Mas h\u00e1 outra face: o anseio da popula\u00e7\u00e3o por alternativas pol\u00edticas.<\/p>\n<p>O autoritarismo \u00e9, sem d\u00favida, um dos grandes temas da atualidade. Ao lado de outras formas de opress\u00e3o como a classe, a ra\u00e7a e o g\u00eanero, com as quais se articula diretamente, o autoritarismo se tornou uma das principais bases de conforma\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, pol\u00edtica, cultural, moral e simb\u00f3lica das sociedades contempor\u00e2neas. N\u00e3o por acaso, ele se encontra na agenda tanto de acad\u00eamicos das ci\u00eancias sociais e humanas como um todo, como da esfera p\u00fablica e das discuss\u00f5es dos movimentos sociais. Sendo assim, o tema do autoritarismo n\u00e3o \u00e9, em princ\u00edpio, nenhuma novidade.<\/p>\n<p>Como se sabe, uma ampla literatura sobre o tema j\u00e1 foi produzida, tanto no cen\u00e1rio internacional quanto no brasileiro, o que exige do pesquisador um foco acurado, de modo a identificar as principais obras publicadas e discuss\u00f5es realizadas sobre o autoritarismo contempor\u00e2neo. A prop\u00f3sito, escrever mais um livro sobre o tema corre o s\u00e9rio risco de \u201cchover no molhado\u201d, para dizer o m\u00ednimo. Outra dificuldade \u00e9 a enxurrada de informa\u00e7\u00f5es falsas que se produz diariamente no mundo virtual sobre os grandes temas da vida pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Mesmo assim, a ci\u00eancia social de qualidade n\u00e3o pode fugir do desafio de reconstruir constantemente as grandes quest\u00f5es da atualidade, de modo a tentar dar conta de sua din\u00e2mica cada vez mais acelerada. Assim, o prop\u00f3sito central deste livro \u00e9 realizar uma reconstru\u00e7\u00e3o te\u00f3rica sobre o tema do autoritarismo em suas conforma\u00e7\u00f5es atuais, buscando dar conta de alguns de seus aspectos centrais e, a partir disso, contribuir para a tentativa de encontrar uma luz no fim do t\u00fanel. Trata-se, obviamente, de tarefa nada f\u00e1cil.<\/p>\n<p>Minha tese central \u00e9 que o autoritarismo contempor\u00e2neo se conforma como um fen\u00f4meno ambivalente, na medida em que desafia e amea\u00e7a seriamente os valores e as institui\u00e7\u00f5es centrais da democracia liberal, ao mesmo tempo em que representa algumas das necessidades e anseios mais leg\u00edtimos de grande parte da popula\u00e7\u00e3o global. Na primeira dimens\u00e3o, a pr\u00f3pria ideia de liberdade, enquanto valor central da modernidade, tem sido talvez a mais distorcida de todas, sacrificada no altar da loucura autorit\u00e1ria. Como veremos, alguns autores atuais oferecem elementos te\u00f3ricos importantes para a compreens\u00e3o desta distor\u00e7\u00e3o. N\u00e3o por acaso, a ideia de liberdade surge tanto na literatura quanto no senso comum como uma das mais ambivalentes de toda a modernidade.<\/p>\n<p>Na segunda dimens\u00e3o, o que boa parte da literatura atualizada tem mostrado \u00e9 que uma grande fra\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o global simplesmente n\u00e3o se identifica com as elites pol\u00edticas de seu tempo, n\u00e3o se sentindo representada por elas. Esta pode ser uma afirma\u00e7\u00e3o muito ampla e vaga, se n\u00e3o buscarmos aqui algumas precis\u00f5es. Existem pessoas que simplesmente falam mal da pol\u00edtica por falar. Outras expressam seus sentimentos sem estarem devidamente informadas sobre os fatos pol\u00edticos de seu tempo. Mas a quest\u00e3o que parece mais relevante \u00e9 a de que as elites pol\u00edticas perderam a capacidade de representa\u00e7\u00e3o e conex\u00e3o com a massa da popula\u00e7\u00e3o como um todo, e isso independente de partido ou orienta\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica. Podemos dizer, assim, que existe hoje uma disson\u00e2ncia estrutural entre o campo pol\u00edtico e a sociedade em sua totalidade.<\/p>\n<p>De modo a pavimentar um caminho te\u00f3rico plaus\u00edvel para esta discuss\u00e3o, compreendo o autoritarismo contempor\u00e2neo como formas de pensar, agir e sentir, inspirado na cl\u00e1ssica defini\u00e7\u00e3o de Durkheim sobre os fatos sociais<sup><a id=\"sdendnote1anc\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fcrise-civilizatoria%2Fultradireita-as-raizes-da-seducao%2F#sdendnote1sym\">i<\/a><\/sup>. Al\u00e9m de pensar em contradi\u00e7\u00f5es de regimes pol\u00edticos ou governos espec\u00edficos, a ci\u00eancia social precisa tematizar as formas de autoritarismo mais b\u00e1sicas, que se conformam no dia a dia de pessoas comuns, cujas hist\u00f3rias de vida s\u00e3o escritas exatamente sob o signo da ambival\u00eancia. Esta me parece ser a tradi\u00e7\u00e3o de pensamento iniciada por Adorno e levada a cabo por v\u00e1rias autoras e autores atuais, como veremos.<\/p>\n<p>Como pano de fundo geral, considero que o aprofundamento do autoritarismo contempor\u00e2neo, em toda a sua ambival\u00eancia, se deve ao surgimento, desde a d\u00e9cada de 1970, em escala global, de um tipo novo de capitalismo, que tenho definido como \u201cindigno\u201d<sup><a id=\"sdendnote2anc\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fcrise-civilizatoria%2Fultradireita-as-raizes-da-seducao%2F#sdendnote2sym\">ii<\/a><\/sup>. Com este conceito, procuro ressaltar que o principal produto deste tipo de capitalismo \u00e9 a naturaliza\u00e7\u00e3o do desvalor da vida humana em sua totalidade, o que afeta especialmente as classes populares. Com o fracasso do\u00a0<em>Welfare State<\/em>\u00a0no Atl\u00e2ntico Norte como um todo, o qual n\u00e3o conseguiu, ao longo da hist\u00f3ria, cumprir com suas promessas de inclus\u00e3o, igualdade e justi\u00e7a social, ou seja, a promessa de um capitalismo \u201cdigno\u201d, ficou claro que o sistema capitalista nunca vai alcan\u00e7ar tais metas de maneira significativa em nenhum lugar do mundo. Antes disso, ach\u00e1vamos tratar-se de um problema espec\u00edfico de sociedades perif\u00e9ricas como a brasileira, as quais deveriam apenas seguir o caminho das sociedades bem-sucedidas do Atl\u00e2ntico Norte, no sentido de construir um capitalismo social e justo. Agora, atrav\u00e9s do processo hist\u00f3rico definido por Ulrich Beck como \u201cbrasiliza\u00e7\u00e3o do Ocidente\u201d e por Robert Castel como o \u201cfim da sociedade salarial\u201d<sup><a id=\"sdendnote3anc\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fcrise-civilizatoria%2Fultradireita-as-raizes-da-seducao%2F#sdendnote3sym\">iii<\/a><\/sup>, n\u00e3o resta d\u00favidas de que o capitalismo indigno \u00e9 uma realidade global incontorn\u00e1vel e a raiz de todos os nossos problemas sociais e pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Neste livro, entretanto, eu gostaria de voltar atr\u00e1s na hist\u00f3ria, retomando, como dito acima, as discuss\u00f5es cl\u00e1ssicas sobre o Fascismo e a sociedade totalit\u00e1ria no s\u00e9culo XX como ponto de partida. Tais discuss\u00f5es n\u00e3o ignoram, naturalmente, as contradi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, econ\u00f4micas e culturais do capitalismo avan\u00e7ado j\u00e1 na primeira metade do s\u00e9culo XX enquanto pano de fundo para o florescimento de formas de pensar, agir e sentir autorit\u00e1rias. N\u00e3o por acaso, a famosa frase de Horkheimer \u201cQuem n\u00e3o quer falar de capitalismo deveria calar-se sobre o fascismo\u201d<sup><a id=\"sdendnote4anc\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fcrise-civilizatoria%2Fultradireita-as-raizes-da-seducao%2F#sdendnote4sym\">iv<\/a><\/sup>, sintetiza perfeitamente todo o movimento intelectual da primeira gera\u00e7\u00e3o de frankfurtianos. N\u00e3o poder\u00edamos ter outro ponto de partida mais produtivo para esta discuss\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim, inicio minha reconstru\u00e7\u00e3o te\u00f3rica a partir de alguns autores e obras cl\u00e1ssicos da primeira gera\u00e7\u00e3o de frankfurtianos. Como se sabe, a Escola de Frankfurt nos lega o que h\u00e1 de melhor no que diz respeito a an\u00e1lises sobre o fascismo cl\u00e1ssico e a sociedade totalit\u00e1ria. A primeira parte do livro, intitulada \u201cInterpreta\u00e7\u00f5es cl\u00e1ssicas sobre o Fascismo e a sociedade totalit\u00e1ria\u201d \u00e9 composta por uma revis\u00e3o de algumas das principais obras de Theodor Adorno, Erich Fromm e Herbert Marcuse, al\u00e9m da incontorn\u00e1vel discuss\u00e3o de Hannah Arendt sobre o tema.<\/p>\n<p>No caso de Adorno, sua an\u00e1lise sobre a personalidade autorit\u00e1ria, escrita com colaboradores, continua sendo a principal refer\u00eancia para boa parte dos pesquisadores que estudei at\u00e9 aqui.<sup>\u00a0<a id=\"sdendnote5anc\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fcrise-civilizatoria%2Fultradireita-as-raizes-da-seducao%2F#sdendnote5sym\">v<\/a><\/sup>As festividades e cr\u00edticas em torno do centen\u00e1rio da Escola de Frankfurt, em 2023, chamaram a aten\u00e7\u00e3o para a atualidade e vitalidade da teoria cr\u00edtica no cen\u00e1rio global recente. No que diz respeito a este cl\u00e1ssico estudo, seu aspecto mais fundamental \u00e9 que a personalidade autorit\u00e1ria pode se conformar em n\u00edveis distintos, de acordo com a hist\u00f3ria de vida de cada indiv\u00edduo, o que sugere uma grande complexidade em suas investiga\u00e7\u00f5es. Para meus objetivos aqui, \u00e9 de fundamental import\u00e2ncia compreender, sobretudo, que a personalidade autorit\u00e1ria tem ra\u00edzes propriamente sociais, o que contraria qualquer cr\u00edtica a um suposto subjetivismo ou psicologismo do estudo. Tamb\u00e9m \u00e9 central entender que tal tipo de personalidade \u00e9 gestado, ao longo do s\u00e9culo XX, de dentro das sociedades democr\u00e1ticas ocidentais, fazendo parte de sua forma\u00e7\u00e3o cultural mais profunda.<\/p>\n<p>O segundo autor analisado aqui ser\u00e1 Erich Fromm. Resgatar sua obra \u00e9 de sua import\u00e2ncia, considerando que ele saiu do card\u00e1pio nos Estados Unidos e no Brasil, bem como em outros pa\u00edses, nas \u00faltimas d\u00e9cadas. Veremos como, para o autor, a quest\u00e3o da liberdade surge de maneira central, quando ele vai mostrar que o principal problema dos modernos \u00e9 exatamente n\u00e3o saber lidar com sua liberdade conquistada, ap\u00f3s se virem livres das amarras sociais que os mantinham atados a elos fortes nas sociedades tradicionais. A partir disso, reconstruiremos sua bel\u00edssima an\u00e1lise sobre o que ele chamou de \u201cpsicologia do nazismo\u201d, de modo a buscar seus paralelos com a atualidade.<sup><a id=\"sdendnote6anc\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fcrise-civilizatoria%2Fultradireita-as-raizes-da-seducao%2F#sdendnote6sym\">vi<\/a><\/sup><\/p>\n<p>O terceiro frankfurtiano cl\u00e1ssico revisitado ser\u00e1 Herbert Marcuse. O autor lan\u00e7a as bases para a compreens\u00e3o de uma sociedade tecnocr\u00e1tica totalizante, que sufoca n\u00e3o apenas os indiv\u00edduos, mas tamb\u00e9m poda na base a capacidade de cr\u00edtica e autocr\u00edtica da sociedade moderna como um todo. Com isso, fica clara a grande contradi\u00e7\u00e3o de tais sociedades, que prometem realiza\u00e7\u00e3o e bem-estar, na medida em que destroem a possibilidade de se vislumbrar um outro mundo realiz\u00e1vel (da\u00ed o sentido do unidimensional), fazendo com que se aceite como \u00fanica poss\u00edvel a liberdade limitada imposta pelo sistema tecnocr\u00e1tico.<sup><a id=\"sdendnote7anc\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fcrise-civilizatoria%2Fultradireita-as-raizes-da-seducao%2F#sdendnote7sym\">vii<\/a><\/sup><\/p>\n<p>Fechando a primeira parte do livro, recorro \u00e0 tamb\u00e9m cl\u00e1ssica reflex\u00e3o de Hannah Arendt. A autora vai concordar com os frankfurtianos em v\u00e1rios aspectos como, por exemplo, a import\u00e2ncia da propaganda na constru\u00e7\u00e3o do totalitarismo<sup><a id=\"sdendnote8anc\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fcrise-civilizatoria%2Fultradireita-as-raizes-da-seducao%2F#sdendnote8sym\">viii<\/a><\/sup>, o que nos remete a aspectos atuais desta discuss\u00e3o. Al\u00e9m disso, a perspectiva de que as sociedades ocidentais no s\u00e9culo XX n\u00e3o conseguem ver sa\u00eddas para seus principais dilemas (o que seria, no limite o sentido da utopia), o que ser\u00e1 decisivo para a gesta\u00e7\u00e3o de movimentos e governos autorit\u00e1rios, tamb\u00e9m \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o compartilhada, por exemplo, por Fromm e Marcuse.<\/p>\n<p>Na segunda parte, entraremos em alguns dos principais debates sobre o autoritarismo contempor\u00e2neo no plano internacional. Come\u00e7aremos pela an\u00e1lise de Carolin Amlinger e Oliver Nachtwey realizada no contexto alem\u00e3o atual. Baseados em uma pesquisa com indiv\u00edduos que se percebem como \u201calternativos\u201d e simpatizantes do AfD, os autores mostraram como uma no\u00e7\u00e3o distorcida de liberdade \u00e9 mobilizada pelo que definem como autoritarismo libert\u00e1rio. Sua compreens\u00e3o central no livro \u00e9 a de que a grande contradi\u00e7\u00e3o de certos movimentos de direita \u00e9 que eles realizam protestos que se dizem contra os fundamentos da sociedade moderna tardia, mas que se fundamentam exatamente em nome de alguns de seus valores centrais como a soberania individual e a autodetermina\u00e7\u00e3o.<sup><a id=\"sdendnote9anc\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fcrise-civilizatoria%2Fultradireita-as-raizes-da-seducao%2F#sdendnote9sym\">ix<\/a><\/sup><\/p>\n<p>Al\u00e9m deles, a soci\u00f3loga israelense Eva Illouz realizou recentemente um estudo no qual procura compreender a especificidade da escalada autorit\u00e1ria em Israel. Sobre este tema obviamente pol\u00eamico, uma das percep\u00e7\u00f5es centrais da autora \u00e9 que existe um ac\u00famulo profundo de ressentimento naquele contexto, que ser\u00e1 manipulado pela escalada populista de Netanyahu. Al\u00e9m disso, a autora dedica no livro boa parte de seu repert\u00f3rio acumulado de uma sociologia das emo\u00e7\u00f5es para explicar as contradi\u00e7\u00f5es do cen\u00e1rio pol\u00edtico contempor\u00e2neo<a href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fcrise-civilizatoria%2Fultradireita-as-raizes-da-seducao%2F#_bookmark9\">.<\/a><sup><a id=\"sdendnote10anc\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fcrise-civilizatoria%2Fultradireita-as-raizes-da-seducao%2F#sdendnote10sym\">x<\/a><\/sup><\/p>\n<p>Outro soci\u00f3logo alem\u00e3o, Wilhelm Heitmeyer, um dos maiores analistas do autoritarismo em seu pa\u00eds e autor de vasta obra pouco conhecida no Brasil, tamb\u00e9m apresenta uma contribui\u00e7\u00e3o de grande valia para este debate. O autor vai mostrar como um novo tipo de capitalismo autorit\u00e1rio se conforma na Alemanha desde a d\u00e9cada de 2000, se tornando a base para a fratura dos elos sociais sustentados pela democracia.<\/p>\n<p>Este ser\u00e1 o pano de fundo central do que o autor vem chamando de tenta\u00e7\u00f5es autorit\u00e1rias<a href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fcrise-civilizatoria%2Fultradireita-as-raizes-da-seducao%2F#_bookmark10\">.<\/a><sup><a id=\"sdendnote11anc\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fcrise-civilizatoria%2Fultradireita-as-raizes-da-seducao%2F#sdendnote11sym\">xi<\/a><\/sup><\/p>\n<p>No cen\u00e1rio ingl\u00eas, os cientistas pol\u00edticos Roger Eatwell e Matthew Goodwin v\u00e3o mostrar que os fundamentos do que definem como \u201cnacional populismo\u201d atual n\u00e3o s\u00e3o novos, nos remetendo h\u00e1 d\u00e9cadas de contradi\u00e7\u00f5es do Ocidente. Um dos movimentos centrais de sua an\u00e1lise consiste em perceber que a atual extrema direita procura dar voz a pessoas que se sentem exclu\u00eddas do sistema pol\u00edtico como um todo, o que complica a leitura de uma extrema direita perversa, como se fosse apenas o outro negativo de grupos pol\u00edticos progressistas ou de esquerda<a href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fcrise-civilizatoria%2Fultradireita-as-raizes-da-seducao%2F#_bookmark11\">.<\/a><sup><a id=\"sdendnote12anc\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fcrise-civilizatoria%2Fultradireita-as-raizes-da-seducao%2F#sdendnote12sym\">xii<\/a><\/sup><\/p>\n<p>No cen\u00e1rio franc\u00eas, o historiador Enzo Traverso procurou ressaltar a import\u00e2ncia do recorte hist\u00f3rico para a compreens\u00e3o dos movimentos autorit\u00e1rios contempor\u00e2neos. Uma de suas contribui\u00e7\u00f5es centrais para o debate \u00e9 mostrar a diferen\u00e7a entre neofascismo e p\u00f3s-fascismo. Enquanto o primeiro termo se refere a grupos muito espec\u00edficos que evocam para si algum tipo de linhagem com o fascismo cl\u00e1ssico, o p\u00f3s-fascismo caracterizaria melhor os movimentos atuais da extrema direita, considerando suas diferen\u00e7as essenciais em rela\u00e7\u00e3o ao fascismo cl\u00e1ssico.<sup><a id=\"sdendnote13anc\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fcrise-civilizatoria%2Fultradireita-as-raizes-da-seducao%2F#sdendnote13sym\">xiii<\/a><\/sup><\/p>\n<p>No \u00e2mbito das discuss\u00f5es latino-americanas, o jornalista e historiador argentino Pablo Stefanoni vem realizando an\u00e1lises bastantes contundentes. Para ele, a esquerda nas \u00faltimas d\u00e9cadas teria se tornado defensiva, escondida na normatividade do politicamente correto, se deslocando assim gradativamente de sua tradicional imagem de rebeldia, desobedi\u00eancia e transgress\u00e3o. Com isso, ele alerta para a necessidade de se prestar mais aten\u00e7\u00e3o \u00e0s direitas, em suas diferentes vers\u00f5es, considerando como elas influenciam as novas gera\u00e7\u00f5es e, o mais importante, levando suas ideias a s\u00e9rio.<sup><a id=\"sdendnote14anc\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fcrise-civilizatoria%2Fultradireita-as-raizes-da-seducao%2F#sdendnote14sym\">xiv<\/a><\/sup><\/p>\n<p>De volta ao contexto alem\u00e3o, os soci\u00f3logos Steffen Mau, Thomas Lux e Linus Westheuser desenvolveram recentemente uma forte cr\u00edtica a tese dominante da polariza\u00e7\u00e3o social. Para os autores, as sociedades contempor\u00e2neas s\u00e3o atravessadas por distintas formas de desigualdade, que determinam diversos pontos de dissenso e conflito entre as diversas classes e grupos sociais, o que embaralha a imagem de uma sociedade dividida em dois grupos bem claros que discordem entre si sobre uma s\u00e9rie de quest\u00f5es de maneira totalmente n\u00edtida (como se o Brasil fosse claramente dividido entre bolsonaristas e lulistas com opini\u00f5es claras e inconcili\u00e1veis sobre os principais assuntos da sociedade brasileira atual, por exemplo).<sup><a id=\"sdendnote15anc\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fcrise-civilizatoria%2Fultradireita-as-raizes-da-seducao%2F#sdendnote15sym\">xv<\/a><\/sup><\/p>\n<p>Por fim, Ruy Braga situa-se nesta discuss\u00e3o internacional, por ter realizado uma pesquisa nos Estados Unidos, na regi\u00e3o dos Montes Apalaches. Ali o autor procurou entender o atual cen\u00e1rio de precariedade, bem como a rea\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora oferecendo muito mais solidariedade a seus membros do que \u00f3dio e desesperan\u00e7a. Assim, Braga tem criticado a tese dominante do \u201c\u00f3dio branco\u201d. Com isso, ele contribui para a an\u00e1lise do elo entre precariedade, autoritarismo e racismo.<a id=\"sdendnote16anc\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fcrise-civilizatoria%2Fultradireita-as-raizes-da-seducao%2F#sdendnote16sym\"><sup>xvi<\/sup><\/a>Esta an\u00e1lise \u00e9 importante para compreendermos a base material de transforma\u00e7\u00e3o do capitalismo atual, sendo o ocaso da sociedade do trabalho um elemento central para o advento do autoritarismo contempor\u00e2neo.<\/p>\n<p>Na terceira e \u00faltima parte do livro, entraremos em algumas das principais discuss\u00f5es sobre o autoritarismo no Brasil de hoje. Nosso objetivo ser\u00e1 tentar mapear em que medida nossos principais autores tem conseguido dar conta de algumas das principais quest\u00f5es sobre o tema e em que medida ainda se encontram presos em nosso \u201cnacionalismo metodol\u00f3gico\u201d.<\/p>\n<p>O primeiro autor a ser analisado aqui ser\u00e1 Jo\u00e3o Cezar de Castro Rocha. Ele \u00e9 hoje sem d\u00favida um dos maiores analistas da din\u00e2mica do bolsonarismo, tendo acertado em muitas quest\u00f5es, mas tamb\u00e9m deixado algumas lacunas interessantes. A principal delas diz respeito ao seu uso do conceito de \u201cdisson\u00e2ncia cognitiva\u201d.<a id=\"sdendnote17anc\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fcrise-civilizatoria%2Fultradireita-as-raizes-da-seducao%2F#sdendnote17sym\"><sup>xvii<\/sup><\/a>Para o autor, este fen\u00f4meno diz respeito exclusivamente aos c\u00edrculos bolsonaristas e suas t\u00e1ticas de guerra no mundo virtual. A quest\u00e3o que de imediato pode ser levantada \u00e9 se tal l\u00f3gica de a\u00e7\u00e3o n\u00e3o se aplicaria tamb\u00e9m a alguns grupos de esquerda, igualmente agressivos e desrespeitosos diante de qualquer discord\u00e2ncia te\u00f3rica e pol\u00edtica. Outro questionamento importante aqui \u00e9 se a disson\u00e2ncia cognitiva n\u00e3o se aplica de alguma forma a toda a sociedade contempor\u00e2nea. Um dos principais pontos de discuss\u00e3o para boa parte da literatura sobre autoritarismo hoje aponta, por exemplo, para um distanciamento entre as elites pol\u00edticas e a popula\u00e7\u00e3o como um todo, o que poder\u00edamos considerar tamb\u00e9m como uma forma de disson\u00e2ncia.<\/p>\n<p>O segundo autor analisado ser\u00e1 Jess\u00e9 Souza. Assim como Rocha, Souza \u00e9 hoje um dos principais autores a praticar uma sociologia p\u00fablica no Brasil. Com o provocativo conceito de \u201cpobre de direita\u201d, ele chamou a aten\u00e7\u00e3o para dois tipos ideais da sociedade brasileira, o branco pobre do sul do pa\u00eds e o negro evang\u00e9lico, enquanto suportes sociais indispens\u00e1veis ao fortalecimento recente da extrema direita no Brasil. Para o autor, uma quest\u00e3o central consiste em compreender por que tais perfis de pessoas oprimidas se identificaram fortemente com seu opressor expl\u00edcito, o que teria fundamentos em sua condi\u00e7\u00e3o de n\u00e3o reconhecimento e humilha\u00e7\u00e3o cotidianas.<sup><a id=\"sdendnote18anc\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fcrise-civilizatoria%2Fultradireita-as-raizes-da-seducao%2F#sdendnote18sym\">xviii<\/a><\/sup><\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia, reconstruo uma an\u00e1lise dos cientistas pol\u00edticos Christian Lynch e Paulo Henrique Cassimiro, que buscam utilizar o pol\u00eamico e ambivalente conceito de populismo de modo objetivo. Para eles, pode-se utilizar o conceito para qualificar uma dimens\u00e3o de um ciclo pol\u00edtico aberto desde a crise do liberalismo democr\u00e1tico, ocasionada pela ressaca da globaliza\u00e7\u00e3o iniciada na d\u00e9cada de 1980. Com isso, os autores designam como \u201cpopulismo\u201d um estilo de fazer pol\u00edtica t\u00edpico de ambientes democr\u00e1ticos ou de massa, que seria praticado por alguma lideran\u00e7a carism\u00e1tica e reivindicaria a representa\u00e7\u00e3o de uma maioria contra o restante da sociedade<a href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fcrise-civilizatoria%2Fultradireita-as-raizes-da-seducao%2F#_bookmark18\">.<\/a><sup><a id=\"sdendnote19anc\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fcrise-civilizatoria%2Fultradireita-as-raizes-da-seducao%2F#sdendnote19sym\">xix<\/a><\/sup><\/p>\n<p>Outra discuss\u00e3o importante no debate brasileiro atual foi realizada por Felipe Nunes e Thomas Traumann. Baseados em ampla pesquisa emp\u00edrica os autores procuraram mapear como a polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, cristalizada em um fen\u00f4meno que eles definem como \u201ccalcifica\u00e7\u00e3o\u201d, seria profunda e perigosa para o pa\u00eds. Para eles, na elei\u00e7\u00e3o de 2022, a mais disputada de nossa hist\u00f3ria, o Brasil teria vivido a consolida\u00e7\u00e3o de um processo de polariza\u00e7\u00e3o extrema<a href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fcrise-civilizatoria%2Fultradireita-as-raizes-da-seducao%2F#_bookmark19\">.<\/a><sup><a id=\"sdendnote20anc\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fcrise-civilizatoria%2Fultradireita-as-raizes-da-seducao%2F#sdendnote20sym\">xx<\/a><\/sup><\/p>\n<p>Os autores consideram que tal polariza\u00e7\u00e3o extrema \u00e9 um fen\u00f4meno intimamente conectado ao retorno do populismo em escala global, levando em conta este conceito como refer\u00eancia ao antagonismo pol\u00edtico enquanto confronto entre o bem, que seria o povo, e o mal, encarnado pelas elites, pondo o foco do debate na dimens\u00e3o moral, em detrimento de plataformas e propostas pol\u00edticas concretas. Como vimos acima com Steffen Mau e colaboradores, a tese da polariza\u00e7\u00e3o, ainda que muito sedutora, pode ser seriamente questionada, o que faremos ao longo do livro.<\/p>\n<p>Por fim, Marcos Nobre parte de uma an\u00e1lise das jornadas de junho de 2013, de modo a mapear a trajet\u00f3ria coletiva que teria nos trazido at\u00e9 aqui. Para o autor, a elei\u00e7\u00e3o de Bolsonaro teria levado o pa\u00eds a uma situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia democr\u00e1tica duradoura.<a id=\"sdendnote21anc\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fcrise-civilizatoria%2Fultradireita-as-raizes-da-seducao%2F#sdendnote21sym\"><sup>xxi<\/sup><\/a>Com isso formou-se, de maneira in\u00e9dita, desde a redemocratiza\u00e7\u00e3o, um movimento cuja exist\u00eancia seria o desafio permanente das institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas em sentido destrutivo. Este movimento, utilizaria a institucionalidade como instrumento, e n\u00e3o como fim, fazendo uso da pr\u00f3pria institucionalidade para destruir as institui\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Segundo Nobre, apenas uma pequena parcela de nossa esquerda democr\u00e1tica, sem muito potencial para alterar os rumos institucionais, teria visto em junho de 2013 um potencial de transforma\u00e7\u00e3o de nossa democracia, tendo naquela energia social dispersa um potencial de superar o fen\u00f4meno que ele tem definido como pemedebismo. Neste sentido, a cr\u00edtica aos limites da esquerda, que tem sido feita tamb\u00e9m por outros autores, bem como em que sentido ela vem \u201cperdendo a guerra\u201d para a extrema direita e como pode reagir, ser\u00e1 um dos pontos centrais de an\u00e1lise deste livro.<sup><a id=\"sdendnote22anc\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fcrise-civilizatoria%2Fultradireita-as-raizes-da-seducao%2F#sdendnote22sym\">xxii<\/a><\/sup><\/p>\n<p>Com isso, seguindo este movimento em tr\u00eas tempos, partindo dos cl\u00e1ssicos estudos sobre o fascismo, passando por algumas das principais discuss\u00f5es atuais sobre o autoritarismo e, por fim, adentrando no debate brasileiro, espero poder contribuir para a compreens\u00e3o dos limites e possibilidades de nosso debate interno. Assim, buscando ir al\u00e9m de nosso \u201cnacionalismo metodol\u00f3gico\u201d<sup><a id=\"sdendnote23anc\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fcrise-civilizatoria%2Fultradireita-as-raizes-da-seducao%2F#sdendnote23sym\">xxiii<\/a><\/sup>, oxigenando a an\u00e1lise atrav\u00e9s de di\u00e1logos com o que h\u00e1 de melhor na teoria social externa sobre o tema, acredito podermos pavimentar o caminho para a supera\u00e7\u00e3o do \u201cn\u00f3s contra eles\u201d que, em minha opini\u00e3o, tem sido um dos grandes entraves te\u00f3ricos e pol\u00edticos para a reconstru\u00e7\u00e3o da democracia no Brasil. Este ser\u00e1 meu objetivo final na conclus\u00e3o do livro.<\/p>\n<p>Por fim, vale ressaltar que este livro \u00e9 um resultado de minha estadia como professor visitante na Universidade de Jena, em 2022, a convite do professor Klaus D\u00f6rre e com apoio do DAAD. A acolhedora estadia na agrad\u00e1vel cidade de Jena, bem como no din\u00e2mico grupo de estudos do professor D\u00f6rre me proporcionaram est\u00edmulo, trocas intelectuais e motiva\u00e7\u00e3o mais do que o suficiente para a realiza\u00e7\u00e3o desta empreitada. Registro aqui tamb\u00e9m meu agradecimento ao DAAD pelo financiamento que tornou poss\u00edvel esta experi\u00eancia t\u00e3o produtiva e gratificante.<\/p>\n<p>Agora, antes de entrarmos na primeira parte, apresento um breve pr\u00f3logo sobre a obra de Georg Simmel, para abrir a discuss\u00e3o, considerando que ele talvez tenha sido o cl\u00e1ssico da sociologia que melhor compreendeu o sentido da liberdade para os modernos, o que \u00e9 de profunda import\u00e2ncia para todas as discuss\u00f5es posteriores. Veremos assim que a complexidade da ideia de liberdade n\u00e3o \u00e9 nova, o que nos ajudar\u00e1 bastante a compreender suas distor\u00e7\u00f5es atuais operadas pelos interesses autorit\u00e1rios mais escusos.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Notas<\/strong><\/h3>\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n<p><a id=\"sdendnote1sym\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fcrise-civilizatoria%2Fultradireita-as-raizes-da-seducao%2F#sdendnote1anc\">i<\/a>\u00a0Durkheim, \u00c9mile.\u00a0<em>As regras do m\u00e9todo sociol\u00f3gico.\u00a0<\/em>S\u00e3o Paulo: Martins Fontes, 2014.<\/p>\n<p><a id=\"sdendnote2sym\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fcrise-civilizatoria%2Fultradireita-as-raizes-da-seducao%2F#sdendnote2anc\">ii<\/a>\u00a0Ver Maciel, Fabr\u00edcio. Capitalismo indigno: do estado de bem-estar \u00e0 ascens\u00e3o da extrema direita. In: Estanque, El\u00edsio; Agnaldo, Barbosa; Maciel, Fabr\u00edcio.\u00a0<em>Re-trabalhando as classes no di\u00e1logo Norte-Sul: trabalho e desigualdades no capitalismo p\u00f3s-covid.\u00a0<\/em>S\u00e3o Paulo: Editora da Unesp, 2024.<\/p>\n<p><a id=\"sdendnote3sym\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fcrise-civilizatoria%2Fultradireita-as-raizes-da-seducao%2F#sdendnote3anc\">iii<\/a>\u00a0Ver Maciel, Fabr\u00edcio.\u00a0<em>A nova sociedade mundial do trabalho. Para al\u00e9m de centro e periferia?<\/em>Rio de Janeiro: Autografia, 2021.<\/p>\n<p><a id=\"sdendnote4sym\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fcrise-civilizatoria%2Fultradireita-as-raizes-da-seducao%2F#sdendnote4anc\">iv<\/a>\u00a0Horkheimer, Max. Die Juden und Europa. In: Horkheimer, Max (Org).\u00a0<em>Zeitschrift f\u00fcr Sozialforschung. Studies in Philosophie and Social Sciences<\/em>. M\u00fcnchen: Deutscher Taschenburch Verlag, 1980.<\/p>\n<p><a id=\"sdendnote5sym\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fcrise-civilizatoria%2Fultradireita-as-raizes-da-seducao%2F#sdendnote5anc\">v<\/a>\u00a0Adorno, Theodor.\u00a0<em>Estudos sobre a personalidade autorit\u00e1ria.\u00a0<\/em>S\u00e3o Paulo: Editora da UNESP, 2019.<\/p>\n<p><a id=\"sdendnote6sym\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fcrise-civilizatoria%2Fultradireita-as-raizes-da-seducao%2F#sdendnote6anc\">vi<\/a>\u00a0Fromm, Erich.\u00a0<em>O medo \u00e0 liberdade.<\/em>9\u00aa Ed. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1074.<\/p>\n<p><a id=\"sdendnote7sym\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fcrise-civilizatoria%2Fultradireita-as-raizes-da-seducao%2F#sdendnote7anc\">vii<\/a>\u00a0Marcuse, Herbert.\u00a0<em>O homem unidimensional.\u00a0<\/em>S\u00e3o Paulo: Edipro, 2015.<\/p>\n<p><a id=\"sdendnote8sym\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fcrise-civilizatoria%2Fultradireita-as-raizes-da-seducao%2F#sdendnote8anc\">viii<\/a>\u00a0Arendt, Hannah.\u00a0<em>Origens do totalitarismo.<\/em>S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2012.<\/p>\n<p><a id=\"sdendnote9sym\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fcrise-civilizatoria%2Fultradireita-as-raizes-da-seducao%2F#sdendnote9anc\">ix<\/a>\u00a0Amlinger, Carolin; Nachtwey, Oliver.\u00a0<em>Gekr\u00e4nkte Freiheit. Aspekte des libert\u00e4ren Autoritarismus.\u00a0<\/em>Berlin: Suhrkamp Verlag, 2022.<\/p>\n<p><a id=\"sdendnote10sym\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fcrise-civilizatoria%2Fultradireita-as-raizes-da-seducao%2F#sdendnote10anc\">x<\/a>\u00a0Illouz, Eva.\u00a0<em>Un demokratische Emotionen.DasbeispielIsrael.<\/em>Berlin: Suhrkamp Verlag, 2023.<\/p>\n<p><a id=\"sdendnote11sym\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fcrise-civilizatoria%2Fultradireita-as-raizes-da-seducao%2F#sdendnote11anc\">xi<\/a>\u00a0Heitmeier, Wilhelm.\u00a0<em>Autorit\u00e4re Versuchungen.<\/em>Berlin: Suhrkamp Verlag, 2018.<\/p>\n<p><a id=\"sdendnote12sym\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fcrise-civilizatoria%2Fultradireita-as-raizes-da-seducao%2F#sdendnote12anc\">xii<\/a>\u00a0Eatwell, Roger; Goodwin, Matthew.\u00a0<em>Nacional-populismo.A revolta contra a democracia liberal.<\/em>Rio de Janeiro; S\u00e3o Paulo: Record, 2020.<\/p>\n<p><a id=\"sdendnote13sym\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fcrise-civilizatoria%2Fultradireita-as-raizes-da-seducao%2F#sdendnote13anc\">xiii<\/a>\u00a0Traverso, Enzo.\u00a0<em>As novas faces do fascismo.Populismo e a extrema direita.<\/em>Belo Horizonte: \u00c2yin\u00e9: 2023.<\/p>\n<p><a id=\"sdendnote14sym\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fcrise-civilizatoria%2Fultradireita-as-raizes-da-seducao%2F#sdendnote14anc\">xiv<\/a>\u00a0Stefanoni, Pablo.\u00a0<em>A rebeldia tornou-se de direita?\u00a0<\/em>Campinas: Editora da Unicamp, 2022.<\/p>\n<p><a id=\"sdendnote15sym\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fcrise-civilizatoria%2Fultradireita-as-raizes-da-seducao%2F#sdendnote15anc\">xv<\/a>\u00a0Mau, Steffen; Lux, Thomas; Westheuser, Linus.\u00a0<em>Triggerpunkte.KonsensundKonfliktinder Gegenwartsgesellschaft.\u00a0<\/em>Berlin: Suhrkamp Verlag, 2023.<\/p>\n<p><a id=\"sdendnote16sym\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fcrise-civilizatoria%2Fultradireita-as-raizes-da-seducao%2F#sdendnote16anc\">xvi<\/a>\u00a0Braga, Ruy.\u00a0<em>A ang\u00fastia do precariado.<\/em>S\u00e3o Paulo: Boitempo, 2023.<\/p>\n<p><a id=\"sdendnote17sym\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fcrise-civilizatoria%2Fultradireita-as-raizes-da-seducao%2F#sdendnote17anc\">xvii<\/a>\u00a0Rocha, Jo\u00e3o Cezar de Castro.\u00a0<em>Bolsonarismo. Da guerra cultural ao terrorismo dom\u00e9stico.\u00a0<\/em>Belo Horizonte: Aut\u00eantica, 2023.<\/p>\n<p><a id=\"sdendnote18sym\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fcrise-civilizatoria%2Fultradireita-as-raizes-da-seducao%2F#sdendnote18anc\">xviii<\/a>\u00a0Souza, Jess\u00e9.\u00a0<em>O pobre de direita:a vingan\u00e7a dos bastardos.\u00a0<\/em>Rio de Janeiro: Civiliza\u00e7\u00e3o brasileira, 2024.<\/p>\n<p><a id=\"sdendnote19sym\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fcrise-civilizatoria%2Fultradireita-as-raizes-da-seducao%2F#sdendnote19anc\">xix<\/a>\u00a0Lynch, Christian; Cassimiro, Paulo Henrique.\u00a0<em>O populismo reacion\u00e1rio. Ascens\u00e3o e legadodo bolsonarismo.\u00a0<\/em>S\u00e3o Paulo: Contracorrente, 2022.<\/p>\n<p><a id=\"sdendnote20sym\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fcrise-civilizatoria%2Fultradireita-as-raizes-da-seducao%2F#sdendnote20anc\">xx<\/a>\u00a0Nunes, Felipe; Traumann, Thomas.\u00a0<em>Biografiadoabismo.<\/em>Rio de Janeiro: Harper Collins, 2024.<\/p>\n<p><a id=\"sdendnote21sym\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fcrise-civilizatoria%2Fultradireita-as-raizes-da-seducao%2F#sdendnote21anc\">xxi<\/a>\u00a0Nobre, Marcos.\u00a0<em>Limites da democracia. De junho de 2013 ao governo Bolsonaro<\/em>. S\u00e3o Paulo: Todavia, 2022.<\/p>\n<p><a id=\"sdendnote22sym\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fcrise-civilizatoria%2Fultradireita-as-raizes-da-seducao%2F#sdendnote22anc\">xxii<\/a>\u00a0Aqui vale a pena conferir tamb\u00e9m as contribui\u00e7\u00f5es de Vladimir Safatle, com sua pol\u00eamica tese de que a esquerda morreu e o \u00faltimo livro de Jess\u00e9 Souza, no qual o autor procura reconstruir o caminho para \u201cressuscitar\u201d a esquerda. Ver Safatle, Vladimir.\u00a0<em>A esquerda que n\u00e3o teme dizer seu nome.\u00a0<\/em>S\u00e3o Paulo: Editora Planeta, 2025; Souza, Jess\u00e9.\u00a0<em>Por que a esquerda morreu? E o que fazer para ressuscit\u00e1-la.\u00a0<\/em>Rio de Janeiro: Civiliza\u00e7\u00e3o brasileira: 2025. Para esta discuss\u00e3o, ver tamb\u00e9m Domingues, Jos\u00e9 Maur\u00edcio.\u00a0<em>Uma esquerda para o s\u00e9culo XXI. Horizontes, estrat\u00e9gias e identidades.\u00a0<\/em>Rio de Janeiro: Mauad, 2021.<\/p>\n<p><a id=\"sdendnote23sym\" href=\"read:\/\/https_outraspalavras.net\/?url=https%3A%2F%2Foutraspalavras.net%2Fcrise-civilizatoria%2Fultradireita-as-raizes-da-seducao%2F#sdendnote23anc\">xxiii<\/a>\u00a0Com este termo, Ulrich Beck procura tematizar o reducionismo pol\u00edtico e cognitivo das an\u00e1lises sobre a desigualdade ao longo do s\u00e9culo XX ao esquadro das sociedades nacionais. Ver Beck, Ulrich.\u00a0<em>Die Neuvermessung der Ungleichheit unter den Menschen.\u00a0<\/em>Frankfurt am Main: Suhrkamp, 2008.<\/p>\n<p>Fonte: Ultradireita: as ra\u00edzes da sedu\u00e7\u00e3o | Outras Palavras &#8211; Link da mat\u00e9ria: https:\/\/outraspalavras.net\/crise-civilizatoria\/ultradireita-as-raizes-da-seducao\/<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fabr\u00edcio Maciel &#8211; Novo livro analisa as ambival\u00eancias no cora\u00e7\u00e3o do autoritarismo. Frente a um sistema que corroi la\u00e7os solid\u00e1rios e descarta vidas, emergem rancores, at\u00e9 contra a democracia. Mas h\u00e1 outra face: o anseio da popula\u00e7\u00e3o por alternativas pol\u00edticas. O autoritarismo \u00e9, sem d\u00favida, um dos grandes temas da atualidade. 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